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7 de junho de 2010

SERRA QUER EVITAR "DILMASIA" EM MINAS





Autor(es): Luiz Ribeiro

Correio Braziliense - 07/06/2010

Pré-candidato tucano retorna ao estado para tentar colocar um freio no movimento favorável à petista Dilma Rousseff e ao governador tucano Antonio Anastasia

O pré-candidato à presidência da República José Serra (PSDB), acompanhado do ex-governador Aécio Neves e do governador Antonio Anastasia, retorna a Minas Gerais nesta segunda-feira, quando visitará Montes Claros, onde terá encontro com lideranças regionais. A expectativa é de que a presença de Aécio — que fará sua primeira aparição pública ao lado do ex-governador paulista desde que retornou de viagem ao exterior — sirva de impulso para o engajamento dos prefeitos tanto na campanha de Serra como no trabalho para a reeleição de Anastasia. Mas existe uma ameaça de divisão dos chefes de executivo em relação ao candidato a presidente do PSDB.

A ameaça é representada pela “Dilmasia”, movimento que defende o apoio casado à reeleição do atual governador e à pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. O presidente da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), Valmir Morais (PTB), disse que cerca de 50 a 60 prefeitos deverão participar do encontro com os pré-candidatos tucanos. Segundo Morais, a maioria dos prefeitos norte-mineiros já declarou adesão à campanha para a reeleição de Anastasia e apoio à candidatura de Aécio ao Senado. Para o dirigente, o apoio ao tucano não será difícil. “Não vejo dificuldades para os prefeitos assumirem a candidatura do Serra. Vai depender da posição do Aécio”, afirma Morais. “Basta o Aécio pedir para que o Norte de Minas possa abraçar também a candidatura do PSDB para a Presidência da República”, acrescenta o presidente da Amams, que reúne 92 prefeitos.

Serra fará hoje a sua quinta viagem ao estado desde que se desincompatibilizou do governo de São Paulo, no início de abril, para concorrer ao Palácio do Planalto. Ele esteve duas vezes em Belo Horizonte e visitou Uberlândia e Uberaba, mas será a primeira viagem a Montes Claros, cidade de 364 mil habitantes, e importante centro universitário. Em 2002, quando também disputou a Presidência da República, Serra fez poucas visitas ao estado e não foi ao norte, apesar de a região ter cerca de dois milhões de votos. Nesta segunda-feira, Serra vai receber um documento com reivindicações, intitulado de Plano de Desenvolvimento do Norte de Minas, elaborado em encontro de lideranças políticas e empresariais, organizado pela Amams.

Apesar da informação do presidente da Amams, uma boa parte dos prefeitos norte-mineiros deverá apoiar Anastasia para governador e Dilma, para presidente da República. A observação é do prefeito de Salinas, José Prates (PTB), um dos cabeças da “Dilmasia”. Seria algo semelhante ao “Lulécio”, liderado pelo próprio José Prates em 2006, quando uma frente de prefeitos apoiou as reeleições de Aécio Neves para o governo de Minas e de Luiz Inácio Lula da Silva para o Palácio do Planalto. A diferença desta vez é que os prefeitos também deverão votar em Aécio para o Senado. Prates disse saber que um número expressivo de prefeitos, `no estado inteiro, incluindo filiados ao PSDB e ao PT”, que vão apoiar Dilma e Anastasia, mas não revela quem seriam eles. “Não posso falar os nomes porque não sou porta-voz deles”, justificou.

DIVISÃO MINEIRA
» Ao contrário do anunciado, terminou sem acordo o encontro entre PT e PMDB, realizado ontem à tarde, no qual se pretendia definir entre o ex-ministro das Comunicações Hélio Costa e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel o cabeça-de-chapa para disputar o governo de Minas. O PT, porém, pegou de surpresa os peemedebistas que consideravam a partida ganha com Hélio Costa, para a disputa do governo mineiro. Em reunião pela manhã, petistas e representantes do PR, PCdoB e PRB, aproveitaram a ausência do PMDB, para anunciar nova chapa, esta encabeçada por Fernando Pimentel, tendo como vice Clésio Andrade, presidente do PR de Minas, e Hélio Costa como candidato único para o Senado.

Marina reduz agenda

A convenção do Partido Verde na próxima quinta-feira é o principal motivo para a agenda reduzida de compromissos nesta semana da senadora Marina Silva, que será aclamada no evento como a candidata da legenda ao Palácio do Planalto. A agenda da pré-candidata prevê apenas a participação hoje no prêmio Top Etanol, realizado pela União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), em São Paulo.

Nesta semana, entretanto, Marina, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estarão empenhados em fazer um bom discurso nas convenções partidárias. O prazo estabelecido pela Justiça eleitoral para a realização das convenções inicia-se nesta semana e o Partido Verde será o primeiro a dar a largada. A convenção que aclamará a chapa Marina Silva e Guilherme Leal ocorrerá no Brasil 21, em Brasília. A expectativa é reunir 1,5 mil pessoas no salão principal, mas os outros espaços devem ser utilizados para acomodar os simpatizantes da candidatura da senadora. Após a convenção nacional, Marina deve ainda participar de algumas convenções do PV nos estados, principalmente no Rio, Minas e São Paulo.

Depois do evento de hoje, em São Paulo, a intenção é que Marina se concentre no discurso para a próxima quinta. O PV está empenhando em evitar a polarização do debate das eleições presidenciais entre PSDB e PT e tenta, sempre que possível, garantir a participação de Marina em eventos onde o ex-governador José Serra e a ex-ministra Dilma Rousseff também estejam. A convenção tucana ocorrerá em Salvador e a do PT, em Brasília — ambas no fim de semana.

Foi assim, por exemplo, em congresso de saúde realizado no fim de maio, em Gramado (RS). Dilma foi ao evento e, na última hora, a assessoria de Serra também confirmou sua presença. Marina, com a agenda já comprometida, não pôde ir no mesmo dia que os concorrentes. Mas nem por isso deixou de marcar presença: no dia seguinte, a senadora também prestigiou o congresso.

30 de maio de 2010

A IMPRENSA, A TORCIDA DESCARADA EM FAVOR DE DILMA E OS FATOS




VEJA

REINALDO AZEVEDO

domingo, 30 de maio de 2010


Se os petistas tivessem a certeza que têm os “analistas” e os 180 mil colunistas da imprensa brasileira de que a petista Dilma Rousseff vencerá a eleição, o PT poderia ficar parado, esperando cumprir-se a predição, que, em seus momentos mais patéticos, aspira até a certa matemática. Especialistas de si mesmos pontificam isso e aquilo com base na experiência acumulada que têm em… escrever os próprios textos!!!

Eu não sei quem vai ganhar; “eles” sabem porque têm um receio danado de contrariar a categoria… O que sei é que, há quatro anos, nesta fase, o então candidato tucano, Geraldo Alckmin, estava mais de 20 pontos atrás do candidato petista — era Lula, não Dilma. Computadas as urnas, a diferença foi inferior a sete pontos no primeiro turno. Entre maio e outubro, havia muita coisa no meio do caminho. Que as circunstâncias indiquem que Dilma é favorita, isso é óbvio. E faz tempo — o que já se apontou aqui. Daí a direcionar o noticiário COMO SE FOSSE FALTA DE OBJETIVIDADE CONSIDERAR O RESULTADO INDEFINIDO, VAI UMA GRANDE DIFERENÇA.

Explico melhor se a muitos não ficou claro. Como se tem aquela certeza no horizonte, procura-se contar a história presente a partir do fim. A única pauta que parece legítima do reportariado é apontar “princípio” de crise na candidatura tucana: “crise da queda nas pesquisas”; “crise do vice”; “crise no relacionamento com o DEM”; “crise da recusa de Aécio”, “crise do sei-lá-o-quê”… Afinal, o exército de colunistas precisa fazer o presente convergir com aquilo que é uma convicção sobre o futuro. Notem: uma coisa é ler números, tendências, apontar perspectivas. Outra, diferente, é rechear esse raciocínio prospectivo com supostas ocorrências. Uma segunda manifestação negativa desse comportamento está em simplesmente IGNORAR OS FATOS. Exemplifico.

Na semana passada, Serra e Dilma participaram de um seminário sobre saúde. Tenho relatos do evento — acreditem: de serristas e anti-serristas — afirmando que ele teve um desempenho excelente, e ela, nem tanto. E o que registrou a chamada “grande imprensa”? Os dois fizeram propostas parecidas! Mas é inegável que aquela pauta era de Serra, não de Dilma. A candidata petista “colou” o seu discurso ao do adversário. E isso não se apontou porque, bem…, porque poderia ser considerado “serrismo”. Para ser justo: houve um texto na VEJA.com a respeito.

Setores importantes da grande imprensa são hoje reféns da patrulha petista. Os patrulheiros pagos pelo partido têm lá do que se orgulhar: conseguem intimidar parte do jornalismo. E há, evidentemente, a infiltração partidária nas redações, velha conhecida.

O caso da Bolívia, então, chega a ser escandaloso. Tudo virou uma espécie de Fla X Flu. Serra acusou o governo boliviano de conivência com o tráfico. O governo da Bolívia protestou, claro!, e também o fez o governo brasileiro, como se lhe coubesse participar do embate. Serra nem o incluiu na acusação —  o que pode e deve fazer porque, com efeito, o Brasil é um dos patrocinadores do governo Evo. O BNDES financia a estrada da coca. Leiam reportagem na VEJA desta semana sobre o brutal crescimento da produção de cocaína na Bolívia — quase a totalidade destinada ao Brasil. Segundo editorial da Folha, publicado no sábado, a crítica de Serra está na categoria “do subentendido infeliz e do ataque velado”. O que há de “subentendido” ou “velado” na fala do candidato tucano? Daria para ser mais direto do que ele foi? Esse editorial, aliás, vai me render outro post, abaixo.

