5 de agosto de 2009

SERRA IRONIZA ALIANÇAS DE LULA NO SENADO

Por CATIA SEABRA e VINICIUS QUEIROZ GALVÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 05/08/2009

Um dia depois de discutir com aliados o efeito positivo da crise no Senado para sua candidatura à Presidência, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ironizou ontem o que chamou de mudanças na relação entre os indivíduos na política da década de 90 para cá.
Nos anos 90, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se opunha ao hoje presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e ao ex-presidente Fernando Collor de Mello (AL). Hoje, conta com os dois na sua base de sustentação. Serra, porém, não citou seus nomes.
Questionado sobre a troca de farpas protagonizada na véspera no Senado, onde Collor fez enfática defesa de Sarney, simplesmente alfinetou:
"Não é que não tenha as minhas opiniões. Não vou entrar [no assunto]. Agora, realmente ver as mudanças na política brasileira de 90 para cá, na relação entre indivíduos, é fascinante. Isso é coisa para tese de mestrado e de doutorado".
Na noite de segunda-feira, o impacto da crise esteve na pauta da reunião de Serra com tucanos e democratas.
A avaliação dos participantes foi a de que Lula se dedica à contenção da crise, em vez de se lançar na campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. A retração de Lula alivia a pressão sobre Serra para que se declare candidato agora.
"Parecia que o governo ia passar um trator sobre nós. O governo vivia uma fantasia e, agora, caiu na realidade", afirmou o vice-governador Alberto Goldman (PSDB).
Serra, no entanto, desconversou quando o líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), sugeriu que levantasse munição para a CPI da Petrobras. Segundo um participante, o governador paulista disse que essa não era sua área de atuação durante o governo FHC.
Na reunião, também foi avaliada a composição nos Estados onde DEM e PSDB enfrentam problemas, como Rio Grande do Norte e Maranhão.
Ontem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também abordou a crise. Segundo ele, "os diálogos nos jornais são de arrepiar, são de envergonhar. Ontem [segunda-feira] foi terrível. Aquilo mostra falta de compostura", disse.

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais

Folha de S.Paulo
Governo pretende ficar com 80% do petróleo do pré-sal

Agora SãoPaulo
Valor da hora extra cresce para quem tem trabalho insalubre

O Estado de São Paulo
Decisão do PT fortalece Sarney

Jornal do Brasil
Desigualdade de renda caiu durante a crise

O Globo
Cerco à mídia venezuelana é condenado, menos no Brasil

Valor Econômico
Sobra crédito à exportação e US$ 16 bi retornam ao BC

Correio Braziliense
Gripe Suína: Colégio Militar suspende aulas

Estado de Minas
Tesouro do Brasil desperta a cobiça em todo mundo

Diário do Nordeste
Ceará é o estado menos afetado por crise mundial

A Tarde
Padre e ex-diretor da OAF são acusados de pedofilia

Extra
INSS: União quer dar reajuste maior para quem ganha menos

Correio do Povo
Tamiflu falso é vendido na rua

Zero Hora
Convocação do MPF para anúncio põe Piratini e oposição em alerta

Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Clinton assegura dois perdões; os três deixam a Coréia do Norte

The Washington Post (EUA)
Coréia do Norte liberta jornalistas dos Estados Unidos

The Times (Reino Unido)
Harman trabalha duro para procurar lei contra o estupro

The Guardian (Reino Unido)
Plano ferroviário de alta velocidade para eliminar voos domésticos

Le Figaro (França)
Grandes empresas resistem melhor que o previsto

Le Monde (França)
A África em busca de sinais fortes dos Estados Unidos

China Daily (China)
Clinton encontra Kim durante viagem surpresa

El País (Espanha)
O PP acusa o governo de perseguir Camps no lugar da ETA

Clarín (Argentina)
Retiveram o automóvel por exceder a velocidade

4 de agosto de 2009

PARA MINISTROS DO STF, HÁ CENSURA

Por MARIAÂNGELA GALLUCCI e FAUTO MACEDO


O ESTADO DE SÃO PAULO - 04/08/2009

Para ministros do STF, liminar do juiz contraria a Constituição




Conteúdo da decisão foi considerado ""estranho"", já que tribunal não admite restrições à liberdade de imprensa

