Mostrando postagens com marcador Vice da oposição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vice da oposição. Mostrar todas as postagens

12 de junho de 2010

SERRA DIZ QUE PT DESPREZA INSTITUIÇÕES


12 de junho de 2010


 FOLHA DE S. PAULO

Em discurso no lançamento de sua candidatura, tucano deve enfatizar a importância da ética, sem citar casos

Presidenciável chega à convenção sem escolher candidato que será o vice em sua chapa; PP desencoraja assédio

DOS ENVIADOS A SALVADOR

Em mais um confronto com o PT, partido da adversária Dilma Rousseff, o tucano José Serra insistirá na exaltação de valores e princípios éticos hoje no lançamento oficial da candidatura à Presidência da República.

Segundo interlocutores, Serra enfatizará a importância do respeito à democracia, numa tentativa de colar no PT a imagem de descaso com as instituições democráticas.

Em meio às denúncias de produção de dossiês contra o PSDB, o discurso deverá endossar a estratégia de associar Dilma ao sectarismo. Mas, na intenção de ser atemporal, não deverá citar casos pontuais nem nomes.

Disposto a humanizar o discurso, Serra contará mais uma vez sua trajetória, a origem humilde na Mooca, para oferecer o currículo ao PSDB.

A intenção é se apresentar como capaz de garantir desenvolvimento. Numa fala voltada ao Nordeste -região onde vai pior, nas pesquisas- o candidato condenará o desequilíbrio regional.

O discurso deverá se inspirar no que fez na sua despedida do governo, ao pregar a honra e o caráter na política, mas incluir dados biográficos e promessas de investimentos, especialmente em projetos de infraestrutura.

A pedido de Serra, seus principais colaboradores levantaram números que amparem a tese de que a falta de infraestrutura emperra o crescimento contínuo da economia brasileira.A essência do raciocínio é que a alta taxa de juros é uma consequência, adotada para desacelerar a economia e evitar a volta da inflação.

Ao relatar sua biografia, Serra reforçará o discurso de que foi incentivador dos fundos de desenvolvimento regional, além de medidas como grandes obras hídricas no Nordeste. A ideia é tornar mais nacional a imagem do ex-governador paulista.

Uma das prioridades de sua campanha, o combate às drogas também deverá ser abordado no discurso.

Depois de citar Guimarães Rosa ao deixar o governo, Serra deverá recorrer a um autor baiano na sua fala.

Para evitar ataques violentos a Lula e Dilma no reduto adversário, o tucano sugeriu que fosse reduzido o número de aliados escalados para discursar no evento. O tempo dos demais discursos também deverá ser menor. São esperadas 4.000 pessoas.

SEM VICE

Ainda ontem à noite, Serra se dedicava à redação do discurso, programado para a tarde de hoje em Salvador.

No evento, num clube da capital baiana, cerca de 600 delegados votarão três pontos: indicação de Serra como candidato do partido, autorização para a Executiva escolher o vice; e autorização para se coligar com outras siglas, além das atuais aliadas.

Os pontos são uma demonstração de que o PSDB, apesar de desencorajado pelo comando do partido, ainda torce por uma aliança com o PP. Ao deixar as portas abertas, os tucanos, ao menos, tentam impedir que o PP se alie formalmente a Dilma.

O próprio comando do PP informou ao PSDB as dificuldades de consolidação de aliança. Com isso, cresce a chance de uma alternativa caseira para a vice, como a escolha de Álvaro Dias (PR).

(CATIA SEABRA, BRENO COSTA e SILVIO NAVARRO

9 de junho de 2010

SERRA CONVOCA ALIADOS PARA DEFINIR VICE

 FOLHA DE S. PAULO

Pré-candidato pede avaliação até sexta de seus principais colaboradores sobre 9 nomes de PSDB, DEM e PP

Prazo é indício de que tucano só deve anunciar vice após convenção; Tasso, Dornelles e Dias estão entre os cotados

Catia Seabra

SÃO PAULO - A cinco dias da convenção que oficializará sua candidatura à Presidência, o tucano José Serra se debruçava ontem sobre nove currículos para a vice de sua chapa. Os nomes em análise são de DEM, PSDB e PP.

