19 de agosto de 2009

LINA VÊ "INGERÊNCIA DESCABIDA" DE DILMA E REAFIRMA ENCONTRO

MANCHETE DA FOLHA - 19/08/2009
DE LEONARDO SOUZA

Ex-secretária não leva provas a depoimento ao Senado, mas aceita acareação com ministra Lina cita novas testemunhas do encontro para o qual afirma ter sido chamada para encerrar auditoria nos negócios da família Sarney

Ex-secretária da Receita Federal detalha reunião com ministra no Planalto, mas não apresenta provas Em depoimento de cinco horas no Senado marcado por bate-bocas entre governistas e oposição, a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira reafirmou que foi chamada para um encontro reservado com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff - que nega a reunião e não comentou o depoimento.Lina classificou como "ingerência desnecessária e descabida" o pedido que diz ter recebido de Dilma para agilizar investigação do fisco sobre a família de José Sarney. A ex-secretária não levou provas nem forneceu a data exata da audiência."Não mudo a verdade no grito. Nem preciso de agenda para dizer a verdade", afirmou. Lina citou duas novas testemunhas, acrescentou detalhes à descrição do encontro no Planalto e aceitou uma acareação com Dilma, sugerida pela oposição.O Planalto não forneceu dados sobre visitas, alegando questão de segurança.Os senadores governistas tentaram intimidar a ex-secretária, acusando-a de prevaricação, mas festejaram ao ouvir que ela não se sentiu pressionada por Dilma. (págs. 1 e Brasil)
Em um depoimento de cinco horas ontem no Senado, a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira reafirmou que foi chamada para um encontro com Dilma Rousseff e classificou o pedido da ministra para agilizar a investigação do fisco sobre a família de José Sarney (PMDB-AP) como "ingerência desnecessária e descabida".
A ex-secretária não levou provas nem forneceu a data da audiência. "Não mudo a verdade no grito. Nem preciso de agenda para dizer a verdade. A mentira não faz parte de minha biografia", disse. Anteontem, o presidente Lula havia desafiado Lina a mostrar sua agenda.
A ex-secretária acrescentou vários detalhes à descrição do encontro, que revelou em entrevista à Folha publicada no dia 9, e aceitou uma acareação com a ministra da Casa Civil, que nega a reunião.
Lina citou mais duas testemunhas: o motorista que a teria levado ao Planalto e o subordinado a quem, após a audiência com Dilma, ela teria pedido relatório sobre as auditorias nos negócios da família Sarney. A chefe de gabinete da diretoria da Receita já havia corroborado a versão de Lina.
Ela disse ontem que entrou no Planalto com o carro da Receita e que informou seu nome na garagem. "Passei por um detector de metais, peguei o elevador e fui ao quarto andar [sala de Dilma]." Contou que, enquanto aguardava ser chamada, tomou café e água na frente de um homem e uma mulher, na sala da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra.
Disse que Dilma usava um xale, que o gabinete estava mal iluminado, que ouviu cumprimentos "pela chegada de uma mulher ao comando da Receita" e que o caso Sarney foi o único assunto "sério" da audiência, de menos de dez minutos. "Ela [Dilma] foi muito rápido e cirúrgica no seu pedido."
Lina reiterou que o encontro não fazia parte da programação oficial da Receita e que por isso não foi registrado. Mas disse que "talvez tenha" anotações em sua agenda pessoal, que ainda não encontrou porque suas coisas estão empacotadas por conta da mudança de volta ao Rio Grande do Norte."Não sou fantasma, deve estar registrado. Certamente o Planalto tem filmagem."
A Folha já pediu três vezes os registros de carros e pessoas que estiveram no Planalto no final de 2008, mas o Gabinete de Segurança Institucional se recusou a passar os dados, alegando questão de segurança.
A sessão foi tensa desde o início. Os senadores da base aliada ocuparam toda a primeira fileira da sala da Comissão de Constituição e Justiça. Capitaneados pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), tentaram suspender a sessão dizendo que a CCJ não era o foro adequado para ouvir a ex-secretária.
Vencidos pela oposição, passaram a tentar intimidar a ex-secretária, acusando-a de prevaricação. Diziam que, se o pedido ocorreu, os superiores deviam ter sido avisados.
Lina ressaltou seu perfil técnico, defendeu sua passagem pela Receita e disse que aceitaria uma acareação. "Estarei, sim, disposta a comparecer e a colaborar nas confrontações das versões, a minha e a dela."
A ex-secretária qualificou o pedido de Dilma de "incabível" e "descabido" em diversas respostas. Disse que "não entende a razão da mentira" de Dilma.Demitida em 9 de julho, Lina afirmou que não fez as denúncias por "ressentimento" e que apenas confirmou informações que a Folha apresentou a ela. Falou que "não deseja polêmica" e que "não almeja nem em sonho cargos eleitorais".Lina disse que não se sentiu pressionada, mas que "na minha interpretação, o pedido de agilizar a fiscalização do filho do presidente Sarney foi para encerrar a fiscalização".O subsecretário de Fiscalização da Receita, Henrique Freitas, disse que não iria comentar a afirmação feita por Lina de que teria pedido a ele dados sobre as fiscalizações. "Não vou comentar agora. Não acompanhei o depoimento da doutora e não sei o que ela falou."

