26 de outubro de 2009

LULA APROVEITA BRECHAS DA LEGISLAÇÃO E FAZ CAMPANHA PARA DILMA

O plano que a direção nacional do PT traçou para Dilma Rousseff foi rejeitado por Lula. O partido programara para fevereiro a despedida de Dilma da Casa Civil de Lula. O presidente discorda da tática. Prefere que a ministra fique no governo até abril. A legislação permite que ministros-candidatos fiquem nos cargos até 3 de abril. Lula acha que a antecipação idealizada pelo petismo não faz sentido.
Lula acha que Dilma deve desfrutar s sua condição de ‘gerente de obras’. Assim, ele poderá levá-la às obras do PAC até quando o calendário permitir. Lula não se importa com as críticas da oposição, nem mesmo com ações judiciais movidas junto ao TSE. Nesses processos PSDB, DEM e PPS pedem que a Justiça Eleitoral imponha limites ao vaivém de Dilma. Lula, ironiza os partidos da oposição. Ele trabalha com a falta de objetividade da legislação eleitoral, que abre diversas brechas para o governo usar a máquina administrativa.
Nas últimas semanas, a agenda da candidata Dilma vem prevalecendo sobre os compromissos da ministra Dilma. Nesta segunda, a exemplo do que fizera há sete dias, Dilma abre a semana no território do rival tucano José Serra.
Ela fará campanha em São Bernardo do Campo, cidade governada pelo petista Luiz Marinho.
Participa de uma pajelança internacional promovida pela prefeitura. Um fórum que terá a participação 15 representantes de embaixadas e consulados estrangeiros.
Na quarta (28), Dilma é aguardada no Rio Grande do Sul. Deve encontrar-se com prefeitos, vice-prefeitos e vereadores do PT gaúcho.
Coisa organizada pelo prefeito petista de São Leopoldo (RS), Ary Vanazzi. Na engrenagem da campanha de 2010, os municípios são tratados pelo PT como peças estratégicas.
Na semana que vem, de volta a São Paulo, Dilma participará de novo encontro com prefeitos e vice-prefeitos petistas.
Será em Guarulhos. Vai começar na sexta (6) e só termina no sábado (7). Para esse dia, prevê-se um almoço da “companheira Dilma”.
Estima-se que acorrerão a Guarulhos 560 prefeitos e 423 vice-prefeitos petistas de todo o país.
A programação não deixa dúvidas quanto à natureza do encontro. Vão a debate a conjuntura política, a gestão Lula e a sucessão de 2010.
Enquanto isso, no quintal vizinho, o tucanato desperdiça o seu tempo no debate interno que opõe José Serra e Aécio Neves.
O DEM cobra pressa na definição. Serra tenta jogar a decisão para março de 2010. Aécio fala em janeiro.
Enquanto administra o contencioso, Sérgio Guerra, presidente do PSDB, tenta pôr de pé uma agenda de viagens para os dois candidatos

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais

Agora São Paulo
Aposentado após 1999 pode pedir revisão no posto do INSS

A Tarde
Acidente com ônibus da linha Salvador-Rio mata 10 na BR-116

Correio Braziliense
Prostituição: Máfia já matou 10 brasileiras este ano

Correio do Povo
Vitória da esperança

Diário do Nordeste
Sequestros virtuais apavoram cidadãos

Estado de Minas
Combate à fome piora no mundo e prejudica Brasil

Extra
Trabalhador deve correr para garantir aposentadoria maior

Folha de São Paulo
Plano amplia controle sobre mineração

Jornal do Brasil
Adriano dá um nó no Botafogo

O Estado de São Paulo
Varejo vê crise superada e investe pesado em 2010

O Globo
Artifício fiscal dá mais 55 bi para governo elevar gastos

Valor Econômico
Novo código aumentará o controle sobre a mineração

Zero Hora
10,5 mil dirigem com mais de 20 pontos na carteira

Jornais internacionais


The New York Times (EUA)
Atentado no Iraque, o mais mortal desde 2007, eleva problema da segurança

The Washington Post (EUA)
Bombardeios elevam cenário político do Iraque

The Times (Reino Unido)
Ministros apoiam Blair como o melhor para liderar a UE

The Guardian (Reino Unido)
Polícia em esquema de £ 9 milhões para cortar "extremistas domésticos"

Le Figaro (França)
Alemanha vira à direita e baixa impostos

Le Monde (França)
Ódio, mentiras e política: um olhar para o julgamento Clearstream

China Daily (China)
Frágil Bagdá é atingida por bombas, mais de 130 mortos

El País (Espanha)
"O que as pessoas estão fazendo com a Rato Aguirre é de vomitar"

