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2 de outubro de 2009

TOFFOLI 10, SENADO 0

DORA KRAMER

O ESTADO DE SÃO PAULO

Com uma explanação inicial bem ensaiada sobre o papel do Supremo Tribunal Federal, gestos de bom efeito - como levantar um exemplar da Constituição ao molde de bíblia e fartos elogios ao Congresso -, esquivando-se da essência das perguntas mais complicadas ao ponto de "esquecer" se havia ou não orientado a defesa do ex-ministro Silas Rondeau, o novo ministro do STF, José Antônio Toffoli, saiu-se a contento da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Não sofreu as prometidas contestações, não enfrentou questionário rigoroso, foi irrepreensível na observância do manual do bom candidato e absolutamente profissional no treinamento e na montagem do lobby direcionados ao resultado pretendido, alcançado com larga margem de vantagem.
Isso, a despeito de todas as restrições existentes ao nome dele, numa conjugação de fatores adversos inédita. Toffoli - do ponto de vista dele - merece, portanto, nota 10.
Já o Senado ficou no zero a zero de sempre. Desincumbiu-se da função de submeter o indicado à sabatina como quem carimba um requerimento emitido pelo presidente da República, mas não permitiu ao público saber se o novo ministro é ou não adequado para o cargo.
Tomara que brevemente venha a demonstrar que seja, pois o Senado não deu a chance ao País nem cumpriu o seu dever de esclarecer a questão antes do fato consumado. Não pôs a prova o exigido notório saber, a reputação ilibada e a independência do indicado.
À exceção dos senadores Álvaro Dias, Pedro Simon e mais um ou outro, não se fez referência às restrições que nos dias anteriores à sabatina suscitaram polêmica e justificaram o lobby, cuja organização incluiu a contratação de empresa de comunicação especializada.
Mesmo os questionamentos sobre os assuntos em pauta ocorreram como se fossem parte de um roteiro preestabelecido, para constar. Os senadores aceitaram passivamente o alegado "esquecimento" sobre o caso Rondeau, a afirmação de que as condenações na Justiça do Amapá por recebimento indevido de recursos públicos foram equivocadas, o juramento de que as ligações estreitas com o PT, Lula e José Dirceu são "páginas viradas", bem como o compromisso com a independência nos julgamentos do STF.
Palavra contra palavra, valeu a do questionado. Ao aprová-lo sem questionamento o Senado deu um voto de confiança, quando o que se esperava era que desse um voto consciente.
De preferência, evitando cenas como a do líder do PSDB, Artur Virgílio, dizendo que seu voto a favor havia sido recomendado por um advogado amigo em comum.
Um espetáculo tosco. Não por causa de Toffoli. Mas pelo conjunto da obra de subserviência e displicência do Legislativo para com as suas prerrogativas. Por isso é um equívoco achar que o erro está no fato de o presidente da República indicar os ministros do Supremo, porque a deformação é de quem aceita as coisas sem discutir.
Algo de podre
Com todo respeito que não merece uma Justiça que fere a Constituição e censura, é altamente suspeita a decisão do Tribunal de Justiça de Brasília de levar dois meses para se declarar incompetente para julgar a liminar proibindo o Estado de divulgar informações sobre a operação da Polícia Federal que investiga Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.
Um juiz, o autor da liminar, já foi declarado impedido por suas relações de amizade com a família Sarney. O TJ-DF, bem como outros tribunais com endereço na capital da República, é um ambiente de trânsito sabidamente fácil para o senador.
O envio da questão para julgamento no Maranhão, feudo da família, não contribui para a confiabilidade do Judiciário. Ao contrário, produz desconfiança.
Apesar de todas as incongruências do processo - o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, já disse que é incompreensível a demora na decisão final -, a censura continua em vigor.
Enquanto um jornal continuar impedido de informar, não se pode dizer que o Brasil esteja em situação de normalidade democrática.
Viva Lula
O Tribunal Superior Eleitoral condenou a maior parte da "reforma" na lei eleitoral feita pelo Congresso, mas aplaudiu - com veemência - o veto do presidente Lula às restrições ao uso da internet. Retrocesso que, no entender do TSE, foi a, bom tempo, corrigido pelo presidente.
Nunca antes
O cidadão Celso Amorim tem assegurado seu direito legal de filiação partidária. O chanceler, porém, tem (ou teria) o dever de manter sua condição de servidor do Estado, que permanece, e não de governos, que se alternam.
Amorim já havia inovado quando da filiação ao PMDB. Agora, na transferência para o PT em busca de "um palanquezinho", superou-se.

