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28 de janeiro de 2010

Obama é o primeiro candidato negro à Presidência por um grande partido


No começo da campanha eleitoral, ainda em 2007, poucos apostavam na candidatura de Barack Hussein Obama. Senador por Illinois em seu primeiro mandato, ele era um desconhecido diante da ex-primeira-dama Hillary Clinton
Mas com uma estratégia bem definida --ganhar as pequenas votações e "caucus" (assembléias de eleitores)-- e a percepção de que os eleitores buscam uma mudança na administração do país --principal lema de sua campanha--, Obama conquistou a nomeação democrata com o apoio em massa dos superdelegados após as últimas primárias democratas.
Na noite de 3 de junho, após a contagem dos votos de Montana e Dakota do Sul, a equipe de campanha de Obama celebrou a conquista inédita. Obama é o primeiro negro a se tornar candidato à Presidência dos EUA por um grande partido.
E a questão racial, mesmo que de forma velada, pontuou a campanha do senador. Após a descoberta dos sermões controversos de Jeremiah Wright, seu ex-pastor por 20 anos com quem teve que romper, Obama fez um discurso sobre a temática que ficou marcado como exemplo do poder de sua retórica que atrai milhares aos seus comícios.
"Escolhi disputar a Presidência neste momento histórico porque acredito profundamente que não podemos resolver os desafios de nossa era a não ser que o façamos juntos, a não ser que aperfeiçoemos nossa união ao compreender que, embora nossas histórias pessoais possam diferir, temos esperanças comuns", disse Obama, na época.
Mesmo sem anunciar constantemente o fato de poder ser o primeiro presidente negro dos EUA, é entre os eleitores negros que Obama tem os maiores índices de votação. Uma pesquisa recente do instituto Gallup mostrou que Obama tem 93% das intenções de votos entre este eleitorado.
Contudo, outra pesquisa do mesmo instituto avaliou o impacto da questão racial e mostrou que uma grande maioria dos eleitores negros, 78%, e uma maioria ainda maior dos eleitores brancos, 88%, negam a influência da questão racial em seu voto. O mesmo cenário aparece entre os eleitores hispânicos; 60% deles afirmam que não votam por questões raciais.
Outro grande eleitorado de Obama está na camada mais jovem da população, os estudantes de classe média e alta que vivem em meio à diversidade das universidades, influenciados pelo rap e pela música negra em geral.
"A verdadeira essência do apelo de Obama é a idéia de que ele representa o idealismo racial --a idéia de que raça é algo que os EUA podem transcender", disse Shelby Steele, pesquisadora da Instituição Hoover da Universidade Stanford, ao "Wall Street Journal".
"É uma idéia muito atraente. Muitos americanos realmente gostariam de encontrar um candidato negro em quem poderiam votar tranqüilamente para presidente dos EUA", completa.
Em seu discurso sobre o tema, Obama falou que espera transcender as diferenças entre os povos para que juntos possam conquistar um futuro melhor para seus filhos e netos. "Essa crença deriva de minha fé inabalável na decência e na generosidade do povo dos Estados Unidos. Mas também deriva de minha história pessoal como americano".
Origens
Filho de Barack Hussein Obama, um homem negro do Quênia educado em Harvard e de Ann Dunham, uma mulher branca de Wichita, no Estado do Kansas, Obama fala de suas origens como as de um candidato "não convencional".
Ele nasceu em Honolulu, no Havaí, em 4 de agosto de 1961, e seus pais se separaram quando ele tinha dois anos. O democrata morou na Indonésia enquanto criança, após sua mãe se casar com um indonésio, e depois viveu no Havaí, com seus avôs brancos.
As idas e vindas deram, segundo sua própria opinião, as ferramentas necessárias para que pudesse se tornar um político hábil na hora de fazer coligações e traçar alianças.
"Ele se movimenta entre vários mundos", afirma sua meia irmã, Maya Soetoro-Ng. "É o que fez em toda a sua vida".
"Sou filho de um homem negro do Quênia e de uma mulher branca do Kansas. Fui criado com a ajuda de um avô negro que sobreviveu à Depressão e combateu no exército de Patton durante a Segunda Guerra Mundial, e de uma avó branca que trabalhou em uma linha de montagem de bombardeiros, em Fort Leavenworth, enquanto seu marido servia no exterior", descreve-se Obama.
