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28 de maio de 2010

AÉCIO VOLTA A RECHAÇAR A VICE DE SERRA




Autor(es): Vandson Lima e Raquel Ulhôa, de São Paulo e Brasília
Valor Econômico - 28/05/2010

Na volta da viagem que fez à Europa nas últimas duas semanas, o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), frustrou as expectativas dos tucanos e voltou a descartar a possibilidade de ser o vice da chapa do pré-candidato tucano José Serra à Presidência da República, comprometido que está com as eleições em Minas, por onde disputará o Senado.

"Minha decisão tem que ser tomada a partir de uma análise muito profunda que eu faço do cenário político. Estou absolutamente convencido de que a melhor forma para ajudar a dar a vitória ao governador Anastasia e ao companheiro e amigo José Serra, é estando em Minas como candidato ao Senado. Não houve nenhuma modificação no cenário", afirmou Aécio, alertando ainda para a necessidade de que ansiedades de correligionários sejam contidas.

Aécio refutou a ideia de sua decisão ser pautada por escolhas pessoais: "Acho que ninguém já deu mais demonstrações de visão de partido, de país do que eu, na medida em que eu abro mão da pré-candidatura eu faço isso para garantir a unidade partidária". O ex-governador mineiro procurou ainda relativizar seu peso na campanha presidencial: "Ao lado do companheiro Serra, estarei viajando pelo Brasil, como mais um companheiro do partido, ajudando no que for necessário".

Sobre a estratégia de campanha a ser usada nas eleições presidenciais, Aécio disse que a oposição não deve temer reconhecer os avanços que ocorreram no governo do presidente Luíz Inácio Lula da Silva, mas demonstrar que pode avançar: "Se não tivéssemos um estado tão aparelhado, se tivéssemos uma ousadia no que diz respeito à política monetária, portanto com uma queda mais rigorosa da taxa de juros, poderiamos avançar mais".

Em Gramado, Serra comentou as declarações de Aécio: "Eu já sabia disso há muitos meses". Questionado se a decisão representa perda à sua candidatura, limitou-se a dizer que "você só perde o que tem e Aécio não era candidato a vice".

As declarações de Aécio foram consideradas ontem pela cúpula do PSDB definitivas. Vista como "palavra final" do mineiro, a entrevista deve deslanchar as articulações para a escolha do candidato a vice, dentro ou fora do PSDB. O partido quer definir o nome até o dia da convenção que vai homologar a candidatura de Serra, 12 de junho.

"A entrevista coloca uma pedra em cima dessa cobrança para Aécio ser vice. Era tudo especulação. Não tinha nenhuma novidade para o assunto voltar", afirmou o senador e ex-presidente do partido, Tasso Jereissati (CE) - um dos cotados no PSDB para ser o vice de Serra, se a opção for por uma chapa puro sangue.

Para o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), o gesto de Aécio descartando a vaga de vice pode ser considerado decisivo e libera o partido para concluir os entendimentos em torno da composição da chapa para a Presidência . "Agora vamos cuidar do problema. Tudo tem seu tempo. O tempo é agora", disse Guerra, que é coordenador da campanha nacional.

Tucanos e aliados de Serra de outros partidos estavam preocupados com a escalada de pressão para que Aécio aceitasse compor a chapa presidencial. Avaliavam que isso enfraquecia o pré-candidato e transformava o mineiro em uma espécie de salvador da pátria.

A possibilidade de o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) ser convidado para ser o vice de Serra não foi abandonada pelos tucanos. A escolha é considerada eleitoralmente vantajosa, porque traria o PP formalmente para a aliança. Além disso, Dornelles reforçaria a confiança da área empresarial na chapa e seria uma espécie de avalista no setor financeiro. Já Tasso Jereissati poderia reforçar os votos da chapa no Nordeste, região em que Serra apresenta seu desempenho mais fraco em relação à principal adversária, a petista Dilma Rousseff.

