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23 de setembro de 2009

OS PERIGOS DE MARINA

DORA KRAMER

O ESTADO DE SÃO PAULO 22/09/2009


Pergunte-se a um integrante do comando do PSDB ou a dirigente nacional do PT qual dos dois partidos se sente mais prejudicado com a entrada de Marina Silva na disputa presidencial, a resposta será a mesma.
"Acho que ela tira mais votos de nós", concluem ambos, que só não falam em coro porque a análise é feita em dia e local diferentes. O tucano diz a frase numa terça-feira no bairro Morumbi e o petista a repete na noite de sábado em Higienópolis, em São Paulo.
A coincidência de opiniões não representa uma certeza absoluta. Até que as próximas pesquisas desenhem melhor o comportamento do eleitorado, tanto o PT quanto o PSDB vivem na dúvida a respeito de quem sofre mais perdas com a candidatura "verde".
Que Marina leva desvantagem para um dos lados, todos concordam, já que sua entrada em cena acabou com o plano do presidente de fazer da eleição um plebiscito. Mas ninguém sabe ao certo quem perde mais.
Em princípio, cada um dos lados se sente a maior vítima.
A primeira impressão do PSDB é a de que Marina Silva conquista aquele eleitor decepcionado com o PT e que ficaria com os tucanos só por falta de opção, um contingente nada desprezível com o qual estava contando a oposição.
Já o PT acha que esse mesmo eleitorado poderia hesitar, mas não estava perdido. Antes de Marina aparecer como alternativa, os petistas mantinham a esperança de que, na hora da polarização entre PT e PSDB, prevalecesse a rejeição aos tucanos em geral e ao governo de Fernando Henrique Cardoso em particular.
Com a ex-ministra do Meio Ambiente na disputa, os petistas desiludidos teriam onde desembarcar.
Mas, o fato de reconhecerem de maneira igualitária os danos provocados por uma candidatura do PV não quer dizer que PT e PSDB tenham a mesma visão a respeito de como lidar com a questão durante a campanha.
Os tucanos parecem enxergá-la como uma possível aliada. Já os petistas - os engajados no projeto de Lula para Dilma Rousseff , bem entendido - a veem como uma bomba a ser desarmada, caso suas intenções de voto venham a crescer de maneira preocupante.
Como não é possível cooptá-la - para o posto de vice, por exemplo -, a única opção seria explorar seus pontos fracos. Do ponto de vista do PT, os seguintes: radicalismo na questão ambientalista, defesa inflexível dos movimentos sociais, MST incluído, questionamentos sobre a conduta de dirigentes do PV, identificação religiosa com teses repudiadas pelos "modernos", como a posição dela contra o aborto.
Se Marina crescer muito, há no PT o sentimento de que o PSDB se aliaria ao bombardeio.
Uma das armas tidas como poderosas é a filiação (e militância) do deputado Sarney Filho no Partido Verde. Pensa-se em apresentar a candidata como "companheira" do "filho de Sarney".
Um ato ousado para o partido que salvou o pai de ser processado pelo Senado por quebra de decoro parlamentar.
Além de uma ação de execução complicada essa de "desconstrução" de imagens, pois há sempre o risco - como se viu na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2008 - de o feitiço fazer picadinho do feiticeiro.
Bossa-nova
A nova cruzada de Fernando Henrique Cardoso em defesa da descriminalização da maconha não é vista com tranquilidade no PSDB. A preocupação é que a "causa" possa render prejuízos para a candidatura presidencial do partido.
O governador José Serra preferiria que o ex-presidente não tivesse dado à revista Veja a entrevista da semana, falando sobre o tema. Não falou com ele a respeito, mas pediu que um amigo comum tentasse, com habilidade, demovê-lo.
Soube do fracasso da missão três dias antes da publicação e entregou o caso nas mãos de Deus.
Depende
A escolha do candidato do PT ao governo paulista é uma obra em aberto. Se Lula deixar correr solto, a máquina do partido emplaca o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.
Se o presidente impuser sua vontade, ganha a legenda o ministro da Educação, Fernando Haddad. Isso, evidentemente, se Ciro Gomes mantiver sua candidatura a presidente e se as pesquisas qualitativas continuarem a apontar uma alta rejeição ao nome do deputado Antonio Palocci.
Um complicador: o grupo da ex-prefeita Marta Suplicy, que domina a seção paulista do PT, rejeita o nome do ministro da Educação. Avalia que seria arriscado Marta tentar o governo, mas prefere o risco à opção Haddad.
Meirelles na cabeça
A ala do PMDB que vai de PSDB em 2010 torce para ver o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, candidato ao governo de Goiás.
Isso obrigaria o presidente Lula a apoiá-lo e liberaria o palanque de Iris Rezende, até então apalavrado com o PT, para composição com os tucanos