Clarín (Argentina)
A Frente Ampla no Uruguai venceu, mas haverá segundo turno

25 de outubro de 2009

O DESTINO DO RIO

MIRIAM LEITÃO


O GLOBO
O Rio tem um mistério. Perdeu peso, mas continua sendo os olhos e o termômetro do Brasil. A semana passada foi difícil. A derrubada do helicóptero da Polícia Militar pelo tráfico de drogas, a morte do Evandro do AfroReggae e o comportamento criminoso dos policiais militares trouxeram de volta a consciência dos fracassos e os dilemas nacionais em relação à segurança pública
As autoridades de diversos níveis proclamam avanços e sucessos. Se estivessem certas, não estaríamos na situação em que estamos. Durante a semana, eu conversei com pessoas que estão em pontos diferentes desta questão, e a única conclusão geral é que estamos prisioneiros de várias armadilhas.
A polícia estadual — Civil e Militar — sente que briga em condições desiguais. Não tem armas, os salários são baixos, a tentativa de compra de armamento esbarra na burocracia do Exército.
Enquanto isso, os traficantes compram armas potentes por telefone e pedem que o serviço “armadelivery” inclua a montagem do produto. Então a solução é simples: equipar a polícia.
A tragédia do AfroReggae lembrou que nada é simples.Que polícia vamos armar? A que deixa agonizante na calçada um cidadão, rouba o fruto do roubo e libera os assassinos? Na noite de quarta-feira, os sentimentos eram mistos em quem tinha ido ao Teatro Carlos Gomes, no Centro do Rio. Era um dia de festa do AfroReggae. A nova orquestra de cordas, com crianças e adolescentes, tocou com veteranos como Anderson Sá, músicas novas e antigas como a que diz “eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci”. Poesias dos grandes poetas brasileiros ressoavam no teatro nas vozes de grandes atores.
Dona Ivone Lara subiu ao palco como uma das homenageadas do prêmio Orilaxé.
A jovem atriz Mariana Ximenes, chamada para entregar o prêmio, curvou-se longamente em homenagem à rainha negra. Mesmo sendo um monumento da cultura brasileira, Dona Ivone tremia. Disse que o coração batia forte de emoção pelo peso de receber o Orilaxé.
A palavra quer dizer “a mente tem o poder de transformar”.
Naquele dia, os dirigentes do AfroReggae, como José Junior, tinham a mente dividida entre a tragédia e a festa. Anualmente eles festejam pessoas e instituições que transformam realidades com sua arte ou ação. Mas pouco antes do evento viram as estarrecedoras imagens da morte do companheiro. O grupo trabalha resgatando e protegendo jovens do aliciamento pelo tráfico de drogas.
Luta contra a atração que as crianças das favelas sentem pela vida dos bandidos. Oferece um outro destino: o da música, arte, valorização pessoal, educação, orientação.Evandro, pedagogo, fazia isso em Parada de Lucas.
O grupo trabalha também para pacificar a relação entre polícia e comunidade, tentando desmontar os preconceitos recíprocos.
Evandro foi vítima dupla: dos bandidos e da polícia.
Parecia hora de desistir.
E eles tocaram música, exibiram as crianças e jovens, homenagearam quem mereceu e avisaram que continuarão lutando contra os conflitos intratáveis do Rio.
Do debate da semana, ficam algumas certezas. A Polícia Federal tem que fazer mais intensamente seu trabalho de combater o tráfico de drogas e armas, principalmente porque no Rio os grupos de bandidos estão se armando uns contra os outros numa corrida frenética pelo controle de território.
O governo Federal não é auxiliar na segurança, seu trabalho não é oferecer ajuda, mas o de fazer mais do que tem feito. É ator fundamental com tarefas específicas ditadas pela Constituição e com o indelegável dever de proteger o país. As polícias do Rio têm que continuar o trabalho em várias frentes: lutar contra o crime, combater sem trégua a corrupção policial, ampliar as experiências das unidades pacificadoras.
Minhas conversas me convenceram que continua a torre de babel. Cada lado fala uma língua. O governo local acha que a Força Nacional só pode entrar em caso de emergência e em eventos como o Pan, mas nunca será a solução na rotina da violência, num terreno que desconhece. O Exército diz que nunca foi treinado para o papel de polícia, e que, se vier, não será para se submeter ao comando de autoridades estaduais, porque seria uma inversão de hierarquia.
As autoridades locais de segurança acham que só elas podem comandar quaisquer outras forças que vierem, porque conhecem o terreno e as dificuldades locais.
O governo Federal está feliz com os cursos de capacitação que oferece e que complementam os salários dos policiais, e com programas que parecem mais bonitos no papel do que na realidade. Alguns especialistas acham que é preciso fundir polícias Civil e Militar, mas as duas forças resistem à união. O Exército diz que pode até diminuir a burocracia para compra de armas, mas defende o privilégio do acesso a certas armas, e o monopólio da Imbel.
A Secretaria de Segurança do estado admite que há áreas do Rio onde consegue entrar, mas não pode ficar. O Exército Brasileiro aprendeu na favela de Belair, no Haiti, que só ganha a guerra quem pode permanecer no terreno que entrou. Todos sabem que inaceitável e perigoso é o Estado perder controle sobre parte do território.
O problema das mil facetas tem também mil reflexos na política, na economia, no esporte, na vida do país. O secretário Nacional de Segurança, Ricardo Balestreri, admitiu que quando o Rio é atingido, o cidadão do Acre, do Amapá, do Rio Grande do Sul se sente mais inseguro e acha que a violência está aumentando na sua própria cidade. O Rio tem esse mistério: é a cidade de todos. O destino do Rio é o destino do Brasil.