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), juristas, advogados e promotores do Ministério Público afirmaram ontem que a decisão do desembargador Dácio Vieira, que proibiu o Estado de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, contraria a Constituição e recentes manifestações da corte que garantem a liberdade de imprensa e de expressão.

Os ministros avaliam que a ordem de Vieira será derrubada pelo próprio Tribunal de Justiça (TJ) do Distrito Federal ou pelas instâncias superiores do Judiciário - o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou o Supremo Tribunal Federal.

Eles consideraram "estranho" o conteúdo da decisão, já que neste ano o STF deu decisões claras no sentido de que não podem ser admitidas restrições à liberdade de imprensa.

Os ministros afirmaram que o desembargador deveria ter se negado a analisar o pedido de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Vieira fez carreira no Senado. Foto publicada pelo Estado no sábado mostra o desembargador com Sarney na festa de casamento da filha do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia.

ATENTADO

"Numa democracia consolidada não podemos admitir censura ou limitação à liberdade de expressão", alertou Mozart Valadares, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). "Não se pode admitir no Estado Democrático de Direito decisões que censurem ou limitem a liberdade de expressão. É um atentado contra a democracia."

O promotor de Justiça José Carlos Cosenzo, presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, disse que pelo "princípio da tutela jurisdicional" todos podem bater às portas da Justiça. "Este caso é absurdo. Em plena vigência do Estado democrático, vetar o direito da sociedade de saber o que está acontecendo é inadmissível."

Para o promotor não se trata de uma questão de ordem privada, mas de ordem pública. "O Estadão presta um serviço ao País. O objetivo do jornal é informar e a Constituição assegura a todos o direito à informação. A censura é desserviço. A suspeição (do desembargador) é claríssima. Não se pode impedir que a sociedade saiba dos fatos que são de interesse público. A sociedade tem sim o direito de saber o que está por trás dessa crise política do Senado."

A assessoria do TJ do Distrito Federal informou que o desembargador, procurado pelo Estado desde sexta-feira, não vai se manifestar sobre o caso

OS IMBECIS DO BRASIL

Por CARLOS ALEXANDRE

CORREIO BRASILIENSE Brasília, 04 de Agosto de 2009






Deveria ser desnecessário dizer que rotular de “imbecis” os críticos do programa Bolsa Família, como vociferou o presidente Lula na semana passada, se trata de uma forma imprópria e chula para abordar o tema, especialmente quando a frase provém do político mais conhecido do Brasil no exterior, reeleito e com altos índices de popularidade. Não consta, porém, que Luiz Inácio Lula da Silva vá modificar o estilo retórico tampouco as habituais desobediências à liturgia do cargo. Não foi a primeira nem será a última vez que o chefe do Executivo utilizará termos deselegantes e agressivos para dar ênfase a suas opiniões.

Rompantes verbais podem acontecer com qualquer um. Para citar dois exemplos e ficar apenas entre chefes de Estado, podemos nos lembrar do recente impropério dito por Obama, ao classificar de estupidez a prisão equivocada de um professor negro de Harvard, confundido por ladrão. A má repercussão da frase obrigou o homem mais poderoso do mundo a convidar o policial envolvido no episódio a tomar uma cervejinha nos jardins da Casa Branca. No Brasil, um caso conhecido no governo FHC ocorreu quando o grão-tucano chamou de “vagabundos” os brasileiros que se aposentam antes dos 50 anos. Naturalmente, os autores das frases alegam que fizeram tais declarações em um contexto. Ocorre que o único contexto em que um presidente se manifesta é político. Por isso a redobrada cautela com as palavras.

Dito isso, cabe acrescentar como o discurso agressivo, especialmente na política, pode levar a armadilhas. Se os críticos do Bolsa Família são ignorantes e imbecis, o que seriam os opositores do Plano Real? Deveríamos chamá-los de facínoras? É de se perguntar, pois, qual seria a forma de tratamento adequada para os mensaleiros, ou para os políticos que praticam o caixa-dois, ou mesmo para os “aloprados” — o termo já denota um juízo de valor sobre seus atos —, ou ainda para os parlamentares que se lixam para a opinião pública, ou para os homens públicos que se refestelam no nepotismo ou na profusão de funcionários recrutados sem concurso. Como se vê, a lista de imbecis do Brasil pode ficar abrangente demais.

GRUPO DE SARNEY AMEAÇA ADVERSÁRIOS COM DOSSIÊS

Por EUGÊNIA LOPES e VERA ROSA

O ESTADO DE SÃO PAULO - 04/08/2009

SARNEY DIZ QUE FICA E TROPA DE CHOQUE AMEAÇA OPOSIÇÃO COM DOSSIÊ





Apoiados pelo Palácio do Planalto, os aliados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), cumpriram à risca a estratégia montada na semana passada e voltaram do recesso acuando a oposição, que pede sua renúncia do cargo. O próprio Sarney, após indicar para aliados e familiares, na semana passada, que iria renunciar, ontem mudou de ideia, reforçou a corrente de resistência da tropa de choque e negou que vá deixar o cargo. "Isso não existe, isso não existe", repetiu, ao deixar o plenário.

Na sessão, os aliados de Sarney revelaram abertamente que preparam "dossiês" sobre senadores da oposição. Também "vazaram" denúncias de irregularidades praticadas por desafetos do presidente da Casa. "Eu peguei todos os atos. Xeroquei do original. Tem a assinatura de cada um dos líderes lá avalizando as atitudes tomadas pelo presidente. Eu tenho os documentos", avisou Wellington Salgado (PMDB-MG), da tropa de Sarney, em plenário. Pelo raciocínio do grupo, se ele cair, não será sozinho.

A senha para o ataque foi o discurso do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que pediu a renúncia de Sarney da presidência. Liderada por Renan Calheiros (PMDB-AL), a reação contou com a adesão de Fernando Collor (PTB-AL), que reeditou o estilo "bateu levou", da época em que presidiu o Brasil, entre 1990 e 1992, antes de ser alvo de processo de impeachment e ter o mandato cassado.

Momentos antes de o clima de beligerância tomar conta do plenário, Sarney saiu e se recolheu a seu gabinete. "Estou com um espírito muito bom. Nunca deixei de estar confiante", afirmou, ao ser indagado se estava tranquilo para enfrentar os 11 pedidos de investigação protocolados no Conselho de Ética.

Desde que assumiu, em fevereiro, Sarney vem sendo alvo de denúncias que envolvem emprego de familiares, uso de atos secretos no Senado e desvios da fundação que leva seu nome.

Os aliados passaram o início da tarde tentando pôr panos quentes na crise e refutando a hipótese de renúncia. "Isso aqui não é como time de futebol, que troca de técnico a toda hora", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Não existe possibilidade de renunciar", emendou Salgado.

Ao ser indagado sobre a nota do PMDB, divulgada anteontem, que aconselhou os dissidentes a saírem da legenda, em uma referência a Simon e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Jucá tentou amainar a crise. "Se estamos trabalhando para desidratar a crise, não há como jogar mais combustão", disse.

A decisão do Palácio do Planalto de apoiar Sarney foi tomada com base na certeza de que, se ele cair agora, a derrota será debitada pelo PMDB na conta do PT. O argumento é que o senador pode até não resistir à guerra e renunciar ao cargo, mas não é inteligente o PT empurrá-lo para o abismo. Ao contrário, trata-se, no diagnóstico do governo, de "tática suicida".

Na tentativa de baixar a temperatura da crise, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, reuniu ontem para jantar os senadores Renan, Aloizio Mercadante (PT-SP), Gim Argello (PTB), Jucá, Ideli Salvatti (PT-SC) e o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). A mesa era a expressão das divergências na base aliada. Berzoini criticou em tom duro a nota divulgada na semana retrasada por Mercadante pedindo o afastamento de Sarney.

LEGISLATIVO EM CRISE

10/6
Estado revela que Senado acumula mais de 300 atos secretos . Parentes de políticos, como o presidente José Sarney, se beneficiam

23/6
Sob pressão, Sarney demite dois diretores do Senado: Alexandre Gazineo e Ralph Siqueira

25/7
Estado revela que José Adriano Cordeiro Sarney, neto do senador, opera crédito consignado na Casa

3/7/2009
Estado informa que Sarney ocultou casa de R$ 4 milhões, em Brasília, da Justiça Eleitoral

9/7
Estado revela que Fundação José Sarney, em São Luís, desviou
R$ 500 mil de verba da Petrobrás

10/7
Polícia Federal instaura inquérito para investigar os atos secretos

13/7
Ministério Público decide investigar desvio na Fundação Sarney

15/7
Fernando Sarney, filho do senador, é indiciado pela PF por lavagem e formação de quadrilha

21/7
Conversas gravadas pela PF e reveladas pelo Estado mostram o senador articulando a contratação, por meio de ato secreto, de um namorado da neta, Bia

28/7
Ministério Público reprova contas da Fundação Sarney e decide intervir na entidade

30/7
Liminar do desembargador Dácio Vieira, próximo do clã Sarney, proíbe Estado de noticiar investigação contra Fernando Sarney

SENADO EM GUERRA

Por MARIA LIMA

O GLOBO - 04/08/2009

Cenas indigestas no Senado


Simon pede saída de Sarney e é atacado e ameaçado por tropa de choque de Collor e Renan



No primeiro dia de funcionamento do Senado após o recesso, o plenário da Casa foi incendiado ontem por duros ataques e ameaças dos grupos pró e contra a permanência do presidente José Sarney (PMDB-AP) no cargo. Depois de rápida passagem de Sarney pelo plenário, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), juntamente com o expresidente e senador Fernando Collor (PTB-AL), arregimentou sua tropa para contra-atacar, jogando pesado. O alvo principal foi Pedro Simon (PMDBRS), que fazia mais um apelo para que Sarney renunciasse, num gesto de paz, para preservar o Senado.

Municiados com informações sobre a vida política dos críticos de Sarney, a dupla Renan/Collor partiu para a guerra e, aos gritos, defendeu o presidente do Senado e tentou intimidar seus críticos, até com ameaças.

Simon foi surpreendido por duros ataques de Renan. Depois foi a vez de Collor, que, transtornado, aproveitou o bate-boca para atacar a imprensa e rememorar fatos que levaram ao seu impeachment na Presidência.

— Só lamento que seu esporte favorito nos últimos 35 anos tem sido falar mal do presidente Sarney. Desde que ele foi indicado vice do Tancredo (Neves), V. Excelência fala mal dele. V.

Excelência queria ser o candidato a vice, mas perdeu a indicação no partido — disparou Renan.

Exaltado, Simon reagiu: — V. Excelência está inventando isso. É mentira! Uma calúnia! Renan prosseguiu, dizendo que nunca entendeu por que Simon saiu do hospital, onde se recuperava de uma cirurgia, para pedir o afastamento de Sarney, depois de ter ido a seu gabinete dizer que estava solidário com o presidente da Casa.

