31 de julho de 2009

MACHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais

Agora São Paulo
Idosos podem furar a fila em ações do INSS e da Justiça

A Tarde
PM volta atrás e afasta oficial que matou perito

Correio Braziliense
GDF cria força-tarefa mas escolas terão aula

Correio do Povo
Maioria das escolas particulares também prolonga as férias

Diário do Nordeste
Acidentes de trânsito no Ceará crescem mais de 13%

Estado de Minas
Saúde quer adiar a volta às aulas em uma semana

Extra
Quartéis dos Bombeiros distribuirão remédio contra a gripe suína

Folha de São Paulo
"Não é problema meu, não votei no Sarney", diz Lula

Jornal do Brasil
Escolas particulares também adiam aulas

O Estado de S.Paulo
Lula já não defende Sarney e Senado articula sucessão

O Globo
Bolsa Família aumenta mesmo sem orçamento

Valor Econômico
Minoritários terão poder de veto em incorporações

Zero Hora
Hospital libera Tamiflu e abre polêmica na guerra à gripe A

Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Banqueiros gastaram em bônus durante crise

The Washington Post (EUA)
No Afeganistão, EUA podem mudar estratégia

The Times (Reino Unido)
Isso vai me devolver a vida, vitória do direito de morrer

The Guardian (Reino Unido)
Sinto que tenho minha vida de volta - vitória do direito de morrer para Purdy

Le Figaro (França)
Os benefícios da alimentação orgânica em questão

Le Monde (França)
FMI lança vasto plano de ajuda em favor dos países mais pobres

China Daily (China)
Trials for riot suspects set for AugustJulgamento de suspeitos do tumulto deve ocorrer em Agosto

El País (Espanha)
ETA assassina dois guardas civis em Mallorca em plena ofensiva terrorista

Clarín (Argentina)
Há disputas no Governo pela baixa nas retenções

O RETORNO

Antecipamos o retorno.
As condições climáticas, frio e chuva transformaram nossas férias.
Sem opções, entedemos melhor retornar

13 de julho de 2009

FÉRIAS



Julho é por tradição o mês de férias de meio de ano no Brasil. Por essa razão vamos aproveitar esse período para descansar com a família.
Estaremos fora do ar, em recesso a partir dessa 2ª feira (13.07) e até a última sexta feira do mês (31.07). Retornaremos então no dia 01 de agosto.

12 de julho de 2009

BOLSA IPI CUSTARÁ 11 ANOS DE SENADO

DE ELIO GASPARI

FOLHA DE SÃO PÇAULO 12/07/2009


ÁGUA MOLE em bolso alheio tanto bate até que fura. Em março passado, os interessados na criação da Bolsa IPI tentaram contrabandear numa medida provisória que perdoava pequenas dívidas com a Receita a concessão de um crédito tributário de 15% sobre o valor de todas as exportações de mercadorias feitas até dezembro de 2002. Não houve acordo com o G8 da Câmara e morreu na praia uma emenda que estava no Senado. O G8 é um buquê de caciques de todos os partidos. Às vezes tem oito barões, mas pode ter tantos quantos forem necessários.
Na terça-feira, com o beneplácito do Ministério da Fazenda, os senadores ligaram o “gato” da Bolsa IPI na corrente da MP do programa Minha Casa, Minha Vida, destinado a famílias com renda de 3 a 5 salários mínimos. Desta vez o drible deu certo. Ele foi armado em sucessivas reuniões de empresários, sábios da ekipekonômica, pelo menos um ministro do STF e parlamentares, tanto da base do governo como da oposição. A emenda usada para encaixar o contrabando era da senadora tucana Lúcia Vânia. Como se fossem passageiros do Oriente Expresso, todos esfaquearam a Viúva.
Técnicos da Receita estimam que o contrabando aprovado pelos senadores custe R$ 220 bilhões, dinheiro suficiente para construir 1,5 milhão de imóveis de R$ 150 mil para o Minha Casa, Minha Vida. Noutra conta, seriam apenas R$ 31,4 bilhões, ou 210 mil casas. O “gato” vai para a Câmara.
Trata-se de um litígio que espera julgamento no STF. A boa educação sugeriria que se esperasse a decisão da corte. Se há pressa, ou interesse em fazer um acerto de contas fora do tribunal, o professor Guido Mantega poderia redigir uma nova MP, tratando só do crédito de IPI, sem contrabando. No mérito, os empresários podem ter o direito dos anjos mas, no método, tiveram a dissimulação dos demônios.
Em tempo: o Senado custa à Viúva R$ 2,7 bilhões anuais. Com o dinheiro da Bolsa IPI, no barato, seria possível dar mandatos de 11 anos aos 81 senadores, mantendo todos os empregos das parentelas e dos agaciéis. Se os R$ 220 bilhões calculados na Receita fazem sentido, o benefício valeria por 81 anos. Assim, o Senado se tornaria vitalício e hereditário.

