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10 de junho de 2010

HILLARY APROVA SANÇÕES CONTRA IRÃ E ESPERA QUE BRASIL E TURQUIA PODERÃO TER PAPEL IMPORTANTE NO FUTURO


DA REUTERS, EM BOGOTÁ

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, defendeu a aprovação de sanções contra o Irã e disse que elas contra o vão impedir as ambições nucleares do país e deu esperanças que o Brasil e a Turquia possam ter um papel importante em futuras iniciativas diplomáticas com Teerã.
A declaração de Hillary Clinton contariam as do presidente Lula que afirmou que as sanções foram aprovadas por “birra” contra o Irã. Clinton disse a repórteres na Colômbia, onde está em visita, que ficou contente com a votação do Conselho de Segurança da ONU.
"Nossa intenção não é sancionar o Irã. Nossa meta é eliminar qualquer dúvida e questões sobre o propósito do programa nuclear iraniano e prevenir que o Irã obtenha armas nucleares e que esta é uma meta que foi amplamente abraçada pela comunidade internacional", disse Clinton.
Ela também disse que a quarta rodada de sanções da ONU ao Irã, que punirá bancos e empresas envolvidas com o programa nuclear iraniano, será eficiente e que no final poderá trazer o governo de Teerã para negociações verdadeiras.
"Nós acreditamos que desaceleramos e certamente interferimos com a continuidade de seu programa nuclear com estas sanções. Ao mesmo tempo, nós queremos que eles voltem à mesa de negociação", afirmou.
Clinton disse que o Brasil e a Turquia ainda podem ter um papel como pontes para Teerã. "No atual impasse diplomático com o Irã, eu acho que a Turquia e o Brasil continuarão a ter um importante papel", disse.
Ela também adicionou que os dois países emergentes podem ter votado não as sanções para "deixar as portas abertas" no Irã.
Aprovação
Apesar de Brasil e Turquia votarem contra a resolução que impõe novas sanções ao Irã --acusado de buscar tecnologia nuclear com fins militares-- o documento foi aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, com 12 votos a favor.
Na abertura da sessão, que começou com mais de uma hora de atraso, às 12h15 (horário de Brasília), a embaixadora brasileira da ONU, Maria Luiza Viotti, afirmou que, "na nossa visão", a resolução "atrasará, em vez de acelerar, uma solução para a questão".
O Líbano se absteve de votar. Os outros 12 países do Conselho de Segurança foram favoráveis, aprovando a quarta rodada de sanções contra o Irã desde 2006.
Em discurso durante a sessão, que acontece na sede da ONU em Nova York, a embaixadora americana, Susan Rice, voltou a elogiar a iniciativa de brasileiros e turcos de chegarem a um acordo. "O Brasil e a Turquia trabalharam duro", afirmou Rice, "o que reflete as boas intenções de seus líderes".
No entanto, disse, o acordo alcançado com o Irã no dia 17 de maio, na tentativa de evitar as sanções, "não responde às questões fundamentais" que geram desconfiança nos americanos, o que fez com que a resolução fosse necessária.
"Estamos nesse ponto porque o governo do Irã escolheu violar as regras da agência nuclear. Não suspendeu o enriquecimento de urânio e outras atividades nucleares", discursou Rice.
Ela disse ainda que as sanções "não são direcionadas ao povo do Irã", mas que "o governo escolheu um caminho que o levará ao isolamento". "Como todas as nações, o Irã tem direitos. Mas também responsabilidades. [...] Agora, o Irã deve escolher um caminho mais sábio."
A representante disse ainda que os Estados Unidos estão "prontos" para retomar um diálogo com a República Islâmica assim que essas medidas forem implementadas. "Esperamos poder mostrar ao Irã o quanto o país tem a ganhar caso comece a agir de maneira responsável, respeitando as regras internacionais", concluiu.
O Irã desafiou continuamente resoluções do Conselho de Segurança e da AIEA, dando prosseguimento ao seu programa de enriquecimento de urânio e construindo mais instalações nucleares do que o permitido pelas regras internacionais às quais havia se submetido.





18 de maio de 2010

BRASIL FESTEJA ACORDO COM IRÃ, MAS PARA OS EUA NÃO MUDA NADA

Autor(es): Análise: Glenn Kessler - O Estado de S.Paulo

O Estado de S. Paulo - 18/05/2010





Amorim diz que sucesso torna "sem fundamento" a discussão sobre sanções; já os americanos afirmam que Teerã segue violando resolução da ONU e mantêm pressão

O acordo sobre o programa nuclear iraniano costurado por Brasil e Turquia foi motivo de comemoração entre os chefes de Estado dos três países em Teerã, informa o enviado especial Roberto Simon. Para o chanceler Celso Amorim, a pressão por sanções "perde todo seu fundamento" - em sua opinião, o diálogo só avançou desta vez porque Brasil e Turquia falam "a linguagem da cooperação", enquanto os que fracassaram usavam a linguagem da pressão". Apesar desse otimismo, parte da comunidade internacional, com os EUA à frente, manifestou reticência. Para a Casa Branca, o acordo não muda em nada a disposição de Washington de impor medidas punitivas ao regime iraniano, informa a correspondente Patrícia Campos Mello. O governo americano considera que o Irã continua violando resoluções da ONU. O Itamaraty reconhece que o compromisso de Teerã tem escopo limitado - não cita inspeções nem garantias de que o programa nuclear iraniano é pacífico.