19 de setembro de 2009

RÁPIDA E RASTEIRA

DORA KRAMER

O ESTADO DE SÃO PAULO - 19/09/2009


Retirado da sala o "bode" da censura na internet, nada mais se salva nos remendos feitos pelo Congresso na Lei Eleitoral chamada de "minirreforma" política pelos otimistas.
Onde poderia ter havido avanços, houve a opção preferencial pelo atraso: legalização de doações anônimas, uso liberado da máquina pública e nenhuma exigência sobre comprovação de boa conduta para o registro de candidaturas.
Um verdadeiro comprovante da má-fé dos eleitos com o eleitorado, que, além de tudo, continua subtraído em seu sagrado direito de escolher entre comparecer ou não às urnas. É obrigado a votar, enquanto a outra parte não se sente minimamente obrigada a tornar o processo mais correto e transparente.
Seria o conteúdo o aspecto mais grave da questão não fosse a forma atabalhoada pela qual foram feitos os "ajustes".
A pressa, o desentendimento, a falta de discussão, a total ausência de preocupação com a legalidade do texto, as mudanças de última hora, tudo evidencia o descompromisso do Poder Legislativo com a reforma política que ele mesmo apregoa como necessária.
Faz isso geralmente quando se vê em dificuldades de natureza ética e procura, então, jogar a responsabilidade para uma reforma a ser feita em futuro cada vez mais longínquo.
Há mais ou menos 15 anos as propostas de reforma política tramitam no Congresso. De lá para cá já se teve numerosas provas de que aos deputados, senadores e partidos não interessa mudança alguma. Tanto é que quando existe interesse em alterar algum aspecto da lei isso é providenciado num átimo.
Como agora. Câmara e Senado debateram o tema em algumas poucas reuniões e votaram as alterações em sessões tão rápidas quanto tumultuadas. Uma Casa pôs, outra apôs e depois a primeira dispôs sem que houvesse um mínimo de comunicação racional entre as duas.
Os senadores reclamaram que os deputados derrubaram 67 emendas feitas no Senado à primeira versão aprovada pela Câmara, sem nem examinar direito o conteúdo das propostas.
De fato. No prazo recorde de 24 horas os deputados tiraram aquilo que não os interessava, deixaram o que lhes causaria desgaste tirar e ainda poria em risco a aprovação da lei a tempo de valer para a próxima eleição e deu-se o assunto por encerrado.
O Senado teria até razão de se queixar não tivesse ele mesmo patrocinado uma barafunda tão grande a ponto de se aprovar um dispositivo - a eleição direta a qualquer tempo para o caso de interrupção de mandatos de prefeitos e governadores -, depois derrubado pela Câmara, reconhecido como inconstitucional durante a votação.
Um assunto, aliás, só posto em pauta em função das recentes decisões da Justiça Eleitoral de cassação do mandato de três governadores por abusos cometidos na campanha de 2006.
O Congresso não pode alegar falta de tempo porque teve todo do mundo para discutir no detalhe, com precisão e ponderação as modificações no sistema político-eleitoral e não o fez. Só se mexeu por receio de que a Justiça, bem mais rigorosa nos últimos tempos, viesse a limitar os movimentos dos candidatos em 2010.
Assim, fica de uma vez por todas constatado que quando um político falar em reforma política não deve restar a menor dúvida: é mentira.
Quem pode
Se o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pudesse, ele seria mesmo candidato a governador de São Paulo. Mas, como uma coisa é querer e outra é poder, já está devidamente informado de que o Palácio dos Bandeirantes não quer.
Por dois motivos: por impossibilidade de deixar a prefeitura nas mãos da vice Alda Marco Antônio e porque, hoje, o candidato do PSDB é Geraldo Alckmin, o primeiro nas pesquisas.
Além desse fator, pesa uma questão tática: o predileto do governador José Serra, Aloysio Nunes Ferreira, é um aliado fiel. Já a Alckmin não conviria desagradar.
Revanche
Face à tolerância com ilicitudes de um modo geral, soa um tanto desproporcional o rigor com que a estrutura administrativa do Senado - no caso, a Mesa diretora - trata o senador Eduardo Suplicy, por ter aberto seu gabinete fora do horário do expediente a manifestantes pró-Cesare Battisti, no dia do julgamento do pedido de extradição do italiano no Supremo Tribunal Federal.
Parece vingança pela contraposição de Suplicy ao presidente da Casa, José Sarney, e, muito provavelmente, é mesmo.
Fora todos os conhecidos episódios de arquivamentos combinados de denúncias as mais escabrosas, tirando a indiferença em relação a evidências de prevaricação, registre-se que o ambiente do Congresso já foi barbarizado por uma facção do MST comandada pelo velho ativista Bruno Maranhão e até hoje ninguém foi importunado por ter autorizado a entrada da turba.
Isso para não falarmos no espantoso caso do servidor preso que recebia salário na cadeia.