20 de setembro de 2009

A SUCESSÃO PRESIDENCIAL

É verdade que o quadro não está definido. Dificilmente estaria, estado a eleição tão distante, cerca de um ano. Mas, a situação parece que tende a consolidar-se com a definição em favor de José Serra. A esperança que a eleição assumisse caráter plebiscitário se apagou. Isso tudo está levando ao desespero todos os áulicos do governo que, a cada dia, vêem desmoronar suas teses sobre a foca do presidente Lula, que elege até poste.; sobre a divisão tucana, sobre a articulação de Aécio para sair candidato pelo PMDB; sobre o rompimento de Alckmin que estaria conspirando com Aécio contra Serra. Nada disso é factível, não passa de factóides.
Devagar, Serra está deixando o tempo correr, e daqui para a frente sua candidatura vai crescer, e as intrigas e fantasias sobre um possível racha tucano serão enterradas.

31 de julho de 2009

NÃO É PROBLEMA MEU, NÃO VOTEI NO SARNEY, DIZ LULA

MANCHETE DA FOLHA

Por PEDRO DIAS LEITE 31/07/2009

NÃO VOTEI NO SARNEY NEM PARA SENADOR", AFIRMA LULA


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou o tom do discurso sobre a crise que envolve o presidente do Senado, José Sarney (PMDB). "Não é problema meu. Não votei no Sarney para ser presidente do Senado nem votei para ele ser senador no Maranhão", afirmou Lula, em entrevista na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O senador foi eleito pelo Amapá. Até então, o presidente vinha dando declarações públicas de apoio a Sarney. O presidente do Senado é alvo de acusações de nepotismo, de uso de atos secretos na Casa e de desvio de verba pública na fundação maranhense que leva seu nome. "Somente o Senado é que pode dizer se ele vai ficar ou não", disse Lula, que negou interferir no dia a dia do PT. Paulo Duque (PMDB-RJ), presidente do Conselho de Ética da Casa, afirmou que agora está informado sobre o caso de Sarney.
Depois de semanas de defesa enfática de José Sarney (PMDB-AP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou o tom ontem em relação à crise que envolve o presidente do Senado: "Não é problema meu".
"Não votei no Sarney para ser presidente do Senado nem votei para ele ser senador no Maranhão", disse Lula. O senador foi eleito pelo Amapá, e não pelo Maranhão -teve 53,9% dos votos, em uma das votações mais apertadas de sua carreira.
"Não votei no [Michel] Temer [presidente da Câmara], não votei no Arthur Virgílio [senador do PSDB-AM], não votei em ninguém. Votei nos senadores de São Paulo, então quem tem de decidir se o presidente Sarney tem de ficar na Presidência do Senado é o Senado", afirmou.
Pela primeira vez, o presidente da República não deu como certa a permanência de Sarney no comando da Casa.
"Somente o Senado, que o elegeu, é que pode dizer se ele vai ficar ou não. Não sou eu", disse.
Até então, Lula vinha dando declarações públicas de apoio a Sarney, alvo de uma série de denúncias de nepotismo, uso de atos secretos e desvio de verbas públicas na fundação que leva seu nome, no Maranhão.
Ao lado da presidente do Chile, Michelle Bachelet, Lula chegou a se irritar com as perguntas sobre Sarney e a posição do PT em relação ao caso. "Deixa eu "hablar", Michelle. Tem 20 jornalistas e diz que vão fazer só duas [perguntas]. E, por coincidência, as duas são iguais. Como é que você acha que eu posso dizer sobre o destino da bancada do PT se eles estão de férias e vão voltar na segunda-feira? Não posso, não posso dizer, não posso dizer absolutamente nada", esquivou-se.
Desde o início da crise, o petista tem enquadrado o partido. No começo do mês, os senadores petistas foram obrigados a recuar de um pedido de afastamento do presidente do Senado. Nesta semana, nova nota dos petistas pedindo a saída de Sarney foi desautorizada.
Apesar de todas as evidências em contrário, Lula disse que não interfere no dia a dia do PT. Mandou que os repórteres ligassem "para o líder do PT na Câmara ou no Congresso" ou para o presidente do partido, Ricardo Berzoini, "que certamente gostará de dar as informações". Na prática, as bancadas do partido na Câmara e no Senado atuam o tempo todo sob o comando do presidente.
O governo e o próprio Sarney esperavam que o recesso de julho, aliado a um desgaste da repetição do assunto na mídia, amenizasse a situação de Sarney, o que não ocorreu. Lula disse esperar que "agora, com a cabeça fria", os senadores "decidam normalizar a atuação do Senado", envolvido em uma de suas piores crises. "Mais do que isso eu não posso pedir."
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, encontrou-se com Sarney ontem no hospital Sírio-Libanês, onde ela foi fazer sessão de radioterapia e onde a mulher do senador, Marly, está internada por ter sofrido uma queda. Dilma reforçou que o governo defende a permanência de Sarney no cargo.
Lula e Bachelet deram entrevista na sede da Fiesp. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), acompanhou toda a fala do petista. Ao final, quando repórteres abordaram o tucano para pedir que falasse sobre o tema, Lula deu um tapinha em suas costas e o alertou, em tom meio de brincadeira, meio sério: "Eles querem que você fale mal do Sarney". Serra não deu entrevista, dizendo que já tinha falado antes com jornalistas.