MURO TOTAL
O PSDB corre o risco de desaparecer. Parece piada, mas as cartas de seu suicídio estão na mesa.
Até hoje José Serra não disse que é candidato a presidente da República. Admita-se que ele prefira tentar uma reeleição certa para o governo de São Paulo, esquivando-se pela segunda vez de um confronto que pode levá-lo ao sol e ao sereno da derrota. Nesse caso, a vaga seria de Aécio Neves. E se ele preferir uma eleição certa para o Senado?
Nas comemorações dos 15 anos do Plano Real, os grão-tucanos organizaram eventos e desfilaram seu notáveis com tamanha nostalgia que pareciam barões do Império festejando, em 1903, os 15 anos da Abolição.

MADAME NATASHA
Madame Natasha adora os artigos do professor Celso Lafer. Enquanto os lê, pratica o passatempo de contar as citações que o ex-chanceler faz de Norberto Bobbio, de Hanna Arendt e de si próprio.
A senhora concedeu uma de suas bolsas de estudo a Lafer, membro da Academia Brasileira de Letras, para curá-lo de uma propensão ao anarcoglotismo.Numa só entrevista, ele falou em português, inglês e italiano.
Coisas assim:“É preciso equacionar a complexidade da agenda internacional identificando alguns clusters de temas”. Poderia ter dito “conjunto de temas”.“High politics” is o mesmo that “alta política”.Natasha teve dificuldade para entender o professor quando ele disse que na Itália a Igreja Católica cobra “a recapitalização do prestígio do governo”.Madame acha que ele quis dizer “recuperação do prestígio do governo”.

A BANCA TEM UM FRACO PELO STF EM FÉRIAS

Em dezembro passado, às vésperas do recesso do Supremo Tribunal Federal, a banca tinha pronto um pedido de liminar contra uma jurisprudência do STJ, que mandava devolver às vitimas do Plano Verão o dinheiro tungado nas suas contas de poupança, por ordem do governo. Quem tinha mil cruzados novos numa caderneta em 1989 poderá vir a receber, na média, uma compensação de R$ 610. Os bancos dizem que a decisão do STJ custaria R$ 100 bilhões aos seus cofres. Noutra conta, seriam R$ 29 bilhões.
Com o recesso de fim de ano, o pedido iria para a mesa do ministro Gilmar Mendes. Caso ele concedesse a liminar, o tribunal pleno só julgaria o caso em fevereiro. O presidente do Supremo não julgou o pedido e, em março, ele foi negado pelo ministro Ricardo Lewandowski.
A banca tivera nove anos para entrar com o pedido, mas resolveu fazê-lo, sem sucesso, no lusco-fusco do recesso. Pois não é que tentaram de novo? Na quarta-feira, com o STF em férias, repetiu-se o lance, com outro tipo de recurso.
Não se sabe por que, mas os banqueiros têm um fraco pelo Supremo em férias. Perderam tempo, pois Gilmar Mendes decidiu que ele só venha a ser apreciado depois das férias, pelo ministro Lewandowski e pelo tribunal pleno.
Falhou a lei de Gentil Cardoso. Quem se deslocou não recebeu e quem pediu não teve preferência.

VOLTAS DA VIDA
Em 2002, durante o golpe fracassado contra Hugo Chávez, o diplomata americano Hugo Llorens, estava no olho do furacão, trabalhando na assessoria de segurança nacional da Casa Branca. Ele era o responsável pela região andina.
Agora Llorens é o embaixador americano em Tegucigalpa, deu guarida à família do presidente Zelaya e foi para a linha de frente da reação ao golpe.
Em setembro, quando o embaixador chegou a Honduras, Zelaya fez demagogia à sua custa, recusando-se a recebê-lo para a entrega de credenciais, em solidariedade ao presidente Evo Morales, que expulsara o embaixador americano da Bolívia.