Se esses setores da imprensa brasileira estão com preguiça de investigar, poderiam dar uma espiada na imprensa boliviana, facilmente encontrável na Internet, para saber como são as coisas. Nada! Não se fez nada! Ou se fez: na sexta-feira, Folha Online e Estado Online abriram suas páginas para o ataque dos petistas e do governo da Bolívia ao tucano: AFINAL, O JORNALISMO, HOJE EM DIA, VIROU ESTE TROÇO EM QUE UM FALA, O OUTRO RESPONDE. E PRONTO! E a verdade? Bem, a verdade que se dane! Tudo é disputa. E, como essa gente acha que Dilma vai ganhar, então as notícias sobre Serra são sempre filtradas por essa antevisão. Uma reportagem evidenciando que sua fala está certa seria… serrismo!!!

Um leitor que ignorasse tudo sobre o Brasil e lesse a imprensa brasileira, especialmente a de São Paulo, certamente indagaria: mas como é que este tal Serra tem entre 35% e 38% do eleitorado há tanto tempo se ele é como pintam os atuais 3 milhões de colunistas da imprensa brasileira (eles já se multiplicaram entre o primeiro parágrafo e este…)? Vai saber, não é? Vai ver o povo é sábio quando escolhe o candidato deles e deve ser imbecil quando escolhe algum outro. Eu, como vocês sabem, não acho o povo nem sábio nem imbecil. Eu nem mesmo reconheço essa categoria… Se existisse, ele seria apenas culpado… Mas isso fica para outra hora.

Encerro observando que estou entre aqueles que defendem que os veículos de comunicação têm todo o direito de ter candidatos. Não podem é mentir. No meu mundo, eles deixariam claras as suas preferências. Esse esforço para pairar acima das escolhas, num lugar político e retórico que considero inexistente, abre caminho para o “entrismo” disfarçado de objetividade analítica e independência.

Tendo a acreditar que o leitor contemporâneo cobra mais transparência de quem escreve. Gosta de saber quais são as afinidades eletivas do “analista”. Por mais que isto soe herético a muita gente, o jornalismo impresso diário, que se abriu para as mudanças da Internet, ainda não faz um bom uso deste valor fundamental: transparência. Ninguém mais acredita no jornalista como um juiz. E faz muito bem. A razão é simples: jornalista não é juiz.

DEMOCRACIA SEM OLHAR PARA TRÁS

JORNAL DO BRASIL

WILSON FIGUEREDO

Passou sem ser percebido, talvez à moda mineira, um dado digno da maior consideração às vésperas de se desencadear a campanha presidencial. Não é segredo, e muito menos coisa desprezível, que os dois candidatos à frente nas pesquisas de opinião pública são oriundos da esquerda, na qual se formaram e dela se afastaram o suficiente para não comprometerem a taxa democrática de cada um. É de se supor que Dilma Roussseff e José Serra, em duas gerações de equivalente iniciação política através de períodos históricos com características opostas um sob a Constituição de 1946, outro sob o AI-5 tenham se identificado com a militância política de esquerda e apresentem saldo suficiente em favor da democracia.

A pequena e ocasional convergência entre José Serra e Dilma Rousseff se deve menos à evolução política para a esquerda do que ao esgotamento do exaurido padrão brasileiro de fazer política à moda tradicional, para não dizer pior. Apenas para salvar aparências, a diferença entre os candidatos em cena se reduz ao mínimo. Ganhe quem ganhar, essa diferença custa barato. A questão se situa praticamente na economia, e no que for acessório. Por último, conviria realçar a contribuição histórica do presidente Lula, cuja carta aos brasileiros lhe abriu crédito na classe média, colocada mais embaixo na escala social, e lhe valeu a eleição e a reeleição. A burguesia leu tudo nas entrelinhas, nas quais não está escrito mas subentendido. Nada, porém, com a esquerda, da qual quer distância. A fórmula clássica é eleger-se pela esquerda e governar pela direita. Não falha. Lula já está longe.

A exposição das candidaturas José Serra e Dilma Rousseff deve ter em vista mais cuidado para os dois não perderem a esquiva confiança da classe média, que emergiu do anonimato na onda da democracia que fala por si mesma e pela eleição direta. Chega de citações entre aspas retiradas da teoria e não perfilhadas pela realidade. A sucessão presidencial tem dialeto próprio, e fala por si mesma a circunstância de serem José Serra (pelo PSDB) e Dilma Rousseff (pelo PT) candidatos de mais alta cotação nas pesquisas. Trata-se do Brasil pós-Lula, queira ou não o presidente. Dissipou-se o velho medo de que a esquerda venha cobrar mais do que se dispõe nossa vã democracia a pagar.

Dilma e Serra estão, portanto, dispensados de demonstrar e se desculpar por terem tido iniciação política pela esquerda. A diferença (que não é pequena) entre eles se deve a circunstâncias políticas anteriores às respectivas candidaturas e a condições históricas adversas, pois em 1968 a geração que queria se inserir (vá lá) no processo se recusou a aceitar que a solução tivesse de ser política, e apostou o que não tinha em projetos revolucionários. Ao contrário, a geração já adulta dos jovens que haviam apostado na Constituição de 1946 estava preparada para a prova de paciência política, e se dispôs a desgastar o poder autoritário com paciência, coerência e resignação até a apoteótica derrota do regime e seu candidato na eleição indireta. José Serra aprendeu política com a esquerda que apostou na arte do possível. Na etapa seguinte, a geração de Dilma Rousseff viu no AI-5 a oportunidade de ir mais longe do que ter como prêmio de consolação uma Constituição burguesa. Ficou pelo caminho. De volta do exílio, Serra se apresentou e participou de um jogo que também será eterno enquanto durar.

Depois de cumpridos quatro mandatos de presidentes pelo voto direto, o Brasil se considerou em condições de eleger Lula. E o fez. Nada aconteceu que justificasse o temor tradicional. Os dois candidatos que marcam passo nas pesquisas devem ter aprendido que é perfeitamente possível conciliar esquerda e democracia mediante o uso de ferramentas legais. Cumpre-lhes demonstrar com atos que é contraproducente o medo da democracia. Pelo menos enquanto a vida política brasileira não se distanciar de um ponto, ainda não localizado, em que as imperfeições ponham em risco a estabilidade política. A impressão é que o país acelerou suas possibilidades, e aquele que olhar para trás corre o risco de virar estátua de sal.

OS CAMINHHOS DO PODER

MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 30/05/10

Para vencer a eleição presidencial, é preciso "discurso e máquina". A definição é do cientista político Cesar Romero Jacob, professor da PUC do Rio, que está lançando pelas editoras PUC e Vozes o livro "A geografia do voto nas eleições presidenciais do Brasil: 19892006", um estudo, com uma equipe de pesquisadores brasileiros e franceses, sobre as últimas cinco eleições presidenciais brasileiras e os caminhos que os partidos percorreram para chegar ao poder.

O pragmatismo que tomou conta historicamente da campanha eleitoral para presidente fará, segundo ele, com que tanto Dilma Rousseff, do PT, quanto José Serra, do PSDB, tenham que fazer alianças com políticos mal vistos pela opinião pública.

Até o momento, lembra Romero Jacob, as máquinas partidárias que atuam sobre as "estruturas de poder" existentes — as oligarquias nos grotões, os pastores pentecostais, os políticos populistas na periferia e a classe média urbana escolarizada — não estão em campo, mas fazendo os acordos políticos nos bastidores.

E são acordos que não envolvem ideologia, mas capacidade de ação partidária.

Somente em julho, após "os acordos feitos, dinheiro em caixa, marqueteiros contratados", é que as máquinas entrarão em ação.

Mas Romero Jacob salienta que trabalhar essas estruturas de poder não é o suficiente para eleger um presidente da República.

"Ter um cabo eleitoral lá no grotão é importante. Em 1994, Fernando Henrique teve 95% dos votos em Mamonas, na divisa de Minas com a Bahia. Mas há os fatores políticos fundamentais, como a conjuntura econômica atual, a popularidade do Lula, que são pontos fortes para a candidatura da Dilma Rousseff", analisa.

Mas ele também destaca como fraqueza a falta de experiência de disputa eleitoral de Dilma.

Romero Jacob compara o que está acontecendo com a candidata oficial ao que aconteceu com Lula em 2002: "Com Lula houve um 'reposicionamento de marca', saiu o operário radical de macacão e entrou o Lulinha Paz e Amor. A Dilma está tendo a imagem reconstruída ao vivo e a cores, física e politicamente.

O que vai prevalecer na percepção do grande público?", pergunta.

Ao contrário, o candidato tucano José Serra tem a força da experiência política e administrativa, mas tem uma fraqueza de discurso.

Romero Jacob explica: "Ele tentou em 2002 ser o candidato da 'continuidade sem continuísmo', uma mensagem ambígua. Hoje, ele continua ambíguo, uma espécie de oposição sem oposicionismo".

Para Romero Jacob, o candidato do PSDB está testando "o pós-Lula ou o anti-Lula".

A disputa tende a ser muito acirrada entre os dois, o que provocaria uma redução de votos da senadora Marina Silva, do Partido Verde.

A polarização entre PT e PSDB nas eleições presidenciais a partir de 1994 leva o cientista político Romero Jacob a não acreditar na viabilidade de uma terceira via eleitoral.

