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31 de julho de 2009

A MUDANÇA DO DISCURSO DE LULA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou o discurso sobre a crise do Senado, com denúncias envolvendo o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). Lula deixou claro ontem que não está mais disposto a sofrer o desgaste de defender publicamente a permanência de Sarney no cargo, após as inúmeras denúncias feitas contra o senador. Lula, dias atrás falava em respeito à "biografia" de acusados, dizendo que Sarney não é uma pessoa comum. Agora, declarou que a permanência de Sarney no cargo é um problema que cabe exclusivamente ao Senado.
"Não é problema meu. Não votei no presidente Sarney para ser presidente do Senado. Nem votei nele para ser senador no Maranhão", disse Lula, que se confundiu ao citar o Maranhão como o Estado representado pelo peemedebista na Casa, que foi eleito pelo Amapá. "Não votei no Arthur Virgílio, não votei em ninguém. Eu votei nos senadores de São Paulo. Então, quem tem que decidir se o presidente Sarney tem de ficar na presidência do Senado é o Senado, não eu",
Lula adotou uma velha atitude, jogar a responsabilidade nas costas dos outros, no caso dos próprios senadores, acusando-os de prejudicar o País com a paralisia do Legislativo. "Tudo o que eu espero é que o Congresso, agora com a cabeça fria, depois de 10 dias férias para todo mundo, em que cada um foi viajar, descansar, converse. Que se reúnam, como os homens adultos que são, todos com mais de 35 anos de idade, e decidam normalizar a situação do Senado." Essas declarações do presidente poderão provocar reações dos senadores.
A mudança de discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), começou a ser ensaiado na semana passada, depois que o Palácio do Planalto recebeu uma pesquisa sobre os efeitos da crise política sobre o governo. A pesquisa revelou que a defesa do senador Sarney não estava sendo assimilada pela opinião pública e o que mais grave: a defesa de Sarney estava “pegando mal” tanto para Lula quanto para Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil e pré-candidata à presidência. O jornal afirma que Lula já marcou uma reunião na segunda-feira com Sarney, que se diz deprimido com a avalanche de denúncias contra ele e sua família, para avaliar a renúncia. Lula negou o encontro.
O comportamento do presidente revela todo o seu caráter. Defende o indefensável e quando a coisa aperta...não sabe, não é problema dele.

CARTA AO ÚLTIMO EXILADO

DAVID LERER

FOLHA DE SÃO PAULO - 31/07/2009

TENDÊNCIAS/DEBATES

Neguinho, você foi o último exilado a voltar. Eu fui o primeiro. Tenho 30 anos a mais de experiência. Assim, envio instruções básicas

DEPOIS DE quase 40 anos vivendo na Suécia com identidade falsa, o ex-marinheiro Antônio Geraldo da Costa, 75, o Neguinho, desembarcou no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, no último dia 21. Em vez de agentes da Polícia Federal prontos para prendê-lo, encontrou um emissário enviado pelo Ministério da Justiça para lhe dar as boas-vindas. Neguinho foi o último exilado a voltar.
Eu fui o primeiro, logo que o AI-5 acabou. Portanto, tenho 30 anos e meio a mais de experiência de Brasil do que o Neguinho, razão pela qual estou lhe encaminhando uma carta com algumas instruções básicas. Companheiro Neguinho,
Em primeiro lugar, muita calma. Se você for convocado para um ato secreto em Brasília, não se apavore pensando que é uma sessão de porrada ou choque ou para ser pendurado no pau de arara, como nos velhos tempos.
Ato secreto pode ser o meio pelo qual um senador, que pesquisou e descobriu ser teu parente, está tomando as providências para lhe arrumar um emprego de, por exemplo, "encarregado professor adjunto de Nós Náuticos e diretor das Embarcações do Senado no Lago Paranoá", dada tua condição de marinheiro.
Outra palavra chave é "anistia". Se algum advogado chegar falando baixinho que você tem de "pegar tua anistia", não vá estranhar e responder, todo orgulhoso, que já está anistiado -embora isso seja tanto verdade que você está andando de um lado para o outro sem problemas.
Não terá sido bem isso o que o doutor quis dizer. Essa expressão "pegar tua anistia" significa mesmo ganhar uma grana -e o doutor, claro, leva algum com isso. Tem jornalista que levantou 1 milhãozinho só porque, depois do golpe, perdeu um emprego que nem tinha nada a ver com o golpe.Aliás, é pena que você tenha sido da Marinha, e não da Petrobras. Se você fosse da segunda, eu até iria sugerir que me convidasse para o churrasco em comemoração. Você nem imagina a grana que essa turma levantou. É bem mais preta do que o petróleo.
Mudou tudo, compadre.
Agora nós é que estamos por cima. Ou melhor, só alguns de nós, uma meia dúzia, se muito. Exagerando, talvez um pouco mais. O resto continua pastando, inclusive o povão. "Povão" é o que a gente chamava antigamente de "massa atrasada".
O presidente Lula é o primeiro da lista. Há uns 40 anos, era torneiro mecânico. Depois entrou no sindicato como sub do sub, foi subindo, subindo... e não quis mais saber de outra vida. Fala qualquer coisa, parece entender de tudo e todo mundo acha graça. É um talento.
Outro é o José Serra. Foi presidente da UNE quando você era vice-presidente da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, agora governa São Paulo e, de repente, pode ser eleito para a vaga do Lula.
Tanto o Serra quanto o Lula têm o apoio daquela turma que queria ver a gente enforcado.
Mas, em vez do Serra, o Lula prefere a Dilma, outra ex-companheira. Essa você não conheceu, veio depois de nós, mas é esperta, menino, você precisa ver. Tem currículo para tudo. Precisa de guerrilheira? Ela tem. Torturada? Tem.
Doutora? Também tem currículo. Nem sei como conseguiu fazer tanta coisa e mais ainda o serviço de casa.
Outros que foram da pesada e estão se dando bem são o Carlos Minc, que tem a chave da Amazônia, e o Franklin Martins, que tem a chave do cofre da mídia.
Falando em cofre, toda essa turma "fez" o cofre do Adhemar.
Esse item é parte importante do currículo. Pega bem porque, afinal, o Adhemar era tido como ladrão. E, pelo número de companheiros que "fizeram" o cofre dele, parece que aquilo nem foi assalto, mas um show da Madonna.
É, companheiro, as coisas mudaram. Quer um conselho: dá uma de Gabeira, faça como ele, que também veio da Suécia, e escreva um livro do tipo "O Que É Isso, Companheiros?" -"companheiros", assim mesmo, no plural-, sobre o que você está vendo de diferente, de estranho, e espere um pouco. De repente, você até se dá bem. No ano passado, Gabeira quase se elegeu prefeito do Rio de Janeiro e agora já o convidam para tentar o governo do Estado.
Enquanto nada disso acontecer, venha me visitar em São Sebastião, onde moro atualmente. Aqui tem peixe, pinga, porto e mulher bonita. Tudo de que a gente precisa. Tenho um barco velho com motor de caminhão que vivo reformando, mas dá para pegar umas garoupas e sororocas.
Vamos fazer umas pescarias. E falar mal do governo, porque eu estou onde sempre estive: na oposição.
Você sabe, Neguinho, o lugar de um homem que se preza é na oposição. Aquele abraço.
DAVID LERER , 71, é médico, ex-deputado federal pelo extinto MDB, cassado na primeira lista do AI-5, em dezembro de 1968, viveu exilado em países da América Latina, da África e da Europa.

CÚPULA PEEMEDEBISTGA QUER REVERTER DESGASTE

Por LUCIANA NUNES LEAL

O E STADO DE SÃO PAULO - RJ, 31/07/2009


Membros se calam sobre Sarney, mas estudam nota em defesa do partido

Obrigado a se envolver na crise do Senado, por pressão dos aliados de José Sarney (AP), o comando nacional do PMDB procura um caminho para tentar frear o desgaste do partido. Nos últimos dias, deputados discutiram saídas para reagir à imagem de legenda fisiológica e adesista a qualquer governo que lhe garanta cargos e poder. Está pronta uma carta em defesa do partido e a cúpula discute se vai divulgá-la no portal do PMDB na internet e transmitir aos diretórios estaduais.A síntese da mensagem é dizer que o PMDB está "legitimado nas urnas", com as maiores bancadas no Senado e na Câmara, 1.200 prefeituras e nove governadores. Também justifica o apoio aos governos do tucano Fernando Henrique Cardoso e do petista Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro, diz a cúpula, garantiu a estabilidade econômica. O principal argumento para a adesão a Lula são as ações "voltadas para a justiça social".O texto reitera o respeito à opinião pública e às cobranças pela moralização das instituições. Sobre as denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não há nenhuma referência.Entre os deputados, um grupo quer um manifesto em favor do PMDB. Outros argumentam que a defesa pública não vai diminuir a série de denúncias de favorecimento a parentes e aliados que pesam contra Sarney e, portanto, seria inócua.Nas discussões sobre a posição do comando da sigla, houve até quem defendesse a retomada da ideia de uma candidatura própria à Presidência, abandonada por falta de nomes.Licenciado da presidência do PMDB, o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), e sua substituta, a deputada Íris Araújo (GO), mantiveram o máximo de distância dos escândalos que envolveram Sarney. No entanto, tiveram que concordar com a iniciativa do líder no Senado, Renan Calheiros (AL), de encaminhar ao Conselho de Ética denúncia contra o tucano Arthur Virgílio (AM).Apesar dessa iniciativa, a direção partidária continua a não se manifestar sobre a situação cada vez mais difícil de Sarney nem de comprar briga com a oposição ou os senadores petistas - como o líder Aloizio Mercadante (SP) -, defensores do afastamento de Sarney do cargo. Temer tem conversado com Sarney, mas evita dar declarações sobre a crise no Senado. Também não se ouve dos governadores do PMDB nenhuma manifestação pública em defesa do senador. O portal do partido não fala em crise e divulga ações dos parlamentares, governantes e ministros peemedebistas, inclusive na seção "PMDB na mídia". Defensor de Sarney, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), diz que "o canal já está aberto para a hora em que for necessária uma manifestação do partido, mas por enquanto é uma questão interna do Senado". Segundo ele, nomeações de amigos e parentes foram uma prática comum no passado, só agora combatida. "A ética praticada anteriormente não é mais adequada atualmente. Tem de mudar, mas não tem de sacrificar alguém."

TIGRE DE PAPEL

DE DORA KREMER

O ESTADO DE SÃO PAULO 31/07/2009


Muito provavelmente quando o recesso acabar o presidente do Senado, José Sarney, já terá conseguido convencer seus aliados a desistir da molecagem de usar as representações partidárias junto ao Conselho de Ética para retaliar quem identifica como inimigo.
A ideia não é denunciar infrações, mas tentar pôr de joelhos o adversário. Tanto é que, informa a tropa de choque, o DEM e o PT não serão alvos de representações, porque não assinaram os pedidos de abertura de processos contra Sarney, apresentados pelo PSDB e pelo PSOL.
Decisão que contraria a ameaça do suplente Wellington Salgado: "Já que pedir emprego é falta de decoro, vamos ver nos últimos seis anos todo mundo que fez isso aqui no Senado." É a prova da bravata, pois "todo mundo" incluiria o DEM, o PT, o PTB, o PDT e até o PMDB.
O senador José Sarney deveria ser a última pessoa interessada nessa guerra que seus aliados ameaçam. Primeiro, foram mexer com o senador Artur Virgílio, cujo senso de medida é inversamente proporcional ao tamanho dos desafios que recebe.
Em segundo lugar, o líder do PSDB tem duas explicações a dar ao Conselho de Ética, ambas já feitas ao plenário da Casa diariamente ao longo de duas semanas.
Seus pecados ele assumiu. Contratou um funcionário fantasma para atender às demandas de uma amizade e teve a conta de hotel em Paris paga pelo então diretor-geral, Agaciel Maia.
Se os processos prosperarem e o conselho onde os governistas são maioria achar por bem condená-lo, pode fazê-lo. Mas ficará apertado para arquivar as representações contra Sarney, que carrega nas costas um caminhão de contas em aberto. A saber: mentira ao Parlamento, nepotismo, uso de ato secreto para beneficiar parente, tráfico de influência no caso do neto intermediário de operações de crédito consignado para funcionários, sonegação de impostos, desvio de dinheiro de empresas públicas (Petrobrás e Eletrobrás) para as contas das empresas da família Sarney.
Se quem deve teme, quem deve mais teme muito mais.
No cotejo, Sarney e o PMDB levam enorme desvantagem. Por essa e mais algumas outras é que não é verossímil essa história de retaliação. A menos que o partido tenha enveredado pelo perigoso terreno do perdido por um, perdido por mil.
Mas não parece. Há muito cálculo ali. Indicativo firme de que estamos diante de uma fanfarronice é o fato de o grupo de Michel Temer ter "aceitado" entrar numa briga de rua com o PSDB.
Esse pessoal, na maioria deputados, manda no PMDB, está longe da confusão e assim pretende ficar. Temer e companhia disseram sim porque, nesta altura, dizer não só elevaria a pressão. O PMDB, que já briga com o PSDB e o PT, voltaria a brigar entre si em público.
A cúpula aprendeu a conhecer a fundo a teimosia e os métodos do líder do partido no Senado, Renan Calheiros. Manteve a fleuma quando o plano de eleger Sarney quase põe em risco a eleição de Temer para a presidência da Câmara, olhou do camarote o desenrolar da crise nestes cinco meses no Senado e agora fez o gesto de aceitação no limite do indispensável.
A ala do Senado não tem mais nada a perder, mas o grupo da Câmara tem muito a ganhar.
Quer a vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff, quer transitar livremente também pelos palanques da oposição por meio de alianças nas eleições estaduais e, sobretudo, não quer atrito com os dois partidos que potencialmente representam a porta da esperança de acesso à máquina pública.
Convenhamos, dá para acreditar que essa turma vai pôr o pescoço a prêmio para ajudar o grupo adversário que recentemente não teve com os colegas deputados nenhuma consideração? Só vendo.
O finado Antônio Carlos Magalhães costumava dizer que faltava "coragem física" a Sarney. É um traço de personalidade a ser levado em conta na análise de possibilidades sobre o caminho a seguir: o recuo estratégico ou o avanço insano na companhia de Renan Calheiros e sua intrépida trupe de suplentes.
?Por maior?
Se tiver mesmo a chance de concorrer em 2010 como vice de Dilma Rousseff, o deputado Michel Temer precisa se entender muito bem com Orestes Quércia.
Sua aliança com o governo federal o elegeu presidente da Câmara. Mas quem o elege deputado é a máquina do PMDB de São Paulo, controlada por Quércia e prometida a José Serra.
Dois coelhos
Caso o nome de Ciro Gomes entre na próxima pesquisa de intenções de voto para 2010 na lista de candidatos ao governo de São Paulo, o Planalto conta criar um fato político.
Ao mesmo tempo favorável a Dilma e desfavorável ao PSDB no Estado. Saindo do rol dos pretendentes a presidente e entrando na pesquisa estadual, Ciro aumentaria os índices da ministra e reduziria o favoritismo numérico dos tucanos paulistas.

A NOVA CLASSE

DE MERVAL PEREIRA

O GLOBO 31/07/2009

A tomada de poder no Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) — que administra os R$ 158 bilhões de patrimônio do Fundo do Amparo ao Trabalhador (FAT) —, promovida pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, é apenas mais um dos muitos movimentos que vêm sendo feitos para ampliar o poder dos sindicalistas no governo.
Para evitar que representantes dos empresários assumissem o controle do Conselho no próximo período, que abarca anos eleitorais, o ministro Lupi, oriundo do Sindicato dos Jornaleiros, ajudou a criar uma confederação empresarial, a Confederação Nacional de Serviços, entidade reconhecida oficialmente apenas em dezembro passado, e que tem sua representatividade contestada pelas federações da área.
O novo presidente, Luigi Nese, foi eleito com o voto dos representantes do governo e dos trabalhadores, mas não teve o apoio das confederações que teoricamente representa, as dos empresários, que abandonaram a entidade em protesto.
Não se tratava apenas de tomar conta desse que é um dos maiores caixas oficiais, mas também de impedir que um representante da Confederação Nacional da Agricultura, presidida pela senadora do DEM Kátia Abreu, estivesse à frente do Codefat em 2010.
O governo Lula vem ampliando sistematicamente o poder dos sindicatos, como mostram pesquisas como as do Centro de Pesquisas e Documentação (CPDoc) da Fundação Getulio Vargas do Rio, realizadas pela cientista política Maria Celina d’Araujo.
Uma, sobre a composição dos ministérios durante a Nova República, mostra que, até o governo Lula, apenas 11,5% dos ministros tinham algum vínculo com sindicatos de trabalhadores, e só 5,8% participaram de centrais sindicais.
No governo Lula, já houve momento em que 27% de seus ministros eram vinculados a sindicatos de trabalhadores.
Outra pesquisa, sobre os ocupantes dos cargos de Direção e Assessoramento (DAS 5 e 6) e de Natureza Especial (NES) no governo federal, na administração pública direta, revela que 45% dos indicados são ligados à vida sindical.
A “legalização” das centrais sindicais no ano passado ficou conhecida como “pelegalização”, pois a lei sancionada pelo presidente Lula excluiu uma emenda do deputado do PPS Augusto Carvalho, que tornava opcional a contribuição sindical compulsória equivalente a um dia de trabalho, e vetou a fiscalização do Tr i b u n a l d e C o n t a s d a União “em nome da autonomia sindical”.
Uma desculpa esfarrapada que não resiste a uma análise, pois a liberdade sindical não existe enquanto o governo não acabar com a exigência da unicidade sindical, e a fiscalização precisa ser feita porque, oriundo do imposto compulsório, o dinheiro é público, porque recolhido com base em um poder que só o Estado tem. Essa “autonomia” vale cerca de R$ 100 milhões anuais para as centrais sindicais.
A legalização das centrais sindicais, aliás, foi o que deu motivos para o início do plano de assumir o controle do Codefat. Alegando que as centrais tinham que ter representação no Conselho, Lupi aumentou duas vagas em cada grupo de representação.
Só que as novas vagas dos empresários foram preenchidas por confederações criadas com o incentivo do Ministério do Trabalho.
Essa verdadeira “república sindicalista” foi sendo moldada à medida que decisões ampliaram o espaço de atuação e revitalizaram as finanças do sistema sindical brasileiro.
No governo Lula, uma medida em especial reforçou o poder de fogo das centrais sindicais: a autorização para que empréstimos fossem dados com desconto na folha de pagamento, com a intermediação dos sindicatos, o famoso crédito consignado.
O exemplo mais gritante do sindicalista da “nova classe”, na definição do sociólogo Francisco de Oliveira, fundador e hoje dissidente do PT, é aquele que atua no controle dos fundos de pensão.
Entre os maiores, se destaca o Previ do Banco do Brasil, que tem participação em 70 empresas e direito a indicar nada menos que 285 conselheiros, com patrimônio de mais de R$ 100 bilhões.
Quem o preside desde o início do governo Lula é o ex-trotskista Sérgio Rosa, oriundo da Confederação Nacional dos Bancários, cujo perfil de gestor implacável de resultados e poucos sorrisos a revista “Piauí” destrincha na próxima edição.
A reportagem de Consuelo Diegues revela detalhes das relações de amizade de Rosa com membros do governo Lula oriundos do sindicalismo bancário e do movimento trotskista, como os ex-ministros Luiz Gushiken e Ricardo Berzoini (hoje presidente do PT), que o indicaram para dirigir a Previ.
Os bastidores das negociações nebulosas envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, que culminaram com a fusão das telefônicas Brasil Telecom e Telemar na nova Oi, controlada pelos empresários Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, revelam as disputas internas de poder no governo Lula.
De um lado, o então todopoderoso chefe do Gabinete Civil José Dirceu garantindo ao banqueiro Daniel Dantas que o governo não se envolveria na disputa dos fundos de pensão com o Opportunity na gestão da Brasil Telecom.
De outro, Luiz Gushiken, também poderoso na época, usando a Previ para tirar o banqueiro Daniel Dantas do controle da telefônica.
E, entre uma negociação e outra, operações da Polícia Federal completamente descontroladas e indícios de que o governo pressionou os fundos de pensão para que não tentassem comprar a nova supertelefônica Oi, deixando o controle acionário com os empresários

SERVICINHO NO SENADO


DE JÂNIO DE FREITAS


FOLHA DE SÃO PAULO 31/07/2009

Lula diz ao Senado que encerre o seu impasse; é tarde, a desordem senatorial invalidou o cronograma eleitoral
AS AFLIÇÕES ELEITOREIRAS de Lula, que o têm levado à aceleração de afirmações tolas e de pressas frustradas, são frutos benfazejos da estagnação do Senado em suas próprias aflições. Mesmo que o impasse no Senado não o tornasse inútil por bastante tempo mais, já assegurou a falta de tempo para duas aprovações problemáticas e perigosas, ambas vistas também como forças eleitorais.
Uma, para a propaganda das obras de "desenvolvimentismo como o de Juscelino": nova lei de licitação, com o facilitário desejado pelos empreiteiros e conveniente ao rápido início de várias obras. Outra, a estrutura empresarial e administrativa para a exploração do pré-sal, de cuja aprovação o governo espera negócios que engordem os cofres públicos, para impulsionar em 2010 ações eleitoreiras a granel.
A desordem senatorial invalidou o cronograma eleitoral da Presidência, desperdiçando o primeiro semestre planejado como fase preliminar de tramitação e negociações parlamentares dos projetos, e nem ao menos tornando provável sua execução no segundo semestre. Ainda mais porque semestre encurtado por férias no seu início e mais férias no final. Para os propósitos eleitoreiros, as aprovações no ano que vem, caso ocorram, serão tardias, dadas as providências até chegarem à prática.
Em discurso ficcional para grandes empreiteiros, anteontem Lula atribuiu ao seu governo a redenção moral desses empresários notabilizados pela fraudulência das concorrências de que participam. Não foi lembrado de que agora mesmo a empreiteira Norberto Odebrecht, por exemplo, está nas páginas dos jornais por vários feitos, relacionados a irregularidades na construção da ferrovia Norte-Sul, a uma grande obra da Petrobras no Estado do Rio, à investigação de tráfico de influência de Fernando Sarney.
O grupo da empreiteira Andrade Gutierrez compete de diferentes modos com o noticiário da Odebrecht, inclusive por sua extensão telefônica em que o dinheiro é do caridoso BNDES. E não citar a presença da empreiteira Queiroz Galvão seria injustiça, dada sua tradição.
Lula passou, na ocasião tão propícia, ao tema de "qual lei de licitação é importante para o país". Não tinha o sentido de indagação, porque todos ali já sabiam "qual lei de licitação" o orador e os ouvintes acham importante para o pequeno país que eles compõem, com princípios e propósitos marginais em relação ao país geral. Mas Lula trouxe novo dado: "Até uma obra começar a acontecer leva três anos". Desde a decisão de projetá-la, uma grande obra pode levar até bem mais.
O que tem acontecido com as obras do PAC, fonte da pretensa estatística de Lula, tem outra causa: são impropriedades (ambientais, por exemplo) e as irregularidades e ilegalidades financeiras que o Tribunal de Contas da União já verificou na maioria nelas. Casos também das empreiteiras citadas lá atrás.
Ansioso ou irritado, Lula diz aos senadores que encerrem logo o seu impasse. É tarde. A desordem no Senado já prestou um servicinho.