Segundo aliados, Serra nem sequer descarta a indicação do senador Tasso Jereissati (CE). Dono de temperamento forte, mas com votos no Nordeste, Tasso foge do padrão apontado como ideal pelo candidato.

Em conversas que invadiram a madrugada de ontem, Serra pediu a seus principais colaboradores uma avaliação do perfil dos cotados para a chapa até sexta-feira, véspera da convenção nacional do PSDB, no sábado.

O prazo foi encarado como um indício de que Serra só deverá anunciar seu vice logo após a convenção. Outro sinal está na disposição de manter o presidente do PP, Francisco Dornelles (RJ), entre os potenciais vices.

Com um pé no governo federal e prestes a optar pela neutralidade, o PP espera a evolução das pesquisas para decidir seu futuro na eleição.

Até lá, o PSDB investe no PP nos Estados, incluindo Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba, na tentativa de viabilizar uma aliança.

O comando da campanha também aposta na recuperação de Serra a partir da semana que vem, quando serão exibidas as inserções do PSDB, para atrair o PP.

A opção por Dornelles não é consenso entre os aliados. Há no PSDB forte defesa pela chapa puro-sangue, mesmo sem Aécio Neves.

Entre aliados de Serra, a torcida é pelo presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), pelo seu trânsito entre os aliados.

Apesar do temperamento inquieto, Alvaro Dias (PR) aparece como um nome que tem boa imagem pública.

O próprio Guerra, no entanto, tem alegado que a indicação de um democrata evitaria tremores na aliança. No DEM, são cotados o deputado José Carlos Aleluia (BA) e o líder do partido no Senado, Agripino Maia (RN).

Embora Agripino tenha um nome consolidado no cenário político, Aleluia é admirado por Serra do ponto de vista técnico.

Ainda no DEM, o nome de Valéria Pires Franco (PA) aparece como opção.

Sob pressão para anunciar seu vice ainda na convenção, Serra tem recomendado calma. A avaliação dele é que, esgotadas as investidas em Aécio Neves (MG), é possível amadurecer a escolha.

CIFRAS
Os cotados para a vaga de vice foram objeto de discussão num jantar na noite de anteontem entre os principais articuladores da campanha de Serra.

À mesa, Guerra, o deputado Jutahy Magalhães (BA), o coordenador administrativo da campanha, José Henrique Reis Lobo, e os tucanos Ronaldo Cezar Coelho e Márcio Fortes, ambos do Rio.

No jantar, realizado na casa do secretário estadual da Cultura, Andrea Matarazzo, o comando da campanha também fez uma análise sobre o potencial de arrecadação para a disputa.

Embora um grupo defenda a fixação de um teto de R$ 250 milhões, a conclusão é a de que não há capacidade para tanto. A previsão de receita, segundo tucanos, é inferior a R$ 200 milhões

4 de junho de 2010

PATINAÇÃO NAS NUVENS




Dora Kramer

O Estado de S. Paulo - 04/06/2010


A dez dias da convenção do PSDB que lançará oficialmente a candidatura de José Serra a presidente da República, o cardinalato do partido se reúne e decide o seguinte: até o dia da convenção, 12 de junho, é preciso escolher um candidato a vice.

Curiosa de tão óbvia, ainda assim a questão não é pacífica. Há quem defenda que não é preciso tanta pressa: aclamado o candidato, o nome do vice poderia ser anunciado no último dia do prazo, duas semanas depois.

Com qual objetivo? Quais as dificuldades que impedem o PSDB de formar uma chapa se o mais difícil já tem que é o candidato? Por que o partido se expõe por livre e espontânea vontade a uma agenda negativa de maneira tão desnecessária?

Em matéria de história mal contada essa é das piores.

Vamos que o PSDB no fim surpreenda a todos, atenda aos últimos moicanos ainda esperançosos e num gesto grandiloquente lance a chapa puro-sangue com Aécio Neves como candidato a vice-presidente.