PIZZAS A GRANEL

o "Jornal do Senado" publicou uma receita que parece ter sido criada à moda da Casa: a "pizza fingida", com pão dormido e claras em neve no lugar da massa. A Secretaria de Comunicação do Senado explicou que a receita era parte de uma matéria sobre aproveitamento de alimentos.
Enquanto isso surgem protestos em todo o país contra o arquivamento das investigações sobre o senador José Sarney, Em São Paulo, o Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da USP distribuiu aos estudantes 40 "pizzas Sarney" – com a cara do presidente do Senado e um bigode feito de aliche

PIZZAS DE BIGODE E ÓCULOS EM SP

Pizzas de bigode e óculos em SP
O Globo - 19/08/2009


Estudantes da USP fazem protestoSÃO PAULO. O Centro Acadêmico 11 de Agosto da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP, distribuiu ontem cerca de 40 pizzas com desenhos do rosto do presidente do Senado, José Sarney (PMDBAP), em manifestação contra a corrupção e a impunidade.
O protesto bem-humorado pediu o afastamento de Sarney do cargo e marcou também uma exposição do Museu da Corrupção no pátio da faculdade.
— As pizzas tinham a cara do Sarney, desenhadas com ingredientes, como aliche.
Foi muito bom. Só não teve mais gente porque estava chovendo na hora e muitos alunos tinham aula — resumiu a estudante Marília Bortolotto, diretora do 11 de Agosto.
Durante o ato foi lançado um abaixo-assinado pedindo o afastamento de Sarney da presidência do Senado enquanto as denúncias não forem apuradas. Em um manifesto, os estudantes se posicionaram contra os atos secretos e a corrupção no Senado e pediram ainda que seja feita a reforma política.
“Escândalos como esses, tão recorrentes no cotidiano político brasileiro, nada mais são do que um reflexo de um vício estrutural que se arrasta por toda a formação histórica do país”, afirma o manifesto, que ainda aponta distorções que favorecem “o pequeno grupo que se apoderou da máquina pública” e lembra que voltaram à atualidade “genuínas expressões de um passado coronelista”.

