3 de agosto de 2009

MINISTRO DA CULTURA ADMITE QUE É FALHA A FISCALIZAÇÃO

MANCHETE DO GLOBO

POR Alessandra Duarte, Chico Otavio e Maiá Menezes
03/08/2009

Empresas envolvidas com venda de notas fiscais aprovaram projetos pela Lei Rouanet e captam recursos no mercado

RIO e BRASÍLIA. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, informou que pretende criar um cadastro para registrar empresas e entidades proponentes de projetos culturais favorecidos pela Lei Rouanet. O objetivo é corrigir as falhas que admitiu existir no acompanhamento dos processos de aprovação dos projetos culturais beneficiados por isenção fiscal. Em reportagem publicada ontem, O GLOBO mostrou que empresas envolvidas na venda de notas fiscais no mercado cultural conseguiram aprovar quase R$14 milhões em projetos pela Lei Rouanet.
- Vamos criar um cadastro para que quem pise na bola, cometa alguma irregularidade, não possa propor mais (projetos). Já fazemos isso hoje, mas precariamente - disse Juca, que pretende incluir as mudanças na proposta de reforma da Lei Rouanet, que será enviada ao Congresso nos próximos dias.
Do total de 13 empresas emissoras de "notas de favor" (notas fiscais compradas por prestadores de serviços da área cultural para escapar da tributação regular), sete receberam carta branca do Ministério da Cultura para captar recursos pela Lei Rouanet - politica de incentivos fiscais que possibilita a empresas e cidadãos aplicar parte do imposto em ações culturais.
O cadastro do Ministério da Cultura informa que, das sete empresas com projetos aprovados, três (Guanumbi, Fênix e Rigel) estão autorizadas até o fim do ano a buscar recursos no mercado. A Guanumbi, cuja sede fica em Jacarepaguá, em residência onde os moradores nunca ouviram falar da empresa, tem até 31 de dezembro para captar parcela dos R$782.222,50 aprovados para o projeto "Rosemary homenageia mulheres da Mangueira". Até agora, foram captados R$242 mil.
A Fênix é a empresa com mais projetos em aberto: seis, todos musicais, que somam quase R$2 milhões. Já a Rigel, que funciona no mesmo endereço da Fênix e outras quatro empresas, na Ilha do Governador, pode captar até dezembro R$281 mil do projeto "Sarau no Parque".
As três empresas são conhecidas por vender notas a artistas, produtores culturais, autores e outros prestadores de serviços na área cultural. Assim, os artistas evitam pagar impostos mais elevados como pessoa física ou jurídica. O esquema veio à tona com a descoberta do repasse de R$12,4 milhões da Petrobras para as empresas.
Especialistas na área tributária afirmaram que as partes envolvidas no mercado de notas fiscais estão agindo irregularmente. De acordo com a lei 8.137, de 1990 (que trata dos crimes contra a ordem tributária), é proibido "elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato".
Na semana passada, em debate no Rio, o ministro Juca Ferreira disse que, além de analisar a capacidade de execução do projeto que propõe, a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (Cnic), responsável pela análise e aprovação dos projetos, também precisa melhorar a fiscalização quanto à idoneidade dos proponentes. Ele reconheceu que os processos de prestação de contas do MinC ainda são muito demorados:
- Hoje, todo o ônus e os custos dos procedimentos de prestação de contas são nossos, enquanto na área ambiental, por exemplo, quem paga pelo EIA-Rima são os proponentes. Aqui, o MinC, de orçamento baixo, é que arca com os custos de todo o processo de prestação de contas. Estamos estudando como mudar e modernizar isso.
O ministro quer, ainda, derrubar a exigência de que o proponente de projetos tenha finalidade cultural, por considerar a medida "hipócrita". Ele defendeu, por exemplo, que até associações de moradores possam apresentar projetos.

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais



Agora Saõ Paulo
Justiça garante sete revisões a servidor estadual aposentado

A Tarde
Chacina na periferia e falta de PMs na orla

Correio Braziliense
Justiça tenta garantir distribuição de antiviral

Correio do Povo
Suspensas cirurgias e internações eletivas pelo SUS em todo o RS

Diário do Nordeste
Estelionatérios promovem farra de golpes no Ceará

Estado de Minas
Gripe mata jovem na volta da Disney

Extra
Imóveis da Caixa são vendidos e alugados ilegalmente no Rio

Folha de São Paulo
PMDB tenta enquadrar os críticos de Sarney

Jornal do Brasil
Santos Dumont, medo e insônia

O Estado de SãoPaulo
Senadores planejam boicote a Sarney para forçar renúncia

O Globo
Ministro admite que é falha a fiscalização na área da cultura

Valor Econômico
Fazenda pedirá veto se a emenda do IPI passar



Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Dois lados debatem saúde fora da capital

