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5 de junho de 2010

LULA LÁ E CÁ

JORNAL DO BRASIL

VILLAS-BOAS CORRÊA

Está passando em silêncio um dos mais intrigantes e confusos pronunciamentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, equilibrado no trapézio da dubiedade e que merece ser reposto em circulação.

Como quem está conversando com o espelho, o presidente levantou a bola de várias hipóteses sobre o seu futuro, depois da eleição da sua sucessora, a candidata Dilma Rousseff ou de alguma surpresa das urnas. Lula afirmou a certeza de que, em qualquer hipótese, estará no governo. A menos que considere como favas contadas a eleição de Dilma, ignorando o candidato da oposição, o tucano ex-governador de São Paulo José Serra e seus índices nas pesquisas. O que exatamente o presidente quis dizer com a charada que se enrola em poucas e contraditórias hipóteses?

A mais provável é que seja um recado para a candidata Dilma: se eleita, não conte com a reeleição. Não faz sentido. A candidatura de Dilma foi tirada do chapéu pelo presidente, com o mais absoluto desprezo pelo PT, que não foi ouvido, nem cheirado e engoliu a pílula sem fazer careta. Ao contrário, com a docilidade dos que não têm alternativa, o Partido dos Trabalhadores entrou no corso para ganhar o pedaço do bolo com a reeleição ou a eleição de senadores, deputados federais e estaduais para um dos melhores empregos do mundo.Lula jogou a pedra no lago, na véspera do Campeonato do Mundo na África do Sul. E soprou a vuvuzela para alertar a candidata e o submisso PT de que o humor da população e dos eleitores será pautado pelo desempenho da Seleção de Dunga e da tão xingada bola que não quicava, leve como pluma. A conquista do hexacampeonato será uma festa que se prolongará por mais de um mês, com as homenagens aos craques em Brasília e na recepção nos estados de cada um dos titulares e reservas.

Mas, com a crise moral e ética que lambuza o pior Congresso de todos os tempos, a campanha eleitoral vai impor o debate da reforma política que o presidente Lula tanto prometeu como candidato e esqueceu durante os dois mandatos. Um desafio para os candidatos do majoritário bloco governista e da esquálida oposição a exigir cuidados com o voto. E, com as alianças patrocinadas por Lula para o apoio à candidata Dilma, os riscos de um tropeço eleitoral ameaçam muito mais a oposição do que o governo do presidente mais popular do mundo e que já avisou que uma das suas certezas é que estará no governo.

Entende-se. O presidente Lula e a candidata Dilma precisam de pelo menos mais quatro anos para terminar o pacote de obras inacabadas e consertar os estragos dos temporais que derrubaram casas, deixaram milhares ao desabrigo, além dos mortos e feridos.

Quatro anos é pouco. Mas, com quatro e mais quatro da reeleição, serão 16 anos do reinado de Lula e Dilma

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