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25 de outubro de 2009

BELEZA NÃO PÕE MESA

FERREIRA GULLAR
FOLHA DE SÃO PAULO

Não é lógico afirmar que a escolha do Rio como sede olímpica nos põe no Primeiro Mundo

NÓS, VIRGINIANOS, analíticos por fatalidade zodiacal, tendemos a corrigir os exageros ou equívocos que o entusiasmo provoca. Assim é que, passada a justa euforia que nos tomou ao ser anunciada a escolha do Rio para sediar a Olimpíada de 2016, é justo tentar entender o que realmente aconteceu. Se isso servirá para alguma coisa, não sei, mas sei que ver claro os fatos não faz mal a ninguém, a não ser aos que se beneficiam do engano.
A pergunta que me faço é, e procuro responder, a seguinte: o que determinou a escolha do Rio de Janeiro pelo Comitê Olímpico Internacional, em vez de Chicago, Tóquio ou Madri? Há quem diga que foi o excelente trabalho de marketing feito pelo Comitê Olímpico Brasileiro, enquanto para outros o fato decisivo foi a presença em Copenhague do presidente Lula. Chegou-se mesmo a afirmar que Obama, derrotado por ele, teria voltado para casa de cabeça baixa. Para esses, a escolha do Rio veio confirmar, segundo as palavras de nosso presidente, que enfim o Brasil tem coragem de encarar de igual para igual as nações tidas como avançadas. Com esta vitória no Comitê Olímpico Internacional, chegamos enfim ao Primeiro Mundo!
Confesso que tais afirmações me deixam constrangido, pois, na verdade, indicam que continuamos amargando o complexo de vira-latas, preocupados, a todo instante, em mostrar que não somos cachorros, não. E é claro que não o somos, mesmo sem Olimpíada.
Não há nenhuma lógica em afirmar por que a escolha do Rio para sediar os Jogos Olímpicos nos põe de repente no Primeiro Mundo. O México os sediou, em 1968, e nem por isso entrou para essa categoria. Tampouco a Grécia (três vezes) e a Coreia do Sul, em 1988. Na verdade, não vale a pena perder tempo com semelhante discussão.
Destituído igualmente de propósito é dizer que a escolha do Rio pelo COI deveu-se a Lula que, pelo visto, faz chover quando quer. Basta lembrar que ele já era presidente quando o Rio foi descartado, em primeiro escrutínio, na disputa pela Olimpíada de 2012. É uma tolice superestimar a influência de chefes de Estado, tanto que Chicago, apoiado por Obama e Madri, pelo rei Juan Carlos da Espanha, perderam. Ganhou o Rio porque Lula é mais influente que os dois? Acho que nem ele, em sua inquestionável megalomania, acredita nisso.
Os fatos indicam o contrário: se Obama e o rei Juan Carlos não conseguiram a escolha de Chicago e Madri, é que os fatores decisivos eram outros e não o maior ou menor prestígio de qualquer deles. O que decidiu, como está evidente, foram os interesses do próprio COI e de seus dirigentes. É, portanto, fora de propósito achar que o Comitê Olímpico Internacional iria pôr em risco o êxito dos Jogos e arrostar com as consequências disso, apenas para agradar a governantes, seja ele Obama, Lula ou o rei da Espanha. Numa decisão como essa, estão em jogo desde o relacionamento do COI com a opinião pública das diferentes nações e continentes até -e sobretudo- interesses econômicos, envolvendo o prestígio de grandes empresas patrocinadoras do certame.
É, desse modo, mais fácil de entender a exclusão da cidade de Chicago, já que boa parte de sua população não a queria como sede e, por outro lado, o seu fuso horário que obrigaria os Jogos a serem vistos na Europa tarde da noite e pela madrugada a dentro. A questão do fuso também pesou, ainda que menos, na exclusão de Tóquio, somando-se ao fato de que já três Olimpíadas se realizaram na Ásia, a última delas em Pequim, recentemente.
E Madri? Por que não Madri, que se apresentou com a infraestrutura pronta, enquanto o Rio estava longe disso? A exclusão de Madri teve duas razões: a Espanha já ter sediado a Olimpíada em Barcelona e, sobretudo, o interesse da França, Alemanha e Itália em sediá-la em 2020. A escolha da Espanha em 2016 tornaria essa pretensão inviável.
Restava o Rio de Janeiro, que, não tendo o problema do fuso horário e, por essa razão, atende melhor ao interesse das grandes empresas, patrocinadoras dos Jogos. Não foi porque o Rio de Janeiro continua lindo e a economia estável. Isso conta, claro, mas não decide, como não decidiu nas duas vezes anteriores em que ele se candidatou e perdeu. E, aliás, tinha ainda contra si, o grave problema da segurança, que é grave, sem dúvida. O Rio foi escolhido porque, das 26 Olimpíadas realizadas, 15 foram na Europa, seis na América do Norte, três na Ásia, duas na Austrália e nenhuma na América do Sul. Por exclusão, vencemos. Importante agora é mostrar ao mundo que podemos dar conta do recado.

