1 de junho de 2010

DILMA FALA EM ESTENDER 3ª IDADE





Autor(es): Agencia o Globo/Leila Suwwan

O Globo - 01/06/2010



Petista sinaliza que poderá, se eleita, aumentar tempo de contribuição

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, tocou ontem em um assunto considerado tabu durante as eleições: a reforma da Previdência. Ela defendeu “estender a terceira idade um pouco mais para lá”, sinalizando que, se eleita, poderá estender o tempo de contribuição à Previdência.

Mas, depois, disse que se tratava apenas uma piada com seus próprios 62 anos.

A petista participou ontem de seminário da revista “Exame”, em São Paulo. Ao falar sobre a importância de apostar na qualificação da população economicamente ativa do país, ela disse que investirá na qualidade da educação, uma forma de apostar no “bônus demográfico” brasileiro: — O tal do bônus demográfico nada mais é que isso: a população em idade ativa, em idade de trabalhar, é maior que sua população dependente, os jovens, crianças e velho, né? Mais da terceira idade, que a terceira idade tá ficando difícil, né. A gente vai ter que estendêla um pouco mais para lá.

Questionada sobre o que quis dizer e se pretendia fazer mudanças na idade de aposentadoria, Dilma disse que não fez referência à Reforma da Previdência, mas reconheceu que “sempre será necessário tomar providências sobre a questão etária do país”.

— É a minha (terceira idade).

Fiz uma brincadeira comigo mesma. Acho que vai sempre ter que olhar a questão etária do país e tomar providências, claro. Mas eu não tratei desse assunto. Eu fiz uma brincadeira, porque não tenho vergonha de dizer, são muito bem vividos, que tenho 62 anos.

Especialistas avaliam que mudanças serão inevitáveis para manter o sistema previdenciário.

Hoje, o veto ao reajuste de 7,7% nas aposentadorias, aprovado pelo Congresso, causa dor de cabeça ao presidente, pelo ônus eleitoral.

No almoço, a petista sentou à mesa com um grupo de empresários, entre eles Eike Batista, da EBX, Marcelo Odebrecht, da Odebrecht, Jean Carlo Civita, do grupo Abril, Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, e Kees Kruythoff, presidente da Unilever do Brasil, além do economista Nouriel Roubini, da Universidade de Nova York.

Dilma exaltou a ampliação da oferta de crédito no governo Lula.

Disse que o valor é de cerca de 45% do PIB, mas prometeu ampliá-lo até 2014, se eleita.

Com a ausência de Marina Silva, coube a Dilma destacar o discurso verde. Lembrou que as reservas de petróleo da camada pré-sal são “o passaporte para o futuro” e defendeu uma matriz energética renovável.

— A matriz energética é 50% renovável e nos faz uma potência renovável. É um diferencial competitivo imenso para o país.

(...) Podemos ter fontes alternativas, incluídas na nossa matriz sem maiores problemas

PAULINHO DA FORÇA FAZ "TERRORISMO" SOBRE SERRA



Autor(es): Agencia o Globo/Adauri Antunes Barbosa

O Globo - 01/06/2010



Líder do MST também afirma que tarefa do movimento será derrotar o tucano

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força Sindical, usou ontem a assembleia nacional da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) para atacar o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, e defender a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff.

Sem temer a provável quinta representação na Justiça Eleitoral por antecipação de campanha, Paulinho disse que é preciso defender o nome de Dilma, senão “fica aí esse sujeito (Serra) tentando ganhar a eleição”.

— Nós não podemos deixar esse José Serra ganhar as eleições. Como é que esse sujeito vai ser presidente da República? Vamos ter um conflito na sociedade brasileira com esse sujeito lá. Para impedir que esse conflito aconteça, a gente tem de derrotálo para que ele aprenda a tratar trabalhador — disse Paulinho.

