1 de junho de 2010

RESUMO DOS JORNAIS: ESTADÃO



Manchete: Israel ataca barcos civis, mata 10 e causa repúdio mundial

Israelenses alegam ter respondido a agressão de ativistas pró-palestinos que tentavam furar cerco a Gaza
A Marinha de Israel atacou ontem uma frota de seis barcos com ativistas da causa palestina, inclusive uma brasileira, que pretendiam furar o bloqueio a Gaza. A ação, em águas internacionais, deixou ao menos dez mortos e provocou reações negativas de toda a comunidade internacional, que acusou Israel de usar força desproporcional contra civis. Os israelenses disseram ter respondido a ataque dos ativistas e afirmam que o incidente foi criado para gerar propaganda contra o país. "É terrorismo de Estado", disse Recep Erdogan, premiê da Turquia, praticamente o único aliado de Israel no mundo islâmico. Entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Grã-Bretanha, França, Rússia e China condenaram Israel. Os EUA lamentaram as mortes e pediram investigação. Já o governo brasileiro disse esperar "alguma ação" da ONU. (Págs. 1 e Internacional A8, A10 e A11)



Foto legenda: Como foi o incidente



Ataque. Acima, a Marinha israelense aborda barco de ativistas; abaixo, ferido é socorrido em Israel



Mark Grant
Diplomata britânico
“Está mais claro do que nunca que as restrições em Gaza têm de acabar"



Análise
Posição moral do país fica mais comprometida



Foram "mortes programadas" - já se previa um incidente entre Israel e a "frota humanitária". Mesmo admitindo que o caso não leve a um conflito mais violento, a posição moral de Israel, já desastrosa, deve ser ainda mais criticada. Essa perspectiva só afligirá os verdadeiros amigos de Israel. (Págs. 1 e Internacional A8)

Governo corta mais R$ 1,2 bilhão da Educação
O governo definiu ontem os ministérios e órgãos que terão uma nova redução de orçamento este ano. Com R$ 1,28 bilhão a menos, o Ministério da Educação é o mais afetado. Em relação ao aprovado pelo Congresso, a pasta já registra perda de R$ 2,34 bilhões. O Executivo está reduzindo despesas no valor de R$ 7,5 bilhões, com a justificativa de tentar conter o consumo e, por consequência, o crescimento da economia e da inflação. Outra razão é se adequar às obrigações legais. (Págs. 1 e Economia B1 e B3)

Bolsa-Família não vence pobreza no NE

Estudo revela que os beneficiários do Bolsa-Família no Norte e Nordeste não superaram, na média, a condição de pobreza extrema, quando a renda por pessoa é de R$ 70. A renda média é de R$ 65,29 e R$ 66,21. (Págs. 1 e Nacional A7)

Autorizada construção de Angra 3

A Comissão Nacional de Energia Nuclear concedeu ontem licença de construção para a Usina de Angra 3. O projeto estava engavetado havia 35 anos. A usina deve começar a operar entre 2015 e o início de 2016. (Págs. 1 e Economia B5)

Litoral sofre surto de dengue

Entre janeiro e maio, foram registrados 22.346 casos de dengue em nove cidades do litoral paulista, ante 438 no mesmo período de 2009. O número de mortes saltou de 1 para 51. Santos é a cidade com mais vítimas: são 22 ocorrências confirmadas. A epidemia é a maior dos últimos sete anos na cidade. O número de contaminados pelo Aedes aegypti subiu mais de 58 vezes, segundo dados da Secretaria de Saúde de Santos. (Págs. 1 e Vida A15)

População de rua cresce 57% em SP

Em dez anos, o total de pessoas que vivem em situação de rua em São Paulo cresceu 57%. São 13.666 pessoas morando nas ruas da cidade ou dormindo em albergues. (Págs. 1 e Cidades C1)

Odebrecht atuará na área militar

A Odebrecht e o grupo europeu EADS DS anunciaram a instalação de uma empresa em São Paulo. A joint venture atuará no mercado de equipamentos militares. (Págs. 1 e Economia B13)



Nova técnica tenta conter vazamento (Págs. 1 e Vida A11)



Visão Global: A fé americana

A luta para conter o vazamento de óleo mostra que a ideia de que a tecnologia pode resolver tudo é exagerada, escreve Elisabeth Rosenthal. (Págs. 1 e Internacional A12)

Notas & Informações: O Estado glutão

A maior fatia do bolo econômico, no Brasil, vai para quem menos contribui para a produção. (Págs. 1 e A3)

Primeira Página

Israel ataca barcos civis, mata 10 e causa repúdio mundial
Governo corta mais R$ 1,2 bilhão da Educação
Bolsa-Família não vence pobreza no NE
Autorizada construção de Angra 3



Editorial
O Estado glutão
A esbórnia do Senado
Seguridad triunfa na Colômbia
A inflação poderá conter a demanda deixando marcas



Espaço Aberto
Motosserra sem ideologia :: Xico Graziano
Política com P grande :: Marco Maciel



Colunas
Dora Kramer
Direto da fonte :: Sonia Racy



Opinião
Oito séculos de crises financeiras :: Paulo R. Haddad
Bem-vindos, mas a casa é nossa :: Adriano Pires e Abel Holtz
Já se antecipava uma crise; foram mortes programadas :: Gilles Lapouge
Dificilmente o governo israelense sairá ileso de episódio :: Ian Black



Nacional
Centrais declaram guerra contra Serra
'É desonestidade intelectual', reage tucano
''Jabuticaba e sindicalismo a favor do Estado são tipicamente brasileiros''
Serra propõe vincular benefício a ensino técnico
Serra critica câmbio; Dilma fala em mexer na Previdência
Candidatos definem posições diferentes perante 'mercado'
Bolsa-Família não vence extrema pobreza no NE
Um giro pelas campanhas eleitorais
Lula deve sancionar Ficha Limpa como foi provado



Economia
Governo corta R$ 1,28 bi da Educação
''Degolados'' em março foram poupados agora
Produção industrial se estabiliza em um nível alto
Projeção para o IPCA fica estável em 5,67% após 18 semanas de alta
Bolsa tem o pior desempenho desde o auge da crise global
Governo já pode começar obras de Angra 3
Há 53 usinas nucleares em construção no mundo
Conta de gás vai cair até 46,45% no interior de São Paulo
País pode vender energia para Argentina e Uruguai
Odebrecht faz acordo com EADS para criar empresa dedicada à área militar
Parceria mostra importância maior do Brasil no setor
Lula coloca em dúvida viabilidade do carro elétrico
O que está em jogo é o destino dos carros flex
GM de São Caetano produzirá carro mundial
Ford é condenada a restituir dinheiro ao governo gaúcho
Setubal e Moreira Salles fazem acordo com a CVM
Principais aeroportos do País estão com excesso de demanda
Desmilitarização vai ficar para o próximo governo


