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30 de maio de 2010

LULA É UM GIGANTE POLÍTICO, MAS MORALMENTE TEM SIDO UMA DECEPÇÃO




O “New York Times” publicou, em 25.05.2010, artigo de Thomas Friedman comentando o acordo Brasil-Turquia-Irã, questionando a iniciativa de uma um país democrata de envolver outros países também democratas com “um facínora que nega o holocausto e frauda eleições apenas para provocar os EUA e mostrar que eles também podem jogar o Grande Jogo das grandes potências”.
No artigo mencionado, Fridmam cita Karim Sadjadpour do Carnegie Endowmento International que registra que durante anos os países não-alinhados e em desenvolvimento acusavam os EUA de “perseguir cinicamente seus próprios interesses sem considerar os direitos humanos”, patrocinando ditaduras. Para Sadjadpour, Turquia e Brasil praticam as mesmas ações que que sempre criticaram nos EUA: “A visita de Lula e Erdogan ao Irã aconteceu dias após o Irã ter executado cinco prisioneiros políticos que foram torturados. Eles abraçaram Ahmadinejad como um irmão, mas não disseram uma palavra sobre direitos humanos”.
Para Friedman, Turquia e Brasil são democracias recentes que superaram ditaduras militares, o que torna vexaminoso o fato de agora apoiarem um presidente iraniano que usa o exército e a polícia para esmagar e matar democratas de seu país: “Pessoas que estão procurando a mesma liberdade de expressão e de escolha política que turcos e brasileiros desfrutam hoje”, disse. Friedman observa que Lula sobressaiu-se como líder trabalhista mas hoje vira as costas para os líderes trabalhistas que vêm sendo violentamente reprimidos no Irã.
O artigo ainda traz a opinião de Moisés Naím, editor da “Foreign Policy”: “Lula é um gigante político, mas moralmente tem sido uma decepção. Ele tem apoiado o atropelo da democracia na América Latina”.



28 de maio de 2010

LULA DESCONSIDERA AS CONSEQUÊNCIAS DE SUA DIPLOMACIA




 Denise Chrispim Marin

O Estado de S. Paulo - 28/05/2010




Ao declarar que os EUA mantêm "divergência séria" com o Brasil, Hillary Clinton alertou para os custos da insistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em se opor à aprovação de novas sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU. Divergências não chegam a ser nocivas para as relações entre duas nações sensatas, mas desta vez o Brasil passou dos limites. Os EUA já haviam dito que não desistiriam de novas sanções enquanto o Irã não parasse de enriquecer urânio. Para Brasil e Turquia, essa condição é irrelevante e indesejável. Neste momento, incomoda a Casa Branca o desafio que Lula tomou para si: abortar a aprovação das sanções contra Teerã na ONU. Enquanto Barack Obama busca um canal legítimo para tratar a questão, mesmo sob o risco de ver o Congresso aprovando sanções unilaterais e seu partido castigado nas eleições de novembro, a diplomacia presidencial de Lula avança com ambições de fazer história, com motivações eleitorais e desprendimento das consequências que trará ao País.

HILLARY ACUSA IRÃ DE "USAR" GOVERNO BRASILEIRO


Autor(es): Isabel Fleck

Correio Braziliense - 28/05/2010

Hillary fala de divergências com governo brasileiro

Discórdia pública

Hillary Clinton fala em “divergências muito sérias” entre Brasil e EUA sobre o Irã. Lula critica “prepotência”, sem dar nomes


Os esforços do Itamaraty para tentar minimizar as tensões com os Estados Unidos por conta do programa nuclear iraniano foram por água abaixo após as duras declarações de ontem da secretária de Estado Hillary Clinton. Pela primeira vez de maneira pública e explícita, ela disse que há “divergências muito sérias” entre as políticas dos dois países sobre o Irã, e acusou Teerã de estar “usando” o Brasil. Na mesma hora, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi tão direto, mas, ao lado do primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, criticou os que “utilizam a prepotência” e não negociam. “Com truculência, a gente não resolve os problemas nem dentro da nossa casa”, criticou Lula.

