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11 de junho de 2010

ELAS, ELES E NÓS



Nelson Motta

O Estado de S. Paulo - 11/06/2010



Duas mulheres candidatas à Presidência da Republica é uma boa novidade em um país machista como o nosso. Mas logo vem o Zé Dirceu, sempre sutil, citando Lula: "O Brasil só derrotará o machismo quando eleger uma mulher presidente."
É mesmo? Michele Bachelet no Chile, Margaret Thatcher na Inglaterra, Angela Merkel na Alemanha, Cristina Kirchner e Isabelita Perón, na Argentina, derrotaram o machismo?
Quando chegam ao poder, as melhores e as piores só têm em comum a anatomia feminina. Algumas dão tantos motivos aos machistas que muitas vezes acabam rejeitadas pelo eleitorado feminino, que prefere votar em homens.
Umas são grandes estadistas, prestam relevantes serviços a seus povos, mas outras os conduzem ao desastre, como os piores homens. Não há um jeito feminino de governar, só há bom ou mau governo.
Nos anos 80, na alvorada da redemocratização, com a eleição de Maria Luiza Fontenelle como prefeita de Fortaleza e a de Luiza Erundina, de São Paulo, o machismo foi derrotado?
A administração de Erundina foi medíocre e a de Maria Luiza, um desastre. Mas elas não culpavam o machismo por todos os seus problemas, como hoje faz o feminismo de resultados. Marta Suplicy venceu o machismo em 2000? Ou foi derrotada por ele em 2008?
Dirceu diz que a mídia machista dá muita atenção aos cabelos, maquiagem e figurinos de Dilma para tentar diminuí-la. Como se ela não tivesse mudado de visual várias vezes, em busca da aparência que a campanha considere ideal.
Normal, Lula aparou a barba e trocou os dentes e os ternos. Já o look de Marina Silva, que não usa maquiagem, e tem sempre a mesma cara, não atrai tanta atenção.
Em eficiência no poder, ninguém mais duvida da competência das mulheres. E mesmo em corrupção na política, no geral, elas parecem mais honestas, ou menos corruptas, do que os homens. Os mais cínicos acham que elas só roubam menos porque estão chegando agora ao poder e querem mostrar serviço.
Eleger um ex-operário sem estudo é uma derrota do preconceito muito maior do que a eleição de uma mulher educada de classe média. Mas se fosse uma cabocla seringueira que virou senadora ?

5 de junho de 2010

O CRAQUE DE 2010......


VEJA
Saturday, June 05, 2010

Diego Escosteguy

.......pode não estar na Copa. Lula alavancou a candidatura de Dilma Rousseff à liderança. Se ele continuar jogando assim, elegerá sua sucessora – isso se não aparecer uma zebra até lá


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende se consagrar como o maior craque da história do Brasil. A promessa de Garanhuns estreou bem nos rachões do sindicalismo, brilhou no primeiro time do Partido dos Trabalhadores e foi vice três vezes – até que, em 2002, jogando no melhor estilo paz e amor, conseguiu mostrar a qualidade do seu futebol e se tornar presidente da República. De lá para cá, sua carreira vem subindo velozmente ao Olimpo onde pairam os mitos brasileiros. Apesar de ter sofrido uma breve má fase há cinco anos, quando flagraram metade do seu time no antidoping do mensalão, ele encontrou perseverança para ser bicampeão em 2006. Nos últimos tempos, embalado pelo relativo sucesso de programas sociais do governo e pelo bom momento da economia, Lula atingiu seu ápice: 80% dos brasileiros aprovam seu futebol. É no auge da era Lula, portanto, que se aproxima a copa da política brasileira: a eleição presidencial. Nela, como não pode concorrer, o presidente deveria atuar apenas como técnico da novata Dilma. Lula, porém, não tem nada de Dunga – e entrou em campo com tudo, dando diariamente chapéus na Justiça Eleitoral, carrinhos nos adversários e preciosos passes para a sua camisa 9.



Até o momento, o presidente, vá lá que sem muito fair play, está levando o time nas costas. Desde o fim do ano passado, quando Lula passou a jogar com afinco, Dilma vem crescendo lentamente nas pesquisas. A tal ponto que, nas últimas semanas, as sondagens mais confiáveis, como a do instituto Datafolha, indicaram um empate entre ela e o candidato tucano, José Serra. Ambos aparecem com 37% das intenções de voto – em dezembro, a petista aparecia com 26%, e o peessedebista flanava com 40%. Não há dúvida de que o crescimento da candidata petista se deve ao presidente, nem dúvida há de que ele será o dínamo político da campanha. A população gosta do presidente e está satisfeita com suas próprias condições de vida. Até março do ano passado, Dilma, apesar de ocupar o poderoso cargo de chefe da Casa Civil, era conhecida superficialmente por somente 53% dos brasileiros. À medida que foi sendo apresentada por Lula ao eleitorado, seja em discursos televisivos, seja em desavergonhados eventos eleitorais país afora, Dilma cresceu e apareceu, conquistando votos na mesma proporção em que se tornou conhecida. No jargão dos marqueteiros, isso se chama transferência de votos. Na linguagem do futebol, resume-se ao talento de Dilma para se posicionar na banheira e receber os passes de Lula. Somente no decorrer da campanha, contudo, será possível descobrir se a camisa 9 do PT sabe fazer gols, transformando intenções em votos.



É do resultado dessa incógnita que sairá o próximo presidente. As pesquisas e a sabedoria política sugerem o seguinte: se Dilma conseguir convencer os eleitores de que merece ser a sucessora de Lula (como tem conseguido até agora), ganhará a eleição; se falhar, a vitória provavelmente caberá a Serra. Aqui, porém, como bem sabe o presidente, vale o mais infame dos clichês futebolísticos: toda eleição é uma caixinha de surpresas. Para evitar um maracanazzopetista, Dilma segue com disciplina as orientações do professor – quer dizer, do presidente Lula e dos marqueteiros de sua campanha (veja o quadro). A estratégia petista depende do sucesso de três táticas: Lula convencer o eleitorado de que a vitória de Serra significaria um retrocesso para o país, Lula fazer muita campanha para Dilma e, finalmente, Dilma mostrar-se autêntica e confiável para os simpatizantes do lulismo. O último item é puramente subjetivo. Subordina-se aos múltiplos aspectos da personalidade da petista, ao modo como a índole dela se comunica com o eleitorado. Da busca dessa furtiva e intangível qualidade decorre, em larga medida, o trabalho dos marqueteiros.



"Não basta o Lula dizer que a Dilma é candidata dele. O eleitor tem de ouvir isso da Dilma, e sentir que confia nela", afirma o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília. Ou seja: o eleitor não elege postes. Na Colômbia, o presidente Álvaro Uribe deve fazer seu sucessor, o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos. No Chile, entretanto, a presidente Michelle Bachelet, apesar de apresentar 80% de aprovação, não conseguiu que seu candidato lhe sucedesse – nesse caso, o candidato não era desconhecido como Dilma. A diferença entre os dois exemplos indica como o fenômeno da transferência não tem nada de cartesiano. O desafio de Dilma é paradoxal. Ela precisa ser conhecida como sucessora natural do presidente – mas deve fazer isso sem exageros, de modo a não esmaecer na sombra de Lula.



