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5 de junho de 2009

OLHA O NOVO SOCIALISMO AÍ


DE NELSON MOTTA

O Globo - 05/06/2009

Pena que os velhos anarquistas mais libertários não viveram para ver um instrumento tão livre, poderoso e igualitário como a internet, que justamente por isso é tão temida pelas tiranias de esquerda ou de direita. Cada vez mais acessível a mais gente, ela nivela e aproxima, dá voz e imagem a todos e a qualquer um, é um espaço de liberdade e independência que cresce em proporção aos avanços tecnológicos que tornam as máquinas mais rápidas e potentes, mais leves e baratas.
É nesse território livre que surgem as primeiras evidências do que Chris Anderson chama de - whaall! - "Novo Socialismo" em texto-bomba na revista "Wired". A Wikipedia é um exemplo da socialização da informação, gratuita e mantida por contribuições voluntárias. Sem nenhuma interferência do Estado. Assim como as novas formas de compartilhamento, de troca de arquivos, os sites de buscas, o You Tube, significam uma inédita socialização da informação, do lazer, da arte e da opinião.
A diferença é que não são conquistas feitas pelos métodos totalitários e repressivos de Estados fortes, mas pela liberdade e o empreendedorismo só possíveis em sociedades abertas. Nenhum Estado comunista investiria nessas tecnologias de informação e comunicação, só para fins militares ou de propaganda. Se alguém ler para Hugo Chávez o texto da "Wired", o Beiçola vai levar um susto ao descobrir que o que ele chama de socialismo do século XXI é do XIX: o do terceiro milênio está na internet. Bytes o muerte, compañero!
Enquanto isso, em Brasília, anuncia-se mais um "fórum" para tentar encontrar instrumentos da democracia para instituir controles e limitações à imprensa, com o objetivo de "democratizar a informação", como se nossos jornais, rádios e televisões já não disputassem ferozmente a preferência do público e dos anunciantes, todos competindo pelas melhores produções, para todos os gostos.
Mas, com as lan houses se espalhando pelas cidades, computadores cada vez mais baratos e redes sem fio por toda parte, como é que eles vão fazer o "controle social" de 65 milhões de brasileiros on-line? Estão atrasados, mais uma vez.
NELSON MOTTA é jornalista

28 de maio de 2009

DEMOCRACIA NA VENEZUELA, VARGAS LLOSA É DETIDO NO AEROPORTO

CARACAS - O escritor peruano Mario Vargas Llosa ficou retido nesta quarta-feira, 27, durante 90 minutos pelas autoridades de um aeroporto da Venezuela, aonde chegou para participar entre quinta e sexta-feira de um fórum sobre liberdade e propriedade privada, informa a imprensa local. Vargas Llosa chegou às 13h30 (15h, Brasília) ao aeroporto internacional de Maiquetía, perto de Caracas, procedente da Colômbia e acompanhado de sua mulher. Segundo disseram à Agência Efe fontes organização do fórum, o escritor ficou retido por cerca de uma hora e meia.

Em declarações a jornalistas no aeroporto após o ocorrido, o escritor disse que um funcionário advertiu que por ser um estrangeiro "não tinha direito a fazer declarações políticas" na Venezuela. "Ele me disse com muita amabilidade e eu respondi que estando na terra de Bolívar (...) não deveriam ser impostas dificuldades ao livre pensamento", relatou Vargas Llosa, em meio a um alvoroço da imprensa em sua saída do aeroporto.

Segundo Vargas Llosa, sua bagagem foi submetida a "uma revista muito minuciosa". Em tom irônico, o escritor disse que não foi encontrado "nada de contrabando, material subversivo ou explosivo", apenas os livros de poesia que levava. O escritor contou que a polícia venezuelana ofereceu escolta até o hotel, mas que a rejeitou com o argumento de que não temia por sua segurança por ter muitos amigos na Venezuela.

Vargas Llosa foi por conta própria ao hotel de Caracas onde permanecerá durante sua estadia na Venezuela e não deu declarações ao chegar no local. Álvaro Vargas Llosa, filho do escritor, também ficou retido durante várias horas pelas autoridades aeroportuárias na segunda-feira passada, quando chegou à Venezuela para participar do mesmo fórum. O intelectual peruano disse, então, que foi advertido de que não deveria opinar sobre assuntos políticos internos por ser um visitante estrangeiro