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31 de maio de 2010

PAÍS NÃO ESTÁ PRONTO PARA A NOVA CLASSE MÉDIA, DIZ BOLIVAR



 NA FOLHA DE S. PAULO

É preciso "evitar o oba-oba", afirma doutor em ciência política e diretor de instituto de estudos econômicos

Entraves do país são infraestrutura, mão de obra especializada e educação, diz autor de "A Nova Classe Média"

Uirá Machado

SÃO PAULO-

 O Brasil não está pronto para a nova classe média.

Tampouco esse segmento populacional está devidamente preparado para suas recentes conquistas em termos de mobilidade social.

As afirmações são de Bolívar Lamounier, doutor em ciência política pela Universidade da Califórnia e primeiro diretor-presidente do Ipesp (Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos de São Paulo).

Em parceria com Amaury de Souza, ele acaba de lançar o livro "A Nova Classe Média" (Campus-Elsevier).

Na entrevista abaixo, ele discute a sustentabilidade da nova classe média e diz ser preciso "evitar o oba-oba".

Folha - Quais são as principais características dessa nova classe média?

Bolívar Lamounier - Estamos falando de algo em torno de 80 milhões de pessoas, um agregado social imensamente heterogêneo. É um megaprocesso de mobilidade social. É o conjunto da classe C ascendendo a condições e aspirações mais altas de consumo . Em razão disso, as famílias que a integram tornam-se mais "ambiciosas". Têm mais interesse em aumentar sua renda, querem um nível educacional mais alto para si e para seus filhos, manifestam desejo de obter um bom emprego ou de se estabelecer por conta própria etc.

Essa nova classe média é "sustentável"?

No nível macro, a sustentabilidade depende do crescimento econômico a taxas elevadas -e ambientalmente compatíveis. Hoje, no Brasil, há um clima de exagerado otimismo, mas é preciso cautela para não cantarmos vitória antes do tempo. Por outro lado, o que chamamos de ascensão da classe C se confunde em larga medida com a expansão do mercado interno e a redução das desigualdades de renda, condições que tendem a tornar o processo inteiro mais sustentável, quer dizer, menos suscetível a crises. O nível micro refere-se à geração da renda pelas famílias, à educação, ao empreendedorismo etc. Por exemplo, existem milhões de pessoas "empreendedoras", mas muitas não estão preparadas para isso. Do outro lado, a política pública mais dificulta que ajuda: carga tributária elevada, complicações burocráticas etc.

O Brasil está pronto, do ponto de vista estrutural, para essa nova classe média?

O avanço realizado nas últimas duas décadas é muito grande, mas eu não diria que está pronto. Basta atentar para a infraestrutura, obviamente incapaz de sustentar taxas elevadas de crescimento, a mão de obra especializada -que já começa a faltar- e a educação, de modo geral muito ruim.

E a nova classe média está preparada?

É preciso evitar o oba-oba. O aumento do consumo é salutar e as pessoas têm atualmente aspirações altas. Além de adquirirem mais escolaridade, os indivíduos precisam investir mais em si mesmos, ou seja, em sua própria produtividade, seja para conseguir empregos estáveis e de boa qualidade, seja para se tornarem empreendedores.


Frase
"Há no Brasil um clima de exagerado otimismo, mas é preciso cautela para não cantar vitória antes do tempo"

Bolívar Lamounier
cientista político

18 de maio de 2010

ACORDO NUCLEAR COM IRÃ NÃO CONVENCE POTÊNCIAS






Acordo nuclear Brasil-Irã não convence EUA

Autor(es): MARCELO NINIO, SAMY ADGHIRNI E CRISTINA FIBE
Folha de S. Paulo - 18/05/2010

Casa Branca diz que acerto para o envio de urânio iraniano à Turquia não responde a preocupações e insiste na defesa de sanções

Texto assinado ontem em Teerã prevê troca de 1.200 kg de estoque do Irã por 120 kg de combustível enriquecido para uso médico após 1 ano
Vahid Salemi/Associated Press

Lula, Ahmadinejad e Erdogan festejam enquanto seus chanceleres assinam o acordo nuclear entre Brasil, Irã e Turquia, emTeerã
O acordo nuclear anunciado ontem por Brasil, Turquia e Irã não bastou para convencer os EUA das intenções pacíficas do programa atômico iraniano. A Casa Branca afirmou que seguirá pressionando por novas sanções do Conselho de Segurança da ONU a Teerã.
"Dadas as repetidas vezes em que o Irã falhou em cumprir suas promessas e a necessidade de lidar com questões fundamentais relacionadas ao programa nuclear, os EUA e a comunidade internacional continuam a ter sérias preocupações", disse Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca.
Para o governo americano, o entendimento anunciado ontem é "vago sobre a disposição do Irã de se reunir com os países do P5 + 1 [EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha] para lidar com as preocupações internacionais acerca de seu programa nuclear".
No acordo mediado pelos governos brasileiro e turco, o Irã se comprometeu ontem a entregar seu estoque de urânio pouco enriquecido para a Turquia no prazo de um mês após a aceitação do trato pela AIEA (agência atômica da ONU).
O documento foi assinado ontem em Teerã na presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Mahmoud Ahmadinejad e do premiê turco, Recep Tayyip Erdogan. O acordo tem como base a proposta apresentada pela AIEA em outubro, que prevê o envio de 1.200 quilos de urânio do Irã para o exterior em troca do elemento enriquecido em nível adequado para abastecer um reator médico de Teerã.
Mas o texto assinado ontem inclui alterações significativas que levaram o Irã a aceitá-lo. A principal mudança é que a Turquia, e não a França ou a Rússia, seja depositária do urânio iraniano, o que responde à preocupação iraniana de que o estoque não fosse devolvido.
O Irã também abriu mão da exigência de que a troca seja simultânea. Pelo documento, o urânio será devolvido a Teerã num prazo de "até um ano".

Enriquecimento continua
O acordo deixa no ar alguns pontos obscuros. Não está clara a quantidade real de estoque de urânio de Teerã -não se sabe se 1.200 quilos representam dois terços do estoque total, como era estimado em outubro, ou pouco mais de metade.
O texto também não impede que o Irã continue enriquecendo o resto do estoque -ontem mesmo um porta-voz da Chancelaria iraniana anunciou que o país seguirá enriquecendo urânio a 20% dentro do país. Esse anúncio foi citado pelos EUA como motivo para desconfiar da eficácia do acordo.
"Embora seja um passo positivo para o Irã transferir o urânio pouco enriquecido para fora do país, como concordara em fazer em outubro, o país disse que continuará o enriquecimento de 20%, o que é uma violação direta das resoluções do Conselho de Segurança da ONU", disse o porta-voz Gibbs.
Ele acrescentou reconhecer "os esforços que foram feitos pela Turquia e pelo Brasil", mas insistiu que é preciso que o acordo seja apresentado de maneira clara à AIEA antes que possa ser considerado.
"Os EUA continuarão a trabalhar com nossos parceiros internacionais, e por meio do Conselho de Segurança, para deixar claro para o governo iraniano que precisa demonstrar com ações -e não só palavras- a sua disposição de cumprir suas obrigações ou encarar as consequências, incluindo sanções", disse o porta-voz.
O porta-voz do Departamento de Estado, Phillip Crowley, disse que os EUA estão prontos para um acordo com o Irã, "em qualquer hora e qualquer lugar", desde que o país esteja preparado para lidar com as preocupações internacionais.
"Foi o Irã que falhou em fazer isso nos últimos muitos meses", completou Crowley, reforçando que os EUA continuam a buscar as sanções. Um funcionário da Casa Branca que falou à Folha em condição de anonimato negou que haja "irritação" com o Brasil por parte dos EUA devido ao esforço para evitar sanções ao Irã. Por outro lado, ele disse que nada no anúncio do acordo dá motivos para esperança.

Visão do Brasil
As preocupações americanas não encontram eco na diplomacia brasileira. "Aquelas garantias que [as potências] desejam para poder começar uma conversação séria e para deixar de lado o caminho das sanções estão totalmente preenchidas", disse o chanceler Celso Amorim.
"Não vemos razão para que [as potências] não aceitem [retomar o diálogo], a não ser que elas estejam mais interessadas nas sanções pelas sanções." A mesma posição foi defendida por Ahmadinejad. "É hora de iniciar diálogo com o Irã com base na honestidade, justiça e respeito mútuo." O presidente Lula não falou com a imprensa ontem, mas, em seu programa semanal de rádio, afirmou que o acordo foi uma "coisa extraordinária".