As recentes boas notícias para Dilma não espantam as preocupações dos coordenadores da campanha petista. Os principais temores deles concentram-se na possibilidade de ataques pessoais à candidata. O maior dos medos decorre da militância de Dilma durante a ditadura militar. Os petistas temem que a recorrente insinuação – sem fundamento, frise-se – de que a candidata pegou em armas possa causar danos desastrosos a ela. A preocupação resultou numa defesa preventiva, que foi ao ar no último programa televisivo do PT: a despropositada comparação de Dilma com o líder sul-africano Nelson Mandela, que ficou 27 anos preso por se opor ao regime segregacionista.

Nunca é demasiado o cuidado com esse tipo de pancada. As tão impalpáveis virtudes que os marqueteiros procuram ressaltar em Dilma podem dissolver-se com um ataque certeiro. Nas mais recentes eleições brasileiras, sobram exemplos de políticos destruídos por um deslize verbal ou um erro pregresso. Em 2002, dois candidatos ficaram pelo caminho. Roseana Sarney era favorita até a Polícia Federal descobrir um inexplicável montinho de dinheiro vivo nos escritórios da família. No auge da campanha, quando estava próximo de Lula nas pesquisas, Ciro Gomes chamou um eleitor de burro. Até mesmo a reeleição de Lula em 2006, que se mostrava tranquila, entrou em risco quando aloprados petistas em busca de dossiês foram presos com um inexplicável montão de dinheiro.


Dessa tormentosa saga de trapalhadas e baixarias que costumam acometer as campanhas no Brasil, extrai-se a lição da cautela. Como qualquer processo político, uma eleição se desloca como uma nuvem, na qual é difícil prever tempo ruim. Foram trovoadas desse tipo, aliás, que tiraram Dilma do banco de reservas – sucessores naturais de Lula, como José Dirceu e Antonio Palocci, queimaram-se em escândalos. O bom momento de Dilma se deve também à dificuldade de Serra e de Marina Silva, a candidata do Partido Verde, em encontrar um discurso que concilie a continuidade desejada pelo eleitorado com propostas que o seduzam. Ainda faltam quatro meses para as eleições. Lula, o Pelé da política, sabe que o jogo só acaba quando termina.

ELEIÇÕES

Fora do bunker

A campanha de Dilma Rousseff está de saída da casa do Lago Sul onde os neoaloprados preparavam dossiês para atingir José Serra. A coordenação da campanha garante que a decisão
de deixar o escritório montado por Luiz Lanzetta já vinha sendo pensada antes da erupção do escândalo. Mas só agora a mudança foi efetivamente sacramentada.


In Radar
Veja
Dida Sampaio/AE

4 de junho de 2010

PIRÂMIDE DE MENTIRAS, REDES DE VERDADE




Eduardo Graeff, 02/05/10

EAGORA
No ônibus que uma amiga de um amigo meu pegou faz uns dias em Natal, um homem ia de passageira em passageira espalhando: “Se José Serra for presidente, vai acabar com os direitos trabalhistas das empregadas domésticas”.

Meu amigo foi assuntar e ouviu relatos parecidos de outras pessoas.

Tática suja típica de eleição municipal, que o PT introduziu nas eleições nacionais.

Em 2006, nos dias sem programa eleitoral no rádio e TV entre o primeiro e o segundo turno, espalharam assim a mentira da privatização e outras.

O veículo principal para isso são os soldados do PT, sindicatos e ONGs aparelhadas. A Internet - via e-mail, basicamente - serve para baixar a ordem unida. Puro comando e controle - nada a ver com a espontaneidade, interatividade e publicidade das redes sociais.

Em 2006 o adversário não reagiu, nem ao menos sabia que estava sendo atacado. Assim é fácil.

Em 2010 eles vêm com as mesmas mentiras velhas e outras novas.

- Serra não gosta de nordestinos.

- Vai acabar com o Bolsa Família.

- É contra a Zona Franca de Manaus.

- Vai suspender concursos públicos.

- Vai arrochar salários dos funcionários.

- Vai tirar direitos desta ou daquela categoria.

- Vai privatizar o Banco do Brasil, a Petrobras, o Pão de Açúcar e o lado brasileiro das Cataratas do Iguaçu…

O que pode fazer diferença é que desta vez estamos mais atentos e temos chance de nos preparar.

Outra diferença é que Dilma Rousseff mente mal. Se a fama de mentirosa colar nela, como está colando, pode desacreditar toda a operação.

Por isso eles se incomodaram com o www.gentequemente.org.br.

Por isso nós precisamos ficar cada vez mais atentos e ativos para detectar e desmentir as mentiras deles.

Bote a boca no trombone - digo, na Internet - toda vez que ouvir uma mentira, velha ou nova.

Lembre-se: é a repetição que faz a mentira colar. Temos que repetir a verdade do nosso lado.

E o mais importante: não fique só na Internet.

Fale com as pessoas em volta. Não precisa ser um soldado feito aquele do ônibus em Natal. No seu tempo disponível como voluntário, com gentileza, sem irritação, dê o seu recado ao parente, amigo, colega, vizinho, companheiro de viagem.

O PT traz para as novas mídias o velho esquema do comando e controle: da cúpula para as bases.

Nós temos chance de usar as novas mídias do jeito certo: da rede para a rua.

Vamos nessa. Vamos ganhar.

PEGA MAL



Augusto Nunes publica sempre um Box denominado Feira Livre em seu blog. Durante uma semana publicou textos de Ferreira Gullar . Merece transcrição a matéria seguinte, publicada em 01 de junho de 2010

O grande Ferreira Gullar acaba de conquistar o Prêmio Camões o mais importante no universo da literatura portuguesa. Para sublinhar a homenagem ao poeta maior e ao cronista admirável, a seção Feira Livre instituiu a Semana Ferreira Gullar: de hoje a sábado, serão publicados textos que reafirmam o enorme talento e a honestidade intelectual do premiado. O escolhido para abrir a semana foi o artigo em que Ferreira Gullar viaja pelos labirintos mentais de Dilma Rousseff. Saboreie.

Ferreira Gullar


Como pode uma senhora de mais de 60 anos – que em breve será avó – dizer mentiras? E em público, para a nação inteira, sabendo que as pessoas honestas e informadas do país saberão que ela está dizendo mentiras e, ainda assim, o faz em altos brados, para que todos ouçam! Pergunto, sem maldade: pode alguém confiar numa senhora que mente?



E ela mesma, esta senhora que mente, terminado o ato público, a solenidade ou o comício, ao voltar para casa e deitar a cabeça no travesseiro, que dirá a si mesma?



Imaginemos a cena: ela sozinha no quarto, troca de roupas, deita-se na cama e apaga a luz. Foi um dia agitado, passou a noite a ouvir discursos no congresso de seu partido, à espera do momento em que faria seu próprio discurso, por todos esperado. Dali a alguns momentos, ela seria aclamada candidata à Presidência da República e, então, faria seu pronunciamento à nação.



E, nesse pronunciamento, iria mentir, iria afirmar coisas que sabia não serem verdadeiras, com o propósito de desacreditar os adversários políticos e futuramente derrotá-los nas urnas. E então mentiu, mentiu diante de seus companheiros de partido, que sabiam que ela mentia; mentiu perante o presidente da República, o inventor de sua candidatura, que ali estava a exaltar-lhe os méritos e sabia que ela mentia. E, agora, sozinha, no silêncio do quarto, que diria a si mesma?