Vida&
Inca alerta mulheres sobre risco do cigarro
Notas


Internacional
Ataque de Israel a flotilha humanitária deixa 10 mortos e revolta o mundo
Segundo Turquia, ação de Israel foi 'terror de Estado'
Brasileira está ''em boas condições de saúde'', diz Israel
Lula promete ao Irã buscar apoio a acordo
Ataque exige resposta da ONU, afirma Amorim


Esportes
Para Lula, há poucos valores individuais





RESUMO DOS JORNAIS: FOLHA DE SÃO PAULO



Manchete: Israel ataca barco humanitário e causa protestos pelo mundo

Ao menos 9 morreram em embarcação que levava ajuda a Gaza; premiê apoia ação militar e ativista diz que houve 'assassinato'

Ao menos nove ativistas foram mortos e dezenas ficaram feridos em choques na interceptação de seis navios que tentavam furar bloqueio de Israel para levar ajuda humanitária a Gaza.

Os confrontos ocorreram em embarcação de bandeira turca, na qual havia cerca de 500 ativistas de vários países, quando a frota estava em águas internacionais.

O incidente deflagrou uma onda mundial de condenação a Israel, que afirmou que os soldados reagiram a ataques dos ativistas.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, apoiou a ação militar. Falando de Chipre, uma líder do movimento Gaza Livre qualificou o confronto no mar como "assassinato".

O governo brasileiro chamou o embaixador de Israel para explicações. (Págs. 1 e A12)

Foto legenda: Navio da marinha israelense intercepta em águas internacionais barcos que transportavam ajuda humanitária para a faixa de Gaza e foram levados depois para o porto de Ashdod

Foto legenda: Policial usa spray de pimenta em ato anti-Israel em Paris

Foto legenda: Paramédica Israelense dá socorro a ferido no confronto

Clóvis Rossi
Tropa israelense utilizou força desproporcional (Págs. 1 e A14)

Giora Bechner
Havia perigo, e soldados agiram em autodefesa

Giora Becher, 60, é embaixador de Israel no Brasil (Págs. 1 e A13)

Dilma defende mais contribuição para Previdência

Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Planalto, defendeu aumento no tempo de contribuição para a Previdência. Ela sugeriu estender a terceira idade "um pouco mais para lá"; depois recuou, dizendo que falava de sua idade (62). (Págs. 1 e A8)

Brasileira está entre ativistas sobreviventes

Um dos sobreviventes do ataque à frota é a cineasta e ativista brasileira Iara Lee.
Descendente de coreanos, ela viajava com passaporte dos EUA, onde mora.
Segundo a Embaixada de Israel em Brasília, Lee está bem e deverá ser deportada.
Pela rede social Facebook, ela descreveu a abordagem israelense. (Págs. 1 e A14)

Receita Federal quer cobrar R$ 5,5 bilhões da Bolsa de SP (Págs. 1 e B1)

Faltam vacinas contra H1N1 em clínica particular
A 20 dias do início do inverno, a vacina contra a gripe H1N1 está em falta nas principais clínicas particulares do país. Laboratórios dizem que estão distribuindo o medicamento. (Págs. 1 e C11)

Cotidiano: Médicos 'loteiam' seus eventos para a indústria de remédios (Págs. 1 e C5)

Editoriais
Leia "Ataque em alto-mar", sobre ação militar de Israel; e "Receita duvidosa", acerca da relação promíscua entre médicos e indústria farmacêutica. (Págs. 1 e A2)

Primeira Página

Israel ataca barco humanitário e causa protestos pelo mundo
Dilma defende mais contribuição para Previdência
Receita Federal quer cobrar R$ 5,5 bilhões da Bolsa de SP

Editorial
Ataque em alto-mar
Receita duvidosa

Opinião
Brasília - Eliane Cantanhêde: Marcha da insensatez
Rio de Janeiro - Carlos Heitor Cony: Receita de vice
Marcos Nobre: Evitar a guerra
Painel do leitor

Colunas
Painel
Janio de Freitas
Toda Mídia :: Nelson de Sá
Vinicius Torres Freire
Vaivém :: Mauro Zafalon
Benjamin Steinbruch
Mercado Aberto
Mônica Bergamo

Tendências | Debates
Eduardo Matarazzo Suplicy: Como superar a dependência
Hermes Fonsêca de Medeiros: Fatos sobre Belo Monte

Poder
Governo corta R$ 7,5 bi e atinge gasto de área social
Bolsa Família não elimina extrema pobreza
Lula libera R$ 6,6 mi a emenda de Ciro
Deputado, que está nos EUA, não se manifesta
Vice não precisa ser de Minas, diz Aécio
Dilma sugere contribuição mais longa à Previdência
Os críticos nos consideram "uns babacas", diz Lula
Serra propõe curso técnico para saída do Bolsa Família
Falta substância ao discurso econômico dos candidatos
Paulinho defende eleição de Dilma, critica Serra e ironiza "mais uma" multa
Depois de atrito, CNJ tem reunião tensa
Família de Jango nega interesse financeiro na apuração de morte
Presidente da OAB condena ação de espionagem na gestão Sarney

Mercado
Receita Federal quer cobrar R$ 5,5 bi da BM&FBovespa
Bolsa diz que agiu na lei; Natura e Santander recorrem de multa
Mantega afirma que vai tornar regras tributárias mais rígidas
Uso da capacidade instalada da indústria recua após 15 meses
Executivos de Itaú-Unibanco fazem acordo com CVM
Usina de Angra 3 obtém licença de construção
Tarifa da Comgás para residências sobe até 0,11%
Setor aéreo no país deve triplicar em 20 anos, afirma Ipea
GM vai investir mais R$ 700 mi no país
Preços de carros devem subir neste ano, mas mercado ainda tem forte potencial
Consumo de energia das famílias cresce mais que o previsto
Atenção a consumidor piora em 2010
Consumo leva indústria e varejo a prever melhor ano da história
MT quer abocanhar fatia maior no setor de flores tropicais
Falta de planejamento afeta sucesso da cadeia produtiva
Bolsa cai 6,6% e é pior aplicação em maio
Publicidade tem alta de 4% em 2009
PIBs de Canadá e Índia superam expectativas

