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18 de maio de 2010

AHMADINEJAD ANUNCIA LIBERTAÇÃO DE FRNCESA

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou a libertação de uma professora francesa, que havia sido presa em Teerã, ano passado.
Clotilde Reiss foi detida por suspeita de espionagem durante os protestos contra as eleições presidenciais e condenada a dez anos de prisão.
A professora teria sido libertada no sábado e voltado para casa no mesmo dia.
Chegou a ser anunciado que Mahmoud Ahmadinejad teria dito que a libertação de Clotilde era um presente para o Brasil. Notícias divulgadas na França informam que a libertação da prisioneira francesa foi objeto de troca com o governo francês que libertou presos iranianos.

11 de setembro de 2009

FORÇA AÉREA ATRIBUI CONFUSÃO A "PRECIPITAÇÃO DA IMPRENSA"

Por ELIANE CANTANHÊDE

Folha de S. Paulo - 11/09/2009
O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, afirmou ontem que toda confusão da semana foi por "uma precipitação" da imprensa, porque o processo de seleção dos caças que vão renovar a frota da FAB continua e em nenhum minuto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse o contrário.

Para Juniti Saito, em nenhum momento Lula disse que o processo de seleção tinha acabado
Comandante da Aeronáutica diz que faz apenas "análise técnico-comercial" e que "o governo tem uma estratégia que nós não conhecemos"
FOLHA - O favorito no FX [programa de renovação da frota de caças iniciado no governo FHC] acabou sendo o Gripen sueco. Por que não manter isso?
SAITO - Naquela época, concorreram o Sukhoi, o Mig, o F-16, o Gripen e o Mirage 2000-5 e, com esses concorrentes, o Gripen C e D recebeu uma boa colocação, sim. Agora, é um outro certame. Quem concorre é um outro Gripen, o NG, um avião ainda em desenvolvimento, o F-18 Super Honet, muito mais moderno, e o Rafale, que não é o Mirage, é um outro avião.

FOLHA - Por que o Sukhoi russo foi excluído?
SAITO - Não atendeu, por exemplo, o requisito de transferência de tecnologia.

FOLHA - Se o Sukhoi foi descartado porque os russos não transferiam tecnologia, conclui-se que todos os três transferem. Por que o governo diz que o Rafale é preferido por isso?
SAITO - Em que grau, eu não sei, mas todos os três transferem tecnologia.

FOLHA - O que significa transferência de tecnologia nessa área?
SAITO - Há várias áreas e vários graus de transferência de tecnologia e, numa determinada área, eu quero me capacitar ao ponto de ficar autônomo. No AMX, nos anos 80, que foi um consórcio Brasil-Itália, coube à Embraer uma participação importante na fabricação de componentes. Foi com esse conhecimento que a Embraer conseguiu evoluir para fabricar todos esses aviões que estão aí.

FOLHA - Há uma gradação nessa transferência de tecnologia?
SAITO - Pode haver uma parte muito sensível, e que o país diga assim: "Olha, eu cedo tecnologia nessa parte daqui, mas nessa outra, não". O avião é uma plataforma importante, mas o que vai nela é muito mais importante. Você tem de considerar o sistema de armas.

FOLHA - Quando afunila em três concorrentes, qual o peso do requisito preço?
SAITO - Lembre-se de que se trata de um produto de segurança e cada item tem seu peso específico. Você sabia que esse processo tem mais de 26 mil páginas? Há ofertas, contraofertas, e tudo está assinado.

FOLHA - Vocês falam em cinco aspectos da seleção, como os operacionais e a transferência de tecnologia. E o político?
SAITO - Fazemos uma análise técnico-comercial, mas isso tudo vai para o governo, que é quem analisará a parte estratégica, qual o país melhor... Sei lá. O governo tem uma estratégia que nós não conhecemos. A decisão final é dele.

FOLHA - Por que tanta turbulência com o comunicado de que a preferência era pela França?
SAITO - Eu não recebi do presidente: "Saito, encerra o processo porque eu já escolhi". Então, eu não sei por que tanto alarde. Quando me mostraram o comunicado, dizendo que tinha terminado, eu disse que não tinha entendido assim, não.

FOLHA - Foi uma surpresa?
SAITO - O que foi uma surpresa foram as manchetes dos jornais, porque, na minha interpretação, o comunicado conjunto não era para terminar e escolher um.

FOLHA - O comunicado explicitou que a aliança com a França englobava a área aeronáutica e usou o verbo "decidir" para anunciar o início de negociações para a aquisição dos Rafale. Não é claríssimo?
SAITO - Quando o comunicado fala em "aeronáutica", isso abrange vários setores, inclusive helicópteros, cuja compra já estava decidida.

FOLHA - Por que o governo manifestou preferência pelo Rafale?
SAITO - Não digo que é um indicador, mas foram eles que ofereceram transferência de tecnologia dos submarinos, ofereceram fazer o helicóptero aqui na Helibras.