FAZENDA SE DESMENTE SOBRE IDA DE ERENICE AO MINISTÉRIO

O GLOBO - 19/08/2009

Ministério da Fazenda confirma num dia e nega no outro visitas de Erenice


Segundo seguranças, câmeras registram entrada e saída de pessoas no prédio

BRASÍLIA. Um dia depois de informar que Erenice Guerra, secretáriaexecutiva da Casa Civil, esteve várias vezes no Ministério da Fazenda no fim do ano passado, a assessoria de imprensa da pasta divulgou nota ontem negando a informação — que tinha sido transmitida ao GLOBO, na véspera, pela própria assessoria. Em nota, o Ministério da Fazenda sustentou que é inverídica a afirmação que o Ministério da Fazenda confirmara as visitas de Erenice.
Mas, um dia antes, a assessoria informou não só que Erenice tinha ido várias vezes ao prédio da Fazenda como que estava sendo feito um levantamento sobre quantas vezes isso aconteceu e com quem a secretária-executiva se encontrou no ministério.
Fontes do serviço de segurança do prédio afirmam que ninguém entra ou sai do ministério sem que a movimentação seja registrada pelas câmeras do circuito interno de TV instaladas na entrada da portaria privativa do ministro e no hall.
Ao confirmar a ida de Erenice Guerra à pasta, em novembro e dezembro, a assessoria justificara que ela participa das discussão de vários programas federais, citando como exemplo o Minha Casa Minha Vida, lançado em março deste ano. Disse ainda que o levantamento sobre as idas dela à Fazenda estava sendo feito com base nas agendas dos

EX-SECRETÁRIA CONFIRMAS REUNIÃO E ACEITA ACAREAÇÃO COM DILMA

MACHETE DO GLOBO 19/08/2009

LEILA SUWWAN, BERNARDO MELLO FRANCO e GERSON CAMAROTTI


Ministra evita solenidades públicas e não comenta depoimento de Lina
A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira reafirmou, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, ter recebido da ministra Dilma Rousseff pedido para agilizar a investigação do Fisco sobre empresas de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

“Entendi como ingerência desnecessária e descabida”, disse Lina.

A ex-secretária repetiu a versão de que o pedido teria sido feito por Dilma num encontro no fim de 2008 — a oposicionistas, teria dito que foi em 19 de dezembro
.

A oposição quer uma acareação entre Lina e Dilma, e a ex-secretária disse que aceita. Lina não apresentou provas de que o encontro teria ocorrido e alfinetou o presidente Lula: “Não preciso de agenda para dizer a verdade.” A ministra, que nega o pedido e o encontro, evitou aparições públicas — embora o Ministério das Cidades tenha informado que ela inaugurara obras do PAC com Lula no Rio.

Na CPI da Petrobras, os governistas rejeitaram 68 requerimentos para convocar autoridades — inclusive Lina Vieira.

‘Certamente no Planalto deve ter a filmagem, eu entrando no quarto andar e entrando na sala.
Eu não sou fantasma, está registrado’ Lina Vieira, ex-secretária da Receita


"Não sou fantasma, deve ter registro"

Ex-secretária da Receita depõe, reafirma encontro com Dilma e aceita acareação

A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira reafirmou ontem, em depoimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que se encontrou com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no fim de 2008 e classificou de “ingerência desnecessária e descabida” o suposto pedido dela para acelerar a investigação do Fisco sobre empresas da família Sarney. Ao fim do depoimento de quatro horas, a oposição voltou a defender acareação entre Dilma e Lina. A exsecretária disse que aceita.

Lina não mostrou provas de que o encontro com Dilma ocorreu, e declarou que não precisava de registro em agenda para dizer a verdade.

Reservadamente, teria dito a parlamentares tucanos que o encontro foi em 19 de dezembro.

— Entendi como ingerência desnecessária e descabida — disse Lina, perguntada sobre a legitimidade da suposta intervenção de Dilma.

— Nunca dei retorno, mas nunca fui cobrada.

O pedido é incabível porque a Receita trabalha com a impessoalidade. Ela não pediu para aprofundar, não pediu para mais ou para menos. Não perguntei o objetivo do pedido nem o que ela entendia por “agilizar” — explicou Lina, que disse só ter compreendido a motivação do pedido posteriormente, no contexto da eleição de Sarney para a presidência do Senado.

De terninho vermelho e cabelos escovados, Lina demonstrou cautela. De início, não atribuiu à ministra Dilma conduta irregular: — A ministra pediu para agilizar a fiscalização, interpretei que era para encerrar, resolver pendências, terminar a investigação.

Não senti qualquer pressão.

“Não preciso de agenda para dizer a verdade”

Com isso, o líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR) tentou dar o caso por encerrado.