Seus estudos demonstram que não há nada em comum entre os terceiros colocados nas cinco eleições presidenciais.

Em 1989 foi Brizola, com 16% — com votos basicamente no Rio e Rio Grande do Sul; em 1994, Enéas, com 7% dos votos.

Segundo os mapas, os votos em Enéas foram conseguidos principalmente na periferia metropolitana, um voto que Romero Jacob define como "de protesto das viúvas do Collor", parte do eleitorado que, depois de 29 anos sem eleição, teve a decepção com um presidente destituído pelo impeachment e acusado de corrupção.

Um eleitorado de escolaridade mais baixa que encontrou em Enéas a maneira de demonstrar sua insatisfação.

Em 1998, o terceiro colocado foi Ciro Gomes, com 12%; em 2002, foi Garotinho, que é outro fenômeno, ligado aos evangélicos. Em 2006, a senadora Heloisa Helena, representando "as viúvas do Lula", segundo Romero Jacob. Um eleitorado petista que descobriu que a Carta ao Povo Brasileiro de Lula em 2002 era para valer, e se decepcionou com isso.

Na eleição deste ano, Romero Jacob acha que a senadora Marina Silva, candidata do Partido Verde à sucessão de Lula, corre o risco de reduzir seu eleitorado devido à polarização.

Para ele, a causa ambiental sensibiliza principalmente a classe média urbana escolarizada: "Consumo consciente é para quem já foi incorporado ao mercado de consumo. As classes C, D e E querem mais é consumir, não estão preocupados com os efeitos no meio ambiente".

Mesmo se Marina, que é evangélica, se transformasse na opção eleitoral desse segmento, Romero Jacob acha que a rejeição a um candidato marcado por essa definição é muito alta.

O livro de Romero Jacob demonstra, com análises da chamada "geografia eleitoral" dos candidatos, que tanto Collor quanto Fernando Henrique e Lula venceram com estratégias semelhantes, e que Lula passou a atuar nos mesmos territórios eleitorais que Fernando Henrique depois de ter perdido três eleições em que colocou a ideologia à frente do pragmatismo.

A mudança do arco de alianças do PT em 2002, que era sempre com PDT, PCdoB, PSB e foi se ampliar para receber o PL com a chegada de José Alencar para compor a chapa como vice de Lula, refletiuse imediatamente na sua "geografia eleitoral".

A votação de Lula caiu no Rio Grande do Sul, porque Brizola apoiou Ciro Gomes, e no Rio de Janeiro, por causa de Garotinho. Mas cresceu no Tocantins, no oeste da Bahia, no Maranhão, revelando as negociações com setores das oligarquias.

Segundo Romero Jacob, esses números não refletem um crescimento do PT, mas a adesão das oligarquias a Lula. Em 2006, Lula e Alckmin fazem uma campanha pragmática.

A geografia eleitoral de Lula sofre outra mudança. Já se vê a influência dos programas assistencialistas como o Bolsa Família, com o aumento da votação do petista no Nordeste e na Amazônia

26 de maio de 2010

EM EVENTO COM DILMA, SERRA VAI AO ATAQUE

Em evento com Dilma, Serra vai ao ataque

Serra e Dilma partem para o confronto

Autor(es): Christiane Samarco, Denise Madueño
O Estado de S. Paulo - 26/05/2010

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, deixou de lado o estilo pacífico em evento dos presidenciáveis na Confederação Nacional da Indústria. O tucano criticou Dilma Rousseff (PT) e disse faltar "planejamento e qualidade de gestão" ao governo Lula. Já Dilma atacou o "apagão de planejamento" na gestão FHC e tentou associar a Serra o risco de uma eventual instabilidade econômica.



"Falta qualidade de gestão e planejamento"

Pressionado pelas últimas pesquisas de intenção de voto que registraram queda da candidatura tucana e provocaram ansiedade em aliados e correligionários, o pré-candidato do PSDB a presidente, José Serra, deixou de lado o figurino "paz e amor". Em evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com a presença de Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), ele criticou o governo e chamou a petista para o debate.

A uma plateia de industriais e parlamentares, Serra elevou o tom das críticas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Falta planejamento, qualidade de gestão e falta capacidade para fazer sequenciamento dos investimentos segundo a ordem de prioridade", afirmou.

Sorteado para falar em segundo lugar, logo após Dilma, ele atacou as altas taxas de juros, a carga tributária, os baixos níveis de investimentos e criticou a importação de produtos chineses. Chegou a ironizar a petista. "Não entendi a explicação da Dilma quando ela defende a política cambial e de juros. Entra governo, sai governo, continuamos com os maiores juros do mundo", disse.

Interação. Em resposta à plateia que cobrava a redução de impostos, de juros e de encargos trabalhistas, Serra defendeu o fim de dois tributos na construção de infraestrutura em saneamento e afirmou que, caso eleito, haverá "uma proposta eliminando o PIS e o Cofins do saneamento no dia 2 de janeiro".

Serra repetiu os ataques ao aparelhamento político das agências reguladoras e de postos importantes do Executivo e falta de planejamento. "Por que um partido quer a diretoria financeira de uma empresa pública?", questionou. Ao final, fez questão de destacar que foi um dos primeiros a defender o tripé macroeconômico que inclui juros flutuantes, as metas de inflação e responsabilidade fiscal.

Bem humorado, até debochou do temor que o mercado teria de suas ideias. "Eu ajudei a erguer a mesa da economia do Brasil, não vou derrubar esta mesa", afirmou, para concluir sob aplausos: "O importante é que a gente olhe para frente."


"Brasil teve um apagão do planejamento"
Vera Rosa / BRASÍLIA
Disposta a dissipar rumores de que, se vencer a eleição, promoverá uma guinada à esquerda no Planalto, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, assumiu ontem compromisso com a estabilidade econômica e associou o risco de mudança ao adversário José Serra, do PSDB.

Primeira a responder às perguntas da sabatina promovida pela CNI, Dilma apresentou-se como a única garantia de continuidade de um governo bem avaliado. Em tom pausado, ela assegurou que respeitará os contratos e manterá a política de câmbio flutuante, combinada com metas de inflação e ajuste fiscal.

Para agradar à plateia de homens engravatados, Dilma foi mais longe e propôs a criação do Ministério da Micro, Pequena e Média Empresa. Não foi só: pregou a reforma de impostos que o governo não conseguiu aprovar no Congresso, chamou a situação tributária de "caótica" e disse que a desoneração da folha de salários é "fundamental". Na tentativa de neutralizar o discurso da gastança entoado por Serra, prometeu até cortar despesas, "desde que não comprometam os investimentos". Só não especificou onde seria a tesourada.

Meritocracia. "O Estado brasileiro tem de ser profissional e meritocrático, precisa ter gestão e regulação correta, sem prejuízo do setor privado", insistiu a ex-ministra da Casa Civil. Nas diretrizes do programa de governo, o PT defende um Estado forte.

Dilma lembrou que, quando assumiu o Ministério das Minas e Energia, em 2003, havia 20 motoristas e um engenheiro. "Não tenho nada contra motoristas, mas no passado foram feitos cortes irracionais e o Brasil teve um apagão do planejamento", criticou, numa referência ao governo de Fernando Henrique Cardoso.

Mais tarde, em entrevista, Dilma defendeu o preenchimento das vagas de agências reguladoras por "critérios técnicos". Em resposta a Serra, porém, ressalvou que "isso não significa acabar com indicação política". Ela também deu estocadas no tucano ao dizer que "todo mundo quer qualidade da educação, mas ninguém quer salário para o professor". Pouco antes de deixar o governo paulista, Serra enfrentou greve de professores.

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24 de maio de 2010

A NOVELA DA SUCESSÃO

DEU NO VALOR ECONÔMICO

LUIZ WERNWCK VIANA

Em uma democracia de massas, uma sucessão presidencial suspende a marcha ordinária da política, põe sob tela de juízo o script até então estabelecido e se abre às promessas da novidade. Como em uma novela, esse é um momento em que se começa a delinear o esboço de um próximo capítulo a partir da interpretação do que acaba de se viver. Toda história tem um autor, em princípio o senhor da trama que tece, mas todos já ouvimos falar da experiência de escritores que se surpreenderam quando viram personagens, nascidos da sua imaginação, ganharem animação autônoma, passando como que a agir por conta própria.

Quando há um processo de sucessão institucionalizado, mesmo em regimes políticos autoritários, como ocorreu aqui em tempos recentes, a mudança no comando político nunca é trivial - a passagem do bastão nos governos dos generais-presidentes Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, cada um deles levado ao poder por um círculo homogêneo de eleitores muito restrito, como se sabe, não desconheceu o conflito e a mudança de rumos.

No entanto, a presente sucessão transcorre, ao menos até aqui, de acordo com as estratégias dos dois principais candidatos, a de Serra e a de Dilma, como se o próximo capítulo - inevitavelmente, mais uma vez, sob a égide dos partidos de hegemonia paulista, o PT e o PSDB -, já estivesse comprometido a reprisar, com retoques, os anteriores. Tanto a retórica de Serra quanto a de Dilma apontam para essa direção, os dois reivindicando para si o papel de melhor intérprete para continuar um roteiro supostamente consagrado.

As diferenças se resumiriam a questões operacionais na condução da economia, como, por exemplo, na questão de juros e no grau de relativa autonomia a ser desfrutada pelo Banco Central diante das autoridades governamentais. Serra, como Aécio Neves preconizava, não seria um candidato de oposição, definindo-se como um pós-Lula. Dilma, por sua vez, seria Lula como um outro corpo do Rei, em vigília fiel de quatro anos à espera que seu verdadeiro titular reocupe seu lugar. Nesse jogo de simulações, o que importa, para uma candidatura, é a herança da popularidade de Lula, e, para a outra, não confrontá-la. Não importa que o cenário do mundo esteja mudando à frente de todos, como bem atesta a profundidade da crise da União Europeia, logo em seguida à crise financeira de fins de 2008. Como que indiferente a ele, a pauta dos candidatos segue obedecendo aos cálculos do marketing político.

Mas há algo nesse enredo que não encaixa. Se Dilma pode ser eleita pelo lulismo, não poderá governar com ele, na medida em que ele é atributo intransferível do carisma do seu inventor. Ela terá de governar com o PT e com a coalizão política que a eleger, na qual está o PMDB, com um dos seus cardeais instalado na Vice-Presidência da República. Por outro lado, o bordão nacional-popular não é próprio para a nova inscrição internacional do país e para as aspirações de projetar o capitalismo brasileiro na economia-mundo, que requer uma gramática dominada pelo pragmatismo.

Uma indicação disso está nas abdicaçôes de José Eduardo Dutra presidente do PT, e de Antonio Palocci, um condestável da política econômica, das suas pretensões eleitorais a fim de assumirem posições de comando na campanha eleitoral de Dilma. Caso ela seja eleita, não há outra leitura possível, ambos serão guindados ao seu ministério, além, é claro, do Henrique Meireles. De outra parte, Serra, mesmo que não confronte com o governo atual, para que seja um candidato competitivo, terá de sustentar outro andamento à história em que estamos há 16 anos envolvidos, apresentando alternativas persuasivas que garantam continuidade a ela, em especial em matérias como a da questão social e a do crescimento econômico. Nessa agenda, deve ser incluída a valorização de uma vida civil ativa e autônoma, uma vez que não são compatíveis com a nova democracia política brasileira as tendências que aí estão de estatalização dos movimentos sociais, inclusive dos sindicatos.

A novela que nos tem como seu público obrigatório, a essa altura incapaz de mobilizar paixões, destituída de suspense, com suas reviravoltas e artimanhas nossas velhas conhecidas, não deve passar pelo hiato da Copa do Mundo. Depois dela, cairão as máscaras da dissimulação, e o enredo ficará tenso e cheio de surpresas: é ainda possível manter, na frente agrária, o agronegócio sob a pressão dos movimentos sociais do tipo MST; como compatibilizar, com os dois lados ganhando, os interesses dos chamados ruralistas com um vigoroso movimento ambientalista, hoje identificado com uma candidatura presidencial?

Noutra ponta: o nacional-desenvolvimentismo, com seus imperativos políticos de projeção do poder nacional, pode encontrar lugar em uma economia conduzida pelo eixo Henrique Meirelles-Antonio Palocci? Qual a dialética que poderá sustentar a política externa atual com as necessidades, a essa altura inarredáveis, do país ocupar uma posição entre os grandes do mundo? As demandas pelas reformas trabalhista e previdenciária, desejadas pelo empresariado, como se haverão com a resistência dos sindicatos, hoje, em franco processo de recuperação da sua força de outrora? Lula, no seu tempo, que já não é o de agora, pôde conciliar esses antagonismos. Alguém mais pode?

Luiz Werneck Vianna é professor-pesquisador do Iuperj e ex-presidente da Anpocs. Escreve às segundas-feiras

23 de maio de 2010

OS TRÊS FARÓIS DO VOTO

Gaudêncio Torquato
O Estado de S.Paulo- 23/05/10


O que o eleitor leva mais em consideração na hora de votar: benefícios sociais e econômicos proporcionados por governos ou a trajetória de vida dos candidatos? Essa é a mais instigante questão no fórum de análises que se abre na presente quadra político-eleitoral. A interrogação acirra a polêmica que, a esta altura, se espraia por alas simpatizantes de candidatos, tendo como cerne os principais atores do pleito presidencial de outubro: José Serra, com densa experiência política e administrativa nas esferas federal, estadual e municipal; Dilma Rousseff, cuja identidade ganhou força na era Lula, mas sem nunca ter obtido um voto; e Marina Silva, com trajeto no Executivo e no Legislativo, encarnando a simbologia em defesa do meio ambiente. A última pesquisa Sensus traz uma pista para desvendar a dúvida, com as alternativas apresentadas aos eleitores: na hora de votar, 44% levarão em conta benefícios econômicos e sociais concedidos no governo Lula, enquanto 35% se deterão sobre o currículo dos candidatos.
A pequena diferença entre as porcentagens denota que os dois fatores serão fundamentais. A primeira leitura é a de que o eleitor tende a escolher ora degustando o menu econômico posto na mesa social, ora avaliando capacidades dos candidatos. Há, porém, uma teia que sugere bifurcações na tomada de decisão do eleitor. Os simpatizantes do fator econômico não votarão necessariamente na candidata situacionista, como se poderia aduzir, e parcela dos conjuntos que apontam como fator mais importante atributos do candidato poderá recusar o sufrágio no candidato oposicionista. Aliás, a pesquisa Sensus confirma a hipótese ao mostrar que 46% dos assistidos com o Bolsa-Família e o Primeiro Emprego (programas do governo) pretendem votar em Dilma e 33%, em Serra. As opções contidas na questão mexem com outros componentes do processo decisório, como condições do votante, geografia eleitoral, patronos e clima ambiental. Essas variáveis favorecem o voto à moda Frankenstein, mistura de uns com outros. Em muitos Estados, a esta altura, já se serve salada mista. Além disso, cada pleito tem seu caráter, uma identidade que o difere de outros. Não é razoável comparar o pleito deste ano com o de 2002. Naquele tempo, Fernando Henrique Cardoso tinha baixa avaliação. A cota de votos do Plano Real fora esgotada. Já as eleições deste ano, mesmo tirando Lula do cartaz, não afetam seu prestígio.
O prato econômico será o mais disputado na mesa eleitoral. Numa escala até 100, é razoável supor que lidere a medição com cerca de 40%. O empuxo gerado pela economia tem que ver com o instinto de sobrevivência do indivíduo. Para efeitos eleitorais, ele se apresenta na forma de vantagens econômicas e satisfações materiais, superação de dificuldades, ascensão de pessoas na escada social, conforto, harmonia doméstica e bem-estar geral. O voto que sai dessa equação recebe um selo de origem. É provável que habitantes do andar de baixo sejam mais generosos com perfis ligados aos benefícios econômicos, enquanto habitantes dos andares de cima, mais exigentes, podem puxar o voto do bolso para a cabeça. E esse voto consciente se expande pelos estratos médios das metrópoles e dos polos mais desenvolvidos. Distingue-se, portanto, a escolha racional da opção emotiva, sendo esta última comum no Nordeste. Aí, outro condicionante se soma à força do fator econômico: os senhores da política.
É bom lembrar que o voto, mesmo se afastando do grilhão dos caciques, ainda é influenciado por ele. Grandes bolsões eleitorais seguem o cabresto curto de chefões. Outro grupo frequenta a fila dos donos de fatias na administração pública, enquanto parcela ponderável, no pleito deste ano, seguirá o comando do mestre Lula. Essa parcela de votação colada ao mando é de aproximadamente 30% do eleitorado. Nessa área, o poder se reparte entre situação e oposição. E é nessa divisão que emerge a influência do maior senhor da política hoje, o cabo eleitoral Luiz Inácio. Desempenhará, seguramente, papel importante. Basta anotar a atual intenção de voto em Dilma, que vem por atração do ímã presidencial.
Definido o poderio exógeno, resta aos candidatos a força endógena, simbolizada por seu currículo. Na escala de pontuação, as qualidades individuais somam algo como 30%. Mas o acervo pessoal não terá força, quando considerado isoladamente, fora do contexto que o cerca. Daí por que os candidatos precisam inscrever seus relatos no livro de compromissos para o Brasil. Currículo espetacular precisa ser acompanhado de escopos interessantes. Da mesma forma, boas ideias só convencem quando a fonte é crível. Portanto, a química de resultados parte da relação intrínseca entre os elementos da composição. O que e como dizer uma proposta? Tecnicismo demais ou simplicidade de menos podem zerar o jogo. Arrumar uma semântica capaz de entrar na cachola do eleitor, sem se tornar demagogia, é um exercício que pode ser testado no intervalo que o País concederá aos candidatos por ocasião da Copa. Grande porção de ideias se perde. Pesquisas europeias mostram que apenas 7% do impacto do discurso depende do conteúdo, enquanto as comunicações não verbais são responsáveis por 93% da eficácia. Destas, 55% provêm de expressões faciais e 38%, de elementos paralinguísticos - voz, entonação, gestos e postura. Não por acaso, os candidatos começam a caprichar no aspecto visual.
Portanto, há desafios de monta a serem enfrentados pelos três principais atores. Dilma precisa demonstrar que, sem histórico eleitoral, tem competência para governar o Brasil. Serra deve convencer de que é o melhor para substituir Lula. Marina tem de sair da redoma ambiental e frequentar o fórum nacional de questões. A tentativa de cada um passará pelo túnel onde se encontram os três faróis que orientarão o voto: economia, patrocinadores e qualidades pessoais.
Da solução desta equação sairá o vencedor

SEGUNDO PSDB, SUBIDA DE DILMA REFLETE BURLA A LEI

DEU EM O GLOBO

Programa partidário na TV é aposta para Serra voltar a liderar

Catarina Alencastro

BRASÍLIA. Para o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), o crescimento da précandidata petista à Presidência na pesquisa Datafolha — e, consequentemente, o empate técnico com o tucano José Serra — é resultado da exposição intensa que Dilma Rousseff teve em maio. Especialmente, segundo ele, com a propaganda do PT na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece narrando a história da exministra.