Na batalha diplomática entre o Irã e o Ocidente, Teerã parece ter conseguido uma vitória. Com a assinatura de um acordo para o envio de parte de seu urânio pouco enriquecido ao exterior, Teerã criou a ilusão de progresso nas negociações nucleares, sem oferecer nenhum compromisso real com os Estados Unidos e seus aliados que cobravam negociações substanciais sobre o programa atômico.

Há quase oito meses, EUA, França e Rússia propuseram a troca de combustível nuclear ? para o reator de pesquisa do Irã ? como uma medida para a construção de confiança que teria, de fato, provocado uma pausa no programa iraniano e permitido que as conversações internacionais prosseguissem. Agora, o Irã conseguiu estreitar a discussão. O que supostamente era para ser um espetáculo secundário tornou-se o show principal.

Tal como foi inicialmente proposto. o Irã enviaria 70% do estoque de urânio enriquecido a 5% para a conversão em combustível na França ou Rússia. Como o Irã continuou enriquecendo urânio desde que o plano foi inicialmente proposto, um acordo com base nos mesmos termos removeria somente cerca de 50% do estoque do país.

Nesse meio tempo, o Irã começou a enriquecer urânio num teor ainda mais alto ? de 3,5% para 19,75% ? e autoridades iranianas disseram que continuarão com o procedimento. Obama enfrenta a perspectiva incômoda de rejeitar uma proposta que ele foi o primeiro a oferecer ou desperdiçar os meses de esforço para convencer Rússia e China a apoiar sanções. Ironicamente, a proposta de troca não tem relação com as sanções consideradas pela ONU, ligadas à construção de uma instalação nuclear em segredo no Irã e o não-cumprimento de pedidos para interromper o enriquecimento. A esperança dos EUA é a intransigência iraniana. Teerã pode regatear sobre detalhes e a aplicação do acordo até ele desmoronar, da mesma forma como concordou inicialmente com um acordo com os EUA e seus aliados para depois recuar. O Irã terá de apresentar uma carta à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, explicando os detalhes do acordo. Os EUA esperam secretamente que, com isso, comece o processo de fracasso da transação.

É JORNALISTA DO "WASHINGTON POST"


1. Acordo Nuclear não convence potências

ACORDO NUCLEAR COM IRÃ NÃO CONVENCE POTÊNCIAS






Acordo nuclear Brasil-Irã não convence EUA

Autor(es): MARCELO NINIO, SAMY ADGHIRNI E CRISTINA FIBE
Folha de S. Paulo - 18/05/2010

Casa Branca diz que acerto para o envio de urânio iraniano à Turquia não responde a preocupações e insiste na defesa de sanções

Texto assinado ontem em Teerã prevê troca de 1.200 kg de estoque do Irã por 120 kg de combustível enriquecido para uso médico após 1 ano
Vahid Salemi/Associated Press

Lula, Ahmadinejad e Erdogan festejam enquanto seus chanceleres assinam o acordo nuclear entre Brasil, Irã e Turquia, emTeerã
O acordo nuclear anunciado ontem por Brasil, Turquia e Irã não bastou para convencer os EUA das intenções pacíficas do programa atômico iraniano. A Casa Branca afirmou que seguirá pressionando por novas sanções do Conselho de Segurança da ONU a Teerã.
"Dadas as repetidas vezes em que o Irã falhou em cumprir suas promessas e a necessidade de lidar com questões fundamentais relacionadas ao programa nuclear, os EUA e a comunidade internacional continuam a ter sérias preocupações", disse Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca.
Para o governo americano, o entendimento anunciado ontem é "vago sobre a disposição do Irã de se reunir com os países do P5 + 1 [EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha] para lidar com as preocupações internacionais acerca de seu programa nuclear".
No acordo mediado pelos governos brasileiro e turco, o Irã se comprometeu ontem a entregar seu estoque de urânio pouco enriquecido para a Turquia no prazo de um mês após a aceitação do trato pela AIEA (agência atômica da ONU).
O documento foi assinado ontem em Teerã na presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Mahmoud Ahmadinejad e do premiê turco, Recep Tayyip Erdogan. O acordo tem como base a proposta apresentada pela AIEA em outubro, que prevê o envio de 1.200 quilos de urânio do Irã para o exterior em troca do elemento enriquecido em nível adequado para abastecer um reator médico de Teerã.
Mas o texto assinado ontem inclui alterações significativas que levaram o Irã a aceitá-lo. A principal mudança é que a Turquia, e não a França ou a Rússia, seja depositária do urânio iraniano, o que responde à preocupação iraniana de que o estoque não fosse devolvido.
O Irã também abriu mão da exigência de que a troca seja simultânea. Pelo documento, o urânio será devolvido a Teerã num prazo de "até um ano".

