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30 de junho de 2009

SOCIALIZAÇÃO DO PREJUÍZO

DE DORA KRAMER


O Estado de S. Paulo - 30/06/2009


Uma análise da professora de literatura argentina da Universidade de Buenos Aires, Beatriz Sarlo, sobre o comportamento do eleitorado e dos políticos argentinos durante a campanha para as eleições parlamentares do último domingo, guarda traços de perfeita semelhança com o cenário político brasileiro.
Ao analisar as razões da apatia de uma população habitualmente ativa em questões políticas, a professora acaba (involuntariamente, pois não é esse o propósito dela) trocando em miúdos o ambiente político-eleitoral no Brasil, onde a sociedade é por tradição quase indolente.
A leitura do artigo, reproduzido pelo Estado na edição de domingo no caderno Aliás, leva à suspeição de que a simplificação das abordagens, o nivelamento por baixo da qualidade das demandas, a mistificação, a celebração do demérito, a sagração da ignorância e a despolitização das relações entre representantes e representados não tem fronteiras e já não respeita diferenças culturais.
Ainda antes do resultado e sem o dado da abstenção altíssima, Beatriz Sarlo constata que a campanha eleitoral deu ganho de causa à falta de substância nas propostas dos candidatos e à baixa exigência por parte dos eleitores. Um acordo tácito em prol da desqualificação."
Dominou o covarde paradoxo de que os políticos, ao almejarem cargos representativos, não devem jamais dar a impressão de estar mais bem qualificados do que seus eleitores, porque, se algum deles se mostrar muito capacitado, correrá o risco de perder o elo com a massa de potenciais eleitores, que não deseja votar nos melhores entre os pares, mas nos seus idênticos."
Segundo ela, entre os políticos e os eleitores houve uma espécie de pacto perverso pautado pelo seguinte entendimento: "O chamado ?povo? não estaria disposto a se envolver com raciocínios que não possam ser traduzidos na linguagem simples do mais simplório senso comum." A simplificação.
Um contrassenso, na realidade, pois, como aponta Sarlo, "ninguém escolhe um médico, um arquiteto ou músico" de sua preferência pela lógica contrária ao mérito. Mas, no caso da política, na Argentina (a professora refere-se apenas ao seu país) "os políticos fizeram dela a base de sua elegibilidade". A mistificação.
Abraçam causas populistas não para subverter as hierarquias socioculturais, mas para atender aos ditames da "vulgaridade midiática que fareja tendências do mercado audiovisual".
Na campanha argentina, prossegue a professora da Universidade de Buenos Aires, "prevaleceu a ideia de que o político não deve oferecer seu diferencial intelectual e profissional como qualidade de uma boa representação, mas dissimulá-la como se fosse um defeito". A celebração do demérito.
A maioria dos políticos argentinos, diz Beatriz Sarlo, adotou a premissa da baixa capacidade de compreensão dos cidadãos. "Resignados de antemão a não se interessar pela política institucional, convencidos de que todas as pessoas vivem afundadas na rotina cotidiana sem possibilidade de levantar a cabeça e carecendo de instrumentos intelectuais para acompanhar uma exposição de complexidade média, armou-se um esquema que não visava a superar uma situação, mas fortalecê-la em nome de um realismo oportunista

Familiar. E, portanto, didático.

Arrasa quarteirão

Em resumo, o líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio, disse o seguinte ontem da tribuna: que senadores foram coniventes com os atos do ex-diretor Agaciel Maia; que parlamentares manipulam medidas provisórias para obter vantagens financeiras; que há senadores calados com medo de ser denunciados; que Agaciel Maia guardava montanhas de dinheiro vivo em armário no gabinete de trabalho; que o presidente do Senado fez tráfico de influência, usou indevidamente o patrimônio público em benefício privado e afrontou a Constituição e o Supremo Tribunal Federal ao praticar o nepotismo.

Não obstante, ninguém no colegiado deu sinal de ter se espantado.

Brecha

O governador de São Paulo, José Serra, já há algum tempo introduziu em suas conversas a possibilidade de não se candidatar à Presidência, optando pela reeleição.
Pura marola, ao molde exato dos interesses de Serra: aliviar a pressão dos aliados pelo lançamento da candidatura agora, cumprir o ritual da composição interna com simpatizantes de Aécio Neves e deixar consignada como de iniciativa própria a hipótese - hoje completamente inexistente - do recuo, caso a necessidade um dia se apresente.
Pane geográfica
Provável futuro presidente do PT, o ex-senador por Sergipe José Eduardo Dutra foi identificado aqui, no sábado, como ex-presidente do PT do Acre.
Por primário, o erro é inexplicável.

SEM CONTROLE

DE MERVAL PEREIRA

O GLOBO 30/06/2009
Quem o conhece sabe que o presidente Lula não prega prego sem estopa ou, usando uma imagem dos portugueses no Brasil Colônia, Lula costuma "sangrar em saúde", um hábito naquele tempo para prevenir doenças, quando a sangria era remédio para tudo. Portanto, quando Lula diz, como fez recentemente, que um Estado com carga tributária pequena não tem condições de fazer políticas sociais, defendendo a alta carga tributária brasileira de cerca de 40% do PIB, o que ele está fazendo é se adiantando às críticas que certamente receberá pela situação das contas nacionais, cada vez mais perigosamente descontroladas.
O aumento do funcionalismo, previsto para entrar em vigor em julho, terá um impacto ainda este ano de R$29 bilhões nas despesas, e as indicações são de que o governo manterá o reajuste, mesmo diante da crise.
Especialistas acreditam que o governo já havia perdido o controle da despesa mais importante, que é justamente a de pessoal, antes mesmo da crise, que veio arranjar uma justificativa para aumentos acima da capacidade de arrecadação, como se fizessem parte de uma política contracíclica.
O que se esperaria diante da crise é que houvesse um movimento forte de investimento, e o que aconteceu é que eles perderam o controle do custeio.
As decisões anunciadas ontem seguem o modelo de desoneração de impostos para alguns setores que movimentam mais a economia, como os eletrodomésticos e a indústria automobilística, mas com a novidade de dar incentivos ao investimento, que não havia sido contemplado pelo governo desde o início da crise. Mesmo assim, o grosso dos incentivos vai para a desoneração dos bens de consumo, ficando apenas a menor parte, cerca de 10%, para para máquinas e equipamentos.
Quem investe mais no país são estados e municípios, assim como são eles os que investem mais em educação e saúde. Para se ter uma ideia, o total investido pelos três níveis de governo no ano passado ficou em torno de R$67 bilhões, e apenas 21% foram executados pela União.
O total de obras realizadas, e de equipamentos comprados pelos municípios, foi mais que o dobro do que gastou o governo federal. Dados oficiais mostram que os estados fazem o dever de casa, ao contrário da União.
O superávit primário dos estados vem sendo semelhante ao da União, apesar de a receita deles ser mais de 60% inferior à federal, fato que nunca havia acontecido antes.
A situação registrada no primeiro bimestre do ano, no auge da crise, única desde que a Lei de Responsabilidade Fiscal foi editada, em 2000, está pouco alterada até maio.
Ano passado, o superávit nos primeiros dois meses do ano foi de 4,7% do PIB, e este ano foi de 1,2%. O superávit do governo central até maio ficou em 1,27%, quando a meta era de 1,4%.
O investimento federal cresceu 25% nos últimos meses, mas vinha de uma base muito pequena. Além do mais, o custeio cresceu 23%, e o gasto com pessoal cresceu 17%, o que demonstra quais são as prioridades do governo.
A crítica que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez aos governadores de maneira geral, e em especial ao governador de São Paulo, José Serra, na abertura da solenidade de anúncio das novas medidas, mostra bem como o governo não está brincando com a questão eleitoral.
Com a queda do ICMS devido à crise, alguns governos estaduais anteciparam o pagamento de tributos para recompor seus caixas, e ontem o ministro Mantega criticou a medida, dizendo que ela não ajuda a superar a crise.
Foi uma resposta ao discurso do dia anterior do governador de São Paulo, potencial candidato do PSDB à Presidência na sucessão de Lula, que acusou o governo de não ter uma política de crescimento para o país para enfrentar a crise.
O problema é que mais um "pacote de bondades" distribuído ontem pelo governo, sem que se saiba de onde vai sair o dinheiro para bancar isso, deixa a oposição em uma verdadeira saia justa, pois o discurso do governo agrada aos dois grupos, tanto o do Bolsa Família quanto o da Bolsa de Valores.
O fato é que, diante de uma tendência fiscal muito frouxa, o mercado financeiro continua achando que está tudo bem, acreditando que dá para levar nessa toada até o próximo governo, em 2011.
A relação dívida/PIB cresceu porque a Petrobras saiu das contas públicas, e a aposta do governo é que a situação melhorará com a redução dos juros.
Mas o receio de que o governo venha a ter necessidade de aumentar novamente os juros em médio prazo, para segurar uma alta da inflação previsível pelos gastos crescentes, fez com que os juros futuros para 2011 já subissem ontem na Bolsa.
A arrecadação tributária caiu 11,4% graças à desoneração do IPI, a compensações de tributos como a Cide, à queda da lucratividade das empresas e ao arrefecimento brusco da atividade econômica e da produção industrial. E deve cair mais ainda com as novas reduções anunciadas ontem.
O superávit primário, segundo analistas econômicos, tem que chegar a 2,5% este ano, descontando 0,5% do PPI, e voltar a 3% do PIB no ano que vem, para que o equilíbrio fiscal não se perca.
De qualquer maneira, seja quem for o sucessor de Lula, ele quase certamente receberá uma verdadeira "herança maldita", com compromissos permanentes de aumentos salariais e a necessidade de cortar custos de um Estado que cresceu muito sem a contrapartida de serviços mais eficientes, apenas programas assistencialistas.

HONDURAS: GOLPE OU CONTRA GOLPE

AINDA DE ADRIANA VANDONI
NO BLOG PROSA & POLÍTICA

Neste domingo as “Forças Armadas de Honduras depuseram o presidente Manuel Zelaya para defender o Estado de Direito”, reconheceu a Suprema Corte de Justiça de Honduras em um comunicado, onde confirmou o embasamento legal da deposição do presidente. Segundo a Suprema Corte, Manuel Zelaya (na foto com Chávez) estava tentando dar um golpe na Constituição, ao ignorar a decisão do Congresso e partir para realização de um plebiscito, uma consulta popular sobre sua permanência no poder.
Diante disso podemos então concluir que não houve golpe, mas um contra golpe?
Só que nem contra golpe houve. A Constituição de Honduras prevê em seu Artigo 272:- Las Fuerzas Armadas de Honduras, son una Institución Nacional de carácter permanente, esencialmente profesional, apolítica, obediente y no deliberante. Se constituyen para defender la integridad territorial y la soberanía de la República, mantener la paz, el orden público y el imperio de la Constitución, los principios de libre sufragio y la alternabilidad en el ejercicio de la Presidencia de la República.
Golpe é o cacete então. O que as Forças Armadas fizeram foi tirar da presidência um esquerdopata aprendiz de salafrário, que queria dar um golpe para se perpetuar no poder, seguindo os passos e a orientação do salafrário mor das zersquerda latina, Hugo Chávez e a sua nova “ditadura democrática”, através de “consultas populares” fraudadas. Coisa que o PT até tentou neste pais.
Ontem foi lida no Congresso uma carta de renúncia do presidente, que nega tê-la escrito. Os parlamentares, com apoio do partido Liberal de Zelaya (que é um partido de direita. Zelaya, apesar de ter sido eleito pela direita, se aliou ao chavismo), aprovaram a indicação do presidente do Congresso, Roberto Micheletti, para assumir a presidência do país até as novas eleições, convocadas para novembro. Bom, então não se formou um governo militar.
O salafrário do Hugo disse ontem que está disposto a interferir militarmente para reconduzir seu amigo ao poder. Veja o absurdo: Chávez quer enviar tropas para Honduras para combater o que ele chama de golpe das elites hondurenhas a serviço dos Estados Unidos. O novo presidente disse ter conhecimento que a Venezuela está preparando rechaçou a ameaça de Chávez e disse que o Exército está preparado
Michelett, em seu primeiro discurso no cargo, avisou que está pronto para receber Manuel Zelaya de volta ao país, “pero sin el apoyo del gobernante de Venezuela, Hugo Chávez”.
Ao ver que ele não consegue ludibriar o novo governo e que sua vontade foi contrariada, Huguito está sapateando de raiva, tendo piti um atrás do outro. E saibam, ela vai aprontar alguma coisa, a vai. É uma questão de tempo.