11 de outubro de 2009

MPF INVESTIGA CANDIDATURA AOS JOGOS OLÍMPICOS E CONTRATOS DO COB

MPF investiga contratos do COB sem licitação

O Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar por que não foram realizadas licitações para contratar empresas que elaboraram o projeto da candidatura olímpica, financiado com dinheiro público repassado ao COB

Vencida a disputa para sediar as Olimpíadas 2016, as atenções se voltam agora para a transparência dos gastos na preparação da candidatura do Rio. O Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para apurar por que não foram realizadas licitações para contratar empresas que elaboraram o projeto, financiado com dinheiro público, apresentado ao Comitê Olímpico Internacional (COI). Despesas com consultorias internacional e nacional, além de gastos operacionais e salários de funcionários contratados pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) — a remuneração variou de R$ 3.300 a R$ 34 mil — foram pagos com verba pública, do Ministério do Esporte. A maior parte do dinheiro, cerca de R$ 48 milhões, foi repassada ao COB, que, por sua vez, contratou os serviços a partir de critérios próprios. O COB alega ser entidade privada e se exime da responsabilidade por fazer licitações.

A dispensa de licitações também já está sendo analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Controladoria Geral da União (CGU).

O procurador da República em Brasília Paulo Roberto Galvão de Carvalho afirmou que vai analisar os argumentos jurídicos usados pelo ministério e pelo COB para não fazer licitações.
Consultorias e serviços custaram R$ 3,5 milhões

O COB contratou nove empresas brasileiras de consultoria e prestação de serviços para a elaboração do dossiê da candidatura Rio 2016 entregue ao COI. O custo total dos contratos assinados sem licitação foi de R$ 3,5 milhões, entre 2008 e 2009.

Os recursos públicos foram liberados pelo Ministério do Esporte por meio de um convênio com o COB. Para escolher as vencedoras, o COB fez uma pesquisa de mercado com três empresas de cada área, e optou pela proposta supostamente mais barata. Os contratos também estão na mira do procurador Paulo Roberto Galvão de Carvalho, do Ministério Público Federal em Brasília. Assim como nos gastos operacionais, há suspeita de irregularidades nos critérios para não licitar os contratos com as empresas.

— O Ministério do Esporte nos passou a relação completa de todos os convênios, de aproximadamente R$ 48 milhões.