The Washington Post (EUA)
Dezoito anos depois de desaparecer no Iraque, pilotos da Marinha são encontrados

The Times (Reino Unido)
Hospitais encaram o arrocho dos territórios

The Guardian (Reino Unido)
De volta ao negro - receitas para bancos britânicos se recuperarem

Le Figaro (França)
Kouchner defende a estratégia francesa no Afeganistão

Le Monde (França)
Os EUA ligado ao reatamento econômico

China Daily (China)
Educação bilíngue é essencial

El País (Espanha)
Rubalcaba: "ETA será derrotado e não haverá um final dialogado"

Clarín (Argentina)
Com uma parte das reservas, pagam hoje US$ 2.250 milhões

2 de agosto de 2009

OS LIMITES DA TOLERÂNCIA

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

O GLOBO 02/08 de 2009



Devemos ficar atentos a novos populismos, de esquerda ou direitaEm artigo anterior, a propósito do encontro entre culturas distintas sem uma guerra entre civilizações, utilizei o livro de Ian Buruma, “Occidentalism”. Em livro recente o antigo professor de Oxford aproximou o foco para entender o que aconteceu em seu país natal, a Holanda, que, de país calvinista, reservado e tolerante se tornou palco de ações violentas. Um líder populista “de direita”, Pim Fortuyn, foi assassinado em 2002 por um fanático não muçulmano. E o cineasta Theo Van Gogh, que criticava o desrespeito à liberdade e aos direitos humanos por parte de certas correntes islâmicas, acabou assassinado em novembro de 2004 por um ativista muçulmano ligado a grupos terroristas.
Teria terminado o momento da história em que a Holanda se distinguiu pela capacidade de absorção de culturas diversas? Não foi para lá que se mudaram os judeus espanhóis e portugueses perseguidos pela Inquisição? Não foi em Amsterdã que houve a única greve geral de monta contra a deportação dos judeus? Não foi na Holanda que Baruch Spinosa filosofou e, mais recentemente, em 1934, Huizinga disse que vivia no país da tolerância no qual mesmo os extremismos seriam “moderados”? E não é certo que 45% da população de Amsterdã em 1999 era de origem estrangeira? E o prefeito na época dos assassinatos não se chamava Cohen, bem como um importante vereadoradministrador da cidade não ostentava o nome de Ahmed Aboutaleb?
Por suas regras tolerantes, a Holanda acolhe perseguidos políticos. Há milhares de refugiados sírios, iranianos, marroquinos, berberes, turcos, somalis, grupos tamil de Sri Lanka etc. Além das muitas centenas de milhares de “trabalhadores convidados”, como são qualificados os que encontram emprego e trazem as famílias. Entre estes, muitos são de origem surinamesa ou vindos da Indonésia, educados em língua holandesa, o que lhes facilita a integração. Sendo assim, até que ponto algo específico da cultura e da religião muçulmanas engendraria a violência atual e as reações racistas ressurgentes? Buruma procura demonstrar que as diferenças de visão entre fundamentalistas ocidentais ou islâmicos podem conviver com mútuo proveito, desde que não usem a força e respeitem as regras da Constituição laica. Não desconhece os argumentos, como os da somali Ayan Hirsi Ali, e de alguns intelectuais de passado esquerdista e presente paixão conservadora, que alertam para os riscos de leniência na defesa dos valores universais da civilização ocidental. Mas pondera que a incorporação desses valores é proveitosa quando advém de reação na própria cultura islâmica e não como uma imposição externa.
Há que reconhecer, porém, pensa Buruma, que a Holanda do passado, branca, burguesa, liberal, tolerante, hoje é uma sociedade multirracial e multicultural, que faz parte da Comunidade Europeia e sofre a influência das multinacionais, em suma, da “globalização”.
Isso suscita reações defensivas agarradas a diferenças religiosas e culturais.
No lugar das identidades nacionais e das tradições políticas democráticas que davam coesão à sociedade, multiplicam-se identidades comunitárias, religiosas ou não, que com frequencias e chocam com a cultura cívica anterior.
Em outros termos, a convivência democrática não se pode basear mais na assimilação da cultura nacional predominante e na aceitação pelos recém vindos das regras do “país legal” tal como ele existia antes. O filme francês “Entre os muros da escola” é exemplo vivo das dificuldades de moldarem-se os jovens de origem migrante, mesmo nascidos na Europa, à cultura nacional, acrescento. Entretanto, a crise que prevalece não é devida apenas à existência de “duas — ou mais — culturas”, mas a que muitos não se conformam que “seu mundo” acabou: “O povo começa a se sentir não representado. Ele não sabe mais quem são os responsáveis. Isso ocorre quando os ‘oligarcas’ modernos, como o social-democrata Ad Melkert, começam a perder amarras no sentimento popular.
Mais do que irrelevantes, eles começam a ser alvos de hostilidade ativa. A política de consenso contém suas próprias formas de corrupção: a política fica emperrada na rotina de uma elite autoperpetuada, trocando empregos entre os membros do clube, para lá e para cá”.
No mundo emergente os desajustados são numerosos, não se restringem aos new comers. Há também os que sendo originários de “famílias de raiz” não se conformam com a nova sociedade. De certo modo quase todos estão “desenraizados”, daí os populismos, de direita ou de esquerda (aliás, mutantes), o terrorismo, o apego aos vários fundamentalismos, à violência.
O que tudo isso pode ter a ver com o Brasil? Pouco e, talvez, muito. Temos a sorte de viver sob uma cultura que também aprecia a tolerância (a despeito de recentes tentativas de fazer nascer um “racismo antirracista" como diria Sartre). Sem as diferenças religiosas e linguísticas com as quais os europeus se defrontam, somos também um país de migrações, embora hoje predominantemente internas. Portanto, de “desenraizados”.
E desenraizados não são apenas os recém incluídos , geográfica e ou socialmente, na sociedade moderna. São também os oligarcas que não se conforma m que ela clame por nov as práticas e não querem perceber as mudanças. O mais triste ocorre, como agora, quando os que chegaram ao poder para renovar e adaptá-lo aos novos tempos aderem aos hábitos do “clube oligárquico” e se autoatribuem a “missão histórica” de perdoar os transgressores e dar continuidade às velhas práticas.
É nesse ponto que cabe o paralelo com a situação descrita por Buruma. Não só a advertência sobre os riscos de violência, mas de riscos de novos populismos, de esquerda ou de direita, que possam preencher com uma retórica cativante a falta de sintonia entre as instituições (desmoralizadas) e o sentimento das massas.

