28 de maio de 2009

REFORMA ENGAVETADA

EDITORIAL
Estado de S. Paulo - 28/05/2009

O projeto que instituiria o sistema de lista fechada nas eleições para deputados e vereadores, pelo qual o eleitor vota em partidos e não diretamente em candidatos, foi sustado na Câmara antes até de entrar na ordem do dia. Os líderes de 8 partidos médios e pequenos (PTB, PSB, PDT, PR, PP, PSC, PMN e PRB), todos da base aliada, que reúnem 177 dos 513 membros da Casa, recusaram-se a assinar o pedido de urgência para a discussão da matéria, o que a dispensaria de passar pelas comissões técnicas antes de chegar ao plenário.
Foram além: ameaçaram obstruir os trabalhos caso as legendas que apoiam a mudança (PMDB, PT, PSDB, DEM, PPS e PC do B) tentassem colher, uma a uma, as 257 assinaturas para o pedido de urgência. Sem a urgência, não haveria tempo hábil para a sua votação até setembro, prazo-limite para a definição das regras do pleito de 2010. O governo, de quem partiu a iniciativa da reforma, e o presidente da Câmara, Michel Temer, que a encampou, incumbindo o seu colega do PMDB Ibsen Pinheiro de redigir o projeto, acreditavam que poderiam liquidar a fatura com relativa facilidade.
Para o grupo dos 8, no entanto, barrar as listas fechadas - ou pré-ordenadas, porque o partido estabelece a ordem de precedência dos candidatos - era, no entanto, questão crucial. Não porque o novo modelo, seguido na maioria dos países que adotam o sistema proporcional para a eleição de suas câmaras legislativas, representasse para o eleitor um retrocesso em relação ao formato em vigor, como alegam os seus adversários. Mas porque provavelmente afetaria as suas chances de manter os espaços ocupados na Câmara.
De fato, com mais visibilidade e mais tempo de TV, as agremiações que formam o primeiro pelotão parlamentar - PMDB, PT, PSDB e DEM - tenderiam a colher uma proporção de votos ainda maior, consolidando a sua hegemonia na política nacional. Em outras palavras, a fronda do status quo se mobilizou contra o que a inovação tem de melhor, quaisquer que sejam os seus defeitos, em comparação com a fórmula atual: é um freio à fragmentação do sistema partidário, com a proliferação de bancadas legislativas - e o seu conhecido séquito de malefícios.
Significativamente, dois pequenos partidos de tradição ideológica, o oposicionista PPS, descendente do velho PCB, e o seu rival histórico, o governista PC do B, defendem as listas fechadas como instrumento de modernização política. É a mesma posição do diminuto PSOL, nascido da costela esquerda do PT. Significativamente também, do outro lado da divisa não estão apenas siglas. Os inimigos da reforma que não ousam dizer o seu nome são as bancadas que atravessam as fronteiras partidárias, como a dos evangélicos, cujos integrantes se beneficiaram da votação em nomes e da eleição de candidatos com inexpressivo número de sufrágios.
Os cálculos de conveniência das legendas e grupos antagônicos à reforma só vingaram graças aos interesses eleitorais do lulismo. Embora ela tivesse origem em um pacote de propostas do Planalto e contasse presumivelmente com a maioria dos votos na Câmara, foi sacrificada para não fazer marola na coalizão governista a caminho de um ano eleitoral sob o signo da incerteza. "O PT tem duas prioridades", diz o presidente da agremiação, Ricardo Berzoini. "Fazer a reforma política e trabalhar pela unidade da base." Falso. Até outubro de 2010, a prioridade petista é apenas uma: eleger o sucessor do presidente Lula. O resto é o resto.
O que dá razão ao líder tucano José Aníbal, cuja bancada, por ampla maioria, acabou aderindo ao projeto depois de ficar algum tempo no muro. "No primeiro ranger de dentes, o governo e os líderes dos maiores partidos refluíram", protestou. "É a coalizão do imobilismo", concorda o deputado Chico Alencar, do PSOL. A reforma que não vem nunca agora depende de outro projeto discutível: a emenda constitucional do deputado petista José Genoino, que daria ao próximo Congresso poderes especiais para revisar a legislação política e eleitoral. O chamado Congresso Revisor funcionaria entre 15 de março e 15 de novembro de 2011 e as mudanças seriam aprovadas por maioria absoluta - e não por três quintos - em sessão conjunta da Câmara e do Senado. Não está claro, porém, se a ideia tem amparo na Constituição.