7 de julho de 2009

O PALANQUEIRO DESCANSOU EM PARIS. a OPOSIÇÃO CONTINUA DE FÉRIAS NO BRASIL

DA COLUNA DE AUGUSTO NUNES




Horas depois de ter ensinado que fora da democracia não há salvação para Honduras, o presidente Lula reverenciou o amigo-irmão Muammar Khadafi e derreteu-se em elogios ao clube das ditaduras africanas. O governador José Serra não ousou sequer cobrar-lhe coerência. Terminada a pajelança dos tiranos, o serial killer Omar Al Bashir avisou que conta com o apoio do Brasil para escapar da prisão decretada pelo tribunal internacional de Haia. O governador Aécio Neves não se atreveu a exigir que Lula revelasse a extensão da amizade ou o grau de parentesco com a abjeção sudanesa.
De volta do safári, o chefe de governo acalmou José Sarney e, no mesmo dia, jantou com a bancada do PT no Senado para ordenar-lhe que ajudasse o mais recente amigo de infância. Nenhum senador da oposição recordou que, em 1986, Lula qualificou Sarney de "o maior ladrão do Brasil". Nenhum representante do PSDB perguntou se, afinal, o governo queria ou não eleger o senador Tião Viana, candidato da aliança entre tucanos e petistas.
Entre um acerto e uma ordem, Lula pegou carona na conquista da Copa do Brasil pelo Corinthians. Nenhum deputado do DEM quis saber se o presidente não tinha nada de mais relevante a fazer. Nenhum vereador do PPS aproveitou o tema para perguntar o que é que deu na cabeça do governo para torrar bilhões na gastança da Copa de 2014. Entre um cochicho e uma a declaração de passagem e uma discurseira, o mais falante pai da pátria desde a chegada das caravelas mandou a bola na arquibancada: "O PSDB quer ganhar no tapetão", fantasiou, alertando paro o risco de araque: a renúncia do presidente José Sarney resultaria na ascensão do vice Marconi Perillo. Nenhum parlamentar supostamente oposicionista ensinou que o senador tucano teria de convocar uma nova eleição. Ninguém no PSDB, no DEM, no PPS ou no PSOL recomendou a Lula que coletasse informações elementares para desinformar melhor.
"Existem assuntos muito mais importantes que a crise no Senado", advertiu Lula. É verdade, deveriam ter berrado os candidatos José Serra e Aécio Neves, encerrando a conversa fiada sobre as prévias do PSDB para ouvirem com alguma atenção os gritos de protesto que se multiplicam na internet entre a multidão dos oposicionistas de verdade. A gripe suína, por exemplo, insiste em crescer no Brasil. Não soube da proibição presidencial? Onde terá falhado o sistema de saúde que o chefe considera próximo da perfeição? O tratamento dispensado por Lula aos escândalos em Brasília permite enquadrá-lo no artigo legal que trata da apologia do crime. Nenhum advogado tucano sabe disso? Seguem paralisados os canteiros de obras que deveriam cuidar de mais de 2 mil quilômetros de estradas federais em decomposição. Em que gaveta dormem as verbas prometidas pelo PAC?
No fim de semana, livre de perguntas e cobranças, Lula foi para Paris com a Primeira Passageira recuperar-se das canseiras da campanha eleitoral. A oposição oficial continua de férias no Brasil.