FOLHA - Todo mundo acha que houve essa confusão toda, mas vai acabar dando o Rafale. Vai?
SAITO - Eu não sei. Pode até ser.

9 de setembro de 2009

RECUOS, MAL-ESTAR, CONFUSÃO, NOTAS PELA DIVULGAÇÃO DA COMPRA DOS CAÇAS ANTES DA HORA,

Lula decidiu comprar caças franceses sem parecer da FAB

Depois de mal-estar, governo recua de anúncio sobre caças

EUA dizem que disputa ainda não acabou

Jobim tenta contornar mal-estar e em nota diz que seleção não está concluída

''França está mais perto do Brasil que EUA''O presidente Lula anunciou a negociação para comprar os caças Rafale, da empresa francesa Dassault, antes de receber o relatório da Força Aérea Brasileira sobre as propostas das três interessadas no negócio. O relatório seria entregue a Lula no fim deste mês pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. Em nota, Jobim ratificou o interesse pela oferta francesa, mas, em aparente e inusitado desmentido, disse que o governo não fechou questão e que as negociações prosseguem com as três fornecedoras. Na véspera, o chanceler Celso Amorim deixara claro que a decisão foi política: "Não vou entrar em aspectos legais. Há decisão de iniciar negociação com um fornecedor e não há a mesma decisão em relação aos demais." Para a imprensa francesa, o negócio salvou a Dassault, pois seria a primeira venda internacional do Rafale.
Ao anunciar antes do esperado a definição do Brasil pelos caças da francesa Dassault, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou constrangimento no seu próprio governo, que teve de recuar ontem, informando que o processo de seleção não está concluído e que o F-18 dos EUA e o Gripen sueco ainda estão na disputa. O comunicado conjunto de anteontem dizia que Lula e o presidente Nicolas Sarkozy "decidiram fazer do Brasil e da França parceiros estratégicos também no domínio aeronáutico" e anunciava "a decisão" de entrar em negociações para a compra. Em nota ontem à noite, Nelson Jobim (Defesa) corrigiu: "o processo de seleção (...), ainda não encerrado, prosseguirá com negociações junto aos três participantes".
O governo dos EUA considera que a disputa pelo fornecimento de 36 aviões de combate ao Brasil não está encerrada e reiterou que a proposta da Boeing é "forte e competitiva". "Entendemos que uma decisão final ainda não foi tomada", disse um porta-voz do Departamento do Estado, que afirmou que seu governo "apoia totalmente a venda" do F-18 e "aprovou a transferência de toda a tecnologia necessária".A decisão de abrir negociação com a francesa Dassault para comprar 36 caças supersônicos Rafale está tomada e é uma atribuição política do presidente da República. Apesar do anúncio dessa preferência ter sido feito na segunda-feira, diante do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e reafirmada ontem pelo Planalto ao Estado, o governo admitiu que atropelou as regras formais da concorrência com o anúncio prematuro da opção pelo Rafale. Foi esse atropelo e o incômodo provocado no Comando da Aeronáutica e entre os concorrentes da Dassault que levaram o Ministério da Defesa a divulgar ontem nota oficial para deixar registrado que "o processo de seleção ainda não está encerrado". Surpreendido como anúncio logo depois da participação de Sarkozy no desfile do 7 de Setembro, em Brasília, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, disse ao presidente Lula que precisava dar uma satisfação aos concorrentes da empresa francesa.
Mulher forte do governo francês, a ministra de Economia e Emprego, Christine Lagarde, não esconde a satisfação com os acordos de defesa firmados entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o colega Nicolas Sarkozy. Para ela, é mais um desdobramento de uma parceria estratégica entre os dois países. "Os dois presidentes estão convencidos da natureza estratégica da relação entre França e Brasil", disse, ao receber o Estado, na noite de segunda-feira, em um hotel na capital paulista. Recém-chegada de Brasília, onde acompanhou o desfile da Independência, ela deixou transparecer o entusiasmo nos elogios a Lula, que descreve como "ícone mundial". Afirmou que ele acertou ao dizer que a crise passaria pelo Brasil como uma "marolinha" e até o cumprimentou pela vitalidade. "Ele não parece nada desgastado pelo poder." Ganhou cabelos brancos, observou. Em compensação, emagreceu. Num sinal de que a França poderá encampar bandeiras brasileiras, ela defendeu um assento para o País no Conselho de Segurança da ONU e condenou o protecionismo. "Temos de combatê-lo e erradicá-lo até onde for possível."
LEIAM AS MATÉRIAS ABAIXO