Por sua família muçulmana, Obama enfrentou boatos de que seria também um muçulmano, religião que muitos americanos associam negativamente ao extremismo. Os boatos foram reforçados com a divulgação de uma foto na qual Obama aparece com trajes típicos em visita ao Quênia, onde sua família paterna mora.
Obama converteu-se, já adulto, ao cristianismo e é membro da Igreja Batista da Trindade Unida em Cristo, em Chicago. Sua equipe acusou a campanha de Hillary, sua rival à época, pela divulgação da foto.
"Tenho irmãos, irmãs, sobrinhas, sobrinhos, primos e tios de todas as raças e matizes, espalhados por três continentes e, por mais que eu viva, jamais me esquecerei de que em nenhum outro país do planeta minha história seria possível", afirma Obama, sobre sua história familiar.
Sua avó, Sara, tornou-se uma celebridade no Quênia após a conquista da nomeação. Ela recebe diariamente dezenas de jornalistas para quem declara o orgulho que sente do neto.
Em uma medida muito bem planejada de sua campanha, Obama prefere não utilizar o rótulo de presidente negro, tão citado por seus eleitores e pela mídia. Cauteloso, ele não quer ficar estereotipado como candidato de um único eleitorado e arriscar perder importantes grupos demográficos do país.
Sua adolescência no Havaí foi marcada não só por uma destacada trajetória escolar, mas também por anos de contravenção. Na época, Obama experimentou maconha e cocaína, conforme afirma em sua biografia "Dreams from my Father: A Story of Race and Inheritance" (Sonhos de meu pai: Uma história de Raça e Herança).
Como previa, a história veio à tona quando Robert Johnson, fundador da Black Entertainment Television e fiel apoiador de Hillary lembrou do episódio dias antes das primárias da Carolina do Sul.
Na época, ele se defendeu dizendo acreditar "que o americano médio sabe que o que alguém faz quando é adolescente, há 30 anos, provavelmente não é relevante em como vai desempenhar seu papel de presidente dos Estados Unidos".
Formação
Com um bom histórico escolar, Obama formou-se em direito na tradicional e renomada Universidade Harvard e trabalhou como professor e defensor dos direitos civis em Chicago antes de ser eleito senador por Illinois, em 2004.
Foi em Harvard que Obama conheceu sua mulher, Michelle, com quem se casou em 1992. Em uma campanha que prega o novo, Michelle é um dos triunfos de Obama. Negra e com formação universitária, Michelle é um cabo eleitoral importante de Obama entre as mulheres.
O professor de ciência política Bruce Newmann, da Universidade De Paul, aponta a participação de Michelle como fundamental para mostrar que Obama é um democrata dos novos tempos, que coloca sua mulher ao seu lado no palco dos eventos, e não apenas nos bastidores.
Obama e Michelle tem duas filhas. Malia, 9 e Sasha, 6 que aparecem na mídia apenas nos momentos de grandes conquistas, quando Obama garantiu a nomeação democrata.
Ajudado por seu carisma e retórica refinada, Obama ganhou popularidade ao longo da campanha e foi o candidato que melhor soube utilizar as ferramentas da internet
Inexperiência
Se há um ano poucos sabiam soletrar seu nome, hoje Obama está na liderança da disputa pela Presidência dos EUA. A pesquisa mais recente do canal NBC News e do jornal "Wall Street Journal" aponta que Obama tem 47% das intenções de voto contra 41% do republicano John McCain.
No começo de sua campanha, Obama brincava freqüentemente que o povo não se lembrava de seu nome. A própria rede de TV norte-americana CNN teve de fazer uma correção após confundir o nome do senador com o do terrorista de origem saudita Osama bin Laden, líder da rede Al Qaeda.
Chamá-lo de "Barack Osama", no entanto, não foi um engano cometido exclusivamente pela rede de TV. Outros políticos, principalmente da oposição, já erraram seu sobrenome algumas vezes.
Sua ascensão na corrida democrata deve-se muito às suas promessas de mudanças e o fato de não estar associado --como Hillary Clinton-- ao que chama de "velha política" de Washington.
Mas o argumento da inexperiência será, como apontam os analistas, o maior argumento da campanha republicana para atacar sua candidatura. McCain, aliás, já declarou inúmeras vezes que Obama não está preparado para governar os EUA e que fala de política externa sem ter experiência no assunto.