A ARROGÂNCIA PETISTA

AINDA DO BLOG PROSA & POLÍTICA
DE ADRIANA VANDONI

Adriana Vandoni esteve excelente nesse fina de semana. Publicou várias matérias que merecem ser divulgadas. A primeira sobre as mamatas patrocinadas pela comissão de anistia do ministério da Justiça, objeto de matéria abaixo. Essa sobre a entrevista do presidente da Petrobrás. E outrea sobre o que chamou de golpe e contra golpe em Honduras. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli (foto), deu uma entrevista ao Estadão que irritou até os aliados do governo, tamanha arrogância. Em um trecho da entrevista, Gabrielli disse que, na falta de fatos determinados para investigar, senadores estariam apelando para "fatos artificiais" armados em combinação com a imprensa, ou a "coscuvilhices" (mexericos). A seguir, fez uma ameaça velada: "Estamos preparados para um vale-tudo". E acrescentou: "O ataque também faz parte da defesa". O senador Arthur Virgílio considera que "Essa arrogância do esconde medo". Gim Argello, da base sempre aliada, PTB, também criticou: "Não vejo necessidade em bater no Congresso. Não vejo parlamentares com intenção de detonar a Petrobrás".
Leia a matéria:
"Entrevista de Gabrielli irrita até base aliada"
Ameaças veladas ao Senado podem inviabilizar acordo para barrar CPI

A entrevista do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, publicada ontem pelo Estado, deixou a bancada do governo em situação embaraçosa e prejudicou o esforço do Palácio do Planalto em evitar - ou adiar - a instalação da CPI, criada pelo Senado, para investigar irregularidades na estatal. Senadores do governo e da oposição ouvidos ontem concordaram que Gabrielli foi inábil e mostrou uma arrogância que prejudica a estratégia de negociação dos governistas na hora mais crucial.No trecho mais forte da entrevista, o presidente da Petrobrás disse que, na falta de fatos determinados para investigar, senadores estariam apelando para "fatos artificiais" armados em combinação com a imprensa, ou a "coscuvilhices" (mexericos). A seguir fez uma ameaça velada: "Estamos preparados para um vale-tudo". E acrescentou: "O ataque também faz parte da defesa". A reação veio rápida. "Essa arrogância do Gabrielli esconde medo", disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).Líder do PTB e vice-líder do governo no Senado, Gim Argello (DF), um dos articuladores do movimento para barrar a CPI, ficou desconsolado com a entrevista. "Não vejo necessidade em bater no Congresso. Não vejo parlamentares com intenção de detonar a Petrobrás", observou. Para o senador, está provado que bater no Congresso "não é o melhor caminho para evitar uma CPI". Argello deixou claro, todavia, que não vê necessidade de instalação da CPI porque ela, a seu ver, não trará qualquer benefício ao País ou à empresa, que é um orgulho nacional e nesse momento de crise mundial dá significativa contribuição à estabilidade econômica. "A Petrobrás vem dando lucro, puxa para cima o PIB e os investimentos", disse. A sensação geral, porém, é de que o presidente da Petrobrás vem desde o início atropelando a estratégia do próprio governo. O primeiro erro apontado foi a perambulação de Gabrielli nos gabinetes do Senado, há duas semanas, na presunção de que iria dobrar a oposição. "Agora ele repete o erro com ameaças veladas", criticou o senador Renato Casagrande (PSB-ES), da base aliada. Para Casagrande, essa não é uma boa estratégia. "O governo tem de administrar a CPI e não partir para a guerra fratricida", disse ele. "A impressão que fica é que há muita denúncia inexplicável e, para se livrar delas, a Petrobrás joga tudo no embate", observou."É autoritária a postura de quem combate CPI", atacou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do requerimento de convocação da CPI. Para ele, há muitos "fatos nebulosos" na estatal para serem investigados."A entrevista (de Gabrielli) usa a tática da mistificação e tenta amedrontar o Parlamento com a ameaça do vale-tudo." Para Dias, a tática da ameaça pode ter efeito contrário. As denúncias elencadas na CPI incluem irregularidades em contratos milionários da estatal até manobras contábeis para sonegação de R$ 4 bilhões em impostos. Estão ainda incluídas acusações de beneficiamento a prefeituras e projetos de políticos petistas na destinação de recursos da Petrobrás e fraudes na distribuição de royalties.A CPI deve requisitar também o relatório de recente sindicância interna mantida sob sigilo pela empresa, além de explicações sobre o empréstimo de R$ 20 bilhões tomados junto à Caixa Econômica Federal, entre outras operações suspeitas.Para o senador José Agripino Maia (DEM-RN), a Petrobrás não deve se preocupar porque a CPI vai se ater a fatos concretos. "Em vez do vale-tudo, nós queremos o vale a verdade, com os fatos nebulosos passados a limpo", disse. "A base do presidente Lula tem que concordar com a instalação da CPI esta semana para não passar a impressão de que está escondendo a verdade", enfatizou. FRASESArthur Virgílio (AM)Líder do PSDB"Essa arrogância do Gabrielli esconde medo"Gim Argello (DF)Líder do PTB"Não vejo necessidade em bater no Congresso. Não vejo parlamentares com intenção de detonar a Petrobrás"Álvaro DiasSenador PSDB-PR"É autoritária a postura de quem combate CPI

BOLSA DITADURA

DE GIULIO SANMARTINI

NO BLOG PROSA & POLÍTICA

EDITADO POR ADRIANA VANDONI



Giulio Sanmartini) O jornalista e escritor Carlos Heitor Cony (foto) escrevia editoriais no Correio da Manhã, influente jornal carioca, hoje extinto. Em março de 1964, três desses editoriais deram a senha para o golpe que derrubou o presidente João Goulart, com os títulos "Chega!", "Basta!" e "Fora!'. Mas Cony entrou em choque com o então ministro do Exército, Arthur da Costa e Silva. Em função disso, passou a escrever crônicas criticando os militares. Teve que deixar o jornal, todavia não ficou sem trabalho, foi para a editora Bloch, onde era ghostwriter de Adolfo Bloch, defensor do regime militar, essas suas dubiedades fizerem que fosse conhecido no meio jornalístico de Carlos Heitor "Cony vente".
Em 2004, um portaria do ministério da Justiça assinada por Marcio Thomaz Bastos, considerou Cony anistiado político concedendo-lhe uma reparação econômica de R$ 19.115,19 mensais e com efeitos retroativos a 1998, que lhe pagaram R$ 1.417.072,75.
Em 2008, entre um grupo de jornalistas indenizados por "perseguições políticas, as maiores foram concedidas aos cartunistas Jaguar (R$ 1.027. 383, 29) e Ziraldo (R$ 1.253.000,24) e uma pensão vitalícia de R$ 4, 3 mil por mês.
Sobre o que chama "Bolsa Ditadura", escreve Elio Gaspari: "Se alguém quisesse produzir um veneno capaz de desmoralizar a esquerda sexagenária brasileira dificilmente chegaria a algo parecido com o Bolsa Ditadura. Aquilo que em 2002 foi uma iniciativa destinada a reparar danos impostos durante 21 anos a cidadãos brasileiros, transformou-se numa catedral de voracidade, privilégios e malandragens" – e ainda denuncia as gritantes distorções dos valores pagos – "O cidadão que em 1968 perdeu a parte inferior da perna num atentado a bomba ao Consulado Americano, recebe pelo INSS (por invalidez), R$ 571 mensais. Um terrorista que participou da operação ganhou uma Bolsa Ditadura de R$ 1.627. Um militante do PC do B que sobreviveu à guerrilha e jamais foi preso, conseguiu uma pensão de R$ 2.532. Um jovem camponês que passou três meses encarcerado, teve o pai assassinado pelo Exército e deixou a região com pouco mais que a roupa do corpo, receberá uma pensão de R$ 930."
O ainda ministro Gilmar Mendes em 2005, fez uma distinção entre o que é interesse público e o privilégio privado e classifica os valores desmesurados das indenizações como "verdadeira distorção ou patologia, que muito se aproxima de um estelionato

AIBUS IEMENITA CAI COM 153 PESSOAS A BORDO. RESGATADO UM MENINO SOBREVIVENTE

SANAA – Um avião Airbus A310-300 iemenita caiu no oceano Índico nesta segunda-feira, próxima às ilhas Comores, com 153 pessoas a bordo Uma pessoa sobreviveu à queda do avião iemenita. Segundo autoridades, trata-se de uma criança. A informação foi divulgada pela agência France Presse. As equipes de resgate procuram os destroços da aeronave após encontrarem, com vida, um menino que estava entre os passageiros.
As autoridades anunciaram também a localização de três corpos de tripulantes do Airbus 310-330, que já foram retirados do mar pelas equipes de resgate. Também foram localizados os primeiros destroços da aeronave.
O comunicado sobre a queda do avião foi feito em entrevista coletiva pelo vice-presidente da aviação civil iemenita, Mohammed Abdel-Rahman Abdel Qadir. Ele informou ainda que a aeronave da companhia aérea estatal Yemenia Air, vôo IY-626, havia decolado às 18h45 locais (12h45 de Brasília) de Sana, no Iêmen, com 153 pessoas, entre tripulantes e passageiros.
Abdel-Rahman revelou ainda que no momento da queda, ocorria uma tempestade com ventos de 61 km/h. A aeronave se preparava para aterrisar. O último contato com a torre de controle ocorreu à 1h51 local (19h51 de Brasília). Segundo o vice-presidente da aviação civil iemenita, duas embarcações de guerra da francesas e helicópteros participam dos trabalhos de buscas.
A aeronave da Yemenia, que é 51% de propriedade do governo do Iêmen e 49% do governo da Arábia Saudita, tinha como destino final o aeroporto de Moroni, capital de Camores, e caiu no mar a 30 quilômetros de seu destino. A frota da companhia é composta por dois Airbus 330-200, quatro Airbus 310-300 e quatro Boeing 737-800.
O arquipélago de Comores fica entre o continente africano e a ilha de Madagascar, no Oceano Índico. Ex-colônia francesa, tem cerca de 700 mil habitantes, em sua maioria islâmicos.
O vôo partiu de Paris, na França. Os passageiros fizeram então uma escala em Sana capital do Iêmen, onde trocaram de aeronave, de um Airbus 330 para o Airbus 310. O avião seguiu então para o arquipélago --a cerca de 300 km de Madagascar. O avião decolou pouco depois das 21h30 (15h30 no horário de Brasília) e deveria voar durante 4h30 antes de pousar em Moroni, capital comorense.
Não há informações sobre o que teria derrubado a aeronave. Autoridades comorenses e iemenitas afirmam que o mau tempo pode ter contribuído.
A Yemenia Airways usava o aparelho, construído em 1990, desde outubro de 1999, com 51.900 horas de voo acumuladas, segundo um comunicado divulgado pela Airbus.
Um funcionário da Comissão Europeia afirmou, em condição de anonimato, que a mesma aeronave iemenita foi objeto de um inquérito em 2007 sobre seu registro de segurança.
"Em julho de 2007, o avião nos deu motivos para começar um inquérito sobre os registros de segurança da Yemenia", disse o funcionário.
"A preocupação era com os relatórios incompletos de procedimentos e acompanhamentos. Os Estados membros fizeram 24 inspeções nos últimos dois anos, mostrando que os registros estavam melhorando", disse, sobre a Yemenia, que não está na lista negra da União Europeia.
A Airbus disse também que vai fornecer toda a ajuda necessária às autoridades e especialistas do Escritório de Investigação e Análise (BEA) da França, encarregados de esclarecer o acidente.
A BEA anunciou nesta terça-feira o envio de uma equipe de investigadores, que será acompanhada de especialistas da Airbus, às ilhas Comores, na costa do continente africano.
Lista negra
O chefe de Transporte da União Europeia, Antonio Tajani, afirmou nesta terça-feira que especialistas farão uma investigação para determinar se a companhia aérea deve ser incluída na lista negra de segurança do bloco.
Tajani afirmou ainda que, até o momento, a companhia passou pelos padrões de segurança impostos pelo bloco europeu e por isso não havia entrado para lista de companhias a serem evitadas.
Contudo, ele afirmou que especialistas entrarão em contato com a Yemenita Airways "para ver o que aconteceu e verificar o nível de segurança" de suas operações na Europa.
Sobrevivente
Até o momento, o único sobrevivente da queda do Airbus A310-300 da companhia Yemenia Airways foi um menino, que estava nas águas da costa das ilhas de Comores. Seu resgate foi intitulado de "milagre" pela imprensa.
"Encontramos um menino com vida. Está atualmente em um barco das equipes de resgate", declarou por telefone o médico Ben Imani, cirurgião no hospital El Maaruf da capital comorense, Moroni.
A informação foi confirmada por Arfachad Salim, coordenador das operações de emergência do Crescente Vermelho (Cruz Vermelha nos países islâmicos) comorense.
Segundo Mohamed al-Sumairi, diretor geral adjunto da Yemenia, que citou informações obtidas com o escritório da empresa em Moroni, outros três corpos foram resgatados pela equipe.
Um avião de reconhecimento encontrou destroços da aeronave nas águas da costa da cidade de Mitsamiouli na manhã desta terça-feira, afirmou o vice-presidente de Comores, Idi Nadhoim.
As operações de busca, contudo, são prejudicadas pelas condições meteorológicas ruins.