16 de maio de 2010

PODEM ESPERAR SENTADOS

Postura brasileira ignora "repressão bruta" no Irã, diz jornal americano

O jornal americano “The Washington Post" publicou na edição de sábado um editorial criticando a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Irã. Segundo o jornal a postura brasileira ignora a "repressão brutal" no regime iraniano.
O texto cita a morte por enforcamento de cinco dissidentes curdos, no domingo pasado, e a condenação de um jornalista iraniano-canadense a 74 chibatadas e 13 anos de prisão para afirmar que provavelmente está no início "uma brutal onda de repressão" com o objetivo de impedir protestos pelo aniversário das eleições de junho passado.
Nessa eleição, o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi reconduzido ao poder sob acusações de fraude no pleito e em meio aos maiores protestos no país desde a Revolução Islâmica, em 1979.
O "Washington Post" diz que "Lula e (Abdullah) Gul (presidente da Turquia) estão errados em visitar Teerã neste fim de semana". O presidente Lula chega a Teerã neste sábado, após passagens pela Rússia e pelo Catar.
A razão da missão brasileira seria uma tentativa de negociar uma solução pacífica para a questão nuclear iraniana que evite a imposição de novas sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) contra o Irã, como querem os Estados Unidos
O Brasil é contra as sanções e vem tentando costurar um acordo que convença o Irã a interromper seu programa de enriquecimento de urânio, para o qual já obteve o apoio da Turquia. Tanto Brasil quanto Turquia têm vagas rotativas no Conselho de Segurança, sem direito a veto.
Desafio aos EUA
O editorial afirma ainda que um dos motivos para a postura do Brasil em relação ao Irã seria o de se afirmar como potência e desafiar os Estados Unidos.
"A insistência dos líderes brasileiro e turco em negociar com esses bandidos é parcialmente devido a suas ambições de demonstrar que são líderes de potências globais emergentes capazes de desafiar os Estados Unidos", afirma o texto.
O governo americano já manifestou em diversas ocasiões ceticismo quanto às possibilidades de sucesso da viagem de Lula, em um momento em que os Estados Unidos têm pressa na aprovação de uma quarta rodada de sanções para pressionar o Irã a interromper seu programa de enriquecimento de urânio.
Exibindo linha editorial semelhante em, o jornal "The New York Times", publica reportagem neste sábado, citando a opinião de analistas que consideram que Lula vê nas negociações com o Irã uma maneira de se posicionar contra a dominância americana e avançar o papel do Brasil como protagonista importante no cenário mundial.
"Nesse novo papel --que reside em grande parte na posição do Brasil como a maior economia da América do Sul-- o imensamente popular Lula desafiou os Estados Unidos em tudo, de comércio e mudanças climáticas ao golpe em Honduras no ano passado e o longo embargo de Washington a Cuba", diz o texto.
Preocupação
Com o título de "Diplomacia do Brasil com o Irã preocupa autoridades americanas", a reportagem do New York Times afirma que "membros do governo em Washington expressaram preocupação de que o tiro possa sair pela culatra, ajudando a República islâmica a obstruir --ou pelo menos atrasar-- os Estados Unidos e seus aliados na imposição de sanções.
O editorial do “The Washington Post" diz que "Ninguém fora de seus próprios governos( Brasil e Turquia) acredita que serão bem-sucedidos". Afirma ainda o editorial: "Irá Lula ao menos se preocupar em mencionar o sangue derramado por seus anfitriões nesta semana? Podem esperar sentados", diz o jornal.
"Um regime que está ativamente engajado em assassinar seus cidadãos não vai se engajar em 'negociações de boa fé'. Se houver mudanças no Irã, devem vir daqueles cuja repressão os dois presidentes estão ignorando", afirma o texto.
".
Os Estados Unidos e outros países temem que o Irã busque secretamente desenvolver armas nucleares e afirmam que a única maneira de pressionar o regime iraniano a suspender seu programa de enriquecimento de urânio é por meio de sanções.
O Irã nega essas alegações e diz que seu programa é pacífico e tem o objetivo de gerar energia. As três rodadas de sanções já aprovadas anteriormente não foram suficientes para convencer o país a interromper seu programa nuclear.
O texto assinado pelo correspondente do "New York Times" no Brasil, Alexei Barrionuevo, e por Ginger Thompson, de Washington, diz que, apesar de publicamente desejar sucesso ao Brasil, os Estados Unidos não estão nem um pouco otimistas quanto ao resultado e, caso a negociação falhe, devem levar adiante as sanções na ONU e "vão esperar que o Brasil esteja lá com eles".
Segundo o jornal, o apoio do Brasil às sanções "é crucial para o tipo de voto unânime que as potências ocidentais desejam".
O texto do "New York Times" diz ainda que a disputa em relação ao Irã "gerou uma quantidade de atrito fora do comum" entre Brasil e Estados Unidos e que "autoridades brasileiras estão preocupadas com a possibilidade de que um fracasso neste fim de semana possa projetar Lula como um amador e atrapalhar a busca por uma vaga permanente no Conselho de Segurança".

22 de setembro de 2009

ZELAYA BUSCA ABRIGO NA MISSÃO BRASILEIRA

O Estado de S. Paulo - 22/09/2009

Zelaya retorna a Honduras e abriga-se na embaixada brasileira

O presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, deposto e expulso do país por militares em 28 de junho, retornou ontem secretamente a Tegucigalpa e refugiou-se na Embaixada do Brasil. A informação, inicialmente desmentida pelo governo de facto liderado por Roberto Micheletti, foi confirmada pelo chanceler brasileiro, Celso Amorim
Zelaya - que entrou em rota de colisão com os militares, o Congresso e o Judiciário por causa de sua insistência em promover mudanças na Constituição e de sua proximidade com o presidente venezuelano, Hugo Chávez - evitou dar detalhes sobre como conseguiu retornar clandestinamente a Honduras, mas, segundo fontes próximas a ele, o presidente deposto atravessou a fronteira com a Nicarágua pelas montanhas. Nos últimos dias, Zelaya vinha coordenando a ofensiva diplomática para retomar o poder de um hotel localizado na cidade nicaraguense de Ocotal, perto da fronteira com Honduras.
Em julho, ele chegou a ultrapassar poucos metros a linha que separa os dois países, mas recuou diante da ameaça do governo de facto de prendê-lo. Antes, havia tentado voltar a Honduras em um avião venezuelano, mas os militares bloquearam a pista do aeroporto de Tegucigalpa para evitar o pouso.
Zelaya é acusado de violar a Constituição hondurenha ao tentar mudá-la. O governo de Micheletti também listou uma série de irregularidades fiscais e fraudes financeiras supostamente cometidas por Zelaya.
"Estou aqui para desempenhar o mandato para o qual o povo me escolheu nas urnas e reconstruir a democracia", declarou Zelaya a jornalistas já na representação brasileira. Ele disse que ninguém voltará a tirá-lo de Honduras. O mandato constitucional de Zelaya, de quatro anos, terminaria em janeiro de 2010. Ele seria substituído pelo vencedor da eleição de novembro. Segundo seus opositores, a mudança na Constituição pretendida pelo presidente deposto tinha como objetivo permitir que ele se candidatasse para um novo período presidencial. Zelaya nega.
"No momento em que tomarmos conhecimento de que ele entrou no país, levaremos adiante sua prisão", afirmou Micheletti, antes de exigir que o Brasil entregue Zelaya (mais informações na pág. 21). Micheletti decretou ontem toque de recolher entre 16 e 7 horas e ordenou o fechamento dos aeroportos.
O governo de Micheletti é considerado ilegítimo por praticamente todos os países do mundo. Os EUA, a União Europeia e entidades internacionais congelaram, desde o golpe, cerca de US$ 300 milhões da ajuda essencial para que Honduras equilibre seu orçamento. A comunidade internacional exige a devolução do poder a Zelaya e adverte que não aceitará o resultado das eleições presidenciais de novembro, caso elas sejam conduzidas pelo governo de facto. Micheletti e apoiadores rejeitam qualquer acordo político que implique devolver o poder a Zelaya. O líder deposto, por seu lado, disse rejeitar o chamado Acordo de San José, apresentado pelo presidente costa-riquenho, Oscar Arias, que prevê a volta de Zelaya à presidência, mas com poderes limitados. Centenas de partidários do líder deposto passaram a se concentrar diante da embaixada.
CRONOLOGIA
28 de junho - Militares depõem Zelaya; Micheletti assume
29 de junho - Comunidade internacional condena golpe; sanções começam a ser impostas 5 de julho - Bloqueio na pista do aeroporto impede avião de Zelaya de pousar em Tegucigalpa
7 de julho - Presidente de Costa Rica tenta mediar a crise
24 de julho - Zelaya pisa em solo hondurenho, mas volta em seguida à Nicarágua
31 de agosto - Início da campanha presidencial

ZELAYA VOLTA E SE REFUIGIA NA EMBAIXADA BRASILEIRA

Orlando Sierra/France Presse

Folha de S. Paulo - 22/09/2009

APÓS 85 DIAS, ZELAYA REGRESSA A HONDURAS

Presidente deposto consegue entrar clandestinamente no país e se refugia na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa

Governo golpista decreta toque de recolher e pede a Brasil que entregue político à Justiça para que ele possa ser submetido a processo

