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7 de junho de 2010

PT EM TRANSIÇÃO

FOLHA DE S. PAULO


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Fernando Rodrigues

BRASÍLIA - Há uma feroz disputa de poder dentro do PT. O elemento vital responsável por amalgamar o partido está de saída. Lula não será candidato neste ano. Em 2011, deve dar uma "sumida", como tem dito aos mais próximos.

Quem vai de fato mandar no PT pós-Lula? Ninguém sabe. Não há um petista com poder comparável ao exercido pelo hoje presidente mais popular da história recente do Brasil. Um imenso vácuo está em processo de formação.

Para mensurar o poder de Lula deve-se recapitular a construção da candidatura de Dilma Rousseff. Ninguém exceto ele teria condições de apontar o dedo para alguém vindo do PDT como o nome mais apropriado para sucedê-lo.

Entre os petistas, o projeto Dilma virou a candidatura da inevitabilidade. Só poderia ser ela. Mais recentemente, todos também passaram a acreditar na vitória da escolhida de Lula. A única dúvida no partido do poder é sobre se a vitória virá no primeiro ou no segundo turno.

Assim, todos estão demarcando território. Ninguém quer arriscar entrar em 2011 em posição frágil ou desfavorável.

Duas correntes claramente sobreviverão dentro do PT. Uma é a do establishment partidário. Seu representante oficial maior é José Eduardo Dutra, presidente nacional da legenda. Mas há também o ubíquo José Dirceu, uma fênix.

A outra facção é a dos herdeiros do lulismo. Nessa categoria puxa a fila o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Ele é Lula na campanha presidencial de Dilma Rousseff. Seu poder só faz crescer.

Por fim, há Dilma. Seu representante na política tem sido o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel -abalroado pelo caso do suposto dossiê anti-PSDB. O episódio foi uma amostra grátis de como será tortuoso o convívio da eventual futura presidente com seu partido e com a herança lulista. Até porque, por enquanto, o dilmismo ainda é apenas um neologismo.

31 de maio de 2010

QUANDO O VICE É ÚTIL

FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE S. PAULO



BRASÍLIA - Começo por onde terminou ontem o mestre Clóvis Rossi, aqui no andar de cima desta página. Com muitas coberturas eleitorais acumuladas, Rossi escreveu sobre a relativa insignificância de candidatos a vice-presidente. Falou a propósito da ansiedade no mundo tucano pela possível entrada do mineiro Aécio Neves na chapa presidencial de José Serra.


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Ontem, o próprio Aécio apareceu em entrevista a Adriana Vasconcelos minimizando a ajuda eventual sendo o candidato a vice de Serra: "Isso poderia aumentar em no máximo 5% as intenções de votos em favor de Serra em Minas".



É possível teorizar ao infinito a respeito do tema. Na vida real, as eleições recentes mostram três eventuais utilidades para um vice:



1) tempo de TV: é quando a sigla do vice dá ao titular mais tempo no horário eleitoral. Em 1994 e 1998, essa simbiose ocorreu com Marco Maciel (DEM, ex-PFL) apoiando Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Neste ano, Michel Temer (PMDB) anabolizará a exposição televisiva de Dilma Rousseff (PT);



2) mudança de imagem: em 2002, o vice de Lula foi o empresário José Alencar, então no PL. O petista ganhou mobilidade no establishment. Circulou com conforto pela elite. Não faltou dinheiro na campanha do PT;



3) mais voto: embora seja raro, um vice popular pode ajudar o desempenho do titular nas urnas.



Houve um exemplo claro em 1989. Waldir Pires era o vice da candidatura presidencial de Ulysses Guimarães (1916-1992), cuja votação final ficou em pífios 4,7%, no 7º lugar. Na Bahia deu-se uma história diferente. Waldir renunciou ao governo baiano. Fiel no posto de vice, garantiu naquele Estado a Ulysses 15,7% e a terceira colocação.



Tudo considerado, Aécio Neves pode não desejar ser vice, mas há exemplos históricos mostrando a possibilidade de fazer a diferença. Não parece ser, no momento, o desejo do ex-governador mineiro.

30 de maio de 2010

ELEITOR DE DILMA V~E SERRA COMO O MAIS EXPERIENTE





FOLHA DE S. PAULO

Maioria do eleitorado da petista acha tucano mais preparado, diz Datafolha

No levantamento com os eleitores, ex-ministra é citada como quem mais vai ajudar as mulheres e os pobres

Fernando Rodrigues

BRASÍLIA - José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estão empatados na disputa pelo Palácio do Planalto, ambos com 37%, mas há uma grande diferença quando se afere sua imagem entre os eleitores.

O tucano é visto como o mais experiente (por 64% dos eleitores), inteligente (42%), realizador (40%) e o mais preparado "para ser presidente, de modo geral" (45%). Os percentuais da petista, nesses mesmos quesitos, são 17%, 23%, 24% e 29%, respectivamente.

Marina Silva (PV) fica num longínquo terceiro lugar, com 5% a apontando como a mais experiente. Nos outros atributos, ela tem, respectivamente, 10%, 7% e 6%.

Os dados são de pesquisa Datafolha de 20 e 21 de maio, com 2.660 eleitores em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Quando se faz um cruzamento entre os dados da pesquisa, descobre-se que 51% dos eleitores que declaram votos em Dilma acham Serra o mais experiente.

Para Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, o desempenho do tucano se deve, em parte, ao fato de ele ser ainda o mais conhecido. Enquanto 34% dizem "conhecê-lo bem", só 15% dizem o mesmo sobre a petista. Para Marina, a taxa é 10%.

O Datafolha pesquisou 24 atributos de imagem relacionados aos candidatos. Em 14 deles, Serra ficou à frente de Dilma. A petista só teve desempenho nitidamente melhor em dois itens: é vista como a que mais ajudará os pobres e as mulheres.

Para 37%, Dilma será a que "mais defenderá os pobres", contra 21% dos que enxergam esse atributo em Serra. Marina Silva tem 18%.

Na outra ponta, Serra lidera com 45% quando a pergunta é sobre "quem defenderá os mais ricos". Cerca de um terço dos próprios eleitores do tucano também compartilham dessa opinião -29% apontam o próprio Serra nesse quesito.

Para 15%, Dilma ajudará os abastados. Só 3% põem Marina nessa categoria.

A petista lidera com 45% como a que "mais defenderá os interesses das mulheres". Nesse item, Serra tem 14%, e Marina fica com 22%.

Dilma é a única entre os três principais candidatos a ter menos votos do eleitorado feminino (33%) do que entre homens (42%).