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6 de setembro de 2009

CORRIDA ARMAMENTISTA NA AMÉRICA DO SUL: BRASIL ASSINA COM A FRANÇA MAIOR CONTRATO MILITAR DE SUA HISTÓRIA.

Acordo, de cerca de R$ 22,5 bilhões, será assinado amanhã em Brasília por Lula e Nicolas Sarkozy

O Brasil assina amanhã com a França o maior e mais importante acordo militar de sua história recente, com 8,5 bilhões de euros em submarinos e helicópteros. Provavelmente a conta será aumentada em breve pela aquisição de caças franceses.
Os presidentes Lula e Nicolas Sarkozy celebram a "parceria estratégica" após a festa do Sete de Setembro. Essa é a segunda visita de Sarkozy ao país em menos de um ano. Ele participará do feriado da Independência como convidado de honra.
Sarkozy assistirá amanhã ao Desfile de Sete de Setembro. Ele veio ao Brasil para assegurar o favoritismo do caça produzido por seu país na concorrência da FAB.
O valor, a ser pago em até 20 anos e equivalente a R$ 22,5 bilhões, é muito superior às compras russas feitas pela Venezuela ou aos acordos operacionais dos EUA com a Colômbia. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, diz que a escolha “faz sentido” no escopo de parceria estratégica. O valor equivale a tudo o que está previsto em Orçamento para o PAC no ano. Os termos de financiamento dependem de aprovação final no Congresso. O governo brasileiro não poderia ter preparado um cenário mais otimista para a chegada do presidente francês, Nicolas Sarkozy, convidado especial de Luiz Inácio Lula da Silva para as comemorações do 7 de setembro — no âmbito da celebração do Ano da França no Brasil. A menos de uma semana da visita do mandatário francês, o Senado aprovou, com uma rapidez impressionante, a obtenção de um crédito de 6,08 bilhões de euros para a construção de cinco submarinos de tecnologia francesa. Além disso, Lula assumiu em público sua preferência pelo caça Rafale, da francesa Dassault, na concorrência F-X2 da Força Aérea Brasileira (FAB).
Durante a visita, que tem motivações bem mais expressivas que o desfile na Esplanada dos Ministérios, serão assinados pelos presidentes Lula e Sarkozy o contrato de fornecimento de 51 helicópteros EC-725 — a serem construídos aqui e usados pelas três Forças — e a compra de quatro submarinos convencionais da classe Scorpène e de outro, com propulsão nuclear, cujo motor será desenvolvido pelo Brasil. O programa militar ainda prevê a construção de um estaleiro e de uma base de apoio para os submarinos
O Senado aprovou na noite da íltima quarta-feira a contratação de um empréstimo externo no valor de 6,080 bilhões de euros (R$ 16,2 bilhões) para a construção, em cooperação com a França, de cinco submarinos, incluindo um nuclear, e a compra de 50 helicópteros militares. Foi aprovado a obtenção de um crédito de 4,32 bilhões de euros (R$ 11,5 bilhões) para os submarinos e outro de 1,76 bilhão de euros (R$ 4,7 bilhões) para os helicópterosOs recursos serão emprestados por um consórcio de bancos liderado pelo francês BNP Paribas e a primeira verba será destinada ao Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos), da Marinha.
O programa prevê a construção em série de quatro submarinos convencionais e de um de propulsão nuclear, assim como de um estaleiro onde serão feitos os navios e de uma base de apoio a essas embarcações.
Segundo a Marinha, o Prosub permitirá que o país aumente as atividades de vigilância, proteção e defesa nas áreas onde estão as instalações marítimas que produzem petróleo e gás.
Há anos o Brasil sonha com o desenvolvimento de um submarino nuclear, uma possibilidade que começou a concretizar nos últimos meses mediante um acordo estratégico de defesa negociado com a França e que deve ser formalizado amanhã
A verba de 1,76 bilhão de euros será investida na compra de 50 helicópteros de meio porte para as três forças, que serão fornecidos entre 2010 e 2016 por um consórcio formado pela brasileira Helibras e pela Eurocopter, filial do grupo europeu EADS.
Especialistas manifestam sua preocupação com o aumento dos investimentos em material bélico na América Latina. Hugo Chávez quer transformar seu país em uma potência militar. Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Venezuela, as principais economias da região estão aumentando seu armamento que já pode caracterizar o início de uma corrida armamentista na América do Sul.
A situação é um pouco diferente da época da guerra fria, quando a antiga União Soviética e os Estados Unidos descarregavam aqui os seus estoques de armas de segunda linha. As armas adquiridas agora são as mais modernas, com alto poder destrutivo. Os aviões e helicópteros adquiridos pela Venezuela fazem parte da primeira linha de defesa da Rússia. Os custos ultrapassam os 3 bilhões de dólares. O Chile, para não ficar atrás, comprou aviões norte-americanos, fragatas inglesas e holandesas, tanques alemães e submarinos franceses. O Peru também amplia o seu parque bélico, reformando os seus aviões de origem soviética, assim como a Colômbia, que possui contratos milionários com os americanos por causa da guerrilha das Farcs. A Argentina recentemente voltou a produzir aviões militares e tanques médios. O Brasil assina agora seu contrato militar com a França.
Os gastos com armamentos aumentam desde 2004 na América Latina. Num Continente recheado de miséria e pobreza, este aumento do percentual de compras militares chega a ser preocupante. A região abriga vários governos e regimes populistas, cuja característica principal é manipulação da opinião pública. Há o receio de que a região passe a viver tempos de intolerância, com os governantes brincando com os seus soldadinhos de chumbo e fazendo o mundo pegar fogo!

