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23 de setembro de 2009

ROMÁRIO CANDIDATO A DEPUTADO

O ex-jogador vascaíno Romário lidera a lista de celbridades que irão disputar mandatos nas próximas eleições. Além de Romário, que se filia ao PSB para concorrer a uma vaga de deputado federal em 2010, a lista tem o ex-baterista do grupo O Rappa, Marcelo Yuka, que deve aderir ao PCdoB, a ex-prostituta e fundadora da grife Daspu, Gabriela Leite (PV), e o ex-jogador Edmundo, que sairá candidato a deputado pelo PP. A filiação de Romário se tornou possível após a aprovação, pelo Congresso (ainda falta a sanção do presidente), de legislação permitindo a candidatura dos chamados fichas sujaspara. Afundado em dívidas, que o obrigaram a leiloar sua casa por R$ 8 milhões, Romário sofre na Justiça cerca de 70 processos por crimes tributários, danos morais, entre outros. Segundo ele, sua bandeira será a Educação

7 de julho de 2009

O PALANQUEIRO DESCANSOU EM PARIS. a OPOSIÇÃO CONTINUA DE FÉRIAS NO BRASIL

DA COLUNA DE AUGUSTO NUNES




Horas depois de ter ensinado que fora da democracia não há salvação para Honduras, o presidente Lula reverenciou o amigo-irmão Muammar Khadafi e derreteu-se em elogios ao clube das ditaduras africanas. O governador José Serra não ousou sequer cobrar-lhe coerência. Terminada a pajelança dos tiranos, o serial killer Omar Al Bashir avisou que conta com o apoio do Brasil para escapar da prisão decretada pelo tribunal internacional de Haia. O governador Aécio Neves não se atreveu a exigir que Lula revelasse a extensão da amizade ou o grau de parentesco com a abjeção sudanesa.
De volta do safári, o chefe de governo acalmou José Sarney e, no mesmo dia, jantou com a bancada do PT no Senado para ordenar-lhe que ajudasse o mais recente amigo de infância. Nenhum senador da oposição recordou que, em 1986, Lula qualificou Sarney de "o maior ladrão do Brasil". Nenhum representante do PSDB perguntou se, afinal, o governo queria ou não eleger o senador Tião Viana, candidato da aliança entre tucanos e petistas.
Entre um acerto e uma ordem, Lula pegou carona na conquista da Copa do Brasil pelo Corinthians. Nenhum deputado do DEM quis saber se o presidente não tinha nada de mais relevante a fazer. Nenhum vereador do PPS aproveitou o tema para perguntar o que é que deu na cabeça do governo para torrar bilhões na gastança da Copa de 2014. Entre um cochicho e uma a declaração de passagem e uma discurseira, o mais falante pai da pátria desde a chegada das caravelas mandou a bola na arquibancada: "O PSDB quer ganhar no tapetão", fantasiou, alertando paro o risco de araque: a renúncia do presidente José Sarney resultaria na ascensão do vice Marconi Perillo. Nenhum parlamentar supostamente oposicionista ensinou que o senador tucano teria de convocar uma nova eleição. Ninguém no PSDB, no DEM, no PPS ou no PSOL recomendou a Lula que coletasse informações elementares para desinformar melhor.
"Existem assuntos muito mais importantes que a crise no Senado", advertiu Lula. É verdade, deveriam ter berrado os candidatos José Serra e Aécio Neves, encerrando a conversa fiada sobre as prévias do PSDB para ouvirem com alguma atenção os gritos de protesto que se multiplicam na internet entre a multidão dos oposicionistas de verdade. A gripe suína, por exemplo, insiste em crescer no Brasil. Não soube da proibição presidencial? Onde terá falhado o sistema de saúde que o chefe considera próximo da perfeição? O tratamento dispensado por Lula aos escândalos em Brasília permite enquadrá-lo no artigo legal que trata da apologia do crime. Nenhum advogado tucano sabe disso? Seguem paralisados os canteiros de obras que deveriam cuidar de mais de 2 mil quilômetros de estradas federais em decomposição. Em que gaveta dormem as verbas prometidas pelo PAC?
No fim de semana, livre de perguntas e cobranças, Lula foi para Paris com a Primeira Passageira recuperar-se das canseiras da campanha eleitoral. A oposição oficial continua de férias no Brasil.

4 de junho de 2009

SÓ UNIÃO CONTRA LULA

Por MARVAL PEREIRA

O Globo - 04/06/2009

Enquanto o PT convenceu-se rapidamente de que a unidade em torno da ministra Dilma Rousseff, candidata escolhida pelo presidente Lula e não pela cúpula partidária, era a melhor aposta para a tentativa de permanecer à frente do governo, setores importantes do PSDB ainda não estão convencidos de que o governador de São Paulo, José Serra, é a melhor escolha para o partido tentar reconquistar o poder federal.

