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27 de outubro de 2009

FUNDAÇÃO SARNEY FECHA AS PORTAS


A Fundação José Sarney decidiu fechar a entidade que mantém, no Maranhão, o acervo do período em que o atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ocupou a Presidência da República. Investigada por suspeita de desvio de verbas públicas e obrigada pela Justiça a devolver o prédio centenário que abriga sua sede, no centro histórico de São Luís, a Fundação José Sarney fechará as portas. A decisão foi anunciada pelo próprio senador José Sarney (PMDB-AP), presidente vitalício da entidade.
A informação foi antecipada pelo jornal " Folha de S. Paulo " . Segundo assessores do pemedebista, são mais de 200 mil documentos e 37 mil livros doados. Ainda não há previsão sobre o que será feito do material. A expectativa é que parte seja repassada para outra instituição.
Em nota, Sarney diz que o fechamento da fundação deve-se à falta de recursos financeiros. O presidente do Senado disse que tomou a decisão com " profunda amargura " .
" Essa é a minha opinião, em face da impossibilidade de seu funcionamento, por falta de meios, segundo fui informado pelos administradores. Os doadores que a sustentam suspenderam suas contribuições, pela exposição com que a instituição passou a ser tratada por alguns órgãos da mídia " , afirma Sarney.

Entidade ainda terá de se explicar, diz promotora

Representantes do Ministério Público afirmaram ontem que, fechada ou aberta, a Fundação José Sarney será obrigada a se explicar sobre as irregularidades em suas contas, dentre elas a suspeita de desvio de verba repassada pela Petrobrás.
Ao Estado, a promotora Sandra Mendes Elouf, titular da Promotoria Especializada em Fundações e Entidades de Interesse Social de São Luís, disse que a responsabilidade pelos desvios continuará a ser investigada. "Eu desconheço oficialmente essa decisão de fechar a fundação, mas, se ela realmente for extinta, os procedimentos continuarão a tramitar e as responsabilidades continuarão a ser investigadas", afirmou Sandra

26 de outubro de 2009

FOLHA REVELA AÇÃO DA FAMÍLIA SARNEY NA ELETROBRÁS


Jornal mostra ação da família Sarney

O jornal Folha de S. Paulo revelou, na edição de ontem, que investigação da Polícia Federal apontou suposto tráfico de influência do empresário Fernando Sarney em repartições públicas do setor elétrico com o conhecimento e participação de seu pai, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A investigação, ainda de acordo com a publicação, reúne interceptações telefônicas feitas mediante autorização judicial.
Em uma gravação mostrada pelo jornal, Sarney orienta o filho a arranjar emprego para aliados na cúpula da Eletrobrás, vinculada ao Ministério das Minas e Energia, pasta dirigida pelo ministro Edison Lobão, amigo do senador.
Outra interceptação, também reproduzida pela Folha, mostra Fernando comunicando que após concretizadas as nomeações indicadas pelo pai ele iria "atacar" os apadrinhados para liberar recursos de patrocínio a entidades privadas ligadas à família Sarney

Nas mãos de aliados de Sarney, Luz para Todos fracassa no MA

O Luz para Todos, criado em 2003 pelo governo Lula para levar energia elétrica às casas da zona rural, acumula problemas no Maranhão, Estado natal do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A meta original de ligações ainda não foi atingida e o programa está sob suspeita de fraude. O TCU (Tribunal de Contas da União) apura indícios de que os responsáveis pelas instalações maquiaram o número de ligações realmente feitas. O projeto no Maranhão é administrado por apadrinhados pelo presidente do Senado.
Em relatório a que a Folha teve acesso, o tribunal diz que inspeções da Eletrobrás constataram 13 mil ligações a menos do que o total (103 mil) que havia sido reportado pelo Estado ao Luz para Todos. Outro ponto questionado pelo TCU é uma suposta incongruência técnica nos dados fornecidos pela companhia de energia do Maranhão, a Cemar.

Povoado de Jabuti espera chegada de luz há 20 anos

Formado por 12 casas na zona rural de Esperantinópolis (MA), o povoado de Jabuti pacientemente espera por energia elétrica há mais de 20 anos.
Encravado entre morros cobertos de palmeiras de babaçu no interior do Maranhão, a 350 km de São Luís, o município é um dos que, segundo processo que corre no TCU, registraram fraudes no Luz para Todos.

Empresas negam fraude e defendem programa federal

A Cemar (Companhia Energética do Maranhão) e a Eletrobrás negaram a existência de qualquer tipo de fraude no programa Luz para Todos, do governo federal.
Sobre as 13 mil ligações (de um total de 103 mil) que teriam sido feitas a menos, a concessionária maranhense afirma que existe uma "diferença natural entre executar a obra e prestar contas à Eletrobrás", estatal responsável pelo programa

11 de outubro de 2009

FERNANDO SARNEY CONTROLA AGENDA DE LOBÃO

Grampos revelam ação de filho de Sarney

Edison Lobão, responsável por administrar o pré sal, segue ordens de Sarney.

Fernando Sarney dita compromissos para Edison Lobão (Minas e Energia).

