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12 de junho de 2010

PRESIDENTE DA VALE QUESTIONA METODOLOGIA DA FGV NO CÁLCULO DO IGP-M




Ivan Richard

Repórter da Agência Brasil



Brasília - O diretor-presidente da Vale, Roger Agnelli, questionou há pouco a metodologia usada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) para calcular o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) e que o minério de ferro tenha sido o vilão na alta do IGP-M que teve um salto na primeira prévia de junho e chegou a 2,21%.

Para Agnelli, é uma “coisa maluca” considerar que o preço do minério de ferro interfira no cálculo do valor dos aluguéis. “Dizer que o minério influi na inflação, é dizer que ele interfere no preço do aluguel. E não tem nada a ver uma coisa com a outra. A inflação, para mim, é calculada no que as pessoas pagam e isso [é medido] pelo IPCA”, disse Agnelli após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O que o preço do minério tem a ver com os contratos de aluguel? Não tem nada a ver. Ou se considera para o preço dos aluguéis outro tipo de indicador ou esse índice não serve”, completou.

De acordo com FGV, o item matérias-primas brutas teve alta de 11,26%, ante 0,53% na primeira prévia do mês anterior. Os preços de minério de ferro, que passaram de uma baixa de 2,67% para alta de 75,25%, estão entre as razões para o aumento do IGP-M na primeira prévia deste mês.

O presidente da Vale disse ainda que a alta no preço do minério de ferro fez com que se mudasse a expectativa da balança comercial brasileira, que segundo ele, tinha previsão de baixa.

“O minério de ferro é o maior índice de exportação do Brasil. Se tudo correr bem, a Vale passa a ser a maior exportadora brasileira este ano. Esses recursos que estão vindo de fora estão financiando o investimento da Vale e o maior plano de investimentos da mineração mundial”, afirmou.



Edição: Aécio Amado









17 de outubro de 2009

VALE VAI INVESTIR MAIS



O presidente da Vale, Roger Agnelli anunciou em um plano de investimentos de cerca US$ 12 bilhões para 2010, segundo fonte ligada à mineradora. A cifra supera em pouco mais de 30% os US$ 9 bilhões que serão efetivamente gastos pela empresa este ano.
Mas, mesmo engordando o orçamento para 2010, a companhia ainda não voltou ao nível pré-crise internacional. A Vale chegou a planejar um investimento recorde de US$ 14 bilhões para este ano, que não se concretizou. No início de 2009, a forte retração na demanda mundial por insumos básicos levou a companhia a cortar seu orçamento em US$ 5 bilhões.
Com um orçamento mais robusto, a expectativa é atender à demanda por mais investimentos no País. A melhora no cenário internacional, com a recuperação na demanda de mercados importantes, como os da Europa e dos Estados Unidos, também contribuiu para isso.
O investimento de US$ 12 bilhões deve ser apresentado ao presidente Lula, e aos sócios controladores da Vale, do qual fazem parte o Bradesco, a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a japonesa Mitsu