Mundo
Israel mata 9 ao parar navio rumo a Gaza
Brasil chama embaixador para cobrar explicações
Brasileira que estava em barco sobrevive a ataque
Repercussão
Análise: Em choques entre vontades de ferro, quem tem a força mata mais. Sempre
Lula promete ao Irã fazer lobby antissanção
Porto vira palco de protestos nacionalistas
Em novo revés, Mockus vê derrotados negarem apoio
Futebol X Eleição: Jogo do Brasil deve elevar abstenção
Berlinda: Pesquisa de opinião são questionadas

Cotidiano
MEC libera boletim de desempenho por áreas da prova
Familiares criticam investigação sobre a queda do voo 447

Esportes
Brasileiro sequestrado na África já pode voltar

Ilustrada
Conselho da TV Cultura elege presidente

Saúde
Falta vacina contra H1N1 em clínicas particulares


RESUMO DOS JORNAIS: O GLOBO


Manchete: Mundo condena Israel por ataque a frota humanitária

Nove ativistas são mortos, e protestos aprofundam isolamento do país

O ataque israelense a uma frota de navios que transportava uma carga de 10 mil toneladas de ajuda aos palestinos da Faixa de Gaza recebeu condenação mundial. Pelo menos nove pessoas morreram. A frota saíra da Turquia levando 700 ativistas, entre eles deputados europeus e uma vencedora do Prêmio Nobel da Paz. A crise aprofunda o isolamento de Israel. A Turquia, que já foi um aliado israelense no mundo muçulmano, chamou o ato de terrorismo de Estado. Houve protestos em vários países europeus e do Oriente Médio. O presidente Barack Obama pediu investigação, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou o "derramamento de sangue". O Itamaraty condenou o ataque. A cineasta brasileira Iara Lee, que estava a bordo, passa bem. (Págs. 1 e 26 a 28)

Foto legenda: Protesto contra o ataque israelense se realiza em Estocolmo: houve reação de condenação em diversas capitais da Europa e do Oriente Médio

Dossiê abre crise na campanha de Dilma

Depois do escândalo dos aloprados do PT na campanha de 2006, quando tentaram comprar um falso dossiê contra o tucano José Serra, agora é a campanha de Dilma Rousseff que está às voltas com uma suposta nova tentativa de atingir Serra: desta vez, o alvo seria a filha do tucano. A crise expõe ainda uma briga de poder no comando da campanha de Dilma. (Págs. 1 e 3)

Moradores de rua receberão Bolsa Família

O governo federal vai distribuir Bolsa Família a cerca de 40 mil moradores de rua identificados pelo IBGE em cidades com mais de 300 mil habitantes. Serão 300 mil bolsas para a população de rua, quilombolas, ribeirinhos e indígenas. As contrapartidas, como manter crianças na escola, não serão dispensadas. (Págs. 1 e 11)

Educação vai sofrer corte de R$ 1,3 bi

Os ministérios da Educação e dos Transportes foram os mais atingidos pelos novos cortes nos Orçamento da União, para aliviar as pressões sobre a política monetária e atenuar a alta de juros pelo Banco Central. Na Educação, o corte foi de R$ 1,3 bilhão; e nos Transportes, de R$ 981 milhões. (Págs. 1 e 23)

Lula: só Geisel investiu tanto em estradas

O presidente Lula voltou a fazer comparações com os governos militares. Desta vez, disse que só se investiu tanto em rodovias no governo Geisel, mas com dívida. Disse ainda que "é gostoso crescer a 6%". (Págs. 1 e 22)

Enquanto isso ...
Alemão renuncia por falar demais

Horst Koehler renunciou à Presidência da Alemanha ontem, após lamentar polêmica causada por entrevista na qual dizia que o país devia usar a força militar no Afeganistão para "defender seus interesses". (Págs. 1 e 29)

Após 24 anos, Angra 3 sai enfim do chão

Depois de 24 anos e muita polêmica, foi dado o sinal verde para a construção da usina nuclear de Angra 3. Ontem foi concedida a licença de construção, que abre caminho para um investimento de R$ 8,4 bilhões na obra, que deve estar concluída em 2015. A previsão é gerar 9 mil empregos diretos. (Págs. 1 e 21)

Inflação 4x0 aplicações

Pelo quarto mês consecutivo, as aplicações perderam para a inflação. A Bolsa recuou 6,64% em mala. Até o dia 25, os fundos FGTS Petrobras e Vale perderam, respectivamente, 15,45% e 12,59%. Apenas dólar, ouro e fundos cambiais bateram a inflação. A renda fixa também perdeu. (Págs. 1 e 24)

Primeira Página

Mundo condena Israel por ataque a frota humanitária
Dossiê abre crise na campanha de Dilma
Moradores de rua receberão Bolsa Família
Educação vai sofrer corte de R$ 1,3 bi

Editorial
Ofim do fator previdenciário e o reajuste
Diplomacia das linhas tortas

Opinião
As lições da América Latina :: Rodrigo Botero Montoya
Dos leitores

Colunas
Panorama Político :: Ilimar Franco
Merval Pereira
Luiz Garcia
Ancelmo Gois
Panorama Econômico :: Miriam Leitão
Negócios & Cia :: Flávia Oliveira

O País
No rastro de novos 'aloprados'
Oposição quer que Planalto devolva R$ 3 milhões de viagens com Dilma
Paulinho da Força faz 'terrorismo' sobre Serra
PT e PMDB brigam e não entram em acordo sobre palanques nos estados
Dilma fala em 'estender' 3ª idade
Serra critica falta de infraestrutura
UPA é inaugurada em clima de campanha
Lula com bacalhau
AGU recomenda sanção ao projeto Ficha Limpa
PDT formaliza indicação de Major Olímpio para vice de Mercadante
Sem decisão sobre PT intervir no Maranhão
Dilma volta ao Estado forte
Tesoureiro da campanha de Dilma sob exame
Governo vai dar Bolsa Família para 46 mil moradores de rua
Documento das centrais fala em 'evitar retrocessos' na eleição
Procuradoria pede que Lula seja multado de novo
Brasil é o pior do mundo em um mal milenar

