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11 de junho de 2010

ELAS, ELES E NÓS



Nelson Motta

O Estado de S. Paulo - 11/06/2010



Duas mulheres candidatas à Presidência da Republica é uma boa novidade em um país machista como o nosso. Mas logo vem o Zé Dirceu, sempre sutil, citando Lula: "O Brasil só derrotará o machismo quando eleger uma mulher presidente."
É mesmo? Michele Bachelet no Chile, Margaret Thatcher na Inglaterra, Angela Merkel na Alemanha, Cristina Kirchner e Isabelita Perón, na Argentina, derrotaram o machismo?
Quando chegam ao poder, as melhores e as piores só têm em comum a anatomia feminina. Algumas dão tantos motivos aos machistas que muitas vezes acabam rejeitadas pelo eleitorado feminino, que prefere votar em homens.
Umas são grandes estadistas, prestam relevantes serviços a seus povos, mas outras os conduzem ao desastre, como os piores homens. Não há um jeito feminino de governar, só há bom ou mau governo.
Nos anos 80, na alvorada da redemocratização, com a eleição de Maria Luiza Fontenelle como prefeita de Fortaleza e a de Luiza Erundina, de São Paulo, o machismo foi derrotado?
A administração de Erundina foi medíocre e a de Maria Luiza, um desastre. Mas elas não culpavam o machismo por todos os seus problemas, como hoje faz o feminismo de resultados. Marta Suplicy venceu o machismo em 2000? Ou foi derrotada por ele em 2008?
Dirceu diz que a mídia machista dá muita atenção aos cabelos, maquiagem e figurinos de Dilma para tentar diminuí-la. Como se ela não tivesse mudado de visual várias vezes, em busca da aparência que a campanha considere ideal.
Normal, Lula aparou a barba e trocou os dentes e os ternos. Já o look de Marina Silva, que não usa maquiagem, e tem sempre a mesma cara, não atrai tanta atenção.
Em eficiência no poder, ninguém mais duvida da competência das mulheres. E mesmo em corrupção na política, no geral, elas parecem mais honestas, ou menos corruptas, do que os homens. Os mais cínicos acham que elas só roubam menos porque estão chegando agora ao poder e querem mostrar serviço.
Eleger um ex-operário sem estudo é uma derrota do preconceito muito maior do que a eleição de uma mulher educada de classe média. Mas se fosse uma cabocla seringueira que virou senadora ?

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