LULA DIZ QUE NÃO RECEBEU PEDIDO DE SARNEY PARA CONVERSAR SOBRE SENADO

DA FOLHA ONLINE

GABRIELA MANZINI

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que a permanência do senador José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado é um problema que os parlamentares devem resolver após o recesso.
"Não é um problema meu [a permanência de Sarney]. Eu não votei para eleger Sarney presidente do Senado nem votei para ele ser senador do Maranhão [Sarney é senador pelo Amapá]. Também não votei no [Michel] Temer [PMDB-SP para a Câmara] nem no [senador] Arthur Virgílio [PSDB-AM]. Não votei para ninguém. Eu votei para os senadores de São Paulo. E somente o Senado que o elegeu é que pode dizer", afirmou o presidente, em São Paulo.
Lula disse que ainda não há nenhum pedido de Sarney para conversar sobre seu futuro político e a possível renúncia da presidência do Senado. Reportagem publicada hoje na Folha informa que Sarney vai decidir seu futuro numa conversa pessoal com o presidente na próxima semana.
Segundo a reportagem, Lula e Sarney se falaram nos últimos dias por telefone. O presidente da República insistiu em pedir que o senador não renuncie ao comando do Senado. O peemedebista disse que seu desejo é resistir, mas que para isso precisa de apoio.
"Não há nenhum pedido de conversa com o presidente Sarney. Ele e o presidente da Câmara [Michel Temer], na hora que pedirem para falar comigo, terão uma conversa comigo", afirmou Lula.
O presidente disse ainda que não pode interferir nos trabalhos do Congresso nem na crise do Senado. Porém, admitiu que os problemas no Poder Legislativo podem atrasar a votação de projetos importantes para o país.
Ele afirmou ainda que espera que os senadores se reúnam com "cabeça fria" após o recesso para normalizar a situação.
"O Senado e a Câmara têm autonomia em relação ao Executivo. Todo mundo sabe que a paralisia do Legislativo pode criar problemas para o país, que projetos importantes podem ser retardados. Tudo o que espero é que o Congresso, agora, com a cabeça fria depois de dez dias de férias para todo mundo, que se reúnam como adultos que são todos, com mais de 35 anos de idade, e decidam normalizar a atuação do Senado. Mais do que isso eu não posso pedir", afirmou.

NÃO É PROBLEMA MEU, NÃO VOTEI NO SARNEY, DIZ LULA

MANCHETE DA FOLHA

Por PEDRO DIAS LEITE 31/07/2009

NÃO VOTEI NO SARNEY NEM PARA SENADOR", AFIRMA LULA


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou o tom do discurso sobre a crise que envolve o presidente do Senado, José Sarney (PMDB). "Não é problema meu. Não votei no Sarney para ser presidente do Senado nem votei para ele ser senador no Maranhão", afirmou Lula, em entrevista na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O senador foi eleito pelo Amapá. Até então, o presidente vinha dando declarações públicas de apoio a Sarney. O presidente do Senado é alvo de acusações de nepotismo, de uso de atos secretos na Casa e de desvio de verba pública na fundação maranhense que leva seu nome. "Somente o Senado é que pode dizer se ele vai ficar ou não", disse Lula, que negou interferir no dia a dia do PT. Paulo Duque (PMDB-RJ), presidente do Conselho de Ética da Casa, afirmou que agora está informado sobre o caso de Sarney.
Depois de semanas de defesa enfática de José Sarney (PMDB-AP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou o tom ontem em relação à crise que envolve o presidente do Senado: "Não é problema meu".
"Não votei no Sarney para ser presidente do Senado nem votei para ele ser senador no Maranhão", disse Lula. O senador foi eleito pelo Amapá, e não pelo Maranhão -teve 53,9% dos votos, em uma das votações mais apertadas de sua carreira.
"Não votei no [Michel] Temer [presidente da Câmara], não votei no Arthur Virgílio [senador do PSDB-AM], não votei em ninguém. Votei nos senadores de São Paulo, então quem tem de decidir se o presidente Sarney tem de ficar na Presidência do Senado é o Senado", afirmou.
Pela primeira vez, o presidente da República não deu como certa a permanência de Sarney no comando da Casa.
"Somente o Senado, que o elegeu, é que pode dizer se ele vai ficar ou não. Não sou eu", disse.
Até então, Lula vinha dando declarações públicas de apoio a Sarney, alvo de uma série de denúncias de nepotismo, uso de atos secretos e desvio de verbas públicas na fundação que leva seu nome, no Maranhão.
Ao lado da presidente do Chile, Michelle Bachelet, Lula chegou a se irritar com as perguntas sobre Sarney e a posição do PT em relação ao caso. "Deixa eu "hablar", Michelle. Tem 20 jornalistas e diz que vão fazer só duas [perguntas]. E, por coincidência, as duas são iguais. Como é que você acha que eu posso dizer sobre o destino da bancada do PT se eles estão de férias e vão voltar na segunda-feira? Não posso, não posso dizer, não posso dizer absolutamente nada", esquivou-se.
Desde o início da crise, o petista tem enquadrado o partido. No começo do mês, os senadores petistas foram obrigados a recuar de um pedido de afastamento do presidente do Senado. Nesta semana, nova nota dos petistas pedindo a saída de Sarney foi desautorizada.
Apesar de todas as evidências em contrário, Lula disse que não interfere no dia a dia do PT. Mandou que os repórteres ligassem "para o líder do PT na Câmara ou no Congresso" ou para o presidente do partido, Ricardo Berzoini, "que certamente gostará de dar as informações". Na prática, as bancadas do partido na Câmara e no Senado atuam o tempo todo sob o comando do presidente.
O governo e o próprio Sarney esperavam que o recesso de julho, aliado a um desgaste da repetição do assunto na mídia, amenizasse a situação de Sarney, o que não ocorreu. Lula disse esperar que "agora, com a cabeça fria", os senadores "decidam normalizar a atuação do Senado", envolvido em uma de suas piores crises. "Mais do que isso eu não posso pedir."
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, encontrou-se com Sarney ontem no hospital Sírio-Libanês, onde ela foi fazer sessão de radioterapia e onde a mulher do senador, Marly, está internada por ter sofrido uma queda. Dilma reforçou que o governo defende a permanência de Sarney no cargo.
Lula e Bachelet deram entrevista na sede da Fiesp. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), acompanhou toda a fala do petista. Ao final, quando repórteres abordaram o tucano para pedir que falasse sobre o tema, Lula deu um tapinha em suas costas e o alertou, em tom meio de brincadeira, meio sério: "Eles querem que você fale mal do Sarney". Serra não deu entrevista, dizendo que já tinha falado antes com jornalistas.

MACHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais

Agora São Paulo
Idosos podem furar a fila em ações do INSS e da Justiça

A Tarde
PM volta atrás e afasta oficial que matou perito

Correio Braziliense
GDF cria força-tarefa mas escolas terão aula

Correio do Povo
Maioria das escolas particulares também prolonga as férias

Diário do Nordeste
Acidentes de trânsito no Ceará crescem mais de 13%

Estado de Minas
Saúde quer adiar a volta às aulas em uma semana

Extra
Quartéis dos Bombeiros distribuirão remédio contra a gripe suína

Folha de São Paulo
"Não é problema meu, não votei no Sarney", diz Lula

Jornal do Brasil
Escolas particulares também adiam aulas

O Estado de S.Paulo
Lula já não defende Sarney e Senado articula sucessão

O Globo
Bolsa Família aumenta mesmo sem orçamento

Valor Econômico
Minoritários terão poder de veto em incorporações

Zero Hora
Hospital libera Tamiflu e abre polêmica na guerra à gripe A

Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Banqueiros gastaram em bônus durante crise

The Washington Post (EUA)
No Afeganistão, EUA podem mudar estratégia

The Times (Reino Unido)
Isso vai me devolver a vida, vitória do direito de morrer

The Guardian (Reino Unido)
Sinto que tenho minha vida de volta - vitória do direito de morrer para Purdy

Le Figaro (França)
Os benefícios da alimentação orgânica em questão

Le Monde (França)
FMI lança vasto plano de ajuda em favor dos países mais pobres

China Daily (China)
Trials for riot suspects set for AugustJulgamento de suspeitos do tumulto deve ocorrer em Agosto

El País (Espanha)
ETA assassina dois guardas civis em Mallorca em plena ofensiva terrorista

Clarín (Argentina)
Há disputas no Governo pela baixa nas retenções

O RETORNO

Antecipamos o retorno.
As condições climáticas, frio e chuva transformaram nossas férias.
Sem opções, entedemos melhor retornar

13 de julho de 2009

FÉRIAS



Julho é por tradição o mês de férias de meio de ano no Brasil. Por essa razão vamos aproveitar esse período para descansar com a família.
Estaremos fora do ar, em recesso a partir dessa 2ª feira (13.07) e até a última sexta feira do mês (31.07). Retornaremos então no dia 01 de agosto.

12 de julho de 2009

BOLSA IPI CUSTARÁ 11 ANOS DE SENADO

DE ELIO GASPARI

FOLHA DE SÃO PÇAULO 12/07/2009


ÁGUA MOLE em bolso alheio tanto bate até que fura. Em março passado, os interessados na criação da Bolsa IPI tentaram contrabandear numa medida provisória que perdoava pequenas dívidas com a Receita a concessão de um crédito tributário de 15% sobre o valor de todas as exportações de mercadorias feitas até dezembro de 2002. Não houve acordo com o G8 da Câmara e morreu na praia uma emenda que estava no Senado. O G8 é um buquê de caciques de todos os partidos. Às vezes tem oito barões, mas pode ter tantos quantos forem necessários.
Na terça-feira, com o beneplácito do Ministério da Fazenda, os senadores ligaram o “gato” da Bolsa IPI na corrente da MP do programa Minha Casa, Minha Vida, destinado a famílias com renda de 3 a 5 salários mínimos. Desta vez o drible deu certo. Ele foi armado em sucessivas reuniões de empresários, sábios da ekipekonômica, pelo menos um ministro do STF e parlamentares, tanto da base do governo como da oposição. A emenda usada para encaixar o contrabando era da senadora tucana Lúcia Vânia. Como se fossem passageiros do Oriente Expresso, todos esfaquearam a Viúva.
Técnicos da Receita estimam que o contrabando aprovado pelos senadores custe R$ 220 bilhões, dinheiro suficiente para construir 1,5 milhão de imóveis de R$ 150 mil para o Minha Casa, Minha Vida. Noutra conta, seriam apenas R$ 31,4 bilhões, ou 210 mil casas. O “gato” vai para a Câmara.
Trata-se de um litígio que espera julgamento no STF. A boa educação sugeriria que se esperasse a decisão da corte. Se há pressa, ou interesse em fazer um acerto de contas fora do tribunal, o professor Guido Mantega poderia redigir uma nova MP, tratando só do crédito de IPI, sem contrabando. No mérito, os empresários podem ter o direito dos anjos mas, no método, tiveram a dissimulação dos demônios.
Em tempo: o Senado custa à Viúva R$ 2,7 bilhões anuais. Com o dinheiro da Bolsa IPI, no barato, seria possível dar mandatos de 11 anos aos 81 senadores, mantendo todos os empregos das parentelas e dos agaciéis. Se os R$ 220 bilhões calculados na Receita fazem sentido, o benefício valeria por 81 anos. Assim, o Senado se tornaria vitalício e hereditário.

