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2 de agosto de 2011

CERVEJARIA JAPONESA COMPRA A SCHINCARIOL

Schincariol é comprada por cervejaria japonesa

Grupo Kirin pagou por R$ 3,95 bilhões

A problemática Schincariol vai ajudar a deficitária Kirin?

Enquanto a Schin não consegue crescer, a Kirin encolhe no Japão – essa parceria pode dar certo?

Compra da Schin pela Kirin altera todo setor de bebidas no Brasil

Cervejaria japonesa atua em outros segmentos, como sucos, vinho e água mineral, e usará Schincariol como base na América Latina

A aquisição da cervejaria brasileira Schincariol pela japonesa Kirin deve ter impacto em todo o setor de bebidas no Brasil. “Além de cervejas, a Kirin possui outras operações no setor, como sucos, vinhos e água mineral. A entrada na empresa no Brasil deve mexer com todo o mercado de bebidas”, avalia o consultor Adalberto Viviani, da Concept Marketing e Comunicação, especializada no setor.

Na sua avaliação, a Kirin deve utilizar a Schincariol como uma plataforma para se expandir para outros segmentos no Brasil e também como uma base para se consolidar na América Latina.

“Essa aquisição irá fortalecer a estratégia integrada de bebidas do grupo, dando à Kirin uma base sólida no crescente mercado brasileiro, aliada às bases existente na Ásia e Oceania”. A empresa é a segunda maior do setor cervejeiro e a terceira maior em bebidas não-alcóolicas..

A empresa já convocou uma conferência com jornalistas no Japão para falar sobre a aquisição.

Uma nota veiculada no site do grupo japonês ressaltou que a Schincariol é a segunda maior produtora de cervejas do Brasil, e a Terceira maior en bebidas não alcóolicas, sendo conhecida pelas marcas Nova Schin, Devassa, Glacial, Baden Baden e Eisenbahn. O grupo também produz refrigerantes, sucos e água mineral, alcançando o terceiro lugar na produção de bebidas não-alcoólicas no país. A empresa tem uma rede com 13 fábricas em todo o Brasil.

A Kirin afirmou aos investidores que a transação vai lhe garantir “uma sólida plataforma em um mercado emergente promissor”. Sim, o Brasil é um belo mercado para venda de cerveja, mas o problema é que a Schincariol está patinando há anos no segundo lugar, sem apresentar aumento expressivo de participação. Enquanto isso, assiste à Petrópolis ameaçar seu segundo lugar.

Devassa e escanteada

O motivo provável da venda seria o fracasso do lançamento da Devassa Bem Loura. Lançada com estardalhaço, a meta da marca era encerrar 2010 com uma fatia de 1,5% de mercado. O resultado, segundo reportagem de EXAME, ficou bem aquém: 0,2%.

Mas a Kirin será capaz de dar uma guinada na Schincariol, a ponto de a cervejaria crescer com fôlego. Ao comunicar a aquisição ao mercado, a empresa japonesa não se fez de rogada: afirmou que as vendas da brasileira crescerão 10% ao ano.

Para isso, vai investir no lançamento de produtos de maior valor agregado, além de reforçar as marcas já pertencentes à Schincariol. Promessas à parte, o ponto é que isso envolve dinheiro – e a Kirin fez questão de enfatizar que a sua prioridade continua ser crescer e se tornar líder nos mercados da Ásia e da Oceania

Surpresa

A compra da Schincariol pela cervejaria japonesa surpreendeu o setor, embora já se soubesse que a empresa asiática tinha interesse em se expandir no mercado latino-americano, avalia Viviani. A Kirin fez jus à conhecida discrição dos japoneses, que costumam ser reservados na condução de seus negócios.

O preço pago, porém, ficou dentro do esperado.

Sócio brasileiro

A Kirin pagou R$ 4 bilhões por 50,5% do capital da cervejaria brasileira que pertenciam aos irmãos Adriano e Alexandre Schincariol. Os 49,5% restantes continuarão com um dos membros da família, Gilberto Schincariol.

Esse foi considerado um dos aspectos críticos na venda da companhia e que teria afugentando os demais compradores, como a Heineken, segundo fontes do setor. A cervejaria holandesa pretendia comprar todo o capital da Schincariol.

Mas uma fonte do mercado acredita que, no futuro, Gilberto Schincariol também acabe vendendo sua participação. O empresário não teria vendido agora suas ações porque avalia que receberá um preço maior por elas mais adiante, acredita um executivo do ramo.

Briga com a AmBev

A Schincariol, que detém 11% de participação no mercado brasileiro de cervejas, enfrenta uma dura competição da AmBev, que controla entre 68% e 69% do mercado. Já era esperado que mais cedo ou mais tarde a família Schincariol "jogasse a toalha".

Com a venda da Schincariol, a Petrópolis, dona da marca Itaipava, transforma-se em uma sobrevivente, passando a competir agora com dois gigantes mundiais. A marca de cerveja detém cerca de 8% do mercado e está voltada para a classe C.

Mas a aquisição da Schincariol deve, na avaliação de uma fonte, valorizar indiretamente a Petrópolis, transformando-a na única empresa que ainda resta ser vendida.

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