Foi então que a também líder do governo, senadora Ideli Salvatti (PT-SP), insistiu no tema.

O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), tentou interromper, justificando que o caso estava esclarecido, mas a petista cobrou: — Ou a senhora mentiu para a “Folha de S.Paulo” ou mentiu aqui — provocou Ideli.

— Não mudei minha versão, o que falei para a “Folha” falei aqui — disse Lina, que, então, endureceu o tom e passou a tratar o pedido de Dilma como “ingerência descabida”.

Lina disse que o encontro, reservado, não foi registrado nas agendas públicas.

Indiretamente, rebateu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a desafiou a mostrar sua agenda.

— Estou com minha palavra, e temos a palavra da ministra. Não estou aqui para dizer mentira.

Não preciso de agenda para dizer a verdade. — E completou: — Certamente no Planalto deve ter a filmagem, eu entrando no quarto andar e entrando na sala. Não sou fantasma, está registrado.

A falta de detalhes — como a data do encontro ou o nome do motorista que a levou ao Planalto — esfriou as expectativas sobre o depoimento.

Mas Lina indicou testemunhas que podem corroborar sua versão. Iraneth Weiler, sua chefe de gabinete, já confirmou que Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, foi à Receita para marcar o encontro com Dilma. Erenice, porém, nega.

Lina disse que, após o encontro, solicitou informações à Receita. Um relatório informou que o processo era sobre um conjunto de empresas e que não havia providência a ser tomada. Segundo Lina, o Judiciário determinou que se agilizasse a operação, e foram postos mais auditores no caso.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) tentou apontar contradições ao perguntar quantas vezes Lina esteve com Dilma. Lina se recordou de três reuniões de trabalho, além do encontro reservado. O petista listou seis eventos no qual as duas estiveram juntas. E atacou: — Ou a senhora prevaricou ou está mentindo — disse Mercadante, alegando que, se Dilma fez algo irregular, caberia a Lina denunciar.

— Não tomei providências.

Não é porque não tinha irregularidade.

É porque não tinha necessidade — rebateu Lina.

Ao final, Lina desabafou: — Quiseram confundir minhas palavras. Não mudo a verdade no grito. A mentira não faz parte da minha biografia.

Os governistas deixaram claro que vão impedir constrangimento para Dilma, evitando sua convocação. A oposição considerou o depoimento consistente e insistirá na acareação

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais

Agora São Paulo
Confira o valor do 13º dos benefícios da Previdência

A Tarde
Emprego bate recorde e repõe perdas da crise

Correio Braziliense
R$ 12.413,65

Correio do Povo
Medicamentos têm novas regras de compra e venda

Diário do Nordeste
MP exige medidas urgentes para fila de bebês em UTIs

Estado de Minas
Construção puxa a fila do emprego

Extra
Sai a tabela do Nova Escola: aumento para servidor chega a 89%

Folha de São Paulo
Lina vê ingerência descabida de Dilma e reafirma encontro

Jornal do Brasil
Sexo em risco

Jornal do Comercio
Mais controle na venda de remédios

O Estado de São Paulo
Pedido de Dilma foi 'incabível', diz Lina

O Globo
Ex-secretária confirma reunião e aceita acareação com Dilma

Valor Econômico
Brasil vai contestar na OMC taxa americana sobre suco

Zero Hora
Normas mais rígidas para farmácias tentam conter automedicação

Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Democratas devem ser minoria a favor de imposto de saúde

The Washington Post (EUA)
Expectativas afegãs asseguram que Karzai é favorito na corrida, apesar dos fracos resultados

The Times (Reino Unido)
Obesos, equipe do serviço nacional de saúde lidera ranking dos doentes

The Guardian (Reino Unido)
David Cameron alerta que gastos podem levar Reino Unido a descuidar da dívida

Le Figaro (França)
Estados Unidos: gigantesca confusão com títulos bancários

Le Monde (França)
Poder de progredir afasta crise

China Daily (China)
Australianos pioram relações

El País (Espanha)
EUA confirmam que as falhas do MD-82 se deram antes das Canárias