Economia
Sinal verde para Angra 3
Plano de contingência para a Copa
Lula afirma que seu governo é o que mais investe em rodovias desde Geisel
Má conservação atinge 65% das estradas
Educação e transportes são as áreas mais afetadas com cortes do governo
Meirelles: 'time está ganhando de 4 a 0'
Reajuste fará do minério de ferro o principal item exportado pelo Brasil
Defesa descarta desmilitarizar controle aéreo
Bolsa: pior mês desde outubro de 2008
Jornalista desvenda interesses de grupo português na mídia
Odebrecht faz parceria com gigante de defesa

O Mundo
Brasileira escapa ilesa
Clamor mundial contra Israel
Brasil pede ação da ONU e condena ataque em águas internacionais
AIEA: Irã tem 2 toneladas de urânio enriquecido

Esportes
Jogadores vão servir como cabos eleitorais

Razão Social
País terá regra para cultivo de semente
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RESUMO DOS JORNAIS: VALOR ECONÔMICO



Manchete: 'Clube do bilhão' tem 85 empresas abertas no país

As empresas bilionárias com ações em bolsa já faturam o equivalente a quase um terço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. São 85 companhias de capital aberto com receita líquida anual superior a US$ 1 bilhão e nove com ganho acima de US$ 10 bilhões. A receita somada dessas companhias não financeiras foi de US$ 470,4 bilhões em 2009, ou 30% do PIB.

Em 2000, o Brasil tinha 39 empresas com faturamento líquido superior a US$ 1 bilhão - apenas a Petrobras estava acima de US$ 10 bilhões -, que somavam receitas correspondentes a a 17% do PIB. Desde o ano passado, a receita líquida da estatal do petróleo supera US$ 100 bilhões. (Págs. 1 e D1)

Foto legenda: Juiz e não justiceiro

O ministro Eros Grau deixa o Supremo em agosto. Chegou a pensar em se aposentar no início do ano, mas ficou para julgar o processo da Lei da Anistia "como juiz e não como justiceiro". (Págs. 1 e A6)

Perdas à vista com estádios da Copa 2014

Os 12 estádios que serão palco da Copa do Mundo de 2014 podem virar elefantes brancos sem um plano de negócios que amplie as fontes de recursos e dobre o número de torcedores, revela estudo da consultoria especializada Crowe Horwath RCS. Para dar lucro, um estádio no Brasil com cerca de 50 mil lugares e custo médio de construção de R$ 500 milhões (padrão Fifa) precisa gerar receitas líquidas anuais a partir de R$ 10 milhões por até 20 anos. Para isso, a taxa de ocupação dos estádios teria de subir dos atuais 40%, alcançados no campeonato brasileiro de 2009, para os 80% a 90% registrados nas competições da Europa. (Págs. 1 e A14)

Há um batalhão de hackers atrás dos clientes dos bancos

Um banco como o Bradesco sofre 26 tentativas de invasão de seu sistema por minuto - foram 14 milhões nos últimos 12 meses. O Bradesco integra o ranking mundial das companhias mais visadas e, no Brasil, é seguido na preferência dos hackers por quatro de seus rivais - Banco do Brasil, Santander, Itaú Unibanco e Caixa -, segundo levantamento feito pela empresa russa de software antivírus Kaspersky, a pedido do Valor.

"Os casos mais comuns são de mensagens falsas se passando por um pedido de atualização de cadastro", afirma Fabio Assolini, analista da Kaspersky . Ele estima que, no Brasil, as fraudes na internet causem prejuízo aos bancos de US$ 75 milhões a US$ 100 milhões por ano. (Págs. 1 e B3)

Nó trabalhista tira a expansão da GM de S. José

Depois de uma longa e frustrada negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos, a General Motors desistiu de destinar à fábrica de São José dos Campos a parcela que faltava para concluir seu programa de investimentos até 2012. Quem ganhou foi a unidade de São Caetano do Sul, que ficou com os R$ 700 milhões que iriam para São José.

O nó da negociação se concentra na flexibilização da jornada. As montadoras não abrem mão de horários de trabalho flexíveis, de acordo com o ritmo das linhas de montagem determinado pela demanda. Ligado ao PSTU, o sindicato de São José tem na jornada rígida uma de suas principais bandeiras. (Págs. 1 e B9)

Ford ainda é afetada por revés no RS

A Ford foi condenada em primeira instância pela Justiça gaúcha a restituir R$ 127,8 milhões ao governo do Rio Grande do Sul, a serem corrigidos desde 1998, por conta do rompimento do contrato firmado com o Estado para a implantação de uma unidade industrial em Guaíba, em abril de 1999. A montadora recorreu da sentença e a apelação deve ser remetida nos próximos dias para julgamento no Tribunal de Justiça.

A Ford desistiu de montar uma fábrica em Guaíba depois de ter assinado contrato com o governo Antônio Britto (PMDB), rescindido na gestão Olívio Dutra (PT). A decisão judicial determina que a empresa restitua os benefícios recebidos para instalar a fábrica, inclusive R$ 35,7 milhões de um empréstimo concedido pelo Estado. (Págs. 1 e B9)
Grécia exige preços menores e abre crise com farmacêuticas (Págs. 1 e A11)

Excesso de produção ameaça o setor siderúrgico (Págs. 1 e B6)

Acomodação na indústria
O nível de utilização de capacidade utilizada na indústria de transformação caiu de 85,1 % em abril para 84,9% em maio, primeira queda desde janeiro de 2009. (Págs. 1 e A3)
MP denuncia ex-dono da Dudony
O Ministério Público do Paraná apresentou denúncia criminal por fraude a credores contra o empresário Antônio Donisete Busíquia, antigo dono da varejista Dudony, comprada há um ano pelo Baú Crediário. (Págs. 1 e B4)
Resseguro na saúde
Para reduzir perdas com o aumento da sinistralidade - que chegou a quase 83% no ano passado, maior taxa desde 2005 -, operadoras de planos de saúde adotam sistema de resseguro ("stop-loss"). (Págs. 1 e B4)

Corrida à China

Grandes redes internacionais de hotéis, como Marriott, Carlson, Accor, InterContinental e Starwood ampliam sua presença no mercado chinês. (Págs. 1 e B4)

Cikel transfere fábrica para o Pará

O grupo Cikel, que atua nos ramos madeireiro e siderúrgico, vai unificar sua área de pisos e transferir a fábrica de Araucária (PR) para Ananindeua (PA), que terá a capacidade ampliada em 50%. (Págs. 1 e B8)

Investimentos da Michelin

Com previsão de aumento das vendas mundiais em 10% neste ano, a fabricante de pneus Michelin volta a acelerar seus planos de investimento. (Págs. 1 e B9)