Enriquecimento continua
O acordo deixa no ar alguns pontos obscuros. Não está clara a quantidade real de estoque de urânio de Teerã -não se sabe se 1.200 quilos representam dois terços do estoque total, como era estimado em outubro, ou pouco mais de metade.
O texto também não impede que o Irã continue enriquecendo o resto do estoque -ontem mesmo um porta-voz da Chancelaria iraniana anunciou que o país seguirá enriquecendo urânio a 20% dentro do país. Esse anúncio foi citado pelos EUA como motivo para desconfiar da eficácia do acordo.
"Embora seja um passo positivo para o Irã transferir o urânio pouco enriquecido para fora do país, como concordara em fazer em outubro, o país disse que continuará o enriquecimento de 20%, o que é uma violação direta das resoluções do Conselho de Segurança da ONU", disse o porta-voz Gibbs.
Ele acrescentou reconhecer "os esforços que foram feitos pela Turquia e pelo Brasil", mas insistiu que é preciso que o acordo seja apresentado de maneira clara à AIEA antes que possa ser considerado.
"Os EUA continuarão a trabalhar com nossos parceiros internacionais, e por meio do Conselho de Segurança, para deixar claro para o governo iraniano que precisa demonstrar com ações -e não só palavras- a sua disposição de cumprir suas obrigações ou encarar as consequências, incluindo sanções", disse o porta-voz.
O porta-voz do Departamento de Estado, Phillip Crowley, disse que os EUA estão prontos para um acordo com o Irã, "em qualquer hora e qualquer lugar", desde que o país esteja preparado para lidar com as preocupações internacionais.
"Foi o Irã que falhou em fazer isso nos últimos muitos meses", completou Crowley, reforçando que os EUA continuam a buscar as sanções. Um funcionário da Casa Branca que falou à Folha em condição de anonimato negou que haja "irritação" com o Brasil por parte dos EUA devido ao esforço para evitar sanções ao Irã. Por outro lado, ele disse que nada no anúncio do acordo dá motivos para esperança.

Visão do Brasil
As preocupações americanas não encontram eco na diplomacia brasileira. "Aquelas garantias que [as potências] desejam para poder começar uma conversação séria e para deixar de lado o caminho das sanções estão totalmente preenchidas", disse o chanceler Celso Amorim.
"Não vemos razão para que [as potências] não aceitem [retomar o diálogo], a não ser que elas estejam mais interessadas nas sanções pelas sanções." A mesma posição foi defendida por Ahmadinejad. "É hora de iniciar diálogo com o Irã com base na honestidade, justiça e respeito mútuo." O presidente Lula não falou com a imprensa ontem, mas, em seu programa semanal de rádio, afirmou que o acordo foi uma "coisa extraordinária".

AHMADINEJAD ANUNCIA LIBERTAÇÃO DE FRNCESA

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou a libertação de uma professora francesa, que havia sido presa em Teerã, ano passado.
Clotilde Reiss foi detida por suspeita de espionagem durante os protestos contra as eleições presidenciais e condenada a dez anos de prisão.
A professora teria sido libertada no sábado e voltado para casa no mesmo dia.
Chegou a ser anunciado que Mahmoud Ahmadinejad teria dito que a libertação de Clotilde era um presente para o Brasil. Notícias divulgadas na França informam que a libertação da prisioneira francesa foi objeto de troca com o governo francês que libertou presos iranianos.

JORNAIS DOS EUA E DA EUROPA FALAM DO ACORDO COM CETICISMO

Os principais jornais dos Estados Unidos em suas edições desta terça-feira veem o acordo nuclear negociado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, com o Irã do presidente Mahmoud Ahmadinejad como uma cartada diplomática de Teerã para evitar uma nova rodada de sanções no Conselho de Segurança da ONU.

O "Washington Post" avalia em editorial que o acordo é "ruim" e "não fará nada para conter o programa nuclear iraniano".

"Pode, entretanto, descarrilar os esforços do governo Obama de concentrar a pressão internacional no Irã e dar ao regime mais tempo para enriquecer urânio e derrotar a sua oposição doméstica", diz o jornal.

"Em outras palavras, poderia ser um grande golpe diplomático para o regime do aiatolá Ali Khamenei, que foi muito habilidoso em explorar a aspiração dos líderes brasileiro e turco de afirmar seu papel global."

O acordo também foi parar na capa do "New York Times" e de outro jornal do grupo, o "International Herald Tribune". Para ambos os jornais, o acordo não toca na "questão central" do problema, que é a insistência iraniana de continuar enriquecendo urânio e a sua postura de impedir verificações independentes.