AO TITULAR, O SUPLENTE

DORA KRAMER
O ESTADO DE S. PAULO 02/08/2009
Sobre a questão dos suplentes do Senado quase tudo já foi dito. Que se equivalem aos senadores biônicos inventados pelo general Ernesto Geisel, que não são dignos de ocupar uma vaga reservada à delegação obtida por meio de votos, que podem cometer qualquer impropriedade sem o dever de prestar contas ao eleitorado inexistente.
Um aspecto, porém, ainda não entrou na discussão: a responsabilidade do titular da vaga sobre as ações de seus substitutos.
Quem levanta essa lebre é o leitor Enio Ribeiro, na seguinte mensagem: "Muito se fala nos senadores sem votos (suplentes) como se não fosse possível responsabilizar ninguém por seus atos. Ora, eles não caíram de paraquedas no Senado. Foram colocados lá pelos titulares dos mandatos. A meu ver, eles deveriam ser cobrados pelos atos de suas crias.
"De fato. Se o senador eleito tem o direito de indicar dois suplentes por escolha exclusivamente pessoal e com isso presentear com um mandato alguém que não recebeu sequer um voto, deveria também ter o dever de responder pelas ações dos substitutos. Obviamente, descontados os casos de morte.
Enio surpreende-se que ninguém cobre o governador Sérgio Cabral pela conduta do suplente Paulo Duque, agora presidente do Conselho de Ética do Senado. "Por que você acha que isso não ocorre?", pergunta.
Porque a ninguém - pelo menos publicamente - havia ocorrido essa ideia cristalina. A lógica empregada para analisar o problema era a de que substituído o eleito, a vaga passava a ser do suplente que, sem compromisso com o voto, poderia agir como uma entidade independente. É equivocado o raciocínio, pois a vaga pertence aos eleitores do titular.
Se ele não soube escolher o suplente ou se o substituto uma vez feito senador comporta-se de maneira inadequada, alguém precisa responder por isso. E só pode ser o dono daqueles votos, porque o eleitor não tem nada com isso.
Quem tem é quem achou que essa ou aquela pessoa por essa ou aquela razão, poderia representá-lo no Senado. O suplente não é um representante popular, mas representa o titular.
Vários deles concorrerão a eleições no ano que vem. Além de Sérgio Cabral, que tentará a reeleição, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, pretende disputar o governo de Minas Gerais. Para fazer jus aos votos que recebeu para o Senado, teria de prestar contas pela conduta de Wellington Salgado, a quem presenteou com praticamente todo o mandato.
O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, é responsável pela condução de João Pedro à presidência da CPI da Petrobrás, assim como o ex-senador e possível candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz responde pelos atos de Gim Argello, o ministro Edison Lobão pelas ações do suplente Lobão filho e assim por diante.
Cobrança do eleitor nem sempre é o método mais eficaz para se corrigir distorções. Mas, no caso dos suplentes, é o único à disposição para confrontar o Senado em sua resistência a dar um jeito numa situação que hoje faz tábula rasa do princípio da representação com mais 20% de senadores nomeados.
Cerimônia
Afeito a rituais, o senador José Sarney sexta-feira deu sinal claro de que prepara sua cerimônia de adeus à presidência do Senado, ao divulgar que na volta do recesso anunciará uma ampla reforma administrativa na Casa.
Sarney teve tempo de sobra e já contou com ambiente favorável e politicamente propício para fazer a reforma, mas não fez. Agora que o tempo fechou definitivamente no Senado e as denúncias contra ele se acumularam ao ponto do indefensável, não haveria reforma no mundo capaz de alterar a situação.
Portanto, o tal anúncio é apenas uma maneira de Sarney ter um discurso para sair. Dirá que a crise é estrutural, lamentará as injustiças sofridas, apresentará uma série de medidas como legado de sua abreviada passagem pela terceira vez na presidência da Casa e anunciará a retirada em nome da paz, da harmonia e do zelo pela instituição e a democracia.
Seus aliados dão a isso o nome de saída honrosa.
Sem fantasia
Não há entre os senadores, governistas e oposicionistas, a menor ilusão de virar o Senado de cabeça para baixo (no caso, melhor seria dizer para cima) com a eleição de um novo presidente.
A evidência está no fato de o nome mais bem cotado ser o do senador Francisco Dornelles, a antítese do revolucionário.
Na verdade, todos dão essa legislatura como perdida. A saída de Sarney estanca a sangria, mas não cura o mal.
Administrada a crise, suas excelências cuidarão de sobreviver a 2010, quando, aí sim, será definido o perfil do novo Senado.FériasAté breve. Mais precisamente, quando setembro vier.