A BOLHA E A BALBÚRDIA NO GOVERNO

VINICIUS TORRES FREIRE


FOLHA DE SÃO PAULO

Diretores do BC detonam IOF na surdina, Meirelles "apoia" medida em nota oficial e FMI elogia medida de Mantega
A CONVERSA sobre a nova bolha dos emergentes está por toda parte: Brasil, Índia, Taiwan, Coreia, Cingapura, EUA. Bolha de Bolsas, de imóveis. Basta ler entrevistas e discursos de autoridades monetárias e acompanhar fofocas especulativas dos mercados locais. Entre as autoridades monetárias, as mais quietas a respeito da bolha são as brasileiras. Para ser preciso, o BC daqui não quer saber ou falar do tema, tem raiva de quem fala e, se falasse, diria barbaridades acerca dos colegas "heterodoxos", na Fazenda.
Deixe-se de lado, por ora, a existência da bolha, assunto sobre o qual os economistas não se entendem, se é que acreditam em tais coisas, embora sejam evidentes e horrendos os estragos dessas "bolhas que não existiam". Acreditando ou não, raramente fazem algo a respeito, seja devido a "empecilhos políticos", a mero e estúpido fundamentalismo mercadista, a autismo teórico ou a apenas interesse material.
De mais interessante, no momento, são os contrastes e confrontos políticos provocados pela taxação dos investimentos estrangeiros em carteira (IOF sobre ações e títulos). A medida foi gestada no Ministério da Fazenda. Até agora se discute se a intenção era segurar o dólar, arrecadar um troco para o cofre vazio do Tesouro ou vacinar o país contra a bolha (ou as três coisas). Qual fosse lá a intenção, a medida é fraca e superficial, ainda que bem-intencionada, por refletir problemas sérios (risco de bolha e real anabolizado). A reação ao IOF embaralhou a politiquinha da política econômica.Parte da diretoria do BC espargiu venenos sobre o novo IOF. O cada vez mais político presidente do BC, Henrique Meirelles, soltou uma nota oficial para dizer que participara da decisão do IOF. Ainda está difícil dizer se a nota foi apenas política de boa vizinhança, política de salvar a face ou se foi ditada politicamente de cima. Mas a nota desmoralizou o zum-zum-zum venenoso disseminado pela seus próprios diretores no BC. Além do mais, a nota reforçou o clima de fim de festa e a dissonância nas equipes de economistas de Lula, no BC ou na Fazenda. Parte da diretoria do BC não vê a hora de dar o fora, outra ficará e Meirelles está com a cabeça em outra parte. A desarticulação BC-Fazenda só piora, o que reduz a possibilidade de sucesso de políticas, para o câmbio, para a bolha e tudo o mais.
Por sua vez, economistas e publicistas "pró-mercado", que amam falar de "jabuticabas", "boas práticas e experiências internacionais" e "imagem internacional" do país, ficaram na mão. A seu modo provincianos, costumam recorrer à opinião de acadêmico, instituto de pesquisa ou publicação estrangeira a fim de avacalhar adversários "heterodoxos". No caso, tanto faz quem está certo. O ridículo fica por conta do contraste entre a reação estereotipada e mal circunstanciada dos mercadistas contra o IOF e a opinião de suas "referências externas", digamos. O novo IOF teve, por exemplo, apoio de um (mau) editorial do "Financial Times". Na sexta-feira, o historicamente fracassado FMI fazia festa para a medida de Guido Mantega (e de Meirelles, não é?). Até alguns gestores americanos de fundos falaram bem da medida. Sinal de que é hora de o mercadismo mudar o disco e renovar clichês

BELEZA NÃO PÕE MESA

FERREIRA GULLAR
FOLHA DE SÃO PAULO

Não é lógico afirmar que a escolha do Rio como sede olímpica nos põe no Primeiro Mundo