FRACASSO INVULGAR

PoR Dora Kramer
O Estado de S. Paulo - 28/05/2009

A recente derrota do Brasil na disputa por uma representação na Organização Mundial do Comércio (OMC) não foi uma derrota qualquer. Destaca-se não pelo resultado em si, mas pelo conjunto da obra absolutamente desastrosa.
Ficou ruim para todo mundo: para a ministra Ellen Gracie, para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e para o Brasil, que já se notabiliza como um colecionador de fracassos individuais naquele tipo de certame, tantas foram as apostas erradas feitas durante o governo Luiz Inácio da Silva.
Celso Amorim, como bem aponta o embaixador Rubens Ricupero, conhece o nome e as regras do jogo. Portanto, seria leviano atribuir os equívocos grosseiros e os argumentos mal-ajambrados usados na defesa do nome de Ellen Gracie à qualificação dele como diplomata.
Tampouco é verossímil que o presidente da República tenha tomado a si a questão e imposto a Amorim a forma de agir. No mínimo teria consultado o chanceler a respeito dos prós e contras envolvidos.
É de se supor que um diplomata experiente como Celso Amorim soubesse que as chances eram pequenas tendo em vista que o posto reivindicado acabara de ser ocupado por outro brasileiro (Luís Olavo Baptista) durante oito anos. É de se imaginar também que um diplomata experiente como Celso Amorim soubesse das exigências do comitê de seleção da OMC em relação ao conhecimento na área de comércio internacional, tido como insuficiente no currículo da candidata.
É de se presumir que um diplomata experiente como Celso Amorim soubesse da impropriedade do argumento rudimentar de que a candidata brasileira era a escolha acertada justamente pela carência de conhecimento específico. Daria a ela um olhar livre de preconceitos sobre as questões em julgamento.
Portanto, é de se concluir que o chanceler seguiu uma orientação. Se foi apenas realista, no tocante à realidade de governo que o cerca, ou se foi mais realista que o rei, não importa.
Em qualquer das duas hipóteses, uma coisa é certa: Celso Amorim segue à risca o propósito anunciado desde o início de "servir ao governo Lula".
Por mais caro que isso custe ao Estado brasileiro a quem o Itamaraty, assim como as Forças Armadas, deve por princípio de ofício servir, sejam quais forem os compromissos ideológicos do governo em curso.
Em tese, o dever de um diplomata experiente como Celso Amorim é alertar o governo sobre as condições adversas, ponderar a respeito dos riscos e, se for o caso, orientar a estratégia de forma a reduzir os danos.
O que se vê neste, nos casos anteriores e no perigo da repetição do fracasso na escolha da diretoria-geral da Unesco é um diplomata experiente pondo sua competência em xeque em nome do desejo de "servir".
Uma estranha aspiração, pois nem sempre a subserviência compensa.
SANTA DE CASA
A ministra Ellen Gracie não deu sorte. Vários candidatos brasileiros a organismos internacionais já perderam disputas parecidas - é do jogo -, mas ela perdeu por uma conjugação de fatores especialmente desagradáveis, cuja ordem numa escala de importância não altera a má qualidade do produto.
Ex-presidente do Supremo, dona do dístico "primeira mulher a ocupar uma cadeira no STF", respeitada por sua capacidade na área jurídica, admirada pela categoria nas maneiras, Ellen Gracie sai do episódio maculada.
Não merecia, embora não se possa atribuir toda a responsabilidade ao governo. Se há um atributo que um magistrado precisa conservar aguçado é o discernimento.
Assim, intriga o fato de a ministra não ter aplicado sua capacidade de examinar as variantes, pesar as condições existentes e julgar a situação de modo a se preservar.
VITÓRIA RÉGIA
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, participa de passeata em prol da legalização da maconha, chama a bancada ruralista de "vigarista" e do governo não se ouve reparo algum.
De duas, uma: ou Minc está com carta-branca para pintar e bordar ou é visto como espécime de extravagância rara e, por isso, destinado à preservação.
TROPA DE ELITE
Se confirmada a escalação da líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti, como presidente, e do líder do governo no Senado, Romero Jucá, como relator da CPI da Petrobrás, fica patente a intenção do Planalto.
Não é só controlar os trabalhos da comissão. Isso todo governo faz apoiado no regimento, embora a maioria nem sempre garanta o controle de fato. Muito menos dos fatos.A ideia é tentar impedir que a CPI ande para qualquer lado, transformando qualquer questão - da requisição de documentos à convocação de depoentes - em uma batalha regimental que tomará tempo e renderá desgaste.