O DEM, principal parceiro do PSDB na aliança, abriu mão de ocupar a vaga de vice para Aécio, considerado o único nome de consenso, capaz de unir todos os aliados. O presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), aliado de Aécio, aguardava a palavra final do ex-governador para avaliar o quadro. O nome do DEM mais citado no próprio partido, com aceitação mais fácil pelo candidato a presidente, é o do deputado José Carlos Aleluia (BA), um dos coordenadores regionais da campanha de Serra. Quando se fala em vice do DEM, tem sido citada a senadora Kátia Abreu (TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), com menos chance pelo forte carimbo de representante do setor ruralista.(Colaborou Sérgio Bueno, de Gramado)



24 de maio de 2010

A NOVELA AÉCIO NEVES

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

FERNANDO RODRIGUES

BRASÍLIA - Dilma Rousseff (PT) está empatada com José Serra (PSDB). No Datafolha, ambos têm 37%. O candidato a vice-presidente da petista já está definido. Será Michel Temer (PMDB). Ou seja, a novela do mundinho político nos próximos pouco mais de 30 dias será uma só: quem será o candidato a vice-presidente na chapa com Serra.

Os jornais consumirão hectolitros de tinta e toneladas de papel informando e analisando os possíveis cenários. O nome do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves dominará o noticiário. A data limite imposta por lei é 30 de junho, quando as legendas já precisam ter definido candidatos e alianças.

Se Aécio quiser, será o vice de Serra. O mineiro diz não desejar essa incumbência. Em política, essas negativas têm prazo de validade curto. É tudo uma questão de fazer o cálculo do custo e do benefício.

Aécio pondera vários fatores. Um dos principais está no seu quintal: se concorrer a vice-presidente, terá como alavancar a candidatura de Antonio Anastasia (PSDB) ao governo de Minas Gerais? Hoje, o escolhido de Aécio amarga 17% nas pesquisas, atrás do líder Hélio Costa (PMDB), com 45%.

Se mantiver seu plano inicial, de disputar uma vaga no Senado e ajudar Anastasia, Aécio também corre riscos. Será visto como o responsável maior no PSDB pelo eventual fracasso de Serra. E se Serra chegar ao Planalto, o talvez senador Aécio certamente terá um papel marginal na administração serrista.

Por fim, mesmo aceitando concorrer a vice, Aécio não terá como materializar uma vitória por antecipação. Na hipótese de derrota, restaria um ex-governador mineiro desempregado e um partido em frangalhos após três reveses seguidos no plano nacional.

Tudo considerado, Aécio só se dará bem numa combinação: aceita ser o vice e Serra vence. Como política não é ciência exata, é impossível fazer tal tipo de vaticínio.

23 de maio de 2010

AÉCIO POR LINHAS TORTAS

 DORA KRAMER


O ESTADO DE SÃO PAULO - 23/05/10




São Paulo, 22 (AE) - Do hospital onde estava internado em São Paulo, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, falou na semana passada com Aécio Neves por telefone na Europa. Terminou a conversa otimista com a possibilidade de o ex-governador de Minas Gerais aceitar ser candidato a vice na chapa presidencial com José Serra.
Transmitiu essa impressão à cúpula do partido que aguarda em silêncio, admite a torcida e para além desse limite não se permite avançar.
As chances aumentaram, mas não há nada decidido, inclusive porque o ex-governador de Minas Gerais voltou ao Brasil neste fim de semana e só retomará a agenda de trabalho nos próximos dias. O primeiro tema da pauta é a eleição estadual mineira.
Com um olho na situação regional e outro no cenário nacional, Aécio deve resolver se reconsidera ou não a decisão de concorrer a uma vaga no Senado para integrar a chapa presidencial como vice de José Serra.
É provável que ainda nesta semana se reúna com Serra, Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Guerra e Tasso Jereissati, para discutir o assunto.
O assunto que estava aparentemente fora de cogitação voltou a circular a partir de onde menos se esperava: Minas Gerais, pois os correligionários de Aécio sempre impuseram as maiores resistências à composição da chamada chapa puro-sangue.
Pelo menos com o nome do ex-governador como candidato a vice. Consideravam essa hipótese uma ofensa ao estado, um papel subalterno, uma demonstração de arrogância dos paulistas que queriam pôr Minas "a reboque" na eleição.
Pois enquanto os paulistas cumpriam à risca a quarentena de silêncio imposta por Aécio, eis que de Minas começaram a surgir movimentos na direção oposta à posição anterior.
Do bastidor saíram à cena aberta quando o secretário-geral do PSDB mineiro, Lafayette de Andrada, disse na quinta-feira que existe "um grande desejo da militância do partido e dos mineiros de um modo geral de que Aécio aceite ser vice na chapa de José Serra.


O que teria operado tão radical mudança?
É o que se perguntam também até outro dia os acusados que solapar a altivez dos mineiros.


Primeiro: traduzem o que vai à mente de Aécio?
Mesmo de longe, dificilmente seus correligionários diriam algo que contrariasse suas posições.


Segundo: qual o ganho objetivo de deixar o plano do Senado para abraçar o projeto da vice?
Hipóteses aventadas. Uma: como a prioridade de Aécio é manutenção do poder político em Minas, seus aliados teriam ficados preocupados com o destino da candidatura de Antonio Anastásia, vice de Aécio, hoje no exercício do cargo. Ele aparece na pesquisa Vox Populi com 17% contra 45% para Hélio Costa do PMDB.


A presença de Aécio numa chapa presidencial, estariam raciocinando, teria mais poder de "puxar" o candidato a governador que uma candidatura ao Senado. Despertaria o sentimento de "Minas lá" no Planalto.


Outra: candidato ao Senado, Aécio terá necessariamente de descartar um aliado, Itamar Franco, já que são duas vagas em disputa, ele se elegeria certamente e a segunda provavelmente ficaria para o campo adversário: PT ou PMDB.


Mais uma: candidato a vice, Aécio ajuda a oposição a não deixar "escapar" de maneira danosa os votos de Minas para Dilma Rousseff o que, se acontecer, também resultará em prejuízos para ele. Locais e nacionais.


E se perder como vice? Terá apostado alto, podendo manter o governo estadual. Se José Serra perder a presidência e Aécio for para o Senado e o PT ou o PMDB ficarem com o governo de Minas, será senador de minoria e terá perdido o controle político do estado.


E qual o efeito sobre o eleitorado da chapa puro-sangue?
Aécio Neves costuma dizer que impacto político é coisa efêmera. Mas os tucanos não desprezam a eficácia do instrumento. Acham que aliado ao desempenho da dupla, à complementação de atributos de personalidade, à liderança política que exercem nos dois maiores colégios eleitorais do País não garante a vitória, mas é boa parte do caminho andado.
Ainda assim, em se tratando de mineiros, ninguém ainda sabe direito qual é o rumo certo.

17 de outubro de 2009

POLÊMICA ENTRE SURDOS

Por LUIZ CARLOS AZEDO

CORREIO BRAZILIENSE
Qual é a diferença programática entre os governistas Dilma Rousseff (PT) e Ciro Gomes (PSB) e os governadores tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves(MG)? Para o establishment nacional, por enquanto, é mais ou menos como trocar o assim pelo assado, pois o governo Lula realizou as tarefas que havia herdado do governo anterior. Deu uma guinada neokeynesiana depois da crise econômica, como os demais governos do mundo. A atual retórica nacional-desenvolvimentista do PT é semelhante àquela da reeleição de Lula, em 2006, quando carimbou na oposição a pecha de “privatizadora e entreguista”.
A oposição apoiou a política econômica “social-liberal” do governo Lula durante todo o primeiro mandato. Constrangida, colaborou com a atual política anticíclica para evitar “o quanto pior, melhor”. Mas deixou a sensação de que o governo lhe tomou as bandeiras e não foi capaz de erguer novos estandartes, muito menos resgatar os antigos. Do ponto de vista do eleitor, qual será a diferença? O presidente Lula desafia os adversários a comparar o seu governo com o anterior, mas os tucanos fogem desse confronto. Serra afirma que não é hora de fazer campanha eleitoral e que nem sequer decidiu ser candidato. Aécio tira por menos e só que saber de discutir o “pós-Lula”.

Crítica

Quem faz a crítica ao projeto nacional-desenvolvimentista do governo Lula é a senadora Marina Silva do Acre, candidata do PV, que defende uma alternativa de desenvolvimento socioambiental. É a antítese do modelo de desenvolvimento proposto pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que resgata o antigo Plano Nacional de Desenvolvimento do governo Geisel. Além da simpatia do meio empresarial comprometido com a questão ambiental, no Brasil e no Exterior, Marina seduz os setores do movimento social organizado ligados aos ambientalistas e às comunidades eclesiais de base.
Comitiva
O líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (foto), apesar de velho amigo de Dilma Rousseff, não pretende arrefecer a marcação sobre seus passos como candidata governista. Cobra da Casa Civil informações sobre os gastos com a caravana de Lula no São Francisco: “Ao todo, nove cozinheiros e 20 garçons obsequiaram uma farta mesa aos convidados, em três restaurantes distintos — um com capacidade para atender a 72 pessoas e outros dois capazes de abrigar 64 pessoas cada um”, destaca o novo requerimento do deputado. Aníbal questiona ainda como ocorreu a construção de um heliponto e uma sala de imprensa com 14 laptops no acampamento que ofereceu 50 vagas para pernoites dos profissionais de imprensa que cobriam a visita.

