Mostrando postagens com marcador Política Externa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Política Externa. Mostrar todas as postagens

11 de junho de 2010

GABEIRA; governo lula "frustou os sonhos" de quem colocou o pt lá



O GLOBO

Catarina Alencastro e Evandro Éboli

 
Para deputado, é hora de fazer mudanças e levar um novo grupo ao poder



BRASÍLIA. Num discurso bastante aplaudido, o deputado Fernando Gabeira aproveitou a Convenção Nacional do PV, que lançou a candidatura à Presidência da senadora Marina Silva, para atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Gabeira, o petista “frustrou os sonhos” dos brasileiros que o elegeram.

Usando o fato de o Palácio do Planalto, sede do Executivo, estar em obra, o deputado disse que agora é hora de reformar também na política e pôr um novo grupo no poder.

— Lutamos para colocar nosso grupo (lá). E conseguimos.

Há oito anos que eles estão aí. Mas nossos sonhos foram frustrados. Vamos de novo lutar para colocar outro grupo, para ver se agora melhora — afirmou.

Críticas à política externa do governo Lula

Antes do discurso, no palco, Gabeira não estava muito à vontade. Em alguns momentos parecia enfadado, o que foi interpretado por alguns dos seus colegas do PV como um “certo ressentimento” por não ter contado com a presença de Marina no lançamento de sua candidatura ao governo do Rio — numa aliança com o PSDB de José Serra, adversário de Marina na disputa presidencial.

Gabeira passou a maior parte do tempo em que esteve no palco junto com parentes e outras líderes do PV, de braços cruzados e semblante sério. Em sua fala, no entanto, defendeu a candidata, lembrando que a senadora é hoje uma pessoa respeitada internacionalmente.

— Achávamos que a campanha seria limitada a duas propostas.

Uma proposta de bens materiais e outra de bens materiais — atacou, em referência às candidaturas da petista Dilma Rousseff e de Serra.

Falando do poder “transformador” do ensino, Gabeira lembrou a trajetória de Marina, alfabetizada aos 16 anos. O deputado reafirmou que a educação será o principal foco de um eventual governo do PV. Falando em direção ao teólogo Leonardo Boff e ao poeta Thiago de Mello, que também discursaram, Gabeira disse que, embora os dois não sejam ricos do ponto de vista material, esbanjam riqueza intelectual. Os dois gostaram do comentário, riram e deram um aperto de mão, em aprovação.

O deputado também defendeu o combate ao aquecimento global e, em outra alfinetada no governo Lula, criticou indiretamente a política de aproximação com o Irã.

Também criticou a falta de ação de Lula contra o desrespeito aos direitos humanos praticado em Cuba.

— Temos que pensar nos (cidadãos) verdes do Irã. Não porque são ecológicos, mas porque são democratas e nós lutamos por isso. Temos que nos solidarizar com os presos política de Cuba — disse Gabeira.

Demonstrando afinidade com as bandeiras ecológicas de Marina, Boff disse, no discurso, que passava dois meses por ano no Acre e que a defesa da “Mãe Terra” deve estar no centro das preocupações políticas. Segundo Boff, Marina é a mais indicada para a missão porque “nunca abandonou a floresta e a carrega no seu coração”.

— A Terra está crucificada.

Precisamos baixá-la da cruz e ressuscitá-la. O político precisa colocar a vida, a Terra, a Mãe Terra no centro das preocupações — disse.

31 de maio de 2010

VAI, AMORIM, ENFIANDO O PÉ NA JACA…



VEJA

REINALDO AZEVEDO

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O Itamaraty faz o que bem entende com boa parte da imprensa brasileira. E não é de hoje. Celso Amorim, o Colosso de Rhodes da diplomacia mundial, consegue transformar, por aqui, em sucessos todos os seus desastres. Até agora, o Megalonanico petista não ganhou uma. Mas emplaca suas versões com impressionante habilidade. Pronto! Celso Amorim é um ministro das Relações Exteriores especialista em enganar jornalismos interiores…

No Estadão de ontem, havia uma reportagem cujo título era este: “Desmentido dos EUA irrita Itamaraty”. Uma “alta fonte” da diplomacia brasileira deu uma declaração em off, embora entre aspas, o que é um procedimento interessante e revolucionário. O sujeito não tem rosto nem nome, mas tem voz. Disse ao jornal:
“Causa estranheza ouvir de representantes do terceiro ou quarto escalão do governo dos EUA frases que põem em dúvida o que a mais alta autoridade americana afirmou, por meio de carta, ao presidente de outro país”.