Essa diferença de comportamento dá uma clara vantagem, neste momento, às forças governistas, e somente a inesperada doença da ministra pode enfraquecer sua posição na corrida presidencial. Ao mesmo tempo em que se debate mais uma vez entre dois presidenciáveis, o PSDB vai perdendo terreno numa corrida que, por decisão estratégica do presidente Lula, foi antecipada e já não há como ser freada.
Com o agravante de que o governador de Minas, Aécio Neves, é um político de mais peso e história pessoal do que Geraldo Alckmim. A decisão de Serra de não se jogar a campo até o ano que vem teria sentido se o partido estivesse unido em torno dele inequivocamente.
E, se os governos de São Paulo e de Minas Gerais, dois dos mais importantes estados da federação, servissem de exemplo das alternativas tucanas de administração - espécie de laboratórios em que a população poderia identificar que mudanças para melhor os tucanos imporiam na administração federal caso voltassem ao poder em 2010.
Ao contrário, diante da crise econômica internacional que poderia afetar a credibilidade da política governamental, o governo Lula vem adotando medidas que vêm sendo percebidas como corretas, não apenas pela população de maneira geral, mas pelo empresariado.
Mesmo que a economia esteja em recessão e que provavelmente feche o ano com crescimento negativo, e que o desemprego aumente, os incentivos fiscais para setores da indústria, os financiamentos do BNDES, o programa habitacional e as obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) formam um conjunto de ações que dá a sensação de que o governo está fazendo tudo o que é possível diante de uma situação que não foi criada por ele.
O problema da oposição é que, mesmo que o PAC seja mais uma obra de ficção do que um programa planejado de mudança estrutural, e que o projeto de construir um milhão de casas populares seja mais uma peça de propaganda do que uma realidade factível, é difícil transformar isso em uma peça de oposição inteligível pelo eleitorado.
O governo parece acenar com esperança, enquanto a oposição parece querer o quanto pior, melhor.
Assim como é difícil para a oposição transformar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no grande vilão da crise - como tenta fazer o governador de São Paulo, que concentra no Banco Central as críticas ao governo, enquanto confraterniza em público com o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff, na tentativa de não se atritar antes da hora com um governo popular ou, quem sabe, de fazer com que parte do eleitorado lulista o veja como uma alternativa melhor do que a oficial.
Durante todo o primeiro governo Lula e boa parte do segundo, a permanência de Henrique Meirelles à frente do Banco Central era vista como uma capitulação de Lula aos méritos da política econômica tucana, e a autonomia do Banco Central como um dos principais fatores que conseguiram equilibrar a economia brasileira, mesmo com o aumento dos gastos públicos.
Não foram poucas as vezes em que o PSDB uniu-se para defender o Banco Central dos ataques de setores petistas, que pediam a cabeça de Meirelles.
O presidente Lula, recentemente, disse que o presidente do Banco Central é o ministro que mais defende o povo, pois, com a política fiscal, a inflação está sob controle e o poder de compra da população está preservado.
Até mesmo a valorização do real, em decorrência dos juros altos, tem a vantagem de fazer a alegria da classe média, embora prejudique as exportações.
Antes de a crise estourar, a oposição tinha um discurso de gerenciamento moderno eficiente contra o aparelhamento do estado petista, e defendia as reformas estruturais como imprescindíveis para que o país pudesse crescer no ritmo dos demais emergentes.
Com a crise, o papel do Estado na economia ganhou dimensões salvadoras em todo o mundo, e o governo Lula passou a defender a justeza de sua política, mesmo distorcendo conceitos e tratando como solução definitiva a intervenção do Estado que, nos países desenvolvidos, é vista como uma solução radical e temporária.
O que era considerado erro do governo passou a ser virtude: bancos estatais, programas sociais de cunho assistencialista como o Bolsa Família, que teriam efeito duplo, em termos equitativos e de aquecimento de demanda.
O aumento do salário mínimo, que aumenta a rigidez trabalhista e o déficit da Previdência, tem também um efeito direto sobre demanda através dos programas sociais a ele vinculados.
Até mesmo o PAC, cuja maioria de obras não saiu do papel, é apontado como um programa contracíclico de efeitos sociais, comparável pelos mais governistas ao New Deal que ajudou a tirar os Estados Unidos da Grande Depressão, na década de 30 do século passado.
Mesmo sendo uma obra propagandística, o PAC faz a alegria dos empreiteiros e ajuda a dar ao governo Lula o apoio de setores empresariais importantes.
As pesquisas de opinião mostram que a estratégia está dando certo e que a popularidade de Lula ajuda a alavancar a candidatura de Dilma Rousseff.
Para não perder novamente o poder nacional, será preciso a oposição convencer o eleitorado de que Dilma não é Lula outra vez. Só resta encontrar um caminho de unidade, com uma chapa puro-sangue, que contraponha a experiência administrativa de seus principais governadores à inexperiência de Dilma.