RODRIGO MAIA DEFENDE CANDIDATURA DE AÉCIO

O presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, não esconde preferência e defende abertamente a candidatura de Aécio à Presidência. Em conversas, Maia alega que Aécio tem mais potencial de crescimento, além de não encarnar a polarização com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O deputado diz ainda que Aécio teria capacidade de ampliar o arco de alianças, atraindo partidos que compõem a base do governo federal.
Recentemente, passou a defender a antecipação da escolha do candidato do PSDB à Presidência, a exemplo do que propõe o próprio Aécio. Maia já manifestou sua opinião a integrantes do partido. Num seminário organizado por democratas em São Paulo, chegou a fazer enquete com parlamentares da sigla. Cercado de deputados e senadores, questionava "quem é o melhor candidato" para comprovar a tese de divisão no partido.A atitude de Maia é apenas um capítulo da queda de braço interna do DEM.De um lado, estão Bornhausen e Kassab. De outro, Maia, ACM Neto, e os líderes do DEM no Senado, Agripino Maia, e na Câmara, Ronaldo Caiado. Os grupos duelam desde março passado, quando protagonizaram discussão em Brasília.Alijado de um jantar oferecido por Kassab a presidentes de partidos aliados ao PSDB, Maia protestou contra a concentração de decisões em São Paulo. Ele reclamou ainda da ideia de subordinar as alianças estaduais à candidatura do PSDB à Presidência. À época, alegou que o partido precisava engordar a bancada para sobreviver.

20 de setembro de 2009

A SUCESSÃO PRESIDENCIAL

É verdade que o quadro não está definido. Dificilmente estaria, estado a eleição tão distante, cerca de um ano. Mas, a situação parece que tende a consolidar-se com a definição em favor de José Serra. A esperança que a eleição assumisse caráter plebiscitário se apagou. Isso tudo está levando ao desespero todos os áulicos do governo que, a cada dia, vêem desmoronar suas teses sobre a foca do presidente Lula, que elege até poste.; sobre a divisão tucana, sobre a articulação de Aécio para sair candidato pelo PMDB; sobre o rompimento de Alckmin que estaria conspirando com Aécio contra Serra. Nada disso é factível, não passa de factóides.
Devagar, Serra está deixando o tempo correr, e daqui para a frente sua candidatura vai crescer, e as intrigas e fantasias sobre um possível racha tucano serão enterradas.