Não pode dizer a si mesma que não mentira. Isso o mentiroso poderá dizer a alguém que o acuse de ter mentido: finge estar ofendido, faz-se de indignado e chega até a insultar quem o acusou de mentir. É parte do papel do mentiroso. Mas consigo mesmo, não consegue fazê-lo. Enganar os outros é possível, ou pelo menos ele acredita que consegue, mas enganar a si mesmo é bem mais difícil, se não impossível.



Como convencer-se de que o que disse naquele discurso era verdade, se sabe que não era? Com a cabeça no travesseiro, sozinha consigo mesma, será que lhe vem à mente a confissão dolorosa?



Será que, contra sua vontade, uma voz interior, que só ela ouve, lhe dirá: “Como teve a coragem de dizer esta noite, para o país inteiro ouvir, tantas inverdades? Acha certo enganar as pessoas? E pior ainda, enganá-las ao mesmo tempo em que se propõe governar o país?”.



Não posso garantir que isso tenha ocorrido, pois há casos de pessoas mentirosas que terminam acreditando nas próprias mentiras. Se bem que esses que acreditam no que inventam são outro tipo de mentirosos, que necessitam, sobretudo, enganar-se a si mesmos, mais do que enganar os outros.



Esse gênero de mentira é diferente da mentira política, quando o cara afirma coisas que não aconteceram, que todas as pessoas informadas sabem que não aconteceram e, mais que todos, o próprio mentiroso o sabe e sabe que todos o sabem.



Pelo que li nos jornais e vi na TV, no 4º Congresso do Partido dos Trabalhadores, o que não faltou foi mentira. Creio que a ministra Dilma Rousseff é essencialmente honesta, tanto que sempre que afirma certas coisas, percebe-se hesitação em sua voz. Não se sente à vontade, como Lula, que, ali mesmo, afirmou ter sido o mensalão uma conspiração contra seu governo. Uma conspiração da qual deve ter participado o procurador-geral da República, uma vez que, em sua denúncia, falou de “uma quadrilha”, chefiada pelo chefe da Casa Civil do Lula.



No segundo turno das eleições de 2006, o PT inventou que Geraldo Alckmin, se eleito, privatizaria a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Isso nunca havia sido dito nem cogitado pelo PSDB, nem por seu candidato nem por ninguém. Uma pura e simples calúnia, com o objetivo de minar a candidatura adversária.



O primeiro a dizer isso foi Lula, num debate na televisão. Alckmin o desmentiu, no mesmo instante. Lula se calou, mas, já no dia seguinte, a propaganda do PT insistia na mentira, que enganou muita gente e garantiu a vitória de Lula. Agora, mal começa a campanha, Dilma retoma a afirmação mentirosa, deixando claro qual será o nível em que o PT pretende conduzir a disputa.



Na verdade, durante o governo FHC, foram feitas várias privatizações, com resultado altamente positivo para o país, a começar pela telefônica, cuja privatização tornou o celular um bem comum a qualquer brasileiro; a CSN, privatizada, passou a dar lucro em vez de prejuízo aos cofres públicos; e a Vale do Rio Doce se tornou uma das maiores empresas do mundo.


Dilma cala sobre essas privatizações que deram certo e mente sobre as “privatizações” que nunca ninguém pensou fazer. Para uma senhora já de certa idade, ainda que petista, pega mal.

1 de junho de 2010

OLIVER STONE SE REÚNE COM DILMA EM BRASÍLIA


 

Stone chegou ontem à noite ao Brasil para divulgar seu novo filme "Ao Sul da Fronteira",
O cineasta norte-americano Oliver Stone se reuniu, hoje de manhã, no Lago Sul em Brasília com a candidata petista Dilma Rousseff. O encontro foi na mansão cinematográfica que é a sede de seu comitê eleitoral da ex-ministra. O encontro, segundo informou sua assessoria, foi informal.
Stone está no Brasil para promover seu filme "Ao Sul da Fronteira", um documentário que retrata figuras da esquerda da América Latina, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o venezuelano Hugo Chávez.
O documentário exibe declarações de vários líderes esquerdistas latino-americanos, e serve para promover a figura de Chávez. Lula aparece numa ponta da película, juntamente com outros tipos curiosos que comandam países alinhados à esquerda na América Latina. São eles, o presidente equatoriano, Rafael Correa; o cubano, Raúl Castro; o boliviano, Evo Morales; a argentina, Cristina Kirchner.
O cineasta passou duas horas retido na noite de ontem no aeroporto de São Paulo porque não tinha visto para entrar no país, mas graças a interferência direta do chanceler Celso Amorim, o ministro da Justiça mandou a Polícia Federal permitir a entrada do cineasta e de sua equipe no país, mesmo sem o visto de entrada. Atendendo a recomendação, ou seja, ordens de Brasília, a Polícia Federal lhe deu uma permissão para permanecer no país até sete dias.
O longa teve uma modesta performance nos EUA, a expectativa é basicamente a mesma para o mercado brasileiro, o que será compensado com a exibição da película em rede patrocinada pela rede pública.

DILMA FALA EM ESTENDER 3ª IDADE





Autor(es): Agencia o Globo/Leila Suwwan

O Globo - 01/06/2010



Petista sinaliza que poderá, se eleita, aumentar tempo de contribuição

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, tocou ontem em um assunto considerado tabu durante as eleições: a reforma da Previdência. Ela defendeu “estender a terceira idade um pouco mais para lá”, sinalizando que, se eleita, poderá estender o tempo de contribuição à Previdência.

Mas, depois, disse que se tratava apenas uma piada com seus próprios 62 anos.

A petista participou ontem de seminário da revista “Exame”, em São Paulo. Ao falar sobre a importância de apostar na qualificação da população economicamente ativa do país, ela disse que investirá na qualidade da educação, uma forma de apostar no “bônus demográfico” brasileiro: — O tal do bônus demográfico nada mais é que isso: a população em idade ativa, em idade de trabalhar, é maior que sua população dependente, os jovens, crianças e velho, né? Mais da terceira idade, que a terceira idade tá ficando difícil, né. A gente vai ter que estendêla um pouco mais para lá.

Questionada sobre o que quis dizer e se pretendia fazer mudanças na idade de aposentadoria, Dilma disse que não fez referência à Reforma da Previdência, mas reconheceu que “sempre será necessário tomar providências sobre a questão etária do país”.

— É a minha (terceira idade).

Fiz uma brincadeira comigo mesma. Acho que vai sempre ter que olhar a questão etária do país e tomar providências, claro. Mas eu não tratei desse assunto. Eu fiz uma brincadeira, porque não tenho vergonha de dizer, são muito bem vividos, que tenho 62 anos.

Especialistas avaliam que mudanças serão inevitáveis para manter o sistema previdenciário.

Hoje, o veto ao reajuste de 7,7% nas aposentadorias, aprovado pelo Congresso, causa dor de cabeça ao presidente, pelo ônus eleitoral.

No almoço, a petista sentou à mesa com um grupo de empresários, entre eles Eike Batista, da EBX, Marcelo Odebrecht, da Odebrecht, Jean Carlo Civita, do grupo Abril, Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, e Kees Kruythoff, presidente da Unilever do Brasil, além do economista Nouriel Roubini, da Universidade de Nova York.