Ele afirmou ainda que Serra, se eleito, “vai tirar os direitos do trabalhador”: — Vai mexer no Fundo de Garantia, nas férias, na licença-maternidade. Por isso, temos de enfrentá-lo na rua para ganhar dele em São Paulo.

Paulinho reclamou que já recebeu quatro processos por antecipação de campanha, dos quais dois resultaram em multas de R$ 7,5 mil cada, e não poupou o tucano. Irônico em discurso na assembleia dos Movimentos Sociais, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique Santos, também usou tom eleitoral: — É o governo do PPPP. Privatização, presídio, pedágio e paulada em professores e no movimento social. É disso que se trata a tentativa de PSDB e DEM de voltar a governar este país.

Convocada para aprovar uma pauta de reivindicações que será encaminhada a todos os candidatos a presidente, inclusive Serra, a CMS já havia decidido não apoiar formalmente um candidato a presidente. O MST não vai apoiar Dilma oficialmente, mesma posição da União Nacional dos Estudantes (UNE). Mas, como admitiu o coordenador do MST João Paulo Rodrigues, a tarefa do movimento é “derrotar Serra”: — Obviamente que a base do MST vai votar nas candidaturas de esquerda. Vamos ter gente que vai votar no Plínio (de Arruda Sampaio, do PSOL), possivelmente vai ter gente que vai votar na Marina (Silva, do PV), e obviamente vai ter muita gente que vai votar na Dilma O nosso grande empenho, e estamos conclamando a militância, os nossos aliados, é para derrotarmos o Serra. Isso, nós vamos fazer

DOCUMENTO DAS CENTRAIS FALA EM "EVITAR RETROCESSOS! NA ELEIÇÃO





Autor(es): Agencia o Globo/Leila Suwwan
O Globo - 01/06/2010



Evento deve reunir mais de 30 mil sindicalistas hoje no Pacaembu




O manifesto político a ser aprovado hoje no evento das centrais sindicais conclama o setor a “evitar retrocessos” nas eleições deste ano e “eleger candidatos comprometidos com as bandeiras da classe trabalhadora”, sem citar nomes.

As entidades responsáveis — CUT, Força Sindical, CGTB, CTB e Nova Central — negam que o ato será eleitoreiro, e o convite à pré-candidata Dilma Rousseff (PT) foi retirado.

O custo da Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) não foi divulgado.

As centrais foram reconhecidas pelo governo em 2008 e passaram a receber parte da arrecadação do imposto sindical.

O valor repassado neste ano supera R$ 80 milhões.

É aguardada a presença no estádio Pacaembu de cerca de 30 mil sindicalistas e militantes sociais e políticos — haverá discursos de partidos da base aliada: PT, PMDB, PCdoB, PDT e PSB. A prefeitura mobilizou seguranças e um esquema especial de trânsito. As cinco centrais reservaram setores separados para seus filiados e preveem protestos, como a campanha contra o “confisco” de rendimentos do FGTS, organizada por uma ONG. Os organizadores pediram aos participantes que “não aceitem provocações” e anunciaram a distribuição de lanches e bandeiras.

“Nossa presença ativa no processo e no debate eleitoral deve buscar impedir retrocessos e garantir e ampliar direitos dos trabalhadores. Por isso, é fundamental eleger candidatos comprometidos com as bandeiras da classe trabalhadora”, diz o documento, que apresenta mais de 270 reivindicações.

O documento, alvo de discussão interna entre as centrais, não cita Dilma, como chegou a ser cogitado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Alberto Goldman (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) foram convidados, mas não devem comparecer

CENTRAIS DECLARAM GUERRA CONTRA SERRA




 O ESTADO DE S. PAULO

Roberto Almeida

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, presidente da Força Sindical, e Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), partiram para o ataque contra o pré-candidato tucano José Serra e devem repetir a dose no principal evento do sindicalismo brasileiro deste ano, marcado para hoje em São Paulo.

São esperadas 30 mil pessoas de cinco centrais sindicais - Força, CUT, CTB, CGTB e Nova Central - no Estádio do Pacaembu para a assembleia da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), reedição da reunião de 1981 que marcou a união do sindicalismo no País pela redemocratização. Dessa vez, porém, a união é pela continuidade do governo Lula elegendo a petista Dilma Rousseff.

O "aquecimento" para a Conclat foi ontem, na assembleia da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), composta por CUT, UNE, MST e outras 25 entidades ligadas ao movimento negro, LGBT, entre outros.

Paulinho chegou a ser vaiado quando subiu no palco da quadra do Sindicato dos Bancários, no centro da capital paulista. A Força Sindical, entidade que preside, não faz parte da CMS.

Mesmo assim, o deputado empunhou o microfone e assumiu a artilharia contra Serra, indiferente à Lei Eleitoral e às punições por campanha antecipada.

No bombardeio sobre a candidatura tucana, Paulinho - que tratou o pré-candidato a todo momento como "sujeito" - disse que Serra, se eleito, "vai tirar os direitos do trabalhador". "Vai mexer no Fundo de Garantia, nas férias, na licença-maternidade. Por isso, temos de enfrentá-lo na rua para ganhar dele aqui em São Paulo", afirmou.

"Se a gente não falar fica aí esse sujeito tentando ganhar a eleição. Eu estou falando, e vou falar o nome. Nós não podemos deixar esse José Serra ganhar as eleições. Nós estamos falando e não tem jeito. Eles podem processar e nós vamos falar", atacou o deputado pedetista, para uma plateia de 2 mil militantes.

Paulinho já foi processado quatro vezes por campanha antecipada e foi punido em duas, com multa total de R$ 15 mil. "Por quê? Porque estamos falando a verdade", justificou.

Na saída do evento, perguntado sobre a possibilidade de uma nova multa, admitiu: "É, tomei mais uma hoje." Em relação ao Conclat, contemporizou. "Amanhã (hoje) vamos baixar o tom."

"Tapetão do Judiciário". O presidente da CUT, que discursou após Paulinho, saudou a militância com um "bom Dilma". Ele manteve o tom agudo contra Serra e confirmou a indiferença sobre a Justiça Eleitoral. "O que eles (PSDB e DEM) estão tentando fazer é inviabilizar a candidatura democrática-popular (de Dilma) no tapetão do Judiciário", disse.

Para Artur Henrique, os oposicionistas "têm todos os veículos de comunicação na mão, mas não estão conseguindo convencer porque não têm projeto". E citou o que considera uma "tentativa de golpe" contra Lula, fazendo uma referência à crise do mensalão em 2005. A CUT, em texto publicado em seu site, considera a imprensa "o maior partido de direita do País".

Postura anti-Serra. Mesmo sem apoiar formalmente Dilma na corrida eleitoral, a CMS - representada pela dirigente da União Brasileira de Mulheres (UBM) e ex-presidente da UNE, Lúcia Stumpf - afirmou ontem que a postura dos movimentos sociais será anti-Serra. "Desde 2003 nós temos reafirmado posição contrária à volta do PSDB e do DEM ao poder no País", declarou .

BONDADES DO GOVERNO LULA SEDUZEM SINDICATOS

Salário mínimo
Acordo de reajustes até 2023, indexando o aumento da inflação mais a variação do PIB. Em dezembro passado, acordo reajustou o mínimo em R$ 510,00

Imposto de renda
Acordo para correção da tabela do Imposto de Renda, que estava estagnada

Legalização das centrais
Senado aprovou projeto que legalizou centrais sindicais, que passaram a receber parte do dinheiro arrecadado com o imposto sindical. Imposto, que estava ameaçado de se tornar facultativo, também foi mantido pelo projeto, que ainda aprovou a fiscalização das entidades pelo TCU

Trabalho aos domingos
Edição de medida provisória que modificou as regras para o trabalho aos domingos no comércio

Sistema S
Oficialização do movimento sindical nos conselhos do Sesi, Senais e Senac, que fazem parte do Sistema S

OIT
Envio ao Congresso das convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre negociação coletiva no setor público

CLT
Os sindicatos conseguiram a retirada do projeto de lei que estava no Congresso alterando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)

Reformas
Setor trabalhista conseguiu impedir o andamento das propostas de reforma sindical - que se arrastam no Congresso - e de reforma da Previdência, por falta de entendimento com os patronais

Sindicalistas no comando
Pesquisa da FGV mostra que 45% dos cargos de alto comando dentro do governo Lula estão nas mãos de sindicalistas

"Anistia"
Governo Lula reintegrou mais de 7 mil funcionários públicos demitidos por razões políticas ou por realizações de greve

SERRA CRITICA FALTA DE INFRAESTRUTURA





Autor(es): Agencia o Globo/Flávio Freire

O Globo - 01/06/2010



Tucano mira no projeto de energia, e evita perguntas sobre educação

Ao mesmo tempo em que fez fortes ataques à condução de políticas do governo federal nas mais diferentes áreas, o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, evitou debater um dos temas mais críticos de sua gestão como governador paulista: a educação. Depois de criticar a “alta carga tributária e as maiores taxas de juros entre os países emergentes”, de bater forte no projeto de energia — tendo como alvo direto sua adversária, a ex-ministra de Minas e Energia e précandidata do PT, Dilma Rousseff —, o tucano disse que não estava ali (no evento Exame Fórum — A Construção da 5 aMaior Economia do Mundo), para falar sobre educação.

— Pergunte ao secretário ou ao governador — disse Serra a um jornalista, em entrevista.

Serra foi firme principalmente ao reclamar da infraestrutura nacional, diante de uma plateia de 500 empresários.

— O Brasil bate hoje recorde mundial. Tem os juros mais altos do mundo, a carga tributária mais alta dos países emergentes e a menor taxa de de investimento governamental.

Sem poupar a condução da economia pela administração do presidente Lula, Serra disse que hoje o país, na esfera federal, tem um investimento governamental menor que os de municípios e estados.

— O investimento governamental no país é de 3% de suas receitas, enquanto os municípios investem 7,3% e os estados, mais de 9%. O esforço é feito mais pelos estados e municípios, com 70% a mais que a média do investimento governamental na esfera federal.

Embora não tenha citado o nome, Serra deixou claro que estava mirando na área elétrica e, assim, atingindo a atuação de Dilma no governo.

— Grandes empresas hidrelétricas têm suas concessões vencendo em 2015, e não se faz nada. O caso da energia é gritante.

Vamos ter expansão na oferta de 2012 a 2016. E 60% vão ser de energia suja. Não se investe na economia de energia, que rende muito. As metas apresentadas são modestíssimas.

Não há um planejamento na área do gás, por exemplo.

Serra também atacou a política externa do atual governo.

— De 2002 para cá, já foram assinados mais de cem acordos de livre comércio, e o Brasil assinou um só.

Ao falar sobre educação, voltou a prometer bolsa-manutenção na área de cursos profissionalizantes para quem recebe o Bolsa Família. Serra ainda deu um tom político ao atacar o loteamento no atual governo: — No meu governo, nunca tivemos loteamento de cargos.

O que acontece no governo federal é gravíssimo. No caso da Anvisa, tinha um candidato do PT que foi para lá e agora vai concorrer a deputado. Esse tipo de coisa perverteu as agências reguladoras.

TESOUREIRO DA CAMPANHA DE DILMA SOB EXAME




Tesoureiro da campanha de Dilma sob exame

Autor(es): Agencia o Globo

O Globo - 01/06/2010

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou que a situação do futuro tesoureiro de sua campanha, o ex-prefeito de Diadema (SP), José de Filippi Júnior, está sendo analisada pela coordenação de campanha. O petista foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a devolver cerca de R$2 milhões aos cofres do município, devido à contratação, sem licitação, do escritório de advocacia de Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado do PT, entre 1983 e 1996.

Filippi recorreu da decisão em 2002, mas perdeu. Um novo recurso já foi apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

- A coordenação da campanha está fazendo essa avaliação. E esperando ele voltar. Ele está em Harvard, fazendo um curso. Então, estão esperando ele voltar para fazer uma avaliação com ele sobre esse assunto - disse Dilma.

Na realidade, Filippi retornou ontem ao Brasil. Além da função de tesoureiro, ele deve disputar um cargo como deputado federal. A previsão é que atue no núcleo de coordenação da campanha de Dilma, ao lado do deputado Antonio Palocci e do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.

OPOSIÇÃO QUER QUE PLANALTO DEVOLVA 3 MILHÕES DE VIGANS COM DILMA





Autor(es): Agencia o Globo/Maria Lima
O Globo - 01/06/2010




Partidos acionarão MP e TSE por ressarcimento de verba


O PPS e os demais partidos que apoiam o tucano José Serra devem acionar o Ministério Público Eleitoral e o Tribunal Superior Eleitoral para pedir a devolução, aos cofres públicos, de R$ 3.052.870,94 que o Planalto informou ter gastado com 26 viagens da ex-ministra Dilma Rousseff país afora. A oposição afirma que, embora fossem eventos oficiais de governo, as viagens foram usadas para promover a presidenciável petista.

Entre essas viagens está a caravana liderada pelo presidente Lula para levar Dilma a vistoriar as obras de transposição do Rio São Francisco, ano passado. Os gastos foram reconhecidos em documento da Casa Civil, assinado pela ministra Erenice Guerra, em resposta a requerimento de informações do deputado Raul Jungmann (PPS-PE).

As viagens que constam do levantamento da Casa Civil repassado ao deputado ocorreram entre 1ode setembro de 2009 e 19 de fevereiro de 2010, quando Dilma ainda era ministra.

Segundo o PPS, os gastos podem ultrapassar os R$ 3 milhões declarados, já que a Casa Civil revelou apenas os gastos com alimentação, diárias, hospedagens, serviços de telecomunicações, de apoio logístico e de locomoção de veículos terrestres. Não foram contabilizadas despesas com combustível das aeronaves, locação de veículos aéreos e custo estimado por convidado de cada evento.

A Casa Civil argumenta que essas informações são de responsabilidade de outros órgãos, como o Comando da Aeronáutica e o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência.

Para Jungmann, fica evidente que as multas aplicadas pelo TSE não fazem justiça ao que teria sido utilizado irregularmente para promover a ministra como candidata.

— Esse documento de Erenice Guerra é a prova cabal da utilização da Presidência da República e da Casa Civil para a promoção indevida e ilegal, com dinheiro público, da candidataministra Dilma Rousseff. E esses R$ 3 milhões na verdade não são nem 10% do custo total dos gastos feitos — disse Jungmann.

EROS SAIRÁ NO MEIO DA CAMPANHA




Autor(es): Juliano Basile, de Brasília

Valor Econômico - 01/06/2010

O ministro Eros Grau deve deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), no início de agosto, pouco antes de completar 70 anos.

A data de sua saída é importante, pois é a partir dela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará a sua nona indicação para a Corte.

O fato de Grau deixar o STF em agosto fará com que a indicação ocorra durante a campanha eleitoral que, oficialmente, começa apenas em 5 de julho. Grau completa 70 anos em 19 de agosto.

No início do ano, alguns colegas da Corte acreditavam que ele poderia antecipar sua saída para junho. Com isso, Grau não precisaria voltar do recesso de julho do tribunal para cumprir duas semanas e meia do STF que lhe restariam em agosto. Nesse cenário, Lula poderia fazer a indicação de um ministro em junho e o Senado faria a sabatina do futuro ministro no mesmo mês, antes do recesso do Congresso, em julho.

Mas Grau optou por manter-se no cargo até as vésperas de seu aniversário e só não deve deixar o tribunal no último dia de seus 69 anos para não caracterizar a aposentadoria "expulsória" - modo como alguns ministros se referem ao fato de terem de se retirar da Corte por conta do limite dos 70 anos.

"Houve um momento em que pensei em sair no início deste ano", disse Grau ao Valor. "Mas eu pensei muito e vi que estava com o processo da anistia para ser julgado", completou, referindo-se à ação em que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) questionou se a Lei de Anistia também valeu para agentes do Estado que praticaram crimes hediondos, como a tortura e o estupro, durante o regime militar. "Acho que se não julgasse aquele caso e me aposentasse antes, no futuro, ia me perguntar se tive medo de julgar. No dia em que tomei consciência disso, pensei: "Vou julgar, mas vou fazê-lo não como justiceiro, e sim como juiz"."

Grau foi perseguido pela ditadura, mas votou contra o pedido da OAB. Ele foi o relator da ação e a Lei da Anistia foi mantida por sete votos a dois. O seu voto foi o vencedor e trouxe duas lições. A primeira é a de que os juízes devem procurar se distanciar de suas paixões e preferências individuais. "Ser juiz é procurar superar a sua individualidade", afirmou. A segunda é a de que o STF deve agir sempre com prudência, pois é quem dá a palavra final sobre assuntos polêmicos. "O verdadeiro juiz é aquele que é capaz de superar os seus amores e ódios e decidir com prudência."

Segundo Grau, os juízes não merecem apoio nem censura pelas suas decisões. "O juiz do STF não está aqui para ser apoiado nem desaprovado. Ele está aqui para decidir de acordo com o seu convencimento", disse o ministro, em seu gabinete, localizado no 3º andar do Edifício Anexo II do STF. "Quando é um juiz de instância inferior, que se recorra. Quem não tenha ficado satisfeito com a solução que o juiz tomou tem a oportunidade de recorrer. Mas, quando se trata de juiz de um tribunal como o Supremo, que é última instância, os que aprenderam a viver a democracia têm que aceitar essa decisão."

Neste ponto, Grau chega à sua terceira lição como ministro do STF. Em julgamentos extremamente polêmicos, como a demarcação de terras indígenas em Roraima, o uso de células-tronco para pesquisas, ou a discussão sobre a aplicação da Lei da Anistia para torturadores, houve a tentativa de intelectuais e grupos de pressão de impor determinadas decisões ao Supremo como se fossem a única resposta possível. "Em toda e qualquer circunstância, o juiz tem que decidir afastando essas pressões." Para Grau, não é mau que essas pressões existam "porque elas auxiliam o tribunal a refletir melhor".

"O tribunal tem conseguido ser superior e mais prudente do que podem supor os radicais defensores de seus próprios valores", enfatizou o ministro. Segundo ele, há intelectuais e grupos de pressão que querem impor os seus valores a qualquer custo. "Esses são incapazes de compreender que, no momento em que a autoridade de um tribunal como o STF é posta em dúvida, eles mesmos colocam em risco a democracia em nome de seus valores individuais", advertiu Grau. "Quero dizer: tomar a sua singularidade como motivo determinante de seu ser e pretender a qualquer custo impor os seus valores é não saber nada o que significa a democracia."

O ministro argumentou que, no direito, existe sempre mais de uma resposta para uma questão e daí surgem as polêmicas no STF. "O desafio da ciência é não ter resposta para uma questão. O desafio da prudência é que sempre há mais de uma resposta correta para uma questão", comparou. "Não existe "jurisciência". O que existe é exatamente a jurisprudência. Toda e qualquer decisão é produto de uma prudência."

Assim que deixar o STF, Grau pretende se dedicar à arbitragem - solução de conflitos sem recursos ao Judiciário. Até lá, disse que vai se dedicar da mesma maneira a qualquer processo que julgar, seja um caso de grande repercussão, como foi a Lei da Anistia, ou um furto em supermercado. Aqui, a última lição de Eros Grau: estar no STF é aplicar o direito na prática, e não teorizar a seu respeito. Daí que o sucessor de sua cadeira não deve estar preocupado em construir uma biografia como ministro. "Quem vem para cá para construir biografia acaba construindo uma má biografia", definiu Grau.

Para ele, todos os casos são importantes, pois são casos concretos, práticos. Grau não vê mais relevância em um ou outro processo que julgou. "A linguagem sobre o direito é pronunciada pelos professores que descrevem o direito", disse Grau, que começou a dar aulas em 1965. "Aqui, no STF, nós construímos o direito, nós produzimos o direito. É outra linguagem na qual a vaidade e os individualismos têm que ser diluídos porque, se não forem, o juiz não vai pronunciar esse discurso adequadamente. Ele será um mau juiz", completou o ainda ministro

BEM-VINDOS, MAS A CASA É NOSSA



Autor(es): Adriano Pires e Abel Holtz

O Estado de S. Paulo - 01/06/2010

Bem-vindos, mas a casa é nossa

Conta a lenda que desde o almirante Zhen He, que em seu navio de tecnologia avançada deu a volta ao mundo, os chineses estiveram no Brasil e conheceram suas riquezas. Contam até que o almirante levou em sua viagem de volta um galináceo para cantar e encantar seus governantes. É a lenda.

Agora estamos realmente assistindo a uma investida dos chineses por todo o mundo em desenvolvimento e subdesenvolvido, comprando terras para plantar alimentos, minas de ferro e outros metais, investindo em petróleo e refinarias para em seguida transportá-los para suas fronteiras, e emprestando aos ávidos interessados quantias astronômicas em dólares, tentando dar rentabilidade às suas gigantescas reservas em divisas, em vez de continuar aplicando em letras do Tesouro americano.

É fato que há pouco mais de 50 anos o país tinha um estágio social e de desenvolvimento muito aquém das suas potencialidades. Relembre-se que foi após o Grande Líder que, enfrentando resistências inclusive internas, o país veio determinadamente conquistando sua independência de toda ordem e hoje está capacitado para e aspira a liderar o desenvolvimento em todo o mundo. A China já é o segundo maior consumidor mundial de petróleo.

Atualmente, o país é citado em todo o mundo como um exemplo a seguir, dadas as suas enormes taxas de crescimento econômico. Já virou adjetivo a expressão "crescimento chinês". Educação e trabalho duro fizeram com que o país pudesse ser um dos maiores exportadores mundiais de bens e capitais. Muitos caracterizam a China como a fábrica e o mundo como o shopping. Mas pouco conhecemos da cultura chinesa e do povo chinês. Seus governantes se apresentam sempre taciturnos e focados nos objetivos e nas demandas. Sua língua é pouco difundida, apesar de hoje estar sendo escrutinada pelos jovens que antecipam a necessidade de se comunicarem com aqueles que deverão ter papel relevante nas lideranças mundiais.

Mas nessa investida que estamos presenciando das empresas chinesas em diferentes áreas da nossa economia ? apesar de aplaudida por muitos governantes e aqueles interessados na sua capacidade de investir ?, temos de resguardar os postos de trabalho para os brasileiros. Tem sido verificado que, ao mesmo tempo que oferecem generosa participação monetária aos países onde realizam investimentos, as empresas chinesas recrutam um enorme contingente de chineses e os colocam em postos-chave de todos os níveis das equipes nas empresas adquiridas com seus recursos financeiros, eliminando a presença de trabalhadores e técnicos locais.

A dificuldade de comunicação entre líderes e liderados, ao lado das diferenças culturais, é a justificativa dada pelos chineses para essa ação. Mas a realidade é que na maioria dos casos há uma necessidade de dar trabalho aos seus compatriotas, facilitando o dia a dia da empresa (todos se entendem) e baixando custos, porque a mão de obra chinesa é bem mais barata do que a local. Em recente projeto de uma siderúrgica no Rio de Janeiro, o desejo inicial era trazer 3 mil compatriotas para a sua construção. Postos de trabalho que seriam de brasileiros. Ao final, trouxeram 300 profissionais.

Agora, há a investida no setor elétrico via compra de participação na AES ? objetivando investimentos em energia renovável no mundo, segundo foi informado ?; a compra das transmissoras no Brasil antes em poder de empresas espanholas; a possível venda de equipamentos para Belo Monte; a parceria e o empréstimo de US$ 10 bilhões em troca da exportação de 200 mil barris/dia com a Petrobrás; e a compra de direitos de exploração de petróleo. Isso poderá trazer um contingente imensurável de expatriados para postos de trabalho que estão sendo ocupados hoje por especialistas e profissionais brasileiros.

Cabe ao governo, ao lado de criar condições para que os investimentos se materializem, garantir o emprego dos profissionais e operários brasileiros

RESUMO DOS JORNAIS: O JORNAL DO BRASIL



Manchete: O mundo contra o “terrorismo de Estado”

O ataque israelense, am águas internacionais, ao navio de uma ONG humanitária turca com mantimentos para Gaza deixou pelo menos 10 ativistas mortos, gerou repúdio mundial ao Estado judeu e mudanças no Oriente Médio. A Turquia, maior parceira comercial de Israel, classificou de “pirataria” e “terrorismo de Estado” a ação, condenada pelos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, incluindo o Brasil. Israel justificou a invasão como forma de impedir “terroristas” de se infiltrarem na região controlada pelo Hamas. (Págs. 1 e Tema do dia A2 a A4)

Dilma dispara no Rio

Apoio de Cabral e Garotinho fez a diferença

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rouseff, lidera a última
pesquisa do Ibope entre eleitores do Rio com 44% das intenções de voto, 17 pontos à frente do tucano José Serra. Marina Silva (PV) surge com 10% das intenções. Segundo analistas, o apoio do governador Sérgio Cabral e do ex-governador Anthony Garotinho alavancou a candidatura de Dilma no estado. (Págs. 1 e Informe JB A4 e País A5 e A6)

Dilma Rousseff 44% das intenções de voto no Rio

Após vazamento, hora de furacões

A temporada de furacões, que começa hoje no Golfo do México, poderá agravar as consequências do vazamento de petróleo, dizem cientistas americanos. (Págs. 1 e Vida, Saúde & Ciência A19)

Aeroportos perto de um colapso

Os aeroportos de pelo menos oito das 12 cidades-sede da Copa de 2014 estão operando no limite. E, em alguns casos, beiram o colapso operacional, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). (Págs. 1 e Economia A15)

Primeira Página

O mundo contra o “terrorismo de Estado”
Dilma dispara no Rio
Aeroportos perto de um colapso

Editorial
David x Golias em mar internacional

Colunas
Coisas da Política :: Wilson Figueiredo
Informe JB :: Leandro Mazzini
Anna Ramalho

Opinião
Saudade do servo na velha diplomacia brasileira :: Leonardo Boff

País
Rio :Dilma, Crivella e Cabral lideram
Pré-candidatos ao Planalto passam o dia em São Paulo
AGU dá parecer favorável ao texto do Ficha Limpa
Pobreza extrema cai a 4%
Mulheres são mais prejudicadas pelo cigarro

Economia
Independência do BC dependerá de regras
´Aeroportos beiram o colapso operacional`

Internacional
Israel incita revolta no mundo
Piratas não dariam aviso prévio
Conselho de Segurança pedem fim do bloqueio a Gaza
Ação foi desproporcional, diz Congresso
Única brasileira na frota será deportada