FABIANO MAISONNAVE
DE CARACAS

Oitenta e cinco dias depois de ter sido preso e expulso de Honduras, o presidente deposto Manuel Zelaya voltou clandestinamente ontem a Tegucigalpa, onde se refugiou na embaixada brasileira. Com a notícia, alguns milhares de simpatizantes saíram às ruas da capital, onde entraram em confronto com a polícia. Mais tarde, o governo interino decretou toque de recolher e exortou o Brasil a entregar Zelaya às "autoridades competentes".
"Viajei durante 15 horas, superando muitos obstáculos porque havia bloqueios, muita perseguição. Graças ao presidente Lula, temos proteção na Embaixada do Brasil", disse Zelaya, que antes tentara por duas vezes, sem sucesso, regressar a Honduras, em entrevista ao canal espanhol da CNN.
Segundo a Folha apurou, a chegada de Zelaya ocorreu sem aviso prévio. Pela manhã, a sua mulher, Xiomara Castro, chegou à representação brasileira acompanhada de uma deputada. Ao único diplomata brasileiro em Honduras explicou que seu marido estava do lado de fora e queria se refugiar ali. A entrada do presidente deposto só foi autorizada após consulta ao Itamaraty.
Ao entrar no prédio da embaixada, Zelaya disse querer ficar sob a proteção do Brasil enquanto tenta criar um "diálogo nacional de reconciliação".
O presidente deposto preferiu ficar na embaixada em vez de ir à residência oficial. Ele foi alojado no escritório do embaixador, que conta com um banheiro privado.A chegada de Zelaya a Tegucigalpa foi noticiada primeiro pelo canal venezuelano Telesur, controlado pelo governo Hugo Chávez, o principal aliado do presidente deposto. A informação inicial de que ele estava na representação da ONU levou manifestantes e policiais ao local, provocando pequenos confrontos.
Minutos depois do anúncio, o próprio Chávez apareceu na Telesur conversando com Zelaya por telefone. Demonstrando conhecimento prévio dos planos do aliado, disse que ele viajou "durante dois dias por terra, cruzando montanhas, rios, arriscando a sua vida".
Informado de que Zelaya não se refugiara no escritório da ONU, Micheletti chegou a dizer, em entrevista, que o deposto não estava em Honduras, mas "tranquilo numa suíte de um hotel na Nicarágua [país onde vivia desde a deposição]".
Com a nova informação, logo confirmada, de que Zelaya estava na embaixada brasileira, o governo golpista decretou toque de recolher das 16h locais de ontem até as 7h de hoje com o objetivo de "conservar a calma" e ordenou o fechamento, a partir de hoje, dos quatro aeroportos internacionais do país.
Ao mesmo tempo, alguns milhares de simpatizantes se reuniram nas imediações da embaixada brasileira. Zelaya os saudou, pedindo "calma".
A embaixada brasileira está instalada numa acanhada casa residencial adaptada de dois pisos no bairro Colônia Palmira, onde também funciona o setor consular. Normalmente, conta com apenas dois diplomatas, mas atualmente não há embaixador, já que Brasília não reconhece o governo golpista.
Ao contrário da fortificada embaixada americana, a poucas quadras dali, a segurança da representação brasileira é bastante precária: dispõe apenas de um segurança particular.
Em declarações ao site em espanhol da BBC, Zelaya disse que quer "iniciar um processo de aproximação" e que estaria disposto a se reunir com Micheletti. Ele pediu às Forças Armadas que "apontem seu rifle contra os inimigos do povo, e não contra o povo".
No final da tarde, Micheletti fez um pronunciamento dizendo que a presença de Zelaya "não muda a nossa realidade" e exortou o Brasil a entregá-lo às "autoridades competentes" para que seja submetido "a um devido processo".
O governo interino, que tem o apoio de todos os Poderes, nega que tenha dado um golpe de Estado e acusa Zelaya de ter atuado ilegalmente ao tentar promover uma reforma constitucional para introduzir a reeleição presidencial. Ele foi deposto em 28 de junho, dia em que planejava fazer uma votação sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte.

BRASIL ABRE PORTAS PARA ZELAYA TEN TAR RETOMAR PODER EM HONDURAS

Marília Martins e Gilberto Scofield Jr.
O Globo - 22/09/2009

Brasil abre as portas a Zelaya


Presidente deposto volta a Honduras, recebe abrigo na embaixada brasileira e quer reassumir
Depois de quase três meses no exílio, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltou ontem inesperadamente para seu país e, ameaçado de prisão pelo governo golpista, buscou abrigo na embaixada brasileira em Tegucigalpa. O retorno pegou de surpresa o presidente interino, Roberto Micheletti, que chegou a negar a presença de Zelaya no país e afirmar que tudo não passava de “terrorismo midiático”. Depois de uma série de boatos sobre o seu paradeiro, Zelaya apareceu de tarde na Embaixada do Brasil e, agradecendo o apoio do governo Lula, anunciou que usaria a representação brasileira como base para negociar sua volta ao poder. Micheletti imediatamente decretou toque de recolher no país, fechou todos os aeroportos e pediu que o Brasil entregasse Zelaya às autoridades locais.
— Minha presença aqui é para desempenhar o mandato que o povo me deu nas urnas eleitorais, para reconstruir a democracia — afirmou Zelaya, dizendo estar disposto a dialogar com o governo interino, enquanto milhares de simpatizantes se aglomeravam em frente à embaixada brasileira e helicópteros do governo sobrevoavam o local.
Obrigado por militares a deixar o país em 28 de junho, de pijamas, com uma arma na cabeça, Zelaya, com seu tradicional chapéu de vaqueiro, convocou a população a viajar à capital para o “proteger e dar cobertura”. A Chancelaria do governo golpista protestou contra ingerência, considerando “inaceitável a conduta de tolerância do Brasil” por permitir a convocação de dentro da embaixada, e responsabilizou Brasília por possíveis desdobramentos violentos.
“Tal ingerência em assuntos internos é condenável”, disse a chancelaria hondurenha em nota.
Viagem de Zelaya durou 15 horas
Parte da população ignorou o toque de recolher — marcado para começar às 16h de ontem e terminar às 18h de hoje — e permaneceu em frente à embaixada em apoio a ao presidente deposto. O sindicato de professores, também a favor de Zelaya, anunciou que os 60 mil docentes do país entrariam em greve hoje por tempo indeterminado.
A misteriosa viagem de Zelaya durou 15 horas e, segundo ele, contou com vários meios de transporte numa travessia por montanhas. Mas ele evitou detalhes, alegando que poderia comprometer os que o ajudaram.
De Nova York, onde participa da Assembleia Geral da ONU, o chanceler Celso Amorim negou qualquer envolvimento do Brasil com a entrada de Zelaya em Honduras e afirmou que ele chegou à embaixada desarmado, junto com a mulher, Xiomara Castro, e uma comitiva de cerca de dez pessoas. O Brasil está temporariamente sem embaixador em Honduras, e Amorim assumiu pessoalmente as negociações pelo lado brasileiro.
Ele esclareceu que Zelaya não tem status de refugiado na embaixada, já que Brasília o reconhece como presidente: — O Brasil não teve dúvidas em conceder abrigo. Esperamos que isso abra uma nova etapa nas negociações, e que uma nova solução baseada na Constituição possa ser alcançada. Nossa posição sempre foi muito clara em repudiar o golpe e em apoiar o retorno do presidente.
Também em Nova York, presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre o golpe militar em Honduras e destacou o apoio a Zelaya como um ponto em comum entre EUA e Brasil, mas evitou comentários sobre o acolhimento ao presidente deposto pela embaixada brasileira.
— Ninguém pode suportar que ainda exista alguém que acredite que um golpe de estado seja vitorioso. E é uma vitória que EUA e Brasil tenham a mesma posição de apoio à democracia na América Latina — disse Lula.
Celso Amorim contou que, uma hora antes da chegada de Zelaya à sede da diplomacia brasileira, uma deputada telefonou à embaixada. O representante comercial Francisco Catunda, responsável pela representação, entrou em contato com Amorim e com o Itamaraty, que permitiram o acolhimento do grupo.
Amorim telefonou ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e também ao próprio Micheletti para pedir segurança à embaixada brasileira e a Zelaya.
Em entrevista pela TV, o presidente interino pediu a Brasília que entregasse Zelaya: — Faço um apelo ao governo do Brasil para que respeite a ordem judicial ditada contra o senhor Zelaya, entregando-o para as autoridades competentes de Honduras — disse Micheletti.
O chanceler brasileiro alertara que qualquer ameaça à integridade da embaixada brasileira em Tegucigalpa significaria um precedente “gravíssimo” com relação às leis internacionais. Mas Amorim delegou as negociações à OEA e ao presidente da Costa Rica e Nobel da Paz, Óscar Arias, mediador oficial do conflito.
— Nós não sabemos quanto tempo Zelaya vai ficar na embaixada, mas esperamos que este tempo seja curto e que termine com a volta de Zelaya ao poder. O presidente Óscar Arias estava mediando as negociações e nós apoiamos a continuidade delas — afirmou.
Diplomatas reunidos ontem em Washington numa reunião da OEA acreditam que Zelaya escolheu a embaixada do Brasil de forma calculada, já que poderia encontrar resistência e ser associado a radicalismos se pedisse ajuda à Venezuela ou a outro país da Alba. No entanto, Zelaya não estaria de acordo com o pacto de San José, elaborado por Óscar Arias como proposta de solução para a crise política, segundo a “TeleSur”.
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, fez um apelo por uma solução pacífica para o conflito. Numa reunião extraordinária, a OEA pediu garantias à integridade de Zelaya e defendeu o retorno dele à Presidência. Também em Nova York para a reunião da ONU, Óscar Arias se dispôs a viajar a Honduras. Insulza afirmou ontem que está negociando com o governo golpista uma visita a Honduras, provavelmente hoje: — A volta de Manuel Zelaya muda totalmente o cenário e exige prudência, calma e diálogo para que não se aumente a tensão no país

11 de setembro de 2009

FORÇA AÉREA ATRIBUI CONFUSÃO A "PRECIPITAÇÃO DA IMPRENSA"

Por ELIANE CANTANHÊDE

Folha de S. Paulo - 11/09/2009
O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, afirmou ontem que toda confusão da semana foi por "uma precipitação" da imprensa, porque o processo de seleção dos caças que vão renovar a frota da FAB continua e em nenhum minuto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse o contrário.

