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13 de junho de 2010

GOVERNO BANCA ESQUADRÃO DE MILITANTES, DIZ SERRA




 FOLHA DE S. PAULO

Em crítica a Dilma, tucano afirma que não caiu "de paraquedas" e que não tem "patota corporativa"

O ex-governador José Serra acusou o governo do presidente Lula de "montar um esquadrão de militantes pagos com dinheiro público".

Na convenção que oficializou sua candidatura à Presidência, em Salvador, Serra fez o mais duro discurso da campanha até agora. Ontem, a Folha revelou que um dossiê feito pelo PT continha dados do sigilo fiscal do dirigente tucano Eduardo Jorge Caldas Pereira.

"Não tenho esquemas, não tenho máquinas oficiais, não tenho patotas corporativas, não tenho padrinhos", disse Serra. Ele criticou a aproximação do governo Lula com ditaduras.

Sem citar Dilma Rousseff, sua adversária do PT, Serra se referiu à falta de experiência da petista: "Não comecei ontem, não caí de paraquedas".

Serra acusa governo de criar "esquadrão de militantes"

Lançado candidato, tucano diz que "patota" é paga com dinheiro público

Discurso de Serra no evento de lançamento de sua candidatura foi o mais duro que já fez contra seus adversários

Catia Seabra, Silvio Navarro e Breno Costa
Enviados especiais a Salvador

No lançamento oficial de sua candidatura à Presidência, o tucano José Serra fez ontem o seu discurso mais duro desde o início da pré-campanha, acusando o governo de "montar um esquadrão de militantes pagos com dinheiro público".

Na festa, que reuniu cerca de 8.000 militantes em um clube de Salvador, segundo a PM, o tucano disse que "essa patota corporativa" exerce uma "patrulha de ideias" para intimidar a oposição.

"Não tenho esquemas, não tenho máquinas oficiais, não tenho patotas corporativas, não tenho padrinhos, não tenho esquadrões de militantes pagos com dinheiro público", discursou.

Os ataques aconteceram no mesmo dia que a Folha revelou que um "grupo de inteligência" ligado à campanha da petista Dilma Rousseff quebrou o sigilo fiscal de um dirigente tucano.

Serra comparou, indiretamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Luís 14 (1638-1715), rei da França no auge do regime absolutista e autor da máxima "O Estado sou eu".

"Luís 14 achava que o Estado era ele. Nas democracias e no Brasil, não há lugar para luíses assim."

Embora não tenha citado diretamente a montagem do grupo para a produção de dossiês, Serra criticou o "uso maciço do aparelho e das finanças do Estado".

"Num regime democrático, [a oposição] jamais deve ser intimidada e sofrer tentativa de aniquilação pelo uso maciço do aparelho e das finanças do Estado."

Sem citar Dilma, Serra fez referências a ela. Disse, por exemplo, que não tem mal-entendido com o passado, numa alusão sutil à participação da petista em movimentos de guerrilha.

O tucano também a desafiou para o debate ao afirmar que não se pode representar o povo sem se submeter ao julgamento do próprio povo.

Dentro da estratégia de lançar dúvidas sobre a biografia da petista, afirmou que ele tem um única cara."Não comecei ontem e não caí de paraquedas. [...] Sou o que sou. Sem disfarces e sem truques. Tenho uma cara só e uma só biografia."

"NEOCORRUPTOS"

Serra chegou a usar a expressão "neocorruptos" para quem comete deslize moral sob o argumento de que os outros também o praticam; mencionou o mensalão, ponto mais vulnerável da era Lula, e acusou o governo de ataques a órgãos fiscalizadores.

Criticou ainda a política externa do governo: "Não devemos elogiar continuamente ditadores em todos os cantos do planeta, só porque são aliados eventuais do partido de governo".

A relação do governo com os movimentos sindicais também foi objeto de ataques. "Organizações pelegas e sustentadas com dinheiro público devem ser vistas como de fato são: anomalias."

Um dos oradores da convenção, o ex-governador de Minas Aécio Neves disse que não se deve desdenhar a democracia e que o país não precisa de "messias".

Reunidos em Salvador, os líderes de PSDB, DEM, PPS e PTB estiveram presentes na festa tucana.

Sem vice, a convenção delegou à Executiva do partido a escolha do companheiro de chapa de Serra

CANDIDATURA DE SERRA À PRESIDÊNCIA É FORMALIZADA EM CONVENÇÃO DO PSDB



Agência Brasil

 
Luciana Lima

Enviada Especial

Salvador - Com críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT, a candidatura do ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB) foi formalizada hoje (12) na convenção nacional tucana, em Salvador. Serra deu ênfase a sua postura de “respeito às liberdades”, que, segundo ele, não é o que ocorre hoje no Brasil.

“Acredito na democracia e isso não é uma crença de ocasião. Muitos políticos ou partidos que se apresentam como democratas desdenham a democracia nas suas ações diárias. Mas ao contrário de adversários políticos, para mim, o compromisso com a democracia não é tático, não é instrumental. É um valor permanente. Inegociável”, disse Serra que recorreu a Santo Antônio para falar de suas posturas.

“Hoje, estamos na véspera de um dia especial, é véspera de Santo Antônio, patrono do Farol da Barra [bairro de Salvador], nome de um dos meus netos. Santo Antônio é Ogum, guerreiro valente e orixá da lei, intransigente no cumprimento dos princípios e das verdades eternas. Vamos falar disso. Falar de nossos valores, dos meus valores”, disse.

Serra ainda ressaltou que respeita a liberdade de imprensa e que não aceita “patrulha de ideias”.


“A imprensa não deve ser intimidada, pressionada pelo governo, ou patrulhada por partidos e movimentos organizados que só representam a si próprios, financiados pelo aparelho estatal. Não aceito patrulha de ideias, nem azul, nem vermelha”, disse.

O candidato tucano ainda classificou como “anomalias” as organizações de trabalhadores que, segundo ele, são sustentadas com o dinheiro público e servem para a manutenção de esquemas de poder.

Sem citar o nome do presidente Lula, que as pesquisas registram grande aprovação de sua imagem, principalmente no Nordeste, Serra chegou a comparar a situação brasileira com a da França, na época de Luís XIV. “Acredito que o Estado deve subordinar-se à sociedade, e não ao governante da hora, ou a um partido. O tempo dos chefes de governo que acreditavam personificar o Estado ficou para trás, há mais de 300 anos. Luís XIV achava que o Estado era ele. Nas democracias e no Brasil, não há lugar para 'luíses' assim”, afirmou.

Serra ainda criticou os governantes que mantêm relações com chefes de países não democráticos. “Acredito nos direitos humanos, dentro do Brasil e no mundo. Não devemos elogiar continuamente ditadores em todos os cantos do planeta, só porque são aliados eventuais”, disse

O tucano também falou do papel do Congresso Nacional, que, segundo ele, deve ser um local de debate e de entendimento político. “Acredito no Congresso Nacional como a principal arena do debate e do entendimento político, da negociação responsável sobre as novas leis, e não como arena de mensalões, compra de votos e de silêncios”.










Edição: Aécio Amado