Guarani compra a Mandú

A Açúcar Guarani pagou R$ 345 milhões pela Usina Mandú, localizada no noroeste de São Paulo, mesma área onde estão instaladas as outras seis unidades que a Guarani tem no Brasil. (Págs. 1 e B11)

Importação de trigo

O governo brasileiro vai avaliar pedido dos parceiros do Mercosul para a majoração da Tarifa Externa Comum (TEC) do trigo dos atuais 10% para 35%. (Págs. 1 e B12)

Ideias
Delfim Netto
É tempo de governo e Congresso acordarem para nossa cômoda e alegre aceitação do neocolonialismo chinês. (Págs. 1 e A2)

Ideias
Luiz Gonzaga Belluzzo
As manifestações na Europa sugerem que a sociedade prepara novas respostas às façanhas da economia do Mal-Estar. (Págs. 1 e A13)

Primeira Página

'Clube do bilhão' tem 85 empresas abertas no país
Perdas à vista com estádios da Copa 2014

Editorial
Uma lei para fazer parte da vida política do país

Opinião
Frase do dia
Emprego público e democracia :: Fernando M. de Mattos
Competitividade: a questão imprescindível é o câmbio :: Antonio de Lacerda

Colunas
Antonio Delfim Netto
Luiz Gonzaga Belluzzo
Raymundo Costa
Daniele Camba
Eduardo Campos

Política
Para Pavan, intransigência de DEM e PMDB inviabiliza aliança
Skaf licencia-se da Fiesp e Steinbruch assume
Curta
Eros sairá no meio da campanha
Malheiros, Asfor Rocha, Fux e Fachin disputam vaga
Candidato de Aécio vence em Ipatinga
Ministério Público Eleitoral pede mais três multas a Lula
Ausência de comando na campanha de Dilma preocupa lideranças do PT
Petista e tucano divergem sobre rumos do desenvolvimento
Candidata encontra intelectuais no Rio de Janeiro

Brasil
Rio Grande do Sul quer investir 20% da receita em infraestrutura
Não há gargalo no setor de energia, garante CPFL
Angra 3 obtém licença para início das obras
Uso de capacidade tem leve queda
Construção reduz ritmo de expansão
Para analistas, preço do minério de ferro deve elevar projeções de inflação
Mercado deixa inalterada previsão para IPCA deste ano
Curta
Importadores argentinos já detectam flexibilização
Negociadores estão céticos em relação a acordo sobre algodão
Ministro vê oportunidade para diversificação na Alemanha
Gasto do Tesouro com obras do PAC cresce 108% no ano
Educação e Transportes mantêm despesas
Petrobras aumenta em 33% os investimentos no primeiro quadrimestre

Internacional
Curtas
Morales se diz surpreso com tráfico na Bolívia
Índia acelera e bloco de emergentes superaquece

Especial
Estádios podem virar "elefantes brancos"
No Recife, clubes barram 4º campo
Aeroportos de cidades-sede já operam acima da capacidade

Empresas & Tecnologia
Curtas
Resseguro chega aos planos de saúde
Como funcionam os sistemas pré e pós-pago
Jirau oficializa na Aneel aumento no número de turbinas
Bancos reforçam sistemas contra ataque de hackers
Ultra enfrentará nacionalismo europeu na oferta pela Shell
Fábrica de São José perde espaço na GM
Ford recorre de derrota na disputa com governo do RS

Finanças
CVM vai flexibilizar regra para as letras
Banco Central encerra linhas de crédito anticrise
Fed e BCE exaltam papel de emergentes na retomada
Ricardo Flores toma posse da presidência da Previ

Investimentos
Mercado acelera consolidação
Empresas de grande porte fazem bem ao país, diz Giannetti
Onda de vendas pode ter atingido o pico
'Clube do bilhão' tem 85 empresas abertas no país

Agronegócios
Curtas
País avalia pedido de vizinhos para aumentar a TEC do trigo
Brasil e EUA discutem resíduo em carne
Rossi quer inspeção rigorosa
Açúcar volta a despencar em NY em maio

Legislação & Tributos
Destaques
Previdência Social anuncia mudanças no FAP
CNJ define tarefas mínimas para Justiça

The Wall Street Journal Americas
Excessos de produção criam pressões sobre preço do aço






RESUMO DOS JORNAIS: JORNAL DO COMÉRCIO



Manchete: Israel ataca pacifista e o mundo protesta

Nove pessoas morreram em investida contra navios com ajuda humanitária para Faixa de Gaza. Depois, lanchas escoltaram embarcações ao porto de Ashdod. Governos censuraram a ação e manifestações explodiram nos quatros cantos do planeta. (Pág. 1)

Investidores temem problemas sociais (Pág. 1)

Primeira Página

Israel ataca pacifistas e o mundo protesta

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Cláudio Humberto
O Presidente Responde
Pinga Fogo

Política
Eduardo prepara time da campanha pela reeleição
Equipe quer Dilma sem retoques na Internet

Economia
Violência e corrupção preocupam investidor
Construção civil está otimista, diz CNI
Lula questiona uso de carro elétrico
BC prevê IPCA estável

Brasil
Bolsa Família ainda não elimina pobreza extrema
Familiares querem uma investigação internacional

Internacional
Israel ataca civis em navio e revolta o mundo
Brasileira está bem e será deportada
Lula reage a críticas das potências