Para Juniti Saito, em nenhum momento Lula disse que o processo de seleção tinha acabado
Comandante da Aeronáutica diz que faz apenas "análise técnico-comercial" e que "o governo tem uma estratégia que nós não conhecemos"
FOLHA - O favorito no FX [programa de renovação da frota de caças iniciado no governo FHC] acabou sendo o Gripen sueco. Por que não manter isso?
SAITO - Naquela época, concorreram o Sukhoi, o Mig, o F-16, o Gripen e o Mirage 2000-5 e, com esses concorrentes, o Gripen C e D recebeu uma boa colocação, sim. Agora, é um outro certame. Quem concorre é um outro Gripen, o NG, um avião ainda em desenvolvimento, o F-18 Super Honet, muito mais moderno, e o Rafale, que não é o Mirage, é um outro avião.

FOLHA - Por que o Sukhoi russo foi excluído?
SAITO - Não atendeu, por exemplo, o requisito de transferência de tecnologia.

FOLHA - Se o Sukhoi foi descartado porque os russos não transferiam tecnologia, conclui-se que todos os três transferem. Por que o governo diz que o Rafale é preferido por isso?
SAITO - Em que grau, eu não sei, mas todos os três transferem tecnologia.

FOLHA - O que significa transferência de tecnologia nessa área?
SAITO - Há várias áreas e vários graus de transferência de tecnologia e, numa determinada área, eu quero me capacitar ao ponto de ficar autônomo. No AMX, nos anos 80, que foi um consórcio Brasil-Itália, coube à Embraer uma participação importante na fabricação de componentes. Foi com esse conhecimento que a Embraer conseguiu evoluir para fabricar todos esses aviões que estão aí.

FOLHA - Há uma gradação nessa transferência de tecnologia?
SAITO - Pode haver uma parte muito sensível, e que o país diga assim: "Olha, eu cedo tecnologia nessa parte daqui, mas nessa outra, não". O avião é uma plataforma importante, mas o que vai nela é muito mais importante. Você tem de considerar o sistema de armas.

FOLHA - Quando afunila em três concorrentes, qual o peso do requisito preço?
SAITO - Lembre-se de que se trata de um produto de segurança e cada item tem seu peso específico. Você sabia que esse processo tem mais de 26 mil páginas? Há ofertas, contraofertas, e tudo está assinado.

FOLHA - Vocês falam em cinco aspectos da seleção, como os operacionais e a transferência de tecnologia. E o político?
SAITO - Fazemos uma análise técnico-comercial, mas isso tudo vai para o governo, que é quem analisará a parte estratégica, qual o país melhor... Sei lá. O governo tem uma estratégia que nós não conhecemos. A decisão final é dele.

FOLHA - Por que tanta turbulência com o comunicado de que a preferência era pela França?
SAITO - Eu não recebi do presidente: "Saito, encerra o processo porque eu já escolhi". Então, eu não sei por que tanto alarde. Quando me mostraram o comunicado, dizendo que tinha terminado, eu disse que não tinha entendido assim, não.

FOLHA - Foi uma surpresa?
SAITO - O que foi uma surpresa foram as manchetes dos jornais, porque, na minha interpretação, o comunicado conjunto não era para terminar e escolher um.

FOLHA - O comunicado explicitou que a aliança com a França englobava a área aeronáutica e usou o verbo "decidir" para anunciar o início de negociações para a aquisição dos Rafale. Não é claríssimo?
SAITO - Quando o comunicado fala em "aeronáutica", isso abrange vários setores, inclusive helicópteros, cuja compra já estava decidida.

FOLHA - Por que o governo manifestou preferência pelo Rafale?
SAITO - Não digo que é um indicador, mas foram eles que ofereceram transferência de tecnologia dos submarinos, ofereceram fazer o helicóptero aqui na Helibras.

FOLHA - Todo mundo acha que houve essa confusão toda, mas vai acabar dando o Rafale. Vai?
SAITO - Eu não sei. Pode até ser.

9 de setembro de 2009

RECUOS, MAL-ESTAR, CONFUSÃO, NOTAS PELA DIVULGAÇÃO DA COMPRA DOS CAÇAS ANTES DA HORA,

Lula decidiu comprar caças franceses sem parecer da FAB

Depois de mal-estar, governo recua de anúncio sobre caças

EUA dizem que disputa ainda não acabou

Jobim tenta contornar mal-estar e em nota diz que seleção não está concluída

''França está mais perto do Brasil que EUA''O presidente Lula anunciou a negociação para comprar os caças Rafale, da empresa francesa Dassault, antes de receber o relatório da Força Aérea Brasileira sobre as propostas das três interessadas no negócio. O relatório seria entregue a Lula no fim deste mês pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. Em nota, Jobim ratificou o interesse pela oferta francesa, mas, em aparente e inusitado desmentido, disse que o governo não fechou questão e que as negociações prosseguem com as três fornecedoras. Na véspera, o chanceler Celso Amorim deixara claro que a decisão foi política: "Não vou entrar em aspectos legais. Há decisão de iniciar negociação com um fornecedor e não há a mesma decisão em relação aos demais." Para a imprensa francesa, o negócio salvou a Dassault, pois seria a primeira venda internacional do Rafale.
Ao anunciar antes do esperado a definição do Brasil pelos caças da francesa Dassault, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou constrangimento no seu próprio governo, que teve de recuar ontem, informando que o processo de seleção não está concluído e que o F-18 dos EUA e o Gripen sueco ainda estão na disputa. O comunicado conjunto de anteontem dizia que Lula e o presidente Nicolas Sarkozy "decidiram fazer do Brasil e da França parceiros estratégicos também no domínio aeronáutico" e anunciava "a decisão" de entrar em negociações para a compra. Em nota ontem à noite, Nelson Jobim (Defesa) corrigiu: "o processo de seleção (...), ainda não encerrado, prosseguirá com negociações junto aos três participantes".
O governo dos EUA considera que a disputa pelo fornecimento de 36 aviões de combate ao Brasil não está encerrada e reiterou que a proposta da Boeing é "forte e competitiva". "Entendemos que uma decisão final ainda não foi tomada", disse um porta-voz do Departamento do Estado, que afirmou que seu governo "apoia totalmente a venda" do F-18 e "aprovou a transferência de toda a tecnologia necessária".A decisão de abrir negociação com a francesa Dassault para comprar 36 caças supersônicos Rafale está tomada e é uma atribuição política do presidente da República. Apesar do anúncio dessa preferência ter sido feito na segunda-feira, diante do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e reafirmada ontem pelo Planalto ao Estado, o governo admitiu que atropelou as regras formais da concorrência com o anúncio prematuro da opção pelo Rafale. Foi esse atropelo e o incômodo provocado no Comando da Aeronáutica e entre os concorrentes da Dassault que levaram o Ministério da Defesa a divulgar ontem nota oficial para deixar registrado que "o processo de seleção ainda não está encerrado". Surpreendido como anúncio logo depois da participação de Sarkozy no desfile do 7 de Setembro, em Brasília, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, disse ao presidente Lula que precisava dar uma satisfação aos concorrentes da empresa francesa.
Mulher forte do governo francês, a ministra de Economia e Emprego, Christine Lagarde, não esconde a satisfação com os acordos de defesa firmados entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o colega Nicolas Sarkozy. Para ela, é mais um desdobramento de uma parceria estratégica entre os dois países. "Os dois presidentes estão convencidos da natureza estratégica da relação entre França e Brasil", disse, ao receber o Estado, na noite de segunda-feira, em um hotel na capital paulista. Recém-chegada de Brasília, onde acompanhou o desfile da Independência, ela deixou transparecer o entusiasmo nos elogios a Lula, que descreve como "ícone mundial". Afirmou que ele acertou ao dizer que a crise passaria pelo Brasil como uma "marolinha" e até o cumprimentou pela vitalidade. "Ele não parece nada desgastado pelo poder." Ganhou cabelos brancos, observou. Em compensação, emagreceu. Num sinal de que a França poderá encampar bandeiras brasileiras, ela defendeu um assento para o País no Conselho de Segurança da ONU e condenou o protecionismo. "Temos de combatê-lo e erradicá-lo até onde for possível."
LEIAM AS MATÉRIAS ABAIXO