OS AVIÔES MILITARES FRANCESES RAFALE E O BRASIL

Autor(es): Gilles Lapouge
O Estado de S. Paulo - 09/09/2009


A França sempre apreciou o Brasil. Mas, depois do anúncio da compra pelo Brasil, de 36 aviões Rafale, esse amor chegou ao seu ápice e Lula, novo amigo íntimo de Sarkozy, é considerado o mais inteligente de todos os dirigentes do mundo.
Essa satisfação é explicada pela compra dos aviões militares franceses. Paris espera que esse "primeiro passo" dê início a uma estreita cooperação, no campo industrial e militar, entre França e Brasil. Não se pode negligenciar o fato de que a França, além dos Rafale, vai fornecer também quatro submarinos, o casco de um submarino nuclear, 50 helicópteros, representando 12 bilhões de euros.
Os franceses sonham modernizar toda a frota aérea brasileira (120 a 150 aviões) com seus aviões. Uma meta ambiciosa, mas eles acham que ela não está fora do alcance.
Até ontem, uma estranha fatalidade envolvia os Rafale. Esse avião é considerado por todos os especialistas como um dos melhores do mundo e, apesar de seus vinte anos de idade, um dos mais jovens. Mas até hoje não se conseguiu vender nenhum para o exterior.
Por dez vezes, o Rafale esteve prestes a arrebatar um grande mercado e nessas dez vezes foi vencido pelo aparelho de uma outra empresa.
Como se, num passe de mágica, uma bruxa, talvez o diabo, se divertisse fazendo o caça brilhar e, no último momento, tirar do seu caldeirão um outro candidato.
Essa bruxa, esse "diabo", tem um rosto? Muitos acham que tem fisionomia americana. Um breve histórico: em 2005, o avião francês parecia prevalecer em Cingapura. No entanto, foi o F-15 Eagle da Boeing que venceu, para surpresa de todos. Três anos antes, a Coreia do Sul começou a se equipar e os militares optaram pelo Rafale. Mas o eleito foi o F-15.
O caça francês conseguirá conjurar essa maldição? É a esperança de Paris. Atualmente há três países "onde o coração balança": Grécia, Suíça e Índia. E há ainda um quarto, os Emirados Árabes Unidos, que gostariam de adquirir 60 aparelhos, mas exigem alguns ajustes e motores mais potentes. Paris espera que a decisão do Brasil permita, como num conto de fadas, "pôr fim a essa fase de azar".
A Líbia também estava de olho no avião francês e Sarkozy ofereceu a Kadafi uma recepção suntuosa e grotesca, pois o coronel líbio exigiu dormir, em Paris, sob a sua tenda do deserto, desprezando os palácios parisienses. Esse circo ridículo não serviu para nada. Kadafi manteve-se calado. A decisão do Brasil vem "salvar" a fabricante de aviões francesa. Com efeito, a Dassault tira 70% das suas receitas da venda de seus aviões Falcon.
Ora, trata-se de um avião executivo e é claro que, com a crise econômica, as encomendas do aparelho minguaram. A brilhante ressurreição da frota militar, graças ao Brasil, é a oportunidade para salvar essa grande empresa que é a Dassault Aviation.

LULA DECIDIU COMPRAR CAÇAS FRANCESES SEM PARECER DA FAB

Autor(es): Jailton de Carvalho e Catarina Alencastro
O Globo - 09/09/2009

NUVENS SOBRE CAÇAS FRANCESES

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu abrir negociação para a compra de 36 caças Rafale, da empresa francesa Dassault, antes de receber o relatório da Força Aérea Brasileira (FAB) sobre as propostas dos três concorrentes que disputam o negócio milionário. Segundo a Aeronáutica, a previsão é que o documento com o ranking das empresas que disputam o negócio seja entregue a Lula pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, só no fim deste mês. No parecer, técnicos da FAB apontarão vantagens e desvantagens de cada proposta e informarão ao presidente qual projeto seria melhor para os militares brasileiros.
- O relatório não foi entregue ao presidente. O processo de licitação ainda está em aberto - disse um oficial do comando da Aeronáutica. Três empresas participam da licitação. Além da Dassault, estão na disputa o sueca Gripen e o caça americano F18. Segunda-feira, após o desfile do Sete de Setembro, Lula se reuniu com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e anunciou a abertura de negociações com a Dassault para a compra dos aviões de combate. Anteontem, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que esteve com Sarkozy no camarote de Lula durante o desfile, não deixou dúvidas sobre a escolha do governo brasileiro. - Se a licitação acabou? Não sei. Não vou entrar em aspectos legais. Há uma decisão de iniciar negociação com um fornecedor, e não há a mesma decisão em relação aos demais. Jobim: questão não está fechada Em nota divulgada ontem à noite, o ministro da Defesa ratificou o interesse pela oferta da Dassault, mas afirmou que o governo não fechou questão sobre o assunto. Segundo ele, o presidente da França prometeu oferecer "preços competitivos e razoáveis". A oferta foi feita, segundo a nota, dia 6. Lula e Sarkozy jantaram nesse dia. A nota de Jobim afirma, no entanto, que o processo de compra não foi encerrado. "Diante desse fato novo, o processo de seleção do Projeto FX-2, conduzido pelo Comando da Aeronáutica, ainda não encerrado, prosseguirá com negociações junto aos três participantes, onde serão aprofundadas e, eventualmente, redefinidas as propostas apresentadas", sustenta Jobim. Antes da divulgação da nota, Jobim explicou a líderes partidários a decisão anunciada. A explanação de Jobim foi feita após apresentação da Estratégia Nacional de Defesa e do projeto de lei complementar do Executivo para dar mais poder ao Ministério da Defesa. Segundo o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), faltam apenas alguns detalhes para que a negociação com a França seja concluída. - Está bem encaminhado com a França, mas o Jobim disse que tem que haver estudo do detalhamento técnico e financeiro da proposta. Mais financeiro, sobre vantagens, enfim, um exame mais cuidadoso. A tendência é que o negócio se concretize - disse. Aos deputados, Jobim teria dito que a escolha teria sido feita porque a França vai repassar tecnologia para o Brasil, o que os EUA não estariam dispostos a fazer. O encontro do ministro da Defesa com os líderes aconteceu na casa do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). PSDB, DEM e PPS, convidados, não compareceram. Na Câmara, o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), acusou o governo de encerrar a concorrência bilionária sem qualquer transparência: - Não sabemos sequer os termos do contrato. Será que haverá mesmo transferência de tecnologia? O preço é mesmo competitivo? Todas essas perguntas continuam em aberto.