Aluguel de carro custou mais caro do que é hoje

Da conta dos preparativos para a candidatura do Rio 2016 constam também despesas com restaurantes, hotéis, aluguel de carros e passeios de helicóptero.
O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) recebeu R$ 407 mil para arcar com os custos da visita de integrantes de federações internacionais de esporte, que estiveram no Rio no fim de 2008 para vistoriar instalações.
Como fez em outras ocasiões, o COB recorreu aos serviços da agência Tamoyo Internacional, sediada no Rio. A empresa já foi questionada pelo TCU em outro contrato com o COB por suposto favorecimento num pregão público. Após uma pesquisa de preços no fim de 2008, a agência apresentou ao COB valores de aluguel de carros, helicópteros e hotéis. A A3M Eventos, que faturou R$ 14 mil pelo aluguel de veículos, foi a escolhida porque cobrou R$ 390 por um veículo com motorista e diária de dez horas. Mas, embora apareça com valores mais altos na pesquisa da Tamoyo, a Transportes Qualitá, atual Estrada Turismo, informou por telefone preços hoje mais em conta. O aluguel de um carro, com motoristas e diária de 12 horas, sai por R$ 280. Segundo o atendente, os preços são praticados há mais de um ano.

Helicóptero com assentos vazios

Nos gastos do COB com a visita de representantes de federações, no ano passado, aparecem também despesas com voos panorâmicos de helicóptero.
Em 5 de setembro de 2008, a agência Tamoyo apresentou uma pesquisa de preços com voos da Maricá Táxi Aéreo a um custo de R$ 2.200 a hora para 4 passageiros.
Mas, uma semana depois, informou ao COB outro valor: R$ 3.375 (5 passageiros).
No fim das contas, a Tamoyo contratou a Maricá por R$ 3.173 e, curiosamente, voou apenas uma pessoa num dos helicópteros — com capacidade para 5 passageiros — em 3 de novembro, conforme nota emitida pela agência de viagens.
Um ano depois, o mesmo serviço, mesmo para apenas uma pessoa por aeronave, poderia sair mais barato. Esta semana, por telefone, uma atendente da Maricá informou que a empresa cobra, há cerca de um ano, R$ 2.700 em aeronaves para até 5 pessoas.
COB alega que licitação é tarefa de órgão público
O Ministério do Esporte afirmou que todos os convênios do órgão são monitorados pelo seu corpo técnico. Segundo o ministério, o COB não era obrigado a seguir integralmente a lei de licitações, podendo realizar procedimentos simplificados.
O órgão federal ressaltou que, neste momento, analisa a prestação de contas do COB.
O COB argumentou que, como entidade privada, não lhe cabe conduzir licitações públicas.

3 de outubro de 2009

O FIM DO "COMPLEXO DE VIRA-LATAS"