OBJETIVO DO GOVERNO É PROTEGER DILMA NA CPI DA PETROBRÁS


Por FERNANDA ODILLA e ADRIANO CEOLIN
Folha de S. Paulo - 28/05/2009

Governo escolhe a dedo os 8 titulares da comissão para controlar todos os trabalhos; oposição teme investigação sobre era FHC Para aprovar requerimentos é preciso ter 6 votos, mas a oposição só tem 3 cadeiras; Romero Jucá é o favorito do Planalto para ser o relator
O governo escolheu a dedo os integrantes da CPI da Petrobras para ter controle total do trabalho da comissão, que começa oficialmente na próxima terça-feira. A principal missão dos oito titulares e cinco suplentes governistas será proteger dos ataques da oposição a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), escolhida de Lula como pré-candidata à Presidência.
Além de blindar Dilma, que é presidente do Conselho da Petrobras e mentora do atual modelo energético do país, os governistas querem dominar desde a análise de requerimentos até vazamento de documentos.
Por isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de contar com os líderes do governo no Congresso, Ideli Salvatti (PT-SC), e no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), entre os titulares. Os dois são cotados para presidir e relatar a CPI, respectivamente. Também são opções João Pedro (PT-AM), como presidente, e Paulo Duque (PMDB-RJ), como relator.
Pelo regimento, o presidente é eleito pelos membros da CPI. A seguir, ele nomeia o relator.
Para relator, Jucá é o favorito do Planalto, que deseja diminuir o poder de influência de Renan Calheiros (AL), líder do PMDB, na comissão. Jucá não se submeteria às ordens de Renan, acreditam os governistas.
"SOU LULA"
No fim da semana passada, Renan ficou irritado com Jucá por ele ter negociado sua presença na CPI com Aloizio Mercadante, líder do PT no Senado. "Não sou Mercadante, não sou Renan. Sou Lula", disse Jucá.
Até a semana que vem, Mercadante tenta definir a situação do senador Inácio Arruda (PC do B-CE). Inicialmente escalado como titular, Arruda precisou ser anunciado como suplente para não abrir mão da relatoria da CPI das ONGs.
Apesar de ter sido nomeado para defender os interesses da Agência Nacional do Petróleo, comandada hoje pelo PC do B, Arruda terá um importante papel na CPI das ONGs.
A oposição se prepara para usar a CPI das ONGs para tentar aprovar eventuais requerimentos de convocação e quebra de sigilo rejeitados na comissão da Petrobras. A estratégia funcionou no passado, quando a CPI dos Bingos conseguiu emplacar pedidos vetados nas comissões dos Correios e do Mensalão.
Para aprovar requerimentos é preciso seis votos. Com três senadores, a oposição sabe que dificilmente conseguirá avançar nas investigações.
Por isso, o PSDB escalou Alvaro Dias (PSDB-PR), que ontem já partiu para o ataque dizendo que pretende compartilhar com o Ministério Público todos os documentos e informações que receber.
O outro tucano titular é o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), que vai tentar evitar que se vasculhem contratos da época do governo FHC.
Renan também escolheu homens de sua confiança para compor a comissão, como Paulo Duque (RJ), que deve defender os interesses do governo do Rio de Janeiro, e Almeida Lima (SE). Entre os titulares do PMDB, o mais fiel a Renan é Leomar Quintanilha (TO).Para não depender apenas do PMDB, a oposição definiu ontem que é preciso fazer uma ofensiva nos Estados. Deputados e senadores do DEM e do PSDB vão aos eleitores para contra-atacar o discurso do governo federal de que eles querem acabar com a Petrobras.