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais

Agora São Paulo
Educação municipal vai ganhar bônus de até R$ 2.400

A Tarde
Governo mantém IPI menor e reduz mais impostos

Correio Braziliense
Congresso esbanja com planos de saúde e nossos filhos ficam sem atendimento

Correio do Povo
Governo prorroga imposto menor para bens de consumo

Diário do Nordeste
Guerra à poluição visual

Estado de Minas
Medo no ar

Extra
Governo estende temporada de preços reduzidos até dezembro

Folha de São Paulo
Governo reduz juros para empresa e amplia isenções

Jornal do Brasil
Corte do IPI contra a falta de crédito

O Estado de São Paulo
Obama lidera reação a golpe em Honduras

O Globo
Revés histórico enfraquece os Kirchner para eleição de 2011

Valor Econômico
Bancos podem frustrar leilão de folha do INSS

Zero Hora
Temporal com vento de 100 km/h espalha estragos pelo Estado


Jornais internacionais


The Times (Reino Unido)
Dinheiro de escolas, estradas e saúde vai para novas casas

Le Monde (França)
Iraque: Exército americano vai deixar as ruas de Bagdá

China Daily (China)
Desastres causados pelo tempo podem crescer

El País (Espanha)
Madoff passará o resto da sua vida na cadeia

Clarín (Argentina)
Cristina minimiza a derrota, mas Kirchner renuncia como chefe de partido

O CLUBE DOS AMIGOS DE LULA


Marx dizia que a história se repete como farsa. No Brasil não, a história, a política é sempre farsa. E o pior é que engana muita gente. Até alguns falsos intelectuais.
Lula diz que Sarney tem história, não é uma pessoa comum. Nosso presidente, gosta de bancar o esperto. Lula, como já disse seu correligionário Hélio Bicudo, gosta de esconder o lixo debaixo do tapete. Na verdade, ele é cúmplice do parlamento, quando contemporiza com todos os atos capazes de ferir a ética, com a corrupção. Lula queria dizer biografia, como seu vocabulário é muito reduzido, usou a palavra história.
Lula gosta de boa companhia. Na política suas alianças são feitas com Fernando Collor, José Sarney, Romero Jucá, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Zé Dirceu, Paulo Maluf, Severino Cavalcanti, Paulinho da Força, C Edison Lobão, Newtão Cardoso, Wellignton Salgado e tantos outros respeitáveis membros da ala governista. São todos grandes patriotas, representam a nata do que não presta na política brasileira. Sempre se aproveitaram eleitoralmente da miséria e a ignorância do povo dos seus respectivos Estados. É o coronelismo no seu estado mais putrefato. É uma turma de meter medo. A lição que nos dão revela a promiscuidade malandra dos políticos brasileiros.
Alguns aliados de Lula ficaram constrangidos com a defesa de Sarney, Mas não devem ficar preocupados. Lula tem receio de que o PMDB use a CPI da Petrobras para pressionar o governo. Ele teme que o PMDB facilite a oposição, Ele já chamou Sarney de ladrão. Deve ser por isso que acha que o presidente do Senado não pode ser tratado como um homem comum.
Fernando Collor é outro ex-presidente que já foi acusado de muitas coisas pelo Lula. Hoje é vitima inocente de uma trama política que teria outro desfecho se fizesse aliança com Lula. Hoje Collor certamente escaparia do castigo se soubesse trocar favores. Não é difícil fazer negócio com a turma da do governo e da base que aluga o apoio. Não há messalinas disfarçadas de vestais no Senado, na Câmara, nos Ministérios, nem no Palácio do Planalto. As pessoas de bem, as pessoas honestas do país tem pouca esperanças de ver uma boa parte dos políticos brasileiros na cadeia ou ser punida.

SENADO AFASTARÁ MAIS QUATRO PARA TENTAR CONTER A CRISE

Por ISABEL BRAGA

O Globo - 29/06/2009

Demissões contra crise no Senado

Mesa anuncia exoneração de quatro nomes da cúpula ligados ao ex-diretor Agaciel Maia

Na tentativa de aplacar a crise política que ameaça até o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a direção da Casa iniciou uma limpeza em cargos administrativos estratégicos. Serão exonerados três diretores e um chefe de gabinete carimbados como funcionários da era Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado e pivô dos escândalos recentes envolvendo atos secretos e suspeita de irregularidades na gestão de contratos. Novas mudanças de comando devem ser anunciadas nos próximos dias, principalmente em áreas onde a influência de Agaciel é considerada ainda muito forte, entre elas a gráfica do Senado.
Depois da saída de Alexandre Gazineo da Diretoria Geral e de Ralph Siqueira da de Recursos Humanos, saem Aloysio Novais Teixeira, diretor da Secretaria de Patrimônio; Sebastião Fernandes Neto, diretor da Secretaria de Coordenação e Execução; e Shalon Granato, diretor da Secretaria de Controle Interno. Também será exonerado Dimitrius Hadjinicolau, chefe de gabinete da Secretaria de Estágios. Segundo assessores do Senado, Granato alegou estar esgotado e pediu para deixar a diretoria. Em seu lugar assume Eduardo Torres, um técnico da área.
- Vamos afastar diretores. Temos que fazer a reforma administrativa do Senado. Temos que rever tudo, foram 14 anos de uma gestão frouxa - afirmou o 1º secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI).
Aliados de Tajra no lugar dos "Agaciboys"
No lugar de Aloysio Novais, Luciano Freitas assumirá a Secretaria de Patrimônio. Novais geria contratos com empresas terceirizadas como a Ipanema - que teve o contrato revogado - e a Plansul, que a substituiu. Uma das reclamações é a demora no envio de dados, que forçavam a renovação de contratos.
A justificativa oficial para exonerar Novais é a necessidade de ter, em cargos estratégicos como o dele, servidores mais próximos ao novo diretor-geral, Haroldo Tajra. Sebastião Fernandes Neto cai porque era, de fato, assessor técnico dos ex-diretores-gerais Agaciel Maia e Gazineo. Era o responsável pela preparação da maior parte dos processos da Diretoria Geral, alguém carimbado como "Agaciboy" e com domínio grande da máquina do Senado. Também sai para dar lugar a um servidor de maior confiança de Tajra. O nome ainda não está definido.
Outra substituição importante é a de Dimitrius, que deixa a chefia de gabinete da Diretoria de Estágios, que era comandada pela mulher de Agaciel, Sânzia Maia. Ela deixou o cargo ano passado, em meio à polêmica sobre nepotismo. Semana passada, assumiu Petrus Elisbão. Dimitrius é suspeito de fraudar licitações e acusado pelo Ministério Público de improbidade administrativa na Operação MO 1º secretário, Heráclito Fortes, diz que todos os contratos da Casa serão revistos e que eventuais irregularidades serão apuradas. E que a revisão implicará enxugamento de funcionários terceirizados. - Claro que há vícios contratuais, gastos desnecessários. A sindicância não é para apurar apenas os atos secretos, mas também atos administrativos. Estamos vendo um por um. Hoje, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, deve enviar ao Conselho de Ética representação contra Sarney. Outra será movida pelo PSOL. ão de Obra. Ele fora nomeado em 2008, por ato secreto.
O 1º secretário, Heráclito Fortes, diz que todos os contratos da Casa serão revistos e que eventuais irregularidades serão apuradas. E que a revisão implicará enxugamento de funcionários terceirizados.
- Claro que há vícios contratuais, gastos desnecessários. A sindicância não é para apurar apenas os atos secretos, mas também atos administrativos. Estamos vendo um por um.
Hoje, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, deve enviar ao Conselho de Ética representação contra Sarney. Outra será movida pelo PSOL.

ARTUR VIRGÍLIO FAZ DENÚNCIA CONTRA SARNEY


O senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB fez violento discurso no plenário do Senado nesta tarde e acusou o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), de terem fornecido e induzido a revista "IstoÉ" a publicar matéria em é noticiado que o ex-diretor-geral Agaciel Maia havia pago despesas de US$ 10 mil do tucano e sua família durante uma viagem a Paris. Virgilio ainda apresentou denúncia contra Sarney que será entregue ao Conselho de Ética.
Virgílio afirmou que a matéria teria sido articulada pelo líder do PMDB, Renan Calheiros, Sarney e pelo líder do PTB, Gim Argello – DF, dirigindo-se diretamente a este último. O líder tucano disse que a publicação seria uma tática dos três com o objetivo de calar não um dos que estavam falando, mas o primeiro que falou. Que falou especificamente e não silenciou.” Aquele que não silenciará até que a Mesa substitua o Sarney, que não tem mais a mínima condição moral de permanecer à frente dessa Casa”, disse
A revista, IstoÉ disse que o senador tucano “abusou do gestual, mas escamoteou a verdade” em discurso proferido na semana passada, quando pediu a prisão e a demissão do ex-diretor-geral do Senado. Na ocasião, Virgílio disse que o Senado estava calado por medo de Agaciel e citou alguns fatos que poderiam ser usados pelo ex-diretor para chantageá-lo.
Em seu discurso, Virgílio disse que teve seus cartões bloqueados quando estava em Paris e que pediu a um amigo, ex-funcionário do Banco do Brasil e que atualmente está em seu gabinete, Carlos Homero Nina para resolver a situação. Ele teria feito isso com a ajuda de Agaciel e só teria comunicado tal fato ao senador após a realização do depósito.
Ao contrário do que disse Virgílio no plenário do Senado, a revista informou, “conforme altos funcionários da Casa”, que o parlamentar pediu diretamente ao ex-diretor a liberação de dinheiro. O tucano chegou a dizer que “se soubesse” que Agaciel participou da transação teria preferido “ficar preso na França”.
O senador questionou ainda se Agaciel teria usado seus próprios recursos nesse empréstimo. “Porque quebramos nosso sigilo bancário e vemos a origem do depósito na minha conta para saber se realmente veio da conta do Agaciel”.
Virgílio também disse que tão cedo foi avisado do empréstimo de Agaciel também soube que Homero junto de dois amigos já teriam ressarcido o ex-diretor-geral. Disse também que ele dificultou o recebimento dos recursos. “Quem não sente falta de US$ 10 mil só pode ser bandido”.
O líder pediu ainda a investigação de todos os presidentes e primeiros secretários que passaram pelo cargo durante os14 anos em que Agaciel ficou à frente da diretoria-geral do Senado.
Ele também taxou Agaciel, por diversas vezes, de “ladrão”, “gatuno”, entre outras variações do termo, e disse que uma secretária do ex-diretor-geral teria aberto um armário na sala da diretoria e teria sido coberta por dinheiro. “Isso na gestão Renan Calheiros, tem que ser investigado”.
Virgílio ainda voltou a dizer que a permanência de Sarney está inviabilizada na presidência do Senado e ingressou com uma denúncia contra o presidente no Conselho de Ética

DUNGA, UM TÉCNICO DE ESTRELA

A conquista da Copa das Confederações foi uma vitória da experiência, da maior qualidade técnica,, da paciência, da aposta certa e da estrela de Dunga. A espetacular virada contra a surpreendente seleção dos EUA, na final da Copa, foi o sinal definitivo de que os jogadores estão concentrados e não se deixam abater mesmo quando em desvantagem. Antes, o jogo contra a seleção da casa, foi a vitória contra um time que treina para isso há 40 dias, que jogava a mais importante partida da sua história
Dunga pode ser teimoso e ranzinza com a imprensa, mas não há dúvida de que ele recolocou a seleção brasileira no caminho do futebol eficiente e vitorioso, sem precisar jogar feio. A conquista da Copa das Confederações abriu o caminho para o favoritismo da seleção brasileira na conquista do hexa na África do Sul. o time de Dunga lembra bastante a determinada equipe de Felipão na Copa de 2002. E o hexa, desta vez, parece fadado a vir.

29 de junho de 2009

SIMBIOSE - OLIGARQUIA E POPULISMO

CARLOS ALBERTO DI FRANCO

O ESTADO DE S PAULO

Leôncio Martins Rodrigues, professor titular - hoje aposentado - de Ciência Política na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), renomado estudioso e autor de importante obra no campo da política, foi certeiro no diagnóstico da crise que agride as instituições brasileiras. Em sugestiva entrevista ao Direto da Fonte, coluna de Sonia Racy, jornalista de O Estado de S. Paulo, Rodrigues mostra que a multiplicação de escândalos não punidos é fruto da aliança entre os grupos de Lula e de Sarney.

Segundo Rodrigues, "o explícito apoio do presidente Lula - que assim paga a força que lhe deu Sarney no mensalão - configura a união de duas elites. O líder das oligarquias tradicionais do Nordeste junta-se ao líder das novas classes ascendentes". Mas a radiografia de Rodrigues vai ainda mais fundo: "A união foi possível porque os ?novos? aderiram rapidamente ao projeto dos ?velhos?, de fazer da política uma escada para obter proveitos pessoais, enriquecimento e desfrute puro e simples do poder. É algo de fato original. Entre nós, a ascensão dos plebeus não significou a expulsão dos velhos oligarcas. Eles se entenderam, chegamos aonde chegamos."

O presidente Lula, de fato, sempre saiu em defesa das oligarquias que sustentam o seu governo. Em recente visita ao Casaquistão, Lula disse que Sarney "não pode ser tratado como uma pessoa comum" e classificou de "política do denuncismo" a revelação de sucessivos escândalos que sacodem o Senado, como os mais de 600 atos secretos para nomear parentes e aumentar salários, entre outras irregularidades."

Sempre fico preocupado quando começa no Brasil um processo de denúncias, porque são acusações sem fim... e depois nada acontece. Não li a reportagem sobre o presidente Sarney, mas ele tem história suficiente para que não seja tratado como uma pessoa comum", disse o presidente, minimizando denúncias sobre os atos sigilosos. É o mesmo Lula que, quando estava na oposição, desfilou um rosário de qualificativos impublicáveis sobre o oligarca do Maranhão."

É importante investigar para ver o que houve", disse o presidente. Para, logo em seguida, num recorrente empenho de relativização da denúncia, questionar: "O que ganharia o Senado com uma contratação secreta, se tem mais de 5 mil funcionários transitando naqueles corredores?"

O presidente da República, invariavelmente, sai em defesa daqueles que compõem o seu cinturão de proteção. Incomoda-o, e muito, o pipocar de denúncias envolvendo membros de sua equipe ou de sua base aliada. Não é de agora o comportamento leniente do presidente. Num primeiro momento, desqualifica a denúncia. Nada se apura. Posteriormente, os denunciados voltam ao abrigo do amplo guarda-chuva protetor do poder.

Há, sem dúvida, uma simbiose impressionante entre a velha oligarquia e a nova elite ascendente. O que está acontecendo, talvez em proporções inimagináveis, é o resultado final de um silogismo com premissas ideológicas bem concretas. O PT, partido do presidente da República, que sempre agitou a bandeira da ética, na verdade cresceu sob a sombra da práxis de inspiração marxista, isto é, o que importa é o poder a qualquer preço. A ética foi uma bandeira de marketing, mas não é o fundamento da ação. Daí a convivência quase amorosa com os inimigos do passado. Daí o vale-tudo em nome de um projeto de permanência no poder. Por isso, hoje eles encarnam o que sempre criticaram. O pragmatismo algemou a consciência.

O projeto de perpetuação no poder, com o terceiro mandato do presidente ou com um clone de Lula, reclama a aquiescência da base aliada. E o preço do apoio está aí escancarado, gritando nas manchetes dos jornais. Loteou-se o governo para obter um passaporte para o aparelhamento do Estado. Posso estar errado, mas vislumbro no horizonte pesadas sombras de autoritarismo populista.

O presidente Lula, inteligente como é, soube manter a economia nos trilhos. Ele tem horror da inflação e para evitar o seu ressurgimento é capaz de todas as ortodoxias. Sua biografia, carregada de sofrimento e desamparo, deu à sua alma intensa sensibilidade social. O presidente fez muito pelos pobres e desvalidos. Reconheço seus méritos e sua sinceridade. Ninguém lhe tira seu imenso crédito na poupança eleitoral. Homem de indiscutível talento para a comunicação popular e de patente gosto pelo exercício do poder, Lula soube montar uma rede de apoio ao seu projeto pessoal, que, na minha opinião, caminha em rota de colisão com a cultura democrática.

A ameaça plebiscitária, marca registrada de Hugo Chávez e de Evo Morales, não está fora de cogitação. Creio, no entanto, no vigor das nossas instituições. O Poder Judiciário, independentemente de seus problemas e dificuldades pontuais, tem sido pautado por fina sensibilidade democrática. A sociedade civil, embora encantada com o razoável desempenho da economia, não está disposta a abrir mão dos benefícios da democracia. E a imprensa livre e independente cumpre o seu papel de investigação e de denúncia.

A democracia é o melhor antídoto contra o veneno da corrupção e do populismo. Como já escrevi neste espaço opinativo, os caminhos democráticos lembram as trilhas de montanha. O excursionista está sempre subindo, até mesmo quando parece que está descendo. A democracia é um lento aprendizado. O eleitor, inicialmente ingênuo e manipulável, vai ganhando discernimento. Não há marketing que sustente indefinidamente a mentira e a impunidade.

OS TEMPOS NÃO MUDARAM: GOLPE EM HONDURAS

DA FOLHA DE SÃO PAULO


Destituído pelo presidente Manuel Zelaya e reintegrado por ordem da Justiça, o chefe do Estado Maior das Forças Armadas de Honduras, general Romeo Vásquez, continuava dando ordens a seus soldados. Chegou a ser tacitamente reinstalado no cargo pelo próprio Zelaya e repetia que não haveria golpe: "Os tempos mudaram", disse, na sexta.
Mas o que se seguiu, na madrugada deste domingo, repetiu um roteiro comum na América Latina, especialmente na Guerra Fria. (O diferente desta vez foi a condenação internacional --dos Estados Unidos à Venezuela--, o que faz do novo governo, em um limbo diplomático, um teste para as aventuras golpistas deste século.)
As Forças Armadas hondurenhas prenderam e deportaram o presidente. Tanques ocuparam alguns pontos estratégicos da cidade. Seguindo a praxe dos golpes, canais de notícias e rádios saíram do ar ou passaram programas amenos.
Os militares, com apoio do Congresso e da Justiça, também prenderam integrantes do antigo governo --a acusação feita pelos apoiadores de Zelaya foi corroborada pela OEA (Organização dos Estados Americanos). Estariam presos a ministra das Relações Exteriores, Patricia Rodas, o prefeito de San Pedro Sula (centro industrial), Rodolfo Padilla, entre outros.
O objetivo declarado do golpe é barrar a consulta proposta pelo presidente, tampouco prevista legalmente, que abriria caminho para uma nova Carta permitindo a reeleição.
O discurso mais repisado do novo governo, porém, é a necessidade de barrar o "socialismo", desta vez a ameaça estatista da aliança com Caracas.
Foi em Caracas que ocorreu a última tentativa de golpe no hemisfério, em 2002. O último golpe bem-sucedido foi o de oficiais militares, apoiados por movimentos indígenas, contra o governo de Jamil Mahuad, no Equador, em 2000.

PRESIDENTE INTERINO DE HONDURAS DECLARA TOQUE DE RECOLHER

DA BBC BRASIL


O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, impôs um toque de recolher nesta madrugada no país, horas depois de ser empossado.
Micheletti, que era Presidente do Congresso, assumiu o cargo máximo do país depois que soldados prenderam o presidente eleito Manuel Zelaya, no domingo, e o enviaram para o exílio na Costa Rica.
O presidente interino disse que Zelaya foi retirado do governo seguindo normas constitucionais e disse que o plano para a realização de eleições presidenciais no dia 29 de novembro serão mantidos.
Micheletti justificou: "Isto é para cumprir uma ordem judicial. A ordem constitucional foi violada. As leis do nosso país estavam sendo permanentemente violadas e é por isso que o Congresso tomou uma decisão depois de ouvir o procurador da República, a Suprema Corte e o que está acontecendo com o Congresso Nacional. Esta é a sequência de eventos que está levando ao conhecimento da comunidade internacional para que perceba que não fizemos absolutamente nada para afetar uma pessoa que foi eleita pelo povo."
"Nós respeitamos, como deve ser, todos os cidadãos que respeitam a Constituição da República e suas leis (...) Nós temos um grande respeito por todos os cidadãos hondurenhos", concluiu o político.
Segundo o Congresso, Micheletti vai governar até 27 de janeiro, quando o mandato de Zelaya deveria terminar.
Plebiscito
A crise política em Honduras que levou à detenção de Zelaya pelo Exército teve origem num enfrentamento do mandatário com os outros poderes estabelecidos do país: o Congresso, o Exército e o Judiciário.
Zelaya queria que as eleições gerais de 29 de novembro --quando seriam eleitos o presidente, congressistas e lideranças municipais-- tivessem mais uma consulta, sobre a possibilidade de se mudar a Constituição do país.
Segundo sua proposta, os eleitores decidiriam nessa consulta se desejavam que se convocasse uma Assembleia Constituinte para reformar a Carta Magna.
Os críticos de Zelaya afirmam que sua intenção era mudar o marco jurídico do país para poder se reeleger, o que é vetado pela atual Constituição.
A ideia de Zelaya era realizar, no domingo passado, um plebiscito sobre a ideia da consulta de 29 de novembro.
O plebiscito deveria ser realizado no domingo, mas ao invés disso o presidente foi detido.
Na Costa Rica, Zelaya disse que foi deposto "em um complô de uma elite voraz, uma elite que só quer manter o país isolado, em um nível extremo de pobreza".
Ele pediu aos hondurenhos que resistam aos que o depuseram, e viajou na noite de domingo para a Nicarágua, onde participaria de um encontro com líderes regionais.
Há notícias de que na capital de Honduras, Tegucigalpa, grupos de partidários de Zelaya levantaram barricadas e soldados se posicionaram em pontos-chaves da cidade.
O Congresso afirmou que aprovou em votação sua retirada do poder por causa de suas "repetidas violações da Constituição e da lei e desrespeito a ordens e decisões das instituições".
Reação internacional
A deposição de Zelaya foi criticada por países-vizinhos, Estados Unidos e Nações Unidas.
A OEA (Organização dos Estados Americanos) convocou uma reunião de emergência e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu "a restauração dos representantes democraticamente eleitos do país".
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu a Honduras que "respeite o estado de direito" e um representante do Departamento de Estado disse que seu país reconheceu Zelaya como o presidente eleito do país.
A União Europeia pediu "uma volta rápida à normalidade constitucional".
Já o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, culpou "o império ianque", e ameaçou ação militar caso o embaixador venezuelano em Honduras seja atacado.