NÓS, VIRGINIANOS, analíticos por fatalidade zodiacal, tendemos a corrigir os exageros ou equívocos que o entusiasmo provoca. Assim é que, passada a justa euforia que nos tomou ao ser anunciada a escolha do Rio para sediar a Olimpíada de 2016, é justo tentar entender o que realmente aconteceu. Se isso servirá para alguma coisa, não sei, mas sei que ver claro os fatos não faz mal a ninguém, a não ser aos que se beneficiam do engano.
A pergunta que me faço é, e procuro responder, a seguinte: o que determinou a escolha do Rio de Janeiro pelo Comitê Olímpico Internacional, em vez de Chicago, Tóquio ou Madri? Há quem diga que foi o excelente trabalho de marketing feito pelo Comitê Olímpico Brasileiro, enquanto para outros o fato decisivo foi a presença em Copenhague do presidente Lula. Chegou-se mesmo a afirmar que Obama, derrotado por ele, teria voltado para casa de cabeça baixa. Para esses, a escolha do Rio veio confirmar, segundo as palavras de nosso presidente, que enfim o Brasil tem coragem de encarar de igual para igual as nações tidas como avançadas. Com esta vitória no Comitê Olímpico Internacional, chegamos enfim ao Primeiro Mundo!
Confesso que tais afirmações me deixam constrangido, pois, na verdade, indicam que continuamos amargando o complexo de vira-latas, preocupados, a todo instante, em mostrar que não somos cachorros, não. E é claro que não o somos, mesmo sem Olimpíada.
Não há nenhuma lógica em afirmar por que a escolha do Rio para sediar os Jogos Olímpicos nos põe de repente no Primeiro Mundo. O México os sediou, em 1968, e nem por isso entrou para essa categoria. Tampouco a Grécia (três vezes) e a Coreia do Sul, em 1988. Na verdade, não vale a pena perder tempo com semelhante discussão.
Destituído igualmente de propósito é dizer que a escolha do Rio pelo COI deveu-se a Lula que, pelo visto, faz chover quando quer. Basta lembrar que ele já era presidente quando o Rio foi descartado, em primeiro escrutínio, na disputa pela Olimpíada de 2012. É uma tolice superestimar a influência de chefes de Estado, tanto que Chicago, apoiado por Obama e Madri, pelo rei Juan Carlos da Espanha, perderam. Ganhou o Rio porque Lula é mais influente que os dois? Acho que nem ele, em sua inquestionável megalomania, acredita nisso.
Os fatos indicam o contrário: se Obama e o rei Juan Carlos não conseguiram a escolha de Chicago e Madri, é que os fatores decisivos eram outros e não o maior ou menor prestígio de qualquer deles. O que decidiu, como está evidente, foram os interesses do próprio COI e de seus dirigentes. É, portanto, fora de propósito achar que o Comitê Olímpico Internacional iria pôr em risco o êxito dos Jogos e arrostar com as consequências disso, apenas para agradar a governantes, seja ele Obama, Lula ou o rei da Espanha. Numa decisão como essa, estão em jogo desde o relacionamento do COI com a opinião pública das diferentes nações e continentes até -e sobretudo- interesses econômicos, envolvendo o prestígio de grandes empresas patrocinadoras do certame.
É, desse modo, mais fácil de entender a exclusão da cidade de Chicago, já que boa parte de sua população não a queria como sede e, por outro lado, o seu fuso horário que obrigaria os Jogos a serem vistos na Europa tarde da noite e pela madrugada a dentro. A questão do fuso também pesou, ainda que menos, na exclusão de Tóquio, somando-se ao fato de que já três Olimpíadas se realizaram na Ásia, a última delas em Pequim, recentemente.
E Madri? Por que não Madri, que se apresentou com a infraestrutura pronta, enquanto o Rio estava longe disso? A exclusão de Madri teve duas razões: a Espanha já ter sediado a Olimpíada em Barcelona e, sobretudo, o interesse da França, Alemanha e Itália em sediá-la em 2020. A escolha da Espanha em 2016 tornaria essa pretensão inviável.
Restava o Rio de Janeiro, que, não tendo o problema do fuso horário e, por essa razão, atende melhor ao interesse das grandes empresas, patrocinadoras dos Jogos. Não foi porque o Rio de Janeiro continua lindo e a economia estável. Isso conta, claro, mas não decide, como não decidiu nas duas vezes anteriores em que ele se candidatou e perdeu. E, aliás, tinha ainda contra si, o grave problema da segurança, que é grave, sem dúvida. O Rio foi escolhido porque, das 26 Olimpíadas realizadas, 15 foram na Europa, seis na América do Norte, três na Ásia, duas na Austrália e nenhuma na América do Sul. Por exclusão, vencemos. Importante agora é mostrar ao mundo que podemos dar conta do recado.