SENADO PAGA AUXÍLIO-MORADIA IRREGULAR A SARNEY E A MAIS TRÊS SENADORES


Por ADRIANO CEOLIN e ANDREZA MATAIS
Folha de S. Paulo - 28/05/2009

Mesmo ocupando apartamentos funcionais, 3 congressistas recebem R$ 3.800 de auxílio-moradia por mês

Os senadores João Pedro (PT-AM), Cícero Lucena (PSDB-PB) e Gilberto Gollner (DEM-MT) receberam auxílio-moradia de R$ 3.800 mensais mesmo morando em imóveis oficiais, o que a lei proíbe, relatam Adriano Ceolin e Andreza Matais.
José Sarney (PMDB-AP), presidente da Casa, também recebeu ajuda de custo, mesmo podendo dispor da residência oficial. Todos disseram ter pedido cancelamento do benefício.
Três senadores receberam auxílio-moradia de R$ 3.800 mesmo morando em apartamentos funcionais do Senado.O presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), que mora em seu próprio imóvel, também recebeu o auxílio, mesmo tendo à disposição a residência oficial e fazendo uso dela.
A Folha teve acesso a uma lista sigilosa de senadores que ganham o auxílio-moradia. João Pedro (PT-AM), Cícero Lucena (PSDB-PB) e Gilberto Gollner (DEM-MT) receberam o benefício apesar de morarem em apartamentos funcionais cedidos pelo Senado, o que não é permitido pela legislação.
Depois de procurados pela reportagem, todos pediram o cancelamento do auxílio.Anteontem, a Folha revelou que o Senado paga ilegalmente auxílio-moradia para 42 senadores. O ato que regulamentava o benefício foi revogado em dezembro de 2002.Ainda que o instrumento legal valesse, os quatro senadores estariam em situação irregular, pois somente os congressistas sem imóvel funcional podem receber o benefício.
O ato revogado, e que deve ser reeditado, definia que o auxílio só seria pago aos "senadores que não dispuserem de apartamento funcional". Já a lei 8.112 diz que o benefício será pago se "não existir imóvel funcional disponível".Na terça-feira, Sarney respondeu que "nunca" recebeu auxílio-moradia, benefício pago mensalmente juntamente com o salário do senador.
Mesmo depois de ter sido informado pela Folha de que seu nome constava na lista dos beneficiários, o senador insistiu nessa versão. Seus assessores afirmaram que a lista era falsa.
Somente ontem a assessoria de Sarney confirmou que ele recebe o benefício desde maio de 2007, e admitiu que, mesmo após ele assumir a presidência, o pagamento foi mantido. A assessoria disse que Sarney não tinha conhecimento disso e pediu a suspensão do benefício.
Lucena também disse que não tinha conhecimento de que tinha o auxílio. Ele recebeu o benefício ilegalmente durante um ano e oito meses -um total de R$ 79.800.
O senador encaminhou ofício à direção da Casa no qual considera o fato "extremamente grave". Também pediu a suspensão do pagamento e disse que irá devolver o valor.
O mesmo informou o senador João Pedro. Desde junho do ano passado, ele ocupa um apartamento funcional. Ainda assim, recebeu R$ 45.600 de auxílio neste período.
Gollner também se disse surpreso. Por meio de assessoria, ele informou que "os procedimentos para correção estão sendo adotados pelo seu gabinete" e que irá devolver o valor se esse for o entendimento da Casa. Ele ocupa apartamento funcional desde julho de 2008 e recebeu R$ 41.800 de auxílio.A direção do Senado disse que os pagamentos deveriam ter sido cancelados quando os senadores receberam imóvel funcional, mas não foram.

OBSTRUÇÃO DA OPOSIÇÃO IMPEDE VOTAÇÃO DA MP DO FUNDO SOBERANDO

Oposição bloqueia Senado e impede votação de 'MP'
PSDB e DEM derrubaram sessão na hora do Fundo Soberano
Medida provisória expira na segunda e não debe ser votada
Tropa de Lula precisava de 41 ‘soldados’; mas só apareceram 26