3 de julho de 2009

A HISTÓRIA DA CRISE NO SENADO CONTADA COMO FOI


A situação de Sarney que a cada dia demonstra maior instabilidade está obrigando o presidente Lula a fazer acrobacias e malabarismos para defender o aliado e companheiro, ou como diz FHC, a “abusar das palavras”.
Objetivando garantir a participação do PMDB na sustentação da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) em 2010, Lula sinalizou que se manterá ao lado de Sarney. Na terça-feira, Lula mandou recado a Sarney e pediu a Dilma que convencesse o pemedebista a não tomar decisão sem antes conversar com o presidente. Os rumores de que Sarney renunciaria eram fortes a e família dele teria pedido para renunciar.
A atitude de Lula, revela a contradição que vive a bancada do PT: a maioria é favorável ao afastamento de Sarney. Nove dos 12 senadores do partido deverá disputar um novo mandato em 2010 e temem desgastar-se com o eleitorado ao defender o pemedebista. Ao mesmo tempo, defendem a aliança com o PMDB para reforçar a candidatura de Dilma à Presidência e para garantir a governabilidade no Senado, onde o governo tem dificuldade para obter maioria.
É preciso, contudo, recordar que o PT não apoiou a eleição de Sarney para a presidência do Senado. Lançou a candidatura do petista Tião Viana (AC) e aproximou-se do PSDB para sustentar a candidatura do senador acreano. Sarney recebeu o apoio do DEM.
As alianças políticas articuladas para a eleição do Senado se tornaram diferentes das alianças políticas que existem a nível nacional. Essa situação permaneceu durante os quatro primeiros meses do ano. o DEM era o principal aliado do PMDB e o PT teve o apoio do PSDB em votações.
Aliados de Sarney atribuem denúncias contra o presidente da Casa a setores do PT ligados a Viana e a alas do PSDB próximas ao governador José Serra (SP), que seriam fontes da divulgação de irregularidades que, para desespero de Lula, Sarney, Renan e aliados no Senado, têm sido comprovadas.
Com o desenrolar da crise envolvendo Sarney, petistas e pemedebistas começam à retornar à configuração anterior da aliança. O DEM afastou-se do presidente da Casa, aliando-se ao PSDB no pedido pelo afastamento imediato de Sarney do cargo, com duras críticas à atuação do senador. Já o PT reaproximou-se do PMDB. Na avaliação de Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos principais defensores de Sarney, " a única coisa boa da crise " é que ela aproximou PT do PMDB.
Na avaliação de senadores, a crise administrativa começou a ser sanada, com a demissão de diretores ligados ao ex-diretor Agaciel Maia e através do corte de algumas despesas. Mas a crise política continua e é grave. O PT saiu em ataque ao DEM e disse que a primeira-secretaria, ocupada há anos pelo DEM, deveria ser responsabilizada junto com Sarney. PSDB, DEM, PDT e P-Sol mantiveram a pressão pelo afastamento do pemedebista.
O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), desafiou o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), a apontar alguma irregularidade administrativa praticada na Casa da qual o partido tenham participado. “Quero que o senador Mercadante aponte alguma irregularidade praticada pelo Democratas. Se ele está falando isso, tem a obrigação de apontar as falhas do DEM. Do contrário, o senador vai ficar no campo da leviandade”, afirmou José Agripino.
O líder do DEM lembrou que a bancada do PT votou, em 2003, a favor da eleição de José Sarney (PMDB-AP) para a presidência, assim como em Renan Calheiros (PMDB-AL) e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). “Os três senadores mantiveram Agaciel Maia [ex-diretor-geral do Senado] no cargo. Quem mantém ou demite um diretor é o presidente do Senado”, destacou José Agripino.
Agaciel Maia foi demitido por Sarney após a imprensa publicar denúncias de que, ao longo de 14 anos à frente da diretoria-geral da Casa, teria praticado uma série de irregularidades como, por exemplo, a edição de atos secretos para beneficiar servidores e parentes de parlamentares, inclusivo do atual presidente do Senado.
Agora, durante a realização de ato nesta quinta feira em memória da ex-primeira dama Ruth Cardoso, O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), rebateu nesta quinta-feira a afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o PSDB quer derrubar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para ficar com o cargo "no tapetão"."O PSDB apoiou o candidato do PT ao Senado na eleição na qual foi eleito o Sarney", afirmou o governador em um evento em "Não vejo essa gula."
A declaração foi uma resposta a Lula, que ontem disse que o PSDB quer ficar com o posto de Sarney. "É importante para o DEM e PSDB, que querem que ele [Sarney] se afaste para o [senador] Marconi Perillo [PSDB-GO] assumir, o que não é nenhuma vantagem para ninguém. A única vantagem é para o Marconi Perillo e para o PSDB, ou seja, que quer ganhar o Senado no tapetão", afirmou o presidente em visita à Líbia.
Antes, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também comentou o assunto. Ele afirmou que Lula "abusa das palavras" e diz "coisas levianas". "O presidente Lula, quando está fora do Brasil, não presta atenção nas palavras", disse no mesmo evento.

