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1 de agosto de 2009

OPOSIÇÃO CRITICA DECLARAÇÃO DE LULA, E DIZ QUE ELE ABANDONOU SARNEY

Por GABRIELA GUERREIRO e CHRISTIAN BAINES

DA FOLHA ONLINE, em Brasília


A oposição reagiu nesta sexta-sexta-feira à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a crise no Senado não é um problema seu. Líderes oposicionistas afirmaram que Lula, ao recuar na defesa do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), agiu politicamente para evitar colar sua imagem ao peemedebista em ano pré-eleitoral."
É do estilo dele. Resolveu ficar com a sua popularidade e largou o homem ao mar. Agora o Sarney está com a tropa de choque que absolveu o senador Renan Calheiros [ex-presidente do Senado]", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
O líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN), disse que Lula tem como característica "abandonar" seus aliados quando percebe que estão perto de "naufragar" em crises políticas. "Isso parece a cena de um quadro daquele programa de TV 'Acredite se quiser'. Depois da solidariedade que ele deu ao Sarney, ele fala isso agora? O Lula tem um sentido de autopreservação", disse.
Na opinião do democrata, Lula já "abandonou" ex-companheiros como Antônio Palocci (ex-ministro da Fazenda) e Waldomiro Diniz (ex-assessor da Casa Civil) --e agora faz o mesmo com Sarney. "Na hora em que essas pessoas passaram a prejudicá-lo, ele as defenestrou", disse Agripino.
Para o senador Álvaro Dias (PR), vice-líder do PSDB, Lula agiu com vistas às eleições de 2010 para mudar o discurso sobre Sarney. "O presidente Lula, orientado por pesquisas de opinião pública, recua e diz que crise é problema do Senado. Ele interferiu indevidamente, agora cede", disse.

Defesa anterior

Antes de afirmar que não tem qualquer relação com a crise, Lula havia declarado apoio ao presidente do Senado. O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) chegou a desautorizar o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), que, em nome da bancada do partido, cobrou o afastamento temporário de Sarney da presidência.
Múcio disse que a nota emitida por Mercadante não emitia o pensamento de todos os senadores petistas.
O presidente também afirmou, no início de junho, que Sarney "tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum". O presidente ainda disse que as denúncias contra o peemedebista "não têm fim" e, ao final, "não acontece nada".
Reportagem da Folha publicada nesta quinta-feira mostra que Lula e Sarney se falaram nos últimos dias por telefone. O presidente da República insistiu em pedir que o senador não renuncie ao comando do Senado. O peemedebista disse que seu desejo é resistir, mas que para isso precisa de apoio.
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10 de julho de 2009

INSTALAÇÃO DA CPI DA PETROBRÁS DIVIDE SARNEY E RENAN

A decisão de apoiar a instalação da CPI da Petrobras provocou a primeira divergência no QG de apoio ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), informa hoje o "Painel" da Folha, editado por Renata Lo Prete (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL). A divergência ocorreu após a denúncia de que a Fundação Sarney teria desviado recursos do patrocínio da Petrobras para um projeto cultural fantasma. O dinheiro teria ido parar na conta de empresas fantasmas e emissoras de TV da família Sarney.
De acordo com a coluna, Sarney e Gim Argello (PTB-DF) defendiam a conveniência de instalar a CPI para aliviar a pressão oposicionista diante da nova denúncia.
Já o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), argumentava que seria difícil controlar as investigações contra a Petrobras e segurar Sarney no cargo.
De acordo com a coluna, o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), deve ficar com a relatoria da comissão. A confirmação deve ocorrer na segunda-feira.
A CPI deve ser instalada na terça-feira. Apesar da pressão da oposição, a maioria dos membros da CPI deverá ser da base aliada.