Na noite passada, travou-se agurrida batalha parlamentar no plenário do Senado entre governo e oposição. PSDB e DEM utilizaram regimento e derrotaram consórcio governista liderado por Romero Jucá (PMDB-RR). O comandante da tropa de choque governista exausto terminou a sessão como um general sem tropa. O governo precisava levar ao plenário 41 senadores. Conseguiu reunir 26. A oposição tinha quatro senadores presentes. A sessão teve de ser interrompida. Eram 23h15. Na pauta uma medida provisória importante e muito cara a Lula. Trata-se da MP 452. A Câmara aprovara a peça no mês passado. Ela autoriza o Tesouro a emitir títulos para rechear de verbas o Fundo Soberano.
No Senado, coube a Elizeu Rezende (DEM-MG) relatar a proposta. Manteve, com ajustes um contrabando que permite um atentado que permite obras de recuperação em rodovias sem licença ambiental. E rejeitou o pedaço relativo ao Fundo Soberano.
Na encaminhação da votação, Jucá conseguiu que a Mesa submetesse as duas matérias a voto separadamente. Em votação simbólica, aprovou-se a primeira parte. Em seguida restava analisar a parte do recuros do Fundo. Aí DEM e PSDB se declararam em obstrução. A obstrução. É ferramenta própria da minoria, que funciona assim: quando discorda de determinado projeto, a oposição pede verificação do quorum. Realiza-se, então, a contagem dos senadores presentes. Caso não estejam presentes a maioria mais um dos senadores, ou seja, pelo menos 41 senadores, a sessão é interrompida.
Presidia a sessão a senadora petista Serys Slhessarenko (MT). Fixou um prazo de meia hora para o comparecimento dos governistas ao plenário. Quinze minutos depois, antes de encerrado o prazo concedido, Jucá entregou os pontos. Foi ao microfone reconhecer que o quorum não seria obtido. Estavam presntes apenas 26 senadores governistas. O prazo da MP que recheia o Fundo Soberano expira na próxima segunda-feira (1º). Em tese, poderia ser votada até esta sexta (29).
Mas o governo reconhece que se não houve quorum numa quarta feira, dia de “casa cheia”, só por milagre -ou por acordo- o número mínimo seria obtido nas próximas 48 horas.Quinta e sexta são dias em que os congressistas estão mais preocupados com o horário dos seus vôos do que com a liça do plenário.
A obstrução comandada pela oposição foi seletiva. Barraram a MP do Fundo, mas admiktiram aprovar outras três.A primeira elevou o salário mínimo para R$ 465. A segunda autorizou o Tesouro a emprestar R$ 100 bilhões ao BNDES.
A última ampliou o alcance dos programas de merenda e de transporte escolar. Eram temas que estavam no final da fila de votação. Porém...
Porém, para evitar que o governo a acusasse de bloquear a votação de temas de interesse popular, a oposição requereu a inversão da pauta.
A MP do Fundo, condenada ao bloqueio oposicionista, foi para o final da fila. Com o assentimento de um Jucá compelido a dançar no ritmo ditado pelos "rivais".

STJ CONCEDE LIBERDADE AO EX-DEPUTADO ÁLVARO LINS

Ele conseguiu a liberdade provisória na terça-feira. Ex-chefe da Polícia Civil era deputado estadual, mas foi cassado


Um dia após conseguir a liberdade provisória, o ex-diretor da Polícia Civil do Rio de Janeiro e ex-deputado estadual Álvaro Lins dos SantoS deixou o presídio de segurança máxima Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, no final da noite desta quarta-feira (27). As informações são da Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap).

Ele conseguiu a liberdade provisória na terça-feira (26) depois que a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu o habeas corpus ao ex-parlamentar por maioria de votos. Um oficial de Justiça levou o alvará de soltura à Polícia Federal somente na noite desta quarta.

Álvaro Lins seguiu para a sede da Polícia Federal, na Praça Mauá, na Zona Portuária, onde deverá assinar o alvará de soltura. De acordo com o STJ, ele será obrigado a comparecer toda vez que for intimado para uma audiência. Ele não poderá mudar de residência sem autorização prévia, nem se ausentar de casa por mais de oito dias sem avisar às autoridades.

O ex-deputado é acusado de formação de quadrilha, facilitação de contrabando, lavagem de dinheiro e corrupção ativa, entre outros delitos. Ele nega todas as acusações.

Em maio de 2008, ele e outros sete réus foram denunciados pelo Ministério Público no Tribunal Regional Federal (TRF) acusados de integrar uma suposta quadrilha formada principalmente por policiais que agiria no estado do Rio de Janeiro. O grupo teria ligações com as milícias armadas do estado e foi investigado numa operação da Polícia Federal.
Lins era deputado quando foi preso pela primeira vez
Na época, Álvaro Lins ocupava o cargo de deputado estadual na Assembleia Legislativa. Em 12 de agosto do mesmo ano, seu cargo foi cassado e o processo foi encaminhado pelo TRF à 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Lá foi decretada a sua prisão preventiva, estando o réu preso desde então. A possibilidade de ele vir a prejudicar o processo e o clamor público foram alguns dos argumentos para a detenção.