18 de setembro de 2009

CÂMARA REJEITA A MORALIZAÇÃO DAS ELEIÇÕES

A Câmara dos deputados encerrou a votação da reforma eleitoral com recuos no que se refere à moralização. Derrubou pontos que poderiam impedir candidaturas dos chamados "fichas-sujas” e reprimir o uso da máquina pública - como a participação de candidatos em obras nos quatro meses antes da eleição. Também caiu a proibição de criar ou ampliar programas sociais em ano eleitoral
Aprovação aconteceu apenas um dia depois de o Senado devolver o texto à Casa. Os deputados mantiveram a Internet livre, mas retiraram da reforma restrições a candidatos com "ficha suja" e uma nova eleição em caso de cassação no Executivo
Ao retornar à Câmara, após longa discussão no Senado, a reforma eleitoral foi aprovada a toque de caixa pelos deputados federais na noite de anteontem, mantendo a liberdade da Internet no período eleitoral, mas impondo outras mudanças que foram criticadas ontem.
Para o relator da matéria no Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a pressa dos deputados para votar as mudanças nas regras eleitorais prejudicou ajustes importantes no sistema eleitoral do País.
O tucano considerou "grave" a rapidez com que os deputados retomaram a votação da reforma. Para ele, um dos principais prejuízos foi à derrubada da emenda que permitia que candidatos à Presidência da República pagassem por anúncios em sites jornalísticos.
Os deputados recuaram ainda na proposta que impedia a candidatura de políticos com "ficha suja", restabeleceram a questão do voto em trânsito e rejeitaram a emenda que previa eleição direta para a escolha dos substitutos de prefeitos, governadores e presidente da República cassados por crimes eleitorais.
"O recuo nessas questões foi uma decisão apressada da Câmara. Eu não quero polemizar e espero que a direção do Senado se manifeste sobre a forma como os deputados analisaram estas questões", disse Azeredo.
Na Câmara, alguns líderes reclamaram do tempo gasto pelo Senado para analisar a reforma e da quebra de um compromisso informal de que seria mantido a reforma assinada pelos deputados. Veto
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que vai sugerir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que vete o artigo aprovado pela Câmara que obriga a impressão de 2% dos votos eletrônicas. O procedimento valeria para eleições a partir de 2014 e serviria para uma eventual auditoria do resultado. Jobim classificou a proposta de "um retrocesso".
Outro ponto aprovado pelo Congresso de difícil implementação, segundo o ministro, é o voto em trânsito para presidente da República. O eleitor poderá, mesmo que não esteja em seu domicílio eleitoral, participar da eleição presidencial. O texto precisa ser sancionado pelo presidente da República e publicado no Diário Oficial até o dia 2 de outubro para valer para as eleições de 2010