"A FRANÇA ESTÁ MAIS PERTO DO BRASIL QUE EUA"

Autor(es): Clarissa Oliveira e Daniel Bramatti

O Estado de S. Paulo - 09/09/2009



Ela também defende um assento para o País no Conselho de Segurança da ONU e condena o protecionismo
Mulher forte do governo francês, a ministra de Economia e Emprego, Christine Lagarde, não esconde a satisfação com os acordos de defesa firmados entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o colega Nicolas Sarkozy. Para ela, é mais um desdobramento de uma parceria estratégica entre os dois países. "Os dois presidentes estão convencidos da natureza estratégica da relação entre França e Brasil", disse, ao receber o Estado, na noite de segunda-feira, em um hotel na capital paulista.
Recém-chegada de Brasília, onde acompanhou o desfile da Independência, ela deixou transparecer o entusiasmo nos elogios a Lula, que descreve como "ícone mundial". Afirmou que ele acertou ao dizer que a crise passaria pelo Brasil como uma "marolinha" e até o cumprimentou pela vitalidade. "Ele não parece nada desgastado pelo poder." Ganhou cabelos brancos, observou. Em compensação, emagreceu. Num sinal de que a França poderá encampar bandeiras brasileiras, ela defendeu um assento para o País no Conselho de Segurança da ONU e condenou o protecionismo. "Temos de combatê-lo e erradicá-lo até onde for possível."
Os acordos de defesa mostram um empenho do Brasil em ter a França como aliado estratégico. Como a srª avalia esses anúncios?
Os dois presidentes estão convencidos da natureza e do interesse estratégico da relação entre a França e o Brasil. Há um eixo na defesa. Mas creio que, no âmbito econômico, eles também dividem a visão de uma parceria aprofundada. Mas não estamos falando só de desenvolver exportações e importações, como fizemos por muito tempo. Eu diria ainda que eles compartilham uma visão geopolítica. Enxergam um mundo multipolar, com espaço para um grande país emergente como o Brasil.
O Brasil é hoje o maior parceiro da França no mundo emergente?
Com esse grau de troca e essa diversidade, sim. Não é o único. O presidente foi muito claro ao dizer que deseja desenvolver a relação com Brasil, Índia e Egito. Penso que é nessas nações que ele apoiará a política internacional francesa. Mas ele também disse claramente que, na América Latina, é o Brasil. É o grande ponto de apoio estratégico.
Para a França, um país construído sobre o conceito de segurança social, não é contraditório um país desigual como o Brasil gastar bilhões em defesa?
É parte de uma visão de médio e longo prazo. O presidente Lula foi muito claro quando relacionou riquezas petrolíferas, riquezas do solo e subsolo brasileiros e a necessidade de desenvolver uma defesa sólida.
Há críticas ao custo financeiro do acordo. Como a srª responde?
Não tenho como responder, não sei exatamente qual foi o preço. Houve um comunicado sobre o assunto.
O presidente Lula quer um assento no Conselho de Segurança da ONU. Sabemos que a França é favorável, mas a srª acha possível?
Acho possível. Vi o presidente francês se lançar em iniciativas nas quais estava convencido de sua visão, mas começou isolado. Pouco a pouco, angariou apoio, graças a sua convicção e determinação. No caso do assento do Brasil no conselho, ele nunca mudou de ideia.
No G20, podemos esperar uma união entre o Brasil e a França?
Acabei de voltar do encontro de ministros de Finanças do G20. Eu e Guido Mantega mantivemos sempre a mesma posição. Então, estávamos extremamente unidos.
Onde ficam os Estados Unidos? Afinal, havia competição americana na negociação dos caças.
Mas aí é uma questão de concorrência. Americanos, suecos, franceses, quem entra no mercado enfrenta uma concorrência árdua, intensa. No que se refere à organização internacional, é difícil dizer. Mas creio que a França está hoje mais próxima dos pontos de vista do Brasil do que os EUA.
Lula disse que a crise passaria pelo Brasil como uma "marolinha". A srª acha que ele tinha razão?
Quando vejo a taxa de crescimento de vocês, o fato de o consumo não ter realmente recuado e continuar a sustentar a economia, ele tinha razão em dizer isso.
Um ponto recorrente em discursos do presidente é que ele teria construído uma boa imagem para o Brasil. A França tinha uma boa relação com Fernando Henrique Cardoso. Realmente melhorou?
Ele construiu uma visibilidade, reputação, legitimidade no cenário internacional inegáveis. Não é colocar em questão o papel que exerceu o presidente Cardoso antes dele. Mas, hoje, o presidente Lula é um ícone mundial. Não é o único. Mas é um verdadeiro ícone.
A srª concorda com o presidente Obama em que ele "é o cara", pela popularidade nas pesquisas?
Tenho certeza de que ele tem muitos caras. Mas não me surpreende. Eu olhava o presidente Lula no desfile e, no olhar das pessoas na multidão e dos que desfilavam, havia uma admiração e afeto incríveis.
O Brasil tem muito peso no comércio agrícola e estaria melhor se não fosse o protecionismo. A srª vê um futuro sem protecionismo?
Não vejo futuro para o protecionismo. Acho que temos de combatê-lo e erradicá-lo até onde for possível. Uma vez colocada essa posição, ainda sofremos com a Rodada Doha. Vamos torcer para que os líderes resolvam esses problemas.
Falava-se há algum tempo em empresas francesas investirem no Programa de Aceleração do Crescimento. Isso foi discutido?
Não foi discutido. Mas temos um comitê técnico para identificar possibilidades, dificuldades, riscos de protecionismo, etc. E amanhã (ontem) reuniremos um grupo de alto nível com líderes empresariais. Acho que podemos encorajar investimentos. Nosso papel, como governo, é facilitar e organizar. De qualquer forma, vemos muita alegria no Brasil
O presidente Lula também é mais alegre que os outros?
Eu o vi em 2005, quando foi a Paris, e o reencontrei agora, quase cinco anos depois. Ele não parece nada desgastado pelo poder. Tem alguns cabelos brancos, mas emagreceu muito. Caiu-lhe muito bem.