DISCUTINDO A RELAÇÃO

MERVAL PEREIRA

GLOBO 02/08/2009


A relação dos políticos com a população, e o papel dos meios de comunicação nessa intermediação, vem mudando com o advento das novas tecnologias, mas os estudiosos do assunto alertam que é irrealista imaginar que a opinião pública não seja afetada pelas denúncias veiculadas pela grande mídia. O cientista político Alberto Carlos Almeida, especialista em análise da opinião pública, autor do best seller “A cabeça do brasileiro”, lembra que tanto no mensalão quanto na crise das mordomias no Congresso, que desaguou na crise das denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney, foi a grande imprensa que comandou o processo de denúncia e apuração
A mudança na intermediação existe, lembra Rosental Calmon Alves, professor da Universidade do Texas. Ela é parte desse processo, mas não é absoluta, tanto que quando o Michael Jackson morre, os blogs podem dar a notícia antes, mas os sites de notícias vão lá em cima na audiência. “As pessoas falam entre elas, mas precisam da mídia profissional para ter informações confiáveis”.
Da mesma forma, o papel fiscalizador do jornalismo, por exemplo, não está em questão, diz ele. Quando o deputado Sérgio Moraes diz que está “se lixando” para a opinião pública e que mesmo com as denúncias “nós somos eleitos da mesma maneira”, ele está, sem saber, falando mais dos defeitos de nosso sistema eleitoral do que da falta de influência dos meios de comunicação no eleitorado.
Alberto Carlos Almeida ressalta que o eleitor na periferia, que luta pela sobrevivência, “não faz a junção de causa e efeito entre a corrupção e as dificuldades de sua vida. E nem os políticos fazem essa ligação”.
A longo prazo, a situação só melhora com a educação, mas ele vê nesse processo lento “sinais claros de que já está acontecendo. Alguns políticos não conseguem se eleger para cargos majoritários.
O eleitorado vai dando um jeito de punir”.
Já Miguel Darcy de Oliveira, que trabalha com ONGs em comunidades carentes, diz que “os políticos estão convencidos de que a população não sabe se exprimir, e a população está convencida de que os políticos não sabem ouvir”.
Este divórcio se rompe mais facilmente nas eleições majoritárias do que nas proporcionais, pois o tempo de exposição dos candidatos a cargos executivos permite à massa dos eleitores formar sua opinião. “Nas eleições parlamentares, o sistema eleitoral fragmenta a informação e o voto. Daí a importância do voto distrital para corrigir esta distorção”, analisa.
O cientista político Alberto Carlos Almeida concorda, e diz que Brasil está em processo de mudança “de que às vezes a gente não se dá conta”. Antes, diz ele, a população não tinha dinheiro para circular, hoje “tem um dinheirinho sobrando, e cada dia vai sobrar mais”.
A consequência é que estão consumindo um pouco mais de informação, que ficou mais barata também com a internet nas lan houses e os jornais populares.“Quem tinha menos informação passou a ter mais. Por outro lado, na sociedade de massa a informação vai ficando mais fragmentada”.
Por isso, lembra Rosental Calmon Alves, os jornais estão fazendo todo esforço possível para se tornarem mais interativos, mais participativos.“
As pessoas querem ler, ver e ouvir o que a mídia profissional diz. Mas também querem ser lidas, vistas e ouvidas, e querem ler, ver e ouvir pessoas como elas, que não são os profissionais. O que existe é um ambiente de mídia diferente, mas que não substitui o que já há”.
Ao contrário de tornar as opiniões na mídia impressa obsoletas, a tecnologia as torna mais relevantes ainda, acredita Rosental.
Miguel Darcy de Oliveira diz que o debate de temas de interesse público, como violência, aborto ou drogas, coloca desafios similares.
“Quando se reduzem problemas complexos a respostas simplistas, temos grandes maiorias favoráveis à pena de morte, proibição do aborto e criminalização das drogas.
Quando o tema é apresentado de maneira mais humana, como fazem por exemplo as novelas, a discussão ganha outra qualidade, e a população forma sua opinião”.Ele acredita que cada vez mais “as pessoas elaboram seus pontos de vista e fazem suas escolhas com base no que vivem e veem”.
Miguel Darcy acha que a sociedade está na frente da política, e a crise da representação reside “menos na desinformação das pessoas e muito mais na incapacidade dos políticos”.
Rosental destaca que uma das novas funções do jornalismo é a de ser “o facilitador das conversas das pessoas que estão na internet. Você passa de uma audiência passiva para um público ativo, e essa é que é diferença”.
Como a maior parte dos blogs repercute o que sai na mídia, o jornalismo profissional é tão importante. “Ele tem uma estrutura, uma deontologia, uma forma profissional de colher e checar informações que a vasta maioria dos blogueiros não tem”, constata Rosental.
Isso não quer dizer, lembra, que em alguns setores de nicho os blogs não comecem a dar furos. “Na área de tecnologia, por exemplo, existem blogs tão especializados que até os jornalistas que cobrem o tema para os grandes jornais precisam acompanhar por que eles dão furos.Mas são blogs que têm uma base financeira, de reputação, de muitos anos”.
Alberto Carlos de Almeida acha que a Justiça tem um papel importante de impedir a impunidade e deixa uma lacuna.
“Nos Estados Unidos, a Justiça usa até cálculo de probabilidades para definir uma fraude financeira. Se a probabilidade de um sequência de números for pequena e ela acontecer, isso é considerado como prova na Justiça.
Aqui o João Alves pode ganhar toda semana na loteria, e ninguém nota”.
Miguel Darcy de Oliveira lembra que a adesão popular ao Plano Real e a mudança nos padrões de consumo de energia quando do apagão “são exemplos de que problemas complexos, quando bem explicados, podem ser entendidos e influenciam comportamentos.O problema é que estes exemplos são raros”.