OS AVIÔES MILITARES FRANCESES RAFALE E O BRASIL

Autor(es): Gilles Lapouge
O Estado de S. Paulo - 09/09/2009


A França sempre apreciou o Brasil. Mas, depois do anúncio da compra pelo Brasil, de 36 aviões Rafale, esse amor chegou ao seu ápice e Lula, novo amigo íntimo de Sarkozy, é considerado o mais inteligente de todos os dirigentes do mundo.
Essa satisfação é explicada pela compra dos aviões militares franceses. Paris espera que esse "primeiro passo" dê início a uma estreita cooperação, no campo industrial e militar, entre França e Brasil. Não se pode negligenciar o fato de que a França, além dos Rafale, vai fornecer também quatro submarinos, o casco de um submarino nuclear, 50 helicópteros, representando 12 bilhões de euros.
Os franceses sonham modernizar toda a frota aérea brasileira (120 a 150 aviões) com seus aviões. Uma meta ambiciosa, mas eles acham que ela não está fora do alcance.
Até ontem, uma estranha fatalidade envolvia os Rafale. Esse avião é considerado por todos os especialistas como um dos melhores do mundo e, apesar de seus vinte anos de idade, um dos mais jovens. Mas até hoje não se conseguiu vender nenhum para o exterior.
Por dez vezes, o Rafale esteve prestes a arrebatar um grande mercado e nessas dez vezes foi vencido pelo aparelho de uma outra empresa.
Como se, num passe de mágica, uma bruxa, talvez o diabo, se divertisse fazendo o caça brilhar e, no último momento, tirar do seu caldeirão um outro candidato.
Essa bruxa, esse "diabo", tem um rosto? Muitos acham que tem fisionomia americana. Um breve histórico: em 2005, o avião francês parecia prevalecer em Cingapura. No entanto, foi o F-15 Eagle da Boeing que venceu, para surpresa de todos. Três anos antes, a Coreia do Sul começou a se equipar e os militares optaram pelo Rafale. Mas o eleito foi o F-15.
O caça francês conseguirá conjurar essa maldição? É a esperança de Paris. Atualmente há três países "onde o coração balança": Grécia, Suíça e Índia. E há ainda um quarto, os Emirados Árabes Unidos, que gostariam de adquirir 60 aparelhos, mas exigem alguns ajustes e motores mais potentes. Paris espera que a decisão do Brasil permita, como num conto de fadas, "pôr fim a essa fase de azar".
A Líbia também estava de olho no avião francês e Sarkozy ofereceu a Kadafi uma recepção suntuosa e grotesca, pois o coronel líbio exigiu dormir, em Paris, sob a sua tenda do deserto, desprezando os palácios parisienses. Esse circo ridículo não serviu para nada. Kadafi manteve-se calado. A decisão do Brasil vem "salvar" a fabricante de aviões francesa. Com efeito, a Dassault tira 70% das suas receitas da venda de seus aviões Falcon.
Ora, trata-se de um avião executivo e é claro que, com a crise econômica, as encomendas do aparelho minguaram. A brilhante ressurreição da frota militar, graças ao Brasil, é a oportunidade para salvar essa grande empresa que é a Dassault Aviation.

LULA DECIDIU COMPRAR CAÇAS FRANCESES SEM PARECER DA FAB

Autor(es): Jailton de Carvalho e Catarina Alencastro
O Globo - 09/09/2009

NUVENS SOBRE CAÇAS FRANCESES

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu abrir negociação para a compra de 36 caças Rafale, da empresa francesa Dassault, antes de receber o relatório da Força Aérea Brasileira (FAB) sobre as propostas dos três concorrentes que disputam o negócio milionário. Segundo a Aeronáutica, a previsão é que o documento com o ranking das empresas que disputam o negócio seja entregue a Lula pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, só no fim deste mês. No parecer, técnicos da FAB apontarão vantagens e desvantagens de cada proposta e informarão ao presidente qual projeto seria melhor para os militares brasileiros.
- O relatório não foi entregue ao presidente. O processo de licitação ainda está em aberto - disse um oficial do comando da Aeronáutica. Três empresas participam da licitação. Além da Dassault, estão na disputa o sueca Gripen e o caça americano F18. Segunda-feira, após o desfile do Sete de Setembro, Lula se reuniu com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e anunciou a abertura de negociações com a Dassault para a compra dos aviões de combate. Anteontem, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que esteve com Sarkozy no camarote de Lula durante o desfile, não deixou dúvidas sobre a escolha do governo brasileiro. - Se a licitação acabou? Não sei. Não vou entrar em aspectos legais. Há uma decisão de iniciar negociação com um fornecedor, e não há a mesma decisão em relação aos demais. Jobim: questão não está fechada Em nota divulgada ontem à noite, o ministro da Defesa ratificou o interesse pela oferta da Dassault, mas afirmou que o governo não fechou questão sobre o assunto. Segundo ele, o presidente da França prometeu oferecer "preços competitivos e razoáveis". A oferta foi feita, segundo a nota, dia 6. Lula e Sarkozy jantaram nesse dia. A nota de Jobim afirma, no entanto, que o processo de compra não foi encerrado. "Diante desse fato novo, o processo de seleção do Projeto FX-2, conduzido pelo Comando da Aeronáutica, ainda não encerrado, prosseguirá com negociações junto aos três participantes, onde serão aprofundadas e, eventualmente, redefinidas as propostas apresentadas", sustenta Jobim. Antes da divulgação da nota, Jobim explicou a líderes partidários a decisão anunciada. A explanação de Jobim foi feita após apresentação da Estratégia Nacional de Defesa e do projeto de lei complementar do Executivo para dar mais poder ao Ministério da Defesa. Segundo o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), faltam apenas alguns detalhes para que a negociação com a França seja concluída. - Está bem encaminhado com a França, mas o Jobim disse que tem que haver estudo do detalhamento técnico e financeiro da proposta. Mais financeiro, sobre vantagens, enfim, um exame mais cuidadoso. A tendência é que o negócio se concretize - disse. Aos deputados, Jobim teria dito que a escolha teria sido feita porque a França vai repassar tecnologia para o Brasil, o que os EUA não estariam dispostos a fazer. O encontro do ministro da Defesa com os líderes aconteceu na casa do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). PSDB, DEM e PPS, convidados, não compareceram. Na Câmara, o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), acusou o governo de encerrar a concorrência bilionária sem qualquer transparência: - Não sabemos sequer os termos do contrato. Será que haverá mesmo transferência de tecnologia? O preço é mesmo competitivo? Todas essas perguntas continuam em aberto.

"A FRANÇA ESTÁ MAIS PERTO DO BRASIL QUE EUA"

Autor(es): Clarissa Oliveira e Daniel Bramatti

O Estado de S. Paulo - 09/09/2009



Ela também defende um assento para o País no Conselho de Segurança da ONU e condena o protecionismo
Mulher forte do governo francês, a ministra de Economia e Emprego, Christine Lagarde, não esconde a satisfação com os acordos de defesa firmados entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o colega Nicolas Sarkozy. Para ela, é mais um desdobramento de uma parceria estratégica entre os dois países. "Os dois presidentes estão convencidos da natureza estratégica da relação entre França e Brasil", disse, ao receber o Estado, na noite de segunda-feira, em um hotel na capital paulista.
Recém-chegada de Brasília, onde acompanhou o desfile da Independência, ela deixou transparecer o entusiasmo nos elogios a Lula, que descreve como "ícone mundial". Afirmou que ele acertou ao dizer que a crise passaria pelo Brasil como uma "marolinha" e até o cumprimentou pela vitalidade. "Ele não parece nada desgastado pelo poder." Ganhou cabelos brancos, observou. Em compensação, emagreceu. Num sinal de que a França poderá encampar bandeiras brasileiras, ela defendeu um assento para o País no Conselho de Segurança da ONU e condenou o protecionismo. "Temos de combatê-lo e erradicá-lo até onde for possível."
Os acordos de defesa mostram um empenho do Brasil em ter a França como aliado estratégico. Como a srª avalia esses anúncios?
Os dois presidentes estão convencidos da natureza e do interesse estratégico da relação entre a França e o Brasil. Há um eixo na defesa. Mas creio que, no âmbito econômico, eles também dividem a visão de uma parceria aprofundada. Mas não estamos falando só de desenvolver exportações e importações, como fizemos por muito tempo. Eu diria ainda que eles compartilham uma visão geopolítica. Enxergam um mundo multipolar, com espaço para um grande país emergente como o Brasil.
O Brasil é hoje o maior parceiro da França no mundo emergente?
Com esse grau de troca e essa diversidade, sim. Não é o único. O presidente foi muito claro ao dizer que deseja desenvolver a relação com Brasil, Índia e Egito. Penso que é nessas nações que ele apoiará a política internacional francesa. Mas ele também disse claramente que, na América Latina, é o Brasil. É o grande ponto de apoio estratégico.
Para a França, um país construído sobre o conceito de segurança social, não é contraditório um país desigual como o Brasil gastar bilhões em defesa?
É parte de uma visão de médio e longo prazo. O presidente Lula foi muito claro quando relacionou riquezas petrolíferas, riquezas do solo e subsolo brasileiros e a necessidade de desenvolver uma defesa sólida.
Há críticas ao custo financeiro do acordo. Como a srª responde?
Não tenho como responder, não sei exatamente qual foi o preço. Houve um comunicado sobre o assunto.
O presidente Lula quer um assento no Conselho de Segurança da ONU. Sabemos que a França é favorável, mas a srª acha possível?
Acho possível. Vi o presidente francês se lançar em iniciativas nas quais estava convencido de sua visão, mas começou isolado. Pouco a pouco, angariou apoio, graças a sua convicção e determinação. No caso do assento do Brasil no conselho, ele nunca mudou de ideia.
No G20, podemos esperar uma união entre o Brasil e a França?
Acabei de voltar do encontro de ministros de Finanças do G20. Eu e Guido Mantega mantivemos sempre a mesma posição. Então, estávamos extremamente unidos.
Onde ficam os Estados Unidos? Afinal, havia competição americana na negociação dos caças.
Mas aí é uma questão de concorrência. Americanos, suecos, franceses, quem entra no mercado enfrenta uma concorrência árdua, intensa. No que se refere à organização internacional, é difícil dizer. Mas creio que a França está hoje mais próxima dos pontos de vista do Brasil do que os EUA.
Lula disse que a crise passaria pelo Brasil como uma "marolinha". A srª acha que ele tinha razão?
Quando vejo a taxa de crescimento de vocês, o fato de o consumo não ter realmente recuado e continuar a sustentar a economia, ele tinha razão em dizer isso.
Um ponto recorrente em discursos do presidente é que ele teria construído uma boa imagem para o Brasil. A França tinha uma boa relação com Fernando Henrique Cardoso. Realmente melhorou?
Ele construiu uma visibilidade, reputação, legitimidade no cenário internacional inegáveis. Não é colocar em questão o papel que exerceu o presidente Cardoso antes dele. Mas, hoje, o presidente Lula é um ícone mundial. Não é o único. Mas é um verdadeiro ícone.
A srª concorda com o presidente Obama em que ele "é o cara", pela popularidade nas pesquisas?
Tenho certeza de que ele tem muitos caras. Mas não me surpreende. Eu olhava o presidente Lula no desfile e, no olhar das pessoas na multidão e dos que desfilavam, havia uma admiração e afeto incríveis.
O Brasil tem muito peso no comércio agrícola e estaria melhor se não fosse o protecionismo. A srª vê um futuro sem protecionismo?
Não vejo futuro para o protecionismo. Acho que temos de combatê-lo e erradicá-lo até onde for possível. Uma vez colocada essa posição, ainda sofremos com a Rodada Doha. Vamos torcer para que os líderes resolvam esses problemas.
Falava-se há algum tempo em empresas francesas investirem no Programa de Aceleração do Crescimento. Isso foi discutido?
Não foi discutido. Mas temos um comitê técnico para identificar possibilidades, dificuldades, riscos de protecionismo, etc. E amanhã (ontem) reuniremos um grupo de alto nível com líderes empresariais. Acho que podemos encorajar investimentos. Nosso papel, como governo, é facilitar e organizar. De qualquer forma, vemos muita alegria no Brasil
O presidente Lula também é mais alegre que os outros?
Eu o vi em 2005, quando foi a Paris, e o reencontrei agora, quase cinco anos depois. Ele não parece nada desgastado pelo poder. Tem alguns cabelos brancos, mas emagreceu muito. Caiu-lhe muito bem.