Nessa altura haveria aquele impacto todo esperado? Dificilmente, já que os próprios tucanos trataram de esvaziar o feito. Uma questão que já foi estratégica, primeiro virou pinimba de província e agora é uma interminável discussão sobre o nada.

Perde espaço e importância na proporção inversa das tentativas individuais de valorização de cacifes.

Aécio já deixou claro quanto acha pífio o projeto. Tanto para si quanto para campanha presidencial.

Foram feitas publicamente contas de acréscimos de votos à candidatura de José Serra com a inclusão do nome do mineiro na chapa e, se a memória não falha, o resultado não ultrapassou a casa dos 5 pontos. Então, se o próprio Aécio diz e prova que não tem serventia a junção "São Paulo e Minas", assunto encerrado, não?

Assim pareceu estar várias vezes, desde dezembro quando o mineiro anunciou sua desistência de disputar a Presidência. Na ocasião, disse que preferia uma vaga no Senado.

Deixou de lado a hipótese de aceitar o lugar de vice, mas de quando em vez abria uma brecha, deixava no ar um talvez e o assunto ficou nesse banho-maria por cinco meses no partido.

Até que, em maio, enquanto Aécio estava na Europa renasceram os boatos de que poderia integrar a chapa.

De onde surgiram? Primeiro de sua roda de amigos, depois de seu grupo político, em seguida ele mesmo deixou essa impressão em telefonema ao presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

Na volta ao Brasil Aécio fez a mais veemente e aparentemente definitiva das negativas. O candidato José Serra declarou: "Há seis meses sei que ele não será o vice".

Mais uma razão para não improvisar na última hora um companheiro de chapa.

Não é uma escolha trivial. Não se trata de alguém que sentará no anexo do Palácio do Planalto, residirá no Palácio do Jaburu, fará o papel de peça decorativa e, como diz esperar o candidato, nunca causará "aporrinhação" (de onde já se pode excluir Itamar Franco da lista) .

Trata-se da pessoa que, caso ele seja eleito, à falta do titular por motivo de força maior, governará o Brasil.

Papel trocado. O destino, assim como o Cupido, é moleque travesso. Fernando Pimentel que agora luta para não entregar a candidatura do PT a governador de Minas para o PMDB ? atendendo a militância regional e enfurecendo a direção nacional ? há dois anos fazia movimento oposto.

É o mesmo Fernando Pimentel que em 2008, prefeito de Belo Horizonte, juntou-se a Aécio Neves, governador do Estado, para eleger Márcio Lacerda prefeito da capital numa inédita aliança PT-PSDB.

Não conseguiram formalizar a coalizão porque, não obstante a simpatia de Lula que imaginava com isso cooptar Aécio para seus projetos eleitorais de 2010, os petistas mineiros resistiram. Assim como resistem agora ao PMDB.

Em 2008 a coisa ficou tão feia para o lado de Pimentel que Aécio Neves e José Serra davam como certa a saída dele do PT.

Talvez ? ou certamente ? por isso mesmo Fernando Pimentel seja hoje o mais petista entre todos os defensores dos direitos à preservação da identidade do partido em Minas Gerais.

31 de maio de 2010

QUANDO O VICE É ÚTIL

FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE S. PAULO



BRASÍLIA - Começo por onde terminou ontem o mestre Clóvis Rossi, aqui no andar de cima desta página. Com muitas coberturas eleitorais acumuladas, Rossi escreveu sobre a relativa insignificância de candidatos a vice-presidente. Falou a propósito da ansiedade no mundo tucano pela possível entrada do mineiro Aécio Neves na chapa presidencial de José Serra.


Notícias relacionadas

Ontem, o próprio Aécio apareceu em entrevista a Adriana Vasconcelos minimizando a ajuda eventual sendo o candidato a vice de Serra: "Isso poderia aumentar em no máximo 5% as intenções de votos em favor de Serra em Minas".