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais

Agora São Paulo
Guia esclarece as principais dúvidas sobre aposentadoria

A Tarde
Parque da Cidade encolhe 14,4%

Correio Braziliense
Sem medo e sem vergonha

Correio do Povo
RS investe para abrir leitos da Ulbra

Diário do Nordeste
Fortaleza é opção para construir carreira

Estado de Minas
Mineiro se assusta com os impostos que paga e nem vê

Extra
Condomínios da Caixa têm casas sem piso, janela e com goteira

Folha de São Paulo
Amorim já vê discórdia em relação a Obama

O Estado de S.Paulo
Censura amplia pressão pela renúncia de Sarney

Jornal do Brasil
Gripe suína expõe falhas na rede particular de saúde

O Globo
Compra de nota fiscal esconde sonegação na área da cultura

Zero Hora
Gripe A: sonhos interrompidos pelo vírus


Revistas

VejaEnfim, um herói

ÉpocaGripe suína - Como vencer a epidemia

IstoÉViver 100 anos

IstoÉ Dinheiro2010 - O ano que já começou

Carta CapitalRio - Escândalo imobiliário


Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Assistência prolongada ao desempregado está acabando

The Times (Reino Unido)
Harriet Harman: você não pode confiar nos homens no poder

Le Monde (França)
Um soldado francês e três americanos morrem no Afeganistão

China Daily (China)
Exército de Libertação Nacional objetiva a Defesa

El País (Espanha)
O Rei: "Temos que bater em suas cabeças até acabarmos com eles"