GOLPE DEPÕE PRESIDENTE DE HONDURAS

MANCHETE DA FOLHA DE SÃO PAULO

O presidente hondurenho, Manuel Zelaya, foi deposto por militares no dia em que promovia consulta popular para respaldar uma nova Assembleia Constituinte. Ele foi detido quando dormia, na residência oficial. Ainda de pijama, embarcou para a Costa Rica, onde afirmou ter sido vítima de um "sequestro brutal, sem nenhuma justificativa

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais


Agora São Paulo
Veja como conseguir a aposentadoria pelo teto

A Tarde
Morre primeira vítima da nova gripe no país

Correio Braziliense
Gripe suína mata no Sul e avança no DF

Correio do Povo
Gaúcho é a 1ª vítima da gripe A

Diário do Nordeste
Delegacia tem 300 inquéritos parados

Estado de Minas
Brasileiro prefere correr riscos

Extra
Yes, somos tri

Folha de São Paulo
Golpe depõe presidente de Honduras

Jornal do Brasil
Brasil tem primeira morte por gripe suína

O Estado de São Paulo
Golpe de Estado depõe presidente de Honduras

GloboPrimeira morte por gripe suína não faz Brasil mudar estratégia

Valor Econômico
Obras de revitalização do rio São Francisco atrasam

Zero Hora
Morte de gaúcho faz Saúde ampliar combate à gripe A no Estado

Jornais internacionais

The New York Times (EUA
)Obama se opõe a sanções comerciais em plano ambiental

The Washington Post (EUA)
Militares de Honduras mandam presidente para o exílio

The Times (Reino Unido)
Babá revela trágica vida secreta de Jackson

The Guardian (Reino Unido)
Scotland Yard condena tática de policiais nos protestos do G20

Le Figaro (França)
O grande empréstimo para preparar a França do pós-crise

China Daily (China)
Crise e gripe causam grande prejuízo aos hotéis

El País (Espanha)
Exército de Honduras sequestra o presidente e o expulsa para a Costa Rica

Clarín (Argentina)
Kirchner sofre derrota muito dura e perde o controle do Congresso

28 de junho de 2009

BRASIL CAMPEÃO DA COPA DAS CONFEDERAÇÕES, COM VITÓRIA DE VIRADA

Foi um jogo dramático mas com muita raça e determinação, o Brasil conseguiu derrubar a sólida defesa aramada pelo técnico Bob Bradley dos Estados Unidos e venceu o ferrolho defensivo armado pela zebra da competição.
A equipe dos Estados Unidos surpreendeu a seleção verde-amarela e terminou o primeiro tempo com a vantagem tempo 2 a 0 no placar.
No início do segundo tempo, no primeiro lance da partida, Luís Fabiano não teve clemência e marcou com raro oportunismo. O camisa 9 empatou a final da Copa das Confederações com dois gols. Depois, o capitão Lúcio usou a cabeça e o coração para fazer 3 a 2 sobre os norte-americanos, que venciam por 2 a 0 no intervalo, com gols de Clint Dempsey aos 9 minutos de jogo e Landon Donovan, aos 25.
A reação foi construída toda no segundo tempo: dois de Luís Fabiano, o primeiro a 1 minuto e o segundo, aos 30. Aos 40, Lúcio fechou o placar e consolidou a virada. Antes, houve um ataque do Brasil, em que apesar da bola ter entrado, o gol não foi validado pelo árbitro.
Foi uma conquista superando muitas dificuldades, com uma duas vitórias sobre os norte-americanos. O Brasil conquistou o tricampeonato na Copa das Confederações, depois dos títulos de 1997 e 2005. A seleção de Dunga levantou a taça após vitórias por 4 a 3 sobre o Egito, dois placares de 3 a (sobre EUA e Itália) e dois triunfos dramáticos: 1 a 0 sobre a África do Sul e 3 a 2 na revanche contra a zebra.
O Brasil enfrentou verdadeiro cadeado que trancava a passagem da seleção canarinho, logo após o árbitro Martin Hansson autorizar o início da decisão das Copa das Confederações. Com sete jogadores de branco bloqueando o meio-de-campo, a equipe brasikleira encontrava enorme dificuldade para ganhar espaço no gramado.
A única saída para o Brasil driblar esse ferrolho era acelerar a velocidade do passe e do ataque, especialmente pelas laterais. Pela direita, Maicon era quem mais se destacava, mas não vinha conseguindo direcionar os cruzamentos para os parceiros de amarelo. Gigante, o zagueiro Oguchi Onyewu atraía a bola para sua cabeça e com ela afastava o perigo que rondava o gol defendido por Tim Howard.
Tranquilos na defesa, os norte-americanos ensinaram para o Brasil como deveria ser feito. Em uma jogada rápida pela direita aos 9 minutos, o lateral Jonathan Spector acertou um cruzamento para Clint Dempsey. O meio-campista se antecipou à marcação e desviou. Não acertou em cheio, mas o toque foi suficiente para jogar a bola longe do alcande de Júlio César. O goleiro brasileiro se estirou todo, mas apenas o pescoço e os olhos esticados alcançaram visualmente a bola, que morreu nas redes.
O Brasil aprendeu: se o meio estava bloqueado, as alas eram as alternativas. E as laterais do gramado permitiram duas boas jogadas: uma com Robinho pela esquerda e outra com Maicon, após receber passe de calcanhar de Kaká. Mas Howard era a segunda barreira a ser vencida.
Aos 25 minutos, o Brasil foi com tudo para o ataque em uma cobrança de escanteio. Maicon pegou mal na bola, que atravessou toda a grande área e caiu nos pés da zaga norte-americana. O meio-campo, agora, estava aberto: contra-ataque, 2 contra 2. Era a chave que os Estados Unidos precisavam para complicar e muito a situação brasileira. Charlie Davies disparou pela direita e rolou para a meia-lua, de onde Landon Donovan driblou Ramires e bateu firme, cruzado. Júlio César, de novo, nada pôde fazer.
A essa altura, os Estados Unidos se fecharam ainda mais. A seleção brasileira tinha vários problemas para sair jogando até mesmo em seu campo de defesa. Eram 11 marcadores vestidos de branco. Apenas jogadas com chutes de muito longe ou velocidade pelas laterais davam um alento. Howard fazia questão de frustrar todos os ataques, com um excelente posicionamento.
Foram precisos 15 minutos para o Brasil se reestruturar. Depois que a bola rolou no segundo tempo, o que não foi feito em 45 minutos saiu em 30 segundos. Jogada rápida pela direita, Maicon encontrou Luís Fabiano na área. O camisa 9 girou sobre a marcação de Jay DeMerit e bateu firme e forte, rasteiro: gol brasileiro. A vantagem das zebras diminuía para 2 a 1. A velocidade do lance impediu que a barreira branca se formasse.
Por uma vez em uma hora de jogo, o Brasil conseguiu acertar jogadas aéreas aos 13. Após cobrança de escanteio, Lúcio cabeceou firme e Howard espalmou. Dois minutos depois, Kaká cabeceou no travessão e Howard tira a bola de dentro do gol. Os auxiliares não viram o gol que daria o empate ao Brasil.
Uma grande chance apareceu para Luís Fabiano aos 25 minutos do primeiro tempo. O capitão Lúcio saiu da defesa, avançou ao ataque e lançou o camisa 9, que foi parado pela muralha Howard na hora do chute. Aos 30, porém, o Fabuloso conseguiu empatar. Depois de Robinho desviar cruzamento no travessão, o centroavante apareceu na pequena área para igualar o marcador.
O gol que selou o tricampeonato do Brasil nas Confederações surgiu aos 40 minutos. Elano bateu escanteio da direita e encontrou a cabeça de Lúcio, que finalizou com força para fechar a partida.
Na cerimônia final de encerramento do espetáculo, o capitão Lúcio ergueu a taça sob os aplausos de todos os presentes, enquanto Luiz Fabiano foi o Artilheiro da Copa com 4 gols, e Kakã foi eleito o melhor jogador da competição.

A VOZ ROUCA DAS RUAS

MERVAL PEREIRA

O GLOBO

A crise no Senado pode caminhar para uma solução com a saída do senador José Sarney da presidência, mas ele tem a seu favor, além do peso indiscutível junto a seus pares, uma intrincada armação política que leva em conta problemas pessoais e até mesmo a campanha eleitoral que começa no ano que vem. O vice de Sarney é o senador tucano Marconi Perillo, e a última coisa que o Palácio do Planalto quer é que o PSDB assuma o Senado no ano eleitoral. Além do mais, há um problema específico com Perillo, de quem o presidente Lula definitivamente não gosta.
Quando governador de Goiás, na época do mensalão, Marconi Perillo disse que havia alertado cerca de um ano antes o presidente Lula de que estava havendo "mesada" a deputados no seu governo. A revelação trouxe problemas para Lula, que dizia que nada sabia.
Para complicar mais a situação política, Marconi Perillo está em oposição a Henrique Meirelles, que pretende concorrer ao governo do estado ou ao Senado.
Há problemas mais delicados ainda, envolvendo a saúde do vice-presidente José Alencar. No ano que vem, o presidente da Câmara, Michel Temer, será candidato a algum posto — ou à reeleição, ou a vice em alguma chapa, seja do governo, seja da oposição — e não poderá assumir a Presidência caso o vice Alencar não esteja em condições.
O substituto imediato é o presidente do Senado, e Lula quer contar com Sarney nesse papel, para que possa viajar ao exterior sem preocupações com a campanha eleitoral.
Mais ainda, Sarney é o principal apoio ao projeto de Lula dentro do PMDB, e, enfraquecido, já estaria perdendo poder político dentro do partido.
O receio é que essa crise enfraqueça tanto Sarney que o PMDB se volte para o apoio ao candidato do PSDB, o que seria desastroso para a campanha de Dilma Rousseff, que perderia, sobretudo, o tempo de televisão.
Nessa disputa paralela, a reunião da próxima terçafeira da direção nacional do DEM pode enfraquecer ainda mais Sarney.
Embora seja improvável que o partido assuma oficialmente a tese do "fora Sarney", que já foi encampada pelo senador Demóstenes Torres, é possível que a nota a ser divulgada já não apresente uma defesa tão irrestrita a Sarney, exigindo apurações sobre as negociações que rolam no Senado, inclusive o crédito consignado em que seu neto atua.
O primeiro-secretário Heráclito Fortes pretende, a partir de amanhã, começar a desmontar o esquema de Agaciel Maia, e os gestores dos contratos de compras e terceirizações do Senado serão trocados. Ele tem dito que a crise administrativa será resolvida, mas ele nada pode fazer quanto à crise política.
Outro elemento desestabilizador desse processo é a ação do PSOL, que, embora com apenas um senador, José Nery, do Pará, já ameaçou pedir uma CPI sobre o Senado e, sentindo que não teria receptividade no momento dentro da Casa, resolveu partir para a mobilização nas ruas.
A mobilização começou na sexta-feira no Rio, na Praça Mário Lago (antigo Buraco do Lume), no Centro do Rio, quando foi lançado o abaixo-assinado, em Porto Alegre, em São Luís, e amanhã o partido levará o movimento a São Paulo.
A ideia é "jogar a crise na rua", na esperança de que, nas palavras do deputado federal Chico Alencar, "a massa popular se interesse, se agite, reverbere".Sabedores de que nem a proposta de CPI para a máfia do Senado nem a representação contra Sarney têm chances de prosperar, diz Chico Alencar, "combinamos a ação institucional coerente com a presença nas ruas: a velha 'agitação e propaganda' de causas que interessem à sociedade brasileira".
Na análise do PSOL, "nossas elites são experimentadas em acordos pelo alto, e só aceitam perder, no limite, alguns anéis para manter os dedos. A nós, por concepção política, cabe horizontalizar a cidadania, fazer política no espaço aberto das ruas".
Ele lamenta que partidos de gênese de esquerd a , com o PT e PC d o B , "têm progressivamente abandonado esta ação militante, burocratizando-se nos confortáveis nichos de poder que a Era Lula oferece com fartura".
O PSOL, para sobreviver, acha que não tem outro caminho se não o da mobilização, e está acrescentando um dado novo à crise do Senado: ela está sendo levada organizadamente às ruas, com o mote "CPI da Máfia do Senado e Sarney afastado".
Chico Alencar considera "impressionante" a adesão popular, embora admita que é sublinhada com o travo da descrença, com algumas pessoas dizendo: "Vou assinar, mas essa política não tem mais jeito...Tira um , vem outro da mesma laia!".
O PSOL acha que, "com argumentação política, o povo se põe em movimento, a indignação se organiza.E ninguém aceita a postura do Lula, mesmo aqueles que gostam do cara", analisa Chico Alencar.
A questão é saber até que ponto a população está realmente mobilizada com essa crise no Senado que parece não ter fim.Há quem considere que a mobilização política atual é feita muito mais pela internet e pelos novos meios de comunicação, como o twitter e os sites de relacionamento, do que em manifestações de rua.
De qualquer maneira, seja de que jeito for, os senadores que este fim de semana estão em seus redutos eleitorais poderão sentir de perto a reação. Na crise anterior, que culminou com a saída do senador Renan Calheiros da presidência do Senado, ela sempre recrudescia depois do fim de semana.
E os políticos sabem ouvr " a voz rouca das ruas", como o ex-deputado Ulysses Guimarães definia a opinião pública.