Sérgio Guerra aposta que José Serra começará a campanha oficial, em julho, novamente à frente de Dilma.

— A pesquisa evidencia o resultado de forte exposição e o não cumprimento integral da lei.

A exibição de candidatos na TV afeta as intenções de voto. Maio foi o mês deles. Junho será o nosso — aposta Guerra.

Aliados de Serra acreditam que a balança voltará a pender para o lado tucano em junho, quando vai ao ar o programa partidário do PSDB e seus aliados. Embora acuse o PT de desrespeito à lei eleitoral, o PSDB também deverá aproveitar o espaço na TV para alavancar a imagem de seu candidato.

Tucano diz que exibição na TV afeta intenção de voto Sérgio Guerra ressalta que Dilma tem aparecido sem a preocupação do contraditório, o que levou ao empate técnico: — Nós próximos dias, haverá o programa partidário e nosso candidato aparecerá.

Tudo indica que chegaremos à campanha propriamente dita muito na frente.

Para o PT, a escalada de sete pontos percentuais de Dilma mostra que Lula acertou ao escolher sua ex-ministra chefe da Casa Civil para sucedê-lo. Alguns já contam com a vitória: — Hoje, a minha avaliação é que a Dilma ganha as eleições — comemorou o deputado Arlindo Chinaglia, líder em exercício do PT na Câmara.

Mais cauteloso, o presidente do partido, José Eduardo Dutra (SE), disse que a pesquisa só confirma a competitividade da candidata. Para ele, os números mostram que quando a campanha começar oficialmente, em 5 de julho, Dilma e Serra estarão “em situação de equilíbrio”: Mais cedo, no Twitter, Dutra ironizara, com trocadilho: “Agora, todos os institutos estão de acordo. Dilma subindo e a oposição descendo a Serra.” O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), disse que Serra cai nas pesquisas por soar falso.

O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), aposta na vitória de Serra por margem pequena de votos. O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), disse no Twitter: “A pesquisa Datafolha, essa sim séria e respeitada, demonstra a consolidação de joseserra”.

“Para @dilmabr apenas empatar, ela teve que desrespeitar leis, ser punida quatro vezes pelo TSE, usar a máquina pública e fraudar currículo


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22 de maio de 2010

DILMA CRESCE 7% E EMPATA COM SERRA


Datafolha diz que os dois têm 37% das intenções de voto para a Presidência



Pesquisa Datafolha divulgada deste sábado mostra que a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, subiu sete pontos percentuais e aparece empatada com o ex-governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, Nesta última pesquisa, Dilma e Serra aparecem com 37% das intenções de voto, cada um. Marina Silva (PV) aparece com 12%.

A pesquisa ouviu 2.660 pessoas entre quinta (20) e sexta-feira (21). No último levantamento, realizado em abril, Dilma tinha 30%, enquanto Serra aparecia com 42%. Outra candidata que ganhou intenções de voto foi Marina Silva, do PV, que está em terceiro lugar na disputa: ela passou de 10% no mês passado para 12% agora. A margem é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O levantamento reflete, entre outros fatores, a exposição de Dilma nas inserções do PT na TV e nas rádios na última semana. Outro motivo importante foi a saída da disputa do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Pressionado pelo seu partido, ele deixou a corrida presidencial no fim do mês passado e a indicação é que a petista está se beneficiando pela migração da parcela da população interessada em votar em Ciro.

A pré-candidata do PT está à frente do tucano na pesquisa espontânea, na qual não são oferecidos ao entrevistado os nomes dos candidatos. Ela aparece com 19%, contra 13% em abril, enquanto ele tem 14%. Apesar disso, a intenção de voto em Dilma pode ser maior, pois 5% das pessoas disseram que iriam votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de ele não ser candidato, e 3% afirmaram que iriam escolher o "candidato do Lula".

Na simulação de segundo turno, a pesquisa aponta empate técnico, em que Dilma tem 46 por cento das intenções, contra 45 por cento de Serra.

Essa é a terceira pesquisa a apontar um fortalecimento de Dilma na corrida eleitoral. Um levantamento divulgado na última segunda-feira (17) pela CNT/Sensus mostrou a candidata do PT com 35,7% das intenções de voto na disputa pela Presidência, contra 33,2% do adversário do PSDB.

Embora a petista tenha ficado à frente do tucano, o resultado ainda pode ser considerado empate técnico. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. A pré-candidata do PV, Marina Silva, apareceu em terceiro lugar na corrida eleitoral, com 7,3% das intenções do eleitorado.

No último final de semana, a ex-ministra da Casa Civil apareceu pela primeira vez à frente do adversário tucano, segundo pesquisa feita pelo instituto Vox Populi. De acordo com o levantamento, Dilma tinha 38% das intenções de voto, enquanto Serra aparecia com 35%.

Esta é a melhor marca obtida por Dilma, que avançou sete pontos percentuais em relação à pesquisa de abril, quando aparecia com 30% das intenções de voto, e, agora, está empatada com seu concorrente direto Na mesma comparação, Serra perdeu cinco pontos percentuais. Já Marina segue estável com a mesma taxa de intenção de voto.

Mas vamos às conclusões que se devem tirar do levantamento. Em primeiro lugar, a despeito da igualdade, a pesquisa traz em seu bojo, dados que conferem a Dilma, aos olhos de hoje, a aparência de favorita.

Dilma avança na pesquisa espontânea, e diminui sua taxa de rejeição, enquanto a de Serra aumentou.

Finalmente, acabou chegando o empate que muitos previram para janeiro ou fevereiro. Mas, esse empate chegou somente no final de maio. Chegou depois de intensa propaganda irregular, objeto de condenação pela justiça eleitoral. Os petistas têm, obviamente, razões para comemorar. Como eles são inclinados ao delírio e a megalomania, é quase certo que dentro em pouco eles passem a comemorar e a cantar vitória já, no primeiro turno. E os tucanos têm mesmo de se preocupar. Mas estamos ainda muito distantes de derrotas e triunfos definitivos.

Não se pode desconhecer que o governo Lula é um governo inequivocamente popular, e o presidente faz campanha eleitoral abertamente, e participa em primeiro plano de toda a campanha. Diante dessa constatação era evidente que sua candidata haveria de subir. Não se podia esperar o contrário. Portanto, os números do levantamento são realistas e correspondem ao momento em que esse empate se dá. Tanto que esse empate vem sendo anunciado há muito tempo.

Em março, Dilma estava crescendo, com Serra estacionado ou caindo. Em abril, foi o contrário: Dilma parou de subir e Serra abriu vantagem. Foi o momento do lançamento das candidaturas.

Depois, foram divulgadas duas pesquisas presidenciais que invertiam as tendências no período (Vox Populi e Sensus). Essas pesquisas são até hoje criticadas, tendo TSE aplicado multa no Instituto Sensus que praticou irregularidades em seu levantamento. Serra. As duas pesquisas, somadas a outors fatores ajudaram a mudar o quadro.

Vamos ver esses outros fatores: programa político do PT, convertido em horário eleitoral, levando Lula para o primeiro plano da campanha eleitoral, obrigando a oposição a enfrentar o patrocinador da candidata que nunca havia disputado uma eleição. A estrela do jogo, para infortúnio da oposição não é a candidata rival, mas o próprio presidente que colocou na campanha toda a máquina governamental, reforçando a campanha com a máquina partidária com o partido levando ao ar suas curtas inserções de rádio e TV, de caráter marcadamente eleitorais em favor de Dilma, sem esquecer que Lula saudou o Dia do Trabalho com um programa eleitoreiro.

Além disso tudo, a mudança da tendência, á parte o programa e as inserções do PT, que colocaram em evidência a candidata do governo ao lado de Lula, a oscilação também é resultado do comportamento dos candidatos. Ao contrário do que aconteceu largada da campanha eleitoral, parece que a campanha de Dilma corrigiu os rumos errantes, centralizando o comando nas mãos do presidente do PT, José Eduardo Dutra, ao mesmo tempo em que a imprensa dava destaque aos primeiros sinais de pouca paciência de Serra com jornalistas. Também, deve ser observado que parte do mercado, que é favorável a Serra, não engoliu sua critica aos juros do Banco Central, nem a rede Globo gostou da reação do candidato a pergunta que lhe foi formulada por Mirian Leitão.

Mas, campanha eleitoral é assim mesmo. Daqui a três semanas, com a realização das convenções, a campanha vai entrar em um nova fase que vai até o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, a partir de agosto.

A campanha está só no começo. Surpresas sempre podem acontecer. Não tem nada definido até agora, a não ser o papel coadjuvante de Marina Silva nestas eleições.

A campanha de Dilma vai seguir o roteiro traçado, Lula, patrocinador da candidata vai protagonizar a campanha, usar a máquina governamental, passar por cima da legislação. Ele tem consciência do risco, comandando uma campanha que se dá fora de todos os parâmetros, com a legislação eleitoral não sendo observada, pois a aplicação de multas compensa o desrespeito à lei. Lula fez sua avaliação, ele acredita que sua elevada popularidade vai impedir a aplicação de uma pena maior, de conseqüência mais séria.

A tendência natural é que Serra se torne mais crítico em relação ao governo e à sua candidata, como já começou a fazer, ao mesmo tempo em que se torna necessário ter consciência que a disputa é contra a máquina governamental, ainda há muita coisa pela frente, como horário eleitoral gratuito, debates etc.