Clarín (Argentina)
Jogada política de Reutemann: falou de Duhalde 2011

17 de agosto de 2009

SENADORES PEDEM INVESTIGAÇÃO SOBRE IMÓVEIS DE SARNEY

Por ROSA COSTA e DENISE MADUEÑO
O ESTADO DE SÃO PAULO - 17/08/2009

Até base quer explicação de Sarney sobre imóveis


Senadores de partidos de oposição e da própria base governista querem investigar a conexão da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), com a construtora Holdenn Construções, Assessoria e Consultoria Ltda., cujo principal nicho de negócios é o setor elétrico, área em que o senador exerce influência.
Reportagem publicada ontem pelo Estado mostra que dois dos três apartamentos ocupados pela família na Alameda Franca, na região dos Jardins, em São Paulo, estão em nome da empresa, antes batizada de Aracati Construções, Assessoria e Consultoria Ltda.
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirma que seria "simplório" atribuir a uma coincidência a ligação da empreiteira com os imóveis. "Tenho certeza que não é isso, mas não vou pré-julgar", diz. "O certo é que não deve pairar nenhuma dúvida sobre essa questão, sob pena de o processo de investigação se estender até o setor elétrico." Para Guerra, os fatos em si "são extremamente graves".
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Demóstenes Torres (DEM-GO), é categórico ao defender que as "evidências" de troca de favores são motivo de sobra para instaurar uma investigação. "Estão sobrando evidências, e não dá para desconhecer", alegou. "Quantas denúncias mais ele agüenta?", questionou. Pela avaliação do senador de oposição, os fatos divulgados até agora pela imprensa, como abuso de poder, nepotismo e a suspeita de corrupção, fragilizaram não apenas o presidente do Senado, mas também a instituição e os demais parlamentares.
"O Congresso não pode fechar os olhos ao que tem saído (na imprensa) relacionado ao presidente Sarney", defendeu. "É necessário que o Conselho de Ética se manifeste, em vez de arquivar as denúncias." Na opinião dele, a situação chegou a tal ponto que até mesmo os aliados do presidente do Senado deveriam "começar a se manifestar e a pensar no próprio Sarney". Para Torres, a situação é insustentável. "Na medida em que as denúncias avançam, suas vísceras ficam expostas e ele se desgasta cada dia mais", afirma. "Agora, não é mais um desgaste pessoal, é de todos no Senado e todos os senadores ficam afetados".
O senador Walter Pereira (PMDB-MS), da base governista, disse esperar que Sarney dê as explicações sobre a compra ou o uso dos apartamentos em São Paulo. Segundo ele, em tese, Sarney pode estar recebendo favores. O senador lembrou que Sarney, como presidente do Senado, tem verba de representação para se hospedar em hotéis em São Paulo. "Por que ele preferiu o apartamento? Isso precisa ser esclarecido", disse o senador.
A reportagem do Estado revelou que um dos apartamentos foi utilizado por Sarney, por exemplo, em junho passado, quando o presidente do Senado viajou a São Paulo para acompanhar a recuperação da filha, Roseana, operada para correção de um aneurisma cerebral.
"Mesmo que não tenha a eiva de qualquer envolvimento pecaminoso e de qualquer troca de favores, tem de esclarecer. Se foi levantada a dúvida, ele (Sarney) precisa esclarecer. É o ônus de quem exerce o mandato popular. Vale para Sarney, para mim e para todos os que foram eleitos. Todo homem público tem o dever de prestar contas no que envolve suas ações", disse Pereira.
O líder do DEM, senador José Agripino (RN), considerou que a ligação de Sarney com a empreiteira no caso dos apartamentos agrava ainda mais a situação do presidente do Senado. Para Agripino, as questões que foram levantadas contra o presidente do Senado até agora já são suficientes para a instauração de processo por quebra de decoro parlamentar. "É uma sequência inominável de denúncias gravíssimas", disse. O líder de oposição afirmou que a abertura de processo contra Sarney no Conselho de Ética do Senado depende dos votos governistas. "Vamos ver se serão sensibilizados pelos fatos ou pelos argumentos de Lula", disse.
O senador Renato Casagrande (PSB-ES), que integra partido governista, afirma não ter dúvida que o "grande equívoco" do Senado tem sido o de impedir as investigações de episódios relacionados ao presidente da Casa. Segundo ele, a estratégia da tropa de choque tem dado resultado oposto ao esperado.
"E a cada vez que se abre mão da investigação, o presidente Sarney fica numa posição de fragilidade, porque não tem como argumentar sua inocência", afirma. "O ideal seria que essas suspeitas e essas dúvidas pudessem ser investigadas naturalmente." No entanto, considerou Casagrande, se não houver condições políticas de o Senado prosseguir com as investigações, ele aguarda que o Ministério Público leve adiante a apuração.
FRASES
Walter Pereira
Senador pelo PMDB-MS
"Mesmo que não tenha a eiva de qualquer envolvimento pecaminoso e de qualquer troca de favores, tem de esclarecer. Se foi levantada a dúvida, ele (Sarney) precisa esclarecer. É o ônus de quem exerce o mandato popular. Vale para Sarney, para mim e para todos os que foram eleitos. Todo homem público tem o dever de prestar contas no que envolve suas ações"
Renato Casagrande
Senador pelo PSB-ES"
E a cada vez que se abre mão da investigação, o presidente Sarney fica numa posição de fragilidade, porque não tem como argumentar sua inocência"