É possível teorizar ao infinito a respeito do tema. Na vida real, as eleições recentes mostram três eventuais utilidades para um vice:



1) tempo de TV: é quando a sigla do vice dá ao titular mais tempo no horário eleitoral. Em 1994 e 1998, essa simbiose ocorreu com Marco Maciel (DEM, ex-PFL) apoiando Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Neste ano, Michel Temer (PMDB) anabolizará a exposição televisiva de Dilma Rousseff (PT);



2) mudança de imagem: em 2002, o vice de Lula foi o empresário José Alencar, então no PL. O petista ganhou mobilidade no establishment. Circulou com conforto pela elite. Não faltou dinheiro na campanha do PT;



3) mais voto: embora seja raro, um vice popular pode ajudar o desempenho do titular nas urnas.



Houve um exemplo claro em 1989. Waldir Pires era o vice da candidatura presidencial de Ulysses Guimarães (1916-1992), cuja votação final ficou em pífios 4,7%, no 7º lugar. Na Bahia deu-se uma história diferente. Waldir renunciou ao governo baiano. Fiel no posto de vice, garantiu naquele Estado a Ulysses 15,7% e a terceira colocação.



Tudo considerado, Aécio Neves pode não desejar ser vice, mas há exemplos históricos mostrando a possibilidade de fazer a diferença. Não parece ser, no momento, o desejo do ex-governador mineiro.

29 de maio de 2010

VICE DE SERRA PODE FICAR PARA DEPOIS DA CONVENÇÃO




Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que que é candidato a senador. Não pretende comparecer às urnas de 2010 como candidato a vice na chapa do presidenciável tucano José Serra.
- Quero continuar trabalhando aqui no Ceará”, disse.
Mencionado como alternativa de vice depois que Aécio Neves reafirmou, na quinta (27), que é candidato ao Senado, não a vice.
Essa questão da vice do Serra está sendo pautada pelo governo, e pela imprensa favorável a Dilma. É para dar a impressão de dificuldade, que há problemas.
Serra já disse que a questão da vice pode ficar para depois. Ele sabe o que fala. Lembram, que fizeram o maior barulho durante quase seis meses para antecipar o lançamento da candidatura do ex-governador. Ele mostrou que estava certo, a sua candidatura foi lançada no momento certo. O lançamento do vice também Serpa efetivado momento certo. Marcada para 12 de junho, a convenção nacional do PSDB deve aprovar apenas o nome de José Serra, sem definir o segundo da chapa.
Secretário-geral do PSDB federal, o deputado Rodrigo de Castro (MG), também declarou que a convenção de 12 de junho não é data fatal para a escolha do vice.
“Dá pra segurar mais um tempo”, disse Rodrigo, que integra o grupo de Aécio.
Que dá para segurar, não há dúvida. A lei não impede.

28 de maio de 2010

AÉCIO REITERA QUE NÃO VAI SER VICE E ELOGIA ITAMAR


EXPECTATIVA, AGORA, RECAI SOBRE ITAMAR

Autor(es): Flávia Salme, Jornal do Brasil
Jornal do Brasil - 28/05/2010



O ex-governador de Minas Aécio Neves reafirmou ontem que não será o vice de José Serra na chapa do PSDB à Presidência. Sobre a possibilidade de Itamar Franco ser o vice, disse que o ex-presidente "tem condições de ser candidato ao que quer que seja".


Aécio descarta ser vice e abre brecha a Itamar Franco.

A ansiedade em torno do futuro vice na chapa do pré-candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, não cessa. A fim de acabar com rumores e, sobretudo, com a pressão o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, fez questão de deixar claro quinta-feira que a missão não caberá a ele. Mas sugeriu que o ex-presidente Itamar Franco tem condições de ser candidato ao que quer que seja.

É preciso que essas ansiedades sejam contidas, nós temos o melhor candidato, o melhor projeto para o país, e eu estarei, como candidato ao Senado por Minas Gerais, dando o meu suor e sangue para a vitória desse projeto encerrou a polêmica.