Dilma exaltou a ampliação da oferta de crédito no governo Lula.

Disse que o valor é de cerca de 45% do PIB, mas prometeu ampliá-lo até 2014, se eleita.

Com a ausência de Marina Silva, coube a Dilma destacar o discurso verde. Lembrou que as reservas de petróleo da camada pré-sal são “o passaporte para o futuro” e defendeu uma matriz energética renovável.

— A matriz energética é 50% renovável e nos faz uma potência renovável. É um diferencial competitivo imenso para o país.

(...) Podemos ter fontes alternativas, incluídas na nossa matriz sem maiores problemas

TESOUREIRO DA CAMPANHA DE DILMA SOB EXAME




Tesoureiro da campanha de Dilma sob exame

Autor(es): Agencia o Globo

O Globo - 01/06/2010

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou que a situação do futuro tesoureiro de sua campanha, o ex-prefeito de Diadema (SP), José de Filippi Júnior, está sendo analisada pela coordenação de campanha. O petista foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a devolver cerca de R$2 milhões aos cofres do município, devido à contratação, sem licitação, do escritório de advocacia de Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado do PT, entre 1983 e 1996.

Filippi recorreu da decisão em 2002, mas perdeu. Um novo recurso já foi apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

- A coordenação da campanha está fazendo essa avaliação. E esperando ele voltar. Ele está em Harvard, fazendo um curso. Então, estão esperando ele voltar para fazer uma avaliação com ele sobre esse assunto - disse Dilma.

Na realidade, Filippi retornou ontem ao Brasil. Além da função de tesoureiro, ele deve disputar um cargo como deputado federal. A previsão é que atue no núcleo de coordenação da campanha de Dilma, ao lado do deputado Antonio Palocci e do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.

OPOSIÇÃO QUER QUE PLANALTO DEVOLVA 3 MILHÕES DE VIGANS COM DILMA





Autor(es): Agencia o Globo/Maria Lima
O Globo - 01/06/2010




Partidos acionarão MP e TSE por ressarcimento de verba


O PPS e os demais partidos que apoiam o tucano José Serra devem acionar o Ministério Público Eleitoral e o Tribunal Superior Eleitoral para pedir a devolução, aos cofres públicos, de R$ 3.052.870,94 que o Planalto informou ter gastado com 26 viagens da ex-ministra Dilma Rousseff país afora. A oposição afirma que, embora fossem eventos oficiais de governo, as viagens foram usadas para promover a presidenciável petista.

Entre essas viagens está a caravana liderada pelo presidente Lula para levar Dilma a vistoriar as obras de transposição do Rio São Francisco, ano passado. Os gastos foram reconhecidos em documento da Casa Civil, assinado pela ministra Erenice Guerra, em resposta a requerimento de informações do deputado Raul Jungmann (PPS-PE).

As viagens que constam do levantamento da Casa Civil repassado ao deputado ocorreram entre 1ode setembro de 2009 e 19 de fevereiro de 2010, quando Dilma ainda era ministra.

Segundo o PPS, os gastos podem ultrapassar os R$ 3 milhões declarados, já que a Casa Civil revelou apenas os gastos com alimentação, diárias, hospedagens, serviços de telecomunicações, de apoio logístico e de locomoção de veículos terrestres. Não foram contabilizadas despesas com combustível das aeronaves, locação de veículos aéreos e custo estimado por convidado de cada evento.

A Casa Civil argumenta que essas informações são de responsabilidade de outros órgãos, como o Comando da Aeronáutica e o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência.

Para Jungmann, fica evidente que as multas aplicadas pelo TSE não fazem justiça ao que teria sido utilizado irregularmente para promover a ministra como candidata.

— Esse documento de Erenice Guerra é a prova cabal da utilização da Presidência da República e da Casa Civil para a promoção indevida e ilegal, com dinheiro público, da candidataministra Dilma Rousseff. E esses R$ 3 milhões na verdade não são nem 10% do custo total dos gastos feitos — disse Jungmann.

30 de maio de 2010

A IMPRENSA, A TORCIDA DESCARADA EM FAVOR DE DILMA E OS FATOS




VEJA

REINALDO AZEVEDO

domingo, 30 de maio de 2010


Se os petistas tivessem a certeza que têm os “analistas” e os 180 mil colunistas da imprensa brasileira de que a petista Dilma Rousseff vencerá a eleição, o PT poderia ficar parado, esperando cumprir-se a predição, que, em seus momentos mais patéticos, aspira até a certa matemática. Especialistas de si mesmos pontificam isso e aquilo com base na experiência acumulada que têm em… escrever os próprios textos!!!

Eu não sei quem vai ganhar; “eles” sabem porque têm um receio danado de contrariar a categoria… O que sei é que, há quatro anos, nesta fase, o então candidato tucano, Geraldo Alckmin, estava mais de 20 pontos atrás do candidato petista — era Lula, não Dilma. Computadas as urnas, a diferença foi inferior a sete pontos no primeiro turno. Entre maio e outubro, havia muita coisa no meio do caminho. Que as circunstâncias indiquem que Dilma é favorita, isso é óbvio. E faz tempo — o que já se apontou aqui. Daí a direcionar o noticiário COMO SE FOSSE FALTA DE OBJETIVIDADE CONSIDERAR O RESULTADO INDEFINIDO, VAI UMA GRANDE DIFERENÇA.

Explico melhor se a muitos não ficou claro. Como se tem aquela certeza no horizonte, procura-se contar a história presente a partir do fim. A única pauta que parece legítima do reportariado é apontar “princípio” de crise na candidatura tucana: “crise da queda nas pesquisas”; “crise do vice”; “crise no relacionamento com o DEM”; “crise da recusa de Aécio”, “crise do sei-lá-o-quê”… Afinal, o exército de colunistas precisa fazer o presente convergir com aquilo que é uma convicção sobre o futuro. Notem: uma coisa é ler números, tendências, apontar perspectivas. Outra, diferente, é rechear esse raciocínio prospectivo com supostas ocorrências. Uma segunda manifestação negativa desse comportamento está em simplesmente IGNORAR OS FATOS. Exemplifico.

Na semana passada, Serra e Dilma participaram de um seminário sobre saúde. Tenho relatos do evento — acreditem: de serristas e anti-serristas — afirmando que ele teve um desempenho excelente, e ela, nem tanto. E o que registrou a chamada “grande imprensa”? Os dois fizeram propostas parecidas! Mas é inegável que aquela pauta era de Serra, não de Dilma. A candidata petista “colou” o seu discurso ao do adversário. E isso não se apontou porque, bem…, porque poderia ser considerado “serrismo”. Para ser justo: houve um texto na VEJA.com a respeito.

Setores importantes da grande imprensa são hoje reféns da patrulha petista. Os patrulheiros pagos pelo partido têm lá do que se orgulhar: conseguem intimidar parte do jornalismo. E há, evidentemente, a infiltração partidária nas redações, velha conhecida.