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais

Agora São Paulo
Veja 20 opções para aumentar o tempo de contribuição do INSS

A Tarde
Coronel ganhou sete vezes o que declarou

Correio Braziliense
Filhos de imigrantes são adotados pelo crime

Correio do Povo
Gripe A

Diário do Nordeste
Derrame de remédio ilegal

Estado de MinasEspecial:
Michael Jackson mudou a minha vida

Extra
Prefeitura doará choque de ordem em 150 escolas em áreas de risco

Folha de São Paulo
Empresários são maior fonte de dinheiros dos paridos políticos

Jornal do Brasil
A economia que esquenta no inverno

O Estado de S.Paulo
Gabrielli diz que Petrobras está pronta para 'vale-tudo'

O Globo
Afastado, pivô de escândalo mantém o poder no Senado

Zero Hora
Brigada traça mapa do crime na Capital

Revistas

Veja
Michael Jackson - 1958-2009

Época
Michael Jackson - 1958-2009

IstoÉ
As várias vidas de Michael Jackson

IstoÉ Dinheiro
Vendi minha empresa. E agora?

Carta Capital
O Senado acoelhado

Jornais internacionais


The New York Times (EUA)
Perdas do taleban não são certeza de ganho para paquistaneses

The Times (Reino Unido)
Babá revela trágica vida secreta de Michael Jackson

The Observer (Reino Unido)
Família Jackson pedirá segunda autópsia

Le Monde (França)
Fillon prepara o espírito para estender a idade de aposentadoria

China Daily (China)
Família Jackson exige segunda autópsia

El País (Espanha)
"O CNI conhece suas fraquezas e, sem se dar conta, trabalha para elas"

Clarín (Argentina)
Uma eleição que decide o futuro do kirchnerismo

PRÊMIO DE 55 MILHÕES DA MEGA-SENA SAI PARA 4 APOSTADORES

Bilhetes premiados do terceiro maior prêmio da história vão embolsar R$ 13.904.065,20 cada


Quatro apostas acertaram as seis dezenas do concurso 1086 da Mega-Sena e vão dividir o prêmio de R$ 55 milhões sorteados neste sábado (27). Cada aposta vai receber R$ 13.904.065,20. As dezenas sorteadas foram:
02 - 04 - 06 - 10- 23 - 45
Segundo informações da Caixa, os bilhetes vencedores são de Ibirité (MG), Londrina (PR), Leme (SP) e São Bernardo do Campo (SP). A Quina premiou 954 apostas com R$ 5.470,55 cada. Já a Quadra teve 52.159 contemplados, que receberão R$ 142,93 cada. O próximo concurso da Mega-sena, a ser realizado na próxima quarta-feira (1º), deve pagar R$ 2 milhões

POLICIA DE LOS ANGELES OUVIU MÉDICO DE MICHAEL JACKSON ONTEM

DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Uma reportagem publicada na noite deste sábado no site do jornal americano "The New York Times" afirma que a polícia de Los Angeles entrevistou hoje Conrad Murray, o médico que estava com Michael Jackson na hora da morte do astro pop na quinta-feira. Segundo a reportagem, os policiais afirmaram que não estavam conduzindo uma investigação criminal mas queriam falar com o médico sobre dúvidas que surgiram sobre a morte de Jackson.
Um comunicado divulgado pelo advogado de Murray diz que o médico "não é um suspeito" na morte do cantor e que ele vai "continuar a colaborar" nas atividades policiais. "O Dr. Murray fez o máximo para revivê-lo", diz a nota
Questões sobre a atividade do médico foram levantadas neste sábado pelo reverendo Jesse Jackson. O pastor negro, militante dos direitos cívicos, disse que Murray "deve à família e ao público" explicações sobre as últimas horas de vida de Michael Jackson, afirmou, sentenciando que "nesse caso, o problema não é a automedicação, mas o médico".
O consumo excessivo de medicamentos foi amplamente citado pelos familiares do cantor como uma das causas possíveis para a morte. "Há suspeitas que pairam sobre este médico, e com razão, pois qualquer outro médico diria: 'Isso foi o que aconteceu durante as últimas horas de vida de Michael Jackson. Eu estava lá e lhe dei medicamentos'", declarou o pastor Jackson, que não tem nenhum parentesco com o cantor
Quando o médico veio? O que fez? Deu uma injeção a Michael? E se deu, qual foi a substância injetada? O médico voltou muito tempo depois de ter sido chamado?", perguntou o reverendo. "A ausência dele levanta questões importantes, às quais só ele pode responder", prosseguiu.

NOVA NECRÓPSIA

As dúvidas sobre a atuação médica teriam levado a família a pedir uma nova necrópsia do corpo de Michael Jackon, segundo o porta-voz do Instituto Médico Legal de Los Angeles, Brian Elias. De acordo com o site de celebridades "TMZ", essa segunda necrópsia teria sido realizada já neste sábado .
"Sinceramente, a família precisa de uma necropsia independente. Estou seguro de que ela deveria fazer isso, e provavelmente o fará", reforçou o pastor.
O corpo do cantor foi liberado pelas autoridades do Estado da Califórnia e entregue aos familiares na noite desta sexta-feira. A família, que está reunida desde quinta-feira na residência de Encino, subúrbio de Los Angeles, conduziu o corpo de Jackson a um local ainda não divulgado. Não há informações sobre a realização do funeral e enterro.

Autópsia inconclusiva

A autópsia foi concluída na tarde de sexta-feira. O exame, no entanto, não determinou a causa da morte do artista. Em entrevista coletiva realizada logo após a autópsia, o porta-voz Craig Harvey informou que é preciso esperar o resultado dos exames toxicológicos.
Segundo Harvey, o resultado desses exames vai demorar de quatro a seis semanas para ficar pronto. O porta-voz ainda informou que Michael Jackson ainda estava vivo quando chegou ao hospital, e que não havia sinais de violência em seu corpo.
Familiares de Jackson asseguraram que o cantor recebeu "uma alta dose de morfina" logo antes de sua morte, segundo o portal TMZ.
O pai do artista, Joe Jackson, queria levar seu filho recentemente a um centro de reabilitação em Palmdale, na Califórnia, por considerá-lo "dependente" de morfina e medicamentos com prescrição médica.
Outros integrantes da família disseram que o cantor não estava preparado para fazer os próximos shows previstos para julho, por causa do uso dessas substâncias.
De fato, representantes da turnê, prevista para começar no dia 17 de julho, disseram ao "TMZ" que Michael geralmente se encontrava em estado "letárgico" e chegava tarde aos ensaios.

Injeção de Demerol

O portal também assegurou que um integrante próximo à família de Michael afirmou que o cantor recebia uma injeção diária de Demerol, um medicamento similar à morfina, e que, nesta quinta-feira, dia da morte de Jackson, recebeu uma dose por volta das 11h30 (15h30, no horário de Brasília). A fonte acrescentou que a dose foi "alta demais" e que causou sua morte.
Uma porta-voz da Polícia de Los Angeles disse que um veículo do médico supostamente responsável pelo medicamento foi rebocado da casa de Michael "porque pode conter remédios ou outras evidências que podem ajudar o juiz de instrução".
Curiosamente, há alguns anos Michael Jackson compôs uma música em que fala especificamente sobre morfina e demerol. A canção se chama "Morphine" e está no álbum "Blood on the Dance Floor", de 1997. "Close your eyes and drift away / Demerol, demerol / Oh God, he's taking demerol", diz um trecho da letra (em português, "Feche os olhos e deixe-se levar / Demerol, demerol / Meu Deus, ele está tomando demerol").
Brian Oxman, amigo pessoal de Michael e advogado da família, afirmou, na quinta-feira, não conhecer "a causa de tudo isto, mas é algo que temia. Isto é um caso de abuso de remédios, salvo que a causa seja outra". "Sua família tentava cuidar de Michael há meses, mas as pessoas que o rodeavam não permitiram que isto ocorresse", acrescentou.
Takek Ben Amar, amigo e ex-agente de Michael Jackson, chegou a chamar os médicos que travavam do artista de criminosos e charlatães, pois, segundo ele, se aproveitaram de uma pessoa hipocondríaca que tinha necessidade de tomar muitos medicamentos. "Está claro que os criminosos neste caso são os médicos que o atenderam ao longo de sua carreira, que destruíram seu rosto, que deram remédios para acalmar as dores", denunciou Ben Amar à rádio francesa Europe 1.
"Ele era hipocondríaco e nunca soube de verdade se estava doente porque vivia rodeado de médicos charlatães que viviam dessa doença, que cobravam milhares e milhares de dólares em remédios, em vitaminas", acrescentou.
O anestesista do Hospital São Luis Daniel Oliveira explica que uma dose muito alta de morfina poderia causar parada respiratória, o que levaria à parada cardíaca. "A morfina é um opióide, como a heroína, e pode causar depressão respiratória caso o paciente receba uma dose muito maior do que a que está habituado", detalha. Um paciente que sofra de dor crônica, como os com câncer terminal, pode ser medicado com 10 ou 15 miligramas diárias. "Se Michael Jackson estava tratando um quadro de dor muito forte, ele aguentaria mais morfina", especula. Isso porque o organismo cria mecanismos de resistência aos efeitos e necessita quantidades maiores para que a droga faça efeito.
O médico cardiologista Fernando de Araujo Pereira ressalta que a quantidade de morfina suficiente para causar uma parada cardiorrespiratória é diferente para cada paciente. "Depende da dose, da predisposição da pessoa e das doenças que ela tem", alerta.