DOAÇÕES DE EMPRESAS LEGADAS A PETROBRÁS BENEFICIAM PT

Pelo menos nove empresas ligadas à Petrobras doaram R$ 8,53 milhões para campanhas eleitorais em 2006 e 2008. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, 54,86% dos recursos foram destinados ao PT, em especial à campanha de Luiz Marinho, eleito prefeito de São Bernardo do Campo (SP), berço político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do partido.
As empresas doadoras integram o que a estatal chama de "Sistema Petrobras". Na maioria delas, a petrolífera tem participação acionária, indica diretores e participa de conselhos. Segundo a Folha, em pelo menos uma delas, a petroquímica Braskem, representantes da Petrobras no conselho de administração participaram da aprovação de doações. Por lei, a estatal é proibida de financiar candidatos e partidos.
As duas maiores doações de empresas ligadas ao Sistema Petrobras à candidatura de Luiz Marinho foram da Petroquímica União (R$ 800 mil) e da Quattor Petroquímica (R$ 430 mil). A Petroquímica União, indústria de plásticos sediada na região do ABC, é uma subsidiária da Quattor Participações, na qual a Petrobras tem 40% do capital.
Segundo a Folha, nas duas últimas eleições, a Petroquímica União repassou R$ 3,91 milhões a políticos. Em 2006, foram R$ 504 mil para o presidente Lula e R$ 251 mil para Geraldo Alckmin (PSDB).
O jornal informou que a Petrobras se manifestou a respeito, alegando que as empresas que controla (subsidiárias ou em que é majoritária) não fazem doações eleitorais. No caso daquelas em que é acionista, a Petrobras disse ainda que não decide sobre as contribuições eleitorais, embora integre o conselho e indique diretores.

DEFESA DE ROBERTO JEFFERSON PEDE ACARFEAÇÃO ENTRE REBELO E MARCIO THOMAZ

O advogado Luiz França Barbosa, que defende o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), disse nesta quarta-feira que vai pedir uma acareação entre o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) e o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Eles são testemunhas de defesa do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) e prestaram depoimentos hoje à Justiça Federal sobre o mensalão. "Amanhã vou pedir uma acareação entre os dois", afirmou o advogado.
Barbosa disse que Aldo e Thomaz Bastos se contradisseram durante o depoimento. O deputado e o ex-ministro disseram nunca ouviram falar do suposto esquema do mensalão enquanto estavam no governo. Aldo foi ministro de Relações Institucionais

Barbosa disse que Aldo e Thomaz Bastos se contradisseram durante o depoimento. O deputado e o ex-ministro disseram nunca ouviram falar do suposto esquema do mensalão enquanto estavam no governo. Aldo foi ministro de Relações Institucionais.
Segundo o advogado, eles admitiram em seus depoimentos que foram alertados sobre o mensalão pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Barbosa disse que Lula teria pedido a eles que investigassem a possível participação no esquema dos então ministros Dirceu, Luiz Gushiken (Comunicação do Governo) e Anderson Adauto (Transportes). Os três foram denunciados e são réus no processo do mensalão.
Segundo Barbosa, enquanto Bastos teria dito que essa investigação seria formal --com a participação da Polícia Federal--, Aldo teria afirmado que a apuração seria informal.
A intenção do advogado é que os dois sejam novamente chamados a depor para que suas declarações sejam confrontadas. "Uma coisa dessa gravidade, em geral, não se faz informalmente", disse.
Outro lado
Aldo confirmou que jamais foi incumbido por Lula a fazer uma investigação formal. "Eu respondi por mim", disse.
"Eu nunca ouvi nenhuma referência a esse esquema enquanto era ministro ou líder do governo. [...] Não tive conhecimento e nem vi esse esquema funcionando", afirmou Aldo após o depoimento.
Questionado sobre seu depoimento, Thomaz Bastos se recusou a comentar ao dizer que o processo corre sobre segredo de Justiça. Já o advogado de Dirceu, José Luís Oliveira Lima, disse que a contradição dos ex-ministros não são relevantes para o andamento do processo. "As diferenças mencionadas, quer pelo Aldo Rebelo, quer pelo Thomaz Bastos, não têm qualquer relevância para o fato", afirmou

INDICAÇÕES DE TROPA DE CHOQUE DO GOVERNO NA CPI DA PETROBRÁS, DESFALCA GOVERNO NA CPI DAS ONGS

O tiroteio anunciado no combate entre governo e oposição por causa da CPI da Petrobrás tem primeira batalha desfavorável a situação. A indicação do governista Ignácio Arruda (PCdoB-CE), para reforçar a tropa de choque governamental o deixou o governo desfalcado. Arruda era o relator da CPI das ONGs. A sua saída permitiu ao presidente da CPI, Heráclito Fortes (DEM-PI) nomear um novo relator. Heráclito não esperou muito, com rapidez de relâmpago, nomeou logo o líder do PSDB, Artur Virgílio (AM).
Virgílio já anunciou: não vou sair de mão abanando. Vamos investigar. Ele declarou que pretende convocar para depor as ONGs que receberam verbas de patrocínio da Petrobras.
Com o líder tucano na relatoria, o governo passa a ter mais motivos para se preocupar com a CPI das ONGs do que com a da Petrobras. Com assinaturas suficientes para prorrogar a CPI das ONGs até dezembro, a oposição, que conta agora com o relator além da presidência da comissão, deixou o governo preocupado ao declarar que pretende intensificar a investigação

CHICO DE OLIVIERA DIZ QUE LULA ESTÁ A DIREITA DE FH

A edição do jornal Valor Econômico de 27 de maio de 2009 publica entrevista do cientista político Chico de Oliveira. O sociólogo e cientista político, professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP), provocou reações no PT. A entrevista traz importantes observações para compreender o Estado brasileiro e os rumos do constitucionalismo latino-americano. Também demonstra ceticismo em relação a mudanças no quadro político com as eleições presidenciais do próximo ano.
O acadêmico pernambucano de 75 anos disse que o presidente Lula está à direita do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e, além disso, faz um governo que contraria os interesses da base que o elegeu. Para Chico Oliveira, Lula está à direita de FH por "não recompor as estruturas do Estado e não avançar na ampliação de direitos".
Chico Oliveira disse ainda que o país vive "um consenso conservador" que impede mudanças. Ele criticou o Bolsa Família: "O presidente tenta se legitimar promovendo consensos que passam pela cooptação dos mais pobres. O Bolsa Família não é um direito, é uma dádiva".
Intelectual historicamente vinculado ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Chico de Oliveira foi fundador do PT ao qual foi filiado até 2003, o professor aposentado de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) Francisco de Oliveira tornou-se ao longo do atual governo um dos mais cáusticos críticos à esquerda do lulismo. Em 2004 filia-se ao PSOL, do qual se afastou mais tarde, definindo o partido, no plano ético, como um "udenismo de esquerda.
Chico afirma que vivemos uma regressão política, porque no governo Lula houve uma diminuição do grau de participação popular na esfera pública. E quando se projeta o cenário de 2010 percebe-se como Lula resulta regressivo. Com a força perdida pelo PT e a ausência de alternativas de Lula, uma vez que a doença de sua candidata mostra sinais de gravidade, aparece o terceiro mandato.
Chico Continua: “ neste sentido a possibilidade de um terceiro mandato é perigosa. Getúlio [Vargas] ensaiou isso com o queremismo, em 1945. Agora, pode muito bem surgir um queremismo lulista: o povo ir às ruas para pedir a continuidade do governo”. Perguntado se o povo iria as ruas, Chico disse que Oliveira que o povo, uma categoria imprecisa, mas o PT e a CUT ainda têm capacidade para promover barulho, e barulho é o que é decisivo em uma questão como essa.
Sobre 2010 disse que será uma disputa regional, sem nenhum ponto político
Falando sobre os candidatos da oposição criticou a candidatura de Aécio Neves (PSDB), governador de Minas, à Presidência: "Aécio parece mais um político superficial que se faz sob a herança política familiar. Nunca vi uma opinião dele que impressionasse. Serra é uma surpresa. Faz um governo gerencial e até reacionário É um político que gradualmente se converteu, quando vemos o passado dele e o local onde atua agora. É o grande líder conservador.