7 de julho de 2009

O PALANQUEIRO DESCANSOU EM PARIS. a OPOSIÇÃO CONTINUA DE FÉRIAS NO BRASIL

DA COLUNA DE AUGUSTO NUNES




Horas depois de ter ensinado que fora da democracia não há salvação para Honduras, o presidente Lula reverenciou o amigo-irmão Muammar Khadafi e derreteu-se em elogios ao clube das ditaduras africanas. O governador José Serra não ousou sequer cobrar-lhe coerência. Terminada a pajelança dos tiranos, o serial killer Omar Al Bashir avisou que conta com o apoio do Brasil para escapar da prisão decretada pelo tribunal internacional de Haia. O governador Aécio Neves não se atreveu a exigir que Lula revelasse a extensão da amizade ou o grau de parentesco com a abjeção sudanesa.
De volta do safári, o chefe de governo acalmou José Sarney e, no mesmo dia, jantou com a bancada do PT no Senado para ordenar-lhe que ajudasse o mais recente amigo de infância. Nenhum senador da oposição recordou que, em 1986, Lula qualificou Sarney de "o maior ladrão do Brasil". Nenhum representante do PSDB perguntou se, afinal, o governo queria ou não eleger o senador Tião Viana, candidato da aliança entre tucanos e petistas.
Entre um acerto e uma ordem, Lula pegou carona na conquista da Copa do Brasil pelo Corinthians. Nenhum deputado do DEM quis saber se o presidente não tinha nada de mais relevante a fazer. Nenhum vereador do PPS aproveitou o tema para perguntar o que é que deu na cabeça do governo para torrar bilhões na gastança da Copa de 2014. Entre um cochicho e uma a declaração de passagem e uma discurseira, o mais falante pai da pátria desde a chegada das caravelas mandou a bola na arquibancada: "O PSDB quer ganhar no tapetão", fantasiou, alertando paro o risco de araque: a renúncia do presidente José Sarney resultaria na ascensão do vice Marconi Perillo. Nenhum parlamentar supostamente oposicionista ensinou que o senador tucano teria de convocar uma nova eleição. Ninguém no PSDB, no DEM, no PPS ou no PSOL recomendou a Lula que coletasse informações elementares para desinformar melhor.
"Existem assuntos muito mais importantes que a crise no Senado", advertiu Lula. É verdade, deveriam ter berrado os candidatos José Serra e Aécio Neves, encerrando a conversa fiada sobre as prévias do PSDB para ouvirem com alguma atenção os gritos de protesto que se multiplicam na internet entre a multidão dos oposicionistas de verdade. A gripe suína, por exemplo, insiste em crescer no Brasil. Não soube da proibição presidencial? Onde terá falhado o sistema de saúde que o chefe considera próximo da perfeição? O tratamento dispensado por Lula aos escândalos em Brasília permite enquadrá-lo no artigo legal que trata da apologia do crime. Nenhum advogado tucano sabe disso? Seguem paralisados os canteiros de obras que deveriam cuidar de mais de 2 mil quilômetros de estradas federais em decomposição. Em que gaveta dormem as verbas prometidas pelo PAC?
No fim de semana, livre de perguntas e cobranças, Lula foi para Paris com a Primeira Passageira recuperar-se das canseiras da campanha eleitoral. A oposição oficial continua de férias no Brasil.

6 de junho de 2009

AÉCIO E SERRA UNIFICAM DISCURSO E CONDENAM ESPECULAÇÕES SOBRE CHAPA

DE BERTA MAAKAROUN[
DO ESTADO DE MINAS

Os dois participam de mais uma jornada pela prévia no Paraná

Discurso de unidade no ninho tucano. Os governadores Aécio Neves (PSDB) e José Serra (PSDB) afinaram nesta sexta-feira as declarações. Ambos concordam que não há pressa em antecipar o processo eleitoral com a escolha imediata do pré-candidato do partido à Presidência da República. Eles também afirmaram que estarão juntos nas eleições do ano que vem, negando qualquer eventual confronto: “Quem estiver apostando nisso vai perder, é aposta errada", afirmou o tucano paulista. Aécio e Serra consideraram ainda que ambos têm credenciais para comandar o Palácio do Planalto. Nesse sentido, sugeriram serem inconvenientes as especulações em torno de uma eventual “chapa pura” tucana, o que suporia um dos dois como vice na composição. “A nossa unidade, estarmos Serra e eu juntos em 2010, é pule de 10”, resumiu Aécio.
Serra se esforçou em sinalizar a disposição do entendimento. “O governador Aécio tem todas as credenciais para ser candidato, para ser presidente de República. Não tem nenhum cabimento discutir que um vai ser vice do outro”, afirmou. O governador paulista acrescentou: “Para alguém que tem todas as condições de ser candidato a presidente – e eu acredito que eu também tenho – não faz sentindo, a essa altura, especular, digamos assim, com esse tipo de hipótese”. Depois de negar qualquer tensão ou mal-estar em relação a Aécio, Serra disse: “Olha aqui”, dando um abraço no governador mineiro