3 de agosto de 2009

LIGAÇÕES COMPROMETEDORAS

Por SIMON ROMERO


O GLOBO - 03/08/2009

Apesar das repetidas negativas do presidente Hugo Chávez, agentes do Estado venezuelano continuam a apoiar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Eles ajudam os guerrilheiros a conseguir armas e até obter carteiras de identidade para que eles circulem livremente por todo o território da Venezuela. A informação foi descoberta em computadores dos rebeldes apreendidos nos últimos meses e avaliados por agências de inteligência ocidentais.
O material mostra colaborações detalhadas entre a guerrilha colombiana e militares de alta patente e membros dos serviço de inteligência da Venezuela. As evidências contrariam Chávez, que vem fazendo constantes declarações de que seu governo não se relaciona com as Farc.
- Nós não os protegemos - disse o presidente em julho.
As novas provas chegam num momento ruim da relação entre Venezuela e Colômbia. Em julho, Chávez interrompeu os laços diplomáticos, em resposta às declarações do governo colombiano de que os lança-mísseis suecos vendidos à Venezuela acabaram nas mãos das Farc. A reação venezuelana foi alimentada também pelos planos da Colômbia de aumentar a presença de militares americanos em seu território.
- O governo colombiano está tentando construir um fato na mídia contra nosso país, algo que serve à sua agenda política - disse Bernardo Álvarez, embaixador da Venezuela em Washington, descrevendo as novas evidências como "informação não confirmada".
Intenção de comprar armas na Venezuela
Chávez vem rebatendo as acusações de proximidade com as Farc desde o ano passado, quando forças colombianas tomaram um acampamento dos guerrilheiros no Equador. Na operação, foram encontrados computadores de um comandante dos rebeldes, contendo e-mails encriptados que mostravam que havia um relacionamento forte entre o governo venezuelano e os guerrilheiros, que já se refugiaram no país de Chávez.
A recente revelação - há material capturado em maio - mostra que pouco mudou na proximidade entre Farc e o governo venezuelano desde a operação colombiana do ano passado. O "New York Times" obteve uma cópia do material encontrado, sob análise de uma agência de inteligência.
Uma mensagem de Iván Márquez, comandante rebelde que supostamente opera livremente na Venezuela, descreve um plano das Farc de comprar mísseis terra-ar, rifles e rádios na Venezuela. Não está claro se o armamento a que ele se refere chegou a ser adquirido. Mas ele escreveu que o objetivo vinha sendo facilitado pelo general Henry Rangel Silva, que era diretor da agência de inteligência da polícia venezuelana até ser removido da função no mês passado, e por Ramón Rodriguez Chacín, ex-ministro do Interior da Venezuela e nomeado por Chávez como emissário oficial junto às Farc na libertação de reféns em 2008.
Na mensagem, Márquez discute o plano de Chacín de transportar as armas pela região próxima ao Rio Negro, em solo venezuelano. O guerrilheiro vai além e explica que o general Rangel forneceu aos guerrilheiros documentos que eles poderiam usar para se mover livremente pela Venezuela.
As últimas provas que envolvem a Venezuela e as Farc podem pôr em xeque a política de Obama para a região. O presidente americano tem tentado retomar relações amistosas com Chávez, após a constante tensão do governo Bush. Mas Estados Unidos e Europa ainda classificam as Farc como organização terrorista.
- Não comentamos assuntos de inteligência - esquivou-se Noel Clay, porta-voz do Departamento de Estado, sobre as últimas comunicações capturadas

