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27 de maio de 2010

DELEGADO É ASSASSINADO DURANTE ENTREVISTA




Isto é real

Autor(es): Agencia O Globo/Danile Rebouças
O Globo - 27/05/2010



O delegado Clayton Chaves foi assassinado a tiros quando dava entrevista a uma rádio de Camaçari, na Bahia. De dentro do carro, o delegado falava ao telefone com o locutor sobre a violência na cidade quando três homens chegaram em um táxi e dispararam contra ele. Sua mulher gritou por socorro. O crime foi transmitido ao vivo.



Ao dar entrevista por telefone a uma rádio na Bahia, delegado é executado a tiros

O delegado Clayton Leão Chaves, de 36 anos, foi assassinado a tiros, na manhã de ontem, no momento em que dava entrevista à rádio Líder FM por telefone, de dentro de seu carro, ao lado da mulher. Pouco antes dos disparos, Chaves, que era titular da 18 aDelegacia de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, falava sobre dados de violência no município e afirmava que a cidade era a quarta mais perigosa para se viver na Bahia, por causa do tráfico de drogas. O crime acabou sendo transmitido ao vivo pela rádio.

O delegado parara o carro para dar a entrevista em uma via da zona rural de Camaçari, onde foi abordado por três homens, que chegaram num táxi.

Três tiros foram disparados, e dois atingiram o delegado, que morreu no local. A mulher dele, Simone, que estava no carro, não foi ferida. No áudio da gravação, ouve-se Clayton dizendo, no momento da aproximação dos criminosos, peraí, peraí, peraí. A transmissão continua, e, logo em seguida, ouve-se o barulho dos disparos e Simone gritando desesperada meu Deus do céu, meu Deus do céu e pedindo socorro.

Ao perceber o que acontecia, o radialista disse no ar que algo errado havia ocorrido e pediu ajuda à polícia.

Ouvintes procuraram a delegacia de Camaçari para alertar sobre o crime.

O delegado, que integrara a equipe do Centro de Operações Especiais da Polícia Civil na Bahia, estava há cerca de um ano e meio atuando em Camaçari.

A entrevista estava prevista para acontecer no estúdio da rádio, mas, como estava atrasado, Clayton preferiu fazer por telefone.

Policiais ficaram chocados com o assassinato e afirmaram que Clayton tinha boa conduta. Uma das suspeitas é que o crime tenha sido encomendado.

Policiais militares e civis, incluindo delegados de diferentes áreas de Salvador e da Região Metropolitana, foram ao local dar apoio à família e às investigações. À tarde, foi encontrado um Corsa branco, de placa vermelha, queimado, e a polícia suspeita que tenha sido usado pelos bandidos.

É um momento de reflexão e dor.

O Estado, as instituições, a sociedade em geral precisam repensar a polícia e seu papel afirmou o titular da 5aDelegacia, Deraldo Damasceno.

O delegado Sérgio Sotero, da 33aDelegacia, disse que todas as hipóteses para o crime serão investigadas.

O local onde o delegado parou o carro é descrito como uma região marcada pela violência. Moradores da área afirmaram que ouviram o barulho dos disparos e os gritos.

Não sabíamos o que estava acontecendo. Como aqui tem muita violência, ninguém foi até a porta contou um morador, que preferiu não se identificar.

Aqui a gente se esconde até com o barulho de uma bomba que estoura disse outra moradora.

Segundo depoimentos, os assaltos são constantes na região, o que gera insegurança. Uma mulher contou que, na semana passada, o marido foi assaltado na mesma rua e quase foi morto quando ia pegar o celular no bolso para entregar aos ladrões.

Acharam que ele iria reagir.

O prefeito de Camaçari, Luiz Caetano, decretou luto oficial por três dias. A morte de Clayton Leão, sem dúvida alguma, é uma retaliação desesperada da bandidagem, por causa do trabalho competente e eficiente que o delegado realizava em Camaçari, onde se destacou como um dos principais executores não apenas do Plano Municipal de Segurança Pública, mas também das ações do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania) desenvolvidas no município, afirmou o prefeito em nota.

No plenário da Câmara, o deputado ACM Neto (DEM-BA) criticou o governo de Jaques Wagner (PT): A Bahia hoje é um estado tomado pelo medo, pela insegurança, pela criminalidade desenfreada, pela falta de controle e pela presença do poder público estadual no combate ao crime

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