MERVAL PEREIRA

O GLOBO

A vitória do Rio de Janeiro na disputa pela sede das Olimpíadas de 2016 é um retrato da evolução da situação econômica do país. Em 1992, Brasília se candidatou aos jogos de 2000, e, em 1995, o Rio se candidatou pela primeira vez, às Olimpíadas de 2004. Em 2004, a cidade carioca perdeu mais uma vez na tentativa de sediar o evento em 2012. Em nenhuma das ocasiões anteriores havia condições mínimas para que os Jogos Olímpicos fossem realizados no país, que, além de um presente conturbado, não tinha uma perspectiva de futuro que permitisse um planejamento razoável de projeto tão grandioso.
Mas, entre a primeira tentativa e a vitória de ontem, o país evoluiu em aspectos fundamentais, a partir do Plano Real, lançado no governo Itamar Franco — depois de termos perdido a primeira disputa pelas Olimpíadas —, controlando a praga da inflação e instituindo instrumentos de política econômica que se transformaram em políticas de Estado, como o equilíbrio das contas públicas, o controle da inflação e o câmbio flutuante.
O país que, como ressaltou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pode vir a ser a quinta economia do mundo em 2016, tem hoje condições de fazer planos de longo prazo, como organizar uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada.
Ao mesmo tempo, nada mais exemplar das voltas que o mundo dá do que a derrota de Chicago logo no primeiro turno, e a vitória do Rio por mais do dobro de votos que a segunda colocada, Madri.
A presença de Barack Obama em Copenhague, contrariando as previsões e nossos temores, não teve a menor importância na decisão dos delegados do Comitê Olímpico Internacional, o que poderia indicar que também a presença de Lula não fez diferença.
Mas o fato é que hoje, assim como o Brasil é muito diferente daquele que perdeu a indicação em 2004, quando ele já estava na Presidência, Lula tornou-se um dos líderes mais importantes do atual cenário mundial.
E assim como Obama representa a nova ordem mundial multipolar, Lula representa a emergência dos países do terceiro mundo nas decisões globais. Os dois estavam em seus papéis, Obama no de líder do país mais influente do mundo que está abrindo mão de sua hegemonia, e Lula no de líder do país que quer ter sua importância reconhecida no mundo.
A escolha de Atlanta como sede da Olimpíada de 1996, derrotando Atenas, é exemplar de como a hegemonia americana se impunha.
O simbolismo de que naquela ocasião se celebraria o centenário das Olimpíadas, cujo início é marcado pelos Jogos em Atenas em 6 de abril de 1896, foi menos importante para o Comitê Olímpico Internacional do que a pressão do governo dos Estados Unidos e o fato de que em Atlanta estava a sede da Coca-Cola e da rede mundial de televisão CNN.
Hoje, foi mais importante levar as Olimpíadas para a América do Sul, e para o país da América do Sul que faz parte do seleto grupo que compõe o G-20, a nova instância de resolução das questões econômicas mundiais.
Embora a Argentina também esteja no G-20, está lá mais pela importância que já teve, enquanto o Brasil representa o futuro da região. Na verdade, a tendência do G-20 é tornar-se, pelo menos na prática, em G-14, com alguns países ficando de fora gradualmente, entre eles a Argentina.
Foi a primeira vez que o Rio de Janeiro entrou na final da disputa, e esse já era um sinal de que o papel do país se consolidara como representante do poder emergente no novo desenho geopolítico saído da crise internacional.
O presidente Lula demonstrou um ressentimento incompreensível em meio a um pronunciamento emocionado e muito bonito: “Os mesmos que não acreditavam que eu pudesse governar o país terão uma surpresa com nossa capacidade de organizar as Olimpíadas”.
Ele, que falou tanto da generosidade do povo brasileiro, poderia ter um sentimento mais generoso na hora de comemorar suas vitórias.
Teve, no entanto, sagacidade política ao recusar a ideia de que derrotara Obama, embora a tentação seja inevitável.
Não citou literalmente, mas abordou o resgate do nosso eterno “complexo de vira-latas” diagnosticado pelo dramaturgo, especialista em brasilidade, Nelson Rodrigues, ao dizer que o país, finalmente, deixava de ser visto como de segunda classe.
O mesmo sentimento tomou conta do economista André Urani, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), um apaixonado pelo Rio de Janeiro e estudioso de seus problemas e, sobretudo, das soluções possíveis.
A primeira reação dele foi dizer que vencer uma disputa com Madri, Tóquio e Chicago e derrotar ao mesmo tempo Obama e o rei Juan Carlos dava uma boa massageada no ego dos cariocas e recuperava a auto-estima.
Assim como Lula, ele também citou os revezes que o Rio sofreu nos últimos 50 anos, com a perda da capital e a fusão da Guanabara com o Estado do Rio.
Na avaliação de Urani, as coisas têm melhorado no Rio com a parceria entre as três esferas de governo — federal, estadual e municipal —, além da parceria com a sociedade civil e a iniciativa privada, que participaram do projeto das Olimpíadas 2016.
Ele espera que a cidade, a partir do planejamento da organização da Olimpíada, possa sair da decadência atual para entrar no século XXI.Para isso, ele acha que o projeto oficial tem que receber algumas alterações, e o preocupa especialmente o fato de a Barra ser considerada o coração do projeto.Pegando o exemplo de Barcelona em 1992 e o de Londres para 2012, André Urani diz que as áreas degradadas da cidade, como o Centro, os subúrbios e a área portuária deveriam ser prioritárias.
O projeto do Rio deveria também incluir metas sociais, como acabar com a pobreza até 2016, o que teria um papel importante na redução da violência.