COMPANHEIRO ISCARIOTES

DORA KRAMER

O ESTADO DE SÃO PAULO

Não é a primeira vez que o presidente se põe no patamar de divindade nem é inédita a manifestação de complacência em relação às piores práticas e seus praticantes. O exemplo, porém, agora foi mais infeliz do que nunca

O presidente Luiz Inácio da Silva pode ser, e é, um político ardiloso. Mas não é um homem corajoso. Tampouco é um líder renovador. Não bate de frente com ninguém que possa vir a lhe ser útil amanhã, não enfrenta questões polêmicas, não compra brigas difíceis nem aceita disputa com igualdade de condições, só entra em conflitos protegido por escudos e, sobretudo, não confronta paradigmas.
Na dúvida, prefere a rendição. E pior, na condição de chefe da Nação, não hesita em classificar o Brasil como um país fadado a fazer política ao rés do chão e de mãos sujas. Na entrevista publicada na Folha de S. Paulo de quinta-feira, Lula pretendeu demonstrar pragmatismo, mas o que exibiu mesmo foi um imenso conformismo, incurável conservadorismo e oceânica indiferença em relação a qualquer coisa que não tenha a ver com sua pessoa. “No Brasil, Jesus teria que se aliar a Judas”, disse, como justificativa à sua tolerância para com a ausência de limites entre o público e o privado na operação da política brasileira.
Não é a primeira vez que o presidente se põe no patamar de divindade nem é inédita a manifestação de complacência em relação às piores práticas e seus praticantes. O exemplo, porém, agora foi mais infeliz do que nunca.
Desrespeitoso do ponto de vista religioso - ainda mais para quem preside a maior nação cristã do mundo - e ignorante do que tange ao registro histórico. Jesus, bem lembrou o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, d. Dimas Lara Barbosa, não se aliou aos fariseus e penou exatamente por se manter fiel aos seus princípios.
Não se imagina que um político, nem mesmo um presidente da República, possa se conduzir por parâmetros santificados. Daí não ser aceitável também que dê ares sagrados aos seus atos. Contudo, espera-se de lideranças políticas - principalmente daquelas detentoras da admiração popular e que tenham feito carreira apresentando-se como arautos da mudança - que não se acomodem. Não compactuem, que usem seus melhores atributos para melhorar os defeitos que os fizeram crescer no imaginário da população como a materialização do bem contra o mal.
Em Lula, a figura do progressista, um mito alimentado por duas décadas de ofício oposicionista, não resistiu ao poder. Bem como o símbolo da luta em prol da depuração dos costumes e defesa da ética mostrou seus pés de barro ao adentrar o Palácio do Planalto.
Antes de se especializar como comandante das tropas do mau combate, sempre se alinhando às piores causas, jamais vocalizando os melhores valores, Lula abandonou as reformas.
Algumas delas apresentou pro forma ao Congresso, como a tributária, a política, a previdenciária, mas ou não lutou por elas ou as deixou pelo meio do caminho. Outras, como a trabalhista e a sindical, simplesmente ignorou. Para não arbitrar conflitos e, assim, correr o risco de se confrontar com setores que lhe poderiam ser úteis.
Lula não é um homem que tome posições e brigue por elas. Não gosta de perder. Talvez considere que já tenha dado ao País sua cota nas três derrotas eleitorais antes de conseguir se eleger presidente. Uma vez conquistado o poder, usa seus instrumentos como um fim em si mesmo.
Ao longo de dois mandatos quase completos, o presidente Lula em nenhum momento sequer sinalizou disposição de empregar suas energias para ajudar a política brasileira a se modernizar. Ao contrário, valeu-se do atraso e apostou em seu aprofundamento.
Ao ponto de, na mesma entrevista, ter atribuído ao presidente do Senado, José Sarney, alguém a quem não hesitava ofender chamando de “ladrão” quando atuava como oposicionista, a condição de guardião da “segurança institucional” do Brasil.
Segundo ele, sustentou Sarney no cargo, a despeito de denúncias e mentiras confessadas, porque representava uma “garantia” ao Estado brasileiro. Não, significava uma caução para o controle do Executivo sobre o Senado, como admite na frase seguinte. A oposição, afirmou o presidente, faria “um inferno” no País, caso Sarney fosse afastado dando lugar ao vice, Marconi Perillo, cujo grande defeito foi ter dito de público que havia alertado Lula sobre a existência do mensalão no Congresso.
“Não entendi por que os mesmos que elegeram Sarney um mês depois queriam derrubá-lo”, declarou, fingindo-se de ingênuo, pois não faltaram fatos para propiciar a sua excelência perfeito entendimento a respeito da situação, perfeitamente compreendida pela bancada de seu partido no Senado.
O presidente, que outro dia mesmo reclamava dos políticos de “duas caras”, de novo encarnou a simbologia do mau exemplo. Convalidou, pela enésima vez, as práticas nefastas que passou a vida dizendo que precisavam ser combatidas.
Isso é pior do que ter duas caras: é jogar no lixo uma trajetória, enterrar uma biografia, é trair uma legião de brasileiros que o elegeu acreditando nas promessas de mudança.