6 de junho de 2009

AÉCIO E SERRA UNIFICAM DISCURSO E CONDENAM ESPECULAÇÕES SOBRE CHAPA

DE BERTA MAAKAROUN[
DO ESTADO DE MINAS

Os dois participam de mais uma jornada pela prévia no Paraná

Discurso de unidade no ninho tucano. Os governadores Aécio Neves (PSDB) e José Serra (PSDB) afinaram nesta sexta-feira as declarações. Ambos concordam que não há pressa em antecipar o processo eleitoral com a escolha imediata do pré-candidato do partido à Presidência da República. Eles também afirmaram que estarão juntos nas eleições do ano que vem, negando qualquer eventual confronto: “Quem estiver apostando nisso vai perder, é aposta errada", afirmou o tucano paulista. Aécio e Serra consideraram ainda que ambos têm credenciais para comandar o Palácio do Planalto. Nesse sentido, sugeriram serem inconvenientes as especulações em torno de uma eventual “chapa pura” tucana, o que suporia um dos dois como vice na composição. “A nossa unidade, estarmos Serra e eu juntos em 2010, é pule de 10”, resumiu Aécio.
Serra se esforçou em sinalizar a disposição do entendimento. “O governador Aécio tem todas as credenciais para ser candidato, para ser presidente de República. Não tem nenhum cabimento discutir que um vai ser vice do outro”, afirmou. O governador paulista acrescentou: “Para alguém que tem todas as condições de ser candidato a presidente – e eu acredito que eu também tenho – não faz sentindo, a essa altura, especular, digamos assim, com esse tipo de hipótese”. Depois de negar qualquer tensão ou mal-estar em relação a Aécio, Serra disse: “Olha aqui”, dando um abraço no governador mineiro

