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31 de maio de 2010

POLÍTICA NÃO É PARA QUEM TEM FICHA SUJA

Autor(es): Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo - 31/05/2010



Pedro Barbosa Pereira Neto. Procurador Regional Eleitoral de São Paulo

"Quando a Justiça sinaliza que funciona mal, ela está dizendo para o político de bem que não vale a pena ser do bem", adverte Pedro Barbosa Pereira Neto, novo procurador regional eleitoral de São Paulo. Ele aponta um "conjunto de fatores" que, em sua avaliação, maculam o processo eleitoral ? fichas sujas, multas pífias (inclusive para quem faz propaganda antecipada), legislação casuística, caixa 2, corrupção, interpretações liberais nos tribunais, impunidade, desigualdade social, miséria. Votos por tijolos.

O desafio que o espera não é simples. Pereira Neto terá a missão de conduzir a atuação do Ministério Público nas próximas eleições em todo o Estado, maior colégio do País ? 30 milhões de eleitores que, em outubro, elegerão 94 deputados estaduais, 70 federais da bancada paulista na Câmara, 2 senadores, governador e presidente.

Eleito por seus pares para mandato de dois anos, ele toma posse no dia 8. Aos 45 anos, há 15 é procurador da República, sempre dedicado ao combate a fraudes contra a União. Nessa função, conduziu investigações importantes ? em 2005, ele obteve judicialmente a prisão do ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP), a quem acusou de lavagem de dinheiro. Apurar denúncias de abusos de políticos já faz parte do seu dia a dia. Desde 2006, atua na área eleitoral do Ministério Público.

Qual a sua maior preocupação?

É a falta de efetiva punição àqueles que violam a lei eleitoral. Basta examinar as estatísticas das cortes eleitorais. Vamos verificar que o nível de condenação é muito baixo. São poucas as cassações de registro, uma punição mais efetiva a quem se desvia do rumo certo do processo eleitoral. A primeira deficiência do sistema é a própria legislação eleitoral, muito casuística. Muda ao sabor das eleições.

Pode dizer que não vai ter caixa 2 na eleição?

Como cidadão e como procurador eleitoral eu não prometo. Acho que é impossível. Isso precisa ser fiscalizado, mas os casos precisam chegar ao Ministério Público Eleitoral, que está aberto para receber denúncias e notícias de irregularidades. A desigualdade social é terrível e cria situações de vulnerabilidade, inclusive para o processo eleitoral. Nas regiões mais pobres do País, o processo eleitoral é extremamente conturbado, com oferecimento de pequenas vantagens, desde tijolo até quitação de IPTU atrasado. Essa vulnerabilidade social contribui muito, e de forma efetiva, para a corrupção eleitoral.

A Justiça não condena?

A Justiça eleitoral tem que ser rigorosa na punição da corrupção, da captação de sufrágio e de recursos para financiamento ilegal de campanhas. Não pode ser apenas a Justiça da urna eletrônica. Ela tem que atuar também como uma Justiça que efetivamente faz cumprir o controle da probidade, da normalidade, da legitimidade e da moralidade do processo eleitoral. Tem que impedir que o processo democrático seja deturpado já nas campanhas. De outro lado, se o País tem menos miseráveis, o processo político tende a melhorar. É muito difícil falar em voto consciente para um cidadão que está passando fome. A pobreza é refém da corrupção eleitoral. Inacreditável que nos deparemos com situações como compra de voto a R$ 30.

Juízes dizem que faltam provas para condenar.

Predomina visão muito liberal do sistema eleitoral. Temos um país onde o público e o privado se confundem. Há casos em que o conjunto probatório é fraco. E há casos em que a prova é suficiente, mas não há condenação. Um aspecto subjetivo na interpretação de provas. O volume de cassações é baixo. Há um déficit de punição.

O presidente Lula foi multado quatro vezes por campanha eleitoral antecipada. De que adianta?Nesse caso particular, a lei mostra que não tem força alguma para segurar a ilicitude eleitoral. O mesmo vale para a propaganda partidária desvirtuada, onde um candidato se utiliza de um programa partidário para fazer campanha eleitoral.

Prisão para infratores?

