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1 de outubro de 2009

MEIRELLES E AMORIM PREPARAM PALANQUES ELEITORAIS

Filiado ao PMDB, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fez uma rápida passagem em Goiânia para se apresentar como virtual candidato ao Senado. Já o chanceler Celso Amorim filiou-se ao PT e tem planos para a Câmara dos Deputados. No DF, o ex-governador Joaquim Roriz fechou com o PSC.

29 de setembro de 2009

A FILIAÇÃO DE MEIRELLES AO PMDB

Tem alguma coisa no bolso do colete nessa história da filiação de Meirelles ao PMDB. O prazo de filiação termina no sábado. Como o Merelles viaja na comitiva de Lula que vai a Copenhague para assistir a definição da sede das Olimpíadas de 2016, é realmente necessário antecipar a assinatura da ficha. Mas, botaram muito holofote na coisa. Fizeram marketing demais. Distribuíram muita notinha aos jornais. A imprensa está toda pautada com a reunião de Lula com Meirelles.
Meirelles vai continuar no Banco Central. De lá só sairá em abril de 2010, se for candidato a alguma coisa. Então, a decisão sobre a sua candidatura será tomada até o fim do mês de março de 2010.
Ele recusou o convite que lhe fez o presidente do PTB, Roberto Jefferson, para disputar a Presidência da República pela legenda. Não lhe entusiasma a opção de ser o vice do presidenciável do PSB, deputado Ciro Gomes (CE). Também, contornou e descartou a possibilidade de sair candidato a governador de Goiás.
Assim, restam apenas três opções a Meirelles: a primeira, continuar no Banco Central até o fim do governo Lula, ou uma alternativa a essa opção: Meirelles continuaria na presidência do BC ou seria promovido a outra missão, por exemplo, o ministério da fazenda – opção que tornaria desnecessária a filiação, com o agravante de obrigar o Meirelles a sofrer o risco de passar quatro anos sem cargo executivo ou legislativo. As duas outras duas opções seriam a candidatura de Meirelles ao senado ou a vice-presidência.
Meirelles passou, até agora, todo o governo Lula no Banco Central. Em 2002 renunciou a um mandato de deputado federal, eleito pelo PSDB. Não concorreu a nenhum cargo em 2006. Esse fato nos leva a crer que lhe foi prometido algo pelo presidente. Deve ser por isso, que o Meirelles quer ouvir o Lula antes de assinar a ficha no PMDB

NAS MÃOS DE LULA

DE MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 29/09/2009

A conversa que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pretende ter com o presidente Lula antes de decidir seu destino político tem como pano de fundo o futuro da economia brasileira e pode se realizar, por falta de agenda do presidente, até em Copenhague, onde os dois estarão na defesa do Rio para sediar a Olimpíada de 2016. Mesmo que o presidente Lula já tenha se pronunciado contra a saída de Meirelles do Banco Central para participar da política partidária, o presidente do BC está tendendo a “comprar uma opção” partidária e aguardar até março para tomar uma decisão definitiva com o passaporte que lhe permitirá continuar nesse jogo político. Mas não quer tomar nenhuma decisão sem falar com o dono da bola.

Ele não se interessa em continuar no mercado financeiro na iniciativa privada, onde fez sua carreira. Mas também não pretende entrar na política em oposição ao presidente Lula e, portanto, não está levando em conta a oferta do PTB para que saia candidato à Presidência da República.

O partido, embora ainda da base governamental, tem apresentado na televisão programas bastante agressivos contra o governo, aparentemente desembarcando do apoio. A não ser, o que parece improvável, que o próprio Lula o aconselhe a isso, situação em que terá mudado de opinião quanto às vantagens de ter apenas um candidato da base do governo.

Se se filiar a algum partido, p r o v a v e l m e n t e s e r á a o PMDB, mas a disputa do governo de Goiás está praticamente descartada, por uma questão de timing. Meirelles considera arriscado sair imediatamente do Banco Central, despertando as especulações e incertezas naturais para uma substituição desse nível num momento em que, na sua visão, a recuperação da economia ainda está frágil.

Ao contrário do otimismo exagerado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, Meirelles vê risco de retomada de inflação com o desequilíbrio das contas públicas. A própria agência de avaliação de risco Moody’s, que acaba de dar o grau de investimento ao Brasil depois da crise, chamou a atenção para o desequilíbrio fiscal, embora não o considere grande o suficiente para ser controlado pelo governo.