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EX´PRIMEIRA DAMA, HILLARY PODE SER 1ª MULHER PRESIDENTE DOS EUA



A senadora Hillary Clinton apareceu durante meses como a favorita das pesquisas nacionais para ser a candidata democrata à Presidência nas eleições de novembro de 2008. No entanto, Barack Obama conseguiu reverter a situação, vencendo em mais Estados e somando maior número de delegados que a ex-primeira-dama, que agora luta para manter sua candidatura viável.
Hillary se apresenta como a candidata mais experiente, pronta para assumir o governo da maior potência mundial. Segundo Barbara Kellerman, professora da John F. Kennedy School of Government, da Universidade de Harvard, especialista em mulheres na política, há pouco espaço para questionamentos acerca da experiência de Hillary.
Nossos presidentes nem sempre têm uma vasta experiência, e ela, com certeza, possui mais [experiência] do que muitos em diversos aspectos", afirma Kellerman. "Independentemente do que as pessoas pensem sobre ela, não creio que possam achar que é despreparada".
O sobrenome do marido e ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) é um grande trunfo, como ficou claro nos últimos meses, em que ele lotou os comícios nos quais apoiou a campanha de Hillary.
Para muitos, ele estaria "retribuindo" os favores que Hillary lhe fez ao perdoá-lo por suas famosas infidelidades.
Ainda está gravada na mente de muitos americanos a imagem dos Clinton cruzando os jardins da Casa Branca em 1998, após a descoberta de que Bill tinha tido um romance com Monica Lewinsky, uma estagiária da residência oficial. Na ocasião, o casal saiu de férias com a filha Chelsea. Apesar dos problemas conjugais, ela permaneceu ao lado do marido.
Iraque
A decisão a recompensou politicamente, pois foi eleita para o Senado em 2001. Em 2003, como parlamentar, a ex-primeira-dama votou a favor da invasão do Iraque --fato pelo qual nunca se desculpou, para não demonstrar sinal de fraqueza.
No entanto, Hillary afirmou em discurso que "vamos enfrentar todos os problemas que herdaremos e que são responsabilidade do presente governo, entre os quais pôr fim à guerra no Iraque e trazer nossos soldados para casa, fornecendo-lhes todo o apoio de que necessitem".
No ano passado, ela defendeu o seu voto no Senado a favor de considerar a Guarda Revolucionária do Irã como um grupo terrorista
A senadora por Nova York diz que um de seus principais objetivos será conseguir que os EUA recuperem a "liderança", a "credibilidade" e a "autoridade moral perdida no mundo".
Infância
Nascida em 1947 em Chicago, ela foi criada em uma família rígida, na qual não se aceitava a "fraqueza de caráter".
A imprensa americana cita freqüentemente uma recordação de seu pai, Hugh Rodham, que depois de a pequena Hillary chegar um dia em casa com as maiores notas, disse que estudar naquele colégio devia ser "muito fácil".
Em outra ocasião, quando Hillary reclamou de que alguém implicava com ela na escola, a mãe, Dorothy, respondeu que na casa dos Rodham "não havia lugar para covardes".
Segundo os analistas, a rígida educação a ajudou a desenvolver uma personalidade forte, que fez com que lidasse melhor com os golpes políticos que ela e o marido tiveram que suportar.
Os americanos decidirão nos próximos meses se encontram em Hillary as qualidades necessárias para elegê-la a primeira mulher a chegar à Casa Branca.
Para a professora de Harvard, entre os democratas, Hillary é a mais preparada para ser presidente, "que realmente sabe muito sobre trabalhar e morar em Washington".
Emoção
No dia 8 de janeiro, a pré-candidata democrata à Presidência surpreendeu o público ao se emocionar enquanto falava sobre as dificuldades em manter o controle da campanha. "Não é fácil, não é fácil", disse a senadora, lentamente, com os olhos marejados.
"Eu não poderia fazer [as campanhas] se eu não acreditasse apaixonadamente que é a coisa certa a ser feita. É muito pessoal para mim."
Hillary sentiu-se frustrada com a ascensão de Obama, seu principal adversário. Mas ela está também preocupada com o fato de sua estratégia política e seus discursos não expressarem o desejo de mudança dos eleitores democratas.
Em um evento, ao lado de seu marido, Bill Clinton, a senadora de 60 anos disse que os Estados Unidos precisam "de um presidente que não apenas pede mudanças, ou exige mudanças [em referência a Obama], mas um presidente que vai produzir mudanças.
"Exatamente como eu tenho feito há 35 anos", afirmou ela.

20 de janeiro de 2010

O QUE PENSAM OS CANDIDATOS SOBRE QUESTÕES MUNICIPAIS





Rudolfo Lago

Uma das vantagens da atual eleição ainda não ter um favorito destacado é que os três principais candidatos à Presidência não estão se furtando a participar de todas as entrevistas e debates para os quais são convidados. Assim, a posição de cada um vai ficando mais clara para o eleitor.

Desta forma, na manhã de hoje, os candidatos do PSDB, José Serra; do PV, Marina Silva, e do PT, Dilma Rousseff, nessa ordem, expuseram as suas ideias sobre os principais problemas municipais com os participantes da XIII Marcha dos Prefeitos, em Brasília. Os três candidatos responderam às dez mesmas perguntas formuladas pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

Com algumas diferenças, todos se comprometeram a refazer o pacto federativo, diminuindo o peso da União, e a buscar um encontro de contas entre as dívidas que o governo cobra dos municípios na Previdência e o que os municípios estimam que deveriam receber da União em contrapartida.

A CNM convidou para o encontro os três primeiros colocados, com base nos números da última pesquisa do Instituto Datafolha. A ordem das exposições foi definida por sorteio.

Primeiro a falar, Serra criticou a decisão do governo Lula de promover a redução tributária sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para aumentar o consumo. Segundo Serra, essa decisão prejudicou os municípios. “É muito errado se fazer redução de impostos temporária e os municípios pagarem a conta. Então, mais de quatro mil municípios perderam praticamente uma receita sem recuperação. Perda essa que continuou neste ano. Tem que acabar o procedimento de generosidade com chapéu alheio”, afirmou Serra.