Não digo prisão, mas no momento em que a Justiça Eleitoral sinalizar que um abuso pode gerar a cassação do registro e a cassação do diploma, que são as sanções mais importantes do processo eleitoral, aí de fato esse quadro pode mudar. Quando a Justiça sinaliza que funciona mal, ela está dizendo para o político de bem que não vale a pena ser do bem. Porque, se um concorrente, numa determinada eleição, praticou ilegalidades, comprou votos, fez financiamento ilegal de campanha, propaganda antecipada e outros atos ilícitos e a Justiça não consegue efetivar a norma legal e não pune, aquele candidato que andou na linha, sem dúvida nenhuma na próxima eleição vai fazer exatamente o que fez o seu oponente criminoso. A impunidade no sistema eleitoral é extremamente grave.

Quando a regra dos fichas sujas deve valer?

Já. A vida pregressa, como requisito de inelegibilidade de um político, está na Constituição desde 1993 a fim de proteger a probidade administrativa. O princípio da presunção da inocência tem aplicação em aspectos ligados ao direito penal. A lei contra fichas sujas não tem finalidade casuística. Política não pode ser coisa de gente com ficha suja.

Como vê a mídia nas eleições?

A lei não impõe mutismo absoluto no ano eleitoral. As pessoas podem se manifestar. Uma coisa é candidato proibido de por outdoor na rua. Outra é alguém dar entrevista e falar bem ou mal de um candidato. Está dentro da liberdade de manifestação e da liberdade da mídia. O veículo de comunicação pode ter sua linha editorial e abrir espaço para quem critica ou elogia esse ou aquele candidato. É o processo democrático.


11 de abril de 2010

PSOL APROVA PRÉ-CANDIDATURA DE PLÍNIO SAMPAIO E RACHA.

Executiva do PSOL aprovou a indicação de Plínio de Arruda Sampaio, como candidato do partido à presidência. Na mesma hora um grupo de dissidentes do partido defendia a aclamação, em outro local também no Rio de Janeiro, de um tal Martiniano Cavalcante como candidato.
Plínio 79 anos, é uma figura curiosa e pitoresca do comunismo brasileiro. È promotor público aposentado. Sua candidatura à Presidência da República nas eleições deste ano foi aprovada no final da tarde de sábado como o pré-candidato do Psol. Sampaio recebeu todos os votos dos 89 delegados presentes à 3ª Conferência Eleitoral Nacional do partido.
O ex-deputado federal Babá também concorria à indicação, mas, no último momento, decidiu retirar sua candidatura e recomendou seus apoiadores a votarem em Plínio. Já Martiniano Cavalcante e os delegados que votariam nele não compareceram ao evento e sua candidatura, portanto, foi considerada retirada.
Plínio declarou que o debate socialista enfrenta um dos momentos mais difíceis de sua história no Brasil, diante da "sacralização" da figura de Lula. "O desafio é criar o consenso entre os excluídos e consciência política para enfrentar o capitalismo". Plínio defendeu a retomada da frente de esquerda, com PCB e PSTU, repetindo a coligação realizada em 2006.
Heloísa Helena protestou e decidiu recorrer contra a indicação de Plínio. Segundo Heloisa esta seria a única forma de "garantir a legitimidade nacional" da decisão do PSOL. A ex-senadora saiu do evento soltando manifestando sua posição contra o diretório estadual de São Paulo, principal fonte de apoio de Plínio de Arruda Sampaio.
Para Heloisa Helena, "Quem entrou no partido depois dele ser fundado não tem o direito de rasgar a militância que o criou, com enormes dificuldades, em "comunidades ribeirinhas da Amazônia". É, para Heloísa Helena o Psol foi fundado em comunidades ribeirinhas da floresta. Se pensa isso do partido que escolheu ao ser expulsa do PT, bem que podia ter optado pelo PV, que tem mais a ver com beira de rio.
A indicação de Plínio está sendo considerada uma piada. Ninguém acredita que Plínio tenha fôlego para viajar todo o país em campanha eleitoral. Não vai ter fôlego.
Mas a candidatura de Plínio não é piada não. Ela serve para justificar a grana que o PSOL recebe do fundo partidário.