CÂMARA APROVA REFORMA ELEITORAL

A reforma eleitoral foi aprovada pela Câmara e agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se o projeto for publicado no Diário Oficial até o dia 3 de outubro, as novas regras valerão para as eleições de 2010. Os deputados aprovaram a liberdade irrestrita (“é livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato”, diz o texto) da internet no período eleitoral, mas os debates pela web foram limitados. No plenário, o relator do projeto Flávio Dino (PCdoB-MA) fez uma alteração que deixou clara a restrição: para a realização de debates será necessária a presença de 2/3 dos candidatos, assim como na TV e no rádio. Entre os principais pontos da reforma eleitoral, destaca-se a libração total da internet para os candidatos, que poderão ter sites, blogs e páginas em redes de relacionamento. Ficaram de fora algumas inovações acrescentadas pelo Senado, como a eleição direta a qualquer tempo em casos de cassação de mandatos de prefeitos e governadores e exigência de “ficha limpa” dos candidatos.

16 de setembro de 2009

APROVADA MINIREFORMA ELEITORAL

Internet livre para campanha de 2010

Mudanças precisam ser aprovadas pela Câmara para entrarem em vigor

Reforma libera doação oculta e uso da internet nas eleições

Manifestação de opinião na rede será livre; só anonimato é proibido

O Senado aprovou, em votação simbólica, a liberação parcial da cobertura eleitoral pela internet, derrubando restrições à cobertura jornalística na internet para as eleições de 2010. Pela proposta, aprovada a manifestação de pensamento será livre em toda a rede, de sites jornalísticos a blogs, passando por Orkut e Twitter. A realização de debates na rede terá de seguir as regras para rádio e TV, com pelo menos dois terços dos candidatos.
A Câmara analisará o texto da reforma, mas a parte sobre internet não será mais alterada, pois resultou de acordo partidário. Está liberada a doação oculta, tal como fora aprovada na Câmara: são autorizadas contribuições diretas a partidos, sem identificação do candidato. Os partidos só terão que divulgar os doadores seis meses após a eleição.
Também foi aprovada a realização de eleição direta quando houver a cassação de mandatos de governadores e prefeitos pela Justiça Eleitoral. O texto segue para votação na Câmara.
No que se refere à internet, o texto prevê que “é livre a manifestação do pensamento e vedado o anonimato”, durante a campanha eleitoral. Fica permitido aos internautas se expressar contra ou a favor de quaisquer candidatos em blogs, sites de relacionamentos como o Orkut e sites de mensagens instantâneas como o Twitter. Sites de veículos jornalísticos também poderão publicar textos opinativos sobre os candidatos. Foi aprovada ainda uma emenda que permite aos sites dos candidatos e de seus apoiadores permanecerem no ar mesmo no dia das eleições. Anteriormente, o texto determinava que esses sites ficassem indisponíveis nas 48h que antecedem o pleito
Eleições diretas na cassação de governadores e prefeitosOutros pontos polêmicos foram aprovados. O principal é o que prevê a realização de eleições diretas, a qualquer momento, em caso de cassação de mandato de governadores e prefeitos pela Justiça Eleitoral, por crimes relacionados com as eleições.O Senado rejeitou um artigo do texto enviado pela Câmara prevendo que 2% dos votos nas eleições deveriam ser impressos. O objetivo da emenda, encaminhada pelo PDT, era a conferência os resultados das urnas por amostragem, o que permitiria verificar possíveis fraudes na votação eletrônica. Pelas regras aprovadas pelo Senado, a Justiça Eleitoral terá que manter por seis meses os arquivos eletrônicos de cada votação. Esses arquivos poderão ser acessados pelos partidos para conferir se houve ou não fraude nas eleições