31 de maio de 2010

ANONIMATO NA INTERNET


COTURNO NOTURNO

31/05/2010



Hoje o decano dos blogueiros, Ricardo Noblat, investe, na sua coluna em O Globo, contra o anonimato na internet. Deveria, então, fechar a sua área de comentários que, aliás, era o que havia de melhor em seu blog, sem demérito ao seu bom trabalho de clipagem e aos raros posts da sua própria lavra, o que lhe rendeu o apelido de O Isento. Sempre é mais fácil chamar um José Dirceu, acusado dos piores crimes contra o erário, cassado e com uma extensa folha corrida, para encher grande parte dos seus leitores de fúria e uns poucos de alegria, já que o blog do Noblat, pelos conceitos do Datafolha, publicados ontem, é majoritariamente de direita. Ou chamar um Marcos Coimbra que, ontem, em artigo sobre o "discurso da oposição", falou uma única vez na "Dilma" e dez vezes no "Lula", mostrando o quanto é fraca a candidata da situação que ele já tem declarado eleita, sob os auspícios do blogueiro. Difícil é, em cada post de um blog, colocar a sua opinião, o seu pensamento, já que o blog é assinado e, pela sua essência, deveria expor o que o dono pensa. O mais irônico é que o Noblat joga para cima dos "anônimos" ou das "falsas identidades" da internet a culpa pelo jogo sujo da campanha eleitoral. Ele não está sendo oportunista, está sendo escapista. Ele, melhor do que ninguém,sabe que o jogo sujo vem sendo jogado pelos políticos e por alguns jornalistas claramente financiados pelo governo Lula, basta olhar os banners de patrocínio dos seus sites e blogs, os seus contratos milionários, a sua linha editorial. Vem sendo jogado pelo próprio governo, que comete crime em cima de crime eleitoral, forçando a oposição a usar as mesmas armas sob pena de perder a eleição antes que a campanha, propriamente dita, comece. O jogo sujo vem sendo jogado pela máquina pública, que usa todo o seu poder econômico e político para alavancar uma candidatura oficialista e personalista. O problema do jornalismo devidamente identificado em relação a internet dos "anônimos" é que ela incomoda. E incomoda muito. Neste blog, por exemplo e apenas como uma homenagem a todos os blogueiros anônimos, foi levantado o problema dos cartões corporativos, com a descoberta da compra da ministra Matilde no Duty Free. Aqui foram denunciados os gastos pessoais da Família Silva, pagos com dinheiro público. Aqui foi informado em primeira mão que a candidata petista não tinha diploma de mestrado e doutorado. E foram dados uma série de "furos" que, posteriormente, foram apropriados pela grande imprensa como se fossem seus. Esta é a verdadeira bronca, pois não se tem notícia na internet de que "anônimos" ou "falsas identidades" tenham alguma vez destruído a reputação de quem tinha reputação. Agora, contra quem tem o rabo preso, a internet anônima faz, sim, um estrago e tanto. A internet anônima e desinteressada rompe a blindagem de personagens da vida pública corruptos e desonestos, muitas vezes garantida por jornalistas amigos e companheiros. Este é o papel que os blogueiros anônimos assumiram, em tempos de uma imprensa cada vez mais aparelhada e venal. Eles são anônimos por um motivo muito simples: não ganham dinheiro produzindo notícias e analisando os fatos, ao contrário de jornalistas, colunistas e blogueiros devidamente identificados, com os seus salários milionários, que vivem de reproduzir o que é melhor para sí, para sua imagem, para o seu business pessoal, pouco se lixando para a opinião pública. O anonimato na internet é a proteção de muitos cidadãos brasileiros contra perseguições em suas atividades cotidianas em empresas, universidades e repartições públicas. Inclusive contra perseguições gratuitas e sem sentido promovidas por jornalistas e blogueiros oficiais.

VAI, AMORIM, ENFIANDO O PÉ NA JACA…



VEJA

REINALDO AZEVEDO

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O Itamaraty faz o que bem entende com boa parte da imprensa brasileira. E não é de hoje. Celso Amorim, o Colosso de Rhodes da diplomacia mundial, consegue transformar, por aqui, em sucessos todos os seus desastres. Até agora, o Megalonanico petista não ganhou uma. Mas emplaca suas versões com impressionante habilidade. Pronto! Celso Amorim é um ministro das Relações Exteriores especialista em enganar jornalismos interiores…

No Estadão de ontem, havia uma reportagem cujo título era este: “Desmentido dos EUA irrita Itamaraty”. Uma “alta fonte” da diplomacia brasileira deu uma declaração em off, embora entre aspas, o que é um procedimento interessante e revolucionário. O sujeito não tem rosto nem nome, mas tem voz. Disse ao jornal:
“Causa estranheza ouvir de representantes do terceiro ou quarto escalão do governo dos EUA frases que põem em dúvida o que a mais alta autoridade americana afirmou, por meio de carta, ao presidente de outro país”.

Essa “alta fonte”, dada a qualidade da intervenção, deve ter sido mesmo Celso Amorim. “Fonte”, vá lá. Que seja “alta”, aí já é manifestação de generosidade do jornal.

Como se nota, o dito-cujo está se referindo à entrevista de funcionários do Departamento de Estado dos EUA, concedida na sexta-feira, em que afirmaram que a tal carta de Barack Obama a Lula não continha “instruções” para acordo nenhum. Mas isso era até o de menos e vou dizer por quê. Antes, uma lembrança: já havíamos comentado essa carta aqui há quase duas semanas. Ela deixa claro, note-se, que os EUA não abririam mão das sanções se o Irã não subordinasse à inspeção da AIEA o seu programa nuclear. E, naquele fabuloso dia 17 de maio, enquanto o Brasil batia tambor para o acordo, os iranianos anunciaram que continuariam a enriquecer urânio, tirando a escada de Amorim e Lula, deixando-os pendurados na brocha. Não é que os dois não soubessem que assim seria; só não contavam que o Irã fosse ser tão rápido em desmoralizá-los. Menos de 24 horas depois, os EUA anunciaram o entendimento das cinco potências para as sanções.

Por que a carta era o de menos? Os funcionários americanos — que Celso Amorim ou um prepostinho seu considera de “terceiro ou quarto escalões” (ao menos eles tinham cara, não oferecendo aspas sem rosto) — revelaram que a carta era um entre muitos documentos. Informaram que o Brasil recebeu relatórios secretos do serviço de Inteligência dos EUA com informações sobre o programa nuclear iraniano. E, ESCÂNDALO DOS ESCÂNDALOS!, a quase totalidade da imprensa fez de conta que isso não era “A” notícia!

O governo brasileiro omitiu essa informação de todo mundo e vazou a carta de Obama, o que, não fosse uma tentativa descarada de manipulação, já caracteriza uma grosseria. Vale dizer: o Brasil negociou com o Irã sabendo tudo, ou quase tudo, que os EUA sabiam — e isso inclui o dado essencial de que Ahmadinejad manteria no país, estocada, pelo menos uma tonelada de urânio, que pretende enriquecer por conta própria, sem qualquer acordo. Estima-se que é suficiente para conseguir ao menos um artefato nuclear. Não só! Sabe-se agora que a Coréia do Norte, outro estado delinqüente, está colaborando com os programas nucleares da Birmânia e do… Irã!!! Não duvido nada que Lula e Amorim soubessem disso também.