A INCERTEZA SOBRE DILMA


FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SÃO PAULO - 17/08/2009

Um fato emblemático ocorreu na semana passada. Do alto de sua estratosférica aprovação popular, Lula recebeu a direção do PSB para um jantar. Os socialistas insistiram em lançar Ciro Gomes candidato ao Planalto.
Lula ouviu. Argumentou ter preferência por uma disputa circunscrita a dois candidatos. Enxerga vantagem numa fórmula plebiscitária. Do lado governista, a ministra Dilma Rousseff, pelo PT.
Do outro, quem o tucanos escolherem, José Serra ou Aécio Neves.
A direção do PSB respondeu com a tese da utilidade da candidatura Ciro Gomes. Dois postulantes lulistas anabolizariam o discurso do governo. Até porque há um nome extra na oposição -Marina Silva, possível presidenciável do PV.
O jantar entre Lula e o PSB acabou com os socialistas comemorando. Nada foi definido. Eis aí a mensagem principal do encontro. Com sua popularidade inabalada pela crise ética no Congresso, conforme mostrou a pesquisa Datafolha de ontem, o presidente poderia ter imposto a sua estratégia."Nós vamos só com a Dilma e ponto final", seria uma frase possível de Lula. O PSB teria de acatar.
Nada disso aconteceu. Prevaleceu o tirocínio do presidente, corroborado agora pelo Datafolha. Embora tenha se tornado uma candidata competitiva, Dilma Rousseff consolida-se também como uma grande incerteza. Seu crescimento estagnou. Seus adversários, é verdade, também têm ficado no mesmo lugar. Mas é da ministra de Lula que se espera uma disparada -ainda não realizada.
Também ainda não está claro o efeito real da entrada de Marina Silva no páreo. Ela teve pouca exposição e talvez receba o apoio de Heloísa Helena (PSOL).
Tudo somado, o momento não é dos melhores para Dilma. O faro de Lula sentiu a mudança de ares e o presidente voltou a olhar Ciro Gomes com outros olhos