Interlocutores interpretam a nova aparente coesão tucana entre os dois governadores que disputam internamente a indicação do partido para disputar a Presidência da República como uma nova estratégia para enfrentar o crescimento da pré-candidatura de Dilma Rousseff (PT). Enquanto Dilma percorre o país ao lado de Lula inaugurando obras do PAC, sem obstáculos partidários internos, os grupos dos dois líderes do PSDB afiam as garras. Em visita a Minas, onde assinou 14 acordos de substituição tributária, José Serra se esmerou nos elogios e gestos de cordialidade dirigidos ao governador mineiro. Ambos seguiram juntos para Foz do Iguaçu, onde participaram de um encontro do PSDB
Amabilidade
Meu amigo e companheiro”, foram algumas expressões afetuosas empregadas por Serra ao se dirigir a Aécio, não sem antes enfatizar pontos de unidade entre os dois maiores estados brasileiros, que “concentram 43% do PIB brasileiro” e respondem por “metade da arrecadação fiscal do governo federal”. Serra também fez questão de elogiar a gestão administrativa do estado, declarando inclusive, ter copiado algumas medidas que considerou importantes, a elas acrescendo um “tom de originalidade” para adaptá-las à realidade paulista. “Não são poucos os intercâmbios e trocas de ideias, inclusive ideias que a gente recolhe reciprocamente um do outro”, continuou o governador paulista.
Aécio devolveu. Também tratou de considerar Serra “amigo e companheiro” e assinalou, da mesma forma que Serra, haver eventualmente a adoção de medidas, em Minas, que foram bem-sucedidas no governo paulista. Aécio afirmou: “A nossa proximidade não está restrita à responsabilidade partidária. Temos muitas afinidades pessoais e uma visão de país muito parecida. Então, seja o governador Serra, seja eu amanhã eventualmente o presidente da República, os rumos traçados serão muito parecidos”.
Maratona
Pela primeira vez, os dois presidenciáveis do PSDB participaram sexta-feira de um dos seminários temáticos organizados pelo partido para preparar o discurso eleitoral de 2010. Os governadores de Minas, Aécio Neves e de São Paulo, José Serra, chegaram juntos a Foz do Iguaçu (PR), num clima bem diferente do primeiro encontro, em João Pessoa (PB), quando Serra não compareceu.
O tema de sexta foi o agronegócio. O próximo encontro será em julho, em Fortaleza (CE). Rio de Janeiro, Pernambuco, Pará e Bahia também estão na rota dos tucanos. Aécio aproveita os seminários, prestigiados pelos principais líderes dos partidos aliados ao PSDB (DEM e PPS), para defender as prévias como única forma legítima de escolha do candidato a presidente. Serra já concordou com a consulta até fevereiro do ano que vem, segundo o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE).

4 de junho de 2009

SÓ UNIÃO CONTRA LULA

Por MARVAL PEREIRA

O Globo - 04/06/2009

Enquanto o PT convenceu-se rapidamente de que a unidade em torno da ministra Dilma Rousseff, candidata escolhida pelo presidente Lula e não pela cúpula partidária, era a melhor aposta para a tentativa de permanecer à frente do governo, setores importantes do PSDB ainda não estão convencidos de que o governador de São Paulo, José Serra, é a melhor escolha para o partido tentar reconquistar o poder federal.