O governo brasileiro planta ainda duas versões, que estão sendo muito bem-aceitas por alguns dos nossos jornalistas comportados e nacionalistas. A primeira: os EUA estariam exercendo uma estratégia de “controle de danos”, para tentar reverter um suposto desgaste gerado pelo “vazamento” da carta… Nem diga! A imagem do país e a de Obama ficaram abaladíssimas!!! No mundo, só se fala de outra coisa.

A outra informa que Obama e Hillary estariam usando o Irã para resolver seus problemas internos. Como enfrentarão em breve eleições legislativas, querem evitar a pressão dos republicanos etc. e tal… Pois é. Isso é, com efeito, parcialmente verdadeiro numa democracia e numa República, como efetivamente são os EUA. Governos têm de se ocupar do que pensam as outras forças políticas. E a razão é simples: ELAS TAMBÉM REPRESENTAM OS AMERICANOS, EM NOME DOS QUAIS BARACK OBAMA EXERCE A PRESIDÊNCIA. Por lá, ser oposição não é tratado como ato criminoso ou falta de juízo, a exemplo do que se dá a entender, às vezes, no Brasil.

Quem está, aí sim, numa estratégia de “controle de danos”, parcialmente bem-sucedida, é o Itamaraty. Na média, reitero, a imprensa brasileira ainda não refletiu o tamanho do desastre diplomático a que Amorim e Lula nos expuseram desta vez. Ao contrário: parte dela vestiu a camisa verde-amarela e passou a se comportar como torcida.

O fato é que este gigantesco factóide falhou! Só resta agora brincar de fazer discurso antiamericano na boca da urna. Um dos jornalistas do Franklin já foi escalado para sugerir que tudo, no fundo, seria mesmo culpa de FHC, que até teria convencido Bill Clinton a convencer Obama a não visitar o Brasil antes das eleições. A máquina, meus caros, é poderosa! O chato, nesse caso, é que os EUA têm como se comunicar com o mundo. Não dependem da televisão da Teresa Cruvinel. Imaginem o “acordo” sendo vendido pela Lula News a 49 países africanos! Huuummm… Só seis entendem o português. E isso nem quer dizer necessariamente que entendam direito o que Lula fala.

MODERNO SÃO PAULO E A POLÍTICA NACIONAL


Autor(es): Luiz Werneck Vianna

Valor Econômico - 31/05/2010

Política

 
Nessa próxima sucessão, salvo mudanças catastróficas no estado atual da disposição das forças políticas do país, teremos mais um presidente extraído das fileiras ou do PSDB ou do PT, mais quatro anos para esse ciclo que se abriu em 1994 e que está destinado a completar duas décadas em 2014. Nenhum outro partido durante esse longo período conseguiu se projetar de modo competitivo a ponto de ameaçar a posição desses dois partidos nas disputas presidenciais, largamente majoritários nos resultados das eleições presidenciais, embora, como se saiba, não contem com força própria de sustentação no Poder Legislativo, dependentes, quando vitoriosos eleitoralmente, de amplas coalizões com outros partidos. Mas, essa ressalva, contudo, não contraria o fato de que ambos se constituam como partidos hegemônicos na estrutura partidária brasileira, e de que sejam reconhecidos como tais pelos demais partidos.

Mas essa hegemonia embute outra, qual seja o papel dominante do Estado de São Paulo na política da Federação. Tanto o PSDB como o PT são "partidos paulistas", nascidos de movimentos sociais que fizeram parte da resistência ao regime militar, o segundo com origem no sindicalismo da região do ABC, sede da moderna indústria metalúrgica, e, o primeiro, como expressão de círculos intelectuais e de políticos nucleados em torno de um diagnóstico comum sobre o que seriam os males do país. Desse tempo originário guardaram marcas que conservaram nos seus primeiros embates eleitorais, é verdade que, hoje, algumas delas bem esmaecidas, quando não relegadas ao plano do que deve ser esquecido. Contudo, a memória da infância nos partidos é como nas pessoas - um partido já formado é prisioneiro, de algum modo, da sua história de fundação.

PT e PSDB, embora procedentes de regiões diversas do social, vão ter em comum a valorização da matriz do interesse e a denúncia do patrimonialismo, e não à toa "Os Donos do Poder", o clássico de Raimundo Faoro, será referência de ambos ao começarem suas trajetórias. Aliás, Faoro foi um dos fundadores do PT e é celebrado como um dos ícones do partido. Precisamente nesse sentido é que podem ser compreendidos como partidos paulistas na medida em que localizam no Estado a raiz do nosso autoritarismo político, das políticas de clientela e de um burocratismo parasitário a impedir a livre movimentação da sociedade civil. No diagnóstico da época, era preciso emancipar os mecanismos da representação política dos da cooptação, traço do nosso DNA herdado da história ibérica. No caso dos sindicatos, preconizava o PT, era preciso romper com a Consolidação da Legislação Trabalhista (CLT), e conduzir suas ações reivindicativas para o sistema da livre negociação com os empresários, cuja força dependeria da sua capacidade de organização e de mobilização dos trabalhadores.

A matriz do interesse, além de moderna, seria libertária, vindo a significar uma ruptura com uma cultura política que afirmaria a primazia do Estado e dos seus fins políticos sobre a sociedade civil. Essas afinidades no ponto de partida não resistiram à exposição às circunstâncias da política. Nascidos no mesmo solo, com vários pontos em comum, essas duas florações da social-democracia brasileira, partindo de São Paulo, igualadas em força aí, mais do que aproximar as suas convergências, se entregam a uma dura luta por território. No plano da disputa nacional, essa luta se tem caracterizado pelo esforço desses partidos em arregimentar aliados que engrossem suas hostes, desequilibrando a disputa em seu favor.

Assim, essas expressões do moderno na política brasileira, que se têm encontrado em tantos pontos na modernização e expansão do capitalismo brasileiro, encaminham o seu antagonismo na disputa pelas forças do atraso político e social. Com isso, os impulsos modernizadores vindos de São Paulo são moderados pelo cálculo político que preside a disputa entre seus grandes partidos - um deles, o PSDB, governando o Estado há vinte anos e pretendente a governá-lo por mais quatro. Para cada qual importa, além das questões inarredáveis de suas agenda, capturar o maior número possível de forças aliadas, indiferentes ao atraso político e social que representam, como no caso, por exemplo, do Maranhão do clã de Sarney, cobiçado pelo PT, ou do PTB de Roberto Jefferson, objeto de desejo do PSDB.