MURO TOTAL
O PSDB corre o risco de desaparecer. Parece piada, mas as cartas de seu suicídio estão na mesa.
Até hoje José Serra não disse que é candidato a presidente da República. Admita-se que ele prefira tentar uma reeleição certa para o governo de São Paulo, esquivando-se pela segunda vez de um confronto que pode levá-lo ao sol e ao sereno da derrota. Nesse caso, a vaga seria de Aécio Neves. E se ele preferir uma eleição certa para o Senado?
Nas comemorações dos 15 anos do Plano Real, os grão-tucanos organizaram eventos e desfilaram seu notáveis com tamanha nostalgia que pareciam barões do Império festejando, em 1903, os 15 anos da Abolição.

MADAME NATASHA
Madame Natasha adora os artigos do professor Celso Lafer. Enquanto os lê, pratica o passatempo de contar as citações que o ex-chanceler faz de Norberto Bobbio, de Hanna Arendt e de si próprio.
A senhora concedeu uma de suas bolsas de estudo a Lafer, membro da Academia Brasileira de Letras, para curá-lo de uma propensão ao anarcoglotismo.Numa só entrevista, ele falou em português, inglês e italiano.
Coisas assim:“É preciso equacionar a complexidade da agenda internacional identificando alguns clusters de temas”. Poderia ter dito “conjunto de temas”.“High politics” is o mesmo that “alta política”.Natasha teve dificuldade para entender o professor quando ele disse que na Itália a Igreja Católica cobra “a recapitalização do prestígio do governo”.Madame acha que ele quis dizer “recuperação do prestígio do governo”.

A BANCA TEM UM FRACO PELO STF EM FÉRIAS

Em dezembro passado, às vésperas do recesso do Supremo Tribunal Federal, a banca tinha pronto um pedido de liminar contra uma jurisprudência do STJ, que mandava devolver às vitimas do Plano Verão o dinheiro tungado nas suas contas de poupança, por ordem do governo. Quem tinha mil cruzados novos numa caderneta em 1989 poderá vir a receber, na média, uma compensação de R$ 610. Os bancos dizem que a decisão do STJ custaria R$ 100 bilhões aos seus cofres. Noutra conta, seriam R$ 29 bilhões.
Com o recesso de fim de ano, o pedido iria para a mesa do ministro Gilmar Mendes. Caso ele concedesse a liminar, o tribunal pleno só julgaria o caso em fevereiro. O presidente do Supremo não julgou o pedido e, em março, ele foi negado pelo ministro Ricardo Lewandowski.
A banca tivera nove anos para entrar com o pedido, mas resolveu fazê-lo, sem sucesso, no lusco-fusco do recesso. Pois não é que tentaram de novo? Na quarta-feira, com o STF em férias, repetiu-se o lance, com outro tipo de recurso.
Não se sabe por que, mas os banqueiros têm um fraco pelo Supremo em férias. Perderam tempo, pois Gilmar Mendes decidiu que ele só venha a ser apreciado depois das férias, pelo ministro Lewandowski e pelo tribunal pleno.
Falhou a lei de Gentil Cardoso. Quem se deslocou não recebeu e quem pediu não teve preferência.

VOLTAS DA VIDA
Em 2002, durante o golpe fracassado contra Hugo Chávez, o diplomata americano Hugo Llorens, estava no olho do furacão, trabalhando na assessoria de segurança nacional da Casa Branca. Ele era o responsável pela região andina.
Agora Llorens é o embaixador americano em Tegucigalpa, deu guarida à família do presidente Zelaya e foi para a linha de frente da reação ao golpe.
Em setembro, quando o embaixador chegou a Honduras, Zelaya fez demagogia à sua custa, recusando-se a recebê-lo para a entrega de credenciais, em solidariedade ao presidente Evo Morales, que expulsara o embaixador americano da Bolívia.

EREMILDO, O IDIOTA
Além de cretino, Eremildo é doutor em anedotas e champanhota. Ele se assombrou com Enrique Cortez, o então chanceler do governo golpista de Honduras que chamou o companheiro Obama de “negrinho que não sabe nada”.
O doutor desculpou-se dizendo que “a expressão não teve, de nenhuma forma, uma intenção ofensiva”.
Eremildo é um idiota, mas acha que Cortez agravou o insulto, pois só não haveria intenção de ofender Obama se ele pudesse sustentar que os negrinhos (todos eles) não sabem de nada.

ALEGRIA NO CIRCO
A Câmara aprovou um mecanismo que permite aos cidadãos em trânsito no território nacional votar na eleição do presidente da República.
Os doutores haviam esquecido que os brasileiros residentes no exterior podiam votar.Essa inovação legislativa deve ser creditada a um cidadão do Rio de Janeiro, o palhaço profissional Biriba que, apresentando-se pelo Brasil afora, chegou aos 60 anos sem jamais ter votado para presidente

SENADORES INFLAM GABINETES COM AFILHADOS POLÍTICOS

MANCHETE DA FOLHA DE SÃO PAULO


Oito a cada 10 assessores no Senado, são indicados políticos
De cada 10 funcionários dos gabinetes do Senado, 8 são indicações políticas sem concurso público.
Fazem parte desta legião ex-prefeitos, deputados e vereadores que não se reelegeram, candidatos derrotados e integrantes das máquinas partidárias. Rejeitados nas urnas, são transformados em assessores parlamentares.Os servidores comissionados (sem concurso público), muitos com perfil político, representam 83% dos funcionários lotados em gabinetes, aponta levantamento feito pela Folha com base em dados do Senado na internet. Eles são hoje a principal explicação para o inchaço na folha de pagamento.
403 "chefes" do Senado têm extra de R$ 1.615
As então 181 diretorias no Senado causaram espanto há quatro meses, mas passou despercebida a existência dos 403 "chefes de serviço", recebendo gratificações especiais de R$ 1.615 para cuidar de elevadores, telefonia celular, assistência elétrica, concessão de vistos e passaportes e entrega de pacotes, entre outros.
Destes, 110 (27%) são os únicos funcionários lotados nas suas próprias chefias. A Folha identificou dois casos de "chefes de si mesmo", que não têm a quem comandar. Outros são responsáveis por chefiar funcionários terceirizados.

Lobão emprega namorado de neta de Sarney

O namorado da neta do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), é funcionário do Ministério de Minas e Energia. Estudante de direito, Luiz Gustavo Amorim namora Rafaela Sarney, filha adotiva da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB).
Há quatro anos a pasta é dominada por Sarney. Em 2005, ele indicou Silas Rondeau, que só deixou o cargo após ser citado na Operação Navalha da Polícia Federal. No começo do ano passado, o senador Edison Lobão (PMDB-MA) assumiu o ministério. Foi ele quem empregou Gustavo, nomeado em fevereiro de 2008.
Comissão irá administrar terceirizados
Uma comissão formada por nove funcionários efetivos do Senado vai administrar os contratos de terceirização de serviços firmados entre a Casa Legislativa e três empresas que envolvem 1.500 funcionários terceirizados. A decisão foi tomada na terça-feira da semana passada e informada anteontem pelo diretor-geral-adjunto, Luciano de Souza Gomes.
A Comissão Permanente de Gestão de Contratos vai responder pelos contratos do Senado com as empresas Plansul, Aval e Adservis.

CRISE, QUE CRISE?

Por LUIZ CARLOS AZEDO com A COLABORAÇÃO DE GUILHERME QUEIROZ


Correio Braziliense - 12/07/2009
Crise no Senado
Para o Palácio do Planalto, apesar das novas denúncias, a crise política no Senado acabou. Embora senadores da base aliada (leia-se, do PT) ainda tentem jogar para a arquibancada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu restabelecer o bloco de apoio governista na Casa ao reaproximar as bancadas do PMDB e do PT. Com isso, a possibilidade de afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), teria sido de fato sepultada.
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O desgaste do ex-presidente da República no cargo, em razão das denúncias de clientelismo e patrimonialismo contra ele e seus familiares, é outro problema que caberia a ele administrar ao longo do mandato. Nada impede que novos fatos desgastem Sarney ainda mais. Porém, segundo o Planalto, não seriam capazes de desestabilizar a aliança PMDB-PT.
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Lula avalia que o velho cacique maranhense não renunciará. Isso fragilizaria a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), sua filha, e o empresário Fernando Sarney, seu filho mais velho. Além disso, PSDB e o DEM, na luta para apeá-lo do cargo, também foram chamuscados por denúncias.
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Ser ou não
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), aliado de José Serra, vive um drama shakespeareano. Responsável pelo principal palanque da oposição no Nordeste, não decidiu se será candidato contra o governador Eduardo Campos (PSB). Caciques da oposição pernambucana, os senadores Marco Maciel (DEM) e Sérgio Guerra (PSDB) e o deputado Raul Jungman (PPS) não sabem o que fazer.