O caso da Bolívia, então, chega a ser escandaloso. Tudo virou uma espécie de Fla X Flu. Serra acusou o governo boliviano de conivência com o tráfico. O governo da Bolívia protestou, claro!, e também o fez o governo brasileiro, como se lhe coubesse participar do embate. Serra nem o incluiu na acusação —  o que pode e deve fazer porque, com efeito, o Brasil é um dos patrocinadores do governo Evo. O BNDES financia a estrada da coca. Leiam reportagem na VEJA desta semana sobre o brutal crescimento da produção de cocaína na Bolívia — quase a totalidade destinada ao Brasil. Segundo editorial da Folha, publicado no sábado, a crítica de Serra está na categoria “do subentendido infeliz e do ataque velado”. O que há de “subentendido” ou “velado” na fala do candidato tucano? Daria para ser mais direto do que ele foi? Esse editorial, aliás, vai me render outro post, abaixo.

Se esses setores da imprensa brasileira estão com preguiça de investigar, poderiam dar uma espiada na imprensa boliviana, facilmente encontrável na Internet, para saber como são as coisas. Nada! Não se fez nada! Ou se fez: na sexta-feira, Folha Online e Estado Online abriram suas páginas para o ataque dos petistas e do governo da Bolívia ao tucano: AFINAL, O JORNALISMO, HOJE EM DIA, VIROU ESTE TROÇO EM QUE UM FALA, O OUTRO RESPONDE. E PRONTO! E a verdade? Bem, a verdade que se dane! Tudo é disputa. E, como essa gente acha que Dilma vai ganhar, então as notícias sobre Serra são sempre filtradas por essa antevisão. Uma reportagem evidenciando que sua fala está certa seria… serrismo!!!

Um leitor que ignorasse tudo sobre o Brasil e lesse a imprensa brasileira, especialmente a de São Paulo, certamente indagaria: mas como é que este tal Serra tem entre 35% e 38% do eleitorado há tanto tempo se ele é como pintam os atuais 3 milhões de colunistas da imprensa brasileira (eles já se multiplicaram entre o primeiro parágrafo e este…)? Vai saber, não é? Vai ver o povo é sábio quando escolhe o candidato deles e deve ser imbecil quando escolhe algum outro. Eu, como vocês sabem, não acho o povo nem sábio nem imbecil. Eu nem mesmo reconheço essa categoria… Se existisse, ele seria apenas culpado… Mas isso fica para outra hora.

Encerro observando que estou entre aqueles que defendem que os veículos de comunicação têm todo o direito de ter candidatos. Não podem é mentir. No meu mundo, eles deixariam claras as suas preferências. Esse esforço para pairar acima das escolhas, num lugar político e retórico que considero inexistente, abre caminho para o “entrismo” disfarçado de objetividade analítica e independência.

Tendo a acreditar que o leitor contemporâneo cobra mais transparência de quem escreve. Gosta de saber quais são as afinidades eletivas do “analista”. Por mais que isto soe herético a muita gente, o jornalismo impresso diário, que se abriu para as mudanças da Internet, ainda não faz um bom uso deste valor fundamental: transparência. Ninguém mais acredita no jornalista como um juiz. E faz muito bem. A razão é simples: jornalista não é juiz.

PMDB DE MINAS AMEAÇA VOTAR CONTRA DILMA




O ESTADO DE S. PAULO

Vera Rosa

Novo impasse na negociação preocupa o Planalto; PT quer Pimentel candidato ao governo, mas partido de Temer exige a vaga para Costa



BRASÍLIA - A insistência do PT em emplacar a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, ao governo mineiro abriu nova crise com o PMDB. Em represália, uma ala do partido ameaça votar contra a aliança com Dilma Rousseff para a Presidência.

Dirigentes do PMDB avisaram o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que a parceria com Dilma corre risco se os petistas não apoiarem o senador Hélio Costa na disputa ao Palácio da Liberdade.

"Lamentavelmente, companheiros do PT estão usando uma política rasteira contra mim", desabafou Costa. "Mas não adianta o PT fazer pressão e guerra de guerrilha no grito porque isso não me abala."

Ex-ministro das Comunicações, Costa não escondeu a contrariedade com rumores dando conta de que teria desistido da cadeira hoje ocupada pelo governador Antonio Anastasia (PSDB) para concorrer à reeleição ao Senado. "Se eu quisesse voltar ao Senado, não precisaria fazer esforço", insistiu. "Sou pré-candidato ao governo."

O PMDB de Minas detém 69 dos 804 votos da convenção do partido, marcada para 12 de junho, com o objetivo de homologar a candidatura do presidente da Câmara, Michel Temer (SP), como vice na chapa de Dilma. Temer também comanda o PMDB.

Sozinhos, os mineiros não conseguem desmanchar a aliança, mas podem fazer corpo mole na campanha. Além disso, a insatisfação tem potencial para contaminar grupos, já que os diretórios de São Paulo e Pernambuco são contra o casamento com o PT e apoiam José Serra (PSDB). Detalhe: a convenção do PT é em 13 de junho, 24 horas depois do encontro peemedebista.

"O clima está péssimo e para toda ação há uma reação", alfinetou Wellington Salgado (PMDB-MG), suplente de Costa no Senado. "A insatisfação em Minas tem nome e uma coisa é certa: a bancada do PMDB votará contra a coligação com Dilma se o PT não fechar conosco."

Intervenção. Na quarta-feira, uma reunião de dirigentes estaduais do PT com o presidente do partido, José Eduardo Dutra, em Brasília, escancarou o mal-estar. Petistas se queixaram da pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que quer o acordo com o PMDB a qualquer custo, de olho no precioso tempo de TV da sigla na propaganda eleitoral. O grupo chegou a dizer a Dutra que o casamento com o PMDB só sairá em Minas e no Maranhão se houver intervenção nas seções regionais.

Desde que Dilma começou a crescer nas pesquisas de intenção de voto - ganhando fôlego em Minas, o segundo colégio eleitoral do País, depois de São Paulo -, o PT mineiro voltou a bater o pé pela candidatura de Pimentel. Um dos principais coordenadores da campanha de Dilma, o ex-prefeito venceu a prévia realizada no início do mês contra o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias.

Apesar de Pimentel ter conquistado o direito de representar o partido na corrida ao Palácio da Liberdade, o PMDB dava como certo que ele seria candidato ao Senado, deixando a vaga ao governo para Costa. Na prática, esse cenário pode até se tornar realidade - com o anúncio da composição da chapa no próximo dia 6, conforme prometido -, mas não sem trauma. Motivo: discípulos do ex-prefeito não querem desistir da briga pela cadeira de Anastasia, afilhado do tucano Aécio Neves.

"Estamos muito animados e convictos de que o melhor candidato para ganhar do PSDB o governo mineiro é mesmo Pimentel", afirmou o deputado federal Reginaldo Lopes, presidente do PT de Minas. "Vamos convencer o PMDB e os demais partidos da base aliada de que a candidatura do Pimentel também é melhor para Dilma, porque ele tem votos de amplos setores."

Embora Costa esteja na dianteira em todas as pesquisas, petistas o comparam nos bastidores a um "cavalo paraguaio": bom de largada, mas ruim de chegada. Sem querer jogar mais combustível na crise, Pimentel assegurou que o acordo com o PMDB será cumprido, com palanque único para Dilma.

Articulador político do Planalto, Padilha evitou espichar a polêmica e disse não acreditar que o PMDB vote contra a dobradinha com o PT. "A melhor forma de conquistarmos o governo de Minas e o Senado é em aliança com o PMDB", resumiu.