Dentro de um cenário, agora, bem mais realista, Serra e os partidos que o apóiam têm pela frente três programas, com tempo de 10 minutos na TV: DEM (27 de maio), PPS (10 de junho) e PSDB (27 de junho). O espaço para crescimento de Dilma ficou menor. A população assiste Tv, e os programas do PT já demonstraram exaustivamente que ela é a candidata do Lula.



Notícias realcionadas
1. Aliados controversos exigem malabarismos dos candidatos
2. PT comemora nova pesquisa com cautela
3. PSDB prepara ação contra progrma do PT
4. ÁLVARO DIAS protesta contra programa do PT
5. PT transforma programa em campanha para Dilma
6. Campanha tem judicialização precoce
7. Serra e Dilma partem para TV
8. Globo muda nome de programa devido pressão do PT

20 de maio de 2010

DILMA VETA VÍDEO

Veja o vídeo sobre prefeitos que Dilma vetou



Fábio Góis

Um episódio causou polêmica nesta quarta-feira (19) durante a 13ª Marcha em Defesa dos Municípios, que transcorre até esta quinta-feira (20) em Brasília. Com a presença dos três principais pré-candidatos à Presidência da República – Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) –, um vídeo seria veiculado pela organização do evento.

Seria, porque a tropa de choque de Dilma correu para impedir a veiculação do filme. O motivo: a situação demonstrada no desenho animado dos prefeitos poderia ser interpretada como uma alusão ao atual governo. O vídeo, na verdade, não faz qualquer menção ao governo Lula ou a qualquer outro. Só menciona as dificuldades burocráticas que os prefeitos têm para liberar recursos e os riscos que correm de incorrer em irregularidades se tentam resolver eventuais atrasos passando por cima das normas legais.

O veto da equipe de Dilma, porém, acabou repercutindo mal. No encontro, o principal adversário de Dilma, José Serra, do PSDB, chegou a lamentar a não veiculação do vídeo.

1. Veja abaixo o vídeo vetado:

19 de maio de 2010

PMDB CONFIRMA MICHEL TEMER COMO VICE DE DILMA

Segundo Romero Jucá, o presidente da Câmara representa a 'unanimidade' do partido




BRASÍLIA - A Executiva do PMDB aprovou por unanimidade, o nome do deputado federal Michel Temer (SP), como pré-candidato à vice-presidente na chapa encabeçada pela ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, do PT. A informação foi repassada aos jornalistas pelo líder do partido no Senado, Romero Jucá (RR).

Aprovado pelo PMDB, Temer se diz 'orgulhoso' do partido

"Aprovamos por unanimidade a indicação do presidente Michel Temer para compor a chapa de vice da ministra Dilma", disse o senador. "Depois aprovamos a indicação para composição majoritária da questão de aliança dos partidos da base PT e PMDB".

Jucá fez questão de ressaltar que Michel Temer, presidente do PMDB, representa a unanimidade do partido. "O presidente Michel Temer é praticamente uma unanimidade no partido. Existem muito poucas vozes dissonantes. A decisão da Executiva foi unânime e representa a unidade do PMDB", completou.

O anúncio oficial da aliança entre Temer e Dilma para concorrerem à sucessão presidencial será no dia 12 de junho, na Convenção Nacional do PMDB.

TSE DÁ TERCEIRA MULTA A LULA E PUNE INSTITUTO DE PESQUISA


Autor(es): FELIPE SELIGMAN - DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Folha de S. Paulo - 19/05/2010

TSE dá terceira multa a Lula

TSE multa Lula pela 3ª vez por propaganda antecipada

TSE pune também instituto de pesquisa - Sensus


Plenário entendeu que presidente defendeu candidatura da petista em fevereiro passado

Tribunal também multou o Instituto Sensus em R$ 53 mil por não ter respeitado o prazo legal para divulgar uma pesquisa eleitoral



O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) multou ontem pela terceira vez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por propaganda eleitoral antecipada em favor da pré-candidata petista à Presidência Dilma Rousseff. Ele terá que pagar R$ 5.000.

Já Dilma foi poupada porque a corte entendeu que ela não é responsável pelas declarações.

O tribunal também decidiu multar, desta vez em R$ 53 mil, o Instituto Sensus, por não ter respeitado o prazo de cinco dias entre o registro de uma pesquisa eleitoral e sua divulgação. A assessoria de imprensa do instituto informou ontem à noite que a defesa estuda recurso.

No caso de Lula, os ministros entenderam, por 4 votos a 3, que seu discurso na inauguração de prédios de uma universidade em Teófilo Otoni (MG), ocorrida em fevereiro deste ano, foi claramente favorável à pré-candidatura de Dilma.

No evento, o público começou a gritar o nome da pré-candidata petista. Lula respondeu ao público, sem citar o nome de sua então ministra: "Não posso falar o que vocês estão falando".

Depois, porém, ele afirmou: "Vamos fazer a sucessão para dar continuidade ao que nós estamos fazendo. Porque este país não pode retroceder. Este país não pode voltar para trás como se fosse um caranguejo".

A representação foi proposta por PSDB, DEM e PPS. A oposição alegou que o verdadeiro propósito da viagem do presidente teria sido "propagandear que vai fazer a sua sucessão". Lula já foi multado outras duas vezes, em R$ 5.000 e R$ 10 mil, pelo TSE, pelo mesmo motivo da penalidade aplicada ontem.

A primeira multa foi por conta de um discurso feito em evento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Rio. A segunda, na inauguração de um sindicato em São Paulo.

"Houve propaganda antecipada em função da interação entre a fala de Lula e o publico presente", afirmou o ministro Aldir Passarinho em relação ao evento de Teóflio Otoni.

O ministro inicialmente havia negado o pedido, em decisão monocrática, mas mudou de posição ontem. Também votaram pela aplicação da multa os ministros Arnaldo Versiani, Cármen Lúcia e Marco Aurélio. Ficaram vencidos os colegas Marcelo Ribeiro, Nancy Andrighi e Ricardo Lewandowski.

Na semana passada, o tribunal decidiu multar Dilma e o PT, em R$ 5.000 e R$ 20 mil respectivamente, também por propaganda eleitoral antecipada, desta vez no programa partidário do PT, em dezembro.

No caso da pesquisa, o caso foi revelado pela Folha. Em 5 de abril deste ano, o Sensus registrou uma pesquisa de intenção de voto para a sucessão presidencial, mas indicou como contratante um sindicato (o Sindecrep, de trabalhadores em concessionárias de rodovias) que, na realidade, não encomendou a pesquisa.

Quatro dias depois, o instituto reconheceu que havia ocorrido um "erro material" e ratificou a informação, afirmando ao TSE que o verdadeiro contratante era o Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada e Afins do Estado de SP).

O problema é que a pesquisa foi divulgada em 13 de abril, menos de cinco dias úteis após a correção. Os advogados do Sensus alegaram que o prazo deveria ser contado a partir de 5 de abril, mas os ministros do TSE entenderam, por 6 votos a 1, que o instituto deveria usar a data na qual a informação do contratante foi corrigida.

17 de maio de 2010

" SEREI DOADOR, MAS NÃO SEREI O ÚNICO", DIZ LEAL

"


Folha de S. Paulo - 17/05/2010

DO ENVIADO A NOVA IGUAÇU

Depois de longas conversas com sócios, amigos e parentes, o empresário Guilherme Leal, 60, aceitou se licenciar da direção da Natura para ser o vice de Marina Silva. Engajado na criação de ONGs como o Instituto Ethos e a Fundação Abrinq, concorrerá pela primeira vez a um cargo eletivo. Após a festa do PV, ele disse à Folha que a decisão foi "muito difícil" e que se dedicará a construir pontes com o empresariado. (BMF)

FOLHA - Sua presença como vice aumenta a confiabilidade de Marina entre empresários?
GUILHERME LEAL - Espero que sim [risos]. À medida que isso está definido, muitos empresários têm simpatia, sim. Muitos me estimularam, de alguma forma, a esse movimento cívico. E corajoso.

FOLHA - Pretende ajudar a atrair doações de campanha?
LEAL - Existe uma estrutura que está sendo montada, com transparência e compromisso ético. O processo de captação está aí. Sabemos que não somos os ricos do pedaço.

FOLHA - O sr. vai ser doador?
LEAL - Vou, mas não o único. Pretendemos que a campanha seja financiada de uma maneira bastante distribuída. Todas as análises dizem que Marina pode mobilizar redes sociais. Espera-se que em termos de arrecadação isso também aconteça.

FOLHA - Qual a quantia necessária para a candidatura?
LEAL - Isso está sendo trabalhado. A campanha vai se ajustando às realidades. É um pouco desejo e um pouco possibilidade.

FOLHA - O senhor já decidiu o valor da sua contribuição?
LEAL - Não. Vai se construindo na medida em que a necessidade exista e numa proporção razoável.

FOLHA - Por que se licenciar da direção da Natura?
LEAL - Legalmente, não haveria necessidade, mas vou pedir afastamento do conselho. Não deixarei de ser acionista, mas sem qualquer influência nas decisões da Natura.

FOLHA - Teme alguma represália contra a empresa?
LEAL - A gente espera que a democracia seja respeitada. Da mesma forma como a Marina diz que não quer o embate com os adversários, a gente espera que isso prevaleça.
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BRIGAS NO RIO AMEAÇAM CRESCIMENTO DO PV

O Estado de S. Paulo - 17/05/2010




Considerado o Estado onde a candidatura de Marina Silva tem mais chances de crescer, o Rio de Janeiro é palco de uma briga interna no PV local que pode atrapalhar os planos. São visíveis os desentendimentos entre o pré-candidato da legenda ao governo do Rio, Fernando Gabeira (PV-RJ), e o presidente regional da sigla, o vereador Alfredo Sirkis, que também é coordenador da pré-campanha de Marina.