SERRA PREGA UNIÃO EM DISCURSO

Abril 10, 2010

Ao lançar sua campanha à Presidência da República, o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB), não poupou críticas indiretas a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em várias áreas e voltou a repetir seu slogan de que o “Brasil pode mais”, que tem sido rejeitado por petistas.

Em seu discurso, Serra criticou a divisão do país em classes e regiões e ainda provocou seus adversários ao dizer que” o Brasil não tem dono” e que a oposição está preparada para “quanto mais mentiras disserem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles”.

Segundo Serra, é “deplorável que haja gente que, em nome da política, tente dividir o nosso Brasil”.

Serra arrancou aplausos dos militantes ao dizer que o Brasil precisa de “coragem para construir o Brasil melhor, o Brasil da União”. “Ninguém deve esperar que joguemos o governo contra a oposição, porque não o faremos. Jamais rotularemos os adversários como inimigos da pátria ou do povo. Em meio século de militância política nunca fiz isso. E não vou fazer. Eu quero todos juntos, cada um com sua identidade, em nome do bem”, disse.

O ex-governador disse ainda que defende um país sem exclusão. “Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma Nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão. Pode haver uma desavença aqui outra acolá, como em qualquer família. Mas vamos trabalhar somando, agregando. Nunca dividindo. Nunca excluindo”, afirmou.

FHC DIZ QUE BRASILEIRO QUER MALANDRO QUE ROUBA NA CADEIA

Abril 10, 2010

Ex-presidente também criticou Lula por não reconhecer avanços das gestões anteriores
Coube ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso o papel de verbalizar o embate direto com o governo Luiz Inácio Lula da Silva, dando combustível para um dos que serão os principais temas da eleição presidencial deste ano: a comparação entre as gestões petistas e tucanas. O ex-presidente destacou em seu discurso o "desrespeito à lei". Essa é uma das estratégias do PSDB que quer colar em Lula e no PT a pecha de que não respeitam a Justiça, tendo como pano de fundo as condenações do presidente por fazer campanha antecipada. "O Brasil cansou de arrogância e desrespeito à lei", afirmou.
E insistiu no discurso ético ao afirmar que o brasileiro quer ver "malandro que rouba na cadeia". "Muito do que se fez hoje, foi plantado no meu governo", declarou o ex-presidente Fernando Henrique, que criticou o fato de o atual governo não reconhecer, segundo ele, avanços das gestões anteriores. "Serra saberá reconhecer o que foi feito. Não cuspimos no prato que comemos." FHC criticou o governo atual falando que as obras e ações são iniciativas de "marqueteiros". Também questionou projetos específicos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, como a transposição do Rio São Francisco, umas das maiores obras do governo federal. "Não a vi", disse o ex-presidente ao contar que foi à região tentar conhecer a obra.
O ex-presidente teceu elogios a Serra e disse que o ex-governador seria capaz de produzir a "união". Chamou-o de "construtor do futuro" e de "generoso". Disse que ele "mudou" São Paulo. E brincou. "Ele sempre teve esse olho esbugalhado", disse, ao contar quando o conheceu.
Ao elencar as características do "amigo", completou: "Não vai transformar virtudes em propaganda". Também aproveitou para fazer um mimo em Aécio Neves, vice dos sonhos de FHC, chamando-o de "futuro do Brasil". Embora o PSDB queira fazer uma campanha comparando as biografias de Serra e da adversária Dilma Rousseff,

31 de março de 2010

Serra se afasta do governo com discurso duro: Meu governo não tem roubalheira

Sou considerado um grande obsessivo, mas minha grande obsessão foi servir aos interesses gerais do meu estado e do meu país (...) Estou convencido que o governo, como as pessoas, tem que ter honra. Assim falo não apenas porque aqui não se cultivam escândalos, malfeitos, roubalheira. Mas porque nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito, o governo tem esse caráter. E esse é um governo de caráter."


