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7 de junho de 2010

JOSÉ SERRA VAI DISCUTIR PROGRAMA NA INTERNET



JORNAL DO COMMERCIO(PE)

SÃO PAULO – Com a expectativa de arregimentar a comunidade acadêmica e os jovens, a campanha do presidenciável tucano, José Serra, põe no ar hoje o site www.propostaserra.ning.com que promoverá a discussão do programa de governo. O projeto é ambicioso, mas começará com um público restrito – pessoas que atuem no partido ou especialistas com trabalhos reconhecidos. Os tucanos temem a invasão do espaço de debate na internet por militantes dos adversários políticos. O plano de usar a internet para debater ideias é do próprio Serra, empolgado com a popularidade de seu Twitter.

O local escolhido para sediar o site é uma rede social, o Ning, usado principalmente por professores e educadores. O PSDB vê na rede uma oportunidade de trazer para o seu lado uma parte da comunidade acadêmica que esteve historicamente próxima do PT. O debate pela internet tem ainda intenção de marcar diferenças, de método e conteúdo, em relação à campanha de Dilma Rousseff.

PESQUISA

A ação é mais uma tentativa de Serra de voltar a crescer nas pesquisas. Levantamento do Ibope divulgado no último sábado mostra que ele está empatado com Dilma. Ambos têm 37% das intenções de voto. A senadora Marina Silva (PV) aparece em terceiro lugar, com 9%. O levantamento anterior do Ibope, feito em abril, mostrava Dilma com 32% das intenções e Serra com 40%. Marina tinha 9%. O empate entre o tucano e a petista continua em um eventual segundo turno, com 42%. Os indecisos somam 8% dos entrevistados e 9% disseram que votarão em branco, nulo ou em nenhum candidato.


O Ibope ouviu 2.002 eleitores em 141 cidades, entre os dias 31 de maio e 3 de junho. A margem de erro é de 2 pontos. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número 13642/2010.

19 de setembro de 2009

A WEB AINDA RESTRITA

FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE S. PAULO - 19/09/2009

Para dirimir dúvidas e mal-entendidos, é importante registrar que não foi aprovada pelo Congresso a liberdade absoluta para a internet na eleição de 2010.
Dois pontos chamam a atenção. O primeiro está no artigo no qual supostamente tudo fica liberado: "É livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato durante a campanha eleitoral, por meio da rede mundial de computadores -internet-, assegurado o direito de resposta". O problema é o aposto.
Vedar o anonimato é bonito. Todos querem conhecer os covardes responsáveis pelos comentários vitriólicos nos sites e blogs. Só há um obstáculo: ninguém na galáxia descobriu como viabilizar tal exigência. É impossível checar se quem deixa um comentário usa identidade verdadeira.
O anarquista com seu laptop numa rede wifi gratuita nunca será apanhado. Outra inutilidade seria os próprios sites e blogs exigirem cadastramento prévio de quem pretender deixar comentários. O vândalo fraudará o cadastro usando um e-mail falso.
A única solução viável para vedar o anonimato será portais, sites e blogs políticos bloquearem espontaneamente todos os comentários.
Será o fim da interação, algo incompatível com internet livre.
Outro aspecto macabro da lei eleitoral é obrigar a web a seguir as regras do rádio e da TV para debates. Os encontros aí se transformam num trem fantasma de candidatos inexpressivos e sem voto. Há algo pior. Como a lei é omissa sobre entrevistas em áudio e vídeo na web, a regra dos debates poderá ser invocada por analogia. Quando um político assistir a seu adversário falando na internet, entrará na Justiça requerendo o mesmo direito.
De novo, uma exigência legal sem conexão com liberdade de escolha na internet. Lula tem até o dia 2 de outubro para sancionar a lei. É uma chance de ouro para vetar essas anomalias e colocar o Brasil no século 21.