A candidatura de Gabeira será oficializada no domingo, em pré-convenção conjunta dos diretórios regionais do PV, PSDB, DEM e PPS. Sirkis não aceita o acordo com o DEM e o compromisso de apoiar a candidatura do ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, ao Senado. Lançou o nome da vereadora Aspásia Camargo como candidata independente.

Ontem, Gabeira subiu o tom. Afirmou ser um contrassenso o PV se insurgir contra decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Existem situações imaginárias de pessoas que estão fora da realidade. A coligação está formada e tem dois candidatos. Não há outro caminho", disse. "As pessoas estão delirando."

O racha no PV do Rio pôde ser medido numa conversa de Aspásia com um assessor, antes do início da coletiva de Marina. A vereadora disse que não se sentaria à mesa para que Gabeira também não se sentasse. Queria evitar polêmica, "porque estamos vivendo uma guerra de guerrilha". Como Gabeira foi convocado por Marina a participar da coletiva, a vereadora, mencionada como dirigente nacional do PV, também se sentou à mesa.
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ALIADOS CONTROVERSOS EXIGEM MALABARISMO DE SERRA E DILMA

CATIA SEABRA - DA REPORTAGEM LOCAL
Folha de S. Paulo - 17/05/2010


Pré-candidatos tentam herdar eleitorado de caciques, mas querem evitar desgaste político

Para evitar peso negativo de possíveis aliados, PT e PSDB usam estratégia de dividir a atenção em mais de um palanque em alguns Estados



Collor, Sarney, Garotinho, Roriz. Donos de robusto cacife eleitoral, mas alvos de rejeição, esses cabos eleitorais têm exigido malabarismo de pré-candidaturas à Presidência. Em incursões pelos Estados, os pré-candidatos do PSDB, José Serra, e do PT, Dilma Rousseff, se equilibram para herdar votos, mas não o desgaste político.

Para ampliar o eleitorado sem arcar com o peso da exclusividade desses palanques, uma estratégia tem sido dividir a atenção entre dois candidatos num mesmo Estado.

Em Alagoas, por exemplo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declara preferência pelo pedetista Ronaldo Lessa na corrida pelo governo do Estado. Mas chama de legítima a pré-candidatura de Fernando Collor de Mello (PTB).

"O Lula diz que sou o candidato dele. Mas a Dilma não tem como recusar um palanque do Collor. Se ela for num comício meu numa cidade grande e no do Collor num grotão, melhor para ela", resume Lessa.

Em conversa com o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra (SE), ele avisou: "Vocês vão ter de descascar esse abacaxi [o apoio de Collor]".

Afirmando que foi Collor quem decidiu romper com um acordo no Estado, o deputado petista Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, reconhece, porém, que é mais confortável estar em palanque separado. "Além disso, vamos esperar para ver o cenário", justifica.

Depois de tentar demovê-la da ideia de concorrer à reeleição, o comando nacional do PSDB avisou à governadora Yeda Crusius -cujo governo foi alvo de denúncias- que ela não poderá exigir exclusividade de Serra no Rio Grande do Sul.

Em sua última visita ao Estado, ele se reuniu com Yeda a portas fechadas e caminhou com o José Fogaça (PMDB) por mais de 50 minutos pelo saguão do aeroporto. Ao lado do ex-prefeito, posou para fotos.

"Nosso medo era que o PSDB impedisse a candidatura", disse o presidente estadual do PSDB, Claudio Diaz.

No Maranhão, os peemedebistas começam a desconfiar que o "racha" entre duas candidaturas é fruto de estratégia para beneficiar Dilma.

Enquanto Lula promete apoio formal do PT à candidatura da governadora Roseana Sarney (PMDB), os radicais do partido resistem ao acordo.

Roseana -que abriu duas secretarias para o PT mesmo depois de uma opção do partido pelo PC do B- insiste no apoio do presidente Lula.

O caso do candidato do PR ao governo do Rio, Anthony Garotinho, é um clássico. Tanto PT como PSDB já conversaram com o ex-governador em busca de seu apoio no Estado. Mas os dois partidos veem constrangimento numa composição formal com ele.

Em alguns casos, a avaliação é a de que um apoio não vale tanto quanto pesa. Não é à toa que o PSDB descartou o Distrito Federal como palco para sua convenção nacional, no dia 12.

Embora o PSDB tenha negociado uma aliança formal com o PSC, faz questão de adiantar que o pacote não inclui o acordo com o ex-governador Joaquim Roriz.

Em São Paulo, o PT avaliou que seria melhor ter o PP como adversário do que como aliado. Ainda principal nome do PP no Estado, o ex-governador Paulo Maluf se queixou a interlocutores de Dilma. Segundo parlamentares do PP, a ex-ministra usou, em suas saudações, a expressão "deputados presentes", numa solenidade em que Maluf era o único parlamentar.

Recentemente, em entrevista à radio CBN, Serra evocou Collor e Sarney para minimizar o eventual apoio de Maluf à sua candidatura.

"Não é o PP do Maluf. Maluf é um. Tem muita gente, como tem o partido do Collor, que é até o PTB. O Collor vai apoiar a Dilma. E seu partido não sei por onde vai", disse Serra.

Tem o Sarney. Tem vários homens públicos importantes ou que foram importantes e que estão divididos entre diversas áreas. Vou querer somar ao máximo os apoios com base no meu programa, nas ideias que apresento, para poder chegar à população em todos os cantos do Brasil", alegou Serra.

Presidente nacional do PT, Dutra duvida que o tema venha a dominar o debate eleitoral.

"Não existe apoio desconfortável. E não é isso que estará no debate. Se um for puxar [o assunto] de um lado, o adversário vai fazer liga de outro."


'O BRASIL AINDA FAZ O DISCURSO DO SÉCULO XX'

Autor(es): Agência O Globo/Chico Otavio e Ludmilla de Lima

O Globo - 17/05/2010



Ao lançar sua candidatura à Presidência com uma festa em Nova Iguaçu, a ex-senadora Marina Silva (PV) associou seus principais adversários - Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) - ao atraso ambiental. "As duas candidaturas são muito parecidas: estão discutindo desenvolvimento pelo desenvolvimento", criticou. Gilberto Gil mudou a letra de sua música "Andar com fé" para manifestar apoio a Marina, que foi a primeira a apresentar seu candidato a vice-presidente: o empresário Guilherme Leal, dono da Natura.

ELEIÇÕES 2010

Verde lança candidatura e apresenta empresário Guilherme Leal como vice

De um lado, a velha e defasada política desenvolvimentista, associada ao tucano José Serra e à petista Dilma Rousseff. Do outro, a visão moderna, defendida pelos verdes e sintonizada com a economia sustentável que avança pelo planeta. Foi assim que Marina Silva se apresentou ontem ao eleitorado na festa de lançamento de sua pré-candidatura, na casa de shows RioSampa, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.

No evento - que confirmou o nome do empresário Guilherme Leal, dono da Natura, como pré-candidato a vice-presidente em sua chapa - Marina abandonou o habitual tom diplomático de seu discurso para marcar a diferença dos verdes frente aos candidatos de PT e PSDB:

- As duas candidaturas são muito parecidas: estão discutindo desenvolvimento pelo desenvolvimento, velho paradigma do século XX, quando o mundo inteiro está mudando: a China, o Obama, que está fazendo um investimento muito grande na economia de baixo carbono. E o Brasil ainda está fazendo o discurso do século XX.

Gil anuncia seu apoio em letra de música

Em sua primeira aparição pública ao lado da pré-candidata, o cantor e compositor Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura do governo Lula (2003-2008), reforçou as críticas de Marina. Depois de levantar o público ao cantar "Andar com fé" fazendo uma leve mudança na letra ("Andá com Marina eu vou, que a fé não costuma faiá"), Gil disse que os verdes levam o debate para novos patamares:

- A candidatura da Marina desloca muitas coisas para além do desenvolvimentismo clássico, ao qual vários partidos, o PT e o PSDB, inclusive, estão atados.

Apesar dos elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do mesmo PSDB que deverá unir-se aos verdes no Rio, Marina disse temer que a visão desenvolvimentista dos petistas - "o PT não se conectou ao século XXI" - e tucanos custe caro ao país futuramente.

A exemplo de Lula, a pré-candidata apelou até para uma metáfora de futebol para criticar a estagnação nacional, enquanto o mundo estaria elaborando um novo pensamento para os velhos problemas em relação à destruição ambiental:

- Daqui a pouco, o carbono vai estar "precificado", vamos ter barreiras tarifárias e um monte de consequências. Continuamos olhando para onde a bola está e não para onde ela vai estar.

Ecologia até no uso da própria voz

Marina, que começou o discurso anunciando que faria o "manejo sustentável da voz", devido a um final de gripe, não poupou a garganta. Seu discurso, que durou mais de uma hora, abusou da linguagem ecológica e voltou ao ataque quando citou a postura de petistas no episódio da frustrada candidatura de Ciro Gomes à sucessão pelo PSB. Após lamentar a "operação de guerra" montada para impedir o lançamento, ela explicou, em entrevista coletiva, as razões da crítica:

- Democracia tem valor incalculável. É alternância do poder. A movimentação no sentido de diminuir a possibilidade das escolhas no primeiro turno é uma incoerência com a democracia.