O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), fez sua despedida do cargo, no Palácio Bandeirantes, diante de um auditório ocupado por cerca de 5 mil convidados em cerimônia transmitida ao vivo pela internet. O discurso, que durou 53 minutos, foi marcado por ataques velados à candidata oficial, sua futura adversária na disputa pela Presidência da República, a agora ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a apóia. Foi um discurso de despedida do cargo. Em tom emotivo, ele fez referências indiretas aos adversários políticos e rebateu críticas que costumam ser associadas ao seu perfil político.
"Repudiamos sempre a espetacularização, a busca pela notícia fácil, o protagonismo sem substância”, afirmou Serra no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. "Este governo não cedeu à demagogia. (...) Nunca incentivamos o silêncio nem a conivência com o mal feito”, afirmou. “Já fui governo e já fui oposição, mas de um lado ou de outro, nunca me dei à frivolidade das bravatas”, declarou.
Também disse;“No meu governo, nunca se olhou a cor da camisa partidária. Eu exerci o poder neste Estado sem discriminar ninguém”, afirmou Serra. "O nosso governo serve ao interesse público, e não à máquina partidária. Nós governamos para o povo", disse o governador.
No evento, Serra fez um balanço dos seus 39 meses à frente do governo paulista, acompanhado por cerca de 5.000 pessoas, entre prefeitos e secretários, que chegaram em 60 ônibus ao Palácio. Entre os presentes estão os presidentes do PSDB, Sergio Guerra, e do DEM, deputado Rodrigo Maia. Após a cerimônia, Serra fez mais um pronunciamento do lado de fora do palácio, se dirigindo a cerca de 500 pessoas que não conseguiram entrar no auditório.
O governador ainda destacou o fato de que considera seu governo popular e listou programas sociais, e também ressaltou a geração de 1 milhão de empregos com investimentos diretos e indiretos.
Ele citou como um ponto alto do seu governo a inauguração do Rodoanel, evento que foi inicialmente anunciado como uma vistoria das obras que ainda não foram abertas para a circulação dos carros. Foi muito aplaudido ao lembrar da conversa que teve com um operário e declamou uma poesia que ele associou ao momento.
Durante o discurso, Serra evitou citar sua candidatura, mas disse estar preparado para uma nova etapa, quando foi ovacionado. Ele agradeceu o estado e lembrou o atual lema de São Paulo: "pro brasilia fiant eximia", que em latim significa "pelo Brasil façam-se grandes coisas". Emocionado, ele se despediu em tom de palanque: "vamos juntos, o Brasil pode mais", disse.

26 de outubro de 2009

VIAGENS DA CANDIDATA DE LULA FAZ CAMPANHA ELEITORAL COMEÇAR MAIS CEDO

Marina vai aos EUA falar de agenda ambiental brasileira

A senadora Marina Silva (PV-AC), ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, inicia hoje uma visita de dois dias a Washington em que falará da agenda ambiental brasileira no centro de estudos Woodrow Wilson e em evento na Câmara dos Representantes (deputados federais) dos EUA.
Pela manhã, Marina encontra formadores de opinião norte-americanos para discutir a tramitação no Senado dos EUA da ousada lei ambiental proposta pelo presidente Barack Obama. Depois, participa da mesa-redonda "O Caminho para Copenhague -Perspectivas do Brasil, da China e da Índia".

PMDB gaúcho resiste a aliança nacional com PT

Um dos focos de resistência à aliança nacional PT-PMDB para a disputa da Presidência no ano que vem, o PMDB do Rio Grande do Sul trabalha para ser o principal destino do voto antipetista na sucessão gaúcha. No plano nacional, os peemedebistas do Estado estão mais próximos de José Serra (PSDB) do que de Dilma Rousseff (PT).
Com a governadora Yeda Crusius (PSDB) -que pode disputar a reeleição- fragilizada por uma crise política, as pesquisas de opinião divulgadas até agora mostram como favorito para a sucessão gaúcha o petista Tarso Genro, seguido por dois pré-candidatos do PMDB: o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, e o ex-governador Germano Rigotto


Pressão sobre os tucanos

O grupo oposicionista do PMDB juntou-se ao DEM para pressionar o PSDB a antecipar a escolha do candidato que disputará a Presidência da República no ano que vem. O grupo, que tem como expoente o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, entende que os tucanos estão perdendo terreno para a ministra Dilma Rousseff, a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E deixar a definição para o ano que vem só dará mais fôlego aos governistas.
Com dois pré-candidatos ao Palácio do Planalto, os governadores José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais), falta um nome para centralizar as negociações e firmar-se como contraponto a Lula e Dilma. Essa lógica dos peemedebistas de oposição é a mesma que o DEM usou para esquentar a chapa dos tucanos.