Ele é quem controla os compromissos, agendas reuniões e encontros com empresários no gabinete do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão,
Conversas gravadas pela Polícia Federal revelam que Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), controla a agenda do ministro Edison Lobão.

Nos diálogos, interceptados pela PF, Fernando e o ex-ministro Silas Rondeau, aliado da família Sarney, ditam compromissos para Lobão ou para seus assessores. Também marcam e cancelam reuniões do ministro de Minas e Energia sem avisá-lo previamente.

Além disso, os dois orientam Lobão sobre o que dizer a empresários que irá receber, falam de nomeações no governo e discutem contratos depois assinados pelo ministério. Segundo a PF, as conversas configuram tráfico de influência.

Lobão disse que não há interferência; segundo ele, Fernando Sarney e Silas Rondeau não marcam nem desmarcam audiências. O ex-ministro Rondeau negou tráfico de influência. José Sarney e seu filho não quiseram comentar.
As escutas obtidas com autorização judicial, fazem parte da Operação Boi Barrica (cujo nome foi mudado para Faktor) que investiga negócios da família Sarney. De acordo com o relatório da PF, Fernando Sarney, teria coordenado a prática ilícita.
O antecessor de Lobão na pasta, Silas Rondeau, é aliado subordinado de Sarney, de acordo com o jornal, e teria deixado o ministério sob denúncias de corrupção em 2007.

Lobão negou ao jornal qualquer interferência de Fernando Sarney ou Silas Rondeau em sua agenda. Nas conversas interceptadas, Lobão é apelidado de Magro Velho, Rondeau, de Baixinho, Fernando de Bomba, Bombinha ou Madre, e José Sarney é citado como Madre Superiora.

16 de setembro de 2009

TRIBUNAL DO DF AFASTA DESEMBARGADOR QUE CENSUROU ESTADÃO





O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal afastou o desembargador Dácio Vieira do caso que envolve "O Estado de S. Paulo", mas a censura ao jornal não foi suspensa. No Senado, Sarney afirmou que "a mídia passou a ser inimiga das instituições representativas".
O desembargador Dácio Vieira, que proibiu o Estado de publicar reportagens sobre operação “Boi Barrica” da Polícia Federal a respeito da família Sarney, foi afastado do processo pelo TJDF, mas sua decisão de cercear o jornal permanece. Segundo a decisão, Vieira não tinha mais isenção para continuar no caso, do qual era relatar, já que criticou o jornal ao ser questionado pelos advogados do Estado sobre sua suposta amizade com os Sarneys. Os pares de Vieira não aceitaram a exceção de suspeição pelo alegado vínculo do desembargador com os Sarneys. Se essa exceção de suspeição tivesse sido aceita, a publicação de reportagens estaria liberada. Mas, como Vieira perdeu a isenção somente depois de ter tomado a decisão contra o jornal, a censura está mantido e terá de ser analisada pelo novo relatar. Falando “em tese”, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, disse que é “verdadeira incoerência” manter decisão de juiz considerado suspeito.
A proibição de publicar matéria sobre a operação da PF foi objeto de decisão liminar (provisória) proferida pelo Desembargador Dácio Vieira> Ela permanece em vigor, porque não foi alvo da análise desta terça-feira. Nesta tarde, o Conselho julgou apenas dois recursos do jornal, que pediam a declaração de suspeição do desembargador para analisar o caso. Em um deles, o advogado do jornal, Manoel Alceu Ferreira, pedia que o desembargador fosse considerado suspeito de julgar o caso “devido à sua proximidade com a família Sarney”. O Conselho Especial do TJDFT, porém, não acolheu o pedido de declaração de suspeição. O outro pedido, para que Dácio Vieira fosse afastado do caso “por ser inimigo capital” do jornal, também não foi acolhido, mas os desembargadores levaram em consideração. fatos que sucederam depois da decisão liminar e geraram insegurança em relação à imparcialidade do desembargador para julgar o processo de Fernando Sarney contra “O Estado de S. Paulo”. Dácio teria feito críticas públicas ao jornal. Assim, o Conselho determinou a redistribuição imediata do processo para um novo relator, que poderá cassar ou não a decisão inicial e também poderá optar por levar o caso direto para julgamento na 5ª Turma do TJDFT, que tem a prerrogativa de manter ou revogar a liminar.
O jornal aguarda ainda a análise de um mandado de segurança protocolado contra a liminar, no qual o veículo pede que seja reconhecido um "direito incontestável que está sendo violado ou ameaçado por ato manifestamente inconstitucional de uma autoridade", no caso Dácio Vieira.
Liminar A liminar que proibiu o jornal de publicar dados da operação foi concedida no dia 31 de julho pelo desembargador Dácio Vieira, que atendeu ao pedido da defesa do filho do presidente do Senado. Na ocasião, Vieira estipulou multa de R$ 150 mil para cada reportagem publicada pelo jornal em descumprimento à ordem. Em sua justificativa, o desembargador alertou que a medida foi tomada para evitar “lesão grave e de difícil reparação” a Fernando Sarney.