Precondição da vida, diz Mão Santa

Em resposta, Simon disse que Renan é que era um líder contraditório, e relembrou a ida do peemedebista à China, para combinar com Collor a candidatura dele à Presidência, em 1989. Mas, quando Collor estava sendo cassado, lembrou Simon, Renan o abandonou e depois foi ministro do governo Fernando Henrique Cardoso: — V. Excelência foi à China fazer acordo com o Collor. Na véspera de o Collor ser cassado, V. Excelência largou o Collor. Lá pelas tantas, apareceu como ministro da Justiça do Fernando Henrique. Lá pelas tantas, largou o FHC. Agora, é o homem de confiança do Lula.

Simon também disse que Collor foi ao Rio Grande do Sul lhe propor que formassem uma chapa, mas ele não quis. Imediatamente, Collor chegou correndo ao plenário, com os olhos saltados e arfando muito. Voltando ao estilo “faca na bota”, que inaugurou na sua campanha presidencial, Collor mandou Simon engolir as palavras, ameaçando revelar coisas que o deixariam em situação constrangedora.

— São palavras que não aceito! Quero que o senhor as engula e as digira como achar conveniente! — gritou. — Evite pronunciar meu nome, porque da próxima vez que tiver que pronunciar o seu, eu gostaria de relembrar alguns fatos e momentos extremamente incômodos para V. Excelência! — Fale agora! — desafiou Simon.

— Falarei quando for oportuno — respondeu Collor, que permaneceu, até o fim do discurso de Simon, sentado logo abaixo, encarando-o de forma ameaçadora, sem desviar o olhar.

Depois dos ataques, Simon tentou reagir, ainda que moderadamente, mas foi massacrado por outros como Wellington Salgado (PMDBMG) e Epitácio Cafeteira (PTB-MA).

Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Renato Casagrande (PSB-ES) saíram em defesa de Simon.

— Não há outro caminho a não ser o aprofundamento das investigações sobre o presidente Sarney — disse Casagrande.

— Um senador da República mandar o outro engolir e digerir as palavras como achar que deve? — reagiu Jarbas, pedindo que Mão Santa (PMDB-PI), que presidia a sessão, determinasse a retirada dos termos das notas taquigráficas. Sem sucesso.

— Senador Jarbas, com todo o respeito. Eu sou professor de fisiologia.

As palavras engolir e digestão nunca foram pejorativas para mim.

Sempre as entendi até como uma precondição de vida — respondeu Mão Santa.

Durante a fala do gaúcho, Renan continuou no ataque. Insinuou que, quando era ministro da Agricultura de Sarney, Simon teria feito negócios escusos com importação de carne com uma empresa chamada Pôr do Sol.

— V. Excelência conhece a empresa Pôr do Sol? Diga senador, o que tem com essa empresa? O país conhece minhas vísceras, mas V. Excelência precisa ser conhecido pela Nação — continuou Renan.

— Quando falaram que iriam tentar buscar coisas de todo mundo, não estavam mentindo. Só que esse caso aconteceu seis meses depois que saí, já era governador do Rio Grande. É mentira! — reagiu Simon.

Quando Simon já descera da tribuna, Collor voltou ao ataque, para dizer que o que Sarney estava enfrentando na mídia era algo que conhecia bem pelas “entranhas”: — Sei o que o presidente Sarney está passando porque também já passei por isso. Sei como essas coisas são urdidas, vazadas, como correm pelos subterrâneos da imprensa que quer que esta Casa se agache.

Collor chamou os “caras pintadas” de “movimento estético-cultural” que foi saudado pelo povo como manifestação da democracia. E lembrou que depois foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal.

— Não vi algo (na fala de Simon) que pudesse ser ofensivo ao presidente Collor — disse Suplicy, dirigindose a Collor: — Participei da CPI do PC Farias, V. Excelência cumpriu oito anos de afastamento político, se elegeu senador, veio para o Senado e tem sido tratado aqui com respeito.

Sarney nega que pretenda renunciar

Sarney assistiu à guerra do gabinete.