Interlocutores interpretam a nova aparente coesão tucana entre os dois governadores que disputam internamente a indicação do partido para disputar a Presidência da República como uma nova estratégia para enfrentar o crescimento da pré-candidatura de Dilma Rousseff (PT). Enquanto Dilma percorre o país ao lado de Lula inaugurando obras do PAC, sem obstáculos partidários internos, os grupos dos dois líderes do PSDB afiam as garras. Em visita a Minas, onde assinou 14 acordos de substituição tributária, José Serra se esmerou nos elogios e gestos de cordialidade dirigidos ao governador mineiro. Ambos seguiram juntos para Foz do Iguaçu, onde participaram de um encontro do PSDB
Amabilidade
Meu amigo e companheiro”, foram algumas expressões afetuosas empregadas por Serra ao se dirigir a Aécio, não sem antes enfatizar pontos de unidade entre os dois maiores estados brasileiros, que “concentram 43% do PIB brasileiro” e respondem por “metade da arrecadação fiscal do governo federal”. Serra também fez questão de elogiar a gestão administrativa do estado, declarando inclusive, ter copiado algumas medidas que considerou importantes, a elas acrescendo um “tom de originalidade” para adaptá-las à realidade paulista. “Não são poucos os intercâmbios e trocas de ideias, inclusive ideias que a gente recolhe reciprocamente um do outro”, continuou o governador paulista.
Aécio devolveu. Também tratou de considerar Serra “amigo e companheiro” e assinalou, da mesma forma que Serra, haver eventualmente a adoção de medidas, em Minas, que foram bem-sucedidas no governo paulista. Aécio afirmou: “A nossa proximidade não está restrita à responsabilidade partidária. Temos muitas afinidades pessoais e uma visão de país muito parecida. Então, seja o governador Serra, seja eu amanhã eventualmente o presidente da República, os rumos traçados serão muito parecidos”.
Maratona
Pela primeira vez, os dois presidenciáveis do PSDB participaram sexta-feira de um dos seminários temáticos organizados pelo partido para preparar o discurso eleitoral de 2010. Os governadores de Minas, Aécio Neves e de São Paulo, José Serra, chegaram juntos a Foz do Iguaçu (PR), num clima bem diferente do primeiro encontro, em João Pessoa (PB), quando Serra não compareceu.
O tema de sexta foi o agronegócio. O próximo encontro será em julho, em Fortaleza (CE). Rio de Janeiro, Pernambuco, Pará e Bahia também estão na rota dos tucanos. Aécio aproveita os seminários, prestigiados pelos principais líderes dos partidos aliados ao PSDB (DEM e PPS), para defender as prévias como única forma legítima de escolha do candidato a presidente. Serra já concordou com a consulta até fevereiro do ano que vem, segundo o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE).

5 de junho de 2009

PURO SANGUE

Por DORA KRAMER
O Estado de S. Paulo - 05/06/2009


Não houve acaso nem coincidências. Foi tudo bem pesado e medido: a ocasião, o recado, o mensageiro e até a ausência de Fernando Henrique Cardoso e José Serra no encontro nacional de mulheres do PSDB, quarta-feira em Brasília, tiveram um significado específico.
A ideia era deixar o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, comandar o espetáculo exibido no primeiro palco disponível depois da divulgação de duas pesquisas de opinião confirmando o crescimento dos índices da ministra Dilma Rousseff na simulação de intenções de voto para presidente da República em 2010.
Aécio foi porta-voz de duas mensagens. Na explícita, atacou duramente o governo federal, defendeu a gestão do ex-presidente Fernando Henrique (coisa rara no PSDB), pregou a necessidade de ampliação do quadro de alianças partidárias e anunciou que o tucanato começará a "tratar da campanha" ainda em 2009, a partir do segundo semestre.
Na implícita, avisou aos navegantes que acabou a hora do recreio. Esgota-se o tempo regulamentar do jogo da divisão interna e, portanto, é chegado o momento de começar a falar sério, pois a espinhosa empreitada não deixará vivos os amadores.
E por que Aécio no papel de mestre da cerimônia se as pesquisas mostram Serra na dianteira?
Naquele dia, o governador mineiro deu parte da resposta por duas vezes. Primeiro, no próprio encontro, quando informou que o colega paulista pedira que fizesse dele suas palavras. Como adversário na disputa interna pela candidatura a presidente, ninguém melhor que Aécio para falar em nome de Serra, a fim de construir a imagem da unidade.
Logo depois, em entrevista à TV Brasil, Aécio discorreu sobre a escolha da candidatura tucana, ressaltando que hoje as chances de Serra são muito maiores. Não capitulou, mas também não falou como oponente em campanha, cujo discurso natural seria o de salientar a possibilidade de virar o jogo nas prévias.
Além disso, a presença de Aécio à frente de um ato de cunho francamente eleitoral, valoriza o capital dele, ajuda o entendimento com os partidários do mineiro e permite ao partido dar os primeiros sinais de vida sem que José Serra altere seus planos de só entrar na campanha em 2010.
O governador de São Paulo teme uma reação negativa do eleitorado paulista, que já o viu quebrar a promessa de ficar na prefeitura da capital até o fim o mandato. Na avaliação dele - certamente baseada em pesquisas - a população não gostaria de vê-lo abandonar a administração do Estado para se dedicar à candidatura presidencial menos de três anos depois de eleito.
O gesto de comprometimento do governador de Minas também serve para enfraquecer especulações sobre a hipótese de Aécio sair candidato por outro partido.
Na segunda-feira mesmo, o ministro do Trabalho e presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi, aventou a possibilidade de apoiar o mineiro. Obviamente, excluído o PSDB.
Esse tipo de investida é resquício da esperança dos governistas de que Aécio disputasse a eleição contra Serra e sinal do receio de uma possível chapa unindo os governadores de São Paulo e Minas Gerais.
Nova edição
O ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh negou a existência do mensalão em seu depoimento como testemunha de defesa dos acusados, com uma nova versão da história.
Segundo ele, a prova seria sua derrota na disputa pela presidência da Câmara, pois, se houvesse a aludida mesada aos deputados da base aliada, "o resultado talvez fosse outro".
Nem Greenhalgh perdeu por falta de pagamento nem a acusação é esta. A denúncia é que o PT financiou campanhas eleitorais de partidos amigos com repasses ilegais de verbas. Em parte públicas, em parte obtidas mediante empréstimos bancários fraudulentos.
Em fevereiro de 2005, Luiz Eduardo perdeu a eleição porque a direção do PT impôs sua candidatura para agradar a ala esquerda do partido e uma ala da bancada reagiu lançando a candidatura de Virgílio Guimarães. Dividido e referido em suas questões internas, o PT abriu espaço para a eleição de Severino Cavalcanti.
Do avesso
"Uma coisa é certa: perco o pescoço, mas não perco o juízo", avisou a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, um ano e meio antes de se demitir do cargo por se recusar a adaptar a gestão da política ambiental ao ritmo exigido pelo calendário das obras em que Lula gostaria de deixar sua assinatura.
Já o sucessor, Carlos Minc, recebe críticas da oposição e da situação, é ironizado publicamente pelo presidente Lula por fazer "algazarra" na ausência dele e, ainda assim, anuncia que fica "até o fim do governo".
Ficando ou não, uma coisa é certa: entre o pescoço e o juízo, o ministro preserva o que lhe resta.

29 de maio de 2009

MANOBRA PARA POR FIM À FIDELIDADE



Logo após enterrar a proposta de voto em lista fechada para as eleições proporcionais, o PMDB e os demais partidos governistas retomaram a discussão de uma “janela” para a troca de partidos de detentores de mandato, uma brecha para a infidelidade partidária. A estratégia é tentar aprovar até setembro a emenda constitucional que abre essa janela e, se não houver tempo hábil, recorrer ao polêmico projeto de Eduardo Cunha, que reduz de um ano para seis meses antes da eleição a exigência de filiação partidária para concorrer. O PMDB assumiu a proposta de Cunha como sendo do partido. Dizem as más línguas que essa janela seria uma reserva para o ingresse de Aécio no PMDB em caso de qualquer acidente de percurso que inviabilize a casndidatura de Dilma.

17 de maio de 2009

PSDB NEGA COMPOSIÇÃO DE "CHAPÃO" COM SERRA E AÉCIO

O senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, negou na tarde deste domingo que o partido já teria definido uma chapa, encabeçada pelo governador paulista, José Serra, com o governador mineiro, Aécio Neves, que a legenda tucana apresentaria nas eleições presidenciais de 2010.
De acordo com senador tucano, está mantida a iniciativa de realização de prévias dentro dos quadros do PSDB para decidir qual nome irá enfrentar o candidato à presidência da República da situação, provavelmente a ministra, Dilma Roussef.
Dentro do PSDB, postulam a indicação do partido os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves.
Questionado sobre a possibilidade de Aécio se tornar vice de Serra na disputa do próximo ano, conforme notícia veiculada neste domingo, Guerra disse que ainda não há definição sobre essa possibilidade e voltou a afirmar que prévias internas na legenda devem ser feitas em janeiro ou fevereiro do próximo ano.
"Não há nenhuma composição hoje sobre isso neste momento", disse Guerra