Em Gramado (RS), onde seguiu atrás de sua principal adversária, Dilma Rousseff (PT), para participar do XXVI Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, Serra não demonstrou-se surpreso com a reafirmação de Aécio. Menos ainda inconformado. Indagado se a decisão representaria uma perda, foi categórico:

Eu já sabia disso há meses. Você só perde o que tem. Ele não era candidato a vice.

Conversas de bastidor

Com Aécio fora do páreo, aumentaram as especulações sobre o possível vice da vez. Nas coxias da política tucana em Minas, comenta-se que a indicação será feita pelo próprio Aécio. Se os rumores procedem, a oficialização da candidatura de Serra, no próximo dia 12, dirá. Contudo, o ex-governador mineiro ofereceu pistas sobre o possível indicado, ao responder se Itamar Franco seria um bom vice:

Caberá ao governador José Serra e ao partidos aliados essa definição. Mas sempre que se falar de Itamar Franco estará se falando de ética, dignidade e dos mais extraordinários homens públicos que eu conheci ao longo de toda a minha trajetória. Um homem que tem condições de ser candidato ao que quer que seja, à presidência da República, à vice-presidência da República. O que eu posso garantir é que o palanque onde estiver o presidente Itamar Franco será o meu palanque.

Reações

Embora dentro do PPS cogite-se, oficialmente, o nome de Itamar como candidato ao Senado por Minas Gerais (o que o faria disputar votos com Aécio), interlocutores do ex-presidente garantem que ele não pensa na vaga. E asseguram que Itamar está disposto a aceitar a vaga de vice, ser for convidado e o Aécio pedir. Caso o pedido seja feito, Itamar aceitaria em nome do clamor e da união em Minas Gerais.

Os elogios de Aécio ao ex-presidente Itamar agradaram ao PPS que, assim como o DEM, é aliado de primeira hora do PSDB. Mas o presidente nacional da legenda, Roberto Freire, nega que qualquer conversa sobre a possibilidade de Itamar ser o vice de Serra já tenha sido costurada. Freire, no entanto, fez questão de ressaltar que seu correligionário agrega valores (e votos).

O Itamar pode ser o que ele bem entender, a presença dele engrandece qualquer chapa. Mas se ele vai ser convidado a ser vice ou não, eu não sei despista.

Já o presidente regional do PPS mineiro, Paulo Elisiário, confirma que tem alguns interlocutores sondando a legenda sobre a possibilidade.

Lançamos Itamar ao Senado, mas política é como nuvens, muda ao sabor do vento. A ideia me agrada, agrada a Minas e ao Brasil, bem como o nome de Aécio também agrada empolga-se. Tudo depende de uma conjunção de fatores. E do Serra.

Questão de votos

A cientista política Heucimara Telles, professora da Universidade Federal de Minas Gerais, acredita que a possibilidade Itamar ser vice de Serra configura-se cada vez mais viável.

É preciso considerar que Dilma, com o apoio de Lula, terá votação expressiva no Nordeste. O Serra tem um eleitorado certo no Sul. Quem pode decidir essa disputa é Minas Gerais, portanto, acho que a direção do PSDB vai tentar tirar um quadro em Minas avalia. Como o Aécio sai para o Senado, e tem manifestado apreço por Itamar, não é difícil (ele ser o escolhido).

Notícias relacionadas
1. Aécio critica duramente o PT e conclama apoio a Serra
2. Papo de esquina em Superquadra
3. Dornelles pode ser o vice de Serra

AÉCIO VOLTA A RECHAÇAR A VICE DE SERRA




Autor(es): Vandson Lima e Raquel Ulhôa, de São Paulo e Brasília
Valor Econômico - 28/05/2010

Na volta da viagem que fez à Europa nas últimas duas semanas, o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), frustrou as expectativas dos tucanos e voltou a descartar a possibilidade de ser o vice da chapa do pré-candidato tucano José Serra à Presidência da República, comprometido que está com as eleições em Minas, por onde disputará o Senado.