VOTO DA DIREITA

CESAR MAIA

FOLHA DE SÃO PAULO



OUTRO DIA , o presidente Lula disse que essa será a primeira eleição em que a direita não terá candidato.
A menos que o voto seja restrito, no melhor estilo do século 19, ela votará e escolherá um dos candidatos. Mas quem são esses eleitores de direita? E o que representam? Há anos que pesquisas vêm estudando esse voto "ideológico". São duas forma básicas de avaliação.
Uma, clássica, quando se oferece ao eleitor uma régua de 1 a 10 e se indica direita, centro-direita, centro, centro-esquerda e esquerda e se pede que o eleitor se posicione.
Pode-se fazer o mesmo com letras sequenciais do alfabeto ou com outros números sequenciais, para não parecer nota. De qualquer forma, na pesquisa seguinte, inverte-se a ordem -esquerda-direita- e se a compara com a anterior.
Sempre os que marcam direita são em porcentagem maior que os da esquerda. E, se somarmos direita+centro-direita e esquerda+centro-esquerda, a vantagem à direita permanece, um pouco menor.
Quando se cruza com as avaliações de governo ou até intenções de voto, se vê que o eleitor que se diz de esquerda está mais próximo de seu candidato que o de direita, que vota de forma mais pragmática, espalhando mais o voto. O eleitor que se diz de direita, com uma margem de flutuação maior, pode ser enquadrado entre os potencialmente indecisos, devendo ser um alvo prioritário dos candidatos.
Mas a surpresa vem quando se listam temas sempre atribuídos ao pensamento de direita ou de esquerda e se pede ao eleitor que faça sua opção numa tabela de opostos, que vai desde os costumes até o eixo Estado-mercado, procurando facilitar a compreensão do eleitor.
A tabela apresenta uma lista de alternativas. Depois elas são incluídas num gráfico de quatro campos, onde os que defendem o mercado são classificados como de direita, e os que defendem o Estado, de esquerda. E da mesma forma em relação a valores: família, religião, costumes, propriedade, lei... A opção conservadora é listada como de direita; a "liberal", de esquerda.
Meses antes da última eleição francesa, a Ipsos fez uma ampla pesquisa assim, de forma a definir ideologicamente o eleitor francês sem que ele se autoclassificasse. O resultado não correspondeu a nenhum dos partidos.
O eleitor francês era majoritariamente conservador em relação aos valores e estatizante na economia.
Ou seja, era de direita em relação aos valores e de esquerda em relação à economia. Esse era o "partido" majoritário na França.
O GPP repetiu a mesma pesquisa no Brasil. Aqui também, e até em maior proporção, o eleitor é de direita em relação aos valores e de esquerda em relação à economia. Em 2010, quem quiser que recuse o voto da direita

O BATALHÃO DA BIC VOLTOU À ATIVA PARA ALIAR-SE A BANDIDO

AUGUSTO NUNES

VEJA

24 de outubro de 2009
Depois de um sumiço de quase sete anos, voltou à ativa neste fim de semana o Batalhão da Bic, formado por fuzileiros civis que se disfarçam de “intelectuais e artistas” para confundir a repressão. Até a posse do presidente Lula, o grupo de elite mantinha a caneta engatilhada todo o tempo, para não perder um único abaixo-assinado contra alguma coisa — da privatização de empresas estatais aos maus modos do guarda de trânsito, da falta de dinheiro federal para a cultura brasileira à impontualidade do entregador de pizza. De janeiro de 2003 para cá, nada conseguiu animá-los a tirar a Bic do coldre.
Para os loucos por um manifesto, pareceram pouco relevantes a institucionalização da patifaria, o escândalo do mensalão e todos os outros, a expansão espantosa do Clube dos Cafajestes a Serviço do Nação, a aliança entre vestais de araque e messalinas juramentadas, a metamorfose obscena do presidente da República, o acasalamento do Cristo paraguaio com os Judas de verdade, fora o resto. Tudo é tolerável, berrou o silêncio do bando. Menos a instalação da CPI do MST.
Isso não passa, descobriu o abaixo-assinado agora virtual, de “um grande operativo das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST”. Com a ajuda da imprensa, claro, esclarece o trecho que comenta a depredação da fazenda da Cutrale: “A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja de ato de vandalismo. Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça”.
Essa gente já escreveu textos menos bisonhos, informam o estilo torturado e o uso de palavrões como “operativo”. Também já teve mais pudor: não é pouca coisa reduzir 10 mil pés de laranja a “alguns”, sem ficar ruborizado, ou fazer de conta que o Incra não é um codinome do MST. Sobretudo, poucos manifestos cometeram erros tão vulgares, como imaginar que a Justiça contesta alguma coisa. As partes contestam. A Justiça julga. Por sinal, julgou em segunda instância a contestação do Incra. Deu razão à Cutrale.
No meio da procissão dos anônimos, o altar das quase celebridades exibe o professor e ensaísta Antonio Cândido e o humorista a favor Luis Fernando Verissimo. O primeiro só não reivindicou uma cátedra da USP para o amigo Lula porque ainda não fez o mestre de nascença entender o que quer dizer catedrático. O segundo matou a Velhinha de Taubaté, personagem que acreditava em tudo o que o governo dizia, porque já não é a única: Verissimo também acredita em tudo o que diz o sinuelo do rebanho.
Como os demais signatários, Antônio Cândido e Verissimo provavelmente acham que arroz dá em árvore, desconfiam de que vanga seja um ritmo cucaracha e só tratam de coisas do campo quando conversam sobre futebol. Mas falam de reforma agrária com o desembaraço de quem aprendeu a engatinhar numa roça. Devem saber a diferença entre honradez e corrupção. Sobre isso, nada têm a dizer