"Rejeitar o novo acordo, entretanto, poderia dar a impressão de que o presidente (dos EUA, Barack) Obama quer bloquear um possível meio-termo. E a negociação mostra como o Brasil e a Turquia, que se opõem às sanções por conta de seus próprios interesses econômicos, podem pôr a perder um frágil consenso internacional para elevar a pressão no Irã", diz o "NYT".

O tema foi capa do americano "The Wall Street Journal", que destaca a "reação de ceticismo" dos países ocidentais, em especial dos EUA, ao anúncio.

Europa

Na Europa, os jornais se dividiram em relação ao acordo. Em um editorial de tom positivo, o britânico "Financial Times" ressalta as vantagens deste acordo em relação ao que tinha sido proposto em outubro - que o urânio iraniano fosse enviado à Rússia e que, em troca, o Irã recebesse urânio enriquecido da França.

Primeiro, diz o jornal, porque a logística desta vez seria mais fácil que a da ideia anterior; segundo, porque o acordo permite que o Irã receba de volta o seu urânio caso os países ocidentais não cumpram a sua parte na negociação; terceiro, e "mais importante", diz jornal, por causa do "papel da Turquia e, em menor grau, do Brasil".

"Ambos os países estão se colocando como atores importantes para superar a desconfiança entre o ocidente e o mundo islâmico (no caso de Ancara) e o mundo emergente em geral (no caso de Brasília)", diz o diário. "Ainda que o acordo termine em uma rua sem saída, o papel das potências emergentes é bem-vindo".

O também britânico "The Independent" avalia que, a princípio, o acordo parece reduzir a capacidade iraniana de enriquecer urânio que poderia ser usado em uma bomba. "Entretanto, já estivemos neste mesmo estágio antes", escreve a analista do jornal, referindo-se ao fato de o Irã já ter aceitado e em seguida abandonado a proposta anterior, em artigo que acompanha a matéria de página inteira.

Em uma nota separada, o "Independent" também examina as razões por trás da figura que chama de "Lula, o negociador".

"Pode ser o prospecto de deixar o poder que o está levando a tentar conquistar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU", diz o jornal. "Mas também se comenta que pode ser sua suposta ambição de se tornar o próximo secretário-geral da ONU."

Na Espanha, o diário "El País" relata diz que, "na euforia do momento, ninguém em Teerã pareceu reparar nas numerosas dúvidas que o pacto suscita no exterior".

Em editorial, o jornal espanhol avalia que o acordo "pode significar um giro ou apenas uma tática para evitar novas sanções".

"A Turquia e, sobretudo o Brasil, fizeram uma aposta arriscada ao facilitar a Ahmadinejad uma eventual saída como esta. Se a operação for bem-sucedida, terão confirmado o seu papel internacional; se sair mal, terão contribuído para desfazer a labirinto que se tornou a discussão sobre o programa nuclear iraniano, com seu inevitável corolário de maior tensão no Oriente Médio."

Na França, o "Le Figaro" ressaltou que o acordo gerou "reações divididas" e que, ainda "em dúvida", os países ocidentais liderados pelo EUA continuarão pressionando pela adoção de sanções conta o Irã na ONU.

FHC FALA SOBRE ACORDO DE LULA NO IRÃ



SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso evitou reconhecer mérito na participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no acordo nuclear fechado pelo Brasil e a Turquia com o governo iraniano. Perguntado
por jornalistas se o presidente Lula teria feito um "gol" ao insistir na negociação que resultou no acordo, ele disse:
- É preciso ver se os juízes apitaram que foi gol mesmo, ou se houve impedimento.
O ex-presidente não quis opinar sobre o teor do acordo fechado domingo em Teerã, mesmo com a insistência dos jornalistas:
- Eu não posso falar do Irã, porque cheguei há pouco do México. Não li nada - justificou-se Fernando Henrique, que participou nesta segunda-feira de seminário promovido pelo instituto que leva seu nome, em São Paulo.

17 de maio de 2010

O REGIME ESTÁ USANDO LULA

Autor(es): Agencia O Globo/Graça Magalhães-Ruether

O Globo - 17/05/2010




Javad Dabiran

BERLIM. Javad Dabiran, porta-voz do Conselho Nacional de Resistência do Irã, que reúne partidos de oposição e organizações de dissidentes, acha que Mahmoud Ahmadinejad está usando o presidente Lula para "ganhar tempo e dar continuidade ao programa nuclear".


O senhor acredita que o presidente Lula consiga realmente um acordo?

JAVAD DABIRAN: Todas as negociações fracassaram porque o Irã não estava disposto a nenhuma concessão. Os mulás querem a tecnologia da bomba atômica e com ela pressionar a comunidade internacional.

A advogada Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz, diz que as sanções seriam uma punição ao povo.


DABIRAN: As sanções devem atingir a Guarda Revolucionária, principal articuladora da opressão. A guarda controla o programa atômico. A maior parte da economia do Irã, exportação e importações, está nas mãos de representantes da guarda.

Como a oposição reagiu às últimas execuções no Irã?