Para complicar ainda mais o cenário, os seguidores de Patrus conseguiram empurrar o encontro do PT mineiro para 19 e 20 de junho. Foi uma estratégia para lavar as mãos e obrigar o Diretório Nacional do PT - que se reúne antes, em 11 de junho - a arcar com o desgaste da "intervenção branca" em Minas. Adversários de Pimentel também desejam que ele pague a fatura política por eventual renúncia

27 de maio de 2010

DILMA FALA DE CRIMES "PASSÍVEIS" DE PRISÃO PERPÉTUA





Autor(es): Roberto Almeida

O Estado de S. Paulo - 27/05/2010



Gafe da presidenciável ocorreu durante uma entrevista a rádio, depois de ouvinte indagar se ela "peitaria uma luta pela prisão perpétua para pedófilos"

A participação de presidenciáveis em programas populares de rádio continua criando saias-justas. Ontem, em São Paulo, foi a vez de a petista Dilma Rousseff cair em uma "armadilha" de ouvinte ao participar do Programa Paulo Barboza, da Rádio Record AM.

Maria Aparecida Sisto ligou para a rádio da Freguesia do Ó, na zona norte da cidade, para saber se Dilma mudaria as leis e "peitaria uma luta pela prisão perpétua para pedófilos". Em resposta, a petista disse "compartilhar da revolta" da ouvinte e afirmou, titubeante, que "dependendo da gravidade, tem crimes que podem ser passíveis de perpétua".

A informação, equivocada, já que a condenação máxima no Brasil é de 30 anos, precisou ser corrigida no bloco seguinte em um "esclarecimento". Mas antes disso o tema rendeu ainda mais imbróglios.

Na continuação da resposta, Dilma não agradou à ouvinte. A pré-candidata escolheu relativizar. "Agora tem de ver que crime, qual crime, porque, se você penalizar todas as gradações do crime de forma igual, você não foca naquilo que é o mal maior", afirmou a petista.

"Está satisfeita com a reposta?", perguntou o apresentador. "Mais ou menos. A minha pergunta é essa. A senhora entraria de peito e alma e tentaria mudar algumas coisas?", alfinetou Maria Aparecida.

"Eu entro de peito aberto", respondeu a petista, ao que a ouvinte emendou como sugestão "castrar todos os pedófilos". "É melhor aí a punição penal que a punição física", finalizou Dilma.

Esclarecimento. Na entrada do bloco seguinte, a petista, orientada por assessores, interrompeu o apresentador para esclarecer sua declaração sobre a prisão perpétua e, em seguida, criticar a suavização de pena em casos de pedofilia.

"Na verdade, no Brasil, qualquer condenação que vá por exemplo a 120, 130 anos, ela se reduz para 30 anos", retificou a pré-candidata. "O que é sério no Brasil, eu acho, continuando minha resposta, não é a questão que ela colocou da prisão perpétua. O que é sério é se um pedófilo vai ou não cumprir sua pena, ou vai ser liberado no caminho."

25 de maio de 2010

ABUSOS AMEAÇAM ELEIÇÃO DE DILMA, DZ PROCURADORA

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Sergio Torres

BRASÍLIA - A candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) à Presidência caminha para ter problemas já no registro e, se eleita, na sua diplomação.

A afirmação é da procuradora da República e vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, que avalia que esses problemas podem surgir se casos de desrespeito à legislação eleitoral continuarem na pré-campanha.

Cureau diz haver "uma quantidade imensa de coisas" na pré-campanha de Dilma que podem ser interpretadas como abusos de poder econômico e político.

O Ministério Público Eleitoral está reunindo informações sobre os eventos dos quais a ex-ministra tem participado para pedir ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a abertura de uma Aije (Ação de Investigação Judicial-Eleitoral) por abuso de poder econômico e político.Em tese, a Aije poderá resultar na negação do registro ou no cancelamento da diplomação pela Justiça Eleitoral, como já falou, há dez dias, o ministro Marco Aurélio Mello, do TSE.

ABUSOS

"A repetição desses fatos, evidentemente, vai configurar abuso na propaganda", disse a procuradora à Folha, em seu gabinete.

Os fatos a que Cureau se referia eram as multas que o TSE tem aplicado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em Dilma. Lula já foi multado quatro vezes por propaganda eleitoral antecipada. Dilma, duas.

"Um dos casos em que se cassa o registro ou que se cassa a diplomação é quando há abuso de poder econômico ou político. E nesse caso poderia se configurar as duas coisas até", disse.

Segundo ela, um evento custeado com dinheiro público é abuso de poder político e também de poder econômico. "Um abuso de poder econômico até pior porque feito às custas de contribuições da população, que, afinal de contas, é quem paga impostos", reiterou.Para a procuradora, que trabalha em eleições desde 1985, Lula -"infelizmente", diz ela-, em seus pronunciamentos públicos, participa diretamente da pré-campanha da petista.

USO DA MÁQUINA

As constantes aparições de Dilma em eventos do governo depois de seu desligamento do ministério da Casa Civil, em março, foram classificadas pela vice-procuradora como uma "situação até mais estranha".

"Teve época em que ainda se justificaria, dependendo do caso, a presença da ministra-chefe da Casa Civil, porque ela estava no cargo. (...) Atualmente ela está afastada para concorrer.

Então, há eventos que não tem porque estar presente", disse.

Para Cureau, a presença da ex-ministra indica desrespeito à legislação eleitoral. "Por que ela estava lá, se ela não é ministra, se ela não é nada? Ela estava lá para fazer campanha", afirmou.

Sobre os principais adversários de Dilma -José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV)-, as representações sobre desrespeito à lei são bem menos numerosas. "Talvez por não terem a máquina pública [do governo federal]", disse.

24 de maio de 2010

LULA APROVEITA BRECHA NA LEGISLAÇÃO, E AUMENTA EM 63% DESPESAS COM PROMOÇÃO DA IMAGEM DO GOVERNO E DE SUA CANDIDATA

Legislação proíbe gastos com propaganda de ações do governo nos 3 meses que antecedem pleito.

De janeiro a abril de 2010, governo federal gastou com publicidade 63,2% a mais do que no mesmo período do ano passado


A legislação eleitoral proíbe gastos de publicidade nos 90 dias que antecedem as eleições. Para contornar a proibição, o governo Lula acelerou os gastos com propaganda nos primeiros meses do governo.
A edição de O GLOBO desta segunda-feira publica reportagem de Regina Alvarez informando sobre os gastos do governo Lula, contratados nos primeiros meses, quando a legislação é mais frouxa, permitindo gastos em publicidade promovendo a imagem e as ações do governo - Nos primeiros quatro meses do ano, já foram desembolsados R$ 240,7 milhões - 63% a mais do que no mesmo período de 2009. Para promover a imagem e as ações do governo, o orçamento total para a propaganda chega a R$ 700,4 milhões, 29,2% a mais do que no ano passado. Estão de fora dessa conta os valores gastos pelas estatais. A Secretaria de Comunicação da Presidência nega, em nota, motivação eleitoral.