Mais cedo, reapareceu no plenário apenas para demonstrar força. Durante os 80 minutos em que presidiu a sessão, no início da tarde, não ouviu nos discursos uma só menção à crise ou às denúncias de corrupção que envolvem seu nome e de familiares.

Tentando aparentar tranquilidade, era o retrato do nervosismo. Chegou ao plenário quando terminara o discurso do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), sobre sua ação contra a decisão de um desembargador de censurar o jornal “O Estado de S. Paulo”.

Depois do tucano, quando Collor se preparava para subir à tribuna, Sarney assumiu a presidência.

Sarney ouviu Collor discursar sobre uma encíclica do Papa Bento XVI e depois teve sua companhia na Mesa.

Aliados de Sarney fugiram da crise com assuntos que foram de citações ao escritor Euclides da Cunha a medidas da área da Previdência. Às 14h55m, quando Simon entrou no plenário, Sarney mudou o semblante e saiu logo depois. Na saída, declarou estar preparado para a guerra.

— Estou com o espírito muito bom.

Nunca deixei de estar confiante.

E negou que vá renunciar: — Isso não existe! Isso não existe — descartou Sarney

TEMER NEGA QUE PMDB APOIA PERMANÊNCIA DE SARNEY

MÁRCIO FALCÃO

DA FOLHA ONLINE, em Brasília

O presidente licenciado do PMDB e presidente da Câmara, Michel Temer (SP), negou nesta segunda-feira que a nota divulgada ontem pelo partido seja em apoio ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Questionado se o PMDB apoia incondicionalmente a permanência de Sarney no comando do Senado, Temer disse que esta questão precisa ser resolvida pelos senadores.

"O presidente do Senado está tomando às providências que entende conveniente no Senado. Seguramente, embora não possa dar palpite sobre isso, os senadores e os partidos que têm assento na Casa vão sentar e resolver esse impasse e eu espero que seja útil para a instituição", disse.

Temer negou que o texto publicado ontem no site oficial do partido, assinado por ele e pela presidente em exercício da legenda, Íris de Araújo (GO), foi uma nota de apoio a Sarney. O documento autoriza os dissidentes a deixar a legenda "o quanto antes" sem que corram o risco de perder o mandato. A declaração foi interpretada como um recado para os senadores Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS).

Segundo o presidente da Câmara, o texto foi uma carta do comando do PMDB pedindo unidade aos correligionários de olho nas eleições de 2010. "Não é uma nota. É uma carta em resposta a revista justificando a posição política do PMDB e também com o objetivo de preparar a convenção nacional do partido para reunir o máximo de unidade. Ela não se dirige ao presente, ela se dirige ao futuro do partido. Não tem nada a ver com o senador Simon. Foi uma forma de dar as razões pelo que o PMDB apoia vários governos", disse.

No final de fevereiro, Jarbas Vasconcelos denunciou a existência de corrupção dentro do PMDB ao afirmar, em entrevista à revista "Veja", que "boa parte do partido quer mesmo é corrupção". Na época, ele também classificou como um "completo retrocesso" a escolha de Sarney para presidir o Senado. Já Pedro Simon, subiu à tribuna do Senado no fim de junho para defender o afastamento de Sarney e disse que a situação do presidente da Casa era insustentável.

Para o presidente da Câmara, não há espaço para a crise envolver os deputados. "Não vai haver contaminação porque a Câmara está votando regularmente. Não haverá paralisação na Câmara", disse.

A revista "Veja", publicada nesta semana, diz que o PMDB encarna o paroxismo do fisiologismo da política brasileira. De acordo com o material divulgado pelo PMDB, o apoio aos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva está dentro da proposta programática da legenda e que o partido "sabe que tem ajudado o Brasil no limite de suas forças".