25 de outubro de 2009

DILMA QUER FICAR NO CARGO ATÉ O ÚLTIMO DIA QUE A LEGISLAÇÃO PERMITIR


Dilma resiste à pressão e quer usar vitrine ministerial até o último dia

Dilma fica no cargo até o último dia permitido

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou a vontade de ficar no cargo até o último dia permitido pela legislação, 3 de abril de 2010. Há uma pressão dentro do partido para que antecipe sua saída. Lideranças do PT ainda insistem para que Dilma deixe o governo em fevereiro. Entretanto, ela quer participar de todos os atos governamentais até o limite legal de permanência no ministério, participando de vistorias e inaugurações de obras. A ministra pretende tirar o máximo proveito da popularidade do presidente e tem planos de prolongar sua exposição pública ao lado de Lula, e tomar um "banho de rua e de povo", usando as vantagens do cargo como uma vitrine eleitoral.
O PT insiste para que Dilma deixe o governo em fevereiro, logo após ser confirmada sua candidatura no 4º congresso da legenda, que aprovará as diretrizes de seu programa de governo e reunirá até mesmo convidados internacionais. Será um grande encontro, em Brasília, para marcar a comemoração dos 30 anos do PT. Lula não concorda com o roteiro traçado pelo partido: acha que Dilma precisa ficar à frente da Casa Civil, comandando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e projetos estratégicos - como o plano habitacional Minha Casa, Minha Vida - até o prazo-limite fixado pela lei, seis meses antes da eleição de outubro.
O presidente também tem conversado com Dilma. Ela chegou a admitir a possibilidade de deixar a cadeira antes da hora, para se dedicar à campanha. Lula a dissuadiu da ideia. Alegou que, além de não ver vantagem na estratégia da saída antecipada - já que ela ficaria mais tempo sob bombardeio do PSDB do governador José Serra, também pré-candidato à Presidência -, Dilma é a "capitã do time".

Internet é aposta para alavancar candidata

A estratégia para alavancar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê intensa campanha na internet. Dilma terá destaque em tempo real no novo site do PT, que entrará em operação na primeira semana de novembro com emissora online de rádio e TV.
Para montar o estúdio de gravação, o Diretório Nacional do PT reformou a sede que ocupa num prédio do setor comercial de Brasília e contratou mais funcionários. A nova roupagem do site será um teste para 2010, quando o plano do partido é transmitir ao vivo os principais atos da campanha presidencial.
O americano Ben Self, guru da campanha digital de Barack Obama à Casa Branca, no ano passado, prestará consultoria a Dilma. A contratação foi fechada pelo publicitário João Santana, responsável pelo marketing político da ministra. O PT nega o acerto.
Na tentativa de impulsionar a candidatura da -, o governo e o PT preparam uma ofensiva de marketing para os próximos dias. "Não há nada que um banho de rua não resolva", disse Lula, acrescentando que Dilma tem que aproveitar tudo que possa render votos, de acordo com relato de interlocutores.
A estratégia do presidente e do círculo mais próximo do poder é repetir viagens como a que foi feita às obras da transposição do São Francisco. A ministra é praticamente desconhecida pelo eleitorado de baixa renda, e precisa de muito ensaio e treino para aprender a se aproximar do povão com naturalidade. "

Lula ficou irritado com Gilmar Mendes

Lula ficou muito irritado com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para quem "nem o mais cândido dos ingênuos" acredita que a caravana palaciana às obras de transposição do Rio São Francisco, na semana retrasada, tenha sido apenas para uma simples vistoria.
Em conversas reservadas, Lula disse que Mendes adotou postura política, não compatível com seu cargo. Publicamente, ele rebateu as afirmações do magistrado, que viu "campanha antecipada" da chefe da Casa Civil. Não foi só: anunciou que continuará levando Dilma a tiracolo em suas andanças.
Na quinta-feira, por exemplo, o presidente e a ministra aparecerão mais uma vez juntos, desta vez na Expo-Catadores, em São Paulo. Trata-se de uma exposição que reúne 1.500 catadores de lixo reciclável de todos os Estados, um público cobiçado por qualquer candidato.
Sob a proteção de dirigentes do PT, Dilma também começará a se aproximar dos militantes. Neste domingo, ela participa de um colóquio com movimentos sociais, também em São Paulo, para recolher ideias que vão integrar a plataforma de governo, coordenada pelo assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia.
Ao mesmo tempo, o núcleo político da campanha marca os encontros com os partidos da base aliada. Quarta-feira fará reunião com o PP do deputado Paulo Maluf (SP). E no dia 6 o PC do B anunciará em seu congresso que vai seguir com Dilma.

21 de outubro de 2009

"SUPOSTA CAMPANHA"

DORA KRAMER


O ESTADO DE S. PAULO

Em defesa da mistificação segundo a qual a recente turnê do presidente Luiz Inácio da Silva pelas obras do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco não teve propósito eleitoral, o ministro da Justiça, Tarso Genro, argumenta que se os governadores José Serra e Aécio Neves podem "circular", Lula também pode levar Dilma Rousseff para vistoriar e fiscalizar.
Por ora, trata-se de "suposta"campanha.
Afinal, são todos pré-candidatos à Presidência da República, atuando em igualdade de condições, pois têm a sorte de ocuparem cargos que lhes dão visibilidade naturalmente. Nenhum deles estaria desrespeitando a legislação, porque as proibições só alcançam candidaturas formais e a partir do momento em que a campanha se iniciar oficialmente.
O governador Aécio concorda - "É legítimo, faz parte do jogo político", comentou no primeiro dia junto da caravana -, o governador Serra não fala nada a respeito, enquanto o presidente do partido de ambos, senador Sérgio Guerra, marca a posição do PSDB anunciando providências enérgicas.
A oposição já havia tentado balizar a posição da Justiça Eleitoral quando questionou a legalidade do encontro-show que o presidente da República organizou para apresentar Dilma a prefeitos de todo o País, no dia 10 de fevereiro passado.
A baliza dada na ocasião foi agora adotada por Tarso Genro. O Tribunal Superior Eleitoral decidiu que não houve propósito desviante naquela reunião.
A corte aceitou o argumento do então advogado-geral da União e agora ministro do STF, José Antônio Toffoli, de que a presença de prefeitos de partidos de oposição (PSDB e DEM) provava o caráter exclusivamente governamental do evento.
Se estava tudo nos conformes, então o governo nada mais fez do que interpretar a decisão como uma licença para prosseguir no mesmo diapasão. Claro que sempre poderia tomar a iniciativa de atuar sob critério mais ético, mas, pelos parâmetros em vigor, seria tolo.
Ministros do TSE alegam que a oposição parece ter feito à época uma representação apenas pró-forma, tal mal sustentada de provas estava a ação.
Quais provas, além do que se passou à vista de todos?O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, acha que o presidente Lula "está testando" a Justiça e o Ministério Público. Engano. O teste ocorreu em fevereiro e o resultado foi o seguinte: enquanto o governo fizer comícios dizendo que governa, deve-se aceitar sua palavra como verdadeira já que não há "provas" de que o presidente esteja usando o cargo e seus instrumentos como palanque eleitoral.Por mais que exponha insistentemente isso. Explicitando a condição da candidata da ministra que o acompanha, falando que pretende uma eleição plebiscitária, chamando o adversário para a briga, desculpando-se pelo "comício" improvisado.

GOLPES DE RETÓRICA

O presidente Lula anuncia disposição de "fazer qualquer sacrifício" para "limpar a sujeira que essa gente" - os traficantes - impõe ao Brasil. Ponderou, entretanto, que o combate à criminalidade "leva um tempo".
Não especificou quanto. Mas certamente levaria bem menos se ele e todas as autoridades presentes e passadas fizessem algo além de falar.
Senão, vejamos o que disse o presidente em seu discurso de posse no segundo mandato, em janeiro de 2007, a propósito de ataque do narcotráfico a alvos civis e militares no Rio: "Essa barbaridade que aconteceu no Rio de Janeiro não pode ser tratada como crime comum. É terrorismo. Extrapolou o banditismo comum que conhecíamos."
Na ocasião, o governador Sérgio Cabral disse ter ouvido do presidente que seria discutida com o então ministro Márcio Thomaz Bastos a elaboração de novas leis "antiterrorismo".
De lá para cá, nada vezes nada, a não ser o aumento de 19 para 21 no número de mortos entre um episódio e outro.

