11 de maio de 2009

OS POBRES NÃO PEDERÃO NADA

PROSA POLÍTICA - FRANCISCO MARCOS ( cientista político)
A expressão aspada acima é do máximo mandatário da nação, diz respeito ao problema de rendimentos da caderneta de poupança. Como tem diminuído a taxa SELIC que reflete os juros dos papéis do governo, a aplicação nos mesmos tornou-se desinteressante. Sobre os rendimentos destes papéis incide desconto do imposto de renda. Esta tributação navega de 22,5% até 15,0%, quanto maior o prazo de resgate menor o recolhimento de imposto de renda. Como a caderneta de poupança não paga imposto de renda, e os bancos têm que respeitar regras para a mesma, isto é o que chamamos de destinação carimbada.
A aplicação em papéis governamentais deixou de ser apetitosa para os aplicadores, bancos e quem mais perde é o governo. Se não conseguir colocar os papéis de que maneira conseguirá rolar a dívida interna que é monstruosa? Os bancos perderão um importante naco de lucro$, portanto a decisão ficará nas mãos dos serviçais do Partido Financeiro. Existe um mal estar entre Banco Central e Ministério da Fazenda, já tornado público, não é informação de cocheira. Meirelles é ex- presidente mundial do Bank of Boston, ilações são proibidas. Mantega no atual governo vive sendo desautorizado. Tem carradas de razão o mandatário ao fazer a afirmação de que os pobres não perderão nada.
Quem jamais teve alguma coisa nada tem a perder. Perdeu sim, a sua dignidade, com o desvirtuamento da bolsa-família, a continuar da maneira que está será um eterno pedinte, dependente do governo. Hoje temos o Padim Ciço redivivo, sem despojamento, toalhas de algodão egípcio, a copa e a cozinha do palácio com gastos nababescos, cartão corporativo rolando frouxo em nome da segurança nacional.
O congresso não é uma geni solitária tem parceiro no mesmo diapasão. Para completar transcrevo parte de artigo de Delfim Netto no Folhão de 28 de janeiro de 2008: “A desconfiança e a descrença generalizada que substituíram a falsa credibilidade, vão transportando a crise “financeira” para a economia real dos EUA e dela – em maior ou menor grau – para a economia real de todos os países”.
Deve ser evidente que o capitalismo (ou seja, o “mercado”) não sobreviverá sem a regulação derivada de um imperativo moral categórico, internalizado pelos agentes e reforçado pela obrigação legal imposta pelo Estado.
Notem que o economista Delfim Netto foi o czar da economia nos anos militares, deputado federal por 20 anos e o consultor de cabeceira do atual mandatário.
“A rua é um departamento importante da escola do mundo, onde cada criatura pode ensinar e aprender”.

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