Marina Silva defendeu a criação de um “Sistema Único de Educação, a exemplo do Sistema Único de Saúde (SUS), criado com a Constituição de 1988. Centrando seu discurso na melhoria da educação, ela também defendeu que os investimentos na área passassem dos atuais 4% do Produto Interno Bruto (PIB) para 5% do PIB.

Ministra até há poucos dias, Marina foi mais dura e crítica com o atual governo do que Serra. Ao comentar os problemas na distribuição de recursos para combater calamidades públicas, ela disse que os recursos chegaram apenas à Bahia, e mesmo assim atrasados, porque esse é o estado do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. E fez uma crítica indireta a Dilma Rousseff. “O Brasil não precisa de um gerente. O Brasil precisa de um líder com visão estratégica”, afirmou.

Última a falar, Dilma defendeu, sob aplausos, uma nova distribuição dos recursos dos royalties do petróleo de forma mais equânime entre os municípios, como defende a CNM. Ela, porém, defendeu um entendimento na mudança das regras e o respeito aos preceitos constitucionais sobre o tema.

“Acho que devemos buscar um entendimento. Há esse pleito legítimo dos municípios de distribuição, mas há a determinação constitucional que estabelece recursos para os estados produtores", disse Dilma. Dilma, no entanto, ressaltou que mais importante que a questão dos royalties é a regra da partilha de recursos na exploração do pré-sal, e a criação do fundo de investimentos que será criado.

Veja, em resumo, como os três candidatos responderam às perguntas formuladas pela Confederação Nacional dos Municípios:

O governo faz desoneração tributária retirando recursos da fatia dos municípios. Quando o governo vai parar de fazer bondade com o chapéu alheio?

Serra: “Tem que acabar esse procedimento da generosidade com o chapéu alheio. É muito errado se fazer redução de impostos temporária e os municípios pagarem a conta. Tem que haver um mecanismo que preserve a participação da União, dos estados e dos municípios. Não dá para os municípios assumirem cada vez mais responsabilidade sem os devidos recursos”.

Marina: “Desonerar não é uma coisa ruim. O errado é desonerar sem critério. Toda vez que o governo faz desoneração faz em cima da receita dos municípios. Enquanto não pudermos fazer uma reforma tributária, temos que, pelo menos, fazer uma repactuação. A gente precisa repactuar valores e responsabilidades. Esse é um acerto que precisamos fazer desde a Constituição de 1988. Não dá para aumentar responsabilidades sem recursos”.

Dilma: “Nessa última crise, fomos os últimos a entrar e os primeiros a sair. Nós criamos uma medida compensatória para os municípios que foi a recomposição das receitas ao nível de 2008. Ter recomposto essa receita foi um momento importantíssimo no embate contra a crise. Sou a favor do diálogo para discutir o chapéu. Com diálogo, se faz. Não se faz com os cães e a polícia contra os reféns. A verdade é que quando fizemos a descentralização das responsabilidades na Constituição de 1988 não fizemos a mudança tributária necessária. É impreterível que nessa nova etapa coloquemos na ordem do dia a questão da reforma tributária. O Brasil precisa simplificar a legislação tributária, desonerar a folha de salários, diminuir a guerra tributária”.

O candidato é a favor da emenda 29, que fixa os percentuais mínimos para investimentos em saúde ou defende algum outro mecanismo de financiamento da saúde?

Serra: “Falta uma lei regulamentando os gastos com a saúde. Em alguns lugares, uma estrada passa na frente de um hospital e isso é computado como gasto com saúde. É preciso haver um gasto melhor com saúde. Houve uma desaceleração no setor. Quem paga por isso são os estados e, principalmente, os municípios”.

Marina: “Criação de qualquer nova contribuição só com a reforma tributária. Não dá mais para ficar criando puxadinhos tributários. Defendo a convocação de uma Assembleia Constituinte Provisória para fazer as reformas de que o país precisa. Sei que não é fácil fazer as reformas. Se fosse fácil, o sociólogo (referência a Fernando Henrique Cardoso) faria a reforma política. Se fosse fácil, o operário (referência a Lula) faria a reforma trabalhista”.

Dilma: “Assumo o compromisso de lutar pela PEC 29. Mas não sou uma pessoa que se presta á demagogia e proselitismo eleitoral. Sabemos que houve uma perda de R$ 40 bilhões com o fim da CPMF. Sabemos que cada gasto tem que ter a receita correspondente. Mas sabemos que o Brasil entrou numa trajetória de crescimento. Na certeza de que o Brasil entrou numa nova era de prosperidade é que acho que é possível mais recursos para a saúde. Muitos estados contabilizam como gastos com saúde gastos que não são para saúde. E não colocam a parcela obrigatória de 12%. Os recursos virão daí”.