"Minha decisão tem que ser tomada a partir de uma análise muito profunda que eu faço do cenário político. Estou absolutamente convencido de que a melhor forma para ajudar a dar a vitória ao governador Anastasia e ao companheiro e amigo José Serra, é estando em Minas como candidato ao Senado. Não houve nenhuma modificação no cenário", afirmou Aécio, alertando ainda para a necessidade de que ansiedades de correligionários sejam contidas.

Aécio refutou a ideia de sua decisão ser pautada por escolhas pessoais: "Acho que ninguém já deu mais demonstrações de visão de partido, de país do que eu, na medida em que eu abro mão da pré-candidatura eu faço isso para garantir a unidade partidária". O ex-governador mineiro procurou ainda relativizar seu peso na campanha presidencial: "Ao lado do companheiro Serra, estarei viajando pelo Brasil, como mais um companheiro do partido, ajudando no que for necessário".

Sobre a estratégia de campanha a ser usada nas eleições presidenciais, Aécio disse que a oposição não deve temer reconhecer os avanços que ocorreram no governo do presidente Luíz Inácio Lula da Silva, mas demonstrar que pode avançar: "Se não tivéssemos um estado tão aparelhado, se tivéssemos uma ousadia no que diz respeito à política monetária, portanto com uma queda mais rigorosa da taxa de juros, poderiamos avançar mais".

Em Gramado, Serra comentou as declarações de Aécio: "Eu já sabia disso há muitos meses". Questionado se a decisão representa perda à sua candidatura, limitou-se a dizer que "você só perde o que tem e Aécio não era candidato a vice".

As declarações de Aécio foram consideradas ontem pela cúpula do PSDB definitivas. Vista como "palavra final" do mineiro, a entrevista deve deslanchar as articulações para a escolha do candidato a vice, dentro ou fora do PSDB. O partido quer definir o nome até o dia da convenção que vai homologar a candidatura de Serra, 12 de junho.

"A entrevista coloca uma pedra em cima dessa cobrança para Aécio ser vice. Era tudo especulação. Não tinha nenhuma novidade para o assunto voltar", afirmou o senador e ex-presidente do partido, Tasso Jereissati (CE) - um dos cotados no PSDB para ser o vice de Serra, se a opção for por uma chapa puro sangue.

Para o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), o gesto de Aécio descartando a vaga de vice pode ser considerado decisivo e libera o partido para concluir os entendimentos em torno da composição da chapa para a Presidência . "Agora vamos cuidar do problema. Tudo tem seu tempo. O tempo é agora", disse Guerra, que é coordenador da campanha nacional.

Tucanos e aliados de Serra de outros partidos estavam preocupados com a escalada de pressão para que Aécio aceitasse compor a chapa presidencial. Avaliavam que isso enfraquecia o pré-candidato e transformava o mineiro em uma espécie de salvador da pátria.

A possibilidade de o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) ser convidado para ser o vice de Serra não foi abandonada pelos tucanos. A escolha é considerada eleitoralmente vantajosa, porque traria o PP formalmente para a aliança. Além disso, Dornelles reforçaria a confiança da área empresarial na chapa e seria uma espécie de avalista no setor financeiro. Já Tasso Jereissati poderia reforçar os votos da chapa no Nordeste, região em que Serra apresenta seu desempenho mais fraco em relação à principal adversária, a petista Dilma Rousseff.

O DEM, principal parceiro do PSDB na aliança, abriu mão de ocupar a vaga de vice para Aécio, considerado o único nome de consenso, capaz de unir todos os aliados. O presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), aliado de Aécio, aguardava a palavra final do ex-governador para avaliar o quadro. O nome do DEM mais citado no próprio partido, com aceitação mais fácil pelo candidato a presidente, é o do deputado José Carlos Aleluia (BA), um dos coordenadores regionais da campanha de Serra. Quando se fala em vice do DEM, tem sido citada a senadora Kátia Abreu (TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), com menos chance pelo forte carimbo de representante do setor ruralista.(Colaborou Sérgio Bueno, de Gramado)