MEDIDA CAUTELAR

DORA KRAMER


O ESTADO DE S. PAULO

O lance da troca de domicílio eleitoral de Ciro Gomes não é definitivo, mas é claro: o presidente Luiz Inácio da Silva se move na posse da banca e esconde o jogo até o último momento. Vale dizer, até o esgotamento dos prazos legais e a data marcada pelo adversário para dar a partida.
O deputado não precisaria mudar o registro do título de eleitor do Ceará para São Paulo nem para parte alguma se seu plano, como diz ser a sua preferência, fosse a candidatura presidencial. Ou se fosse a preferência dele que comandasse o espetáculo.
Ciro, aliás, sempre disse que uma coisa era sua escolha pessoal, outra a conveniência do partido. Faltou acrescentar que o que vale mesmo é a ordem unida de Lula.
Pois bem, se mudou o domicílio é porque joga com o Planalto, o que também já deixou patente, para o que der e vier: candidatura ao governo, a vice de Dilma Rousseff, a presidente no lugar dela, ou ocupando um palanque presidencial alternativo com o apoio de Lula para fazer a cena em que um morde e o outro assopra o adversário.
Quem morderia seria Ciro e Dilma assopraria com a delicadeza já afamada. Considerando que no campo oposto há também um mordedor (José Serra) e um assoprador (Aécio Neves), o espetáculo, nessa conformação, promete valer o ingresso.
Seja qual for a opção de Lula adiante, a jogada da mudança de domicílio eleitoral de Ciro Gomes deixa as coisas até lá em suspenso. E aí elas começam mais a combinar com o raciocínio do presidente segundo o qual candidato lançado com antecedência é candidato a morrer na praia.
Vítima de toda sorte de queimaduras.
Qualquer coisa pode acontecer e tentar antecipá-las é um exercício de impossibilidade pura. Pelo simples fato de que as decisões dependem das circunstâncias, reféns do imponderável.
Isso nos âmbitos nacional e regional. Note-se uma frase dita pelo governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, no dia do anúncio: "Não estamos discutindo a candidatura ao governo estadual e sim a pré-candidatura de Ciro a presidente. O fato de ele ir para São Paulo vai levar o debate para lá."
"Lá" não é, no entendimento de Campos nem de Ciro, o centro ideal para as decisões, pois ambos são partidários da tese de que a política está excessivamente concentrada nos paulistas.
"Lá" é maior colégio eleitoral do País, o eixo do PT, a base do principal candidato da oposição, o Estado mais complicado para Lula, que precisa urgentemente tomar uma providência para enquadrar a turma que comanda a máquina partidária sob a liderança de Marta Suplicy.
Fio terra
Uma vitória da articulação e da competência nos preparativos, a escolha do Rio é excelente notícia para o País todo. Não só pelo gosto de chegar lá, de sediar a primeira Olimpíada na América do Sul, da projeção internacional que trará, dos resultados internos que produzirá.
Melhor que tudo é o sentido de responsabilidade, do compromisso com a realização pela via do esforço, do investimento e do planejamento - de probidade também, esperemos - a que o Brasil terá de fazer frente.
Mal entendido
Alguns leitores escrevem para reclamar das "críticas" ao novo ministro do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Toffoli, no artigo de ontem, que, se lido com a atenção devida - ou escrito com mais clareza -, permite a percepção de que as críticas são dirigidas ao Senado e não ao advogado. A começar pelo título: Toffoli 10, Senado 0.
Em miúdos: com ele, ou qualquer outro, o Senado não cumpre a tarefa de escrutinar o saber, a reputação e a independência do indicado. Trata indicações - não apenas ao STF, mas às agências reguladoras também - como questões políticas ou assunto de ordem pessoal.
Como se a sabatina rigorosa denotasse falta de educação, ou pudesse representar uma ameaça de retaliação por parte do possível futuro integrante da corte.
No caso de Toffoli, como foi dito, a apresentação esteve irrepreensível. Não deixou nenhuma pergunta sem resposta. Mas valeu palavra dele que não foi posta a teste. Os "ataques" de alguns senadores foram só para marcar posição.
Na próxima vez em que um ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos for indicado, recomenda-se o acompanhamento da sabatina. Mas é preciso paciência, porque às vezes leva meses. Não é como aqui, na base da fidalguia e da fatura liquidada em poucas horas.
Se essa é a forma mais correta de se aprovar o nome de um dos 11 guardiães da Constituição, cujas decisões representam a última palavra, perdão leitores. O Brasil merece, e pode, mais
A propósito
Se por algum motivo a Justiça houvesse imposto ao Estado a censura para assuntos de educação, o jornal não poderia noticiar (e evitar) a fraude nas provas do Enem.

