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5 de junho de 2010

CENTRAIS SINDICAIS FAZEM A CAMPANHA DE DILMA

Saturday, June 05, 2010
VEJA

Ao contribuinte, a conta



Sindicalistas torram 800 000 reais para demonstrar apoio à candidata do PT.

Nada de mais – se o dinheiro não viesse  do bolso de quem paga imposto sindical


Era para ser um "encontro de sindicalistas". Mas o que se viu na última terça-feira no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, foi um gigantesco comício político ilegal financiado com dinheiro público. A pretexto de reunirem filiados para aprovar propostas a ser enviadas aos candidatos à Presidência da República, cinco centrais sindicais lotaram um estádio de futebol com o objetivo de propagandear a candidatura da petista Dilma Rousseff. Diante das quase 20 000 pessoas que ocupavam as arquibancadas, sindicalistas e dirigentes do PT se revezaram ao microfone: "O Brasil não pode ter retrocesso", bradava o presidente do PT paulista, Edinho Silva, referindo-se à possibilidade de o PSDB vencer as eleições. "Nossa maior responsabilidade é não permitir a volta daqueles que implementaram políticas neoliberais nos anos 90", emendava o presidente da CUT, Artur Henrique. Não que os sindicalistas não tenham o direito de escolher e defender o candidato de sua preferência. Têm, sim. Mas não com o dinheiro do contribuinte, como foi o caso do comício organizado por CUT, Força Sindical, CTB, CGTB e Nova Central.

Para alugarem o estádio, pagarem taxas à prefeitura e cuidarem do transporte e alimentação dos militantes, as entidades gastaram 800 000 reais, segundo revelou o presidente da Força Sindical e gigante moral, Paulo Pereira da Silva. Ocorre que até 80% do dinheiro que abastece as centrais vem do imposto sindical – aquele dia de salário que todo trabalhador brasileiro, sindicalizado ou não, é obrigado a tirar do bolso para sustentar entidades de classe diversas e, claro, seus dirigentes. É um rio de dinheiro. Até 2008, ele irrigava apenas os cofres dos sindicatos. Foi graças ao governo Lula que passou a hidratar também o caixa das centrais sindicais. Naquele ano, o governo aprovou uma lei que autorizou as centrais a morder 10% do bolo do imposto sindical – e sem a necessidade de prestar contas do uso do dinheiro. O presentão de Lula ("nosso paizão", como disse um agradecido dirigente sindical na ocasião) foi comemorado pelos sindicalistas com um coquetel no Congresso e muito uísque doze anos. Ele permitiu que, desde então, as centrais sindicais embolsassem mais de 200 milhões de reais. Foi parte desse dinheiro que as entidades usaram para financiar o comício do Pacaembu.

O PSDB e o DEM, que defendem a candidatura de José Serra, informaram que vão entrar com representações no Tribunal Superior Eleitoral para denunciar a lambança. Os sindicalistas, no entanto, não parecem preocupados com as possíveis sanções da Justiça Eleitoral. Sabem que, no máximo, receberão uma multa. E que o dinheiro para pagá-la sairá do mesmo lugar: o bolso do contribuinte.

1 de junho de 2010

DOCUMENTO DAS CENTRAIS FALA EM "EVITAR RETROCESSOS! NA ELEIÇÃO





Autor(es): Agencia o Globo/Leila Suwwan
O Globo - 01/06/2010



Evento deve reunir mais de 30 mil sindicalistas hoje no Pacaembu




O manifesto político a ser aprovado hoje no evento das centrais sindicais conclama o setor a “evitar retrocessos” nas eleições deste ano e “eleger candidatos comprometidos com as bandeiras da classe trabalhadora”, sem citar nomes.

As entidades responsáveis — CUT, Força Sindical, CGTB, CTB e Nova Central — negam que o ato será eleitoreiro, e o convite à pré-candidata Dilma Rousseff (PT) foi retirado.

O custo da Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) não foi divulgado.

As centrais foram reconhecidas pelo governo em 2008 e passaram a receber parte da arrecadação do imposto sindical.

O valor repassado neste ano supera R$ 80 milhões.

É aguardada a presença no estádio Pacaembu de cerca de 30 mil sindicalistas e militantes sociais e políticos — haverá discursos de partidos da base aliada: PT, PMDB, PCdoB, PDT e PSB. A prefeitura mobilizou seguranças e um esquema especial de trânsito. As cinco centrais reservaram setores separados para seus filiados e preveem protestos, como a campanha contra o “confisco” de rendimentos do FGTS, organizada por uma ONG. Os organizadores pediram aos participantes que “não aceitem provocações” e anunciaram a distribuição de lanches e bandeiras.

“Nossa presença ativa no processo e no debate eleitoral deve buscar impedir retrocessos e garantir e ampliar direitos dos trabalhadores. Por isso, é fundamental eleger candidatos comprometidos com as bandeiras da classe trabalhadora”, diz o documento, que apresenta mais de 270 reivindicações.

O documento, alvo de discussão interna entre as centrais, não cita Dilma, como chegou a ser cogitado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Alberto Goldman (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) foram convidados, mas não devem comparecer

CENTRAIS DECLARAM GUERRA CONTRA SERRA




 O ESTADO DE S. PAULO

Roberto Almeida

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, presidente da Força Sindical, e Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), partiram para o ataque contra o pré-candidato tucano José Serra e devem repetir a dose no principal evento do sindicalismo brasileiro deste ano, marcado para hoje em São Paulo.

São esperadas 30 mil pessoas de cinco centrais sindicais - Força, CUT, CTB, CGTB e Nova Central - no Estádio do Pacaembu para a assembleia da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), reedição da reunião de 1981 que marcou a união do sindicalismo no País pela redemocratização. Dessa vez, porém, a união é pela continuidade do governo Lula elegendo a petista Dilma Rousseff.

O "aquecimento" para a Conclat foi ontem, na assembleia da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), composta por CUT, UNE, MST e outras 25 entidades ligadas ao movimento negro, LGBT, entre outros.

Paulinho chegou a ser vaiado quando subiu no palco da quadra do Sindicato dos Bancários, no centro da capital paulista. A Força Sindical, entidade que preside, não faz parte da CMS.

Mesmo assim, o deputado empunhou o microfone e assumiu a artilharia contra Serra, indiferente à Lei Eleitoral e às punições por campanha antecipada.

No bombardeio sobre a candidatura tucana, Paulinho - que tratou o pré-candidato a todo momento como "sujeito" - disse que Serra, se eleito, "vai tirar os direitos do trabalhador". "Vai mexer no Fundo de Garantia, nas férias, na licença-maternidade. Por isso, temos de enfrentá-lo na rua para ganhar dele aqui em São Paulo", afirmou.

"Se a gente não falar fica aí esse sujeito tentando ganhar a eleição. Eu estou falando, e vou falar o nome. Nós não podemos deixar esse José Serra ganhar as eleições. Nós estamos falando e não tem jeito. Eles podem processar e nós vamos falar", atacou o deputado pedetista, para uma plateia de 2 mil militantes.

Paulinho já foi processado quatro vezes por campanha antecipada e foi punido em duas, com multa total de R$ 15 mil. "Por quê? Porque estamos falando a verdade", justificou.

Na saída do evento, perguntado sobre a possibilidade de uma nova multa, admitiu: "É, tomei mais uma hoje." Em relação ao Conclat, contemporizou. "Amanhã (hoje) vamos baixar o tom."

"Tapetão do Judiciário". O presidente da CUT, que discursou após Paulinho, saudou a militância com um "bom Dilma". Ele manteve o tom agudo contra Serra e confirmou a indiferença sobre a Justiça Eleitoral. "O que eles (PSDB e DEM) estão tentando fazer é inviabilizar a candidatura democrática-popular (de Dilma) no tapetão do Judiciário", disse.

Para Artur Henrique, os oposicionistas "têm todos os veículos de comunicação na mão, mas não estão conseguindo convencer porque não têm projeto". E citou o que considera uma "tentativa de golpe" contra Lula, fazendo uma referência à crise do mensalão em 2005. A CUT, em texto publicado em seu site, considera a imprensa "o maior partido de direita do País".

Postura anti-Serra. Mesmo sem apoiar formalmente Dilma na corrida eleitoral, a CMS - representada pela dirigente da União Brasileira de Mulheres (UBM) e ex-presidente da UNE, Lúcia Stumpf - afirmou ontem que a postura dos movimentos sociais será anti-Serra. "Desde 2003 nós temos reafirmado posição contrária à volta do PSDB e do DEM ao poder no País", declarou .

BONDADES DO GOVERNO LULA SEDUZEM SINDICATOS

Salário mínimo
Acordo de reajustes até 2023, indexando o aumento da inflação mais a variação do PIB. Em dezembro passado, acordo reajustou o mínimo em R$ 510,00

Imposto de renda
Acordo para correção da tabela do Imposto de Renda, que estava estagnada

Legalização das centrais
Senado aprovou projeto que legalizou centrais sindicais, que passaram a receber parte do dinheiro arrecadado com o imposto sindical. Imposto, que estava ameaçado de se tornar facultativo, também foi mantido pelo projeto, que ainda aprovou a fiscalização das entidades pelo TCU

Trabalho aos domingos
Edição de medida provisória que modificou as regras para o trabalho aos domingos no comércio

Sistema S
Oficialização do movimento sindical nos conselhos do Sesi, Senais e Senac, que fazem parte do Sistema S

OIT
Envio ao Congresso das convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre negociação coletiva no setor público

CLT
Os sindicatos conseguiram a retirada do projeto de lei que estava no Congresso alterando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)

