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20 de junho de 2009

MINC É VAIADO POR AGRICULTORES

da Agência Folha

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) tentou adotar ontem, em Alta Floresta (MT), um tom conciliador e otimista no discurso em que anunciou as novas medidas de regularização ambiental e fundiária na Amazônia.
A plateia --composta por muitos agricultores e pecuaristas-- acompanhou sua fala com vaias do início ao fim. A antipatia do setor pelo ministro aumentou em maio, quando Minc chamou os grandes produtores rurais de "vigaristas".
Ontem, o ministro disse que os dois programas têm o objetivo de "ajudar o povo a fazer as coisas certas". "A Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], por exemplo, vai ajudar a fazer uma agricultura de boa produtividade e baixo impacto", disse.
Minc disse também que o governo federal vai estabelecer preços mínimos para uma cesta de dez produtos do extrativismo e que vai financiar o "plantio de florestas" por meio do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).
Nos assentamentos, a recuperação de áreas degradadas renderá uma "bolsa-verde" de R$ 100 mensais. "Antes quem cortava ganhava algum, agora quem plantar vai ganhar para ajudar a alimentação da sua família", disse.
Para Minc, "produção e meio ambiente não podem ser inimigos, mas aliados". "Para isso nós estamos trazendo mais de dez ministérios, mais de 20 órgãos, para defender o meio ambiente, a vida, produzir com dignidade, com obras, saneamento, educação e consciência", afirmou o ministro.

6 de junho de 2009

MINC PROMETE PARAR DE BRIGAR E NÃO SERÁ SUBSTITUIDO

DA AGÊNCIA ESTGADO

SÃO PAULO - Depois de ouvir do ministro Carlos Minc a promessa de que não mais se envolverá pelos meios de comunicação em brigas com os colegas, a exemplo do que ocorreu com Alfredo Nascimento (Transportes), Reinhold Stephanes (Agricultura) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desistiu de substituir o titular do Meio Ambiente. De acordo com informação de auxiliares de Lula, o presidente considera que Minc está, de fato, enquadrado, como o próprio ministro admitiu de público anteontem.
Dentro do governo há um alívio com o fato de Minc ter prometido parar com as brigas e os ataques públicos a obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como a BR-319, que liga Manaus a Porto Velho. Uma substituição de Minc a cinco meses da Conferência de Copenhague (marcada 7 a 18 de dezembro, na capital da Dinamarca) seria um desastre. Não só porque mostraria instabilidade na área ambiental do País que tem a maior floresta equatorial do planeta, mas porque o ministro é ligado aos ambientalistas de países escandinavos e da Alemanha, todos potenciais aliados da preservação da Amazônia - a Noruega, por exemplo, já doou U$ 100 milhões para o Fundo Amazônia e promete chegar a US$ 1 bilhão.
O encontro de Copenhague é considerado o mais importante da história recente, pois tem por objetivo estabelecer o tratado que substituirá o Protocolo de Kyoto, vigente de 2008 a 2012, que trata das questões climáticas e ambientais. Nos debates deverão aflorar os impasses entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento em torno das metas para a redução de emissões de gases do efeito estufa e os recentes estudos científicos sobre o aquecimento global. No governo ninguém domina mais o tema do que Minc.
Lula, que ontem esteve com Minc na Bahia, recomendou a ele que, se quer brigar, continue o enfrentamento com os ruralistas e com os grileiros, mas deixe os integrantes do governo de fora. Ainda conforme informação de auxiliares do Planalto, Lula acha útil Minc marcar uma posição a favor da defesa do meio ambiente, porque o outro lado, o do agronegócio e dos ruralistas, também luta por suas posições. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo