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13 de setembro de 2009

SÓ SARKOZY ACHOU GRAÇA NA GAFE DO LULA

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - PORTUGAL


O Governo brasileiro criou enorme polêmica ao comprar submarinos e helicópteros da França. A oposição e até sectores do Governo criticaram a falta de transparência nas negociações. Uma das candidatas à presidência na eleição de 2010, a senadora Marina Silva, não tem dúvidas: a operação foi feita sem transparência. E o Presidente Lula só piorou as coisas ao dar a entender que o pacote de aquisições a Paris incluiria aviões, quando ainda está aberta a hipótese de participação de americanos e suecos. Ao receber o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, para as comemorações da independência, no último dia 7, em Brasília,Lula garantiu que o Brasil iria comprar os aviões franceses - um negócio no valor aproximado de quatro mil milhões de euros -, o que motivou protestos imediatos de suecos e americanos, ambos ainda na corrida. Com a sua precipitada gafe, Lula acabou por irritar quase todos e motivar mais críticas internas. Aparentemente, só Sarkozy ficou a rir...

8 de setembro de 2009

LULA RECORRE ATÉ AO PRÉ-SAL PARA DEFENDER GASTO MILITAR BILIONÁRIO

Por Bernardo Mello Franco e Luiza Damé
O Globo - 08/09/2009

Acordo de R$ 31,1 bi com a França incluirá compra de 36 caçasNo 7 de setembro, o presidente Lula ampliou o discurso nacionalista e usou a Amazônia e o pré-sal para defender o acordo militar de R$ 31,1 bilhões com a França. Com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, acertou que o Brasil comprará 36 caças, num negócio estimado em R$ 7 bilhões. O pacote já incluía submarinos e helicópteros. "Temos 300 milhões de hectares na Amazônia que precisamos preservar. Descobrimos outra riqueza, o pré-sal. O petróleo foi motivo de muitas guerras. O Brasil não quer guerra", disse Lula. Sarkozy anunciou a compra de 10 aviões militares da Embraer, defendeu a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU e a candidatura do Rio à Olimpíada de 2016. O dia foi marcado por manifestações de "Fora Sarney" pelo país.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ontem que o Brasil comprará 36 aviões de combate Rafale, da fabricante francesa Dassault. O anúncio foi feito ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que veio ao país para fechar o negócio, estimado em R$ 7 bilhões, e ontem assistiu ao desfile de Sete de Setembro. A escolha encerra uma batalha comercial iniciada há 11 anos em torno do reaparelhamento da Força Aérea Brasileira (FAB). Foram derrotados os caças Gripen, da sueca Saab, e F-18, da americana Boeing. No total, o Brasil deve gastar R$ 31,1 bilhões em acordos com a França, incluindo a compra de submarinos e helicópteros.

Para justificar os altos investimentos em compras para as Forças Armadas, o presidente recorreu ao discurso nacionalista. Citou a descoberta das reservas de petróleo na camada do pré-sal e a necessidade de proteger as riquezas da Amazônia: — O Brasil é um país que prima pela paz. Ao mesmo tempo, temos 300 milhões de hectares de terras na Amazônia que precisamos preservar.
E agora descobrimos outra riqueza que é o pré-sal. Deve sempre passar pela nossa cabeça a ideia de que o petróleo já foi motivo de muitas guerras, muitos conflitos. E o Brasil não quer guerra nem conflito.
Segundo Lula, os caças franceses foram escolhidos porque o país foi o único a se comprometer a transferir tecnologia aeronáutica para a FAB: — Decidimos começar a negociação para a compra do Rafale. Para nós, o avião é importante, mas importante mesmo é ter a tecnologia para que possamos produzir esse avião no país. É isso que estamos negociando.
No fundo, o Brasil quer comprar um avião com a garantia de uso e transferência total da tecnologi
“Queremos construir e vender juntos”
Como contrapartida à compra dos caças, Sarkozy anunciou a intenção do governo francês de ajudar a desenvolver e comprar dez unidades do futuro avião de transporte militar KC-390, a ser produzido no Brasil pela Embraer. O modelo deve substituir os antigos Hércules C-130 da Aeronáutica.
Os presidentes não anunciaram os custos dessa operação.
Segundo Lula, a assinatura dos acordos inaugura uma parceria militar estratégica, com a cooperação entre os dois países. Além da compra dos caças, o acordo militar com a França inclui R$ 19 bilhões com a construção de submarinos — quatro convencionais e um nuclear — e R$ 5,1 bilhões com a fabricação de 50 helicópteros.
— A França não quer só vender para o Brasil, e o Brasil não quer só vender para a França. Queremos pensar juntos, criar juntos e construir juntos.
Se possível, vender juntos — disse, arrancando gargalhadas dos franceses.
Animado com o anúncio da compra dos caças, Sarkozy enalteceu os investimentos brasileiros na área militar e disse que o país pode se tornar o principal parceiro da França no setor: — Um país forte é um país que pode se defender. Os grandes atores do mundo têm uma política de defesa ambiciosa. Se existe um país no mundo onde há espaço para a tecnologia francesa, é o Brasil. Compartilhar tecnologia não nos dá medo, porque o tempo da colonização já acabou.
Sorridente, Sarkozy se desmanchou em elogios a Lula, a quem chamou de amigo, líder e “homem especial”. Em entrevista ao lado de Lula no Palácio da Alvorada, o francês manifestou apoio ao Brasil em quase todas as frentes de batalha do Itamaraty, desde a luta por uma vaga no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas até a candidatura do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016.
— O mundo tem necessidade da liderança do presidente Lula, por seu amor pela África, suas convicções democráticas e pelo exemplo que ele representa com sua trajetória. Tenho orgulho de ser seu amigo — disse.
A novela dos caças se arrastava desde 1998, quando a Aeronáutica começou o projeto FX, no governo Fernando Henrique. O processo estava em fase final. Em 2003, com três dias no cargo, Lula suspendeu a licitação, na época orçada em US$ 700 milhões, para a compra de 12 aviões, dizendo que destinaria o dinheiro ao Fome Zero.
Em novembro de 2007, a Aeronáutica anunciou a retomada do programa, com o título de FX-2.

7 de setembro de 2009

SARKOZY DEFENDE BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse nesta segunda-feira que considera uma questão de "justiça" o Brasil ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em declaração conjunta ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sarkozy defendeu reformas nas Nações Unidas que permitam maior participação dos países em desenvolvimento, como o Brasil, nas decisões tomadas pela cúpula mundial.

"Representamos 85% do PIB mundial, mas as instâncias nas nações Unidas devem se reformar ou correm o risco de perder a sua legitimidade. As Nações Unidas devem se reformar. Estamos no século 21, não podemos considerar normal que a África não tenha um membro permanente no Conselho de Segurança de Segurança. Também não acredito que, no café da manhã do G-8, não possamos convidar o Brasil. Isso é perigoso", afirmou.

Assim como Sarkozy, Lula defendeu mudanças no atual modelo da ONU (Organização das Nações Unidas) que permita maior representatividade de países em desenvolvimento.

Lula também disse ser favorável à maior participação de países pobres em discussões mundiais, como na cúpula do G-20. "O mundo não pode esquecer o que aconteceu no ano passado. A lógica de que o mercado ia resolver tudo, faliu. O Estado não pode abrir mão de ser o indutor. Tivemos que induzir mais dinheiro na produção. Se não existe o Estado, as coisas não funcionam com a facilidade que alguns imaginavam que iam funcionar. Vamos cobrar que cada país faça sua parte para que a crise não resulte no sofrimento dos mais pobres", afirmou.
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SARKOZY DIZ QUE LULA NÃO CUMPRIU PROMESSA DE OFERECER CHURRASCO

DEU NA FOLHA

A presença do presidente da França, Nicolas Sarkozy, como convidado de honra das festividades do Dia da Independência mostrou o clima de informalidade que marca a sua relação pessoal com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de acompanhar os desfiles do Sete de Setembro ao lado do presidente brasileiro, na Esplanada dos Ministérios, Sarkozy não poupou elogios ao colega, de quem cobrou publicamente uma "dívida" por não ter oferecido um prometido churrasco durante sua rápida passagem no Brasil.
Bem-humorado, Sarkozy disse que cumpriu todos os seus objetivos políticos e comerciais durante sua visita ao Brasil, mas Lula deixou de lhe servir o esperado churrasco durante jantar realizado no Palácio da Alvorada na noite deste domingo.

"Eu disse que, se conseguíssemos fazer a metade do que desejamos, Lula e eu, seria fantástico. Não fizemos a metade, temos ainda 120% a fazer. Eu não devo dizer tudo o que imaginamos. Ele ainda está me devendo um churrasco. A única promessa que ele não me cumpriu foi oferecer um churrasco", disse Sarkozy.

Lula justificou o descumprimento da promessa ao confessar um "incidente" ocorrido no palácio que impediu Sarkozy de comer o churrasco. "Ele chegou às 20h30, o churrasco estava quase no ponto. Só que a churrasqueira tem um vidro temperado, estourou a churrasqueira e caiu o vidro em cima da carne. Eu não podia oferecer carne com vidro. A Marisa tinha intuído que ia chover, tínhamos uma moqueca capixaba com feijão tropeiro", afirmou.

Lula disse que, apesar do incidente, Sarkozy gostou do feijão tropeiro servido como alternativa ao fracassado churrasco. "Fico feliz que o presidente Sarkozy gostou muito do tropeiro. Significa que ele está se sentindo em casa", disse Lula.

O presidente francês veio ao Brasil sem a mulher, Carla Bruni, ex-modelo e cantora.
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AGENDA COMPLETA DO PRESIDENTE SARKOZY NO BRASIL

O presidente da França, Nicolas Sarkozy desembarcou na noite de domingo na Base Aérea de Brasília para uma visita de dois dias à capital federal. Da Base Aérea, ele seguiu para um jantar oferecido pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada. Sarkozy viaja acompanhado de de uma comitiva formada pelos Ministros da Cultura e Comunicação; Defesa; Economia e Comércio Exterior; dos Negócios Estrangeiros; Imigração, Integração, Identidade Nacional e Desenvolvimento Solidário; Educação Nacional, e pelo Secretário de Estado de Transportes; que também participa das comemorações do Dia da Independência do País. A presença francesa n o Brasil marca a agenda de compromissos do Ano da França no Brasil;
Às 09:00 hrs: o primeiro compromisso será às 9h da manhã desta segunda-feira, na Esplanada dos Ministérios, onde acontece o desfile cívico-militar.
Às 13:00 hrs: os presidentes Lula e Sarkozy se reúnem no Palácio da Alvorada, onde darão uma entrevista coletiva por volta da 13h. Esta prevista a assinatura de acordos nas áreas de cooperação policial; questões migratórias; defesa; transportes; e cooperação técnica, com vistas à criação de um banco de leite humano no Haiti; além de parcerias nas áreas de agricultura, transportes e tecnologias de informação.
Às 14:00 hrs Sarkozy participa da inauguração da exposição do projeto “Veículo Leve Sobre Trilhos” e assina com o Governo do Distrito Federal um empréstimo de 140 milhões de euros (cerca de R$ 370 milhões) para a construção da primeira fase das obras, prevista para terminar em 2010. O projeto torna Brasília o primeiro local na América Latina a usufruir deste sistema de transporte. A linha deve contar com 22,6 quilômetros de extensão

O DESFILE MILITAR DE 7 DE SETEMBRO

Começou começou às 9h10 desta manhã de segunda-feira o Desfile Militar de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A expectativa é que o evento reúna 50 mil pessoas, apesar do tempo nublado, atípico para a região nesta época do ano. A festa custou aos cofres públicos R$ 1.7 milhão, segundo levantamento da ONG Contas Abertas, obtidos por meio de pregão eletrônico. O montante é 21% menor que o gasto no ano anterior
No início do evento, foram executados por músicos do exército o hino nacional e o hino da Independência.
A festa é a primeira das comemorações da Semana da Pátria em Brasília. Neste ano, o convidado oficial é o Presidente da França, Nicolas Sarkozy, que chegou minutos antes de começar o desfile.

Devido ao ano da França no Brasil, o País terá uma participação especial nos festejos. Além da bandeira francesa, a banda da marinha francesa, com o primeiro regimento de infantaria da guarda republicana de honra, a patrulha acrobática francesa, e o terceiro regimento estrangeiro de infantaria da legião estrangeira vão participar da parada.
Com isso, o desfile conta com a participação de 4450 pessoas – 3300 militares e 1150 civis, 94 viaturas, entre blindados, tanques e caminhões, 51 motos e 231 cavalos. Uma pirâmide humana, com 30 homens em uma moto é destaque. Há manifestações culturais, como o bumba-meu-boi do Seu Teodoro, a Orquestra Popular Municipal da Ceilândia, o Centro Cultural Raízes do Brasil, além do espetáculo da Esquadrilha da Fumaça.
O tema da Semana da Pátria deste ano é a confiança e o mote é "Independência é para festejar". A ideia é valorizar o fato de o País ter se destacado no cenário mundial no enfrentamento da crise econômica. Após o desfile, que tem1h30 de duração, os líderes de Estado Lula e Sarkozy darão uma entrevista coletiva no Palácio da Alvorada, onde devem anunciar os acordos bilaterais.
Entre os presentes, estão o ministro da Educação, Fernando Hadadd, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro da Previdência Social, José Pimentel, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulce, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, a ministra Ellen Gracie do Supremo Tribunal e o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM).
Lula chegou com Marisa às 8h55. A primeira-dama está com um vestido verde e um xale branco. Minutos depois, Sarkozy também chegou ao desfile.