TRANSPARÊNCIA

MERVAL PEREIRA

O GLOBO 12/07/2009

Na análise do cientista político Octavio Amorim Neto, da Fundação Getulio Vargas do Rio, a crise atual que envolve a Câmara e o Senado "tem mais a ver com a transparência de algumas decisões de gasto, e com a destinação de alguns gastos", do que com o nível geral destes. Nosso modelo de Legislativo, lembra, combina "um papel relativamente importante das comissões no fazimento das leis e uma grande demanda por serviços a serem prestados pelos congressistas em vastas circunscrições eleitorais (os estados), com grandes populações".
Tudo isso gera gastos que precisam ser devidamente subvencionados pelo erário público, e Octavio Amorim Neto acha que o Brasil, "uma nação de renda média, é capaz de arcar com os custos do tipo de Congresso".Por isso, diz ele, devemos estar preparados para despender "uma boa quantidade de recursos com o Poder Legislativo".Em 2007, estudo da Transparência Brasil demonstrou que, excetuandose o Congresso dos Estados Unidos, o Congresso brasileiro é o mais caro num conjunto de dozes países em termos absolutos.Claudio Weber Abramo, presidente da ONG, lembra que quando se levam em conta as disparidades de custo de vida e nível de renda dos diversos países e se ponderam os montantes conforme a renda per capita, "a população brasileira é a que mais paga para manter o Congresso entre todos os países examinados".Um estudo mais recente demonstra que "considerandose salários, benefícios e cobertura de custos com assessores, o Brasil supera os gastos de todos os sete países examinados". E quanto à transparência dos atos? Abramo diz que a pesquisa da Transparência Brasil mostrou que, com relação à política de contratação de assessores e consultores, não há paralelo, em países da América Latina, da Europa Ocidental ou nos Estados Unidos, com o que ocorre no Brasil: "Montantes elevadíssimos de recursos públicos são dirigidos, sem qualquer critério ou controle, à contratação de assessores, os quais, na virtual totalidade das vezes, não passam de cabos eleitorais pagos com dinheiro público".Também a contratação de consultores é submetida a filtros mais rigorosos em outros países, diz o estudo da Transparência Brasil. No caso brasileiro, as contratações se fazem contra a apresentação de notas fiscais que, lembra Abramo, "até recentemente, eram mantidas em segredo, sem possibilidade de controle independente".Depois dos recentes escândalos, a prestação de contas da verba indenizatória de R$ 15 mil que cada senador ou deputado tem direito estão sendo exibidas na internet, ao contrário, por exemplo, dos Estados Unidos, onde o Senado e a Câmara divulgam cópias em imenso volumes, mas não exibem eletronicamente os gastos.Recentemente, o "Wall Street Journal" analisou "milhares de páginas" e descobriu gastos que parecem comuns, como impressos e correio, mas o deputado Howard Berman parece ter exagerado: gastou U$ 84.000 para fazer calendários personalizados para seus eleitores, impressos na Sociedade Histórica do Congresso.Também Rahm Emanuel, que renunciou à sua cadeira para se tornar chefe de gabinete da Casa Branca de Obama, gastou nada menos que U$ 33.000 em impressos no último trimestre do ano, ocasião em que aumentam os gastos para que a verba anual seja gasta o máximo possível, pois não acumulam.Cerca de cem deputados estão relacionados a financiamentos de automóveis, de vários tipos, que alegam ser para seu trabalho. A única certeza é de que eles terão que devolver os automóveis, assim como produtos eletrônicos que compram com a verba indenizatória, ao final dos mandatos.Ao contrário dos parlamentares americanos, os ingleses podem gastar a verba com despesas pessoais, mas os abusos foram tão grandes que o presidente da Câmara dos Comuns britânica, Michael Martin, renunciou mês passado, primeira vez em três séculos que isso acontece.Ao contrário de Sarney, o inglês Martin assumiu para si o desgaste de atitudes de diversos deputados, que também deixaram o Parlamento, depois que gastos pagos com dinheiro público para compras de móveis para residências dos políticos, ou para pagar juros de hipotecas, e até reembolso para comida de cachorro apareceram em reportagens de jornais britânicos.O cientista político Octavio Amorim Neto acha que o custo do Congresso tenderá a ser sempre "maior do que o razoável enquanto os partidos de orientação mais programática brigarem entre si e preferirem se aliar a agremiações de cunho mais clientelista para formar maiorias governativas".Essas alianças, destaca, são sempre uma opção política "com desvantagens facilmente identificáveis, não uma imposição da realidade.Ou seja, se quisermos reduzir aquele custo, a cidadania deve lutar não apenas por mais transparência, mas também exigir maior coerência nas escolhas dos seus governantes".O presidente da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, não tem dúvidas de que os congressistas brasileiros são os que mais pesam no bolso do contribuinte."Os custos diretos anuais incorridos por cada senador brasileiro correspondem a mais de oitenta vezes a riqueza média produzida por cada habitante do país ao longo de um ano. Para os deputados, o custo direto é quase setenta vezes o PIB per capita".Pelas contas da ONG, cada deputado brasileiro custa para o cidadão duas vezes mais do que seu correspondente norte-americano, 5,5 vezes mais do que um alemão, seis vezes mais que um francês e 6,5 vezes mais do que um britânico.
Postado por ARTIGOS às 1:13 AM

A GALINHA DE ESOPO

GUDÊNCIO TORQUATO

O ESTADO DE S PAULO 12/07/2009
viúva tinha uma galinha que punha um ovo a cada dia. Imaginou que, comendo mais cevada, a bichinha botaria dois ovos por dia. Aumentou-lhe a ração. A galinha tornou-se gorda, muito gorda. Por isso, não foi mais capaz de pôr nem o ovo cotidiano. Quem ambiciona cada vez mais perde até mesmo o que possui. É isso que ensina Esopo em sua fábula. Pois bem, a galinha é o PT. De tanto engordar, com a cevada que lhe é dada, todos os dias, pelo dono do galinheiro, o presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores perdeu aquilo que lhe era mais precioso: o ovo ideológico. Pode ser que a cozinha petista delicie seus milhões de comensais com o menu à base do galináceo. Mas, convenhamos, o farto repasto deixou de ser um prato que já foi considerado o mais diferenciado do banquete partidário nacional. A pimenta-malagueta, toque peculiar dos tempos em que mestres-cucas caprichavam na culinária, foi trocada por vinagre adocicado. Do bornal partidário saem alimentos inodoros, incolores e insossos. Iguais aos servidos em mesas triviais.
A mais evidente demonstração da sensaboria petista é o enquadramento imposto por Lula à bancada no Senado em relação ao senador José Sarney, apesar da negativa do partido em nota oficial. Alguns senadores se inclinavam a pedir a licença temporária do presidente da Casa. Refluíram na intenção, obrigando o líder do partido, senador Aloizio Mercadante, a proferir um dos mais ambíguos discursos de sua vida, algo que flutuou entre o ser e o não ser, o ir adiante e o voltar, a inequívoca necessidade de mudar e a insuperável vontade de ficar no mesmo lugar. Na oratória, o que faltou em substância sobrou em entonação vocal, sugerindo compensação entre o conteúdo (tênue) e a forma (volumosa). É evidente que o PT preza, e muito, a cevada que recebe do presidente Lula. Tem sido a principal vitamina para sua expansão no território nacional, ou melhor, para a fixação de estacas nos grotões do País, a partir do Nordeste, onde tira votos de grandes partidos, como o DEM e o próprio PMDB.
A reconstrução do partido com argamassa pasteurizada tem como justificativa, para lembrar a peroração de Mercadante, a preservação da governabilidade. Em termos claros, significa correr ao balcão da compra e venda de produtos com o selo do pragmatismo. Nesse caso, o vendedor é o PMDB, a mais poderosa sigla nacional, que reúne os maiores contingentes de prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais e senadores. Fica claro que uma sólida aliança com ele propiciará a capilaridade necessária a uma campanha política, além de agregar o maior tempo de rádio e TV na programação eleitoral. Trata-se de decisão oportuna, até porque o passado mostra que um dos maiores erros de Lula foi vetar o acordo firmado ao final de 2002, antes de iniciar seu primeiro mandato, entre o PT e o PMDB. Com frouxo apoio no Congresso, foi difícil ao governo aprovar matérias de seu interesse. De lá para cá, o presidente repaginou a identidade. Deixou de exibir o traje de torneiro mecânico do ABC paulista para explorar a origem nordestina. Plantou sementes que lhe dão frutos nas searas das classes sociais. Sedimentou o lulismo, cujo ideário se inspira no pragmatismo, e destroçou os esquadrões petistas que teimavam em ir à luta com os velhos canhões ideológicos. Ou, para usar a linguagem desta era argentária, o verbo curvou-se às verbas.
O PT mudou de tom, mas alguns de seus filiados ainda piam à moda antiga. Um deles é o senador Tião Viana (AC), ao carregar nas tintas da revista Veja com expressão lamentosa: Lula "deixa uma grande frustração no que se pensava ser uma de suas maiores habilidades - a política partidária. Nada fez para evitar a desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes de sua posse". Não há sofisma. Ele afirma, com todas as letras, que Lula expressa um retrocesso no modo de fazer política. Mesmo debitando as palavras à dor de cotovelo com a derrota para Sarney na eleição para a presidência do Senado, Viana não poderia ser mais contundente. O presidente, porém, fez que não ouviu. Do alto da fama - nacional e internacional -, chama o PT à ordem unida. Haverá preço por um alinhamento inspirado no mais salgado conservadorismo? Sim. O voto de opinião poderá ser desviado da bancada do PT. Dos 12 senadores do partido, 9 tentarão um novo mandato em 2010. Já a bancada petista na Câmara tentará exibir a bandeira de verbas destinadas às regiões. O PT é quem mais instrumentaliza o Orçamento. Nos territórios eleitorais desenvolvidos, candidatos buscarão explicar a geleia em que se transformou a entidade. A tarefa não será fácil. Sobrará para eles a confiança de que o prestígio do presidente da República lhes propiciará vitória fácil. Nos grotões, é provável um arrastão eleitoral sob empuxo do assistencialismo. Lula exerce, ali, o coronelato mais estrelado.
O ônus mais pesado do PT estará no Sudeste, onde o partido perde força a cada pleito. Desfigurado e a cada dia comprometido com manchas constantes que sujam o tecido político, a sigla da estrela terá dificuldades para resgatar a margem histórica de 30% de votos em São Paulo. Mas a carga negativa, como crê o onipotente Lula, não terá o condão de influir na contabilidade global da sigla. Para tanto usará o apelo econômico - programas de motivação e incentivo como os de casas populares e redução de IPI -, ao lado da retórica triunfalista de nação que resistiu bravamente à crise. Na condição de popstar, acreditando tanto na onisciência a ponto de pregar que Sarney não deve ser tratado como um ser humano normal, Luiz Inácio incorpora a identidade do homem providencial. Na hora certa, chega para atenuar a tempestade sobre o Senado. Só ele tem o poder de trocar a cor vermelha do PT por um painel furta-cor e transformar lobos em cordeirinhos. Ninguém duvide se for capaz de fazer a galinha gorda de Esopo botar dois ovos por dia.

DIAS DE EQUILIBRISTA

DORA KRAMER


O ESTADO DE S PAULO 12/07/2009

Vestido na saia justíssima que o presidente Luiz Inácio da Silva encomendou para a bancada do Senado, o PT tem sido obrigado a se equilibrar entre as conveniências imediatas do governo e os planos eleitorais de um partido que daqui a 14 meses joga o seu destino em votos.
É um serviço complicado e, sobretudo, mal compreendido. E pior, com tarefas até mais difíceis que sustentar a insustentável majestade do presidente do Senado, José Sarney, a serem cumpridas daqui até a eleição de 2010. O líder no Senado, Aloizio Mercadante, reconheceu numa frase dita lá pelo meio de um dos vários discursos para justificar o vaivém do partido no caso de Sarney, que "o PT não tem como sair bem dessa história".
É uma impressão generalizada dentro do partido. Assim como é consenso entre os petistas que o resultado da prova foi desastroso, mas que não havia outro jeito a não ser atender aos ditames do presidente da República, a única voz de comando e fonte de poder em torno da qual se reúne o PT.
O dilema posto era o seguinte: se rifasse Sarney, o PT teria o aplauso imediato do eleitorado, mas se arriscaria a criar um pretexto para o PMDB aumentar a força da faca que mantém permanentemente apontada para o peito do governo.
Ao aceitar servir de muro de arrimo – até porque não teria como romper com o presidente, pois dele emana seu poder –, assume um desgaste de pronto, mas aposta na estabilização da aliança política com efeitos benéficos mais adiante. Na sustentação à candidatura de Dilma Rousseff, por suposto.
Mas a questão é até que ponto vale o sacrifício de uma aposta que, em se tratando de PMDB, é sempre um salto no escuro. Qual o maior prejuízo, o político ou o eleitoral? E as perdas decorrentes deste, não podem anular os eventuais ganhos daquele?
Na avaliação de petistas mais pensantes que diletantes esse tipo de balanço não caberia fazer no caso. Na visão deles, sem saída. Embora considerem que o "zigue-zague" foi mal conduzido. Já sobre outros equilibrismos a que o PT será submetido, há divergências em relação ao que o presidente Lula considera a melhor solução.
Lula, por exemplo, está convencido de que vale a pena o PT abrir mão de disputar governos de estados importantes em favor dos candidatos do PMDB. Sob o seguinte argumento: é mais importante o PT apostar na eleição de uma grande bancada parlamentar, principalmente de senadores, do que conquistar governos de estados, já que a tendência dos governadores é sempre a de se compor com o Planalto por razões administrativas.
Embora o raciocínio faça sentido em tese, na prática as coisas não são tão esquemáticas. Primeiro, porque se, em princípio, a cessão de direitos ao PMDB seja um fator de harmonia, torna o PT ainda mais refém do parceiro. Em segundo lugar, nada assegura a submissão automática dos governadores. Em terceiro, a disputa eleitoral e a conquista de espaços de poder é a razão de ser de um partido que se pretende influente. Em quarto lugar, há as vontades partidárias regionais às quais nem sempre a direção nacional tem condições de se impor. O trauma da intervenção nacional no PT do Rio de Janeiro, que dizimou o partido no estado, está vivo em todas as mentes.
E finalmente, e mais importante, a receita acima só dará bom prato se o PT ganhar a Presidência da República. Se perder, terá posto seu patrimônio nas mãos do PMDB para vê-lo, ato contínuo, aderir ao adversário vencedor.
Escola
Os senadores Arthur Virgílio e Heráclito Fortes criticam quando o presidente Lula confunde crítica com agressão, relatos jornalísticos com conspiração, mas navegaram as mesmas águas ao reagir na sexta-feira contra reportagem da revista inglesa The Economist sobre a "casa de horrores" em que se transformou o Senado brasileiro.
Fortes chamou a revista de "elitista e preconceituosa" e pediu aos jornalistas respeito "à autonomia dos países". Virgílio se juntou a ele lembrando acontecimentos recentes no parlamento britânico que revelaram "práticas típicas de países que não chegaram ao desenvolvimento democrático pleno". Se o soneto do Senado reproduzido pela revista já é ruim, muito pior ficou a tentativa de emenda dos nobres senadores.
Abre de novo espaço à comparação entre a maneira inglesa e o modo brasileiro de os parlamentares lidarem com suas mazelas. Sem falar na natureza jeca da patriotada. Lá, o presidente da Câmara dos Comuns afastou-se aos primeiros acordes do escândalo de gastos irregulares, verbas extras e auxílios indevidos pagos a seus pares. Sem ter sido envolvido em denúncia alguma, mas por ter se oposto à liberação de informações sobre os gastos. Ficou com a pecha de defensor dos abusos e, por isso, renunciou. Aqui, nem certidão de culpa passada em cartório do céu consegue demover uma só excelência de continuar agarrada às benesses paradisíacas do cargo.