EREMILDO, O IDIOTA
Além de cretino, Eremildo é doutor em anedotas e champanhota. Ele se assombrou com Enrique Cortez, o então chanceler do governo golpista de Honduras que chamou o companheiro Obama de “negrinho que não sabe nada”.
O doutor desculpou-se dizendo que “a expressão não teve, de nenhuma forma, uma intenção ofensiva”.
Eremildo é um idiota, mas acha que Cortez agravou o insulto, pois só não haveria intenção de ofender Obama se ele pudesse sustentar que os negrinhos (todos eles) não sabem de nada.

ALEGRIA NO CIRCO
A Câmara aprovou um mecanismo que permite aos cidadãos em trânsito no território nacional votar na eleição do presidente da República.
Os doutores haviam esquecido que os brasileiros residentes no exterior podiam votar.Essa inovação legislativa deve ser creditada a um cidadão do Rio de Janeiro, o palhaço profissional Biriba que, apresentando-se pelo Brasil afora, chegou aos 60 anos sem jamais ter votado para presidente

SENADORES INFLAM GABINETES COM AFILHADOS POLÍTICOS

MANCHETE DA FOLHA DE SÃO PAULO


Oito a cada 10 assessores no Senado, são indicados políticos
De cada 10 funcionários dos gabinetes do Senado, 8 são indicações políticas sem concurso público.
Fazem parte desta legião ex-prefeitos, deputados e vereadores que não se reelegeram, candidatos derrotados e integrantes das máquinas partidárias. Rejeitados nas urnas, são transformados em assessores parlamentares.Os servidores comissionados (sem concurso público), muitos com perfil político, representam 83% dos funcionários lotados em gabinetes, aponta levantamento feito pela Folha com base em dados do Senado na internet. Eles são hoje a principal explicação para o inchaço na folha de pagamento.
403 "chefes" do Senado têm extra de R$ 1.615
As então 181 diretorias no Senado causaram espanto há quatro meses, mas passou despercebida a existência dos 403 "chefes de serviço", recebendo gratificações especiais de R$ 1.615 para cuidar de elevadores, telefonia celular, assistência elétrica, concessão de vistos e passaportes e entrega de pacotes, entre outros.
Destes, 110 (27%) são os únicos funcionários lotados nas suas próprias chefias. A Folha identificou dois casos de "chefes de si mesmo", que não têm a quem comandar. Outros são responsáveis por chefiar funcionários terceirizados.

Lobão emprega namorado de neta de Sarney

O namorado da neta do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), é funcionário do Ministério de Minas e Energia. Estudante de direito, Luiz Gustavo Amorim namora Rafaela Sarney, filha adotiva da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB).
Há quatro anos a pasta é dominada por Sarney. Em 2005, ele indicou Silas Rondeau, que só deixou o cargo após ser citado na Operação Navalha da Polícia Federal. No começo do ano passado, o senador Edison Lobão (PMDB-MA) assumiu o ministério. Foi ele quem empregou Gustavo, nomeado em fevereiro de 2008.
Comissão irá administrar terceirizados
Uma comissão formada por nove funcionários efetivos do Senado vai administrar os contratos de terceirização de serviços firmados entre a Casa Legislativa e três empresas que envolvem 1.500 funcionários terceirizados. A decisão foi tomada na terça-feira da semana passada e informada anteontem pelo diretor-geral-adjunto, Luciano de Souza Gomes.
A Comissão Permanente de Gestão de Contratos vai responder pelos contratos do Senado com as empresas Plansul, Aval e Adservis.

CRISE, QUE CRISE?

Por LUIZ CARLOS AZEDO com A COLABORAÇÃO DE GUILHERME QUEIROZ


Correio Braziliense - 12/07/2009
Crise no Senado
Para o Palácio do Planalto, apesar das novas denúncias, a crise política no Senado acabou. Embora senadores da base aliada (leia-se, do PT) ainda tentem jogar para a arquibancada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu restabelecer o bloco de apoio governista na Casa ao reaproximar as bancadas do PMDB e do PT. Com isso, a possibilidade de afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), teria sido de fato sepultada.
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O desgaste do ex-presidente da República no cargo, em razão das denúncias de clientelismo e patrimonialismo contra ele e seus familiares, é outro problema que caberia a ele administrar ao longo do mandato. Nada impede que novos fatos desgastem Sarney ainda mais. Porém, segundo o Planalto, não seriam capazes de desestabilizar a aliança PMDB-PT.
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Lula avalia que o velho cacique maranhense não renunciará. Isso fragilizaria a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), sua filha, e o empresário Fernando Sarney, seu filho mais velho. Além disso, PSDB e o DEM, na luta para apeá-lo do cargo, também foram chamuscados por denúncias.
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Ser ou não
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), aliado de José Serra, vive um drama shakespeareano. Responsável pelo principal palanque da oposição no Nordeste, não decidiu se será candidato contra o governador Eduardo Campos (PSB). Caciques da oposição pernambucana, os senadores Marco Maciel (DEM) e Sérgio Guerra (PSDB) e o deputado Raul Jungman (PPS) não sabem o que fazer.