DEPOIS DE MAL-ESTAR, GOVERNO RECUA DE ANÚNCIO DE CAÇA

Autor(es): ELIANE CANTANHÊDE

Folha de S. Paulo - 09/09/2009

Defesa diz que haverá negociações com os 3 concorrentes; francês deve ser mesmo o vencedor

Lula se precipitou em jantar com Sarkozy no domingo, o que irritou a Aeronáutica e deixou o ministro Jobim no meio de um fogo cruzado
Ao anunciar antes do esperado a definição do Brasil pelos caças da francesa Dassault, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou constrangimento no seu próprio governo, que teve de recuar ontem, informando que o processo de seleção não está concluído e que o F-18 dos EUA e o Gripen sueco ainda estão na disputa.
O comunicado conjunto de anteontem dizia que Lula e o presidente Nicolas Sarkozy "decidiram fazer do Brasil e da França parceiros estratégicos também no domínio aeronáutico" e anunciava "a decisão" de entrar em negociações para a compra. Em nota ontem à noite, Nelson Jobim (Defesa) corrigiu: "o processo de seleção (...), ainda não encerrado, prosseguirá com negociações junto aos três participantes".
A expectativa é que o negócio acabe sendo fechado com a França, mas só depois que a Dassault abaixar os preços do Rafale -o mais alto entre os concorrentes- e criar condições mais favoráveis de juros. Conforme a Folha apurou, Lula se precipitou no jantar com Sarkozy no domingo à noite e queimou etapas do processo de seleção, o que irritou o Comando da Aeronáutica e deixou Jobim no fogo cruzado.
Tanto que o ministro se recusou a dar entrevista na segunda no Alvorada para explicar um anúncio que é da sua área. Lula delegou a tarefa então para o chanceler Celso Amorim, que confirmou os termos do comunicado conjunto: "O que há é uma decisão de iniciar uma negociação com um fornecedor [a França].
E não há a mesma decisão em relação aos outros dois [EUAe Suécia]". Criada a confusão, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, reuniu durante todo o dia de ontem seus assessores. Eles se dizem satisfeitos como Rafale, mas não aceitaram o anúncio sem que o processo estivesse concluído. O relatório da FAB sobre as três opções nem sequer foi entregue ainda. Por volta das 15h, Jobim, Saito e o responsável pela seleção se reuniram para acertar um recuo que não confrontasse Defesa e Força Aérea com Planalto e Itamaraty. Na reunião do Conselho Político, Jobim deu uma explicação sobre o processo de escolha, defendendo que "os ritos e os prazos" fossem seguidos à risca para evitar questionamentos judiciais futuros.
Um dado considerado nas reuniões do governo foi que a opção por qualquer um dos três aviões só pode ser anunciada depois do aval do Conselho de Defesa Nacional, presidido por Lula e integrado por Jobim, Amorim, outros ministros e os presidentes do Senado e da Câmara.
Em encontro com líderes partidários, ontem, Jobim já tinha afirmado que o acordo entre Brasil e França para a compra de 36 Rafale ainda não estava fechado, e o que havia era apenas uma "conversa avançada" com os franceses. Questionado se Jobim teria confirmado a compra, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), foi enfático: "Ao contrário, ele disse que ainda está em negociação".
Ontem, militares e diplomatas fecharam-se para declarações, enquanto afunilava a versão em Brasília de que Lula tomou a decisão do anúncio praticamente sozinho e isso pode atrapalhar a negociação de detalhes, como preços e condições do negócio. Daí o recuo. No caso da compra de quatro submarinos da classe Scorpène, mais a tecnologia para a fabricação de um submarino nacional de propulsão nuclear no Brasil, houve várias etapas de negociação, até ser assinado o contrato em si.
Um dos motivos apontados para Lula ter se precipitado foi a intenção de Sarkozy de adquirir da Embraer brasileira dez unidades da futura aeronave de transporte militar e reabastecimento aéreo KC-390. O avião está em fase de projeto, com financiamento da FAB, e uma promessa de venda externa deverá deslanchá-lo no mercado internacional. As compras dos aviões franceses podem custar R$ 10 bilhões.