2016, OLIMPÍADA NO RIO

Cidade vence Madrid em votação final do Comitê Olímpico;

Será a 1ª da América do Sul a sediar Jogos;

Lula chora e diz ter vivido um de seus dias mais emocionantes;

Evento vai custar R$ 28 bi ao país.


Agora o Rio tem 7 anos para:
Fazer uma estação de metrô por ano
Duplicar as vagas da rede hoteleira
Despoluir a Baía e as lagoas da Barra
Construir e reformar 33 instalações esportivas
O Rio de Janeiro foi escolhido como sede da Olimpíada de 2016, após bater Madrid por larga vantagem (66 a 32) no último turno da votação do Comitê Olímpico Internacional, em Copenhague (Dinamarca). Antes, o Rio já havia superado Chicago, eliminada no primeiro turno, e Tóquio, no segundo. É a primeira vez que uma cidade da América do Sul receberá uma Olimpíada – marcada para depois da segunda Copa no Brasil, em 2014.
Foi uma decisão histórica e emocionante, que levou às lágrimas o presidente Lula e as mais de 30 mil pessoas que foram à Praia de Copacabana e comemoraram em clima de Copa do Mundo a conquista do Rio. Pela primeira vez, os Jogos Olímpicos serão na América do Sul, e o Brasil se juntará a EUA, Alemanha e México no restrito grupo de países que fizeram a Copa do Mundo e uma Olimpíada em apenas dois anos. Agora os governos municipal, estadual e federal terão que trabalhar muito para tirar do papel as promessas feitas ao COI. São apenas sete anos para fazer em 50: renovar o caótico sistema de transportes (foram apenas duas novas estações de metrô nos últimos oito anos), duplicar para 48 mil as vagas em hotéis, modernizar a infraestrutura de segurança, despoluir a Baía de Guanabara e as lagoas da Barra, e construir e reformar 33 instalações esportivas, inclusive a Vila Olímpica. Pelé e João Havelange foram decisivos na vitória, que se mostrou até fácil: 66 votos contra 32 de Madrid. Chicago foi eliminada de cara. O mercado financeiro festejou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chorou com a escolha e disse ter vivido “talvez” o dia mais emocionante de sua vida. “Sempre achei que tinha alguma coisa que faltava ao Brasil. Por sermos um país colonizado, a gente tem mania de pensar pequeno”, disse o presidente, que assistiu à votação ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral, e do prefeito Eduardo Paes (ambos do PMDB). Os Jogos devem custar R$ 28 bilhões ao país.
A escolha do Rio refletiu a divisão do COI entre o grupo de seu atual presidente, Jacques Rogge, que apoiou veladamente o Brasil, e o ex-presidente Juan Antonio Samaranch, cujo filho chefiava a campanha por Madrid. A viagem de Barack Obama à Dinamarca não evitou a eliminação de Chicago, base do presidente dos EUA. Num dia fraco nos mercados mundiais, a escolha do Rio fez a Bovespa fechar com alta de 1,18%.