MÉDICO DE MICHAEL JACSON PRESTA DEPOIMENTO A POLÍCIA DE LOS ANGELES

DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

A polícia disse que não está conduzindo uma investigação criminal, mas queria falar com o médico Conrad Murray, de 56 anos, que era o cardiologista que estava com Michal Jackson no momento em que ele passou mal. Jackson, que estava ensaiando para uma turnê de 50 shows em Londres morreu no hospital.
"Nós achamos que ele (Conrad Murray) está colaborando conosco para chegar à verdade dos fatos neste caso", disse o chefe do departamento de polícia Charlie Beck.
O advogado de Murray disse que o médico não era suspeito da morte de Jackson e que ele "continuava cooperando totalmente" com a investigação.
"Dr. Murray acompanhou Michael Jackson até o hospital e fez esforço frenético para reanimá-lo durante o caminho", disse um assessor do advogado de Murray.
O reverendo Jesse Jackson, que tem sido o porta-voz dos pais do cantor, disse à CNN que a família iria "sem dúvida" pedir um exame independente no corpo do Rei do Pop.
Jesse Jackson disse à ABC News que a família também tem perguntas a fazer para Murray. "Quando o médico veio? O que ele fez? Ele injetou algo nele? Se sim, o quê?," indagou. "Ele esteve no local duas vezes? Antes e reagindo ao que aconteceu? Ele usou Demerol? É uma droga muito forte. Ele (o Demerol) foi injetado uma vez? Foi injetado duas?"
O TMZ informou que a polícia também está interessada em falar com outro assessor de Jackson, Tohme Tohme, sobre o uso, pelo cantor, de medicação prescrita.

REALIZADA SEGUNDA NECRÓPSIA EM MICHAEL JACKSON

DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Concluída segunda autópsia em Michael Jackson

Família do astro pop contratou legista particular, mas ainda não divulgou resultado da autópsia

A família do cantor Michael Jackson pediu novos exames para apurar a causa da morte. A informação foi confirmada a agências internacionais pelo porta-voz do Instituto Médico Legal de Los Angeles, Brian Elias.
Segundo o jornal "Los Angeles Times", a segunda necrópsia foi concluída, mas os resultados não foram divulgados.
De acordo com a Fox News, a família de Jackson esteve reunida próximo à sua casa, no subúrbio de Los Angeles, preparando o velório e o funeral do artista. Uma empresa de mudança foi enviada à mansão de Holmby Hills, onde Michael Jackson morava, para encaixotar e levar embora suas coisas.
Muitas caixas foram retiradas da casa neste sábado (27). Não há informações sobre o destino dos pertences do cantor nem registro do que exatamente já saiu da casa. Pela manhã, sua irmã Janet usou três caminhões para recolher os bens da mansão alugada pelo cantor em Carolwood Drive.
Informações de janeiro deste ano, época em que Jackson se mudou para a mansão, dão conta de que o aluguel seria de R$ 100 mil dólares (o equivalente a cerca de R$ 190 mil), o que pode ter apressado a retirada de seus bens.
Resultados da necrópsia, realizada nesta sexta-feira, não indicaram "traumas externos" ou "circustâncias suspeitas" (de crime) no corpo do cantor, que morreu na quinta após sofrer uma parada cardíaca em sua casa em Los Angeles.
De acordo com Craig Harvey, porta-voz do Instituto Médico Legal de Los Angeles, "levará de quatro a seis semanas" para "fechar o caso e definir uma causa final da morte". O prazo é o tempo necessário para que sejam colhidos resultados dos testes toxicológicos adicionais.
Segundo o jornal "Los Angeles Times", a segunda necrópsia foi concluída, mas os resultados não são conclusivos e ainda foram divulgados.
A família de Michael Jackson contratou um patologista particular que concluiu uma segunda autópsia no corpo do cantor neste sábado, 27, segundo apurou o Los Angeles Times junto a fontes ligadas à família do cantor neste caso.
A família também divulgou uma nota sobre a morte do rei do pop. Ao mesmo tempo, o médico particular do cantor, Conrad Murray, ouvido pela polícia para ajudar a reconstituir as últimas horas de vida de Michael Jackson.
A segunda autópsia foi feita um dia após o IML de Los Angeles anunciar que não poderia determinar imediatamente a causa da morte de Jackson. Legistas disseram que precisariam ter em mãos o resultado de análises toxicológicas para concluir o motivo da morte do cantor de 50 anos, que teve um ataque cardíaco na quinta-feira, 25, em sua mansão em Holmby Hills.
O médico que tentou ressuscitar Michael Jackson depois que ele teve um ataque cardíaco em sua casa, na quinta, 25, teve um encontro com os detetives da polícia de Los Angeles na tarde deste sábado, 27. Enquanto isso, a família do astro pop pedia uma segunda autópsia para determinar a causa da morte do cantor.

OAB NITERÓI ASSINA ACORDO COM ESCRITÓRIO MODELO DA UFF PARA DAR ASSISTÊNCIA JURÍDICA A NECESSITADOS


A OAB de Niterói assinará, no próximo dia 10 de julho, um acordo de cooperação técnica com o Escritório Modelo da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF). O objetivo do convênio será o de prestar assistência jurídica a pessoas carentes,sem condições de arcar com o pagamento de honorários advocatícios. Os hipossuficientes que procuram a entidade, ao invés da Defensoria Pública, serão encaminhados ao escritório.
O acordo de cooperação técnica foi decidido em encontro realizado, na sede da OAB de Niterói, com a presença do presidente Antonio José Barbosa da Silva e do diretor da faculdade, professor Edson Alvis Neve. Estiveram presentes na reunião, o coordenador do Escritório Modelo, professor Renan Aguiar; o presidente da Comissão de Articulação com a Justiça, Aldir Moraes do Vale, representando a Comissão de Direitos Humanos; o subsecretário de Governo de Niterói, Márcio Brandão, representando o secretário Michel Saad, além do diretor-tesoureiro da OAB de Niterói, Fernando Dias, e do presidente da Comissão de Inscrição e Seleção da entidade, Hélio Considera.
Aldir do Vale informou que a parceria vai ajudar os necessitados, sem condições financeiras comprovadas. Citou, por exemplo, problemas dos moradores do Morro do Céu na luta pela regularização da posse dos terrenos. Disse que a Comissão de Direitos Humanos da OAB de Niterói está prestando assistência e enviará a documentação para o escritório tratar da legalização das áreas.
Brandão garantiu que a Prefeitura tem o maior interesse na solução dos problemas que afetam aos moradores e que o secretário Michel Saad vai servir de elo entre a OAB de Niterói, Escritório Modelo da Faculdade de Direito da UFF e os órgãos da municipalidade, para apressar a solução do problema

DEPOIMENTO DO MÉDICO DE MICHAEL JACKSON DEVERÁ ESCLARECER RAZÃO DA MORTE DO CANTOR

O médico particular de Michael Jackson, Conrad Murray, testemunha dos últimos momentos da vida do artista, terá que esclarecer qual os remédios que o cantor consumia.
Murray já foi interrogado pela Polícia na quinta-feira (25), dia da morte do cantor. A expectativa é que o médico volte a falar neste sábado para explicar como os fatos se sucederam. Até agora, Murray não foi acusado de nenhum crime.
Murray, cardiologista que atendia o cantor há três anos, passou a ser objeto de suspeitas após a repentina e inexplicável morte do artista e diante de especulações de que Jackson poderia ter consumido um coquetel de fortes medicamentos contra dores.
O silêncio de Murray - aparentemente o primeiro a tentar reanimar Michael quando sofreu a parada cardíaca na quinta-feira passada - e o fato de a Polícia ter retido o veículo do médico devido a possibilidade de conter provas importantes para o caso, o tornaram alvo de todas as atenções.
Murray tinha licença para trabalhar nos estados da Califórnia, Nevada e Texas. Ele já esteve envolvido em vários processos na justiça e teve que pagar até US$ 400 mil em alguns desses processos, além de ter diversas multas de trânsito não pagas em seu nome.
Apesar da aparente fragilidade de Michael, fontes da rede de televisão americana "Fox" asseguraram que os médicos que realizaram a autópsia encontraram o corpo do artista em boa forma e mais forte do que o esperado, mas também com uma cicatriz no rosto.
Os exames médicos realizados na sexta-feira com o corpo do artista foram pouco esclarecedores. Mesmo assim, a hipótese de suicídio foi descartada, e serão as análises toxicológicas que ajudarão a definir a causa do falecimento.
O executivo-chefe da AEG Live - empresa responsável pelos shows que Michael faria -, Randy Philips, afirmou que o artista passou por mais de quatro horas de exames médicos sem problemas e que, na noite anterior a sua morte, demonstrou estar em bom estado em um ensaio realizado em Los Angeles.
"Ele dançava igual ou melhor do que os dançarinos de 20 anos de idade que o rodeavam. Pensei que este seria o maior espetáculo ao vivo já produzido. Ele estava com um aspecto genial", disse Philips. EFE

MÉDICO PARTICULAR DE MICHAEL JACKSON VAI PRESTAR DEPOMENTO

Conrad Murray, médico pessoal de Michael Jackson, vai prestar depoimento à polícia de Los Angeles neste sábado às 20h (horário de Brasília). Essa informação foi divulgada pelo site de celebridades TMZ.
O site conversou com o advogado do médico, Matt Alford, que disse que seu cliente não é considerado um suspeito e que até agora o assunto não é tratado pela polícia como uma investigação criminal.

Jackson x Murray

Michael Jackson exigiu a contratação de Conrad Murray pela AEG Live, empresa responsável pela turnê, com uma série de 50 shows que Michael Jackson faria em Londres. O rei do pop havia condicionado que o profissional o acompanhasse durante toda a temporada. O presidente da AEG Live, Randy Phillips, disse à agência de notícias Associated Press que o médico Conrad Murray esteve acompanhando o artista nos últimos três anos, e era de confiança do cantor.
Randy Phillips revelou que o cantor insistiu para que a companhia AEG Live contratasse o cardiologista, e não aceitou a proposta de contratação de um médico local, recusando as alegações de que isso seria mais recomendado por questões logísticas e financeiras.
"Michael me disse pessoalmente que ele acreditava naquele homem. E o médico parecia ser bem atencioso com Michael", disse ao LA Times Randy Phillips, executivo da AEG Live, que estava envolvido na organização dos shows. Ao que tudo indica, Murray receberia um alto valor para fazer a viajem na companhia de Michael.
Murray sumiu logo após a morte do cantor, mas foi localizado horas depois. O depoimento do médico é aguardado para esclarecer melhor as circunstâncias da morte de Michael Jackson. O médico era a única pessoa presente no momento em que o cantor teve uma parada cardíaca.
Segundo o site "TMZ", o cardiologista Conrad Robert Murray tentou reanimar MJ quando o cantor entrou em colapso. O médico também impediu que os paramédicos declarassem a morte de Michael antes de o cantor ser levado ao Hospital da Universidade da Califórnia.
Apesar de a necropsia não ter apontado nada conclusivo sobre a morte do ídolo pop, já se sabe que o cantor usava analgésicos regularmente e há rumores de que Jackson teria recebido uma dose de Demerol, remédio com ação semelhante à morfina, três horas antes de morrer. O carro do médico, que estava na casa alugada por Jackson em Los Angeles, foi apreendido pela polícia para que investigações sejam feitas.
O médico tinha autorização para exercer a medicina em três estados americanos, Califórnia, Nevada e Texas, e foi chamado a Los Angeles pelo próprio Michael Jackson. Segundo informações do jornal Folha de S.Paulo, a clínica de Murray sofre processos na justiça americana que podem chegar ao valor de US$ 1 milhão.

Adeus ao rei do pop
Os rumores sobre a morte de Michael Jackson começaram a aparecer por volta das 13h (horário de Los Angeles), 17h em Brasília, da última quinta, 25 de junho, quando uma ambulância foi chamada para socorrer o cantor em sua casa, no bairro de Bel Air. Momentos depois da chegada de Jackson ao UCLA Medical Center, o site de celebridades TMZ publicou a notícia de que o cantor havia morrido. Em seguida, o jornal Los Angeles Time confirmou a informação. A morte de Jackson só foi oficialmente divulgada por volta das 15h (19h em Brasília), quando o Instituto Médico Legal da cidade confirmou o falecimento do ídolo pop. O tenente Fred Corral, porta-voz do IML local, disse à rede de televisão CNN que Jackson foi declarado morto às 14h26 (18h26 em Brasília).