O mercado financeiro, de maneira geral, aceita que o governo atual não controle o gasto público, certo de que um futuro governo vai fazer as “maldades” necessárias.

Embora os gastos tenham sido atribuídos na sua totalidade a políticas anticíclicas do governo para combater a crise, não há dúvidas de que parte do descontrole fiscal teve motivação eleitoral, a crise tendo sido um pretexto a posteriori para o descontrole que já havia sido contratado.

De olho nessa situação ainda incerta, Meirelles não pretende deixar o BC pelo menos antes de março, mas os peemedebistas de Goiás lhe dizem que, para disputar o governo, teria que sair agora, para começar as negociações políticas regionais.

Os políticos necessitam de uma sinalização segura para formar as alianças que organizarão o palanque estadual para apoiar a chapa de presidente, e o partido precisa montar sua chapa de senadores e deputados federais e estaduais desde já, não querem esperar por março, último prazo para a desincompatibilização de quem está em governos.

Nesse caso, Meirelles desistiria do projeto e resumiria suas opções a uma das duas vagas do Senado ou a vicepresidente na chapa oficial, desde que o PMDB oficialize sua adesão à candidatura de Dilma Rousseff. Como essa decisão só será sacramentada pela convenção partidária, a ser realizada em junho do próximo ano, e não há nenhuma garantia de que ela seja realmente tomada, o projeto político de Meirelles parece reduzido à disputa pelo Senado.

Além do mais, o presidente da Câmara, Michel Temer, é candidato declarado à vaga de vice pelo PMDB. Somente com uma intervenção, no devido tempo, do próprio presidente Lula, seria possível reverter essa situação que parece consolidada

Na conversa com Lula, certamente entrará no jogo a possibilidade de Meirelles vir a ser convidado para a equipe da candidata Dilma Rousseff, mesmo que não seja para a Vice-Presidência.

Um acordo implícito, que sinalize a possibilidade de Meirelles ser o próximo ministro da Fazenda em caso de vitória, seria também um recado para o mercado de que o equilíbrio fiscal continuaria a ser uma prioridade.

Assim como a presença de Antonio Palocci na coordenação da campanha.

Em ambos os casos, porém, a ministra teria que mudar seu pensamento econômico, pois, em fins de 2005, pouco antes de ter que sair do governo devido à acusação de violação do sigilo do caseiro, Palocci entrou em rota de colisão com Dilma sobre uma proposta de ajuste fiscal de longo prazo apresentada pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, com o seu apoio

A chefe da Casa Civil classificou publicamente a proposta de “rudimentar”, explicitando um racha dentro do governo com relação ao gasto público.

Ele continua defendendo sua “proposta rudimentar” de reduzir os gastos gradativamente para que, num período de dez anos, fiquem abaixo do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o que daria uma sinalização de equilíbrio de longo prazo para a economia.

Mas o descontrole pode ser tal que o futuro governo não conseguirá contê-lo tão facilmente. Quanto mais tempo durar o descontrole, e estamos ainda a 15 meses do novo governo, maior será a “maldade” a ser feita, e a oposição não aceitará. É possível ver o próprio PT fazendo oposição a Dilma Rousseff, e ainda mais se o presidente for do PSDB.

Na questão fiscal, o governador de São Paulo, José Serra, tem um histórico mais favorável que Dilma, é reconhecido como bom gestor e cortador de custos. Suas desavenças com o governo federal e com os próprios parceiros tucanos têm mais a ver com a autonomia do Banco Central e a política cambial, o que torna o presidente do Banco Central um alvo preferencia