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais


Agora São Paulo
Autonomo pode escolher entre três formas de contribuição

Correio Braziliense
Brasília cresce mais que o país na crise

Correio do Povo
Perigo e preocupação junto às rodovias

Diário do Nordeste
Fortaleza não está preparada para receber o turista

Estado de Minas
Mais motivos para BH celebrar a liberdade

Extra
PAC da prefeitura levará obras e até cinema para oito favelas

Folha de São Paulo
Indicação política incha gabinete de senadores

Jornal do Brasil
Guerra do tráfico vira jogo no Orkut

O Estado de São Paulo
Curso revela fraude em Fundação Sarney

O Globo
Brasil já comercializa e consome 'drogas legais'

Zero Hora
40 anos depois: a maior aventura da humanidade

Revistas

Veja
A geração sem idade

Época
Dá para ser feliz no trabalho?

IstoÉ
Sexo no casamento

IstoÉ Dinheiro
De porteiro de escola a bilionário do ensino

Carta Capital
A Satiagraha atinge o alvo


The New York Times (EUA)
Cheney está envolvido no encobrimento do Projeto CIA

The Sunday Times (Reino Unido)
Trabalhistas discutem com o Exército enquanto mortes no Afeganistão aumentam

The Observer (Reino Unido)
Gordon Brown planeja aumentar as tropas no Afeganistão

Le Monde (França)
Para Mélenchon, o pedido de reunião de Aubry "cheira a jogo duplo"

China Daily (China)
Amizade, unidade prevalece apesar da violência

El País (Espanha)
Catalunha diz"sim" ao sistema de financiamento autônomo

Clarín (Argentina)
Segundo Igreja, pobreza cresceu e está em torno de 40%

11 de julho de 2009

O DIA DEPOIS DE AMANHÃ

DORA KRAMER

O ESTADO DE SÃO PAULO




Seja qual for o rumo da crise em curso - sustentação de José Sarney em andrajos ou eleição de um presidente-tampão - a maioria dos senadores já dá por perdida a atual legislatura. Não há, reza a avaliação preponderante, a menor possibilidade de recuperação de imagem.
Não apenas porque o descrédito é muito profundo, mas, sobretudo, pela ausência de um centro de equilíbrio capaz de arbitrar uma solução e conduzir o Senado ao reencontro da harmonia interna e da confiabilidade externa.
A cena retratada esta semana em primeira página onde o senador Tasso Jereissati aparece de dedo em riste, batendo boca com o colega Eduardo Suplicy em plenário, é emblemática.
Tanto quanto a figura, o discurso e os gestos de José Sarney materializam a síntese do atraso, a fotografia de Jereissati e Suplicy traduz, na essência, a desorientação.
Constatada a perda e a ausência de instrumentos para construir uma virada - impossível, dada a atual correlação de forças em que a hegemonia é referida no passado - resta apostar no futuro, na renovação de dois terços dos mandatos dos 81 senadores em 2010.
Os mais perspicazes já atuam nessa lógica, convencidos que estão de que o eleitor votará segundo um critério de nítida divisão entre os que representam o "velho" e os que se identificam com as demandas de um "novo" Senado.
Não por outro motivo a bancada do DEM abandonou tão rapidamente a condição de aliada de José Sarney e assumiu a defesa do seu afastamento do cargo.
Isso não tem nada a ver com o jogo eleitoral de candidaturas, conforme alegam Sarney e o governo. O critério valeu na recusa do DEM em apoiar um candidato do PT, Tião Viana, para a presidência do Senado. Mas, a crise fez a coisa mudar de figura. Agora, o que vale é relação com o eleitorado, a sobrevivência política de cada senador.
O DEM, bem como o PSDB, o PT, o PDT ou qualquer outro à exceção do PMDB, têm perfeita noção de que o episódio Sarney delimita terrenos. Quem fica com ele, diante da opinião pública corrobora os vícios que ela já não aceita. Quem se afasta, manda um recado de que captou a mensagem a respeito do castigo à espreita mais adiante, nas urnas de 2010.
Trata-se de uma escolha entre ficar com o tempo do onça ou aderir aos tempos modernos.
Hesitante no início da crise em negar sustentação política a Sarney, o líder do DEM, senador Agripino Maia, mudou de posição depois de ser hostilizado em Mossoró (RN) porque ficou hesitante durante um debate público sobre o assunto.
O eleitor o fez entender de maneira muito simples e direta que a crise não deixou espaço para escolha.
De forma mais elaborada, o senador Cristovam Buarque analisou a situação semanas atrás em discurso no Senado. Sarney só não o assistiu de corpo presente porque se retirou logo depois de ouvir o líder do PSDB, Arthur Virgílio, pedir pela primeira vez que se retirasse de cena.
Cristovam subiu à tribuna em seguida e fez duas constatações bastante realistas: a primeira, que Sarney não é o homem talhado para conduzir a crise, pois o faz "em ritmo antiquado"; a segunda, que sozinho o Senado não ultrapassa o obstáculo. Precisa da colaboração das melhores cabeças da sociedade que, na visão do senador, deveriam ser chamadas a debater e apresentar propostas.
Tentar levar as coisas à moda de sempre resultará, na opinião dele, no "atropelo do Senado" pela dinâmica da contemporaneidade.
Hoje não somos mais julgados a cada quatro ou oito anos. Somos julgados a cada minuto, online. Continuar administrando as dificuldades na lentidão atual é um suicídio.
"E ao falar em "suicídio" Cristovam não antevia a possibilidade de extinção do Senado, mas um cenário de total inoperância e falta de importância, semelhante à situação do Legislativo no regime autoritário. Uma instituição decorativa.
A compreensão sobre o esgotamento de um modo de vida parlamentar se amplia dentro do Congresso. A conferir se em 2010 o eleitorado cuidará mesmo de concretizar a ruptura ou se vai preferir a comodidade da indignação sem resultados.
Costas quentes
A oposição está segura de que consegue mesmo fazer funcionar a CPI da Petrobrás. Não porque confie no acordo firmado com os governistas, já quebrado por três vezes.
DEM e PSDB se fiam na palavra do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que assegurou parecer favorável se a petição ao STF bater em suas mãos.
O único problema é que na semana que vem o presidente tribunal estará fora do País e será substituído pelo ministro Marco Aurélio de Mello, cuja posição não está tão clara para os oposicionistas.
A decisão favorável na Justiça já poderia ter sido obtida nesta semana. Só não foi porque o requerimento não estava pronto. Isso apesar de a oposição ameaçar recorrer ao Supremo desde o dia da criação da CPI, há dois meses.

O CUSTO DA DEMOCRACIA

DE MERVAL PEREIRA

O GLOBO 11/07/2009

Não há um consenso entre os que acompanham as atividades legislativas brasileiras sobre qual é a pior legislatura, se a atual ou a anterior. O ex-deputado Ulysses Guimarães tinha uma máxima para essa situação: “O Congresso atual é pior que o anterior e melhor do que o próximo”. A disputa vale tanto para os casos de irregularidades descobertas quanto para a produtividade das legislaturas. A anterior, que se encerrou em 2006, com os mensaleiros e sanguessugas, foi a que teve mais escândalos de corrupção. Praticamente um quinto daquela Câmara está sob investigação do Ministério Público Federal ou responde a processo criminal no Supremo Tribunal Federal (STF).
Nos seis primeiros meses deste ano, na legislatura que começou em 2007, surgiram inúmeros casos de irregularidades na Câmara e no Senado, revelando esquemas que vão de uso indevido de passagens aéreas a pagamentos de horas extras indevidas, nepotismo, e uma superestrutura burocrática que mandava e desmandava nas duas Casas, especialmente no Senado, onde estão concentrados os escândalos atualmente, envolvendo, sobretudo, seu presidente José Sarney.
Para Antônio Augusto de Queiroz, diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a produção legislativa no ano passado teve quatro características: quantidade, baixa qualidade, aumento da autoria de parlamentares e pouca participação dos plenários das Casas em sua aprovação.
Se a produção foi boa — foram aprovadas 241 leis no Congresso, contra 178 em 2006 e 198 em 2007 — a qualidade deixou a desejar: segundo o Diap, mais da metade das leis aprovadas tratavam de “homenagens, de datas comemorativas, de remanejamento de recursos orçamentários, criação de cargos em comissão, entre outras matérias de pouca importância, em termos de política pública”.
A participação do Parlamento na produção legislativa aumentou, passando de históricos 20% para 35%, enquanto foi reduzida a edição de medidas provisórias pelo governo: em 2008 foram editadas 40 medidas provisórias, uma média mensal de 3,33; contra 70 em 2007, média de 5,83; e 67 em 2006, média de 5,58 por mês.
O fato é que não há como medir a qualidade de um Parlamento, como salienta o cientista político Octavio Amorim Neto, da Fundação Getulio Vargas do Rio, segundo quem “trata-se de algo muito difícil de mensurar”. Diante desse impasse, como enfrentar a questão dos altos custos da Câmara e do Senado? Para a ONG Transparência Brasil, o contribuinte brasileiro paga mais para manter um mandato de senador ou deputado do que o contribuinte dos EUA, o país mais rico do mundo. Já um trabalho da Câmara dos Deputados afirma que seus gastos são menores do que o de diversos países do mundo.
A diferença é que a Câmara faz a comparação entre os países considerando o custo por habitante, enquanto a Transparência Brasil considera que para determinar quanto, de fato, os parlamentares pesam no bolso do cidadão é necessário considerar as diferenças de renda.“
O modo mais claro de fazer isso é considerar a renda per capita de cada país e determinar quanto o custo significa em termos dessa renda per capita”, afirma Claudio Weber Abramo, presidente da ONG, para quem no Brasil o custo de um deputado corresponde a 82 vezes a renda per capita, ao passo que no Chile corresponde a 29 vezes.
Já um senador brasileiro custaria, em termos reais, mais de três vezes o que custa um senador chileno para o contribuinte daquele país, e cerca de 8,4 vezes o que pesa um senador francês no bolso do cidadão ao qual serve.
Pelas contas da Câmara, os gastos por deputado por habitante mostram que o Brasil gasta quase 4 vezes menos que os Estados Unidos, metade que a Inglaterra e 10% do Chile.
Os subsídios por parlamentares seriam iguais aos dos Estados Unidos e dez vezes menores que os do Chile, na comparação de gasto por habitante. Os gastos totais seriam, por essa mesma metodologia, metade que os dos parlamentos dos Estados Unidos, França e Inglaterra e cinco vezes menor que o do Chile.
O trabalho da Câmara destaca que há uma diferença importante na maneira de trabalhar de cada parlamento, que se reflete nos seus custos. Seria o que o cientista político Nelson Polsby chamou de parlamentos transformativos e parlamentos-arena.
Os primeiros são os que desempenham papel relevante na elaboração da lei, e têm, por exemplo, as comissões como parte relevante de sua estrutura. O modelo que Polsby tomava era o do Congresso norte-americano.
Já o parlamento-arena é, sobretudo, um fórum de debates, com reduzido papel na própria elaboração legislativa, praticamente não existindo comissões. Por isso, a infra-estrutura para o trabalho parlamentar pode ser pequena.
Hoje, embora o quadro britânico não seja mais o mesmo, o estudo destaca que o papel do parlamento é consideravelmente menor do que, por exemplo, o do Congresso norte-americano.
Nas comparações entre o nosso Legislativo e os demais, o nosso modelo seria bem mais próximo ao norteamericano, com suas funções transformativas, do que aos de outros países.
O cientista político Octavio Amorim Neto acha que “se há um custo que vale a pena pagar, é o custo do Congresso. Afinal, trata-se da instituição sem a qual não há democracia”.
Ele considera que, “no tocante às necessidades dos nossos deputados e senadores, o texto produzido pela Primeira Secretaria da Câmara está certo ao afirmar que nosso modelo de ação e organização legislativas está mais próximo do estadunidense do que o britânico, justificando, portanto, maiores subsídios parlamentares”.(Continua amanhã)