10 de julho de 2009

CARTA DE EMBAIXADOR DA VENEZUELA CAUSA POLÊMICA NO SENADO

Por SÉRGIO LEO

VALOR ECONÔMIO 10/07/2009




Mesmo ausente, o embaixador da Venezuela no Brasil, Julio Garcia Montoya, foi o principal personagem da audiência convocada ontem na Comissão de Defesa e Relações Exteriores do Senado para discutir o ingresso do país no Mercosul. Convidado, Montoya avisou por fax que não iria, numa carta com termos duros em que acusa os senadores de levantarem dúvidas "de caráter ideológico e até pessoal" em relação à Venezuela e diz que não interessa ao Estado brasileiro o "jogo de interesses" na discussão do tema.
A carta escandalizou até defensores da entrada da Venezuela no bloco. Mas, numa demonstração de interesse no Senado em evitar a radicalização do debate, os senadores, por uma margem estreita (cinco a quatro), rejeitaram a proposta do senador Fernando Collor (PTB-AL) de aprovar um "voto de censura" ao embaixador. Optaram por algo mais delicada, de devolver a carta à embaixada, em sinal de protesto. A alternativa foi sugerida por um líder oposicionista, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que até gracejou com o fato.
"Após sete anos, me vejo reconhecido como um homem de esquerda; meus camaradas votaram comigo", ironizou. O embaixador foi acusado de "pouco inteligente", inábil e descortês, e sua carta, de "nem diplomática, nem civilizada". Na sessão da tarde, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), um dos autores dor requerimento, disse concordar com a devolução da carta por achar que a censura seria "talvez uma demasia".
Centrada na polêmica provocada pela carta do embaixador e em acusações de desrespeito á democracia por parte do governo de Hugo Chávez, a discussão, dividida em duas sessões, trouxe, porém, uma novidade, esperada pelo setor privado: já estão em análise no ministério do Desenvolvimento as listas com produtos "sensíveis", para os quais a Venezuela quer retardar a eliminação de tarifas no comércio com o Mercosul, segundo informou o secretário-geral do ministério de Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães.
Segundo um diplomata, somam 880 os tipos de mercadorias para os quais a Venezuela quer liberalizar o comércio só em 2018; e há mais cerca de 400 que os venezuelanos gostariam de manter como "exceção", com as tarifas de importação atuais. Essas exceções estão, principalmente, em setores onde Chávez quer criar indústrias nacionais, como alimentos, siderurgia e componentes eletrônicos. As listas são, ainda, objeto de negociação entre os governos.
Um dos principais argumentos econômicos contra a incorporação, levantados por especialistas como o ex-ministro de Relações Exteriores, Luis Felipe Lampreia, é a demora dos venezuelanos em assumir os compromissos cobrados de outros sócios do Mercosul. "Um país não pode entrar pela janela, tem de aceitar as regras", reclamou Collor, mencionando que os venezuelanos questionam pouco mais de 160 das 783 normas do Mercosul. "Não é um rechaço ao ingresso da Venezuela, é a oportunidade do ingresso", argumentou Collor.
Pinheiro Guimarães lembrou que o Brasil mantém superávits recordes com a Venezuela, da ordem de US$ 5 bilhões, apesar das barreiras ao comércio e das dificuldades de algumas empresas para operar com o sistema de câmbio centralizado venezuelano, muito criticado durante a audiência. Tanto Pinheiro Guimarães quanto o presidente da Federação de Câmaras de Comércio da América Latina, Darc Costa, ex-vice-presidente do BNDES, insistiram na necessidade de formalizar a entrada da Venezuela no Mercosul como forma de fazer frente à "invasão" da China no mercado regional.
O estilo centralizador e personalista de Chávez, e seu desprezo pelas normas liberais e de mercado foram os argumentos mais citados pelos parlamentares contrários ao ingresso da Venezuela no Mercosul, em curto prazo. Na carta do embaixador, Montoya argumentava que o ingresso da Venezuela seria uma "razão de Estado de caráter supra-ideológico", e diz que sua presença no Senado não faria diferença por acreditar que as dúvidas não teriam razão econômica ou técnica. Em defesa da Venezuela, o deputado federal e ex-governador de Roraima Neudo Campos, após falar da importância econômica do país para os estados da região Norte, chegou a argumentar que não se poderia cobrar, no Mercosul, um padrão "europeu" de democracia.