Clarín(Argentina)
O campo mantém a crítica e a briga passa para o Congresso

ENTENDENDO A OPINIÃO PÚBLICA

MERVAL PEREIRA

erval Pereira -Entendendo a opinião pública

O Globo - 01/08/2009

A crise no Senado tem produzido como efeito colateral uma discussão que já se tornou recorrente no governo Lula sobre o papel da mídia e sua repercussão na opinião pública. O presidente do Senado, José Sarney, se proclama vítima de uma perseguição dos grandes meios de comunicação, assim como fez o senador Renan Calheiros quando coube a ele enfrentar uma série de acusações que o tiraram da presidência do Senado. Quando o deputado Sérgio Moraes disse que estava "se lixando" para a opinião pública, repetia a postura de um outro deputado, Roberto Brant, que, para se livrar da cassação pela participação no mensalão, fez um discurso de defesa na tribuna da Câmara onde advertiu seus pares para que tivessem cuidado "com o monstro da opinião pública".
Pediu que pensassem "apenas no povo", no pressuposto, muito em voga no atual governo, de que a "opinião pública" representa apenas uma parcela de elite da sociedade, e não os cidadãos de maneira geral.
A tese tem respaldo no comportamento do próprio presidente Lula, que se orgulha de ter um canal direto com o povo que dispensaria a intermediação das elites, políticas ou intelectuais.
Essa posição é uma distorção da própria gênese da "opinião pública", ligada ao surgimento do Estado moderno, onde as forças da sociedade ganham espaço para suas reivindicações contra o absolutismo do reinado. A popularidade de Lula hoje lhe dá essa sensação de poder absoluto.
Daí a desqualificar a grande imprensa e querer influenciar diretamente o eleitorado, sobretudo o das regiões mais pobres do país, através dos programas assistencialistas, e a tentativa de controle da mídia regional através de verbas de publicidade, é um passo.
A tese de que as novas tecnologias, como a internet, o twitter e as redes sociais de comunicação, seriam elementos de neutralização da grande imprensa é contestada por especialistas e por pesquisas.
O jornal "The New York Times" publicou recentemente uma pesquisa, realizada por especialistas das universidades de Cornell e Stanford, que afirma que uma notícia tornase tema de um jornal impresso duas horas e meia antes de se tornar assunto dos blogs na internet, o que confirmaria a tese de que a internet é a "caixa de ressonância" da grande imprensa, de quem precisa para se suprir de informação.
O jornalista Carlos Castilho, especialista em novas tecnologias, escreveu sobre essa pesquisa no Observatório da Imprensa, mas registrou uma outra, do jornalista Bill Wasik, editor sênior da revista "Harpers", que lançou na semana passada o livro "And Then There's This" (E então isto aconteceu, em tradução livre) onde afirma que uma notícia circula com mais velocidade na internet quando "pode ser usada para reforçar a artilharia verbal de grupos em confronto".
Parece haver um consenso entre os estudiosos, como Rosental Calmon Alves, professor da Universidade do Texas, especialista em novas mídias: "Não é uma coisa ou outra, mas uma coisa e outra", diz ele, acrescentando que "a criação dessa grande praça pública onde as pessoas conversam e são ouvidas não significa que a mídia tradicional vá desaparecer.
O sistema de mídia da era industrial está se adaptando ao sistema da era digital, que é um ecossistema mais horizontal, ao contrário da verticalidade da outra época".
Ele lembra que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que levou para a campanha presidencial todos os novos instrumentos de comunicação de massa, abriu um precedente importante quando deu espaço para repórteres de blogs fazerem perguntas pela primeira vez nas entrevistas coletivas. "Mas a mídia tradicional tem precedência sempre que ele quer tratar de assuntos de interesse imediato", ressalta Rosental.
Aqui no Brasil, o próprio Lula, que se vangloria de ter um contato direto com o povo sem depender da intermediação dos grandes meios de comunicação, resolveu escrever uma coluna "O Presidente Responde" justamente para jornais.
O cientista político Alberto Carlos Almeida, autor do best-seller "A Cabeça do Brasileiro", acha que o que tem acontecido é que a mídia nacional tem pautado a internet mais lida. Ele considera "um caso à parte" o "Jornal Nacional", da Rede Globo, "que atinge todo mundo".
"Esse processo de transição não acontece do dia para a noite, e no momento que vivemos no Brasil a imprensa tem sido fundamental", diz Almeida.
Ele faz uma distinção: "A repercussão das denúncias atinge a elite política e uma parcela do eleitorado da classe média e das cidades maiores. O grosso do eleitorado tem acesso às informações através da mídia popular, onde as notícias politicas têm peso relativo menor".
Isso acontece, segundo sua interpretação, pelo peso que o cidadão dá aos acontecimentos."
No Nordeste, como o cidadão é mais pobre na média, dá menos peso à crise do Senado, por exemplo, na avaliação dele do governo. Nas cidades mais dinâmicas, o eleitor já está mais atento a certos valores morais e éticos.
Uma soma de mensalão e denúncias da imprensa mais o Bolsa Família mudou o perfil eleitoral do Lula", analisa.
Já Miguel Darcy de Oliveira, que trabalha com redes de ONGs em comunidades carentes, não crê que se possa falar num contraste rígido entre "uma opinião pública minoritária e uma maioria de desinformados e deseducados".
De alguma maneira, diz ele, a informação alcança um grande número, e exemplifica com a votação de Gabeira para prefeito do Rio que foi "muito além das faixas bem informadas da população".
Da mesma forma, diz ele, "os altíssimos índices de aprovação de Lula tampouco podem ser atribuídos à falta de informação da população".Miguel Darcy de Oliveira acha que "o desafio é entender como a informação chega aos deseducados e é por eles processada". (Continua amanhã)