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Agora São Paulo
Professor que passar em prova vai ter aumento de 25%

A Tarde
Fonte de contágio da 1ª vítima da gripe A é mistério

Correio Braziliense
Governo cede e libera tamiflu

Correio do Povo
Dia de bate-boca no Senado

Diário do Nordeste
Alerta no retorno às aulas

Estado de Minas
Saúde quer evitar feiras e shows em locais fechados

Extra
Avião sai do Rio para os EUA, sacode no ar e deixa 26 feridos

Folha de São Paulo
Sarney afirma que está"firmíssimo" no cargo

Jornal do Brasil
Rio ganha R$ 296 milhões para saúde

O Estado de São Paulo
Grupo de Sarney ameaça adversários com dossiês

O Globo
Indústria brasileira tem a maior queda em 34 anos

Valor Econômico
menor reativa procura de financiamento no BNDES


Zero Hora
Três ataques a banco no mesmo dia confirmam nova rota do crime no RS
*
Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Impulsionando vendas, plano de desconto em veículos é valorizado

The Washington Post (EUA)
Sem onde ir, mas mal

The Times (Reino Unido)
Barclays desafia limites do City no bônus cultura

The Guardian (Reino Unido)
Bancos defendem bônus cultura como um salto nos lucros

Le Figaro (França)
Renault Nissan dá um golpe de aceleração

Le Monde (França)
Marrocos: a pesquisa proibida

China Daily (China)
Surto vende cidade de 10,000

El País (Espanha)
O Tribunal valenciano tira Camps do julgamento por suborno

Clarín (Argentina)
Rejeição adversária a uma jogada para não baixar retenções

3 de agosto de 2009

DELÚBIO CONVERSA COM LULA SOBRE SEU FUTURO POLÍTICO

POR JOÃO DOMINGUES


O ESTADO DE SÃO PAULO - 03/08/2009


O sonho do pivô do escândalo do mensalão é disputar uma cadeira de deputado federal

O ex-tesoureiro do PT
Delúbio Soares, um dos pivôs do escândalo do mensalão, em 2005 - responsável pelo maior desgaste político do primeiro governo de Lula -, teria passado o último fim de semana na Granja do Torto, em Brasília, na companhia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na visita, Delúbio teria dito a Lula que pretende concorrer a uma vaga de deputado federal por Goiás, de acordo com reportagem publicada ontem pelo jornal O Popular, de Goiânia.
Como foi rejeitado pelo PT, de onde havia sido expulso e para onde tentou voltar, sem sucesso, a tendência é de Delúbio filiar-se ao PT do B, que tem dois deputados estaduais.
Delúbio chegou a sondar o PMDB, mas foi informado de que o partido não deverá aceitá-lo, visto que não se dá com o diretório municipal de Buriti Alegre (a cerca de 180 quilômetros ao sul de Goiânia), onde tem domicílio eleitoral.
Quando era do PT, Delúbio teve sérias disputas com os peemedebistas de sua cidade natal e eles anunciaram que jamais o aceitariam como companheiro.
Enquanto não encontra um partido, o ex-tesoureiro está reformulando o blog Companheiro Delúbio - cujo conteúdo era voltado exclusivamente para sua tentativa de reingressar no PT. No novo formato, a página na internet deverá abordar temas sociais.
Ele planeja, ainda, criar uma Organização Não-Governamental (ONG) e uma publicação onde faria a defesa das acusações de que foi o articulador do esquema do mensalão, juntamente com o empresário Marcos Valério.
Por causa do mensalão, o ex-tesoureiro foi expulso do PT em outubro de 2005. Tentou voltar em maio deste ano, mas desistiu ao perceber que o pedido de reintegração seria derrotado. Em reunião do Diretório Nacional, ele chegou a fazer um discurso, no qual, em tom emocionado, afirmou nunca ter realizado nada sem o consentimento da sigla.
RELAÇÃO COM LULA
Reservado, Delúbio não comentou o teor das conversas com o presidente Lula na Granja do Torto. Pessoas que o encontraram disseram que saiu do local mais empolgado com a ideia de se candidatar a deputado federal.
Lula deve visitar Goiânia e Anápolis (a cerca de 50 quilômetros da capital) no dia 13, mas não deve se encontrar com Delúbio. Ele teria dito às pessoas com as quais conversou que desistiu do encontro porque não quer causar constrangimento ao presidente.
Delúbio foi um dos articuladores da aliança PMDB-PT na disputa pela prefeitura de Goiânia que reelegeu Iris Rezende (PMDB) prefeito em 2008. O vice, Paulo Garcia (PT) é um político próximo ao ex-tesoureiro