Os números da execução orçamentária foram levantados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) pela ONG Contas Abertas. Não estão computados os gastos das estatais com mídia, que também crescem em anos eleitorais. Em 2006, por exemplo, essas empresas gastaram R$ 941 milhões, contra 825,2 milhões no ano anterior. Os gastos totais com propaganda também cresceram: foram R$ 1,267 bilhão em 2006, contra R$ 1,153 bilhão em 2005 - valores corrigidos pela inflação até 2009.
O valor executado até abril com recursos do Orçamento da União de 2010 corresponde a 34,4% do total disponível para o ano. Boa parte dessas despesas foram contratadas no final do ano passado e estão sendo pagas este ano. O total disponível para gastos com publicidade em 2010 chega a R$ 700,4 milhões, 29,2% além da dotação de 2009. No ano passado, o governo dispunha no Orçamento de R$ 542,029 milhões e, nos primeiros quatro meses de 2009, gastou R$ 147,5 milhões, o que representou 27,2% do total.
A legislação eleitoral procurou colocar uma trava nos gastos com publicidade nos meses que antecedem a eleição para evitar o favorecimento dos candidatos apoiados pelo governo em detrimento dos que não têm relação com a máquina. Nos três meses anteriores ao pleito, só a publicidade de utilidade pública está liberada. O texto é dúbio em relação aos limites globais abrindo espaço para uma interpretação que favorece o governo e vem sendo aceita pelos órgãos de controle. A lei diz que os gastos não podem superar a média dos três anos anteriores ao pleito. Mas, como esse cálculo é feito em cima dos gastos totais do ano, permite uma despesa maior no primeiro semestre

15 de maio de 2010

CAMPANHA DE DILMA ANALISA CORREÇÃO DO RUMO DA CAMPANHA

Defesa de Dilma apresentou defesa em cinco representações ajuizadas no TSE que acusam o presidente, a ministra e entidades ligadas ao PT, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), de propaganda eleitoral em favor da pré-candidata.


Na visão da pré-candidata a sua transformação em grande estrela do programa partidário do PT veiculada na quinta-feira não caracteriza campanha antecipada.

Preocupações de novas sanções obrigam a analise de eventuais correções do rumo da campanha para evitar outras punições




Dilma Rousseff declarou que pagará o valor de R$ 5 mil a que foi condenada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por campanha antecipada. “A multa é uma decisão da Justiça e a gente respeita”, afirmou a pré-candidata, depois de participar da Missa de Solidariedade com os Excluídos, em Brasília.
O advogado Márcio Silva, responsável pela assistência da pré-candidata perante a justiça eleitoral, apresentou defesa ainda ontem no TSE contra cinco representações ajuizadas, além da julgada na noite de quinta. As representações acusam o presidente, a ministra e entidades ligadas ao PT, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), de propaganda eleitoral em favor da pré-candidata.

O programa partidário do PT veiculado na quinta-feira trouxe a petista como grande estrela, mas na visão de Dilma isso não caracteriza campanha antecipada.

A pré-candidata saiu em defesa da comparação feita por Lula na peça publicitária entre ela e o líder sul-africano Nelson Mandela. “O presidente queria destacar as similaridades das ditaduras porque elas deixam pouca opção para as pessoas que recorrem aos meios que dispõe naquele momento”, disse, reconhecendo que, pelo tempo de prisão que ela e Mandela cumpriram, a comparação é inócua. “Ele ficou 27 anos e eu fiquei 3 anos e meio, mas o sentido não é esse”, reforçou.
A pré-candidata demonstrou preocupação, depois de ter sido multada em R$ 5 mil, e analisa eventuais correções de rumo de que sua campanha para evitar novas sanções.
Outra preocupação dos dirigentes da campanha de Dilma é a estratégia do PT de reforçar a convicção católica da pré-candidata. Essa a razão da participação de Dilma da Missa dos Excluídos.

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, tentou minimizar a importância da questão religiosa na campanha eleitoral. “O que norteia um bom administrador não tem a ver com crença católica, muçulmana ou umbandista, mas os fatos têm mostrado que a religião é (importante)”, disse. Na missa, Dilma recebeu bilhetes de fiéis e terços e elogiou a celebração.

OAB QUER OUVIR CANDIDATOS À SUCESSÃO PRESIDENCIAL


O presidente nacional da entidade, Ophir Cavalcante, programou o evento para agosto, mas ainda aguarda confirmação
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) convidou os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) para debaterem com os 81 conselheiros suas propostas para o país.
O presidente nacional da entidade, Ophir Cavalcante, programou o evento para agosto, mas ainda aguarda confirmação.
A última vez que a ordem debateu com candidatos à sucessão presidencial foi em 1998 quando os disputaram eram Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.
Os três presidenciáveis já participaram de debate semelhante com prefeitos de Minas Gerais e confirmaram presença no da CNI (Confederação Nacional da Indústria), dia 25 de maio. Antes do encontro, a CNI irá divulgar documento de 150 páginas com sugestões de medidas para o novo presidente adotar na área econômica.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) convidou os presidenciáveis para debate no mesmo dia da CNI, mas ainda não houve confirmação de presença.
A Fiesp é comandada por Paulo Skaf, pré-candidato do PSB ao governo de São Paulo. O último encontro da CNI com candidatos foi em 2002.

SERRA, DILMA E MARINA VOLTAM A DEBATER

Na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará o encontro chamado de marcha dos prefeitos
Os três principais pré-candidatos à Presidência --José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV)-- voltam a se encontrar na próxima quarta-feira em evento organizado pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios).O debate, que começa às 9h, será de três horas e cada um terá cerca de uma hora para responder perguntas feitas por prefeitos. Não haverá discussão entre eles.Na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará o encontro chamado de marcha dos prefeitos.No ano passado, a marcha causou polêmica e foi questionada pelo PSDB na Justiça Eleitoral por causa da participação de Lula e Dilma. No entanto, o pedido foi negado por falta de provas.No dia 6 deste mês, os três participaram do 27º Congresso Mineiro de Municípios, em Belo Horizonte (MG), e transformaram o evento em um debate eleitoral que durou cerca de duas horas.

DILMA DIZ QUE AMPLIARÁ COTAS RACIAIS

Na pauta de julgamentos do STF (Supremo Tribunal Federal) há uma ação que questiona a constitucionalidade do sistema


A petista Dilma Rousseff afirmou na noite desta sexta-feira, na abertura do Encontro Nacional de Negras e Negros do PT, que se eleita ampliará a política de cotas raciais no ensino. E chegou a apoiar manifestação do público defendendo a adoção do sistema para o ingresso em mestrado e doutorado.

"O que nos une é o compromisso de que nós vamos fazer políticas afirmativas ou de cotas queiram eles ou não", discursou Dilma, que acolheu depois manifestação vinda da plateia: "Isso, cota pra mestrado, pra pós-graduação".

O governo, que desde 2004 tenta aprovar no Congresso um modelo de cotas raciais para a graduação das universidades federais, adota hoje a política no ProUni, o programa de subsídio nas universidades particulares a estudantes de baixa renda.

Na pauta de julgamentos do STF (Supremo Tribunal Federal) há uma ação que questiona a constitucionalidade do sistema.

No discurso de ontem Dilma afirmou que "entre os pobres há um contingente enorme da população negra" e também defendeu a presença de negros no Itamaraty. Ela afirmou no encontro que o presidente Lula dará o nome "Zumbi dos Palmares" ao próximo petroleiro brasileiro.