“Certamente, temos divergências muito sérias com a diplomacia brasileira no que concerne ao Irã”, afirmou a secretária de Estado, durante coletiva sobre a nova estratégia de segurança do governo Obama. Ela, no entanto, tentou amenizar o discurso ao dizer que “a discordância não mina o comprometimento de ver o Brasil como um país amigo e parceiro”. “Queremos uma relação com o Brasil que resista ao teste do tempo”, afirmou. Hillary revelou ter dito ao colega brasileiro, Celso Amorim, que dar um tempo ao Irã “torna o mundo mais perigoso, e não menos (perigoso)”. Ela ainda afirmou que a pressão por novas sanções não resultará em mais conflito. “Pensamos que os iranianos estão usando o Brasil, nós achamos que é hora de ir ao Conselho de Segurança.”

Após mais de uma hora de reunião no Itamaraty, Lula e Erdogan sugeriram que não é o Irã quem está desprezando o diálogo. “Se o documento assinado por nós era o que a agência reivindicava em outubro do ano passado, se está muito próximo da carta que o primeiro-ministro (turco) e eu recebemos, por que não aceitar o que está no documento assinado em Teerã?”, questionou o presidente brasileiro, referindo-se à carta que o presidente Barack Obama enviou ao Planalto dias antes da viagem de Lula a Teerã. Na mensagem, Obama insta o Brasil a “insistir junto ao Irã na opção de manter seu urânio depositado em caução na Turquia”. “É preciso que as pessoas digam, claramente, se querem construir possibilidades de paz ou de conflito”, afirmou.

Para Erdogan, quem quiser evitar a proliferação nuclear — inclusive as potências ocidentais — tem de dar “certos passos”. “Os países que não têm armas não devem iniciar programas para o desenvolvimento de arsenais nucleares. Aqueles que têm devem iniciar programas para eliminá-las”, disse. Ele acrescentou que todos os que criticam o avanço obtido com o acordo assinado por Irã, Brasil e Turquia sobre a troca de urânio são “invejosos”. “Nós acreditamos que o que fizemos era certo, trabalhamos por aquilo que anteriormente fora exigido e esperado, e o que conseguimos foi produto desses esforços”, destacou.

A impressão é compartilhada por Lula, que comparou a repulsa das potências ocidentais à Declaração de Teerã com a fábula A raposa e as uvas, imortalizada pelo francês Jean de La Fontaine. Na história, a raposa despreza as uvas depois de tentar alcançá-las, sem sucesso, no alto de uma parreira. “O que aconteceu conosco foi a mesma coisa: nós fizemos o que eles tentavam fazer há muitos anos, alguns países, há 30 anos (sem sucesso)”, comparou.

Conselho
Para o Grupo de Viena, formado por EUA, França e Rússia, mais a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Lula deu um conselho: “É preciso arejar a cabeça dos negociadores. É preciso que eles saiam de casa pensando na paz, e não na guerra”. “Eu não conheço de negociação nuclear, mas passei dois terços da minha vida negociando. Se a pessoa que vai negociar não estiver disposta e com boa vontade de fazer um acordo, não haverá acordo”, declarou.

Em visita ao Rio de Janeiro, onde participará hoje do 3º Fórum da Aliança de Civilizações, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que seria uma grande ajuda “se o Irã concordasse em parar de enriquecer urânio a 20%”. “No centro dessa crise parece haver uma séria falta de confiança”, observou.

Política, armas nucleares, religião e futebol: se não tiver divergência, não vale discutir o assunto”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil


Aqueles que criticam esse processo são invejosos. Nós acreditamos que o que fizemos era certo”

Recep Tayyip Erdogan, primeiro-ministro da Turquia


Nós pensamos que os iranianos estão usando o Brasil, achamos que é hora de ir ao Conselho de Segurança”

Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA
Nova estratégia

O governo de Barack Obama abandonou oficialmente o termo mais característico da política externa de George W. Bush. A partir de agora, os Estados Unidos não utilizarão mais a expressão “guerra ao terror”, para frisar que o uso da força por si só não pode garantir a segurança do país. “Não é uma guerra mundial contra uma tática (o terrorismo) ou uma religião (o islã)”, especifica a nova Estratégia de Segurança Nacional, apresentada ontem. “Nós estamos em guerra contra uma rede específica, a Al-Qaeda, e os terroristas que apoiam seus esforços de atacar os EUA e nossos aliados.”

O documento, de 52 páginas, foi alvo de intensas consultas nos últimos 16 meses. O texto destaca que os EUA “sempre tentarão deslegitimar o uso do terrorismo e isolar aqueles que o praticam”. O foco principal da nova estratégia é a “espionagem”: “Nossa melhor defesa contra essa ameaça reside em famílias, comunidades locais e instituições bem equipadas e informadas”. A análise destaca a ameaça representada por indivíduos “que não têm o perfil tradicional dos terroristas”, como o jovem nigeriano que tentou explodir um avião em território americano, no Natal de 2009, ou o pai de família americano de origem paquistanesa suspeito de ter planejado um atentado com carro-bomba em Nova York, no último 1º de maio.

Sem ilusão
A partir das novas diretrizes, os EUA se propõem a ter como apoio não só a força militar, mas também a diplomacia, os contatos econômicos, a ajuda ao desenvolvimento e a educação. O texto defende, contudo, um enfoque “sem ilusão” nas relações com os inimigos, como Irã e Coreia do Norte. “As duas nações têm uma opção clara. Se ignorarem as obrigações internacionais, utilizaremos vários meios para aumentar seu isolamento e pressionar para que cumpram com as normas de não proliferação (de armas nucleares)”, afirma o texto.

O documento mantém a possibilidade de os EUA empreenderem ações militares unilaterais, porém sob condições mais estritas que no governo Bush, que adotou o conceito de “guerra preventiva” para justificar a invasão do Iraque, em 2003.

Outros alvos da nova doutrina são as crises econômicas e o aquecimento global, vistos como ameaças à a segurança do país.

25 de maio de 2010

OBAMA RECUSA CONVITE DE LULA PAREA VIR AO PAÍS ANTES DA ELEIÇÃO

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Kennedy Alencar


O presidente dos EUA, Barack Obama, recusou convite do presidente Lula para vir ao Brasil antes do pleito de 3 de outubro, informa Kennedy Alencar. O Planalto gostaria de usar a viagem em favor da candidatura da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (PT).

Entre outros fatores, Lula atribui a recusa a divergências na política externa, como no caso do Irã.

 
Obama rejeita visitar país antes da eleição

Lula atribui recusa a divergências sobre política externa entre Brasília e Washington e à influência dos Clinton

Para diplomacia dos EUA, vinda às vésperas de importante decisão eleitoral seria incomum no âmbito diplomático



BRASÍLIA - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recusou convite do presidente Lula para visitar o Brasil antes da eleição de 3 de outubro. Lula gostaria de usar a viagem para vitaminar a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT).

Segundo a Folha apurou, Lula atribui a recusa a dois fatores: divergências na política externa entre Brasília e Washington e uma suposta interferência dos Clinton para que Obama não fizesse uma visita que pudesse virar ato eleitoral pelo PT.

A diplomacia americana argumenta que seria inusual para a política externa do país uma visita do presidente dos EUA às vésperas de uma importante decisão eleitoral.Mais: a política externa americana não tem como prioridade para o segundo ano de governo de Obama uma visita ao Brasil.

INFLUÊNCIA

Segundo um ministro, o governo brasileiro acredita que o bom relacionamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com o ex-presidente dos EUA Bill Clinton e com a atual secretária de Estado, Hillary Clinton, frearam uma aproximação maior de Lula com Obama.

Na versão desse ministro, houve gestões do PSDB com os Clinton para evitar o encontro antes das eleições e, por extensão, um benefício eleitoral a Dilma.

A recusa provocou decepção no governo brasileiro, que via na oportunidade uma forma de demonstrar o prestígio de Lula no mundo e na América Latina.

Também foi entendida como um recado do presidente americano de que, se o Brasil vai se contrapor aos EUA em assuntos como o Irã, o país deverá arcar com alguma retaliação política da maior potência do planeta.

Apesar das negativas oficiais, Lula e sua chancelaria trataram com líderes mundiais e outras diplomacias do futuro do petista.

Publicamente, Lula trata com desdém a possibilidade vir a ser secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) ou presidente do Banco Mundial.

Nos bastidores, porém, acalenta esperança de ter uma função de relevo na política internacional