Necessidade de aumentar recursos para creches no Fundo de Educação Básica

Serra: “Não dá para aprovar lei no Congresso que implique gastos para os municípios sem ouvir os municípios. Criar despesa sem criar o recurso correspondente é, na minha opinião, inconstitucional. No caso das creches, subestimou-se o custo por aluno. Manda cumprir, é um objetivo generoso. Mas onde está o dinheiro? O município fica como Carlitos no filme “O Grande Ditador”: o marechal alemão manda o general avançar; o general repassa a ordem para o coronel; que repassa para o major; que repassa para o tenente; que repassa para o capitão; que repassa para o sargento; que repassa para o cabo. No fim, o Carlitos, no fim da fila, é que avança sozinho”.

Marina: “As creches não podem ser vistas como meros depositários de crianças. Podemos pensar em saídas inovadoras. Talvez pagar uma remuneração à própria mãe qe prefira ficar em casa. Mas temos que trabalhar para que os recursos para educação sejam aumentados. Defendo a criação de um Sistema Único de Educação, a exemplo do Sistema Único de Saúde. Devemos também aumentar os investimentos em educação dos atuais 4% do PIB para 5% do PIB."

Dilma: “O governo tem que garantir o custeio das creches. Esse é um programa prioritário porque pode salvar uma geração. Não farei qualquer tergiversação ou qualquer economia com a questão das creches. As creches serão uma das coisas mais importantes no próximo mandato. Se fizermos isso, mudamos a face do nosso país”.

Leis que geram despesa sem a contrapartida necessária, como o Piso Nacional do Magistério

Serra: “Piso nacional do magistério, não sou contra não. Mas tem que haver o recurso. Era preciso criar um dispositivo constitucional – para mim, isso já é claro – que diga que não se pode criar despesa sem receita”.

Marina: “Se não tivermos o comprometimento das três esferas da União, não tem como não sobrecarregar os municípios. É preciso haver um compartilhamento das responsabilidades. Mas temos que nos comprometer com um piso nacional do magistério. Toda vez que me dizem que não tem dinheiro para educação, eu lembro que o que se investe em educação é quase o mesmo que se perde com a corrupção”.

Dilma: “Um país que se respeita tem que respeitar seus professores. Eu tenho a convicção de que não se transformará a nossa educação qualitativamente sem melhorar salário e a formação do professor. O presidente Lula começou e eu perseguirei esse compromisso de forma continuada. Aumentamos significativamente o salário mínimo, e nem por isso a economia ficou fora de controle. Concordo que alguns municípios não tenham recursos para pagar o salário mínimo e o piso dos professores. Mas isso não pode impedir que se faça. Como superar as dificuldades, tem que se discutir num forum como esse. Falam que nós seremos em breve a 5ª economia do mundo. Mas não podemos ser a 5ª economia do mundo apenas por causa do nosso PIB. Tem que ser por causa do nível de vida da nossa população. E, aí, a educação, cumpre um papel estratégico”.

Distribuição equânime dos royalties do petróleo

Serra: “Essa questão é complicada porque foi posta em um ano eleitoral. Deveríamos deixar essa questão para ser examinada posteriormente. Porque, agora, gera um clima fratricida. A minha posição é que os municípios deveriam ter acesso aos recursos. Agora, tem dois estados, Rio de Janeiro e Espírito Santo, que vivem dos royalties. Se fechar da noite para o dia, municípios como Campos (RJ) quebram. Rio de Janeiro e Espírito Santo entram em colapso”.

Marina: “Creio que é preciso se preservar os contratos já firmados. Mas a minha posição é que não se faça essa discussão agora, mas depois das eleições. É um quadro de altíssima responsabilidade. Não dá para ficar fazendo frase de efeito. Na eleição, cada frase de efeito é uma maravilha. Depois, são 16 anos de negativas e choro. Se para ganhar, eu tenho que ficar dizendo que tudo de bom que existe foi feito por mim e que tudo de bom no futuro só será feito por quem for indicado por mim, isso é a ética da circunstância. Os royalties do petróleo têm que ser revertidos para o desenvolvimento de uma nova tecnologia de baixo carbono”

Dilma: “Eu tenho certeza que a riqueza do petróleo, principalmente essa nova do pré-sal, é de toda a nação brasileira. Mas a grande riqueza do petróleo não está nos royalties. São os recursos que vão para o fundo que criaremos para financiar, entre outras coisas, educação e cultura. Royalties também é problema. E defendo a proposta de distribuição para todos os municípios. Acho que temos que buscar um entendimento. Há esse pleito legítimo dos municípios, mas há a determinação constitucional”

Encontro de contas das dívidas da Previdência (a União cobra R$ 22 bilhões dos municípios, e os municípios estimam que a União lhes deve R$ 26 bilhões):

Serra: “A União pode tirar recursos dos municípios, tirando do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), mas o contrário não pode. Sou totalmente a favor que se faça um encontro de contas”.