14 de maio de 2010

TSE MULTA PT E DILMA E SUSPENDE PROGRAMA PARTIDÁRIO EM 2011




ELEIÇÕES 2010

TSE multa Dilma e PT, que terá programa partidário suspenso em 2011

Tribunal considerou que programa exibido em dezembro constitui propaganda eleitoral antecipada


Dilma é condenada por programa de TV de 2009

BRASÍLIA- Por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu na noite desta quinta-feira, 13, que o Partido dos Trabalhadores perdeu o direito de transmissão do programa partidário no primeiro semestre de 2011 e terá de pagar multa de por propaganda eleitoral antecipada, em virtude de programa exibido em dezembro do ano passado. A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, também foi punida, sendo obrigado a pagar multa de R$ 5 mil - apenas o ministro Marco Aurélio discordou desse ponto, querendo que a ex-ministra também fosse multada em R$ 20 mil. Cabe recurso da decisão.
Como o julgamento ocorreu após a veiculação, ontem, em rede nacional de rádio e TV do programa partidário do PT, a punição, que implicará a perda total dos dez minutos reservados à legenda, só será executada no primeiro semestre de 2011.
Além de cassar o programa, os ministros multaram o PT em R$ 20 mil e Dilma em R$ 5 mil. O ministro Aldir Passarinho, relator da representação feita por PSDB e DEM, disse que determinou esses valores por se tratar da primeira infração, e sinalizou que o valor poderá aumentar em caso de reincidência.
O ministro relator Aldir Passarinho Junior disse que a propaganda do PT exibida em dezembro passou dos limites da propaganda partidária. "Conclui-se que, de fato, o primeiro bloco buscou nitidamente explorar a imagem de Dilma, extrapolando a mera divulgação de ideário do partido e mensagens de filiados". Para o ministro, o programa desrespeitou à lei. "O programa é todo intercalado, cadenciado para fazer o que é proibido em lei, denegrir o outro partido (PSDB) e fazer uma propaganda política de candidatura."
No início do julgamento, foi exibida a propaganda em questão, com imagens de Lula e Dilma Rousseff. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva surge em cena e afirma: "Tem gente que pensa que eu faço tudo sozinho, mas na verdade, eu tenho uma excelente equipe com ministros de vários partidos. (...) Um grande exemplo é a ministra Dilma que, além de coordenar o ministério, é responsável pelo PAC, pelo pré-sal e pelo programa Minha Casa, Minha Vida." Diz Dilma no vídeo que foi ao ar: "Tem governo que fez pouco e acha que fez muito. A gente fez muito, mas sabe que é preciso fazer muito mais." Um dos personagens entrevistados diz que Dilma é um "raro tipo de líder que sabe administrar".
O pleno do TSE também julgou se o PT deveria ou não perder as inserções partidárias em 2011. Os ministros decidiram que o partido vai manter esse espaço de divulgação política.

Parecer

Em resposta à representação movida pelo PSDB e pelo DEM, a vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, fez um parecer sugerindo que fosse proibida a veiculação do programa partidário do PT em rede nacional de rádio e televisão. De acordo com ela, a propaganda de dezembro do ano passado teve cunho eleitoral, desrespeitando a Lei dos Partidos Políticos. A oposição alegou que o PT, na ocasião, divulgou "de forma distorcida e falseada, que governos do PSDB e que o governo FHC governavam somente para a classe mais rica da população."
A vice-procuradora-geral eleitoral observou que a propaganda veiculada destacou ações do governo Lula - como o Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) -, atribuindo a Dilma a implantação de ambos, o que configuraria promoção pessoal da petista.

Lula

Em março passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi multado duas vezes pelo TSE, sob a alegação de fazer, em cerimônias públicas, propaganda antecipada em favor de Dilma Rousseff. O valor total chegou a R$ 15 mil. Durante ato em Osasco, na Grande São Paulo, Lula ironizou a primeira punição: "Eu não posso falar em nomes porque já fui multado", disse à plateia, que gritou o nome de Dilma. "Se eu for multado, vou trazer a conta para vocês."

PT TRANSFORMA PROGRAMA NO RÁDIO E NA TV EM CAMPANHA PARA DILMA

PROGRAMA DO PT NO RÁDIO E NA TV VIRA CAMPANHA PARA DILMA

BRASÍLIA - Desafiando a legislação eleitoral, o presidente Lula e a pré-candidata petista, Dilma Rousseff, aproveitaram o último programa em cadeia nacional de rádio e TV do PT neste semestre para fazer campanha eleitoral, com constante comparação com o governo de Fernando Henrique Cardoso e o pré-candidato tucano José Serra, e pregando a necessidade da continuidade do projeto de poder do PT. Em tom profético, Lula aparece dizendo que, quando viu Dilma pela primeira vez, soube que ela teria um papel muito importante para seu governo e para o Brasil, chegando a fazer um paralelo com a história do ativista e ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. Lula disse que grande parte do sucesso do seu governo é creditado à atuação decisiva de Dilma.
Os dois foram as estrelas do programa, e mais três ministros aparecendo para fazer declarações de elogios a Dilma. A parte mais sensível da biografia da ex-ministra, a da luta armada, foi amenizada com declarações sobre sua luta pela democracia. Lula ressaltou a mineiridade de Dilma.
Lula: "Dilma foi simplesmente exuberante"
O programa começa com Lula dizendo que sempre perguntam porque admira tanto a aliada. Ela aparece em seguida dizendo:
- Se o fato de ser mulher faz diferença? Eu acho que faz uma grande diferença - diz Dilma.
- A prova definitiva foi quando chamei Dilma para a Casa Civil. Ela foi simplesmente exuberante na coordenação do governo - disse Lula, ao falar de quando teve certeza que Dilma mudaria a História do Brasil.
Um locutor conta a história da pré-candidata, ressaltando os motivos que a levaram para a luta armada, em Minas Gerais.
- Eu lutei sim, pela liberdade, pela democracia, contra a ditadura, do primeiro ao último dia, com os meios e as concepções que eu tinha naquela época. Muita gente foi presa, outros se exilaram, outros morreram. Quando o Brasil mudou, também mudei, mas nunca, nunca mesmo, mudei de lado.
Nesse ponto Lula entra comparando a história de Dilma com a de Mandela.
- Um dia o Mandela me disse que foi para o conflito porque não lhe deram outra saída. Depois ele virou um dos maiores símbolos da paz e da união no Mundo - disse Lula, para mostrar que, se Dilma foi dura no passado, pode repetir a historia de Mandela.
Poucos minutos depois da exibição do programa na TV, o ministro Aldir Passarinho, do TSE, aceitou uma ação do PSDB contra programa de dez minutos do PT exibido no ano passado. Até as 22h da noite desta quinta-feira, mais três ministros já tinham concordado com ele, o que significa a maioria dos sete ministros. Decisão semelhante pode ser adotada em relação ao programa de a noite desta quinta-feira, que foi na mesma linha das inserções.
"Lula mostrou hoje (nesta quinta-feira) que para tentar salvar Dilma ele está disposto a rasgar as leis e a Constituição. O TSE deve tomar medidas enérgicas contra atitudes chavistas de Lula e Dilma", comentou, em seguida, Ronaldo Caiado (DEM-GO), no Twitter.
Já Dutra, também no Twitter, disse que recebeu 17 telefonemas e muitos torpedos elogiando o programa.