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS


Agora São Paulo
Tribunal mantém julgamento de ações de revisão de poupança

A Tarde
Polícia matou 134 este ano

Correio Braziliense
O avanço letal da gripe suína

Correio do Povo
RS terá mais recursos para conter a gripe A

Diário do Nordeste
Comércio aos domingos gera disputa de liminares

Estado de Minas
Operação La Plata

Extra
Promotora pede prisão de donos de cervejaria que usa lacre na lata

Folha de São Paulo
Países ricos mudam G8 para incluir emergentes

Jornal do Brasil
Países ricos pedem ajuda a emergentes



O Estado de São Paulo
Gripe mata em SP e contágio é investigado

O Globo
Multa à Petrobras derruba a secretária da Receita Federal

Zero Hora

Empresa britânica nega ter embarcado lixo que chegou ao RS


Jornais internacionais


The New York Times (EUA)
Grampos do governo americano tinham valor limitado, dizem relatórios oficiais

The Times (Reino Unido)
7 anos, 9 meses, 184 vidas

The Guardian (Reino Unido)
Oito soldados britânicos são mortos no mais sangrento dia de missão afegã

Le Monde (França)
Youssouf Fofana é condenado à pena máxima

Le Figaro (França)
Obama na África: uma viagem símbolo

China Daily (China)
Urumqi olha para o futuro com preces

El País (Espanha)
Tragédia termina com morte de um madrilenho de 27 anos

Clarín (Argentina)
Governo admite que pode discutir retenções

ROBERTO CARLOS FAZ SEU PRIMEIRO SHOW NO MARACANÃ



Rei comemora 50 anos de carreira com shows pelo Brasil. Porto Alegre recebe cantor dias 14 e 15 de agosto


Roberto Carlos comemora 50 anos de carreira com uma série de shows pelo Brasil. O mais espetacular, sem dúvida, será o deste sábado à noite, às 22h, no Maracanã. Com transmissão ao vivo para todo o Brasil. Roberto estará à frente de uma platéia de 60 mil pessoas no Maracanã. Nos dias 14 e 15 de agosto, o espetáculo chega a Porto Alegre
Em seus 50 anos de carreira, contados a partir do recebimento do primeiro cachê, Roberto Carlos nunca fez show no Maracanã. Hoje à noite - com transmissão ao vivo para o Rio de Janeiro pela Rede Globo de Televisão, depois da novela Caminho das Índias - o Rei faz, enfim, sua estreia, no estádio carioca. Além do público pagante - de 60 mil segundo a Globo, 55,8 mil ou 68 mil segundo outras fontes -, esperam-se centenas de outros convidados, incluindo, naturalmente, várias celebridades globais. Tudo indica que vai ser uma grande festa para o Rei.
Um dos primeiros ídolos jovens do Brasil, Roberto Carlos comemora 50 anos de carreira em 2009. Sua voz foi ouvida publicamente pela primeira vez em uma manhã de domingo em outubro de 1950, em um programa de rádio em sua cidade natal, Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. Mas foi quase uma década depois que ele começou a conquistar os ouvidos do público e da crítica, em canções que falavam principalmente sobre sentimentos.
Os temas românticos ficam ainda mais presentes nas composições do Rei nos anos 70. Assim como a religiosidade, outro assunto tratado com seriedade pelo cantor, a natureza também marca presença em sua obra. O protesto ecológico, por exemplo, ganha voz em "Amazônia", incluída no álbum de 1989 cuja capa mostra o artista usando uma pena nos cabelos.
O show do Maracanâ, sob a direção de Roberto Talma, os preparativos foram intensos durante toda esta semana, mas a produção manteve em segredo detalhes do show, como o repertório, por exemplo.
É certo que o show terá a participação dos velhos e bons amigos dos tempos da jovem guarda Erasmo Carlos e Wanderléa. Roberto deve cantar sucessos de todas as fases da carreira, com preferência para clássicos como Emoções, Detalhes e É Preciso Saber Viver.
Antes da apresentação de Roberto, que vai cantar com sua banda de 39 integrantes, haverá uma introdução, com a participação de Patrícia Poeta, que será a apresentadora do programa. A ideia é que o público cante Como É Grande o Meu Amor por Você. Isso vai ser gravado e jogado no ar na abertura do programa na tevê.
"Quem for ao estádio vai ver mais coisas do que a televisão", garante o VJ Spetto, que há quatro anos vem trabalhando com as projeções e efeitos visuais dos programas de fim de ano, que Roberto grava para a Globo.
Palco em formato de concha

O palco, translúcido e em formato de concha, ocupa 500 metros quadrados do gramado - são 50 metros só de boca de cena. É o de maiores dimensões que Roberto já pisou. A banda que o acompanha há décadas receberá o reforço de 23 músicos, inclusive com instrumentos que não entram na composição original (são doze violinistas e quatro violoncelistas). Os testes de som começaram na quinta-feira; os ensaios serão feitos neste sábado, 11. O show terá duração de 1h40 e deve começar às 21h30. Na área vip, deverá estar boa parte do elenco principal da TV Globo, que transmitirá a apresentação ao vivo. Roberto convidou ainda as cantoras que se apresentaram com ele no Teatro Municipal de São Paulo no mês passado, além de seus funcionários e amigos, sua família, a da sua mulher Maria Rita, que morreu em 1999, e a da ex, Myrian Rios.

HONDURAS: MEDIAÇÕES TERMINAM SEM ACORDO

DAS AGÊNCIAS


TEGUCIGALPA (Reuters) – Os esforços diplomáticos para resolver a crise de Honduras, fracassaram nesta sexta-feira. A "primeira fase" do diálogo que procura solucionar a grave crise política em Honduras,, terminou hoje na Costa Rica sem acordo, mas com "avanços", apesar das duras posições mantidas tanto por Manuel Zelaya, como por Roberto Micheletti. Um complicador para a continuação das negociações é posição de aliados esquerdistas do presidente deposto que prometeram que ele vai retornar ao poder enquanto o governo interino não mudou de posição.
Zelaya e Roberto Micheletti, não chegaram a um acordo nem mesmo se encontraram pessoalmente nas conversações para mediação da crise, realizadas na quinta-feira na Costa Rica.
Eles deixaram em seu lugar delegados para tentar fazer o diálogo avançar, mas parece ter havido pouco progresso nesta sexta-feira e as esperanças de uma rápida solução da crise parecem desvanecer-se.
A decisão de continuar dialogando, em uma data e lugar ainda não definidos, foi o principal resultado de dois dias de conversas mediadas pelo presidente costarriquenho, Óscar Arias. Arias também conseguiu estabelecer uma agenda de temas a tratar, mas preferiu não divulgá-la. No entanto, não conquistou um de seus principais objetivos desta fase: reunir Zelaya e Micheletti em uma mesma mesa de negociações.

Chávez, o inflamado líder venezuelano, declarou as conversações da Costa Rica "mortas antes de começarem". Ele pediu um embargo comercial total a Honduras
Falando em Caracas, Chávez também criticou o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por ter produzido as conversações mediadas pelo presidente da Costa Rica, dizendo que não pode haver negociações com "um usurpador" em Honduras.
Os comentários de Chávez pareciam prestes a reacender os temores de que ele e outros países aliados esquerdistas de Zelaya, como Cuba e Nicarágua, possam procurar ajudar o presidente deposto a retomar o cargo pela força ou por uma insurreição popular.
Zelaya fez uma tentativa malsucedida de voltar a Honduras no domingo, com o apoio de Chávez, e tem sido aconselhado pelos EUA a negociar em vez de tentar forçar novamente seu retorno. Ele diz que está se empenhando em "métodos pacíficos, não-violentos" para retomar o posto.
“Lamentamos profundamente as desafortunadas declarações de um presidente da América do Sul sobre este importante processo de mediação”, expressou o ex-chanceler hondurenho Carlos López, líder da comissão nomeada na quinta-feira por Micheletti, durante sua breve visita a San José.López assegurou que sua delegação mantém a posição de encontrar uma saída que respeite a Constituição hondurenha e elogiou o trabalho realizado por Arias nas reuniões em sua residência particular em San José.