DEPOIS DE MAL-ESTAR, GOVERNO RECUA DE ANÚNCIO DE CAÇA

Autor(es): ELIANE CANTANHÊDE

Folha de S. Paulo - 09/09/2009

Defesa diz que haverá negociações com os 3 concorrentes; francês deve ser mesmo o vencedor

Lula se precipitou em jantar com Sarkozy no domingo, o que irritou a Aeronáutica e deixou o ministro Jobim no meio de um fogo cruzado
Ao anunciar antes do esperado a definição do Brasil pelos caças da francesa Dassault, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou constrangimento no seu próprio governo, que teve de recuar ontem, informando que o processo de seleção não está concluído e que o F-18 dos EUA e o Gripen sueco ainda estão na disputa.
O comunicado conjunto de anteontem dizia que Lula e o presidente Nicolas Sarkozy "decidiram fazer do Brasil e da França parceiros estratégicos também no domínio aeronáutico" e anunciava "a decisão" de entrar em negociações para a compra. Em nota ontem à noite, Nelson Jobim (Defesa) corrigiu: "o processo de seleção (...), ainda não encerrado, prosseguirá com negociações junto aos três participantes".
A expectativa é que o negócio acabe sendo fechado com a França, mas só depois que a Dassault abaixar os preços do Rafale -o mais alto entre os concorrentes- e criar condições mais favoráveis de juros. Conforme a Folha apurou, Lula se precipitou no jantar com Sarkozy no domingo à noite e queimou etapas do processo de seleção, o que irritou o Comando da Aeronáutica e deixou Jobim no fogo cruzado.
Tanto que o ministro se recusou a dar entrevista na segunda no Alvorada para explicar um anúncio que é da sua área. Lula delegou a tarefa então para o chanceler Celso Amorim, que confirmou os termos do comunicado conjunto: "O que há é uma decisão de iniciar uma negociação com um fornecedor [a França].
E não há a mesma decisão em relação aos outros dois [EUAe Suécia]". Criada a confusão, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, reuniu durante todo o dia de ontem seus assessores. Eles se dizem satisfeitos como Rafale, mas não aceitaram o anúncio sem que o processo estivesse concluído. O relatório da FAB sobre as três opções nem sequer foi entregue ainda. Por volta das 15h, Jobim, Saito e o responsável pela seleção se reuniram para acertar um recuo que não confrontasse Defesa e Força Aérea com Planalto e Itamaraty. Na reunião do Conselho Político, Jobim deu uma explicação sobre o processo de escolha, defendendo que "os ritos e os prazos" fossem seguidos à risca para evitar questionamentos judiciais futuros.
Um dado considerado nas reuniões do governo foi que a opção por qualquer um dos três aviões só pode ser anunciada depois do aval do Conselho de Defesa Nacional, presidido por Lula e integrado por Jobim, Amorim, outros ministros e os presidentes do Senado e da Câmara.
Em encontro com líderes partidários, ontem, Jobim já tinha afirmado que o acordo entre Brasil e França para a compra de 36 Rafale ainda não estava fechado, e o que havia era apenas uma "conversa avançada" com os franceses. Questionado se Jobim teria confirmado a compra, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), foi enfático: "Ao contrário, ele disse que ainda está em negociação".
Ontem, militares e diplomatas fecharam-se para declarações, enquanto afunilava a versão em Brasília de que Lula tomou a decisão do anúncio praticamente sozinho e isso pode atrapalhar a negociação de detalhes, como preços e condições do negócio. Daí o recuo. No caso da compra de quatro submarinos da classe Scorpène, mais a tecnologia para a fabricação de um submarino nacional de propulsão nuclear no Brasil, houve várias etapas de negociação, até ser assinado o contrato em si.
Um dos motivos apontados para Lula ter se precipitado foi a intenção de Sarkozy de adquirir da Embraer brasileira dez unidades da futura aeronave de transporte militar e reabastecimento aéreo KC-390. O avião está em fase de projeto, com financiamento da FAB, e uma promessa de venda externa deverá deslanchá-lo no mercado internacional. As compras dos aviões franceses podem custar R$ 10 bilhões.

8 de setembro de 2009

LULA RECORRE ATÉ AO PRÉ-SAL PARA DEFENDER GASTO MILITAR BILIONÁRIO

Por Bernardo Mello Franco e Luiza Damé
O Globo - 08/09/2009

Acordo de R$ 31,1 bi com a França incluirá compra de 36 caçasNo 7 de setembro, o presidente Lula ampliou o discurso nacionalista e usou a Amazônia e o pré-sal para defender o acordo militar de R$ 31,1 bilhões com a França. Com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, acertou que o Brasil comprará 36 caças, num negócio estimado em R$ 7 bilhões. O pacote já incluía submarinos e helicópteros. "Temos 300 milhões de hectares na Amazônia que precisamos preservar. Descobrimos outra riqueza, o pré-sal. O petróleo foi motivo de muitas guerras. O Brasil não quer guerra", disse Lula. Sarkozy anunciou a compra de 10 aviões militares da Embraer, defendeu a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU e a candidatura do Rio à Olimpíada de 2016. O dia foi marcado por manifestações de "Fora Sarney" pelo país.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ontem que o Brasil comprará 36 aviões de combate Rafale, da fabricante francesa Dassault. O anúncio foi feito ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que veio ao país para fechar o negócio, estimado em R$ 7 bilhões, e ontem assistiu ao desfile de Sete de Setembro. A escolha encerra uma batalha comercial iniciada há 11 anos em torno do reaparelhamento da Força Aérea Brasileira (FAB). Foram derrotados os caças Gripen, da sueca Saab, e F-18, da americana Boeing. No total, o Brasil deve gastar R$ 31,1 bilhões em acordos com a França, incluindo a compra de submarinos e helicópteros.