23 de setembro de 2009

OS PERIGOS DE MARINA

DORA KRAMER

O ESTADO DE SÃO PAULO 22/09/2009


Pergunte-se a um integrante do comando do PSDB ou a dirigente nacional do PT qual dos dois partidos se sente mais prejudicado com a entrada de Marina Silva na disputa presidencial, a resposta será a mesma.
"Acho que ela tira mais votos de nós", concluem ambos, que só não falam em coro porque a análise é feita em dia e local diferentes. O tucano diz a frase numa terça-feira no bairro Morumbi e o petista a repete na noite de sábado em Higienópolis, em São Paulo.
A coincidência de opiniões não representa uma certeza absoluta. Até que as próximas pesquisas desenhem melhor o comportamento do eleitorado, tanto o PT quanto o PSDB vivem na dúvida a respeito de quem sofre mais perdas com a candidatura "verde".
Que Marina leva desvantagem para um dos lados, todos concordam, já que sua entrada em cena acabou com o plano do presidente de fazer da eleição um plebiscito. Mas ninguém sabe ao certo quem perde mais.
Em princípio, cada um dos lados se sente a maior vítima.
A primeira impressão do PSDB é a de que Marina Silva conquista aquele eleitor decepcionado com o PT e que ficaria com os tucanos só por falta de opção, um contingente nada desprezível com o qual estava contando a oposição.
Já o PT acha que esse mesmo eleitorado poderia hesitar, mas não estava perdido. Antes de Marina aparecer como alternativa, os petistas mantinham a esperança de que, na hora da polarização entre PT e PSDB, prevalecesse a rejeição aos tucanos em geral e ao governo de Fernando Henrique Cardoso em particular.
Com a ex-ministra do Meio Ambiente na disputa, os petistas desiludidos teriam onde desembarcar.
Mas, o fato de reconhecerem de maneira igualitária os danos provocados por uma candidatura do PV não quer dizer que PT e PSDB tenham a mesma visão a respeito de como lidar com a questão durante a campanha.
Os tucanos parecem enxergá-la como uma possível aliada. Já os petistas - os engajados no projeto de Lula para Dilma Rousseff , bem entendido - a veem como uma bomba a ser desarmada, caso suas intenções de voto venham a crescer de maneira preocupante.
Como não é possível cooptá-la - para o posto de vice, por exemplo -, a única opção seria explorar seus pontos fracos. Do ponto de vista do PT, os seguintes: radicalismo na questão ambientalista, defesa inflexível dos movimentos sociais, MST incluído, questionamentos sobre a conduta de dirigentes do PV, identificação religiosa com teses repudiadas pelos "modernos", como a posição dela contra o aborto.
Se Marina crescer muito, há no PT o sentimento de que o PSDB se aliaria ao bombardeio.
Uma das armas tidas como poderosas é a filiação (e militância) do deputado Sarney Filho no Partido Verde. Pensa-se em apresentar a candidata como "companheira" do "filho de Sarney".
Um ato ousado para o partido que salvou o pai de ser processado pelo Senado por quebra de decoro parlamentar.
Além de uma ação de execução complicada essa de "desconstrução" de imagens, pois há sempre o risco - como se viu na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2008 - de o feitiço fazer picadinho do feiticeiro.
Bossa-nova
A nova cruzada de Fernando Henrique Cardoso em defesa da descriminalização da maconha não é vista com tranquilidade no PSDB. A preocupação é que a "causa" possa render prejuízos para a candidatura presidencial do partido.
O governador José Serra preferiria que o ex-presidente não tivesse dado à revista Veja a entrevista da semana, falando sobre o tema. Não falou com ele a respeito, mas pediu que um amigo comum tentasse, com habilidade, demovê-lo.
Soube do fracasso da missão três dias antes da publicação e entregou o caso nas mãos de Deus.
Depende
A escolha do candidato do PT ao governo paulista é uma obra em aberto. Se Lula deixar correr solto, a máquina do partido emplaca o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.
Se o presidente impuser sua vontade, ganha a legenda o ministro da Educação, Fernando Haddad. Isso, evidentemente, se Ciro Gomes mantiver sua candidatura a presidente e se as pesquisas qualitativas continuarem a apontar uma alta rejeição ao nome do deputado Antonio Palocci.
Um complicador: o grupo da ex-prefeita Marta Suplicy, que domina a seção paulista do PT, rejeita o nome do ministro da Educação. Avalia que seria arriscado Marta tentar o governo, mas prefere o risco à opção Haddad.
Meirelles na cabeça
A ala do PMDB que vai de PSDB em 2010 torce para ver o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, candidato ao governo de Goiás.
Isso obrigaria o presidente Lula a apoiá-lo e liberaria o palanque de Iris Rezende, até então apalavrado com o PT, para composição com os tucanos