Micheletti foi nomeado pelo Congresso depois do golpe e diz que a remoção de Zelaya foi legal porque ele violou a Constituição ao tentar alterar o limite do mandato presidencial. Em Honduras, o presidente só pode ser eleito para um mandato, de quatro anos. Micheletti afirma que se Zelaya voltar ao país terá de enfrentar a Justiça.
Uma pesquisa CID-Gallup publicada pela mídia em Honduras na quinta-feira mostrou que 41 por cento dos hondurenhos acham que a destituição de Zelaya foi justificada enquanto 28 por cento se opõem ao golpe

10 de julho de 2009

CARTA DE EMBAIXADOR DA VENEZUELA CAUSA POLÊMICA NO SENADO

Por SÉRGIO LEO

VALOR ECONÔMIO 10/07/2009




Mesmo ausente, o embaixador da Venezuela no Brasil, Julio Garcia Montoya, foi o principal personagem da audiência convocada ontem na Comissão de Defesa e Relações Exteriores do Senado para discutir o ingresso do país no Mercosul. Convidado, Montoya avisou por fax que não iria, numa carta com termos duros em que acusa os senadores de levantarem dúvidas "de caráter ideológico e até pessoal" em relação à Venezuela e diz que não interessa ao Estado brasileiro o "jogo de interesses" na discussão do tema.
A carta escandalizou até defensores da entrada da Venezuela no bloco. Mas, numa demonstração de interesse no Senado em evitar a radicalização do debate, os senadores, por uma margem estreita (cinco a quatro), rejeitaram a proposta do senador Fernando Collor (PTB-AL) de aprovar um "voto de censura" ao embaixador. Optaram por algo mais delicada, de devolver a carta à embaixada, em sinal de protesto. A alternativa foi sugerida por um líder oposicionista, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que até gracejou com o fato.
"Após sete anos, me vejo reconhecido como um homem de esquerda; meus camaradas votaram comigo", ironizou. O embaixador foi acusado de "pouco inteligente", inábil e descortês, e sua carta, de "nem diplomática, nem civilizada". Na sessão da tarde, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), um dos autores dor requerimento, disse concordar com a devolução da carta por achar que a censura seria "talvez uma demasia".
Centrada na polêmica provocada pela carta do embaixador e em acusações de desrespeito á democracia por parte do governo de Hugo Chávez, a discussão, dividida em duas sessões, trouxe, porém, uma novidade, esperada pelo setor privado: já estão em análise no ministério do Desenvolvimento as listas com produtos "sensíveis", para os quais a Venezuela quer retardar a eliminação de tarifas no comércio com o Mercosul, segundo informou o secretário-geral do ministério de Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães.
Segundo um diplomata, somam 880 os tipos de mercadorias para os quais a Venezuela quer liberalizar o comércio só em 2018; e há mais cerca de 400 que os venezuelanos gostariam de manter como "exceção", com as tarifas de importação atuais. Essas exceções estão, principalmente, em setores onde Chávez quer criar indústrias nacionais, como alimentos, siderurgia e componentes eletrônicos. As listas são, ainda, objeto de negociação entre os governos.
Um dos principais argumentos econômicos contra a incorporação, levantados por especialistas como o ex-ministro de Relações Exteriores, Luis Felipe Lampreia, é a demora dos venezuelanos em assumir os compromissos cobrados de outros sócios do Mercosul. "Um país não pode entrar pela janela, tem de aceitar as regras", reclamou Collor, mencionando que os venezuelanos questionam pouco mais de 160 das 783 normas do Mercosul. "Não é um rechaço ao ingresso da Venezuela, é a oportunidade do ingresso", argumentou Collor.
Pinheiro Guimarães lembrou que o Brasil mantém superávits recordes com a Venezuela, da ordem de US$ 5 bilhões, apesar das barreiras ao comércio e das dificuldades de algumas empresas para operar com o sistema de câmbio centralizado venezuelano, muito criticado durante a audiência. Tanto Pinheiro Guimarães quanto o presidente da Federação de Câmaras de Comércio da América Latina, Darc Costa, ex-vice-presidente do BNDES, insistiram na necessidade de formalizar a entrada da Venezuela no Mercosul como forma de fazer frente à "invasão" da China no mercado regional.
O estilo centralizador e personalista de Chávez, e seu desprezo pelas normas liberais e de mercado foram os argumentos mais citados pelos parlamentares contrários ao ingresso da Venezuela no Mercosul, em curto prazo. Na carta do embaixador, Montoya argumentava que o ingresso da Venezuela seria uma "razão de Estado de caráter supra-ideológico", e diz que sua presença no Senado não faria diferença por acreditar que as dúvidas não teriam razão econômica ou técnica. Em defesa da Venezuela, o deputado federal e ex-governador de Roraima Neudo Campos, após falar da importância econômica do país para os estados da região Norte, chegou a argumentar que não se poderia cobrar, no Mercosul, um padrão "europeu" de democracia.

GOL DE RONALDO

DE JANIO DE FREITAS


FOLHA DE S PAULO

A informação de Ronaldo traz colaboração importante, se não para inquérito, por certo para uma biografia de Lula

CONHECIDAS OUTRAS relações suspeitas ou comprometedoras entre Lula e ao menos uma empreiteira, nem a alienação dos grã-finos da oposição, nem artimanhas ou equívocos de transcrição podem obscurecer a gravidade da informação dada pelo jogador Ronaldo sobre outro comprometimento do próprio presidente da República com empreiteiras.
Em contraste com as versões publicadas no noticiário como se literais, mas todas abrandando a frase objetiva e clara de Ronaldo, Tostão, o cronista craque, fechou sua coluna de ontem com uma nota, "Absurdo", que repõe sentido e tempos verbais adequados ao original: "Ronaldo disse no programa "Bem, Amigos", do SporTV, que o presidente Lula tem ajudado bastante o Corinthians por meio de contatos com empreiteiros para a construção do centro de treinamento do clube! Absurdo um presidente fazer isso! Parei!"
Ronaldo segundo o noticiário da Folha: "Ele [Lula] é a principal pessoa que tem ajudado o Corinthians nesta nova fase. Mas não é ajuda financeira. O que ele tem feito é passar contatos de empreiteiras e indicar empresas que podem ajudar".
Ronaldo segundo "O Globo", na primeira página, lá sem aspas de palavras de transcrição: "Ronaldo surpreendeu ao afirmar, no "Bem, Amigos", do SporTV, que o presidente Lula vai indicar as empreiteiras que construirão o centro de treinos do Corinthians". Ronaldo na página principal de esportes, com sinal de transcrição literal: "O presidente Lula é quem mais está ajudando o Corinthians nessa fase. Ele está dando alguns contatos de empreiteiras que podem nos ajudar, mas não é financeiramente. Ele é fanático, um corintiano roxo. O presidente está sabendo de tudo e indica as empresas que podem ajudar".
Registro meu, no trecho que aqui interessa, quando referido o encontro do jogador com Lula: ..."é uma das pessoas que mais ajudam o Corinthians. É o que ajuda mais. Ele pede a empreiteiras para nos ajudar".
Notícia anterior ao Lula presidente deu conta de que sua filha morava em Paris custeada por uma empresa, citada mais tarde como uma empreiteira. Já em pleno mandato, a gigantesca empreiteira Andrade Gutierrez associa-se, e infla de capital, a pequena ou micro empresa de que um filho de Lula é sócio. E há meio ano está aí, consumada, uma das maiores aberrações já havidas no Brasil em negócios privados com a mão e o dinheiro providenciados pelo governo: a compra da Brasil Telecom pela Oi/Telemar (Grupo Andrade Gutierrez) antes mesmo que Lula alterasse a lei para torná-la possível.
Um dos três inquéritos pedidos, agora, pelo procurador federal Rodrigo de Grandis no caso Satiagraha, refere-se ao negócio BrT-Oi/Telemar, porque financiado por dois bancos estatais, o BNDES e o do Brasil, e participação de Daniel Dantas, com suspeita de crime financeiro ou lavagem de dinheiro em torno de sua parte. Esse é um inquérito que, se levado adiante pelo Judiciário, pode chegar ao que uma CPI, caso os partidos oposicionistas fizessem oposição com honestidade e civismo, já poderia ter chegado.
Tal como dada mesmo, a informação de Ronaldo traz uma colaboração importante. Se não para o inquérito, cujo pedido o Judiciário talvez prefira em um arquivo, por certo para uma biografia de Lula mais verdadeira do que a fabricada pela Unesco para um prêmio sem candidatos.

INSTALAÇÃO DA CPI DA PETROBRÁS DIVIDE SARNEY E RENAN

A decisão de apoiar a instalação da CPI da Petrobras provocou a primeira divergência no QG de apoio ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), informa hoje o "Painel" da Folha, editado por Renata Lo Prete (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL). A divergência ocorreu após a denúncia de que a Fundação Sarney teria desviado recursos do patrocínio da Petrobras para um projeto cultural fantasma. O dinheiro teria ido parar na conta de empresas fantasmas e emissoras de TV da família Sarney.
De acordo com a coluna, Sarney e Gim Argello (PTB-DF) defendiam a conveniência de instalar a CPI para aliviar a pressão oposicionista diante da nova denúncia.
Já o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), argumentava que seria difícil controlar as investigações contra a Petrobras e segurar Sarney no cargo.
De acordo com a coluna, o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), deve ficar com a relatoria da comissão. A confirmação deve ocorrer na segunda-feira.
A CPI deve ser instalada na terça-feira. Apesar da pressão da oposição, a maioria dos membros da CPI deverá ser da base aliada.

MSANIFESTANTES SEM-TETO PASSAM NOITE ACAMPADOS EM FRENTE APARTAMENTO DE LULA

DA FOLHA ONLINE


Integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) acampam pela segunda noite consecutiva em frente ao apartamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no centro de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo). De acordo com a Polícia Militar, cerca de 200 pessoas estão no local desde a tarde desta quarta-feira (8) e não há previsão para que deixem o local.
A polícia informou que a manifestação é pacífica e que a PM passará, novamente, a noite no local acompanhando o protesto.
Segundo o MTST, os manifestantes reivindicam do governo federal a "desapropriação de terrenos ocupados pelo movimento; a regularização fundiária do assentamento Anita Garibaldi; a agilidade burocrática para as famílias do acampamento Carlos Lamarca; [...] e a participação ativa do governo federal nas negociações do MTST", entre outros.
De acordo com o membro da coordenação estadual do MTST, Guilherme de Castro, os manifestantes permanecerão acampados em frente à residência de Lula até que o governo atenda as reivindicações. "Enquanto o governo não nos der atenção, vamos ficar aqui", disse.
Segundo a organização informou, mais cedo, ao menos seis sem-teto se acorrentaram em frente ao prédio em protesto, mas a PM não confirmou a informação.
Procurada pela reportagem ontem, a assessoria da Presidência informou que não irá se pronunciar sobre a manifestação.
Com Agência Brasil

SARNEY NEGA LIGAÇÃO, MAS USOU CARGO PARA DEFESA DO MUSEU

DA FOLHA ONLINE


Apesar de afirmar que "não tem responsabilidade" sobre a fundação com seu nome no Maranhão, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pediu em 2005 que a advocacia da Casa contestasse no Supremo lei estadual contrária a seus interesses. A informação é da reportagem de Andreza Matais e Adriano Ceolin publicada na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
Lei estadual de 2005 determinou a reintegração do Convento das Mercês ao governo do Maranhão --onde funciona a Fundação José Sarney, um museu com o acervo do período em que ele foi presidente. Em um documento assinado em 21 de novembro de 2005, ele solicita à Mesa Diretora do Senado que ingresse "o mais breve possível" com uma ação direta de inconstitucionalidade contra lei que devolvia o prédio ao Estado.
Reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" o acusou de desviar recursos destinado à fundação para empresas fantasmas. A Petrobras repassou R$ 1,3 milhão à fundação pela Lei Rouanet, com projeto aprovado pelo Ministério da Cultura.
Ontem, Sarney negou ligação com a entidade e disse que a prestação de contas já foi encaminhada e "compete ao Tribunal de Contas, em qualquer irregularidade, a atribuição de julgar". Em nota, ele diz que é apenas "presidente de honra" da fundação e que "não participa" nem tem "responsabilidade" sobre ela.
O dinheiro teria ido parar em contas de empresas com endereços fictícios e contas paralelas. O projeto nunca saiu do papel.
Leia a notícia completa na Folha desta sexta-feira