A SAIDA DA CRISE PELA PORTA DA FRENTE

VILAS-BOAS CORRÊA

JORNAL DO BRASIL 01/08/2009


A primeira fase da crise ética do Senado está nos seus estertores diante da evidência que a campanha eleitoral não pode começar, na etapa preliminar da definição das chapas e das convenções partidárias, neste clima de bagunça, de troca de insultos e representações no Conselho de Ética contra o senador José Sarney (PMDB-AP), para forçar a sua renúncia ou a derrubada da presidência do Senado.
Alguns sinais no horizonte indicam a transa dos bastidores para abrir uma brecha na muralha da insensatez para a articulação de uma fórmula de entendimento que desarme os dois lados, para que o desmoralizado Congresso vote projetos do interesse do governo e dos candidatos, com a liberação de verbas para a continuação da gastança.
Em ginga de corpo para driblar a oposição e confundir a bancada governista, o presidente mudou o tom dos seus improvisos e declarações aos repórteres, para afirmar que a crise do Senado não é um problema dele, mas do próprio Senado.
Uma aparente cambalhota, que tem a sua singela decifração. O presidente não está abandonando o seu aliado Sarney às traças: abre a portinhola dos fundos para uma trégua. Os senadores petistas reagiram ao enquadramento na tática lulista para garantir votos da oposição com as sucessivas declarações de apoio à permanência de Sarney na presidência do Senado. Antes de uma rachadura suicida, o presidente deu uma no cravo e outra na ferradura.
Para os rebeldes petistas, o recado do dar o dito pelo não dito: "Não é um problema meu. Eu não votei para eleger o senador José Sarney presidente do Senado. Nem votei para ser senador pelo Maranhão ( Sarney é senador eleito e reeleito pelo Amapá), nem votei no Temer, no Arthur Virgílio, não votei para ninguém. Votei nos senadores de São Paulo". E um final que soou como um samba de Cartola aos ouvidos petistas: "Quem tem que decidir se o presidente Sarney continua presidente do Senado é o Senado, que o elegeu".
Em outra das muitas entrevistas, Lula cutucou o Legislativo a trabalhar para que o país não seja prejudicado com o atraso na aprovação de projetos importantes. No Senado, muitos se preocupam com o agravamento da crise, enquanto a Câmara anda de banda. O alinhavo por baixo do pano pode criar um impasse que paralise o Conselho de Ética, engasgado com o excesso de uma dúzia de pedidos de investigação de denúncias contra o presidente José Sarney. Na reunião prevista para terça-feira, o presidente do Conselho, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), não sabe como distribuir os pedidos de investigação que, até segunda devem passar de 15. E a oposição suspeita que Paulo Duque pretende arquivar o pacote de todas as representações.
Como o prazo está encurtando, o Senado terá de encontrar uma solução urgente antes de atravessar o beco, pois é de uma evidência solar que este Congresso não tem credibilidade, não inspira a menor confiança para a saída única para a crise crônica que se agrava a cada dia
O modelo que nasceu torto, caducou. E antes de qualquer proposta sofisticada, o Legislativo tem que enfrentar o desafio de saltar o muro das mordomias, das vantagens, da verba indenizatória e de várias outras regalias indefensáveis, como a verba para a contratação de três dezenas de assessores para os gabinetes individuais de senadores e deputados, das quatro passagens aéreas semanas para o fim de semana nos lençóis domésticos, quando têm à disposição, em Brasília, apartamentos mobiliados ou a verba para pagar a diária dos hotéis.
É uma tolice acusar de inimigos de Brasília os que criticam os abusos dos que desmoralizam a capital inaugurada antes de estar pronta e que nunca conseguiu extirpar a praga das mordomias, criadas para vencer as resistências dos que se recusavam a mudar com a família para a cidade em obras no ermo do cerrado.
Na campanha eleitoral de 2010, este será um tema inevitável no debate sobre a crise crônica dos três poderes, viciados nas mordomias, e que no Congresso passou dos limites na sequência de escândalos que corroeram a sua credibilidade.
Para o doente desenganado, apela-se para todos os recursos. O Congresso não pode ser tratado com doses homeopáticas de despistamento. O eleitor não pode esquecer que sem Congresso e liberdade de imprensa não há democracia