DABIRAN: As execuções, de quatro homens e uma mulher, semana passada, marcam o início de uma nova onda de execuções. Sábado, dia da chegada do presidente Lula a Teerã, foram condenadas à morte mais seis pessoas, ativistas presos nos protestos do ano passado. O governo receia o recomeço das manifestações que chamaram a atenção do mundo. Os protestos vão recomeçar no aniversário da grande revolta, a partir de 10 de junho.

AMORIM ANUNCIA ACORDO NUCLEAR NO IRÃ

Autor(es): MARCELO NINIO/SAMY ADGHIRNI - ENVIADOS ESPECIAIS A TEERÃ

Folha de S. Paulo - 17/05/2010

Brasil, Irã e Turquia concluíram as bases de um acordo que pode romper o impasse sobre o programa nuclear iraniano, disse à Folha o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores). O chanceler turco, Ahmet Davotuglu, confirmou: "Temos um acordo". O teor do documento deve ser anunciado hoje. Amorim disse que foi alcançada uma fórmula que atende à proposta da Agência Internacional de Energia Atômica.


Anúncio oficial deve ser feito hoje após encontro trilateral entre Lula, Ahmadinejad e primeiro-ministro da Turquia

Chanceler turco confirma acerto, que envolveria o envio de urânio iraniano à Turquia; EUA, que pregam sanções, não comentam

Após quase 20 horas de negociação em Teerã, Brasil, Turquia e Irã finalizaram as bases de um acordo para romper o impasse em torno do programa nuclear iraniano.

O acordo deve ser anunciado hoje, quando os chefes de governo dos três países se reunirão na capital iraniana. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou à Folha que uma fórmula foi alcançada para implementar a proposta da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), que tem o objetivo de garantir que o Irã não produza armas atômicas. Ao final de um dia de negociações intensas entre os três países, que obrigaram o chanceler brasileiro a faltar a dois compromissos da visita do presidente Lula ao Irã, Amorim não escondeu que um acordo estava costurado.

"Há pequenas diferenças de linguagem. A fórmula está razoavelmente pronta", disse o chanceler, que em seguida, chegou a receber os parabéns pelo sucesso da negociação do subsecretário-geral para Assuntos Políticos do Itamaraty, Roberto Jaguaribe.

A conclusão do acordo foi confirmada pelo chanceler turco, Ahmet Davutoglu. Questionado pela Folha, ele foi categórico. "Temos um acordo." O chanceler se referia a uma proposta negociada desde o ano passado pela AIEA para conciliar a preocupação das potências ocidentais acerca do programa nuclear iraniano com o direito, assegurado pela ONU, de o Irã enriquecer urânio para fins pacíficos.

O plano prevê que o Irã envie parte de seu estoque de urânio pouco enriquecido para outro país e receba em troca o combustível enriquecido a até 20%, nível adequado para uso médico, mas não para a bomba. Temendo não receber o urânio de volta, Teerã impôs condições: que a troca fosse simultânea e acontecesse em território iraniano. As potências rejeitaram as exigências e ergueram uma frente diplomática no Conselho de Segurança (CS) para impor uma quarta rodada de sanções da ONU ao Irã.

Brasil e Turquia uniram esforços no CS, onde ocupam vagas rotativas, para ressuscitar o plano da ONU.

Detalhes do acordo
A Folha obteve uma cópia do esboço de acordo trilateral que deve ser finalizado hoje em café da manhã entre Lula, Ahmadinejad e o premiê da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que embarcou às pressas para o Irã na noite de ontem depois de ser informado sobre o êxito das conversas.

Pelo texto, o Irã enviaria 1.200 quilos de seu urânio pouco enriquecido à Turquia. Em troca, EUA, Rússia e França se comprometeriam a entregar 120 quilos de combustível necessário para o reator de pesquisa de Teerã. O texto não deixa claro se essa troca seria simultânea, como Teerã queria, ou não.

Ontem, a Casa Branca confirmou à Folha ter recebido informações sobre o acordo, mas um porta-voz disse que sria preciso mais tempo para saber o que exatamente foi oferecido antes de fazer qualquer avaliação. Já o Departamento de Estado afirmou que só falaria sobre o assunto hoje. Antes da viagem, os EUA haviam demonstrado ver com ceticismo a possibilidade de que Lula conseguisse um acordo.

O Irã tampouco confirmou que o acordo estivesse fechado, mas, questionado sobre o tema, o chanceler iraniano Manoucher Mottaki, respondeu: "Algo bom está no forno".

O bom humor esbanjado na madrugada pelas autoridades envolvidas no acordo destoou da tensão que dominou o dia.

Lula saiu com ar preocupado das três reuniões que teve com Ahmadinejad -uma delas com a presença do líder supremo Ali Khamenei, detentor da palavra final sobre todos os assuntos iranianos.
Em seu único pronunciamento, durante encontro empresarial, o presidente brasileiro esteve cabisbaixo e evitou as improvisações frequentes em suas falas.

Amorim esteve ausente da maior parte da agenda. Ele esteve das 7h à meia noite em conversas com Said Jalili, principal negociador iraniano, e o chanceler turco.