A CPI DO MST

MST busca aliados para barrar CPI

O Movimento dos Sem-Terra (MST) já definiu sua estratégia para enfrentar a CPI criada na semana passada para investigar possíveis irregularidades no repasse de verbas públicas para a organização: vai tentar levar o debate para fora do Congresso. Nos últimos dias, líderes dos sem-terra já estiveram reunidos com representantes de centrais sindicais, diretórios estudantis, movimentos sociais e partidos políticos para articular manifestações em centros urbanos a favor do MST e da reforma agrária e contra a CPI.
O propósito do MST é atacar o agronegócio, aprofundar a defesa da revisão dos índices de produtividade rural. Os líderes MST querem fermentar a ideia de que o tamanho da propriedade rural no Brasil precisa ser limitado. Até agora essa proposta tem sido defendida principalmente pelas pastorais sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) - aliadas históricas dos sem-terra.

MST não fecha com a petista

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, disse ontem que a entidade não se sente representada pelos pré-candidatos à Presidência da República, incluindo a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e a senadora Marina Silva (PV-AC). Num encontro nacional do PT com movimentos sociais, ocorrido ontem em São Paulo, João Paulo teceu críticas duras ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. “A reforma agrária do PT é muito lenta e deixa a desejar nos principais pontos: crédito, terra e política da agroindústria”, ressaltou.
João Paulo disse que o MST não foi procurado por nenhum pré-candidato para debater projetos voltados para a reforma agrária. “Não conhecemos o projeto da Dilma. Infelizmente, nenhum dos candidatos mostrou programas identificados com o MST. Se realmente a Dilma for uma continuidade do projeto Lula, ela não terá o nosso apoio, assim como os demais candidatos.”
Essa manifestação é uma encenação típica do MST que a usa sempre que desencadeia o jogo das “pressões”. Elas se destinam, meramente, a enganar o distinto público e, como compensação, obter mais poder e recursos.

Contra-ataque a ruralistas por CPI

O contra-ataque do governo à instalação da CPI do MST pode vir com uma canetada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante as investigações da comissão, Lula deverá assinar decreto com a revisão dos índices de produtividade no campo — tudo o que não desejam os ruralistas, opositores dos sem-terra. O decreto exigirá que grandes agricultores produzam mais se não quiserem perder terras para a reforma agrária.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, apoia a proposta, e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, resiste. Em reunião na última semana, Lula levantou a possibilidade de baixar o decreto durante a CPI. A adesão de parlamentares da base à CPI irritou o presidente, que enxerga na comissão um palco para a oposição.
A revisão dos índices de produtividade é discutida desde 2005. Stephanes admite que a proximidade com os ruralistas e a oposição de seu partido, o PMDB, ao tema, o impede de assinar a portaria. A pessoas próximas, admitiu receio de ter a reeleição à Câmara comprometida caso endosse a revisão nos moldes apresentados pela turma da reforma agrária
A Legislação brasileira sobre reforma agrária reflete a agenda dos anos 50 do século passado, fase anterior a modernização da agricultura e a formação de um importante setor agrícola, e vem sofrendo a consequência do desaparecimento de imóveis rurais passíveis de desapropriação, daí é que surgem iniciativas mágicas de solucionar a questão através da aprovação de novos índices de produtividade, elaborados sem a observância de qualquer justificativa técnica, mas formalizados na base do palpitometro e do jeitinho para aumentar o estoque de terras que possam ser desapropriadas.