Essa “alta fonte”, dada a qualidade da intervenção, deve ter sido mesmo Celso Amorim. “Fonte”, vá lá. Que seja “alta”, aí já é manifestação de generosidade do jornal.

Como se nota, o dito-cujo está se referindo à entrevista de funcionários do Departamento de Estado dos EUA, concedida na sexta-feira, em que afirmaram que a tal carta de Barack Obama a Lula não continha “instruções” para acordo nenhum. Mas isso era até o de menos e vou dizer por quê. Antes, uma lembrança: já havíamos comentado essa carta aqui há quase duas semanas. Ela deixa claro, note-se, que os EUA não abririam mão das sanções se o Irã não subordinasse à inspeção da AIEA o seu programa nuclear. E, naquele fabuloso dia 17 de maio, enquanto o Brasil batia tambor para o acordo, os iranianos anunciaram que continuariam a enriquecer urânio, tirando a escada de Amorim e Lula, deixando-os pendurados na brocha. Não é que os dois não soubessem que assim seria; só não contavam que o Irã fosse ser tão rápido em desmoralizá-los. Menos de 24 horas depois, os EUA anunciaram o entendimento das cinco potências para as sanções.

Por que a carta era o de menos? Os funcionários americanos — que Celso Amorim ou um prepostinho seu considera de “terceiro ou quarto escalões” (ao menos eles tinham cara, não oferecendo aspas sem rosto) — revelaram que a carta era um entre muitos documentos. Informaram que o Brasil recebeu relatórios secretos do serviço de Inteligência dos EUA com informações sobre o programa nuclear iraniano. E, ESCÂNDALO DOS ESCÂNDALOS!, a quase totalidade da imprensa fez de conta que isso não era “A” notícia!

O governo brasileiro omitiu essa informação de todo mundo e vazou a carta de Obama, o que, não fosse uma tentativa descarada de manipulação, já caracteriza uma grosseria. Vale dizer: o Brasil negociou com o Irã sabendo tudo, ou quase tudo, que os EUA sabiam — e isso inclui o dado essencial de que Ahmadinejad manteria no país, estocada, pelo menos uma tonelada de urânio, que pretende enriquecer por conta própria, sem qualquer acordo. Estima-se que é suficiente para conseguir ao menos um artefato nuclear. Não só! Sabe-se agora que a Coréia do Norte, outro estado delinqüente, está colaborando com os programas nucleares da Birmânia e do… Irã!!! Não duvido nada que Lula e Amorim soubessem disso também.

O governo brasileiro planta ainda duas versões, que estão sendo muito bem-aceitas por alguns dos nossos jornalistas comportados e nacionalistas. A primeira: os EUA estariam exercendo uma estratégia de “controle de danos”, para tentar reverter um suposto desgaste gerado pelo “vazamento” da carta… Nem diga! A imagem do país e a de Obama ficaram abaladíssimas!!! No mundo, só se fala de outra coisa.

A outra informa que Obama e Hillary estariam usando o Irã para resolver seus problemas internos. Como enfrentarão em breve eleições legislativas, querem evitar a pressão dos republicanos etc. e tal… Pois é. Isso é, com efeito, parcialmente verdadeiro numa democracia e numa República, como efetivamente são os EUA. Governos têm de se ocupar do que pensam as outras forças políticas. E a razão é simples: ELAS TAMBÉM REPRESENTAM OS AMERICANOS, EM NOME DOS QUAIS BARACK OBAMA EXERCE A PRESIDÊNCIA. Por lá, ser oposição não é tratado como ato criminoso ou falta de juízo, a exemplo do que se dá a entender, às vezes, no Brasil.