Marina: “Esse encontro de contas é uma necessidade, mas é complicado de ser feito. Será preciso um trabalho meticuloso, indivíduo a indivíduo”.

Dilma: “Encontro de contas é a forma racional quando se tem dívida de ambas as partes”.

Distribuição de recursos para combater calamidades públicas

Serra: “As calamidades estão se tornando rotina, não sei se por conta do aquecimento global. Temos que nos preparar. Temos que ter reservados recursos que não serão remanejados de modo algum para permitir uma solução mais ágil”.

Marina: “Em 1992, na Rio 92, os cientistas já nos alertavam para o que chamavam de eventos extremos. Chuvas prolongadas, secas prolongadas, ventos fortíssimos. Exatamente os eventos gravíssimos que São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul passaram. Fomos alertados mas, infelizmente, fizemos muito pouco. Agora, os recursos para calamidades só chegaram à Bahia, e muito tardiamente, porque o ministro Geddel Vieira Lima é de lá. O Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe) tem condições de antecipar em quatro horas essas situações de risco. Podemos fazer ações compartilhadas para que as pessoas não fiquem com suas vidas ameaçadas a cada ano”.

Dilma: “A Defesa Civil ampliou seus recursos para R$ 1,7 bilhão. Como ministra da Casa Civil, percebi duas coisas. A primeira é a morosidade no repasse dos recursos. E, nesse caso, penso que é preciso se trabalhar com a figura da doação. A segunda coisa é a necessidade da reconstrução depois que passa a fase crítica. É importantíssimo que haja uma ação conjunta dos vários ministérios para atuar nessa reconstrução”.

Fim das emendas individuais ao Orçamento com a criação de um fundo de investimento para os municípios com os recursos hoje previstos para as emendas.

Serra: “Não é viável impedir emendas individuais. A questão fundamental é estabelecer um modelo de direcionamento para as emendas. É por falta desse direcionamento que o recurso hoje se pulveriza e se dispersa, e a liberação acaba sendo esse atropelamento, esse calvário. Mas não podemos jogar a criança fora junto com a água da bacia. Além disso, o Congresso jamais aprovaria o fim das emendas individuais”

Marina: “Quando estava no Ministério dos Meio Ambiente, organizei a distribuição de recursos por programas para não haver essa pulverização que não junta lé com cré. Sou favorável à criação de um mecanismo para que os recursos orçamentários sejam aplicados da forma mais responsável possível”.

Dilma: “Temos que enterrar definitivamente a época do pires na mão. Poderíamos estudar junto com os parlamentares a criação de um banco de propostas para beneficiar os municípios. O fundo é uma coisa que podemos negociar. Quanto às emendas, se há uma boa sugestão, não vejo por que não acolher”.

O calvário dos prefeitos para conseguir recursos - A história do pires n...

4 de janeiro de 2010

ANOTAÇÕES BELEGUINS LULA V 5% DO CONTRA

Ricardo Kotscho, um lulista crítico, independente e isento, publicou uma postagem intitulada: Que Brasil é este dos 5% do contra?”. O blogueiro começa assim:
Kotscho começa assim:
“O tema do Balaio deste domingo vale uma pesquisa em profundidade, uma tese acadêmica ou mesmo uma capa de revista: que Brasil é este dos 5%? Entra pesquisa, sai pesquisa, eles estão sempre lá do mesmo tamanho. São os que consideram o governo Lula ruim ou péssimo. A aprovação do presidente e do governo pode variar entre 70 e 80%, conforme o instituto, os restantes ficam na categoria regular e, invariavelmente, temos os 5% de insatisfeitos com os rumos do país, tanto faz o que esteja acontecendo naquele momento de bom ou ruim.
Quem são eles, onde vivem, o que fazem, o que pensam ? Já que ninguém se atreve a investigá-los, disponho-me aqui a encontrar algumas respostas sobre o perfil deste minoritário, mas sólido contingente de brasileiros que não mudam de opinião, mesmo remando contra a maré.”
Mais do que um posicionamento político-partidário ou mesmo ideológico, como à primeira vista indicam as pesquisas, creio que se trata de um fenômeno psíquico, algo mais ligado aos sentimentos do que à razão, ao comportamento humano de um núcleo duro que é do contra porque é do contra, quaisquer que sejam suas motivações.
Em termos absolutos, estes 5% representam mais ou menos 9 milhões de brasileiros, o mesmo universo dos que lêem habitualmente jornais e revistas da grande mídia, o que pode representar uma primeira pista para entendermos seu pensamento.
Noto isto pelos comentários dos leitores publicados aqui no Balaio. Qualquer que seja o assunto, política, futebol, literatura, música, cinema, observações de viagem, mulheres bonitas, praias, botecos ou buracos de rua, sempre aparecem os mesmos comentaristas, escrevendo as mesmas coisas, com os mesmos argumentos: nada funciona, ninguém presta, tudo está ruim, a vida não vale a pena.
Confundem o país com o governo, a vida real com o noticiário do poder, ao reproduzir o que lêem nas manchetes e nos editoriais dos grandes veículos, nos blogs da Veja.com, nas colunas de O Globo ou ouvem dos comentaristas da CBN e da Jovem Pan. Se você fala bem de alguma coisa acontecendo no país, logo te chamam de vendido, chapa-branca, idiota.
Não importa o assunto. Nas viagens pelo Brasil que fiz nas últimas semanas, falei da minha alegria em revisitar as cidades de Teresina e Rio de Janeiro, que me encantaram por algumas características que tornam a vida dos seus moradores mais agradável, mesmo com todos os problemas de qualquer capital, grande ou pequena.
A grande maioria dos leitores destes dois lugares gostou do que escrevi, até me agradeceu por falar bem destas cidades que normalmente só aparecem no noticiário pelo lado negativo, dando-se mais destaque às suas mazelas do que aos seus encantos.
Mas lá estavam também os 5% de sempre, que me esculhambaram por elogiar a cidade onde vivem, dizendo que eu não vi nada, que a vida ali é um inferno, que não existe nada de bom, que só pensam em ir embora de lá.
Teresina é administrada pelo PSDB e, o Rio, pelo PMDB, em aliança com o PT, o que me prova não se tratar de implicância partidária, mas de um estado de espírito.
Como não posso pedir ajuda aos universitários, apelo aos leitores para que juntos encontremos outras respostas capazes de explicar que Brasil é este dos 5%. Ou será que vivemos em países diferentes?
Kotscho está propondo que os lulistas críticos, independentes e isentos como ele façam o que setores da Polícia Federal, ao arrepio da lei, já tentaram fazer sem sucesso: FICHAR os 5% que segundo algumas pesquisas acham o governo Lula “ruim ou péssimo”. São nove milhões de brasileiros, diz Kotscho.



Entendo compreensível a curiosidade do blogueiro Lulista, ex-secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República no governo Lula. Por isso, em colaboração, apresso minha identificação. Também faço parte da honorável confraria dos 5% com muito orgulho. Saiba que não sou banqueiros, não sou industrial que goze de isenção fiscal, não estou entre aqueles que prestam serviços sem licitação para a máquina pública, não sou jornalista de revistas sustentadas pela propaganda oficial, nem blogueiro patrocinado por verba pública para fazer balaios de conversas fiadas. Sou apenas alguém que não come nem bebe no mesmo coxo com os donos da verdade. Como integrante dessa confraria dos 5%, posso garantir que sei aonde estão os 5%! Agora desafio o Kotscho a revelar quem é e onde estão os 95%, do lado de lá???
Kotscho, venha me investigar.
Estarei no bar do Tubarão, comendo umas coxinhas, lendo e me perguntando como faço para não pagar impostos neste ano.
Como discordo sempre do Lula que ensina que não se deve ler porque dá sono, vou aproveitar o tempo para ler as manchetes, os editoriais dos grandes veículos, os blogs da Veja.com, as colunas de O Globo e ouvir os comentaristas da CBN e da Jovem Pan. Se todo mundo fizesse assim não seriam tão ingênuos, nem seriam enganados por políticos inescrupulosos.





É compreensível a curiosidade do blogueiro Lulista.
Reinaldo Azevedo já deu grande contribuição sobre quem não faz parte desses 5% ou 9 milhões de brasileiros.
Não devem ser os banqueiros, não devem ser os industriais que contam com isenção fiscal, não devem ser aqueles que prestam serviços sem licitação para a máquina pública, não devem ser os jornalistas de revistas sustentadas pela propaganda oficial, não devem ser filhas de jornalistas chapa-branca com contrato na TV sem público do Lula.
Também faço parte dos 5% com muito orgulho.
Eu também faço parte, da honorável confraria dos 5% E posso garantir que sei aonde estão os 5%! Agora desafio o Kotscho a revelar quem é e onde estão os 95%, do lado de lá???
Kotscho, venha me investigar.
Estarei no bar do Tubarão, comendo umas coxinhas, lendo Thoreau e me perguntado como faço para não pagar impostos neste ano.
Bem feito! O lula ensinou a ele que não se deve ler porque dá sono! Tivesse ele lido “as manchetes e os editoriais dos grandes veículos, os blogs da Veja.com, as colunas de O Globo ou ouvido os comentaristas da CBN e da Jovem Pan.”, hoje ele não seria tão tapado!
Faço parte dos 5% porque quero apenas ser feliz morando num país que oferece saúde, educação, moradia e um salário mínimo decente.
Análise do cocho atribui qualidade negativa aos 5% que discordam,
É mito essa aprovação ao corrupto, ladrão e safado do Lula. O que o povo aprova é a estabilidade econômica, que até as paredes sabem que não é mérito do lula e do pt.
Agora uma pergunta? Fazer parte dos 5% obrigará meu recolhimento em algum campo de trabalhos forçados.
Ricardo Kotscho. Eu , Garcia & outros ( VOCÊ SABE QUEM SOMOS NÓS ), fazemos parte dos cinco por cento. E com muito orgulho, porque nunca na historia deste país existiu um governo tão corrupto e tão desclassificado do que o do LULA. Ponha a mão a consciência e na hora de dormir, com a cabeça no travesseiro, pense que você não é o senhor da verdade e que” não posso viver apenas de um blog e de free”. Será que você tem uma daquelas aposentadorias ? Ou vive recebendo, como tantos jornalistas, um jabaculê para falar bem do presidente ? Kotscho você precisa voltar a ser o democrata que foi, quando ainda não era “cumpanheiro” e serviçal do Lula.
“QUAL É O POVO MAIS SÁBIO, O QUE DERRUBA O REI OU O QUE LHE DÁ 8O% DE APOIO?” Millôr