Reformas
Setor trabalhista conseguiu impedir o andamento das propostas de reforma sindical - que se arrastam no Congresso - e de reforma da Previdência, por falta de entendimento com os patronais

Sindicalistas no comando
Pesquisa da FGV mostra que 45% dos cargos de alto comando dentro do governo Lula estão nas mãos de sindicalistas

"Anistia"
Governo Lula reintegrou mais de 7 mil funcionários públicos demitidos por razões políticas ou por realizações de greve

25 de maio de 2010

CENTRAIS DE POLÊMICAS

DEU EM O GLOBO

Entidades sindicais farão ato conjunto para divulgar reivindicações e devem declarar apoio a Dilma

Leila Suwwan

SÃO PAULO - As cinco centrais sindicais cujos dirigentes planejam declarar apoio conjunto à pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, preparam uma plataforma eleitoral polêmica para ser aprovada em 1ode junho, durante a primeira conferência nacional da classe trabalhadora, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. O esboço do documento contém mais de 270 diretrizes.

Entre elas, o direito irrestrito de greve, inclusive para servidores públicos, a descriminalização do aborto e de atos dos movimentos sociais e de luta pela terra, e a ampliação da tributação direta sobre propriedade, lucros e ganhos de capital.

Dilma, que ganharia um palanque no evento ao lado do presidente Lula, não deve mais ser convidada. E os sindicalistas já não aguardam a presença de Lula. O último evento conjunto das centrais, um debate no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, resultou na quarta multa a Lula por campanha antecipada.

Pela aclamação a Dilma nas festas dos sindicatos no 1ode Maio, o presidente Lula responde a mais processos na Justiça Eleitoral.

Além da cautela, as cinco centrais CUT, Força Sindical, Nova Força, CTB e CGTB discordaram sobre a presença de Dilma. Setores da Força Sindical, principalmente, não apoiam a petista. Não haveria garantia da ausência de vaias e de manifestações contrárias, vindas de alas minoritárias favoráveis à précandidatura de José Serra (PSDB). A CUT, principal defensora da presença petista, foi voto vencido. A União Geral dos Trabalhadores (UGT), que participou do planejamento inicial da conferência, ficou de fora.

A expectativa é de que a Agenda da classe trabalhadora seja aprovada por dezenas de milhares de sindicalistas e ativistas por aclamação, e que cada central apresente seu posicionamento para as eleições deste ano o manifesto político das centrais está guardado a sete chaves, ainda sob discussão. De acordo com o secretário-geral da Força Sindical, José Carlos Gonçalves, o Juruna, o documento não vai manifestar apoio aberto a Dilma.

É um documento forte, de posicionamento político. Mas sem declaração ou manifestação de apoio a qualquer candidato. As diretrizes serão discutidas, mas devem ser aprovadas por aclamação. As propostas vêm da base, será uma votação simbólica.

Convite para evento tem tom plebiscitário

Mesmo sem apoio declarado, o convite da conferência dá o tom plebiscitário do encontro, ao lembrar o crescimento econômico e o fortalecimento dos movimentos sindicais na gestão Lula: A campanha eleitoral será marcada pela acirrada disputa entre distintos e divergentes projetos políticos.

Dividido em seis eixos estratégicos, o documento prevê a participação dos sindicatos em quase todas as esferas de governo, como nas agências reguladoras, nas empresas estatais, no Conselho Monetário Nacional (CMN) e no Comitê de Política Monetária (Copom, responsável pela definição da taxas de juros básica).

O texto do documento incorpora metas ambiciosas como promover uma nova ordem econômica, monetária e política mundial até pontos mais pacíficos como a erradicação do trabalho escravo, ou mais populares como os preparativos para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Entre os pontos mais polêmicos, estão a descriminalização do aborto e revogação de atos que criminalizam movimentos sociais e de luta pela terra uma referência ao MST. Além disso, pedem o limite máximo de propriedade de terra em 35 módulos fiscais. A área do módulo fiscal varia de acordo com o município. Na região da Amazônia, por exemplo, 15 módulos fiscais são cerca de 1.140 hectares.

Esse é um dos principais pontos, que une a agenda com a plataforma da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), que faz sua própria assembleia dia 31, reunindo CUT, UNE e MST e outros movimentos sociais disse Antonio Carlos Spis, líder da CUT.

Esse grupo defende a inclusão de mais propostas como o fim das patentes de remédios e a democratização dos meios de comunicação, para desmontar a ação manipuladora dos monopólios da mídia.

Os sindicalistas pedem ainda a redução da jornada de trabalho para 40 horas e o direito irrestrito de greve, inclusive no serviço público hoje, cada categoria deve manter um percentual de servidores trabalhando durante a paralisação.

Nos capítulos sobre reformas, as reivindicações são a implantação do imposto sobre grandes fortunas, a desoneração da cesta básica, aumento dos impostos sobre propriedade e lucros, especialmente no mercado financeiro, e a revisão das alíquotas do Imposto de Renda