Quem está, aí sim, numa estratégia de “controle de danos”, parcialmente bem-sucedida, é o Itamaraty. Na média, reitero, a imprensa brasileira ainda não refletiu o tamanho do desastre diplomático a que Amorim e Lula nos expuseram desta vez. Ao contrário: parte dela vestiu a camisa verde-amarela e passou a se comportar como torcida.

O fato é que este gigantesco factóide falhou! Só resta agora brincar de fazer discurso antiamericano na boca da urna. Um dos jornalistas do Franklin já foi escalado para sugerir que tudo, no fundo, seria mesmo culpa de FHC, que até teria convencido Bill Clinton a convencer Obama a não visitar o Brasil antes das eleições. A máquina, meus caros, é poderosa! O chato, nesse caso, é que os EUA têm como se comunicar com o mundo. Não dependem da televisão da Teresa Cruvinel. Imaginem o “acordo” sendo vendido pela Lula News a 49 países africanos! Huuummm… Só seis entendem o português. E isso nem quer dizer necessariamente que entendam direito o que Lula fala.

30 de maio de 2010

SERRA MIRA POLÍTICA EXTERNA




João Bosco Rabello


O ESTADO DE S. PAULO


Aparentemente desconectada da campanha eleitoral, pela natureza do tema (drogas), a crítica do candidato José Serra ao governo boliviano obedece a uma estratégia de contestação da política externa brasileira, questionando sua eficiência e relação custo/benefício para o Brasil.

Para não pôr em risco o princípio de respeito à soberania das nações a abordagem crítica explora a relativização do conceito democrático e dos direitos humanos pelos países que recebem tratamento privilegiado do governo Lula.

Nesse contexto, a Bolívia foi precedida por Venezuela, Cuba e Irã e, no plano estritamente comercial, pela Argentina e China. Em pílulas, Serra vai expondo seu pensamento revisionista para a chancelaria brasileira.

Traz para o debate eleitoral a possibilidade de explorar as contradições do governo Lula, de discurso e prática democráticos no plano interno, mas indiferente aos desmandos em Cuba e Venezuela, tolerante com movimentos como as Farc, à qual ainda reconhece status político, e ingênuo na ação pela paz no Oriente Médio.

A politização do Mercosul e o reconhecimento da China como economia de mercado deram visibilidade ao conflito comercial e produziram a proposta de introduzir no currículo do Itamaraty a especialização em comércio externo, cuja gestão no governo é fragmentada, em ministérios e departamentos.

A serviço de Roriz

Setores do Ministério Público não gostaram do contexto festivo em que Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo Arruda, disparou sua mais recente denúncia, contra o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ).

Como já depusera sobre o suposto envolvimento de Maia com Arruda, o ato público foi interpretado como um favor a Joaquim Roriz, candidato a um quinto mandato pelo governo do DF, dessa vez pelo PSC.

Pressionado pelas autoridades para delatar Roriz, de cuja administração foi peça-chave, Durval mostra-se cada dia mais obediente ao ex-chefe, mesmo ameaçado de perder a contrapartida pela delação premiada, que é a redução de pena. Roriz está empenhado em tirar de seu caminho o DEM, seu concorrente ao governo local e também a parceiro numa possível aliança com o PSDB.

Vice a toda prova

A abertura de temporada no PSDB pela escolha do vice de José Serra, desmente todas as tentativas do partido de negar a espera excessiva pelo ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, apesar de todas as suas reafirmações de que concorreria ao Senado. De qualquer forma, o não definitivo de Aécio empresta objetividade ao Plano B dos tucanos, que pode ser o senador Marco Maciel, titular do cargo nos dois governos de Fernando Henrique. Ele volta a ganhar força por aglutinar o DEM em torno de seu nome, mas são mencionados ainda o ex-presidente do partido, Pimenta da Veiga e a senadora Kátia Abreu (DEM-TO).