Além da questão nuclear, Brasil e Irã assinaram diversos acordos de cooperação técnica e econômica. Um deles prevê a concessão de 1 bilhão em cinco anos em crédito da Caixa Econômica Federal para financiar importadores iranianos de produtos brasileiros.


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Colaborou ANDREA MURTA, de Washington

16 de maio de 2010

PODEM ESPERAR SENTADOS

Postura brasileira ignora "repressão bruta" no Irã, diz jornal americano

O jornal americano “The Washington Post" publicou na edição de sábado um editorial criticando a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Irã. Segundo o jornal a postura brasileira ignora a "repressão brutal" no regime iraniano.
O texto cita a morte por enforcamento de cinco dissidentes curdos, no domingo pasado, e a condenação de um jornalista iraniano-canadense a 74 chibatadas e 13 anos de prisão para afirmar que provavelmente está no início "uma brutal onda de repressão" com o objetivo de impedir protestos pelo aniversário das eleições de junho passado.
Nessa eleição, o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi reconduzido ao poder sob acusações de fraude no pleito e em meio aos maiores protestos no país desde a Revolução Islâmica, em 1979.
O "Washington Post" diz que "Lula e (Abdullah) Gul (presidente da Turquia) estão errados em visitar Teerã neste fim de semana". O presidente Lula chega a Teerã neste sábado, após passagens pela Rússia e pelo Catar.
A razão da missão brasileira seria uma tentativa de negociar uma solução pacífica para a questão nuclear iraniana que evite a imposição de novas sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) contra o Irã, como querem os Estados Unidos
O Brasil é contra as sanções e vem tentando costurar um acordo que convença o Irã a interromper seu programa de enriquecimento de urânio, para o qual já obteve o apoio da Turquia. Tanto Brasil quanto Turquia têm vagas rotativas no Conselho de Segurança, sem direito a veto.
Desafio aos EUA
O editorial afirma ainda que um dos motivos para a postura do Brasil em relação ao Irã seria o de se afirmar como potência e desafiar os Estados Unidos.
"A insistência dos líderes brasileiro e turco em negociar com esses bandidos é parcialmente devido a suas ambições de demonstrar que são líderes de potências globais emergentes capazes de desafiar os Estados Unidos", afirma o texto.
O governo americano já manifestou em diversas ocasiões ceticismo quanto às possibilidades de sucesso da viagem de Lula, em um momento em que os Estados Unidos têm pressa na aprovação de uma quarta rodada de sanções para pressionar o Irã a interromper seu programa de enriquecimento de urânio.
Exibindo linha editorial semelhante em, o jornal "The New York Times", publica reportagem neste sábado, citando a opinião de analistas que consideram que Lula vê nas negociações com o Irã uma maneira de se posicionar contra a dominância americana e avançar o papel do Brasil como protagonista importante no cenário mundial.
"Nesse novo papel --que reside em grande parte na posição do Brasil como a maior economia da América do Sul-- o imensamente popular Lula desafiou os Estados Unidos em tudo, de comércio e mudanças climáticas ao golpe em Honduras no ano passado e o longo embargo de Washington a Cuba", diz o texto.
Preocupação
Com o título de "Diplomacia do Brasil com o Irã preocupa autoridades americanas", a reportagem do New York Times afirma que "membros do governo em Washington expressaram preocupação de que o tiro possa sair pela culatra, ajudando a República islâmica a obstruir --ou pelo menos atrasar-- os Estados Unidos e seus aliados na imposição de sanções.
O editorial do “The Washington Post" diz que "Ninguém fora de seus próprios governos( Brasil e Turquia) acredita que serão bem-sucedidos". Afirma ainda o editorial: "Irá Lula ao menos se preocupar em mencionar o sangue derramado por seus anfitriões nesta semana? Podem esperar sentados", diz o jornal.
"Um regime que está ativamente engajado em assassinar seus cidadãos não vai se engajar em 'negociações de boa fé'. Se houver mudanças no Irã, devem vir daqueles cuja repressão os dois presidentes estão ignorando", afirma o texto.
".
Os Estados Unidos e outros países temem que o Irã busque secretamente desenvolver armas nucleares e afirmam que a única maneira de pressionar o regime iraniano a suspender seu programa de enriquecimento de urânio é por meio de sanções.
O Irã nega essas alegações e diz que seu programa é pacífico e tem o objetivo de gerar energia. As três rodadas de sanções já aprovadas anteriormente não foram suficientes para convencer o país a interromper seu programa nuclear.
O texto assinado pelo correspondente do "New York Times" no Brasil, Alexei Barrionuevo, e por Ginger Thompson, de Washington, diz que, apesar de publicamente desejar sucesso ao Brasil, os Estados Unidos não estão nem um pouco otimistas quanto ao resultado e, caso a negociação falhe, devem levar adiante as sanções na ONU e "vão esperar que o Brasil esteja lá com eles".
Segundo o jornal, o apoio do Brasil às sanções "é crucial para o tipo de voto unânime que as potências ocidentais desejam".
O texto do "New York Times" diz ainda que a disputa em relação ao Irã "gerou uma quantidade de atrito fora do comum" entre Brasil e Estados Unidos e que "autoridades brasileiras estão preocupadas com a possibilidade de que um fracasso neste fim de semana possa projetar Lula como um amador e atrapalhar a busca por uma vaga permanente no Conselho de Segurança".

