5 de maio de 2009

ADIAMENTO VISITA AHMADINEJAD: ALÍVIO PARA LULA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está agradecido a Alá. Seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, decidiu adiar sua visita ao Brasil, marcada para esta quarta-feira, em meio a intensos protestos de entidades de direitos humanos contra as declarações racistas do líder do Irã. Ainda não se sabe ao certo o que motivou o adiamento, mas é fato que a diplomacia brasileira ficou aliviada, pois a presença de Ahmadinejad causaria um imenso constrangimento a Lula. Ahmadinejad enviou uma mensagem ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de amigo, pedindo o adiamento da visita para depois da eleição presidencial iraniana, que deverá ocorrer em 12 de junho. Em seu comunicado, o governo do Irã diz que vai aguardar uma oportunidade depois das eleições presidenciais de junho. Ameaçado de derrota na urnas, Ahmadinejad teria achado melhor ficar por lá para reforçar a campanha.
O convite a Ahmadinejad - que visitaria também Venezuela e Equador - tinha sido feito em novembro. Desde sua posse, em janeiro, o presidente americano, Barack Obama, acenava com uma aproximação com o regime iraniano. No mês passado, porém, o discurso de Ahmadinejad na abertura da Conferência contra o Racismo, promovida pela ONU, em Genebra, na qual acusou Israel de ser uma "entidade racista", voltou a acirrar os ânimos entre o Irã e o Ocidente
O "adiamento" da viagem de Ahmadinejad resolve um problema diplomático que o Brasil vinha enfrentando por causa da visita. Na semana passada, o governo israelense convocou o embaixador Pedro Motta para consultas sobre o convite. Dias depois, a secretária de Estado, Hillary Clinton, sem citar o Brasil, manifestou preocupação com o aumento da influência de Irã e China entre os países latino-americanos. Grupos organizados da comunidade judaica do Brasil e militantes de defesa de direitos dos homossexuais convocaram manifestações em vários pontos do País para protestar contra a visita.]
Um ministro brasileiro informou, no entanto, que o governo brasileiro não quer entrar em polêmica com o iraniano e aguarda a marcação de uma eventual nova data para a visita. Segundo ele, as reuniões entre as comitivas de empresários já agendadas serão realizadas normalmente para que se discutam as questões comerciais que são fundamentais para os dois países.
"Isso não quer dizer, porém, que o Brasil concorde com as declarações do presidente iraniano negando o Holocausto, que já foram até repudiadas pelo Itamaraty", prosseguiu o ministro.
Na mensagem enviada ontem à tarde a Lula, Ahmadinejad afirmou que "as relações bilaterais entre os dois países entraram em fase de aceleração no sentido de incrementar a cooperação". "Peço a Vossa Excelência que aceite o adiamento da visita oficial para outra oportunidade, depois da eleição presidencial no Irã, em data a ser oportunamente definida pelas duas chancelarias", dizia a mensagem encaminhada a Lula.

Nenhum comentário: