16 de abril de 2010

DILMA É A CANDIDATA DO MST, QUE FARÁ DE CADA ASSENTAMENTO UM COMITÊ DA CANDIDATA



João Pedro Stedile, o chefão do MST ,disse a ontem que o tucano José Serra não pode ser eleito presidente da República. Segundo Stedile a vitória do tucano José Serra nas eleições presidenciais seria “o pior dos mundos” para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
Prosseguiu declarando que a candidatura Serra é a retomada do neoliberalismo no Brasil”. Eu acredito que na nossa base ninguém vai votar no Serra”, completou o coordenador nacional do movimento.
Apesar do ataque ao tucano, o MST avisou que não apoiará formalmente nenhum candidato no primeiro turno das eleições. Isso é conversa mole. Stedile diz que Serra não pode ser eleito de jeito nenhum, e que a vitória de Serra seria o pior dos mundos para o MST. Ele está escondendo o jogo: José Rainha, o líder do MST no Pontal do Paranapanema, em São Paulo, já afirmou que cada assentamento ou área invadida sob o controle dos sem-terra é “um comitê da Dilma”.

STF NEGA LIBERDADE A CACCIOLA MAS CONCEDE ANÁLISE DE PROGRESSÃO DO REGIME



Por oito votos a um, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) negou a liberdade pedida pela defesa do ex-banqueiro Salvatore Cacciola no Habeas Corpus 98145, mas, por cinco votos a quatro, concedeu de ofício a ordem para o juiz competente avaliar a possibilidade de progressão de regime.

A ministra Cármen Lúcia, relatora do caso, votou para negar a liberdade e foi acompanhada pelos ministros Celso de Mello, Ayres Britto, Ellen Gracie e Gilmar Mendes.

Quem abriu a divergência foi o ministro Dias Toffoli, que apesar de também negar o pedido da defesa quanto à liberdade, sugeriu a possibilidade de analisar a progressão de regime. Em seus cálculos, considerando os 13 anos de condenação, Cacciola alcançou um sexto da pena ao cumprir 26 meses, e ele já está preso há 31 meses. Isso desconsiderando os 37 dias em que ficou preso em 2000.

Esse entendimento foi seguido pelos ministros Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Marco Aurélio e Gilmar Mendes. Além de acompanhar a divergência, o ministro Marco Aurélio concedia o pedido da defesa para que o ex-banqueiro aguardasse o julgamento em liberdade.

Cacciola foi condenado a 13 anos de reclusão por gestão fraudulenta do Banco Marka e por corrupção de servidor público (do Banco Central). Ele teria causado um prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos.

15 de abril de 2010

PALANQUE NÃO É URNA



DORA KRAMER

O ESTADO DE S. PAULO

As dificuldades que os partidos governistas enfrentam com suas alianças regionais não representam necessariamente, e por si, prejuízos à candidatura Dilma Rousseff.

Uma coisa são as confusões que a candidata arruma, outra bem diferente são os acertos políticos locais sempre difíceis porque são várias correntes disputando o mesmo espaço.

Consta que os aliados de Dilma ainda não resolveram suas questões em 15 Estados, enquanto aos correligionários de José Serra só falta se acertarem em três.

Dito assim parece que na campanha governista reina a completa desordem e que na seara oposicionista impera a repentina ordem, contrariando a gritaria dos aliados de José Serra que até outro dia diziam que seria absolutamente impossível articular as alianças regionais se o então governador de São Paulo insistisse em ficar no cargo até o último dia permitido por lei.

Pois ele ficou, lançou-se candidato no dia 10 e o mundo não se acabou.

Tanto no governo quanto na oposição, as questões das alianças vêm sendo encaminhadas há algum tempo. Ocorre que, além de tudo acontecer em seu devido tempo, as situações são diferentes: na coalizão governista as coisas são bem mais complicadas de resolver.

Do lado do governo amontoam-se mais de dez partidos, todos com ambições referidas na máquina federal e, para complicar, os dois principais parceiros, PMDB e PT, se já viviam aos trancos e barrancos há anos, por mais razão se estranham agora quando o poder maior está em disputa.

Antes de prosseguir, convém registrar uma obviedade que Ulysses Guimarães gostava muito de repetir porque as pessoas parecem se esquecer: ninguém mora na União. Pois é: embora a representação de repercussão nacional se dê em Brasília, política se faz na província.

É nos Estados que os partidos definem suas forças, de lá é que poderão sair maiores ou menores em termos de governadores, deputados e senadores. Não que a Presidência da República seja mero detalhe. Mas o PMDB é o melhor exemplo de partido sem presidente e com poder porque é forte País afora.

Mas voltando à questão das alianças.

Os tucanos aparentemente estão com a vida ganha. Alianças ajeitadas, à exceção de três Estados, sendo um, o Rio de Janeiro, bem complicado. Mas, ao contrário do governo, contam com dois aliados, DEM e PPS, pacificados, a simpatia de parte do PSB, a adesão de alguma coisa do PMDB e mais o que sobrar em forma de lucro. O cenário é bem menos adverso.

Claro que o PSDB vai pôr o pé na estrada para ter muito mais. Assim como o governo trabalha para organizar os seus. Mas vamos que os acertos de Serra desandem e os aliados de Dilma resolvam brincar separados. É de se perguntar se isso influi realmente de maneira negativa na decisão do eleitor em relação à candidatura presidencial.

A julgar por eleições anteriores, depende muito mais do desempenho dos protagonistas. Quando estão eleitoralmente bem posicionados, são recebidos e disputados por todos, nada é obstáculo. Se vão mal, não há organização perfeita que dê jeito.

Para todos. Inicialmente marcada para o próximo dia 19, a viagem de José Serra a Minas pode ser transferida para 21 de abril, data dos 25 anos da morte de Tancredo Neves. Há tucanos convencidos de que seria o contraponto ideal à visita de Dilma Rousseff ao túmulo do avô de Aécio Neves.

O risco é a motivação soar algo indevida, com um quê de exploração alguns centímetros além da medida.

Mas há o outro lado: se não fizerem, os tucanos ficariam reféns da agenda da adversária.

Efeméride. A onda anual de invasões do MST denominada "abril vermelho" é tratada pelo poder público como parte do calendário nacional.

Da tolerância com a ilegalidade passou-se à cumplicidade, faltando apenas a inclusão na agenda de atrações turísticas internacionais para completar a chancela oficial.

SERRA COMPARA DILMA A EX-PREFEITO CELSO PITTA




O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, negou nesta quinta-feira a tentativa de se descolar da imagem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse que "não necessariamente o sucessor replica o antecessor" e citou como exemplo o ex-prefeito da capital paulista Celso Pitta, eleito com apoio do ex-governador Paulo Maluf (atual deputado pelo PP). Neste contexto, ele comparou Pitta à sua principal adversária, a ex-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff (PT), que tem retaguarda de Lula, presidente recordista de popularidade.

"Não necessariamente o sucessor replica o antecessor, mesmo se tiver sido apoiado por ele. Pode acontecer e pode não acontecer", disse Serra, que antes lembrou a eleição de Pitta à Prefeitura de São Paulo. "Maluf estava bem avaliado e bancou Pitta. Pitta foi diferente de Maluf. Foi outra coisa", citou em entrevista concedida à Rádio Bandeirantes, em São Paulo.

Serra negou que tente se descolar da imagem de FHC. "Não procurei me descolar de Fernando Henrique. Fui ministro da Saúde convidado por ele. Eu posso discutir o que eu fiz", disse. Mesmo assim, o tucano seguiu com a estratégia de evitar comparações entre FHC e Lula. Para Serra, falar do passado nessas eleições deve ficar restrito ao currículo de cada candidato.

"Lula não é candidato, assim como não são os ex-presidentes (Fernando) Collor (atual senador pelo PTB de Alagoas), (José) Sarney (atual presidente do Congresso), Itamar Franco e Fernando Henrique. Discutir quem não é candidato não faz muito sentido", afirmou.

Serra apontou deficiências no país nas áreas da segurança, prevenção de tragédias, infraestrutura e na questão tributária e repetiu o slogan: "O Brasil pode mais." "Nos últimos 25 anos, o Brasil avançou. Lula também colocou muita coisa por diante. Sou de acordo com ele de que devemos dar os créditos a quem fez. E podemos fazer mais."

Nessa linha, o tucano prometeu, mais um vez, que, se eleito, manterá o programa de transferência de renda Bolsa-Família, criado pelo governo Lula. "Eu vou manter e reforçar o Bolsa-Família porque é uma coisa que funcionou", afirmou e gabou-se: "O programa juntou bolsas do passado. Uma delas eu criei quando era ministro da Saúde, a bolsa alimentação para mães que amamentam e para crianças pequenas."

O presidenciável disse ainda que pretende manter o nível no debate da campanha eleitoral. "Uma coisa é responder ao que dizem a meu respeito. Outra é baixar o nível. Isso não vou fazer."

14 de abril de 2010

ESTOU EM VIAGEM

Estou viajando para Rio das Ostras, volto a tarde

13 de abril de 2010

AÇÃO SOBRE ANISTIA SAI DA PAUTA DO STF





Foi retirada da pauta da sessão de amanhã do Supremo Tribunal Federal (STF) a ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que a Lei da Anistia não abranja crimes comuns praticados pelos agentes do Estado. Se o STF acolher a proposta da OAB, quem torturou durante a ditadura militar de 1964 poderá ser julgado.

DILMA AGORA CRIA ATRITOS NO CEARÁ

Agora crise é com aliados de Ciro
Por Gerson Camarotti, Maria Lima e Isabela Martin
Agencia O Globo BRASÍLIA e FORTALEZA /
O Globo - 13/04/2010



Nem uma semana após a polêmica viagem a Minas Gerais, a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, causou uma crise com aliados do pré-candidato do PSB, Ciro Gomes, ao visitar o Ceará sem sequer convidá-lo.

Depois de problemas em Minas e no Rio, Dilma vai ao Ceará e irrita partidários


A imagem da pré-candidata Dilma Rousseff criando problemas com aliados por onde passa, desde que começou a viajar sem a companhia do presidente Lula, acendeu sinal de alerta no comando da campanha petista. Parte da agenda da viagem ao Ceará, prevista para ontem e hoje, foi abortada, mas o estrago entre os aliados do deputado e também pré-candidato Ciro Gomes (PSB) já estava feito. A ordem, agora, é evitar viagens da candidata a estados ainda divididos, como Maranhão, Bahia e Pará, pelo menos por enquanto.

A situação da petista se complicou também na Bahia, onde os tucanos e integrantes do DEM comemoram a reviravolta provocada pela parceria do senador César Borges (PR) com o exministro Geddel Vieira Lima (PMDB), firmada no fim de semana, para a disputa pelo governo do estado.

Depois dos problemas de Dilma com Anthony Garotinho (PR) e Sérgio Cabral (PMDB) no Rio; com Hélio Costa (PMDB) em Minas; e agora no Ceará, o comando da campanha preferiu marcar sua próxima viagem para o Rio Grande do Sul, onde passará três dias a partir de quinta-feira.

“Não se trata aliado dessa forma!”

Ainda sem definição sobre a candidatura presidencial de Ciro, seus aliados consideraram desrespeitosa a ida de Dilma a Fortaleza. Para evitar um confronto direto, ele foi ontem para São Paulo. Mas deixou emissários.

— Não se trata aliado dessa forma.

E não se ganha eleição passando por cima dos outros. Ciro foi um dos ministros mais leais ao presidente Lula.

Mais leal até do que os ministros petistas — desabafou a senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), ex-mulher e aliada de Ciro. — E agora a segunda visita de campanha da Dilma é para o Ceará! Ela veio fazer o quê? Por que não espera pelo menos a definição do PSB sobre a candidatura presidencial? Não consigo entender isso. É uma afronta! Patrícia Saboya continuou: — Ela está vindo ao estado de alguém que até hoje é aliado dela e tem feito sacrifícios em atenção ao presidente Lula, como quando transferiu seu título de eleitor para São Paulo. Isso é para mim só um sintoma do desastre que pode ser uma campanha de alguém de salto alto.

Adversário do PT, o senador Tasso Jereissati (PSDB) considerou a passagem de Dilma uma afronta a Ciro, seu amigo há mais de duas décadas e a quem deu apoio para presidente em 2002, em detrimento da candidatura de Serra. Em tom de ironia, afirmou: — Acho bom que a candidata Dilma conheça o Ceará, as pessoas aqui e o ambiente. Mas uma visita desta é quase um afronta direta ao Ciro.

Dilma recebeu o título de cidadã de Fortaleza na Câmara de Vereadores. A prefeita Luizianne Lins (PT) compareceu, mas o governador Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, não foi. Em seu discurso, Dilma não citou o nome de Ciro, e também não deu entrevista.

Já na Bahia os adversários de Dilma estão eufóricos com o novo quadro.

Primeiro, porque acreditam que, com o palanque de Geddel fortalecido pelo ex-governador César Borges, poderão impedir a reeleição de Jaques Wagner (PT) no primeiro turno, levando Paulo Souto (DEM) para o segundo turno.

Além disso, avaliam que o précandidato do PSDB à Presidência, José Serra, poderá ser beneficiado com uma eventual reaproximação com Geddel.

— Geddel tem boa proximidade com Serra desde o governo FH. Por enquanto ele vai ficar com Dilma, porque tem lá seu ministro no governo — diz o senador ACM Júnior (DEM).

— Quanto mais ele comerem o couro um do outro (Geddel e Jaques), para nós é melhor. É um desastre para a campanha. O ambiente não está bom para Dilma vir à Bahia. Ainda mais se resolver visitar o túmulo de ACM. Tancredo ainda foi gentil, mas ACM é capaz de se virar no sarcófago — disse o líder do PSDB, João Almeida (BA).


MENSALÃO: LULA ADMITE QUE SABIA

Lula confirma aviso sobre o mensalão
Por Alana Rizzo e Tiago Pariz

Correio Braziliense - 13/04/2010




Em documento enviado ao STF, presidente admite que soube, durante conversa com o ex-deputado Roberto Jefferson em 2005, do pagamento a deputados aliados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula admitiu pela primeira vez que teve conhecimento do mensalão durante reunião com o presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), no primeiro semestre de 2005. No Ofício nº 57/2010 encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, incluído na Ação Penal nº 470, que investiga o repasse financeiro a partidos da base aliada, Lula também reconheceu a possibilidade de ter sido feito um acordo financeiro entre o PT e o antigo PL (hoje PR) na campanha eleitoral de 2002.

No documento, Lula gasta o maior número de linhas para explicar o encontro com Jefferson. Limita-se a fazer um relato da reunião, na presença dos ex-ministros Aldo Rebelo, Walfrido dos Mares Guia, e dos deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP), José Múcio Monteiro (PTB-PE) e o próprio Jefferson. Lula disse que foi feita uma menção ao assunto “repasse de dinheiro para integrantes da base aliada do governo federal na Câmara dos Deputados”.

Posteriomente, o presidente disse que foi informado de uma reportagem publicada no Jornal do Brasil em 2004 que resultou na abertura de dois procedimentos na Câmara, um deles teria sido enviado ao Procurador-Geral da República. Detalhes específicos do encontro ou sua reação no momento foram poupados pela defesa. Essa pergunta de número 22 desdobrou-se em outras três. Duas não tiveram resposta por Lula ter considerado “prejudicada”. E, na outra, disse não se lembrar de ter tomado conhecimento do “mensalão” por outra pessoa que não Roberto Jefferson. Na questão 28, quando o Ministério Público Federal (MPF) especifica a pergunta sobre se o PT repassava dinheiro aos aliados, o presidente disse não ter tido conhecimento, somente por meio da imprensa.

Lula negou ter conversado sobre o esquema antes da eclosão do escândalo com os principais envolvidos —o deputado cassado José Dirceu, o ex-tesoureiro Delúbio Soares, o ex-presidente da legenda José Genoíno (SP), o ex-secretário-geral Silvio Pereira e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha. O presidente, porém, joga para a antiga direção partidária a responsabilidade por acordos com o PL.

“Acredito que as questões financeiras ou de mútuo apoio eleitoral foram tratadas pelas respectivas direções dos partidos”, respondeu o presidente à pergunta 10 do MPF, que elaborou 33 questões: “Em termos financeiros, no que concerne à relação que seria estabelecida entre o PL e o PT durante a campanha eleitoral, qual foi a configuração final do acordo?”

Segundo o antigo presidente do PL deputado Valdemar Costa Neto (SP), o acordo eleitoral em 2002 só saiu porque o PT comprometeu-se a repassar R$ 10 milhões à campanha com aval de Lula numa reunião, em Brasília, que ocorreu no apartamento do deputado Paulo Rocha (PT-PA). O dinheiro foi pago em parcelas no total de R$ 6,5 milhões, depois que o governo havia sido formado.

O presidente confirma ter havido essa reunião na fase final da formação de chapa. “Recordo-me de estarem presentes ao menos o vice-presidente José Alencar e os presidentes do Partido Liberal e do Partido dos Trabalhadores e de que a reunião transcorreu de forma amistosa”, escreveu Lula em resposta à pergunta 9.1. O presidente nega, no entanto, que tenha sido informado por Valdemar do empréstimo para financiar a campanha.

Lula acaba também com uma antiga dúvida durante o escândalo. Ele foi explícito ao negar ter conhecido o publicitário Marcos Valério, considerado operador do mensalão, e também rejeitou um suposto encontro na Granja do Torto.

Acordo

Nas 15 páginas de respostas, Lula também desconhece qualquer ilícito em relação à votação da reforma da Previdência. Segundo ele, foi fruto de acordo com os 27 governadores. Na linha das respostas da presidenciável e ex-ministra Dilma Rousseff e do deputado Antonio Palocci (PT-SP), Lula afirmou não ter havido nenhum pedido para qualquer tipo de vantagem durante as votações no Congresso.

O presidente respondeu “não sei” às questões 13 e 14 sobre o tamanho da dívida remanescente do comitê de campanha de 2002 e ou com o marqueteiro Duda Mendonça. Lula preferiu adotar a mesma estratégia dos petistas durante o escândalo: jogou no colo de Delúbio Soares a responsabilidade pelas negociações. O ministro Joaquim Barbosa recebeu o documento da Casa Civil na última quinta-feira e ainda não analisou as respostas. As defesas terão um prazo para se manifestar.

VÍDEO ENTREGUE AO MP DE SÃO PAULO EXIBE BISPO DA UNIVERSAL ENSINANDO A ARRECADAR E RECOMENDANDO APROXIMAÇÃO COM BANDIDOS



Eduardo Cândido da Silva, ex-voluntário da Igreja Universal, entregou ao Ministério Público de São Paulo um lote de vídeos.
As gravações mostram cenas de reuniões conduzidas por bispos da cúpula da igreja combinando a pregação que seria feita para obter dízimos dos fiéis na crise econômica de 2008 .
São cenas transmitidas para pastores de vários Estados por meio de videoconferência. As reuniões foram coordenadas pelo bispo Romualdo Panceiro. Romualdo Panceiro é considerado o segundo nome mais importante na igreja e foi apontado pelo bispo Edir Macedo como o seu sucessor. Romualdo, coordenou a igreja no Brasil por mais de 12 anos, hoje vive em Buenos Aires e é responsável pela instituição na América Latina.
A crise de 2008 estava afetando a arrecadação da Igreja Universal, o que levou o bispo Panceiro a preparar algumas aulas para orientar os outros bispos e pastores sobre como extrair dos fiéis o máximo de “ofertas”.
No vídeo Panceiro diz: “Nós vamos virar o jogo”. Prossegue: “Não é agora com a crise que a gente vai recuar...” Num momento ele tira uma espada da cintura e a coloca sobre uma mesa. Durante 15 minutos, ele aparece orientando outros bispos graduados da igreja, como Clodomir Santos, a recorrerem a trechos da Bíblia nos quais se narra que o personagem Isaac, para escapar de uma grande fome, recebeu orientação divina para semear no solo ruim, e foi agraciado.
Ele diz: “... a crise só se vence com a fé. Com essa crise, se eu não pegar tudo que eu tenho no banco e dar pra Deus, o espírio da crise vai pegar. Não é legal isso?” Panceiro instila otimismo: “É o momento de a gente apinhar as igrejas, de trabalhar com a fé”.
“A gente tem que passar esse espírito pros pastores”, ensina Panceiro. Ele diz ainda: “Eu combinei com os regionais aqui o seguinte, malandro...:”“...[...] Colocar três bíblias abertas em Isaac, nessa passagem, e na hora da oferta, no domingo fala assim...:”
“...Olha pessoal, em nome de Jesus, você que vai semear agora em cima dessa palavra aqui. Com R$ 10 mil pra cima, vem aqui na frente e coloca...”“...Muito bem, com R$ 1.000 pra cima, vem aqui na frente. Com R$ 500 pra cima, vem aqui na frente...”
E prossegue:“...Com R$ 100 pra cima, com R$ 10 pra cima, com R$ 1 pra cima, coloca aqui. Aí, a gente não está, como se diz, estipulando, porque foi obra da oferta, um desafio”.

Em outro vídeo, o bispo Panceiro fala sobre um assalto a um carro que levava R$ 52 mil da Universal. Panceiro manifesta a opinião de que o assalto fora obra de policiais. Ele recomenda aos pastores que se aproximem dos bandidos e criminosos, da maneira mais explicita:. “O nosso problema não é bandido, o nosso problema é polícia”.

STJ CONCEDE LIBERDADE A ARRUDA QUE JÁ ESTÁ EM CASA

O governador cassado José Roberto Arruda (ex-DEM), que estava preso desde 11 de fevereiro, foi colocado em liberdade ontem. Por oito votos contra cinco, o STJ (Superior Tribunal de Justiça), a mesma corte que decretrara a prisão de Arruda, mandou soltar nesta segunda-feira o ex-governador do Distrito Federal e mais cinco aliados que estavam presos por atrapalhar as investigações do esquema de arrecadação e pagamento de propina ao governo e políticos do DF.
O ministro Fernando Gonçalves, relator do inquérito no STJ, votou pela liberação dos presos. Foi seguido por sete colegas. A maioria dos ministros seguiu o voto do relator, concordando com o argumento com o fim da primeira fase da Operação Caixa de Pandora, que investiga o sistema de distribuição de propina, o ex-governador não oferece mais risco de influenciar o inquérito. O voto dos oito prevaleceu sobre os cinco que votaram com a Procuradoria Gerall da República, contrária à liberação.
Nunca antes na história desse país um governador eleito havia sido preso. A sociedade espera que isso aconteça mais vezes, e que sejam presos até presidentes envolvidos em corrupção.
O ministro João Octávio Noronha destacou que Arruda não poderia ficar preso por causa da pressão da imprensa. "Vão transformar o próprio indiciado em prisioneiro da mídia. Até o clamor justifica o relaxamento", disse.
Arruda, que é acusado de chefiar o esquema de corrupção, teve o mandato cassado no mês passado pela Justiça Eleitoral por desfiliação partidária. Buscando sensibilizar os ministros do STJ e com um cenário indefinido na Justiça Eleitoral, Arruda não recorreu da decisão e acatou a perda do mandato.
A saída de José Roberto Arruda da Superintendência da PF foi tumultuada. Na portaria Arruda era aguardado por dois tipos de manifestantes, os contra e os a favor. Arruda estava acompanhado da mulher, Flávia, barba cerrada entrou no carro uma camionete importada que logo foi cercada pelos manifestantes. Na porta da superintendência da PF, manifestantes e correligionários do ex-governador bateram boca. Houve um princípio de tumulto. Os apoiadores de Arruda cercaram o carro onde ele estava e começaram a rezar e tudo fizeram para impedir a imprensa de fotografá-lo.
Após deixar a Superintendência da Policia Federal, o ex-governador do Distrito Federal seguiu para sua casa, localizada no setor de mansões Park Way, área nobre e luxuosa de Brasília.
Ao chegar em casa, abriu as portas de sua mansão para cerca de 30 pessoas, manifestantes e correligionários que o esperavam na porta. Dentro de casa, Arruda deu as mãos aos apoiadores e fez com eles uma oração.