27 de junho de 2009

RENAN SE REUNE COM SARNEY E BOTA TROPA DE CHOQUE PARA GARANTIR A PERMANÊNCIA DO PRESIDENTE DO SENADO

Renan articula movimento em defesa de Sarney
Renan cobra apoio de Lula, PT e partidos da base aliada
CPI da Petrobrás é usada como moeda de troca
Cresce movimento pela saída de Sarney
O Senado, desde o início do mês, está no centro de uma série de denúncias envolvendo atos secretos, casos de nepotismo favorecendo parentes de senadores, e várias outras irregularidades com dinheiro público. As denúncias provocaram protestos contra a permanência de Sarney na presidência da Casa. Na Internet surgiram muitas iniciativas e campanhas defendendo o afastamento de Sarney.
No site de microblogging Twitter, o número de mensagens envolvendo o tema (forasarney) cresceu vertiginosamente desde as 15h desta sexta-feira, tornando-se um dos assuntos mais populares do site de acordo com o serviço Blablabra, que monitora o conteúdo do Twitter em português. Existe ainda um website chamado "Fora Sarney", criado no último dia 20 de junho, e no Orkut há 12 comunidades dedicadas ao tema.
O Movimento Fora Sarney, criado por algumas entidades da sociedade civil marcou um ato de protesto, na próxima quarta-feira (1º), às 19h, no vão livre do MASP (Museu de Arte Moderna de São Paulo). Outras manifestações estão programadas em diversas cidades brasileiras.
O movimento pela saída do presidente do Senado cresce a cada dia. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) pediu o afastamento de Sarney, durante discurso feito na quinta feira, dia 25, em plenário. “Se afaste", pediu o senado. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também pediu o afastamento. O partido DEM (Democratas), um dos apoiadores do senador durante a sua campanha à presidência, fará reunião para avaliar a crise no Senado e um possível afastamento.
O presidente Lula reforçou a recomendação dada ao PT na semana passada para defender Sarney, mesmo com o constrangimento de setores da bancada no Senado. Lula tem receio de que o PMDB use a CPI da Petrobras para pressionar o governo. Ele teme que o PMDB facilite a oposição, permitindo a instalação da CPI, caso a direção peemedebista conclua que o PT e os demais partidos da base aliada não estejam colaborando para blindar Sarney das denúncias.
De sua parte, o senador Renan Calheiros (AL), líder do PMDB, começou a articular a tropa governista para ajudá-lo a frear o movimento pela renúncia de Sarney. E Renan cobra a participação e apoio do PT, de outros partidos aliados e de todo o governo para garantir o apoio do PT e à permanência do senador José Sarney (PMDB-AP) no comando da Casa.
Tentando enfrentar o movimento pelo seu afastamento, o senador José Sarney divulgou nota afirmando que é vitima de uma “campanha midiática”. A nota teve repercussão negativa junto ao DEM, já que se disse vítima de uma campanha midiática por apoiar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sarney tentou desfazer o mal-estar ligando para senadores do partido. Ele passou esta sexta pela Casa, mas não chegou a presidir a sessão, de manhã. E despachou em seu gabinete pessoal.
O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), chamou de infeliz a forma como Sarney tentou se explicar:
- Foi uma frase infeliz, mas que reforça que o DEM não tem qualquer compromisso com Sarney, além daquele eleitoral que o ajudou a se eleger em fevereiro. Tanto que o presidente do Senado foi buscar o apoio do PT e do governo. O nosso, ele sabe que não terá se não tiver resposta para as nossas perguntas.
Ainda nesta sexta-feira, Sarney recebeu em seu gabinete o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e o senador Wellington Salgado (PMDB-MG). Eles conversaram por cerca de três horas e sairam sem falar com os jornalistas que aguardavam o presidente na saída do Anexo I do Senado. Na saída, mais de uma dezena de seguranças cercaram Sarney para que escapasse das perguntas dos jornalistas que o aguardavam. O líder do PMDB, Renan Calheiros vai passar o fim de semana em Brasília, para socorrer Sarney caso surjam novas denúncias.
Um dos principais aliados de Sarney, e membro da tropa de choque de Renan, o senador Gim Argello (PTB-DF) defendeu nesta sexta-f"eira (26) a permanência do colega no comando da Mesa Diretora Acho que não deve se afastar. Não vejo motivos para o senador José Sarney pedir licença do cargo", afirmou Argello, depois de um breve encontro com Sarney.