Podemos ajudar o Kotsho…Vamos nos identificar sou um deles! pode contar comigo, sou um livro aberto… sou advogado, empresário, empregador de 12 pessoas e não tenho mais estômago para aguentar tanta hipocrisia e desídia do (des)Governo Lula.
Não suporto mais sua política externa.
Não suporto mais sua economia pseudoincluidora.
Não suporto mais desculpas esfarrapadas.
Não suporto mais o desserviço no enfrentamento da corrupção.
Não suporto mais negociatas em nome da governabilidade.
Com aquele banner da Vale bem grande no blog dele,
A gente nãp



Indicar aos colegas do blog a leitura de um livro: Reflexões sobre um século esquecido 1901-2000, do Tony Judt. O escritor simplesmente detona o edifício intelectual do marxismo (ou seria um puxadinho intelectual???), incluindo aí as manipulações de diversas primadonas do esquerdismo mundial. Muito bom, essencial para construir um pensamento independente e analisar a passagem do Brasil para um sistema fascista-patetista…

CargaTRibutária segundo Cepal deve efetivada mediante progressividade

Cepal defende aumento da carga tributária para todos os países da região, exceto o Brasil
Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A Comissão Econômica para América Latina e Caribe das Nações Unidas (Cepal) defende a elevação da carga tributária para países da região, exceto para o Brasil, cuja carga tributária já é considerada em um nível adequado.

No documento A Hora da Igualdade. Brechas por Fechar, Caminhos por Abrir, lançado ontem (30), a instituição afirma que a carga mais pesada de impostos servirá para garantir um Estado forte, com musculatura para agir de forma reguladora da atividade econômica e promover políticas de distribuição de renda na região.

No caso do Brasil, a Cepal defende uma reforma profunda na distribuição do dinheiro proveniente de impostos e a adoção de uma progressividade maior. Segundo o coordenador da Divisão de Desenvolvimento Social da Cepal, Fernando Filgueira, o fato de o Brasil ter a mais alta carga tributária da região “não é de todo ruim”.

“É o que defendemos para os demais países. No entanto, essa carga está muito baseada em impostos diretos, aquele que se paga no momento em que se compra alguma mercadoria. Com isso, percentualmente, os pobres acabam pagando muito mais impostos que os ricos. Isso é um obstáculo para a promoção da igualdade”.

Enquanto a carga tributária brasileira é de 35,8%, nos demais países da América Latina e Caribe, a carga de impostos tem uma média de 18%. Essa arrecadação é considerada insuficiente para que os governos garantam condições para que os países da região se desenvolvam.

O documento de 289 páginas, lançado ontem pela Cepal, recomenda maior participação do Estado na economia e propõe que os governos adotem programas sociais não contributivos como forma de distribuir renda e melhorar as condições sociais da população dos países da região.

Entre as medidas consideradas próprias para serem tomadas pelo Estado estão a adoção de políticas anticíclicas em momentos de crise e a atuação efetiva dos governos e dos bancos centrais de cada país no estabelecimento de parâmetros macro para atenuar os altos e baixos da atividade econômica, tais como a adoção de banda para o câmbio e política de juros e fiscal.

É a primeira vez que a Cepal recomenda o sistema de proteção social básica aos governos dos países latino-americanos e caribenhos. Incluem-se nesse sistema programas como o Bolsa Família e o Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo. “E para isso, o Estado requer recursos”, comentou Filgueira.

“Os países não precisam de um Estado inchado, mas com musculatura para fazer frente na economia com políticas anticíclicas e desenvolver políticas públicas para a promoção da igualdade”, destacou.

O documento também identificou obstáculos que ainda precisam ser superados com investimentos do Estado para que os países da região possam crescer a taxas maiores. O principal deles, para a Cepal, é ainda a falta de acesso às inovações tecnológicas.

O 33º período de sessões da Cepal teve início ontem (30) e segue até amanhã (1º).

Edição: Tereza Barbosa