Mostrando postagens com marcador PESQUISAS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador PESQUISAS. Mostrar todas as postagens

4 de junho de 2010

NOSSA ESQUERDA DIREITISTA




Autor(es): Agencia o Globo/Nelson Motta

O Globo - 04/06/2010

Ainda estou chocado com a pesquisa do Datafolha sobre a ideologia dos brasileiros: 35% dos entrevistados que se disseram petistas, por livre vontade e protegidos pelo anonimato, se declararam de direita. Como? Vamos tentar investigar esta peculiaridade politica brasileira.

Sim, as pessoas sabiam o que estavam falando, tanto que 25% responderam que não sabiam ou não queriam responder. As demais estavam seguras de suas opções e se dividiram entre esquerda, direita e centro, inclusive os petistas.

O lulismo não foi oferecido como opção, mas certamente teria muitos eleitores de todos os partidos, e nós, um peronismo tropical.

Zé Dirceu, que diz que tudo que não é de esquerda, de direita é, tem um dilema: como culpar a direita por tudo sem ofender tantos companheiros? Com alguma fantasia e ironia, é possível imaginar que os entrevistados petistas fossem tão politizados que tenham se posicionado ideologicamente — mas em relação às correntes do partido, umas mais à esquerda e, por consequência, outras mais à direita, como a de Zé Dirceu.

Ou seria uma parte autoritária e impetuosa do PT, que se identifica com os métodos do stalinismo e do fascismo? Se acham de esquerda, mas adotam o comportamento totalitário que atribuem à direita.

São aloprados ideológicos.

Outra interpretação, tola, seria que os entrevistados se disseram de direita porque confundiram com direito, como oposto de errado. Ou a teoria de Tim Maia, politizando a clássica frase “No Brasil, prostituta goza, traficante cheira, cafetão tem ciúmes … e pobre é de direita.” Como dizia Zé Dirceu nos anos 60, “é preciso conscientizar as massas”. Deve ser devastador aceitar que 2/3 dos brasileiros não querem saber da esquerda, por mais nobres e generosas que sejam as suas intenções. O pior é que alguns ainda vivem na ilusão de que todo mundo que se opunha à ditadura era de esquerda.

Mas talvez Leonel Brizola possa explicar.

Na campanha presidencial de 1994, num comício no Paraná, com 4% das intenções de voto e a três dias da eleição, bradou do palanque: “Não acreditem nas pesquisas. O povo está só despistando

31 de maio de 2010

CANDIDATO DE URIBE SURPREENDE NA COLÔMBIA



Autor(es): Agencia O Globo/Mariana Timóteo da Costa

O Globo - 31/05/2010

SURPRESA NAS URNAS NA COLÔMBIA


O candidato do presidente Álvaro Uribe surpreendeu ontem ao conseguir ampla vitória sobre a oposição no primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia. Contrariando as últimas pesquisas, divulgadas uma semana antes com os dois candidatos em empate técnico, o ex-ministro Juan Manuel Santos obteve 46,6% dos votos, contra 21,5% do ex-prefeito de Bogotá Antanas Mockus. Por pouco, Santos não foi eleito presidente ontem. Eles se enfrentarão agora no segundo turno, no dia 20 de junho. Santos, segundo analistas, deve herdar os votos do terceiro colocado, Germán Vargas Lleras, que obteve 10% ontem. No interior do país, combates entre as Farc e o Exército deixaram cinco mortos.

Santos contraria pesquisas e leva o dobro de votos de Mockus, mas não escapa do 2º turno

Contrariando todas as pesquisas de opinião anteriores ao pleito, o candidato governista Juan Manuel Santos venceu com ampla margem de diferença o primeiro turno das eleições presidenciais, realizadas ontem na Colômbia. Santos, que aparecia em todas as consultas empatado tecnicamente com o candidato do Partido Verde, Antanas Mockus, obteve 46,6% dos votos, contra 21,5% de Mockus. Por pouco a votação não leva o candidato do Partido da U ao que, na manhã de domingo, ao votar, ele dizia acreditar: que venceria o pleito ainda no primeiro turno. Como não obteve votação superior aos 50% de votos, necessária para se eleger presidente ontem mesmo, Santos enfrentará Mockus no segundo turno em 20 de junho.

Votos do 3º colocado iriam para Santos

Mas com uma série de vantagens: além dos quase sete milhões de votos que recebeu no primeiro turno - mais do que o dobro de Mockus - Santos deve, de acordo com analistas, herdar quase todos os eleitores do terceiro colocado na disputa, o direitista Germán Vargas Lleras, do Cambio Radical.

Lleras foi outra surpresa desta eleição: obteve mais de 10% dos votos, com propostas de campanha muito semelhantes às de Santos. A noite na sede do Partido da U foi de festa.

Cerca de 500 partidários de Mockus também se reuniram na sede do Partido Verde. Apesar de decepcionados, comemoram a possibilidade de seu candidato fazer mais três semanas de campanha.