8 de setembro de 2009

LULA RECORRE ATÉ AO PRÉ-SAL PARA DEFENDER GASTO MILITAR BILIONÁRIO

Por Bernardo Mello Franco e Luiza Damé
O Globo - 08/09/2009

Acordo de R$ 31,1 bi com a França incluirá compra de 36 caçasNo 7 de setembro, o presidente Lula ampliou o discurso nacionalista e usou a Amazônia e o pré-sal para defender o acordo militar de R$ 31,1 bilhões com a França. Com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, acertou que o Brasil comprará 36 caças, num negócio estimado em R$ 7 bilhões. O pacote já incluía submarinos e helicópteros. "Temos 300 milhões de hectares na Amazônia que precisamos preservar. Descobrimos outra riqueza, o pré-sal. O petróleo foi motivo de muitas guerras. O Brasil não quer guerra", disse Lula. Sarkozy anunciou a compra de 10 aviões militares da Embraer, defendeu a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU e a candidatura do Rio à Olimpíada de 2016. O dia foi marcado por manifestações de "Fora Sarney" pelo país.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ontem que o Brasil comprará 36 aviões de combate Rafale, da fabricante francesa Dassault. O anúncio foi feito ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que veio ao país para fechar o negócio, estimado em R$ 7 bilhões, e ontem assistiu ao desfile de Sete de Setembro. A escolha encerra uma batalha comercial iniciada há 11 anos em torno do reaparelhamento da Força Aérea Brasileira (FAB). Foram derrotados os caças Gripen, da sueca Saab, e F-18, da americana Boeing. No total, o Brasil deve gastar R$ 31,1 bilhões em acordos com a França, incluindo a compra de submarinos e helicópteros.