Para justificar os altos investimentos em compras para as Forças Armadas, o presidente recorreu ao discurso nacionalista. Citou a descoberta das reservas de petróleo na camada do pré-sal e a necessidade de proteger as riquezas da Amazônia: — O Brasil é um país que prima pela paz. Ao mesmo tempo, temos 300 milhões de hectares de terras na Amazônia que precisamos preservar.
E agora descobrimos outra riqueza que é o pré-sal. Deve sempre passar pela nossa cabeça a ideia de que o petróleo já foi motivo de muitas guerras, muitos conflitos. E o Brasil não quer guerra nem conflito.
Segundo Lula, os caças franceses foram escolhidos porque o país foi o único a se comprometer a transferir tecnologia aeronáutica para a FAB: — Decidimos começar a negociação para a compra do Rafale. Para nós, o avião é importante, mas importante mesmo é ter a tecnologia para que possamos produzir esse avião no país. É isso que estamos negociando.
No fundo, o Brasil quer comprar um avião com a garantia de uso e transferência total da tecnologi
“Queremos construir e vender juntos”
Como contrapartida à compra dos caças, Sarkozy anunciou a intenção do governo francês de ajudar a desenvolver e comprar dez unidades do futuro avião de transporte militar KC-390, a ser produzido no Brasil pela Embraer. O modelo deve substituir os antigos Hércules C-130 da Aeronáutica.
Os presidentes não anunciaram os custos dessa operação.
Segundo Lula, a assinatura dos acordos inaugura uma parceria militar estratégica, com a cooperação entre os dois países. Além da compra dos caças, o acordo militar com a França inclui R$ 19 bilhões com a construção de submarinos — quatro convencionais e um nuclear — e R$ 5,1 bilhões com a fabricação de 50 helicópteros.
— A França não quer só vender para o Brasil, e o Brasil não quer só vender para a França. Queremos pensar juntos, criar juntos e construir juntos.
Se possível, vender juntos — disse, arrancando gargalhadas dos franceses.
Animado com o anúncio da compra dos caças, Sarkozy enalteceu os investimentos brasileiros na área militar e disse que o país pode se tornar o principal parceiro da França no setor: — Um país forte é um país que pode se defender. Os grandes atores do mundo têm uma política de defesa ambiciosa. Se existe um país no mundo onde há espaço para a tecnologia francesa, é o Brasil. Compartilhar tecnologia não nos dá medo, porque o tempo da colonização já acabou.
Sorridente, Sarkozy se desmanchou em elogios a Lula, a quem chamou de amigo, líder e “homem especial”. Em entrevista ao lado de Lula no Palácio da Alvorada, o francês manifestou apoio ao Brasil em quase todas as frentes de batalha do Itamaraty, desde a luta por uma vaga no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas até a candidatura do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016.
— O mundo tem necessidade da liderança do presidente Lula, por seu amor pela África, suas convicções democráticas e pelo exemplo que ele representa com sua trajetória. Tenho orgulho de ser seu amigo — disse.
A novela dos caças se arrastava desde 1998, quando a Aeronáutica começou o projeto FX, no governo Fernando Henrique. O processo estava em fase final. Em 2003, com três dias no cargo, Lula suspendeu a licitação, na época orçada em US$ 700 milhões, para a compra de 12 aviões, dizendo que destinaria o dinheiro ao Fome Zero.
Em novembro de 2007, a Aeronáutica anunciou a retomada do programa, com o título de FX-2.

7 de setembro de 2009

SARKOZY DEFENDE BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse nesta segunda-feira que considera uma questão de "justiça" o Brasil ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em declaração conjunta ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sarkozy defendeu reformas nas Nações Unidas que permitam maior participação dos países em desenvolvimento, como o Brasil, nas decisões tomadas pela cúpula mundial.

"Representamos 85% do PIB mundial, mas as instâncias nas nações Unidas devem se reformar ou correm o risco de perder a sua legitimidade. As Nações Unidas devem se reformar. Estamos no século 21, não podemos considerar normal que a África não tenha um membro permanente no Conselho de Segurança de Segurança. Também não acredito que, no café da manhã do G-8, não possamos convidar o Brasil. Isso é perigoso", afirmou.

Assim como Sarkozy, Lula defendeu mudanças no atual modelo da ONU (Organização das Nações Unidas) que permita maior representatividade de países em desenvolvimento.

Lula também disse ser favorável à maior participação de países pobres em discussões mundiais, como na cúpula do G-20. "O mundo não pode esquecer o que aconteceu no ano passado. A lógica de que o mercado ia resolver tudo, faliu. O Estado não pode abrir mão de ser o indutor. Tivemos que induzir mais dinheiro na produção. Se não existe o Estado, as coisas não funcionam com a facilidade que alguns imaginavam que iam funcionar. Vamos cobrar que cada país faça sua parte para que a crise não resulte no sofrimento dos mais pobres", afirmou.
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SARKOZY DIZ QUE LULA NÃO CUMPRIU PROMESSA DE OFERECER CHURRASCO

DEU NA FOLHA

A presença do presidente da França, Nicolas Sarkozy, como convidado de honra das festividades do Dia da Independência mostrou o clima de informalidade que marca a sua relação pessoal com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de acompanhar os desfiles do Sete de Setembro ao lado do presidente brasileiro, na Esplanada dos Ministérios, Sarkozy não poupou elogios ao colega, de quem cobrou publicamente uma "dívida" por não ter oferecido um prometido churrasco durante sua rápida passagem no Brasil.
Bem-humorado, Sarkozy disse que cumpriu todos os seus objetivos políticos e comerciais durante sua visita ao Brasil, mas Lula deixou de lhe servir o esperado churrasco durante jantar realizado no Palácio da Alvorada na noite deste domingo.

"Eu disse que, se conseguíssemos fazer a metade do que desejamos, Lula e eu, seria fantástico. Não fizemos a metade, temos ainda 120% a fazer. Eu não devo dizer tudo o que imaginamos. Ele ainda está me devendo um churrasco. A única promessa que ele não me cumpriu foi oferecer um churrasco", disse Sarkozy.

Lula justificou o descumprimento da promessa ao confessar um "incidente" ocorrido no palácio que impediu Sarkozy de comer o churrasco. "Ele chegou às 20h30, o churrasco estava quase no ponto. Só que a churrasqueira tem um vidro temperado, estourou a churrasqueira e caiu o vidro em cima da carne. Eu não podia oferecer carne com vidro. A Marisa tinha intuído que ia chover, tínhamos uma moqueca capixaba com feijão tropeiro", afirmou.

Lula disse que, apesar do incidente, Sarkozy gostou do feijão tropeiro servido como alternativa ao fracassado churrasco. "Fico feliz que o presidente Sarkozy gostou muito do tropeiro. Significa que ele está se sentindo em casa", disse Lula.

O presidente francês veio ao Brasil sem a mulher, Carla Bruni, ex-modelo e cantora.
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AGENDA COMPLETA DO PRESIDENTE SARKOZY NO BRASIL

O presidente da França, Nicolas Sarkozy desembarcou na noite de domingo na Base Aérea de Brasília para uma visita de dois dias à capital federal. Da Base Aérea, ele seguiu para um jantar oferecido pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada. Sarkozy viaja acompanhado de de uma comitiva formada pelos Ministros da Cultura e Comunicação; Defesa; Economia e Comércio Exterior; dos Negócios Estrangeiros; Imigração, Integração, Identidade Nacional e Desenvolvimento Solidário; Educação Nacional, e pelo Secretário de Estado de Transportes; que também participa das comemorações do Dia da Independência do País. A presença francesa n o Brasil marca a agenda de compromissos do Ano da França no Brasil;
Às 09:00 hrs: o primeiro compromisso será às 9h da manhã desta segunda-feira, na Esplanada dos Ministérios, onde acontece o desfile cívico-militar.
Às 13:00 hrs: os presidentes Lula e Sarkozy se reúnem no Palácio da Alvorada, onde darão uma entrevista coletiva por volta da 13h. Esta prevista a assinatura de acordos nas áreas de cooperação policial; questões migratórias; defesa; transportes; e cooperação técnica, com vistas à criação de um banco de leite humano no Haiti; além de parcerias nas áreas de agricultura, transportes e tecnologias de informação.
Às 14:00 hrs Sarkozy participa da inauguração da exposição do projeto “Veículo Leve Sobre Trilhos” e assina com o Governo do Distrito Federal um empréstimo de 140 milhões de euros (cerca de R$ 370 milhões) para a construção da primeira fase das obras, prevista para terminar em 2010. O projeto torna Brasília o primeiro local na América Latina a usufruir deste sistema de transporte. A linha deve contar com 22,6 quilômetros de extensão

O DESFILE MILITAR DE 7 DE SETEMBRO

Começou começou às 9h10 desta manhã de segunda-feira o Desfile Militar de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A expectativa é que o evento reúna 50 mil pessoas, apesar do tempo nublado, atípico para a região nesta época do ano. A festa custou aos cofres públicos R$ 1.7 milhão, segundo levantamento da ONG Contas Abertas, obtidos por meio de pregão eletrônico. O montante é 21% menor que o gasto no ano anterior
No início do evento, foram executados por músicos do exército o hino nacional e o hino da Independência.
A festa é a primeira das comemorações da Semana da Pátria em Brasília. Neste ano, o convidado oficial é o Presidente da França, Nicolas Sarkozy, que chegou minutos antes de começar o desfile.

