LEONARDO RÖRIG
JORNAL DO BRASIL
Numa análise geral, pode-se dizer que o Brasil cresceu sem planejamento, sem estratégias para provisão de recursos naturais e sem preparação contra conseqüências de atos irresponsáveis sobre o meio ambiente. Frente a essa realidade, a legislação ambiental brasileira tentou (e tenta) balizar o comportamento geral de nossa sociedade dentro de um cenário de sustentabilidade cientificamente embasado. Nesse sentido, o movimento nacional que existe para derrubar sistematicamente a legislação ambiental brasileira – que é uma das maiores conquistas democráticas e técnicas da História desse país - só pode ser identificado como uma afronta à Moral e à Ciência. É doloroso para um cientista ouvir declarações asnáticas do tipo: "os países desenvolvidos pregam hoje uma postura mais ecológica porque eles já destruíram seus recursos naturais...". Dizem isso como querendo justificar que, se aqueles cometeram erros, nós também podemos cometer. Ora, insistir no erro é no mínimo burrice.
A Ciência está repleta de informação e de exemplos que justificam, sob todos os pontos-de- vista (inclusive o econômico), que uma postura de limites crescentes sobre a devastação imposta pelo imediatismo econômico é fundamental. Mas o que vale o conhecimento científico nesse país?
Em Santa Catarina, dentro da ilegalidade, foi criada recentemente uma espécie de "libertinagem ambiental", também referida como Código Ambiental de SC. Esse destróier desgovernado prega, entre outros equívocos, a diminuição das áreas de preservação permanente e tenta legalizar crimes ambientais históricos. Uma situação de difícil compreensão, pois fomos recentemente palco de uma catástrofe ambiental e estamos sob uma crise terrível de quantidade e qualidade de água. Segundo dados oficiais, em pelo menos 85% das áreas drasticamente afetadas pela enchente de 2008, havia alterações ambientais, ou seja, desrespeito à legislação ambiental. Ao mesmo tempo, Santa Catarina foi o estado que mais devastou suas florestas no país. Não é preciso ser cientista para encontrar uma relação de causa e conseqüência nesses dados, basta um mínimo de discernimento e boa índole.
Essa "orgia dos libertinos" certamente não nos conduzirá a um futuro equilibrado. Seus argumentos são fracos, seus lucros são apenas imediatos e insustentáveis e seu ônus recairá sobre Estado e a sociedade, que pagarão uma conta interminável, representada pela perda de serviços ambientais essenciais. Existem muitas alternativas, mas elas pecam por ser inteligentes.
Leonardo Rörig é professor da Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI, mestre em Oceanografia e PhD. em Ecologia e Recursos Naturais
A Ciência está repleta de informação e de exemplos que justificam, sob todos os pontos-de- vista (inclusive o econômico), que uma postura de limites crescentes sobre a devastação imposta pelo imediatismo econômico é fundamental. Mas o que vale o conhecimento científico nesse país?
Em Santa Catarina, dentro da ilegalidade, foi criada recentemente uma espécie de "libertinagem ambiental", também referida como Código Ambiental de SC. Esse destróier desgovernado prega, entre outros equívocos, a diminuição das áreas de preservação permanente e tenta legalizar crimes ambientais históricos. Uma situação de difícil compreensão, pois fomos recentemente palco de uma catástrofe ambiental e estamos sob uma crise terrível de quantidade e qualidade de água. Segundo dados oficiais, em pelo menos 85% das áreas drasticamente afetadas pela enchente de 2008, havia alterações ambientais, ou seja, desrespeito à legislação ambiental. Ao mesmo tempo, Santa Catarina foi o estado que mais devastou suas florestas no país. Não é preciso ser cientista para encontrar uma relação de causa e conseqüência nesses dados, basta um mínimo de discernimento e boa índole.
Essa "orgia dos libertinos" certamente não nos conduzirá a um futuro equilibrado. Seus argumentos são fracos, seus lucros são apenas imediatos e insustentáveis e seu ônus recairá sobre Estado e a sociedade, que pagarão uma conta interminável, representada pela perda de serviços ambientais essenciais. Existem muitas alternativas, mas elas pecam por ser inteligentes.
Leonardo Rörig é professor da Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI, mestre em Oceanografia e PhD. em Ecologia e Recursos Naturais


Nenhum comentário:
Postar um comentário