27 de junho de 2009

CERIMÔNIA DO ADEUS

DORA KRAMER
O ESTADO DE S. PAULO
Na quinta-feira, quando deixou de ir ao Senado para não ser obrigado a ouvir de novo as cobranças da véspera para que se afastasse da presidência da Casa, o senador José Sarney não perdeu apenas a apresentação do colega Pedro Simon outra vez no papel de conselheiro das causas perdidas.
Perdeu a última chance de simular controle da situação e, assim, cumpriu mais um ato do ritual da cerimônia de adeus iniciada por ele quando entregou ao primeiro-secretário, Heráclito Fortes, a prerrogativa de comandar o conserto dos estragos que há cinco meses se acumulam na forma de escândalos no Senado.
Ao tentar "amarrar" o apoio da segunda maior bancada da Casa, transferindo poder ao DEM, José Sarney já revelara o tamanho da sua fragilidade política.
Sem a unanimidade no PMDB, tendo contra si o PT, enfrentando o confronto explícito do líder do PSDB, alvo de uma denúncia atrás da outra de favorecimentos pessoais, impossibilitado de jogar ao mar com o vigor exigido o principal acusado e acuado por uma pressão que nem um advogado de defesa do jaez do presidente Luiz Inácio da Silva conseguiu aliviar, Sarney apoiava-se numa escora totalmente instável.
Quando atendia pelo nome de PFL, o DEM foi seu fiel companheiro de Aliança Democrática, compartilhou com ele o governo da Nova República, serviu de legenda à filha Roseana e a inúmeros aliados, agora recentemente deu-lhe votos para se eleger presidente do Senado, mas, no que concerne ao presente e, sobretudo ao futuro, o DEM tem outros planos.
A perspectiva de poder do partido está ligada aos projetos eleitorais do governador de São Paulo, José Serra, a quem Sarney reputa a condição de inimigo porque atribui a ele o desmonte da candidatura presidencial de Roseana, em 2002. Na frieza dos negócios da política, entre um que pode vir a ser e outro que deixa de ser, não há dúvida que se imponha e, portanto, nem decisão a ser tomada.
Muito provavelmente, o senador José Sarney também falava a respeito disso na nota oficial que divulgou naquela quinta-feira imputando suas agruras ao fato de ser um aliado do presidente Lula. Entregou ali todos os pontos. Admitiu ter percebido o crescente isolamento.
Confessava-se desprovido de argumentos para responder às acusações que o envolviam diretamente. Até porque o que pesa contra o presidente do Senado no momento não são denúncias de crimes dos quais possa se defender com documentos.
São velhos vícios, cuja prática dispensa comprovação e fala por si. Não há como Sarney negar os empregos dos parentes, a existência da troca de favores, a cessão de benefícios a afilhados, a proteção de agregados, a inadequação de atitudes, o uso particular do bem público por entendimento equivocado do que seja permitido ao ocupante de um alto cargo na República.
Quanto tempo José Sarney ainda ficará formalmente na presidência do Senado não se sabe. Podem ser dias, semanas ou meses. Já não importa.
Na prática, ele já abandonou o comando da Casa. E deixou isso muito claro na semana passada, quando informou que não estava ali para organizar-lhe as despensas, muito menos para remover-lhe os entulhos das lixeiras.
Aviso antecipado
O DEM e o PSDB só oficializam na semana que vem, mas já pediram formalmente o afastamento de José Sarney da presidência.
Na sessão de quinta-feira à tarde, o senador Demóstenes Torres informou ter "acabado" de receber do líder Agripino Maia autorização para divulgar a decisão e, em seguida, Marisa Serrano, falando em nome da liderança do PSDB, disse que os tucanos também seguem esse rumo.
Restará ao lado de Sarney a mesma base de sustentação que em 2007 ficou de braço dado com Renan Calheiros: a tropa de choque, a tropa do cheque e a bancada do PT carregando o andor da sua explícita e constrangida dubiedade.
Sexto sentido
José Eduardo Dutra, tudo indica, será o novo presidente do PT.
Logo após a eleição de Lula à Presidência da República ele era cotado para o cargo, mas não quis nem pensar na hipótese. "Se o PT já é difícil de administrar no Acre, no Brasil é impossível", avaliava, na primeira reunião do partido pós-vitória, no Hotel Hilton, em São Paulo.
Dutra pressentia confusão de natureza política, mas se livrou de uma situação muito pior. Ficou com a presidência da Petrobrás, José Genoino foi para o comando do partido e, por isso, acabou entre os réus do processo do mensalão por ter assinado os empréstimos bancários fraudulentos intermediados pelo lobista Marcos Valério.
Ex-senador, ex-presidente do PT no Acre, José Eduardo Dutra, apesar de ter atirado no que viu e acertado no que não viu há seis anos, terá ainda razão se continuar apreensivo. O partido que não quis comandar era muito menos problemático que o PT que está prestes a presidir.

QUESTÃO DE ESTILO

NÉLSON MOTTA

O GLOBO

Assim como os jogadores de futebol que fazem faltas violentas imediatamente levantam os braços para indicar que não a fizeram, como num reflexo condicionado, os políticos flagrados com a mão na massa gritam logo que os contratos seguiram a legislação vigente e foram aprovados pelo Tribunal de Contas. Ou então que as contas da campanha foram aprovadas pelo TRE. Ou que tudo teve aprovação do departamento jurídico. Além dos clássicos "eu não sabia" e "é tudo perseguição politica".
É uma questão de estilo: eles raramente afirmam "eu não fiz" ou "não fui eu", preferem dizer logo que "não há provas", que deixa claro o subtexto "eu não sou bobo, soube esconder muito bem e vocês não vão achar". De novidade, só o histórico "estou cada vez mais convencido da minha inocência", de Zé Dirceu.
O sinal de que a coisa ficou mesmo feia é quando eles gritam "é preciso preservar a instituição", mesmo que sejam eles que a aviltem e a desmoralizem com suas ações e omissões. E, na instituição ameaçada, todos, ou quase, fingem que acreditam. O espírito de corpo vira de porco.
De olhos rútilos e lábios trêmulos, como um patético personagem de Nelson Rodrigues, Sarney bradou da tribuna: "Não sei a quem interessa enfraquecer o Poder Legislativo". Como se não soubesse que são os seus próprios membros que o enfraquecem. Além disso, como ex, ninguém sabe melhor do que ele que, para qualquer presidente, um legislativo fraco é o paraíso da "governabilidade". Será que Lula prefere um Senado acoelhado, flácido e cooptável ou poderoso, aguerrido e independente ? Mas para Sarney os beneficiários da desmoralização seriam os grupos de interesses e "parte da mídia", certamente a que revela seus desmandos e omissões. Faltou pouco para culpar "a direita".Pedir a extinção do Senado é um tiro no pé, nos quatro.
Mas não ofende perguntar: uma hipotética cassação coletiva e novas eleições para o Senado enfraqueceriam ou fortaleceriam a instituição? Prefiro não comentar. Mas estou esperançoso: Agaciel, o Delúbio sem causa do Senado, não vai afundar sozinho para que os seus cúmplices com mandato continuem boiando.

O JOIO E O TRIGO

MERVAL PEREIRA


O GLOBO

No meio do tiroteio generalizado em que se transformou a crise do Senado, corre-se o risco, por má-fé ou ignorância, de não separar o joio do trigo, e qualquer denúncia contra um político, seja deputado ou senador, se transformar em verdade absoluta. Há também o risco de se aceitar uma explicação, que aparenta ter coerência, sem se levar em conta sutilezas que são fundamentais na vida pública. Sem contar o fato de que nem tudo que é transparente reflete uma atitude irrepreensível.
Recebi de José Adriano Cordeiro Sarney, o neto do presidente do Senado que atua como intermediário do crédito consignado dos funcionários da Casa, uma mensagem educada onde afirma que eu fora injusto na minha avaliação sobre sua conduta.
A principal explicação, confirmada pelo HSBC, é que em 2007, ao estabelecer-se em Brasília, o banco, onde já trabalhara, "resolveu, em função de minha experiência, fazer uma parceria com a empresa da qual sou sócio, a Sarcris, cadastrando-a para cuidar de convênios que mantinha desde 2005 com instituições públicas e empresas privadas, inclusive o Senado Federal (convênio número 52/2007, firmado em 07 de dezembro de 2007)".
De fato, a situação é melhor do que se o cadastramento do HSBC houvesse sido feito depois que o neto do senador Sarney começasse a trabalhar. E muito pior se o avô já fosse o presidente do Casa.
No entanto, continua havendo o conflito de interesse do ponto de vista do Código de Ética Pública, que prevê que devem ser evitadas situações que possam deixar dúvidas da correção da atuação do servidor público.
Como seu avô sempre foi um senador importante, tendo sido presidente do Senado por duas ocasiões, além do atual mandato, e, mais que isso, presidente da República, José Adriano deveria evitar atuar em órgãos públicos onde certamente seu sobrenome teria influência.
Sobretudo no Senado, tendo acesso ao cadastro dos servidores que, vendo seu sobrenome nas mensagens que normalmente empresas do tipo da dele enviam em busca de novos clientes, poderiam ser influenciados a contrair empréstimos consignados.
Com relação à transparência dos atos públicos, a simples revelação dos dados não resolve problemas, como mostra a relação dos gastos dos senadores com a verba indenizatória de R$15 mil mensais.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá, gastou no mês de abril com combustível no Auto Posto Rio Branco, da cidade de Boa Vista, em Roraima, seu estado, nada menos que R$7.591,53, o que daria para rodar mais de 28 mil quilômetros em Boa Vista, onde o litro de gasolina está custando R$2,68. Quem fez a conta foi o jornalista Dacio Malta, do site "youPode", mostrando o absurdo do gasto.
Já o senador Antonio Carlos Magalhães Junior apresentou em maio dez notas fiscais seriadas, com os números na ordem do bloco, para justificar despesas de R$1 mil com combustível no posto Ponto Certo, em Salvador (BA).
Candidamente, alegou que provavelmente era o único freguês a pedir a nota fiscal. Se as empresas dos senhores senadores fossem administradas como o Senado, provavelmente já teriam falido.
E certamente nenhuma empresa privada aceitaria esse tipo de prestação de contas. Há histórias folclóricas nas empresas sobre prestações de contas rejeitadas, como a do repórter que, regressando de uma longa viagem à selva amazônica, incluiu uma nota referente a um bordel, quantia para pagar "alguns momentos de prazer".
E outro que, ao ser flagrado apresentando notas seriadas como as do senador ACM Junior, comentou, espantado, com o rigoroso controlador da empresa: "Mas não era de mentirinha?". O Senado precisa encontrar urgentemente um controlador de contas que não aceite prestações "de mentirinha" com o dinheiro público.
Mas o tiroteio também favorece algumas balas perdidas, vendo escândalo onde não existe. É o caso do pagamento de telefones residenciais dos senadores. Fazendo as contas dos últimos 30 meses, chegou-se à conclusão de que o Senado tem um gasto exagerado com essas contas, mas o fato é que elas obedecem a um teto de R$500 mensais que é bastante razoável para um político que tem no telefone um instrumento de trabalho importante.
O 1º secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), garante que as contas acima da cota são pagas pelos próprios senadores. O escândalo mesmo é o dos telefones celulares, cujo gasto mensal é de R$6 mil, sem limites.
Outro pseudo escândalo, levado à tribuna da Casa pelo senador Álvaro Dias como maneira de esquentar a CPI da Petrobras que não saiu ainda do papel, é a denúncia sobre os altos salários dos diretores do primeiro escalão da estatal de petróleo.
Os gastos cresceram 54% do primeiro ano do governo Lula a 2007, quando nesse período a inflação acumulada foi de 28%. Cada um dos seis diretores e o presidente recebem, em média, cerca de R$55 mil mensais (cerca de R$710 mil/ano), entre salários e bônus.
Além de serem salários de mercado, há levantamentos que mostram que a Petrobras paga menos do que empresas do mesmo porte, como a privatizada Vale.
Os salários, portanto, não são nada escandalosos, e a Petrobras, como alega, teve que reajustar seus gastos acima da inflação para não perder pessoal qualificado num mercado altamente competitivo.
O que se pode discutir, e esse é o papel dos políticos, é se os diretores são qualificados ou se estão nos cargos por proteção política.