Esses movimentos, meramente instrumentais para os fins da competição eleitoral, contudo, não são ingênuos quanto à própria história desses partidos, que mudam com eles. A surpreendente mudança do PT, que, de ácido crítico da Era Vargas e da tradição republicana em geral, passou a incorporar muito de suas práticas, pode ser explicada, em boa parte, por essa lógica. Assim, no movimento sindical, as forças genuinamente petistas, com um histórico de lutas contra o imposto sindical e o princípio da unicidade sindical, hoje se veem tangidas a participar de uma estrutura sindical que sempre condenaram como lesiva à autonomia dos trabalhadores. A resposta do PSDB, ao incorporar acriticamente o atraso, mimetiza a do PT. Aliás, nesta sucessão, alguém sabe qual o programa, do PSDB para a reforma trabalhista?

O velho sindicalismo, na carona do novo, encontrou sua sobrevida, moderando, quando não interditando em muitos aspectos relevantes, a passagem do moderno. O mesmo vem ocorrendo com os agentes do patrimonialismo das antigas oligarquias regionais, que preservam o seu domínio a partir de suas articulações com o moderno e dessa forma, cindido em dois como está, capitula de dirigir o atraso a fim de transformá-lo para simplesmente se associar a ele.



PAÍS NÃO ESTÁ PRONTO PARA A NOVA CLASSE MÉDIA, DIZ BOLIVAR



 NA FOLHA DE S. PAULO

É preciso "evitar o oba-oba", afirma doutor em ciência política e diretor de instituto de estudos econômicos

Entraves do país são infraestrutura, mão de obra especializada e educação, diz autor de "A Nova Classe Média"

Uirá Machado

SÃO PAULO-

 O Brasil não está pronto para a nova classe média.

Tampouco esse segmento populacional está devidamente preparado para suas recentes conquistas em termos de mobilidade social.

As afirmações são de Bolívar Lamounier, doutor em ciência política pela Universidade da Califórnia e primeiro diretor-presidente do Ipesp (Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos de São Paulo).

Em parceria com Amaury de Souza, ele acaba de lançar o livro "A Nova Classe Média" (Campus-Elsevier).

Na entrevista abaixo, ele discute a sustentabilidade da nova classe média e diz ser preciso "evitar o oba-oba".

Folha - Quais são as principais características dessa nova classe média?

Bolívar Lamounier - Estamos falando de algo em torno de 80 milhões de pessoas, um agregado social imensamente heterogêneo. É um megaprocesso de mobilidade social. É o conjunto da classe C ascendendo a condições e aspirações mais altas de consumo . Em razão disso, as famílias que a integram tornam-se mais "ambiciosas". Têm mais interesse em aumentar sua renda, querem um nível educacional mais alto para si e para seus filhos, manifestam desejo de obter um bom emprego ou de se estabelecer por conta própria etc.

Essa nova classe média é "sustentável"?

No nível macro, a sustentabilidade depende do crescimento econômico a taxas elevadas -e ambientalmente compatíveis. Hoje, no Brasil, há um clima de exagerado otimismo, mas é preciso cautela para não cantarmos vitória antes do tempo. Por outro lado, o que chamamos de ascensão da classe C se confunde em larga medida com a expansão do mercado interno e a redução das desigualdades de renda, condições que tendem a tornar o processo inteiro mais sustentável, quer dizer, menos suscetível a crises. O nível micro refere-se à geração da renda pelas famílias, à educação, ao empreendedorismo etc. Por exemplo, existem milhões de pessoas "empreendedoras", mas muitas não estão preparadas para isso. Do outro lado, a política pública mais dificulta que ajuda: carga tributária elevada, complicações burocráticas etc.

O Brasil está pronto, do ponto de vista estrutural, para essa nova classe média?

O avanço realizado nas últimas duas décadas é muito grande, mas eu não diria que está pronto. Basta atentar para a infraestrutura, obviamente incapaz de sustentar taxas elevadas de crescimento, a mão de obra especializada -que já começa a faltar- e a educação, de modo geral muito ruim.

E a nova classe média está preparada?

É preciso evitar o oba-oba. O aumento do consumo é salutar e as pessoas têm atualmente aspirações altas. Além de adquirirem mais escolaridade, os indivíduos precisam investir mais em si mesmos, ou seja, em sua própria produtividade, seja para conseguir empregos estáveis e de boa qualidade, seja para se tornarem empreendedores.


Frase
"Há no Brasil um clima de exagerado otimismo, mas é preciso cautela para não cantar vitória antes do tempo"

Bolívar Lamounier
cientista político

QUANDO O VICE É ÚTIL

FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE S. PAULO



BRASÍLIA - Começo por onde terminou ontem o mestre Clóvis Rossi, aqui no andar de cima desta página. Com muitas coberturas eleitorais acumuladas, Rossi escreveu sobre a relativa insignificância de candidatos a vice-presidente. Falou a propósito da ansiedade no mundo tucano pela possível entrada do mineiro Aécio Neves na chapa presidencial de José Serra.


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Ontem, o próprio Aécio apareceu em entrevista a Adriana Vasconcelos minimizando a ajuda eventual sendo o candidato a vice de Serra: "Isso poderia aumentar em no máximo 5% as intenções de votos em favor de Serra em Minas".



É possível teorizar ao infinito a respeito do tema. Na vida real, as eleições recentes mostram três eventuais utilidades para um vice:



1) tempo de TV: é quando a sigla do vice dá ao titular mais tempo no horário eleitoral. Em 1994 e 1998, essa simbiose ocorreu com Marco Maciel (DEM, ex-PFL) apoiando Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Neste ano, Michel Temer (PMDB) anabolizará a exposição televisiva de Dilma Rousseff (PT);



2) mudança de imagem: em 2002, o vice de Lula foi o empresário José Alencar, então no PL. O petista ganhou mobilidade no establishment. Circulou com conforto pela elite. Não faltou dinheiro na campanha do PT;



3) mais voto: embora seja raro, um vice popular pode ajudar o desempenho do titular nas urnas.



Houve um exemplo claro em 1989. Waldir Pires era o vice da candidatura presidencial de Ulysses Guimarães (1916-1992), cuja votação final ficou em pífios 4,7%, no 7º lugar. Na Bahia deu-se uma história diferente. Waldir renunciou ao governo baiano. Fiel no posto de vice, garantiu naquele Estado a Ulysses 15,7% e a terceira colocação.



Tudo considerado, Aécio Neves pode não desejar ser vice, mas há exemplos históricos mostrando a possibilidade de fazer a diferença. Não parece ser, no momento, o desejo do ex-governador mineiro.