QUÉRCIA DÁ TROCO, A TENTATIVA DE MINAR SEU APOIO A SERRA. ARTICULA APOIO DE PMDB GAUCHO A SERRA

Ainda como efeito do acordo que selou a aliança PT/PMDB, alguns entusiastas da coligação começaram a colocar em prática estratégia para desamarrar o apoio do ex-governador Orestes Quércia ao projeto tucano. A ideia é minar a influência do cacique nas hostes peemedebistas em São Paulo, alinhando a sigla ao plano nacional petista.
O pessoal do PMDB paulista que detém cargos no governo federal trabalha com o objetivo de mudar a orientação do PMDB paulista que segue a orientação de Quércia, que defende o apoio aos candidatos do PSDB ao governo do Estado e à Presidência, cuja escolha se dá entre os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG).
A estratégia dos aliados ao governo federal, que agem sob o comando do deputado Michel Temer, visa causar constrangimento ao grupo quercista com a tese de candidatura própria para governador. O sucesso do grupo governista depende da vitória de uma chapa alternativa à da atual direção partidária. Em dezembro 1.140 delegados definirão a nova cúpula no Estado; hoje serão eleitos diretórios municipais. A atual direção controla 60% do partido em São Paulo. Eles tentam a cooptação de insatisfeitos com o emagrecimento do PMDB paulista. Também investem sobre cerca de cem delegados "independentes", os que tradicionalmente não têm grupo definido. A disputa não se limita a ganhara a direção estadual do PMDB. É preciso garantir a indicação dos 26 delegados que representarão São Paulo na convenção nacional que aprovará o candidato da legenda a presidência da república.
Temer e Quércia equilibram-se numa espécie de acordo tácito. O presidente da Câmara não interfere nas questões do diretório estadual, presidido por Quércia. E o ex-governador, por sua vez, não questiona decisões tomadas pelo nacional, sob influência de Temer. Mas há quase um mês Quércia liderou caravana a Brasília para criticar a aliança PMDB-PT. Temer ficou furioso. Reuniu-se com o deputado Francisco Rossi e estimulou sua candidatura a governador - projeto, no entanto, considerado natimorto. "Tenho o apoio de Temer", afirmou Rossi, cuja candidatura surgiu em reunião da bancada dos deputados federais do PMDB.
A ala governista do partido garantiu ao PT que, depois que Temer for anunciado vice de Dilma, conseguirá avançar em cima dos delegados controlados por Quércia. "Se Temer for candidato a vice-presidente, o PMDB em São Paulo vai apoiá-lo. Pode até tomar outra direção na questão estadual.
Apesar da queda de braço, a avaliação no PMDB é que os dois caciques puxam a corda, mas não rompem. Quercistas apoiariam tucanos em São Paulo, enquanto a ala de Temer levaria a sigla para aderir ao projeto nacional do PT. "Não há a menor possibilidade de confronto em São Paulo", dizem os caciques peemedebistas.
Enquanto isso, o ex-governador Orestes Quércia manobra para aproximar Serra e o partido no Rio Grande do Sul. Procurou os dois peemedebistas com chances de concorrer ao Piratini – o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, e o ex-governador Germano Rigotto.
A conversa com Rigotto ocorreu na segunda-feira em São Paulo. Procurado por Zero Hora, o ex-governador gaúcho não quis falar do encontro. Por meio da assessoria, informou ter dito a Quércia que PSDB e PMDB devem ter candidatos próprios na disputa pelo governo estadual no ano que vem. Um assessor próximo de Fogaça confirma a insistência de Quércia, mas não diz se a conversa ocorreu.
Como Quércia tem um acordo com Serra, seus movimentos em solo gaúcho causaram desconforto entre os tucanos, que já convivem com um incômodo: o governador paulista teria manifestado sua preferência por um nome do PMDB no Estado em detrimento da reeleição da governadora Yeda Crusius. O presidente estadual do PSDB, deputado federal Claudio Diaz, não acredita que Serra tenha escolhido Quércia para tratar de questões do Rio Grande do Sul. Para ele, Quércia pode estar falando em “possibilidades”, mas não está autorizado a fechar compromissos:– Alguma pessoa mais afoita pode querer avançar o sinal, mas o momento é de calma. Yeda tem de ser ouvida, dizer o que deseja.
Quércia sonha com uma vitória em São Paulo no ano que vem. Ele costurou uma aliança com Serra desde 2008, quando eles fecharam acordo em torno da reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). O projeto agora é eleger Serra presidente e Quércia senador. O plano, porém, esbarra nos projetos da cúpula nacional do PMDB, alinhada ao governo Luiz Inácio Lula da Silva, com acordo em torno da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Para minar o acordo nacional, Quércia apela aos peemedebistas gaúchos, tradicionais adversários do PT e pouco inclinados a subir ao palanque de Dilma. Enviado ou não por Serra, o certo é que o ex-governador nunca tem dificuldade de acesso aos peemedebistas gaúchos. Uma aproximação ocorreu em 2006, quando ele defendeu a candidatura de Rigotto à Presidência, mas o histórico é de afastamento. Tanto que em 1994, o PMDB no Estado abraçou a candidatura de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) abandonando Quércia, nome oficial do partido, à própria sorte.