15 de maio de 2010

VIOLAÇÃO DIREITOS HUMANOS É QUESTÃO DELICADA PARA JUSTIFICAR VISITA DE LULA AO IRÃ



Direitos humanos causa divergências na vista de Lula no Irã

República Islâmica é acusada de reprimir homossexuais, mulheres e minorias religiosas
Um dos pontos que mais atraem críticas da comunidade internacional ao Irã, a situação dos direitos humanos, fará parte das questões delicadas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua visita ao país da Ásia Central que começa neste sábado (15).

Após a reeleição do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o país viveu uma onda de protestos que gerou respostas repressoras do governo. Tal ação se traduziu em prisões, execuções e penas que incluem a perpétua.

O maior símbolo da repressão do regime foi a estudante Neda Agha Soltan, morta durante uma manifestação em junho de 2009.

A diplomacia brasileira fugiu do possível confronto com o regime iraniano ao adotar uma estratégia que critica a questão de direitos humanos no país, mas não foca nos manifestantes que questionaram Ahmadinejad. Em fevereiro, o Brasil cobrou o Irã sobre o tratamento dado a presos do grupo Baha’i, um ramo do islamismo. O tema esteve na agenda do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em sua visita ao Irã no último mês e é o que o Brasil mais trabalha.

Lula, no entanto, é cobrado no exterior e no Brasil para tratar de outras questões ligadas aos direitos humanos. O Irã, um dos países que mais aplicou a pena de morte em 2009, também é criticado pelo tratamento dispensado a homossexuais, mulheres e outra minorias religiosas.

No Brasil, a rejeição a declarações de Ahmadinejad - como a que realizou em Nova York, em 2007, dizendo que não há homossexuais no Irã - e ao próprio tratamento dado aos Baha’í são alguns dos temas mais comentados.

Ainda assim, a repressão aos protestos contra o governo também gera cobranças. A Câmara dos Deputados aprovou recentemente um requerimento pedindo que Lula se reúna com membros da oposição. O presidente, alegando falta de tempo na agenda, já avisou que não vai receber os opositores.

EUA acusam Irã de não respeitar pedido de conselho da ONU

Na última quinta-feira (13), um grupo de 200 organizações de defesa dos direitos civis realizou uma manifestação na Assembleia Legislativa de São Paulo para pedir interferência do governo brasileiro no combate às violações no Irã. Entre as organizações que exigem um posicionamento mais rígido de Lula está a Frente pela Liberdade no Irã, que entregou uma carta ao ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. No documento, o grupo pediu ao presidente que negocie com as autoridades iranianas a libertação dos sete líderes Bahá'í presos há três anos em Teerã há dois anos e ainda sem data prevista de julgamento.
O governo dos EUA também bate nesta tecla. Justamente às vésperas da visita de Lula, o Departamento de Estado americano divulgou uma nota sobre a situação de um grupo religioso no Irã. Os americanos acusam os iranianos de sequer permitir aos presos acesso a seus advogados.
Em fevereiro, durante reunião no Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), a diplomata brasileira pediu ao representante iraniano providências em relação a essa minoria religiosa. O Departamento de Estado relembrou o encontro em sua nota e acusou o Irã de não cumprir a determinação do conselho de respeitar a diversidade étnica e religiosa em seu país.
Surgida na Pérsia no século 18, a Fé Baha'í é independente do islamismo. Conta atualmente com 7 milhões de seguidores no mundo, sendo 57 mil no Brasil e 350 mil no Irã. Flavio Rassekh, representante da comunidade no Brasil, pediu que Lula não limite sua visita a temas comerciais.

- Queremos que Lula aborde a questão dos direitos humanos, e não apenas temas comerciais na visita.

Ativistas criam o "LulaLaNao.com"

Entre as manifestações contrárias à visita de Lula ao Irã está a de um grupo de defesa dos direitos dos homossexuais que criou o site LulaLaNao.com., que diz que o país de Mahmoud Ahmadinejad enforca gays e persegue minorias.

"No Irã, diariamente direitos humanos básicos são violados. Mulheres, judeus e homossexuais são caçados, torturados e mortos simplesmente pelo fato de existirem", informa o site do grupo.
Esta não é a primeira vez que Lula é criticado por seu silêncio em questões relacionadas aos direitos humanos. Durante visita à ilha de Cuba, em fevereiro, o presidente do Brasil se calou sobre a detenção de dissidentes políticos e a morte de Orlando Zapata Tamayo, que não resistiu a uma greve de fome de 85 dias.