PICADEIRO

A direção do programa Pânico na TV não salvou do ridículo o senador Eduardo Suplicy. A foto da cena circula por toda parte e, se tiver se ser usada de alguma forma, será independentemente da exibição do programa.
O Pânico acabou mesmo salvando o Senado que, com a decisão de não mostrar as imagens, ganhou um pretexto para aceitar as desculpas do senador, arquivar investigação sobre quebra de decoro e se livrar da comparação entre uma sunga condenada e tantas tungas perdoadas.
O que as pessoas sérias do Congresso poderiam começar a pensar é sobre a razão pela qual o Poder Legislativo no Brasil tornou-se tão atraente para programas humorísticos.

INTERESSADO
Registrado em poderoso caderninho do PMDB: Ciro Gomes suspendeu seus ataques à conduta fisiológica do partido.
E, se mantiver a candidatura à Presidência da República, tende amenizar cada vez mais o julgamento.

TSE ADVERTE SOBRE ANTECIPAÇÃO DE CAMPANHA ELEITORAL



O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Carlos Ayres Britto, disse ontem que existe no Brasil uma cultura que beneficia os candidatos que recebem o apoio dos atuais governantes, mas que há “antídotos jurídicos” para solucionar possíveis abusos, como representações à Justiça Eleitoral.
Para Britto, há uma “tentação muito forte” por parte dos políticos que estão no poder de antecipar o processo eleitoral.

Mendes classifica viagem ao rio São Francisco de “vale-tudo”

A realização de sorteios e comício da comitiva presidencial em visita às obras de transposição do rio São Francisco foi chamada ontem pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, de “vale-tudo”.
Para ele, há uma “mais valia natural” de candidatos ligados ao governo, mas questionou atos semelhantes a campanha em atos de governo.

1 de outubro de 2009

POBRE GOSTA DE LUXO

Essa quem contou foi o Cláudio Humberto, em sua coluna: na campnha de 92, Juventude do PDT do Rio promovia um "angu à baiana" na Rocinha, quando chegou José Colagrossi, candidato a deputado. Ele entrou na favela dirigindo uma reluzente Mercedes – na época, um carro reservado apenas a milionários.
Chamaram sua atenção, dizendo que aquele luxo podia tirar votos, Colagrosssi explicou então que aquela era a velha, porque a nova só usava em "eventos sociais". E ainda teorizou:
– Como o pobre vai acreditar que eu, candidato, poderei ajudá-lo se chego aqui dirigindo um Fusquinha?

MEIRELLES E AMORIM PREPARAM PALANQUES ELEITORAIS

Filiado ao PMDB, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fez uma rápida passagem em Goiânia para se apresentar como virtual candidato ao Senado. Já o chanceler Celso Amorim filiou-se ao PT e tem planos para a Câmara dos Deputados. No DF, o ex-governador Joaquim Roriz fechou com o PSC.

30 de setembro de 2009

LULA SANCIONAL LEI ELEITORAL



O presidente Lula sancionou a nova legislação eleitoral derrubando as restrições a debates na Internet durante a campanha eleitoral. A minirreforma eleitoral foi sancionada com três vetos. Lula aboliu a regra que exigia que a Internet tivesse que seguir as mesmas limitações estabelecidas para TVs e rádios.
Agora, de acordo com a lei sancionada, apenas as emissoras de rádio e TV, que são concessões públicas, ficam obrigadas a seguir a regra de participação obrigatória de todos os candidatos às eleições majoritárias com representante na Câmara.
Os artigos que criavam o voto impresso e o voto em trânsito para as capitais não foram vetados pelo Planalto. O presidente Lula preferiu manter o texto nestas duas questões para respeitar a vontade do Congresso, sem levar em conta o pedido do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e do ministro do TSE, Carlos Ayres Britto, que consideraram o voto impresso um retrocesso.