13 de setembro de 2009

PROJETO DE REFORMA ELITORAL É FRACO E SUPERFICIAL


Na opinião de políticos e especialistas, o projeto de lei de reforma eleitoral é fraco, estabelece mudanças apenas superficiais e não promove avanços significativos no sistema político nacional. Cientistas políticos e especialistas em direito eleitoral consideram um exagero chamar de “lei de reforma eleitoral” Alguns senadores já definiram o projeto de mudanças nas campanhas eleitorais, que tramita na Casa Legislativa, como “minireforma”,
Todos estão insatisfeitos com a estreita abrangência do texto que altera regras do Código Eleitoral, da Lei dos Partidos Políticos e da Lei das Eleições e deve ser votado na terça.
O projeto veio da Câmara em 8 de julho e já recebeu cerca de 90 emendas no Senado. Ele está sendo apressado para ser votado a tempo para valer na próxima eleição, em 2010. A votação foi adiada para a próxima terça feira. es
O senador peemedebista Pedro Simon (RS) questionou o porquê de acelerar a votação de uma reforma eleitoral “incompleta” em vez de uma que abranja mais questões de interesse dos demais parlamentares. “A Câmara demorou três anos para votar e nós temos que votar correndo?”, questiona.
“Definições sobre prévias, coligações, fidelidade partidária, financiamento público só vamos iniciar a discussão em 2012 ou 2014”, respondeu o presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) Demóstenes Torres (DEM-GO).
O senador democrata alegou que com os atuais parlamentares “não vamos conseguir aprovar nada”. Torres disse contar com a sensibilização de seus pares para tentar votar uma reforma política mais ampla, num segundo momento.
Já o tucano Álvaro Dias (PR) definiu a reforma eleitoral, que será votada, como “pífia, mais uma vez relegada a segundo plano”. “Não tenho esperanças que o Congresso vote uma reforma política a não ser que o próximo presidente da República apoie”, aponta o peessedebista
Congresso insatisfeito
Relator do projeto na Câmara, o deputado Flávio Dino (PC do B-MA) justifica a pouca abrangência do projeto de lei dizendo que nenhuma reforma daria conta de resolver todos os problemas de uma vez. "Acreditar nisso é salvacionismo, messianismo e autoritarismo. É óbvio que é insuficiente e sempre será", afirma.
Com relação a sistema distrital misto, lista fechada e financiamento público, Dino justifica: "Neste instante não há maioria política na sociedade e, portanto, no Parlamento" para implementá-las.
Eduardo Azeredo (PSDB-MG), um dos relatores do projeto no Senado, concorda que "foi a reforma possível", mas põe a culpa no governo. "Não há como fazer uma reforma política se o Executivo, com sua base no Congresso, não estiver devidamente interessado." Mas reconhece que "o próprio PSDB não tem consenso sobre a forma de eleger deputados".
Para o outro relator no Senado, Marco Maciel (DEM-PE), o ideal seria estabelecer a cláusula de desempenho, em que o partido precisa de uma porcentagem mínima de votos para ter direito a uma cadeira na Câmara. Mas, como a proposta altera a Constituição, deve ser aceita por 3/5 dos congressistas e votada em dois turnos. "Neste momento, o processo eleitoral já foi para as ruas, já tem pré-candidatos. Não tem clima para uma reforma mais ampla."
Aloizio Mercadante (PT-SP) também reclama que a reforma deveria ser mais profunda, pois não trata do financiamento e do uso de caixa dois na campanha. Mas nega a culpa do governo e atribui a inércia à Câmara.
"Os deputados têm insegurança de mudar regras que permitiram que eles lá chegassem", diz. Ele, porém, defende o que considera avanços na reforma: a proibição de candidatos inaugurarem obras e criarem ou ampliarem programas sociais nos quatro meses que antecedem a eleição e a restrição a outdoors nas ruas.
O vice-líder do PMDB na Câmara, Mendes Ribeiro (RN), reconhece que as mudanças não configuram uma reforma, mas foram feitas para "ninguém poder reclamar" sobre decisões do Judiciário sobre as regras. "Isso não é uma resolução do TSE. Não tem como dizer que não conhece a lei, que não participou", afirma.

11 de setembro de 2009

A VOTAÇÃO DA REFORMA ELEITORAL FICA PARA A PRÓXIMA SEMANA

A votação da reforma eleitoral foi mais uma vez adiada A votação ficou para a semana que vem. Como ela tem que ser aprovada até o dia 2 de outubro para valer nas eleições de 2010, a votação da reforma num espaço de tempo apertado, assume uma margem de risco elevada.
Havia um acordo fechado na noite de ontem, que previa a votação para hoje<>