Para Marcelo Oliveira, professor de Relações Internacionais da Unesp, a postura de Lula prejudica a imagem do Brasil no Exterior.

- O legado pacifista da diplomacia brasileira é ofuscado por esse silêncio do presidente Lula.

De acordo com a organização americana Human Rights Watch, "o respeito aos direitos humanos básicos no Irã, especialmente a liberdade de expressão e de reunião, se deterioraram" desde que Ahmadinejad chegou à Presidência, em 2005.

A organização diz que o Irã, governado com mãos de ferro pelos aiatolás xiitas desde a Revolução Islâmica de 1979, experimentava nos últimos anos um alívio na repressão aos costumes considerados ilegais (como ingerir bebidas alcoólicas), mas que tais avanços foram perdidos com a eleição de Ahmadinejad.

LULA VAI AO IRÃ SOB A OBSERVAÇÃO DE TODO O MUNDO



Presidente faz visita ao polêmico país presidido por Mahmoud Ahmadinejad neste domingo




Segundo porta vozes do Itamatary, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Irã foi cuidadosamente analisada, sendo decidida após avaliação que concluiu que a viagem teria mais aspectos positivos que negativos, apesar do olhar contrariado de praticamente todo o Ocidente. E ela, enfim, ocorre neste domingo.
Durante quatro meses, esse estudo ocupou um grupo de diplomatas que chegou à seguinte conclusão: vale a pena ir ao país presidido por Mahmoud Ahmadinejad, mesmo sendo ele o homem que promove perseguições de gênero, reprime com violência os oponentes, nega o Holocausto e prega a destruição de Israel.De um lado, para uns Ahmadinejad é, considerado um pária, o inimigo nº 1 do Ocidente; Mas, ao mesmo tempo, é um homem que, isolado, pode se tornar ainda mais perigoso.
Foi levado em conta ainda que a visita tem potencial para isolar internacionalmente o próprio Lula, que estaria insistindo em “desafiar a política externa americana”, conforme já citado pelo jornal britânico Financial Times. Mas, pensam os diplomatas: se Lula conseguir um acordo com Ahmadinejad, sairá cacifado para grandes voos internacionais, consolidando a imagem de líder mundial.
Com base nessas premissas, o Itamaraty resolveu arriscar, apesar de todos os riscos existentes. E Lula alimenta vários sonhos, e espera dar seu grande lance: desarmar a maior ameaça ao Ocidente usando o diálogo.
O governo do Irã é acusado de estar preparando a fabricação de armamentos nucleares. Teerã nega. Alega que seu objetivo é usar a energia nuclear para fins pacíficos.
Essas suspeitas já resvalaram sobre o Brasil, alimentando boatos de que nosso país também estaria promovendo pesquisas para a fabricação de bomba nucelar.
A posição da diplomacia brasileira está exposta no que é dito pelo subsecretário para Assuntos Políticos do Itamaraty, o embaixador Roberto Jaguaribe, que defende uma “solução pacífica e negociada”.
– Quando você isola uma nação, a tendência é fortalecer os elementos mais radicais e xenófobos do país que se está isolando. Isso não se aplica apenas ao Irã, mas a qualquer povo. Você vai gerar o fator de aglutinação de todos os radicais.
O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, revelou antecipadamente esperar que a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Irã termine em sucesso. Ele alertou que esta pode ser a última chance do Irã para escapar de sanções econômicas que podem ser impostas pela ONU.

7 de setembro de 2009

LULA DESMENTE DECLARAÇÃO DE APOIO A REELEIÇÃO DO PRESIDENTE DO IRÃ

Lula perdeu o rumo e se contradisse, hoje quando Jean-Pierre Languellier, correspondente do Jornal Le Monde, lhe perguntou sobre ter sido o único presidente no mundo a declarar apoio explícito à reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, no Irã. "Não sei de onde você tirou essa informação", respondeu Lula.
O correspondente francês não hesitou em contrariá-lo, lembrando que o presidente havia comparado os protestos da oposição, realizados em Teerã, a um jogo de futebol com um chororô de perdedores. Lula tentou remendar e tentou escapar falando sobre outro assunto: "meu querido, não vi ninguém incomodado num mundo quando o Bush foi eleito", respondeu, voltando a defender a soberania do Irã das críticas do que chamou, de forma irônica, de "sabedoria milenar".
Lula deu mais uma enroladinha e lançou mão do mote: "As instituições iranianas devem resolver esse problema. Não cabe ao presidente do Brasil dizer se é justo ou não, se é bom ou não."
- "O cidadão foi eleito. Havia regras no seu país. Se as regras não agradaram os interesses da população, essa é uma luta interna da população", argumentou. "As instituições iranianas devem resolver esse problema. Não cabe ao presidente do Brasil dizer se é justo ou não, se é bom ou não."
È, mais, o correpondente do Jornal Le Monde, disse que Lula, há dois meses, foi o únicos chefes de Estado do mundo a apoiar explicitamente a controversa reeleição de Mahmoud Ahmadinejad à presidência do Irã,