LIGAÇÕES COMPROMETEDORAS

Por SIMON ROMERO


O GLOBO - 03/08/2009

Apesar das repetidas negativas do presidente Hugo Chávez, agentes do Estado venezuelano continuam a apoiar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Eles ajudam os guerrilheiros a conseguir armas e até obter carteiras de identidade para que eles circulem livremente por todo o território da Venezuela. A informação foi descoberta em computadores dos rebeldes apreendidos nos últimos meses e avaliados por agências de inteligência ocidentais.
O material mostra colaborações detalhadas entre a guerrilha colombiana e militares de alta patente e membros dos serviço de inteligência da Venezuela. As evidências contrariam Chávez, que vem fazendo constantes declarações de que seu governo não se relaciona com as Farc.
- Nós não os protegemos - disse o presidente em julho.
As novas provas chegam num momento ruim da relação entre Venezuela e Colômbia. Em julho, Chávez interrompeu os laços diplomáticos, em resposta às declarações do governo colombiano de que os lança-mísseis suecos vendidos à Venezuela acabaram nas mãos das Farc. A reação venezuelana foi alimentada também pelos planos da Colômbia de aumentar a presença de militares americanos em seu território.
- O governo colombiano está tentando construir um fato na mídia contra nosso país, algo que serve à sua agenda política - disse Bernardo Álvarez, embaixador da Venezuela em Washington, descrevendo as novas evidências como "informação não confirmada".
Intenção de comprar armas na Venezuela
Chávez vem rebatendo as acusações de proximidade com as Farc desde o ano passado, quando forças colombianas tomaram um acampamento dos guerrilheiros no Equador. Na operação, foram encontrados computadores de um comandante dos rebeldes, contendo e-mails encriptados que mostravam que havia um relacionamento forte entre o governo venezuelano e os guerrilheiros, que já se refugiaram no país de Chávez.
A recente revelação - há material capturado em maio - mostra que pouco mudou na proximidade entre Farc e o governo venezuelano desde a operação colombiana do ano passado. O "New York Times" obteve uma cópia do material encontrado, sob análise de uma agência de inteligência.
Uma mensagem de Iván Márquez, comandante rebelde que supostamente opera livremente na Venezuela, descreve um plano das Farc de comprar mísseis terra-ar, rifles e rádios na Venezuela. Não está claro se o armamento a que ele se refere chegou a ser adquirido. Mas ele escreveu que o objetivo vinha sendo facilitado pelo general Henry Rangel Silva, que era diretor da agência de inteligência da polícia venezuelana até ser removido da função no mês passado, e por Ramón Rodriguez Chacín, ex-ministro do Interior da Venezuela e nomeado por Chávez como emissário oficial junto às Farc na libertação de reféns em 2008.
Na mensagem, Márquez discute o plano de Chacín de transportar as armas pela região próxima ao Rio Negro, em solo venezuelano. O guerrilheiro vai além e explica que o general Rangel forneceu aos guerrilheiros documentos que eles poderiam usar para se mover livremente pela Venezuela.
As últimas provas que envolvem a Venezuela e as Farc podem pôr em xeque a política de Obama para a região. O presidente americano tem tentado retomar relações amistosas com Chávez, após a constante tensão do governo Bush. Mas Estados Unidos e Europa ainda classificam as Farc como organização terrorista.
- Não comentamos assuntos de inteligência - esquivou-se Noel Clay, porta-voz do Departamento de Estado, sobre as últimas comunicações capturadas