- Foi a eleição mais pacífica dos últimos 30 anos na Colômbia - elogiou Adelina Cobo, presidente do Conselho Nacional Eleitoral, em referência à ausência de denúncias expressivas de fraude, bem como maiores episódios de violência.

Oitenta e cinco observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) também fiscalizaram as eleições, além de centenas de outros enviados por outros países, a maioria da União Europeia (UE). Mais uma surpresa: o comparecimento dos colombianos às urnas. Se antes o prognóstico era que até 65% dos 30 milhões de eleitores votariam devido à forte mobilização que as campanhas obtiveram nas ruas, apenas a metade votou. O voto na Colômbia é facultativo, e a abstenção em eleições costuma ser alta, o que continuou.

Ao votar por volta das 10h (meio-dia em Brasília) numa escola de um bairro nobre de Bogotá, Santos se disse confiante de que ganharia a eleição e, "espero que no primeiro turno". Rodeado por partidários, o candidato pediu que as pessoas votassem "contra o terrorismo, o pessimismo e a insegurança". Ainda prometeu dar continuidade às políticas contra a violência do presidente Álvaro Uribe, melhorar a economia e recuperar a "boa relação" com os vizinhos Venezuela e Equador.

- Ele é muito bem preparado e o único que tem conhecimento para liderar a Colômbia. Além disso, promete fazer um governo de conciliação e sem corrupção - elogiou Elvira de Schrader, de 64 anos, que foi ver de perto Santos votar.

Antanas Mockus votou pouco depois das 8h no horário local, na Cidade Universitária de Bogotá. Ele se disse confiante, e elogiou a democracia colombiana, que estava "pela primeira vez não votando contra, e sim a favor". Diversos analistas culparam a votação menos expressiva de Mockus ao fato de seu desempenho ter sido fraco nos debates realizados nas TVs na semana que antecedeu à eleição.

- Santos ganhou de Mockus em todos os últimos debates - lembrou a cientista política Laura Gil.

Pesquisas não refletiram debates

Pela lei eleitoral colombiana, a divulgação das pesquisas de opinião estava proibida desde o domingo anterior; então, as pesquisas não refletiram o desempenho dos debates. Mockus foi criticado ao longo da semana por não ter explicitado devidamente suas propostas de governo, e ainda por propor medidas impopulares para estimular a economia, como aumentar os impostos.

O esquerdista Gustavo Petro, do Polo Democrático Alternativo, superou a conservadora Noemí Sanín, e ficou com o quatro lugar. Sanín aparecia como a terceira colocada nas pesquisas, à frente de Pardo e Vargas Lleras. Sua campanha e a de Rafael Pardo, do Partido Liberal, o sexto colocado, foram consideradas os maiores fracassos desta eleição, já que seus dois partidos formam, respectivamente, a segunda e a terceira maior bancada do Congresso.


30 de maio de 2010

A IMPRENSA, A TORCIDA DESCARADA EM FAVOR DE DILMA E OS FATOS




VEJA

REINALDO AZEVEDO

domingo, 30 de maio de 2010


Se os petistas tivessem a certeza que têm os “analistas” e os 180 mil colunistas da imprensa brasileira de que a petista Dilma Rousseff vencerá a eleição, o PT poderia ficar parado, esperando cumprir-se a predição, que, em seus momentos mais patéticos, aspira até a certa matemática. Especialistas de si mesmos pontificam isso e aquilo com base na experiência acumulada que têm em… escrever os próprios textos!!!

Eu não sei quem vai ganhar; “eles” sabem porque têm um receio danado de contrariar a categoria… O que sei é que, há quatro anos, nesta fase, o então candidato tucano, Geraldo Alckmin, estava mais de 20 pontos atrás do candidato petista — era Lula, não Dilma. Computadas as urnas, a diferença foi inferior a sete pontos no primeiro turno. Entre maio e outubro, havia muita coisa no meio do caminho. Que as circunstâncias indiquem que Dilma é favorita, isso é óbvio. E faz tempo — o que já se apontou aqui. Daí a direcionar o noticiário COMO SE FOSSE FALTA DE OBJETIVIDADE CONSIDERAR O RESULTADO INDEFINIDO, VAI UMA GRANDE DIFERENÇA.

Explico melhor se a muitos não ficou claro. Como se tem aquela certeza no horizonte, procura-se contar a história presente a partir do fim. A única pauta que parece legítima do reportariado é apontar “princípio” de crise na candidatura tucana: “crise da queda nas pesquisas”; “crise do vice”; “crise no relacionamento com o DEM”; “crise da recusa de Aécio”, “crise do sei-lá-o-quê”… Afinal, o exército de colunistas precisa fazer o presente convergir com aquilo que é uma convicção sobre o futuro. Notem: uma coisa é ler números, tendências, apontar perspectivas. Outra, diferente, é rechear esse raciocínio prospectivo com supostas ocorrências. Uma segunda manifestação negativa desse comportamento está em simplesmente IGNORAR OS FATOS. Exemplifico.