Para justificar os altos investimentos em compras para as Forças Armadas, o presidente recorreu ao discurso nacionalista. Citou a descoberta das reservas de petróleo na camada do pré-sal e a necessidade de proteger as riquezas da Amazônia: — O Brasil é um país que prima pela paz. Ao mesmo tempo, temos 300 milhões de hectares de terras na Amazônia que precisamos preservar.
E agora descobrimos outra riqueza que é o pré-sal. Deve sempre passar pela nossa cabeça a ideia de que o petróleo já foi motivo de muitas guerras, muitos conflitos. E o Brasil não quer guerra nem conflito.
Segundo Lula, os caças franceses foram escolhidos porque o país foi o único a se comprometer a transferir tecnologia aeronáutica para a FAB: — Decidimos começar a negociação para a compra do Rafale. Para nós, o avião é importante, mas importante mesmo é ter a tecnologia para que possamos produzir esse avião no país. É isso que estamos negociando.
No fundo, o Brasil quer comprar um avião com a garantia de uso e transferência total da tecnologi
“Queremos construir e vender juntos”
Como contrapartida à compra dos caças, Sarkozy anunciou a intenção do governo francês de ajudar a desenvolver e comprar dez unidades do futuro avião de transporte militar KC-390, a ser produzido no Brasil pela Embraer. O modelo deve substituir os antigos Hércules C-130 da Aeronáutica.
Os presidentes não anunciaram os custos dessa operação.
Segundo Lula, a assinatura dos acordos inaugura uma parceria militar estratégica, com a cooperação entre os dois países. Além da compra dos caças, o acordo militar com a França inclui R$ 19 bilhões com a construção de submarinos — quatro convencionais e um nuclear — e R$ 5,1 bilhões com a fabricação de 50 helicópteros.
— A França não quer só vender para o Brasil, e o Brasil não quer só vender para a França. Queremos pensar juntos, criar juntos e construir juntos.
Se possível, vender juntos — disse, arrancando gargalhadas dos franceses.
Animado com o anúncio da compra dos caças, Sarkozy enalteceu os investimentos brasileiros na área militar e disse que o país pode se tornar o principal parceiro da França no setor: — Um país forte é um país que pode se defender. Os grandes atores do mundo têm uma política de defesa ambiciosa. Se existe um país no mundo onde há espaço para a tecnologia francesa, é o Brasil. Compartilhar tecnologia não nos dá medo, porque o tempo da colonização já acabou.
Sorridente, Sarkozy se desmanchou em elogios a Lula, a quem chamou de amigo, líder e “homem especial”. Em entrevista ao lado de Lula no Palácio da Alvorada, o francês manifestou apoio ao Brasil em quase todas as frentes de batalha do Itamaraty, desde a luta por uma vaga no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas até a candidatura do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016.
— O mundo tem necessidade da liderança do presidente Lula, por seu amor pela África, suas convicções democráticas e pelo exemplo que ele representa com sua trajetória. Tenho orgulho de ser seu amigo — disse.
A novela dos caças se arrastava desde 1998, quando a Aeronáutica começou o projeto FX, no governo Fernando Henrique. O processo estava em fase final. Em 2003, com três dias no cargo, Lula suspendeu a licitação, na época orçada em US$ 700 milhões, para a compra de 12 aviões, dizendo que destinaria o dinheiro ao Fome Zero.
Em novembro de 2007, a Aeronáutica anunciou a retomada do programa, com o título de FX-2.

7 de setembro de 2009

SARKOZY DEFENDE BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse nesta segunda-feira que considera uma questão de "justiça" o Brasil ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em declaração conjunta ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sarkozy defendeu reformas nas Nações Unidas que permitam maior participação dos países em desenvolvimento, como o Brasil, nas decisões tomadas pela cúpula mundial.

"Representamos 85% do PIB mundial, mas as instâncias nas nações Unidas devem se reformar ou correm o risco de perder a sua legitimidade. As Nações Unidas devem se reformar. Estamos no século 21, não podemos considerar normal que a África não tenha um membro permanente no Conselho de Segurança de Segurança. Também não acredito que, no café da manhã do G-8, não possamos convidar o Brasil. Isso é perigoso", afirmou.

Assim como Sarkozy, Lula defendeu mudanças no atual modelo da ONU (Organização das Nações Unidas) que permita maior representatividade de países em desenvolvimento.

Lula também disse ser favorável à maior participação de países pobres em discussões mundiais, como na cúpula do G-20. "O mundo não pode esquecer o que aconteceu no ano passado. A lógica de que o mercado ia resolver tudo, faliu. O Estado não pode abrir mão de ser o indutor. Tivemos que induzir mais dinheiro na produção. Se não existe o Estado, as coisas não funcionam com a facilidade que alguns imaginavam que iam funcionar. Vamos cobrar que cada país faça sua parte para que a crise não resulte no sofrimento dos mais pobres", afirmou.
leia aqui

SARKOZY DIZ QUE LULA NÃO CUMPRIU PROMESSA DE OFERECER CHURRASCO

DEU NA FOLHA

A presença do presidente da França, Nicolas Sarkozy, como convidado de honra das festividades do Dia da Independência mostrou o clima de informalidade que marca a sua relação pessoal com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de acompanhar os desfiles do Sete de Setembro ao lado do presidente brasileiro, na Esplanada dos Ministérios, Sarkozy não poupou elogios ao colega, de quem cobrou publicamente uma "dívida" por não ter oferecido um prometido churrasco durante sua rápida passagem no Brasil.
Bem-humorado, Sarkozy disse que cumpriu todos os seus objetivos políticos e comerciais durante sua visita ao Brasil, mas Lula deixou de lhe servir o esperado churrasco durante jantar realizado no Palácio da Alvorada na noite deste domingo.

"Eu disse que, se conseguíssemos fazer a metade do que desejamos, Lula e eu, seria fantástico. Não fizemos a metade, temos ainda 120% a fazer. Eu não devo dizer tudo o que imaginamos. Ele ainda está me devendo um churrasco. A única promessa que ele não me cumpriu foi oferecer um churrasco", disse Sarkozy.