Devido ao ano da França no Brasil, o País terá uma participação especial nos festejos. Além da bandeira francesa, a banda da marinha francesa, com o primeiro regimento de infantaria da guarda republicana de honra, a patrulha acrobática francesa, e o terceiro regimento estrangeiro de infantaria da legião estrangeira vão participar da parada.
Com isso, o desfile conta com a participação de 4450 pessoas – 3300 militares e 1150 civis, 94 viaturas, entre blindados, tanques e caminhões, 51 motos e 231 cavalos. Uma pirâmide humana, com 30 homens em uma moto é destaque. Há manifestações culturais, como o bumba-meu-boi do Seu Teodoro, a Orquestra Popular Municipal da Ceilândia, o Centro Cultural Raízes do Brasil, além do espetáculo da Esquadrilha da Fumaça.
O tema da Semana da Pátria deste ano é a confiança e o mote é "Independência é para festejar". A ideia é valorizar o fato de o País ter se destacado no cenário mundial no enfrentamento da crise econômica. Após o desfile, que tem1h30 de duração, os líderes de Estado Lula e Sarkozy darão uma entrevista coletiva no Palácio da Alvorada, onde devem anunciar os acordos bilaterais.
Entre os presentes, estão o ministro da Educação, Fernando Hadadd, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro da Previdência Social, José Pimentel, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulce, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, a ministra Ellen Gracie do Supremo Tribunal e o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM).
Lula chegou com Marisa às 8h55. A primeira-dama está com um vestido verde e um xale branco. Minutos depois, Sarkozy também chegou ao desfile.

6 de setembro de 2009

CORRIDA ARMAMENTISTA NA AMÉRICA DO SUL: BRASIL ASSINA COM A FRANÇA MAIOR CONTRATO MILITAR DE SUA HISTÓRIA.

Acordo, de cerca de R$ 22,5 bilhões, será assinado amanhã em Brasília por Lula e Nicolas Sarkozy

O Brasil assina amanhã com a França o maior e mais importante acordo militar de sua história recente, com 8,5 bilhões de euros em submarinos e helicópteros. Provavelmente a conta será aumentada em breve pela aquisição de caças franceses.
Os presidentes Lula e Nicolas Sarkozy celebram a "parceria estratégica" após a festa do Sete de Setembro. Essa é a segunda visita de Sarkozy ao país em menos de um ano. Ele participará do feriado da Independência como convidado de honra.
Sarkozy assistirá amanhã ao Desfile de Sete de Setembro. Ele veio ao Brasil para assegurar o favoritismo do caça produzido por seu país na concorrência da FAB.
O valor, a ser pago em até 20 anos e equivalente a R$ 22,5 bilhões, é muito superior às compras russas feitas pela Venezuela ou aos acordos operacionais dos EUA com a Colômbia. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, diz que a escolha “faz sentido” no escopo de parceria estratégica. O valor equivale a tudo o que está previsto em Orçamento para o PAC no ano. Os termos de financiamento dependem de aprovação final no Congresso. O governo brasileiro não poderia ter preparado um cenário mais otimista para a chegada do presidente francês, Nicolas Sarkozy, convidado especial de Luiz Inácio Lula da Silva para as comemorações do 7 de setembro — no âmbito da celebração do Ano da França no Brasil. A menos de uma semana da visita do mandatário francês, o Senado aprovou, com uma rapidez impressionante, a obtenção de um crédito de 6,08 bilhões de euros para a construção de cinco submarinos de tecnologia francesa. Além disso, Lula assumiu em público sua preferência pelo caça Rafale, da francesa Dassault, na concorrência F-X2 da Força Aérea Brasileira (FAB).
Durante a visita, que tem motivações bem mais expressivas que o desfile na Esplanada dos Ministérios, serão assinados pelos presidentes Lula e Sarkozy o contrato de fornecimento de 51 helicópteros EC-725 — a serem construídos aqui e usados pelas três Forças — e a compra de quatro submarinos convencionais da classe Scorpène e de outro, com propulsão nuclear, cujo motor será desenvolvido pelo Brasil. O programa militar ainda prevê a construção de um estaleiro e de uma base de apoio para os submarinos
O Senado aprovou na noite da íltima quarta-feira a contratação de um empréstimo externo no valor de 6,080 bilhões de euros (R$ 16,2 bilhões) para a construção, em cooperação com a França, de cinco submarinos, incluindo um nuclear, e a compra de 50 helicópteros militares. Foi aprovado a obtenção de um crédito de 4,32 bilhões de euros (R$ 11,5 bilhões) para os submarinos e outro de 1,76 bilhão de euros (R$ 4,7 bilhões) para os helicópterosOs recursos serão emprestados por um consórcio de bancos liderado pelo francês BNP Paribas e a primeira verba será destinada ao Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos), da Marinha.
O programa prevê a construção em série de quatro submarinos convencionais e de um de propulsão nuclear, assim como de um estaleiro onde serão feitos os navios e de uma base de apoio a essas embarcações.
Segundo a Marinha, o Prosub permitirá que o país aumente as atividades de vigilância, proteção e defesa nas áreas onde estão as instalações marítimas que produzem petróleo e gás.
Há anos o Brasil sonha com o desenvolvimento de um submarino nuclear, uma possibilidade que começou a concretizar nos últimos meses mediante um acordo estratégico de defesa negociado com a França e que deve ser formalizado amanhã
A verba de 1,76 bilhão de euros será investida na compra de 50 helicópteros de meio porte para as três forças, que serão fornecidos entre 2010 e 2016 por um consórcio formado pela brasileira Helibras e pela Eurocopter, filial do grupo europeu EADS.
Especialistas manifestam sua preocupação com o aumento dos investimentos em material bélico na América Latina. Hugo Chávez quer transformar seu país em uma potência militar. Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Venezuela, as principais economias da região estão aumentando seu armamento que já pode caracterizar o início de uma corrida armamentista na América do Sul.
A situação é um pouco diferente da época da guerra fria, quando a antiga União Soviética e os Estados Unidos descarregavam aqui os seus estoques de armas de segunda linha. As armas adquiridas agora são as mais modernas, com alto poder destrutivo. Os aviões e helicópteros adquiridos pela Venezuela fazem parte da primeira linha de defesa da Rússia. Os custos ultrapassam os 3 bilhões de dólares. O Chile, para não ficar atrás, comprou aviões norte-americanos, fragatas inglesas e holandesas, tanques alemães e submarinos franceses. O Peru também amplia o seu parque bélico, reformando os seus aviões de origem soviética, assim como a Colômbia, que possui contratos milionários com os americanos por causa da guerrilha das Farcs. A Argentina recentemente voltou a produzir aviões militares e tanques médios. O Brasil assina agora seu contrato militar com a França.
Os gastos com armamentos aumentam desde 2004 na América Latina. Num Continente recheado de miséria e pobreza, este aumento do percentual de compras militares chega a ser preocupante. A região abriga vários governos e regimes populistas, cuja característica principal é manipulação da opinião pública. Há o receio de que a região passe a viver tempos de intolerância, com os governantes brincando com os seus soldadinhos de chumbo e fazendo o mundo pegar fogo!

6 de junho de 2009

BRASIL FAZ 4 X 0 E VENCE URUGUAI

MONTEVIDÉU - A seleção brasileira derrotou o Uruguai por 4 x 0 neste sábado, em Montevidéu, conquistando a primeira vitória em território uruguaio desde 1976, graças aos gols de Daniel Alves, Juan, Luís Fabiano e Kaká. A seleção brasileira comandada pelo técnico Dunga, quebrou um tabu de 33 anos sem vencer o adversário em sua casa, e ainda ficou muito próxima da vaga para a Copa do Mundo de 2010. Com o resultado, o time do técnico Dunga assumiu temporariamente a liderança das eliminatórias da Copa do Mundo de 2010. Os brasileiros atingiram 24 pontos, o mesmo que o Paraguai, que ainda joga contra o Chile em casa pela 13a rodada, enquanto os uruguaios permanecem com 17 pontos e ficam em situação complicada em busca da classificação para o Mundial da África do Sul.
O Brasil começou o jogo com Júlio César, Daniel Alves, Lúcio, Juan e Kléber; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Kaká; Robinho e Luís Fabiano. E logo aos 12 minutos a equipe abriu o placar. Daniel Alves, que substituiu o titular Maicon -ainda se recuperando de lesão sofrida no final de março pela seleção - chutou de longe e o goleiro Vieira falhou.
O Uruguai teve mais posse de bola, mas o Brasil foi mais eficiente. Aos 35 minutos, após cobrança de escanteio de Elano, o zagueiro Juan cabeceou e o goleiro defendeu. Na sequência do lance, o jogador da Roma teve nova chance de cabeça e desta vez a bola entrou: 2 x 0.
Logo no início do segundo tempo, os brasileiros voltaram a marcar. Aos 7 minutos, No segundo tempo, os brasileiros voltaram a marcar logo no início. Aos 7 minutos, Luís Fabiano recebeu passe pela direita e chutou alto e forte para ampliar o marcador recebeu passe pela direita e chutou alto e forte para ampliar o marcador.
Luís Fabiano foi expulso, e Dunga fez a primeira substituição: Ramires entrou na vaga de Elano.
aos 29 minutos do segundo tempo, Godin cometeu pênalti em Kaká, ele mesmo bateu e fechou o placar. Júlio Cesar ainda salvou a seleção brasileira de sofrer um gol em uma cabeçada de Abreu. Aos 42, Pereira acertou um chute em Ramires e foi expulso.
O gramado do Estádio Centenário estava péssimo, dificultando a exibição dos melhores jogadores como Kaká, Robinho, do Brasil e Forlan do Uruguái. A seleção brasileira tee atuação regular. O goleiro Júlio César teve excelente atuação. Júlio Baptista e Josué entraram nas vagas de Kaká e Robinho. Logo depois, o Uruguai perdeu um jogador expulso, Maxi Pereira, por falta violenta em Ramires.