1 de outubro de 2009

LULA, PELÉ E CIELO NA BRIGA POR 2016

Copenhague — Na sessão do Comitê Olímpico Internacional que definirá a sede dos Jogos de 2016, ganha quem faz a melhor propaganda da cidade candidata. Para convencer os 105 dirigentes, o Brasil entrou em campo com um time de políticos e ídolos do esporte. O resultado sai amanhã. Estão presentes em Copenhage Lula, Pelé e Cielo

30 de setembro de 2009

PELÉ E PAULO COELHO FAZEM PARTE DO LOBBY DO RIO PARA SED DA OLIMPÍADA

No lobby pelo Rio, Brasil escala Pelé e Paulo Coelho
Brasil escalou Pelé e o escritor Paulo Coelho para reforçar o lobby pela escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016, informa o enviado especial a Copenhague Jamil Chade. Ontem, Pelé prestigiou um jogo de futebol infantil. Hoje, Paulo Coelho janta com as mulheres de integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI), que anunciará, na sexta-feira, a cidade escolhida.

29 de setembro de 2009

PRESENÇA DE OBALA ABALA OUTROS CONCORRENTES

A presença de Barack Obama, na próxima sexta-feira, em Copenhague, para defender a candidatura de Chicago aos Jogos Olímpicos de 2016. Foi confirmada oficialmente. A conselheira da Casa Branca, Valerie Jarrett disse à agência Associated Press que o presidente deixará os Estados Unidos na quinta-feira com sua mulher, Michelle, que também brigará por Chicago. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também estará em Copenhage e o embate dos dois chefes de estado promete. Obama será o primeiro presidente americano a comparecer a uma cerimônia do gênero, para emprestar seu prestígio à candidatura de Chicago, que disputa palmo a palmo com o Rio o direito de sediar a maior festa do esporte mundial.A notícia não agradou aos concorrentes, que vêem no presidente dos Estados Unidos um trunfo para a candidatura de Chicago, a favorita nos principais sites de apostas do mundo. "Obama representa a esperança", afirmou o prefeito de Chicago, Richard Daley.
O Globo conta, no entanto, que mesmo com a confirmação da presença de Obama, as apostas no Rio continuam em alta. O site especializado Games Bids atualizou seus prognósticos e o Rio continua em primeiro, mas caiu de 61,61 para 61,42 (o site usa modelos matemáticos para calcular as chances de vitória). Já Chicago subiu de 60,01 para 61,24. Tóquio também caiu de 59,2 para 59,02, enquanto Madri manteve os mesmos 57,80.
A direção do Games Bids cita como exemplos as vitórias de Londres em 2012 e de Sochi, na Rússia em 2014 (Olimpíadas de Inverno) de como os líderes de governo podem influir na decisão. O Games Bids acertou o resultado final em ambos os casos.
-É muito provável que as duas últimas eleições olímpicas tenham sido decididas porque os líderes das nações falaram ao COI horas antes da votação. Não há dúvidas que a visita do presidente a Copenhague irá representar votos nessa disputa muito apertada - disse Robert Livingstone, produtor do GamesBids.com.
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O Japão, diante do anúncio americano, confirmou a presença do primeiro-ministro, Yukio Hatoyama. Em edições passadas, a presença de chefes de estado foi decisiva, como para Londres (Inglaterra) em 2012 e Sochi (Rússia) em 2014. A disputa para 2016 é uma das mais acirradas. De acordo com especialistas e casas de apostas, Chicago e Rio são as favoritas, e Tóquio e Madri correm por fora.
Obama deve desembarcar na sede do evento na manhã do dia da votação, vai se reunir com os representantes mais importantes e fazer seu discurso. Analistas dizem que sua presença terá influência no resultado final. Michael Peney, ex-diretor de Marketing do COI, confirmou que o presidente tentará desfazer o sentimento antiamericano que existe hoje no COI. Os dois grandes fracassos da entidade nos últimos 20 anos ocorreram justamente com os EUA. Em 1996, Atlanta pôs os interesses comerciais acima dos esportivos. Anos mais tarde, Salt Lake City, nos Jogos de Inverno, foi palco de escândalo de compra de votos de integrantes do COI. "Obama trará discurso de que Chicago e ele representam nova fase dos EUA", disse Peney.