O evento na RioSampa reuniu, além de Marina e seu candidato a vice, Guilherme Leal, os candidatos do PV aos governos de São Paulo, Fábio Feldmann; Pernambuco, Sérgio Xavier; e Rio, Fernando Gabeira; além do poeta Thiago de Mello e da cantora Adriana Calcanhoto, que improvisou, a pedidos, a música "Cariocas". A organização estimou em três mil o número de presentes, mas os vazios em alguns setores da casa de shows indicavam que o comparecimento era de um terço desse número.

Ao longo do evento - monitorado por três fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) -, a militância foi deixando o RioSampa. No último discurso de Marina, restavam poucas pessoas na casa de shows. As filhas da pré-candidata, Mayara e Moara, estiveram presentes.

Notícia Relacionada

PT COMEMORA NOVA PESQUISA COM CAUTELA

Folha de S. Paulo - 17/05/2010

DA REPORTAGEM LOCAL

DA AGÊNCIA FOLHA, EM SALVADOR

O PT comemorou, mas com cautela, o resultado da última pesquisa Vox Populi sobre a disputa presidencial. Segundo o instituto, contratado pela Rede Bandeirantes, Dilma Rousseff (PT-RS) ultrapassou pela primeira vez José Serra (PSDB-SP), com 38% a 35%. Eles estão tecnicamente empatados.

Na pesquisa anterior do instituto, em abril, Serra estava com 34%, e Dilma, 31%. A última pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 13 de maio e ouviu 2 mil eleitores em 117 cidades.

Para o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, a pesquisa indica que quanto mais Dilma se torna conhecida do eleitorado, mais cresce. Contudo, lembrou que "a campanha ainda nem começou".

"A gente leva em consideração [a pesquisa] como uma referência, mas ninguém ganha eleição com pesquisa ou subindo no salto alto por causa de pesquisa", disse a pré-candidata do PT, em Salvador.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que o partido "tem que receber com tranquilidade os resultados" da Vox, até "ver se serão confirmados pelo Ibope e pelo Datafolha".

VICE DE MARINA É EMPRESÁRIO DA NATURA

Chico Santos, do Rio

Valor Econômico - 17/05/2010

O empresário Guilherme Leal, fundador e co-presidente do Conselho de Administração da Natura, é desde ontem oficialmente o pré-candidato a vice-presidente da República na chapa do Partido Verde (PV) encabeçada pela senadora Marina Silva (PV-AC). A decisão de Leal, que resistia a aceitar o convite feito por Marina, foi anunciada pela senadora ontem à tarde, durante o pré-lançamento da campanha do PV, realizado na casa de espetáculos Rio Sampa, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

"Não podemos deixar de lutar para construir um Brasil mais justo, mais sensato, mais feliz", disse Leal, ao discursar, logo após o anúncio, para uma plateia de aproximadamente mil pessoas. Fundador do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, organização não governamental voltada para o estímulo à gestão empresarial socialmente justa e ambientalmente sustentável, o empresário disse que, na próxima semana, enviará carta aos demais dirigentes da Natura solicitando seu afastamento da atividade empresarial para dedicar-se integralmente ao projeto político.

"Não se constrói uma empresa saudável em uma sociedade doente", disse Leal.

O empresário disse que demorou a aceitar o convite da pré-candidata do PV à Presidência dada a dificuldade em tomar uma decisão que altera fortemente sua vida pessoal. "Implica em me afastar da ação empresarial para que não haja confusão de papéis".

Fundada em 1969, a Natura é uma das mais bem-sucedidas empresas brasileiras nos últimos anos. No primeiro trimestre deste ano a empresa registrou uma faturamento de R$ 1,01 bilhão e lucro líquido de R$ 141,6 milhões, com crescimento de, respectivamente, 21,7% e 2% sobre o mesmo período do ano passado.

Na pré-convenção de ontem, que contou com as presenças de artistas como os cantores e compositores Gilberto Gil (que levou a plateia ao delírio cantando a música "Andar com Fé") e Adriana Calcanhoto e o poeta Thiago de Mello, Marina distribuiu elogios e algumas críticas aos adversários, assumindo o compromisso de "respeitar os oponentes" durante a campanha eleitoral. Elogiou o programa Bolsa Família, dizendo que com ele o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez "política social de segunda geração".

Marina foi ministra do Meio Ambiente do governo Lula até maio de 2008, quando era filiada ao PT. Ela também elogiou os ex-presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso pelo Plano Real, que acabou com a hiperinflação. Ainda na área econômica, elogiou os esforços dos últimos governos na área fiscal e o câmbio flutuante. "Não faço isso (elogiar os adversários) para ganhar voto, e sim para fazer justiça", disse.

Mas ela também distribuiu críticas. Disse que o PT "perdeu a capacidade de se conectar com as utopias do século 21" e que PT e PSDB tem candidatos (Dilma Rousseff e José Serra, respectivamente) "muito parecidos", defendendo "o desenvolvimento pelo desenvolvimento, o velho paradigma do século 20". Criticou ainda os que "interditaram" a candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) à Presidência da República.

Segundo Marina, a pressão pela retirada de Ciro da disputa foi "incoerente com a democracia" e teve por objetivo fazer da eleição presidencial de outubro um plebiscito. "Essa eleição não será um plebiscito", afirmou.

15 de maio de 2010

PSDB PREPARA AÇÃO CONTRA PROGRAMA DO PT


Um dia após o PT ter apresentado programa em cadeia de rádio e TV, considerado pela oposição mais um episódio de "grave desrespeito à Lei Eleitoral", o PSDB tinha dúvidas se recorreria novamente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já o aliado DEM decidiu não ingressar com recurso junto à Justiça Eleitoral, considerando que a campanha entrou em nova fase. Pela legislação, a propaganda eleitoral em rádio e TV só é autorizada a partir de 17 de agosto.
Anteontem, por decisão do TSE - que ocorreu após exibição da propaganda do PT na TV, a legenda perdeu direito de transmitir o programa partidário no primeiro semestre de 2011 e terá de pagar multa de R$ 20 mil. Dilma recebeu multa de R$ 5 mil. As punições por campanha antecipada se referem ao programa que foi ao ar em dezembro, e não ao de quinta-feira, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou a trajetória de Dilma à do líder sul-africano Nelson Mandela, que lutou contra o apartheid. A oposição tentou impedir a veiculação da propaganda, em rede nacional, mas o pedido não foi julgado a tempo pelo TSE.
O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse não ser o caso de recorrer. "O DEM não vai entrar na Justiça Eleitoral. Estamos em outro momento da campanha. É diferente da ocasião anterior quando a Dilma era ministra", afirmou. A negativa do DEM e a dúvida do PSDB foram encaradas, nos bastidores, como sinal de que os dois partidos poderão usar em seus programas partidário a estratégia petista. O DEM tem espaço garantido em cadeia nacional no próximo dia 27. Já o PSDB exibirá seu programa em 17 de junho, depois de sua convenção partidária, em 12 de junho.
O advogado do PSDB, Ricardo Penteado, criticou a postura do presidente e da sua candidata. "A essa altura, esse dano, acho irreparável", anotou. "Mas vamos estudar medidas. Não sei se é o caso de ingressar (na Justiça Eleitoral)." Secretário de comunicação do PT, o deputado André Vargas (PR) disse que as críticas ao programa do partido fazem parte da "tática deles (oposição) de tirar o presidente Lula da eleição". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 

ÁLVARO DIAS PROTESTA CONTRA PROGRAMA ELEITORAL DO PT



Da Redação / Agência Senado

"O PT cometeu uma violência contra a legislação eleitoral do país, desdenhou da Justiça Eleitoral". O protesto foi feito pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR) nesta sexta-feira (14), em discurso da tribuna, ao comentar o programa eleitoral gratuito de rádio e TV do Partido dos Trabalhadores, transmitido nesta quinta-feira (13).
O senador disse esperar uma "reação dura" do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), "compatível com a agressão sofrida", em relação ao que classificou de "antecipação de campanha eleitoral do PT, que impôs a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República com muita antecedência".
Com relação ao programa exibido nesta quinta-feira, em que o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, enaltece as qualidades de Dilma Rousseff e faz um comparativo do seu governo em relação ao de seu antecessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Alvaro declarou que não poderia ficar em silêncio:
- Se a autoridade maior desse país não respeita a lei, como se exigir que o cidadão comum venha a respeitá-la nesse momento crucial de definição do futuro do país? - questionou o parlamentar, ao lembrar que cabe agora, aos advogados dos partidos de oposição, analisar as providências cabíveis.
Alvaro Dias lembrou que no momento da exibição do programa do PT, o TSE julgava pela procedência de uma representação do PSDB e do DEM contra outro programa do PT exibido em dezembro de 2009, multando o partido transgressor com a suspensão de um programa eleitoral no próximo ano. Conforme observou, a decisão do tribunal de punição ao PT deveria ter recaído sobre o programa de ontem, mas, por "retardo no julgamento", a suspensão foi adiada para 2011, quando não haverá eleições.
Em seu pronunciamento, o senador também classificou como "mentirosas" várias afirmações feitas no programa do PT desta quinta, como a de que o Programa Luz para Todos é uma novidade do atual governo,quando, na verdade, segundo Alvaro, já existe há décadas.
Informou ainda que em junho será a vez do PSDB transmitir, para toda a Nação, seu programa eleitoral gratuito, destinado a expor as ideias do partido.
- O que fazer? Respeitar a lei ou seguir o exemplo do adversário, afrontando a legislação para tentar conquistar votos? - Questionou Alvaro, ao comentar que "nessa competição desigual em que um partido respeita a lei e outro não, o que não respeita é premiado, e a competição se torna desigual".