28 de maio de 2009

DEMOCRACIA NA VENEZUELA, VARGAS LLOSA É DETIDO NO AEROPORTO

CARACAS - O escritor peruano Mario Vargas Llosa ficou retido nesta quarta-feira, 27, durante 90 minutos pelas autoridades de um aeroporto da Venezuela, aonde chegou para participar entre quinta e sexta-feira de um fórum sobre liberdade e propriedade privada, informa a imprensa local. Vargas Llosa chegou às 13h30 (15h, Brasília) ao aeroporto internacional de Maiquetía, perto de Caracas, procedente da Colômbia e acompanhado de sua mulher. Segundo disseram à Agência Efe fontes organização do fórum, o escritor ficou retido por cerca de uma hora e meia.

Em declarações a jornalistas no aeroporto após o ocorrido, o escritor disse que um funcionário advertiu que por ser um estrangeiro "não tinha direito a fazer declarações políticas" na Venezuela. "Ele me disse com muita amabilidade e eu respondi que estando na terra de Bolívar (...) não deveriam ser impostas dificuldades ao livre pensamento", relatou Vargas Llosa, em meio a um alvoroço da imprensa em sua saída do aeroporto.

Segundo Vargas Llosa, sua bagagem foi submetida a "uma revista muito minuciosa". Em tom irônico, o escritor disse que não foi encontrado "nada de contrabando, material subversivo ou explosivo", apenas os livros de poesia que levava. O escritor contou que a polícia venezuelana ofereceu escolta até o hotel, mas que a rejeitou com o argumento de que não temia por sua segurança por ter muitos amigos na Venezuela.

Vargas Llosa foi por conta própria ao hotel de Caracas onde permanecerá durante sua estadia na Venezuela e não deu declarações ao chegar no local. Álvaro Vargas Llosa, filho do escritor, também ficou retido durante várias horas pelas autoridades aeroportuárias na segunda-feira passada, quando chegou à Venezuela para participar do mesmo fórum. O intelectual peruano disse, então, que foi advertido de que não deveria opinar sobre assuntos políticos internos por ser um visitante estrangeiro