16 de outubro de 2009

NOVA AMEAÇA À VALE

Eliane Oliveira

O Globo - 16/10/2009

VALE ENFRENTA AGORA AMEAÇA DE TER EXPORTAÇÕES TAXADAS

Governo quer taxar exportação mineral em até 5%. Empresa produz 79% do minério de ferro no país
Às voltas com um inferno astral no campo político desde que o presidente Lula passou a pressionar pela troca de comando na Vale, o presidente da empresa, Roger Agnelli, tem pela frente uma nova batalha, desta vez na área técnica. Os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento alinhavam nos últimos dois meses a imposição de um imposto sobre as exportações brasileiras de minérios, com alíquota de até 5%. Das 282 milhões de toneladas vendidas pelo Brasil no exterior, que renderam US$22,8 bilhões em 2008, 60% a 70% são de minério de ferro - principal item da pauta exportadora da Vale, que concentra 79% da produção no mercado nacional. Atualmente, o couro é o único produto brasileiro cuja venda ao exterior é tributada.
A medida é uma alternativa à proposta do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, de elevar os royalties pagos por todo o setor de mineração - o imposto seria recolhido apenas pelo exportador. Este é um dos principais pontos do projeto do novo Código Brasileiro de Mineração, que está sendo formatado pela pasta. Mesmo que a tributação não vingue, a Vale será afetada pelo aumento dos royalties, reduzindo na margem sua competitividade. Caberá à Câmara de Comércio Exterior (Camex) examinar e dar aval à taxação das exportações.
De um lado, os defensores do tributo argumentam que as cadeias produtivas que dependem do minério de ferro - com ênfase para o setor siderúrgico, que abastece áreas estratégicas como a automotiva e a de construção civil - serão atingidas pelo aumento de royalties, o que poderá desestimular investimentos. O ônus seria repassado ao consumidor final, provocando repiques na inflação.
O único temor é que o Imposto de Exportação, que seria transitório, passe a compor a expectativa anual de receita orçamentária - ou seja, o governo não abriria mão desses recursos. Foi o que aconteceu na Argentina, que não sobrevive mais sem a tributação de commodities como soja e milho, adotada há cerca de dois anos pela presidente Cristina Kirchner, para garantir o abastecimento interno.
Setor privado é contrário à medida
Além disso, o minério de ferro tem fatia de 9% do total exportado pelo país. Garantiu, somente no período de janeiro a setembro de 2009, uma receita maior que US$10 bilhões.
Uma fonte destacou que, se aprovado o imposto, que pode ficar entre 4% e 5%, a tributação não atingirá somente minério de ferro. Outras commodities exportadas pelo Brasil, como bauxita, alumínio, manganês, cobre, e níquel, também serão atingidas.
Um técnico observou que a China já aplica o imposto sobre esses itens, para assegurar o abastecimento interno. No Brasil, a ideia de elevar os royalties - que são distribuídos às cidades afetadas pela atividade - seria turbinar a arrecadação, que atualmente é de apenas R$500 milhões.
Na defesa pelo aumento de royalties incidentes sobre o setor de mineração, Lobão tem afirmado que um dos objetivos é igualar o Brasil a outros países, como Austrália, nosso principal concorrente no mercado externo.
As empresas mineradoras, como Vale e MMX, e o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) evitaram comentar a medida. Outros representantes do setor privado, como a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e o Instituto Aço Brasil (IABr, antigo Instituto Brasileiro de Siderurgia), se posicionaram contra a criação do imposto.
- Sou completamente contra isso. Neste momento, o mundo virou uma bolsa de mercadorias em que as cotações das commodities sobem e descem, muitas vezes movidas por especulação. Além disso, o imposto de de hoje pode virar um confisco amanhã - afirmou o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro.
O vice-presidente do IABr, Marco Polo de Mello, disse não concordar com nenhuma das alternativas. O aumento de royalties encareceria o processo produtivo como um todo, retirando competitividade da indústria brasileira. A tributação da exportação de minérios teria um efeito nocivo sobre as exportações brasileiras.
- O minério de ferro é uma commodity que está em competição no mundo inteiro, e isso demonstra que o governo só está preocupado em arrecadar - afirmou.
O setor siderúrgico já está sob a ameaça dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Miguel Jorge, de perder a proteção que conseguiu há cerca de dois meses, com a redução das tarifas de importação. O imposto foi aumentado para atender a preocupação das indústrias, que apontavam o aumento das importações e a perda de exportações em mercados vizinhos para a China. Mas foram acusadas pelo setor automotivo de reajustar indevidamente seus preços.
- Já asseguramos que não houve reajuste. Não aceitamos ser usados como instrumento para venda de outros segmentos - disse Marco Polo.
A medida também irá aumentar ainda mais a carga tributária que incide na mineração. Levantamento feito em 2008 pela consultoria Ernst & Young, para o Ibram, aponta que o Brasil é o país que cobra a maior carga tributária sobre 12 minérios, na comparação com outras vinte nações concorrentes no mercado internacional.
O Brasil é o campeão na cobrança de impostos sobre seis minérios (zinco, cobre, fosfato, níquel, potássio e rochas ornamentais), cobra a segunda maior carga sobre outros cinco (bauxita, carvão mineral) e é o terceiro em minério de ferro, atrás da Venezuela, que tem produção irrisória, e da China, que consome tudo o que produz.

14 de outubro de 2009

LULA AUMENTA PRESSÃO PARA MUDAR DIREÇÃO DA VALE

Faz muito tempo que Lula quer mexer na diretoria da Vale. O Roger Agnelli, presidente da Vale é objeto da ira e da raiva do nosso presidente. O presidente Lula comanda uma ofensiva nos bastidores para desestabilizar o executivo Roger Agnelli na presidência da Vale, a maior empresa privada do país.
A história é a seguinte, os petistas sempre quiseram mexer na administração da Vale. A empresa, considerada a gigante da mineração, tem como sócios principais o Bradesco e Mistui. A Vale é privada mas tem entre seus sócios principais os fundos de pensão estatais e do BNDES. Por intermédio dos fundos de pensão, Lula e o PT podem influir na direção da empresa. Mas, isso não é o bastante. Eles nomear diretores, dar emprego pra turma dos sindicalistas. Usar verbas da empresa para financiar as ONGs dos “companheiros
Entretanto, qualquer mudança nos rumos da companhia precisa do aval dos sócios controladores privados, especialmente o Bradesco e Mistui. Isso está impedido Lula, não o deixando mexer na empresa, para mudar a sua gestão e muito menos suas diretorias, presidência, etc.
Mas, faz bastante tempo, Lula anda tentando mexer na Vale, é tirar de lá principalmente dois executivos que têm ligações tucanas e mudar o sentido da gestão da companhia para fazer na empresa o que é feito na Petrobrás. Lula quer obrigar a Vale a investir nos projetos do governo, de acordo com o que ele considera os "interesses do país" (sempre os mesmos do partido), e não necessariamente dos acionistas. Não aceitam que a direção da Vale defenda os interesses dos acionistas e dos sócios controladores
O desejo do Luiz Inácio e da “cumpanheirada” bate de frente com compromissos assumidos pelo BNDES e por fundos de pensão que controlam a mineradora, por meio de contrato assinado no processo de privatização. É o tal acordo que prevê concordância dos sócios privados. Há petistas bravos, dizendo que ele só serve para proteger a companhia da ingerência do Estado. Eles têm toda razão, pois não há gestor privado competente que não tome providências contra a mão porca dos governos, todos eles e especialmente os de esquerda, que controlam o Estado
Agora, Instigado pelo PT e por Lula, Eike Batista está investindo para assumir o controle da Vale e despejar do comando o Roger Agnell. Eike Batista finalmente revela detalhes de seu interesse pela Vale, a maior produtora de minério de ferro do mundo. Disse que pode voltar a negociar com o Bradesco, mas no momento está de olho na compra de um lote das ações que a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil
Nos últimos 15 dias, Lula deu o sinal verde aos fundos de pensão estatais sócios da mineradora e à ministra Dilma para criticar a gestão da empresa, que demitiu 4.000 funcionários sem comunicar ao governo, em fevereiro. A estratégia foi reforçada com a adesão de Eike Batista: estimulado pelo governo, ele atacou Agnelli que, ontem, viajou às pressas a Brasília para tentar audiência com o presidente, mas não conseguiu. O Planalto alegou agenda lotada. Desde a privatização, em 97, o valor de mercado da Vale passou de US$ 8 bilhões para US$ 125 bilhões, e o total de empregados, de 10 mil para 60 mil. Segundo consta, Eike já tem até candidato a presidência da Vale. Sérgio Rosa, presidente da Previ — o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. O mesmo Rosa que foi aliado do petismo na luta de foice que se travou, a partir de determinado momento, entre Daniel Dantas e o partido — ou grande parcela dele — pelo controle da Brasil Telecom. O banqueiro acabou, no fim da história, levando uma bolada. Mas teve de cair fora da empresa.