Lula justificou o descumprimento da promessa ao confessar um "incidente" ocorrido no palácio que impediu Sarkozy de comer o churrasco. "Ele chegou às 20h30, o churrasco estava quase no ponto. Só que a churrasqueira tem um vidro temperado, estourou a churrasqueira e caiu o vidro em cima da carne. Eu não podia oferecer carne com vidro. A Marisa tinha intuído que ia chover, tínhamos uma moqueca capixaba com feijão tropeiro", afirmou.

Lula disse que, apesar do incidente, Sarkozy gostou do feijão tropeiro servido como alternativa ao fracassado churrasco. "Fico feliz que o presidente Sarkozy gostou muito do tropeiro. Significa que ele está se sentindo em casa", disse Lula.

O presidente francês veio ao Brasil sem a mulher, Carla Bruni, ex-modelo e cantora.
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AGENDA COMPLETA DO PRESIDENTE SARKOZY NO BRASIL

O presidente da França, Nicolas Sarkozy desembarcou na noite de domingo na Base Aérea de Brasília para uma visita de dois dias à capital federal. Da Base Aérea, ele seguiu para um jantar oferecido pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada. Sarkozy viaja acompanhado de de uma comitiva formada pelos Ministros da Cultura e Comunicação; Defesa; Economia e Comércio Exterior; dos Negócios Estrangeiros; Imigração, Integração, Identidade Nacional e Desenvolvimento Solidário; Educação Nacional, e pelo Secretário de Estado de Transportes; que também participa das comemorações do Dia da Independência do País. A presença francesa n o Brasil marca a agenda de compromissos do Ano da França no Brasil;
Às 09:00 hrs: o primeiro compromisso será às 9h da manhã desta segunda-feira, na Esplanada dos Ministérios, onde acontece o desfile cívico-militar.
Às 13:00 hrs: os presidentes Lula e Sarkozy se reúnem no Palácio da Alvorada, onde darão uma entrevista coletiva por volta da 13h. Esta prevista a assinatura de acordos nas áreas de cooperação policial; questões migratórias; defesa; transportes; e cooperação técnica, com vistas à criação de um banco de leite humano no Haiti; além de parcerias nas áreas de agricultura, transportes e tecnologias de informação.
Às 14:00 hrs Sarkozy participa da inauguração da exposição do projeto “Veículo Leve Sobre Trilhos” e assina com o Governo do Distrito Federal um empréstimo de 140 milhões de euros (cerca de R$ 370 milhões) para a construção da primeira fase das obras, prevista para terminar em 2010. O projeto torna Brasília o primeiro local na América Latina a usufruir deste sistema de transporte. A linha deve contar com 22,6 quilômetros de extensão

O DESFILE MILITAR DE 7 DE SETEMBRO

Começou começou às 9h10 desta manhã de segunda-feira o Desfile Militar de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A expectativa é que o evento reúna 50 mil pessoas, apesar do tempo nublado, atípico para a região nesta época do ano. A festa custou aos cofres públicos R$ 1.7 milhão, segundo levantamento da ONG Contas Abertas, obtidos por meio de pregão eletrônico. O montante é 21% menor que o gasto no ano anterior
No início do evento, foram executados por músicos do exército o hino nacional e o hino da Independência.
A festa é a primeira das comemorações da Semana da Pátria em Brasília. Neste ano, o convidado oficial é o Presidente da França, Nicolas Sarkozy, que chegou minutos antes de começar o desfile.

Devido ao ano da França no Brasil, o País terá uma participação especial nos festejos. Além da bandeira francesa, a banda da marinha francesa, com o primeiro regimento de infantaria da guarda republicana de honra, a patrulha acrobática francesa, e o terceiro regimento estrangeiro de infantaria da legião estrangeira vão participar da parada.
Com isso, o desfile conta com a participação de 4450 pessoas – 3300 militares e 1150 civis, 94 viaturas, entre blindados, tanques e caminhões, 51 motos e 231 cavalos. Uma pirâmide humana, com 30 homens em uma moto é destaque. Há manifestações culturais, como o bumba-meu-boi do Seu Teodoro, a Orquestra Popular Municipal da Ceilândia, o Centro Cultural Raízes do Brasil, além do espetáculo da Esquadrilha da Fumaça.
O tema da Semana da Pátria deste ano é a confiança e o mote é "Independência é para festejar". A ideia é valorizar o fato de o País ter se destacado no cenário mundial no enfrentamento da crise econômica. Após o desfile, que tem1h30 de duração, os líderes de Estado Lula e Sarkozy darão uma entrevista coletiva no Palácio da Alvorada, onde devem anunciar os acordos bilaterais.
Entre os presentes, estão o ministro da Educação, Fernando Hadadd, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro da Previdência Social, José Pimentel, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulce, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, a ministra Ellen Gracie do Supremo Tribunal e o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM).
Lula chegou com Marisa às 8h55. A primeira-dama está com um vestido verde e um xale branco. Minutos depois, Sarkozy também chegou ao desfile.