Na semana passada, Serra e Dilma participaram de um seminário sobre saúde. Tenho relatos do evento — acreditem: de serristas e anti-serristas — afirmando que ele teve um desempenho excelente, e ela, nem tanto. E o que registrou a chamada “grande imprensa”? Os dois fizeram propostas parecidas! Mas é inegável que aquela pauta era de Serra, não de Dilma. A candidata petista “colou” o seu discurso ao do adversário. E isso não se apontou porque, bem…, porque poderia ser considerado “serrismo”. Para ser justo: houve um texto na VEJA.com a respeito.

Setores importantes da grande imprensa são hoje reféns da patrulha petista. Os patrulheiros pagos pelo partido têm lá do que se orgulhar: conseguem intimidar parte do jornalismo. E há, evidentemente, a infiltração partidária nas redações, velha conhecida.

O caso da Bolívia, então, chega a ser escandaloso. Tudo virou uma espécie de Fla X Flu. Serra acusou o governo boliviano de conivência com o tráfico. O governo da Bolívia protestou, claro!, e também o fez o governo brasileiro, como se lhe coubesse participar do embate. Serra nem o incluiu na acusação —  o que pode e deve fazer porque, com efeito, o Brasil é um dos patrocinadores do governo Evo. O BNDES financia a estrada da coca. Leiam reportagem na VEJA desta semana sobre o brutal crescimento da produção de cocaína na Bolívia — quase a totalidade destinada ao Brasil. Segundo editorial da Folha, publicado no sábado, a crítica de Serra está na categoria “do subentendido infeliz e do ataque velado”. O que há de “subentendido” ou “velado” na fala do candidato tucano? Daria para ser mais direto do que ele foi? Esse editorial, aliás, vai me render outro post, abaixo.

Se esses setores da imprensa brasileira estão com preguiça de investigar, poderiam dar uma espiada na imprensa boliviana, facilmente encontrável na Internet, para saber como são as coisas. Nada! Não se fez nada! Ou se fez: na sexta-feira, Folha Online e Estado Online abriram suas páginas para o ataque dos petistas e do governo da Bolívia ao tucano: AFINAL, O JORNALISMO, HOJE EM DIA, VIROU ESTE TROÇO EM QUE UM FALA, O OUTRO RESPONDE. E PRONTO! E a verdade? Bem, a verdade que se dane! Tudo é disputa. E, como essa gente acha que Dilma vai ganhar, então as notícias sobre Serra são sempre filtradas por essa antevisão. Uma reportagem evidenciando que sua fala está certa seria… serrismo!!!

Um leitor que ignorasse tudo sobre o Brasil e lesse a imprensa brasileira, especialmente a de São Paulo, certamente indagaria: mas como é que este tal Serra tem entre 35% e 38% do eleitorado há tanto tempo se ele é como pintam os atuais 3 milhões de colunistas da imprensa brasileira (eles já se multiplicaram entre o primeiro parágrafo e este…)? Vai saber, não é? Vai ver o povo é sábio quando escolhe o candidato deles e deve ser imbecil quando escolhe algum outro. Eu, como vocês sabem, não acho o povo nem sábio nem imbecil. Eu nem mesmo reconheço essa categoria… Se existisse, ele seria apenas culpado… Mas isso fica para outra hora.

Encerro observando que estou entre aqueles que defendem que os veículos de comunicação têm todo o direito de ter candidatos. Não podem é mentir. No meu mundo, eles deixariam claras as suas preferências. Esse esforço para pairar acima das escolhas, num lugar político e retórico que considero inexistente, abre caminho para o “entrismo” disfarçado de objetividade analítica e independência.

Tendo a acreditar que o leitor contemporâneo cobra mais transparência de quem escreve. Gosta de saber quais são as afinidades eletivas do “analista”. Por mais que isto soe herético a muita gente, o jornalismo impresso diário, que se abriu para as mudanças da Internet, ainda não faz um bom uso deste valor fundamental: transparência. Ninguém mais acredita no jornalista como um juiz. E faz muito bem. A razão é simples: jornalista não é juiz.

18 de abril de 2010

PESQUISAS ELEITORAIS: DATA FOLHA E SENSUS

Caso alguém tenha ainda alguma dúvida a respeito da lisura da pesquisa Sensus, basta comparar os números do Datafolha e do Sensus na região sul:

DATAFOLHA: Serra 48% x Dilma 26%;
SENSUS: Serra 33% x Dilma 40%.

O Sensus desviou 15% do Serra e deu para Dilma. Num pais minimamente decente, com uma justiça eleitoral atuante, isso dava cadeia. Mas aqui é o Brasil do PT. Como já foi observado, nem com Lula o PT apareceu na frente em pesquisas na Região Sul. As pesquisas com resultado comprado (Vox Populi e Sensus) servem apenas para manter a ânimo da militância na esgotosfera. Nosso termômetro é o Arley.