PESQUISA ANIMA PARTIDOS DOS TRÊS PRINCIPAIS CONCORRENTES


LISANDRA PARAGUASSÚ
O ESTADO DE S. PAULO, Brasília - 17/08/2009
Datafolha mostrou Serra na dianteira, além de empate entre Ciro e Dilma
A pesquisa Datafolha divulgada neste domingo agradou a todos os partidos envolvidos. Se os tucanos comemoram a primeira posição do governador de São Paulo, José Serra, os petistas consideraram positivo o fato da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não ter caído, apesar dos dias de exposição negativa. Já o PSB vê o empate entre Dilma e Ciro Gomes (PSB-CE) como um sinal de que a candidatura de Ciro é viável.
O levantamento mostrou Serra na dianteira com 37% das intenções de voto. Já Dilma apareceu com 16%, tecnicamente empatada com Ciro, que ficou com 15%. "A pesquisa é muito boa para Dilma, porque a distância para Serra vem diminuindo e as intenções de voto estão estáveis, mesmo após dias de exposição negativa", analisa o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP). Ele avalia que a possível saída da senadora Marina Silva (PT-AC) do partido para concorrer ao Palácio do Planalto pelo PV e o enfrentamento entre Dilma e a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, poderiam ter retirado pontos da ministra, o que não aconteceu.
Já o senador Renato Casagrande (PSB-ES) afirma que os números do Datafolha confirmam a "viabilidade da candidatura de Ciro Gomes". Na semana passada, o deputado deu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o recado de que quer mesmo sair candidato ao Palácio do Planalto e não ao governo de São Paulo. "Ciro é um nome nacional. Compreendemos que ainda é muito cedo para esses números terem influência na eleição, mas é um resultado que o coloca no jogo", diz. Casagrande considera que o empate entre Ciro e Dilma mostra que as duas candidaturas são viáveis e PT e PSB precisam trabalhar as candidaturas. "No ano que vem faremos uma avaliação melhor", afirma.
Com Serra ainda disparado em primeiro lugar, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) considera que a candidatura tucana já está consolidada. "É um voto consolidado. E, do outro lado, a candidatura governista não cresce e tem alto índice de rejeição. Esperava-se números maiores a essas alturas, com a alta exposição da ministra", avalia.
Os 3% obtidos por Marina no levantamento não foram recebidos com surpresa por petistas e tucanos. "Não esperava mais da Marina e acho difícil que a candidatura dela cresça muito mais", minimizou Vaccarezza. Já Álvaro Dias considera que a senadora poderá sim ter mais votos e complicar a candidatura de Dilma. De acordo com o senador, Marina pode se beneficiar do empate observado entre Ciro e Dilma. "A tendência é ter uma polarização entre dois candidatos.
Com o empate entre PT e PSB temos uma indefinição de quem pode ser esse segundo candidato, o que pode levar votos para a Marina", afirma o senador

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais

Agora São Paulo
Veja 50 respostas para dúvidas sobre e INSS mais barato

A Tarde
Ligação de Sarney com empreiteira será investigada

Correio Braziliense
Secretarias especiais esbanjam em viagens

Correio do Povo
Aulas recomeçam com cuidados

Diário do Nordeste
Bandido morto ao invadir a residência de delegada

Estado de Minas
Duplicação de rodovias acelera negócios

Extra
Comprar casa própria com taxa fixa está mais barato

Folha de São Paulo
Alckmin lidera; Ciro aparece co 12%

Jornal do Brasil
Transporte, drama de Santa Teresa

O Estado de São Paulo
Cresce gasto secreto com cartão corporativo

O Globo
Escolas abrem com novas medidas contra a gripe suína

Valor Econômico
Cai parcela de produção exportada pela indústria

Zero Hora
Saúde mostra recuo da gripe A e pede calma no retorno às aulas

Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
"Opção Pública" no plano de saúde pode ser ignorada

The Washington Post (EUA)
Teatro ameaça

The Times (Reino Unido)
Mais três soldados britânicos são mortos no Afeganistão

The Guardian (Reino Unido)
Remédio indicado para a gripe suína é rejeitado pelo governo

Le Figaro (França)
França obtém liberação de Clotilde Reiss

Le Monde (França)
Gripe A: corrida contra assistência coloca a vacina no ponto

China Daily (China)
Aquisição interrompida devido a protestos

El País (Espanha)
O "caso Gürtel" cobrou 600 mil euros do PP sem emitir faturas

Clarín (Argentina)
Cobos endossa que investiguem bens dos Kirchner