1 de agosto de 2009

GOVERNISTAS TENTAM CONVECER SARNEY A RENUNCIAR

GABRIELA GUERREIRO

da FOLHA ONLINE, em Brasília


Governistas trabalham nos bastidores para convencer o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a renunciar ao cargo caso o peemedebista decida realmente se afastar do comando da Casa Legislativa. A base aliada do governo no Senado quer evitar que, numa eventual licença temporária de Sarney, a oposição fique com a presidência da Casa por até 120 dias.
O regimento interno do Senado prevê que, se Sarney se licenciar temporariamente da presidência, o cargo será ocupado pelo primeiro vice-presidente, senador Marconi Perillo (PSDB-GO). A renúncia, ao contrário da licença, obriga a realização de uma nova eleição na Casa no prazo máximo de cinco dias --o que permite a escolha de um nome ligado ao Palácio do Planalto para o cargo máximo do Legislativo.
A preocupação dos governistas é evitar que o PSDB, principal rival do PT nas eleições de 2010, prejudique a aprovação de projetos importantes para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se ficar no comando do Legislativo. Aliados de Lula já deram inícios às conversas para eleger um nome de confiança do presidente com a eventual renúncia de Sarney.
Nos bastidores, ganha força o nome do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) para disputar a presidência do Senado com a saída definitiva de Sarney. Dornelles tem o apoio de líderes peemedebistas que sabem das dificuldades do partido para conseguir consenso dentro da bancada. Além disso, ele é considerado um parlamentar com trânsito dentro do PT e da própria oposição.
O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), ex-presidente do Senado, também é apontado como um eventual sucessor de Sarney. O peemedebista chegou a lançar seu nome para disputar a presidência da Casa, mas o PMDB optou por lançar Sarney como candidato.
Garibaldi ocupou temporariamente a presidência do Senado, depois de eleito pelos colegas para substituir o ex-presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) --que deixou o cargo em meio a cinco processos no Conselho de Ética.

Disputa
Além da disputa com a oposição pelo comando do Senado, o PMDB também vai ter que enfrentar o embate direto com o PT, caso Sarney renuncie ao cargo. PT e PMDB começaram a trocar farpas no início deste ano depois que os peemedebistas insistiram em Sarney para presidir o Senado --mesmo com o lançamento da candidatura do petista Tião Viana (AC).
Aliados no apoio ao presidente Lula no Congresso, os dois partidos deram início à disputa dentro da base aliada pelo comando do Senado. Depois da derrota de Tião para Sarney, as denúncias contra o peemedebista vieram à tona. Aliados do presidente do Senado chegaram a afirmar que grupos ligados ao petista estariam vazando informações para prejudicá-lo, o que foi negado por Tião Viana.

OPOSIÇÃO CRITICA DECLARAÇÃO DE LULA, E DIZ QUE ELE ABANDONOU SARNEY

Por GABRIELA GUERREIRO e CHRISTIAN BAINES

DA FOLHA ONLINE, em Brasília


A oposição reagiu nesta sexta-sexta-feira à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a crise no Senado não é um problema seu. Líderes oposicionistas afirmaram que Lula, ao recuar na defesa do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), agiu politicamente para evitar colar sua imagem ao peemedebista em ano pré-eleitoral."
É do estilo dele. Resolveu ficar com a sua popularidade e largou o homem ao mar. Agora o Sarney está com a tropa de choque que absolveu o senador Renan Calheiros [ex-presidente do Senado]", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
O líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN), disse que Lula tem como característica "abandonar" seus aliados quando percebe que estão perto de "naufragar" em crises políticas. "Isso parece a cena de um quadro daquele programa de TV 'Acredite se quiser'. Depois da solidariedade que ele deu ao Sarney, ele fala isso agora? O Lula tem um sentido de autopreservação", disse.
Na opinião do democrata, Lula já "abandonou" ex-companheiros como Antônio Palocci (ex-ministro da Fazenda) e Waldomiro Diniz (ex-assessor da Casa Civil) --e agora faz o mesmo com Sarney. "Na hora em que essas pessoas passaram a prejudicá-lo, ele as defenestrou", disse Agripino.
Para o senador Álvaro Dias (PR), vice-líder do PSDB, Lula agiu com vistas às eleições de 2010 para mudar o discurso sobre Sarney. "O presidente Lula, orientado por pesquisas de opinião pública, recua e diz que crise é problema do Senado. Ele interferiu indevidamente, agora cede", disse.

Defesa anterior

Antes de afirmar que não tem qualquer relação com a crise, Lula havia declarado apoio ao presidente do Senado. O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) chegou a desautorizar o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), que, em nome da bancada do partido, cobrou o afastamento temporário de Sarney da presidência.
Múcio disse que a nota emitida por Mercadante não emitia o pensamento de todos os senadores petistas.
O presidente também afirmou, no início de junho, que Sarney "tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum". O presidente ainda disse que as denúncias contra o peemedebista "não têm fim" e, ao final, "não acontece nada".
Reportagem da Folha publicada nesta quinta-feira mostra que Lula e Sarney se falaram nos últimos dias por telefone. O presidente da República insistiu em pedir que o senador não renuncie ao comando do Senado. O peemedebista disse que seu desejo é resistir, mas que para isso precisa de apoio.
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