Essa diferença de comportamento dá uma clara vantagem, neste momento, às forças governistas, e somente a inesperada doença da ministra pode enfraquecer sua posição na corrida presidencial. Ao mesmo tempo em que se debate mais uma vez entre dois presidenciáveis, o PSDB vai perdendo terreno numa corrida que, por decisão estratégica do presidente Lula, foi antecipada e já não há como ser freada.
Com o agravante de que o governador de Minas, Aécio Neves, é um político de mais peso e história pessoal do que Geraldo Alckmim. A decisão de Serra de não se jogar a campo até o ano que vem teria sentido se o partido estivesse unido em torno dele inequivocamente.
E, se os governos de São Paulo e de Minas Gerais, dois dos mais importantes estados da federação, servissem de exemplo das alternativas tucanas de administração - espécie de laboratórios em que a população poderia identificar que mudanças para melhor os tucanos imporiam na administração federal caso voltassem ao poder em 2010.
Ao contrário, diante da crise econômica internacional que poderia afetar a credibilidade da política governamental, o governo Lula vem adotando medidas que vêm sendo percebidas como corretas, não apenas pela população de maneira geral, mas pelo empresariado.
Mesmo que a economia esteja em recessão e que provavelmente feche o ano com crescimento negativo, e que o desemprego aumente, os incentivos fiscais para setores da indústria, os financiamentos do BNDES, o programa habitacional e as obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) formam um conjunto de ações que dá a sensação de que o governo está fazendo tudo o que é possível diante de uma situação que não foi criada por ele.
O problema da oposição é que, mesmo que o PAC seja mais uma obra de ficção do que um programa planejado de mudança estrutural, e que o projeto de construir um milhão de casas populares seja mais uma peça de propaganda do que uma realidade factível, é difícil transformar isso em uma peça de oposição inteligível pelo eleitorado.
O governo parece acenar com esperança, enquanto a oposição parece querer o quanto pior, melhor.
Assim como é difícil para a oposição transformar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no grande vilão da crise - como tenta fazer o governador de São Paulo, que concentra no Banco Central as críticas ao governo, enquanto confraterniza em público com o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff, na tentativa de não se atritar antes da hora com um governo popular ou, quem sabe, de fazer com que parte do eleitorado lulista o veja como uma alternativa melhor do que a oficial.
Durante todo o primeiro governo Lula e boa parte do segundo, a permanência de Henrique Meirelles à frente do Banco Central era vista como uma capitulação de Lula aos méritos da política econômica tucana, e a autonomia do Banco Central como um dos principais fatores que conseguiram equilibrar a economia brasileira, mesmo com o aumento dos gastos públicos.
Não foram poucas as vezes em que o PSDB uniu-se para defender o Banco Central dos ataques de setores petistas, que pediam a cabeça de Meirelles.
O presidente Lula, recentemente, disse que o presidente do Banco Central é o ministro que mais defende o povo, pois, com a política fiscal, a inflação está sob controle e o poder de compra da população está preservado.
Até mesmo a valorização do real, em decorrência dos juros altos, tem a vantagem de fazer a alegria da classe média, embora prejudique as exportações.
Antes de a crise estourar, a oposição tinha um discurso de gerenciamento moderno eficiente contra o aparelhamento do estado petista, e defendia as reformas estruturais como imprescindíveis para que o país pudesse crescer no ritmo dos demais emergentes.
Com a crise, o papel do Estado na economia ganhou dimensões salvadoras em todo o mundo, e o governo Lula passou a defender a justeza de sua política, mesmo distorcendo conceitos e tratando como solução definitiva a intervenção do Estado que, nos países desenvolvidos, é vista como uma solução radical e temporária.
O que era considerado erro do governo passou a ser virtude: bancos estatais, programas sociais de cunho assistencialista como o Bolsa Família, que teriam efeito duplo, em termos equitativos e de aquecimento de demanda.
O aumento do salário mínimo, que aumenta a rigidez trabalhista e o déficit da Previdência, tem também um efeito direto sobre demanda através dos programas sociais a ele vinculados.
Até mesmo o PAC, cuja maioria de obras não saiu do papel, é apontado como um programa contracíclico de efeitos sociais, comparável pelos mais governistas ao New Deal que ajudou a tirar os Estados Unidos da Grande Depressão, na década de 30 do século passado.
Mesmo sendo uma obra propagandística, o PAC faz a alegria dos empreiteiros e ajuda a dar ao governo Lula o apoio de setores empresariais importantes.
As pesquisas de opinião mostram que a estratégia está dando certo e que a popularidade de Lula ajuda a alavancar a candidatura de Dilma Rousseff.
Para não perder novamente o poder nacional, será preciso a oposição convencer o eleitorado de que Dilma não é Lula outra vez. Só resta encontrar um caminho de unidade, com uma chapa puro-sangue, que contraponha a experiência administrativa de seus principais governadores à inexperiência de Dilma.

17 de maio de 2009

PSDB NEGA COMPOSIÇÃO DE "CHAPÃO" COM SERRA E AÉCIO

O senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, negou na tarde deste domingo que o partido já teria definido uma chapa, encabeçada pelo governador paulista, José Serra, com o governador mineiro, Aécio Neves, que a legenda tucana apresentaria nas eleições presidenciais de 2010.
De acordo com senador tucano, está mantida a iniciativa de realização de prévias dentro dos quadros do PSDB para decidir qual nome irá enfrentar o candidato à presidência da República da situação, provavelmente a ministra, Dilma Roussef.
Dentro do PSDB, postulam a indicação do partido os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves.
Questionado sobre a possibilidade de Aécio se tornar vice de Serra na disputa do próximo ano, conforme notícia veiculada neste domingo, Guerra disse que ainda não há definição sobre essa possibilidade e voltou a afirmar que prévias internas na legenda devem ser feitas em janeiro ou fevereiro do próximo ano.
"Não há nenhuma composição hoje sobre isso neste momento", disse Guerra