TRANSPARÊNCIA

MERVAL PEREIRA

O GLOBO 12/07/2009

Na análise do cientista político Octavio Amorim Neto, da Fundação Getulio Vargas do Rio, a crise atual que envolve a Câmara e o Senado "tem mais a ver com a transparência de algumas decisões de gasto, e com a destinação de alguns gastos", do que com o nível geral destes. Nosso modelo de Legislativo, lembra, combina "um papel relativamente importante das comissões no fazimento das leis e uma grande demanda por serviços a serem prestados pelos congressistas em vastas circunscrições eleitorais (os estados), com grandes populações".
Tudo isso gera gastos que precisam ser devidamente subvencionados pelo erário público, e Octavio Amorim Neto acha que o Brasil, "uma nação de renda média, é capaz de arcar com os custos do tipo de Congresso".Por isso, diz ele, devemos estar preparados para despender "uma boa quantidade de recursos com o Poder Legislativo".Em 2007, estudo da Transparência Brasil demonstrou que, excetuandose o Congresso dos Estados Unidos, o Congresso brasileiro é o mais caro num conjunto de dozes países em termos absolutos.Claudio Weber Abramo, presidente da ONG, lembra que quando se levam em conta as disparidades de custo de vida e nível de renda dos diversos países e se ponderam os montantes conforme a renda per capita, "a população brasileira é a que mais paga para manter o Congresso entre todos os países examinados".Um estudo mais recente demonstra que "considerandose salários, benefícios e cobertura de custos com assessores, o Brasil supera os gastos de todos os sete países examinados". E quanto à transparência dos atos? Abramo diz que a pesquisa da Transparência Brasil mostrou que, com relação à política de contratação de assessores e consultores, não há paralelo, em países da América Latina, da Europa Ocidental ou nos Estados Unidos, com o que ocorre no Brasil: "Montantes elevadíssimos de recursos públicos são dirigidos, sem qualquer critério ou controle, à contratação de assessores, os quais, na virtual totalidade das vezes, não passam de cabos eleitorais pagos com dinheiro público".Também a contratação de consultores é submetida a filtros mais rigorosos em outros países, diz o estudo da Transparência Brasil. No caso brasileiro, as contratações se fazem contra a apresentação de notas fiscais que, lembra Abramo, "até recentemente, eram mantidas em segredo, sem possibilidade de controle independente".Depois dos recentes escândalos, a prestação de contas da verba indenizatória de R$ 15 mil que cada senador ou deputado tem direito estão sendo exibidas na internet, ao contrário, por exemplo, dos Estados Unidos, onde o Senado e a Câmara divulgam cópias em imenso volumes, mas não exibem eletronicamente os gastos.Recentemente, o "Wall Street Journal" analisou "milhares de páginas" e descobriu gastos que parecem comuns, como impressos e correio, mas o deputado Howard Berman parece ter exagerado: gastou U$ 84.000 para fazer calendários personalizados para seus eleitores, impressos na Sociedade Histórica do Congresso.Também Rahm Emanuel, que renunciou à sua cadeira para se tornar chefe de gabinete da Casa Branca de Obama, gastou nada menos que U$ 33.000 em impressos no último trimestre do ano, ocasião em que aumentam os gastos para que a verba anual seja gasta o máximo possível, pois não acumulam.Cerca de cem deputados estão relacionados a financiamentos de automóveis, de vários tipos, que alegam ser para seu trabalho. A única certeza é de que eles terão que devolver os automóveis, assim como produtos eletrônicos que compram com a verba indenizatória, ao final dos mandatos.Ao contrário dos parlamentares americanos, os ingleses podem gastar a verba com despesas pessoais, mas os abusos foram tão grandes que o presidente da Câmara dos Comuns britânica, Michael Martin, renunciou mês passado, primeira vez em três séculos que isso acontece.Ao contrário de Sarney, o inglês Martin assumiu para si o desgaste de atitudes de diversos deputados, que também deixaram o Parlamento, depois que gastos pagos com dinheiro público para compras de móveis para residências dos políticos, ou para pagar juros de hipotecas, e até reembolso para comida de cachorro apareceram em reportagens de jornais britânicos.O cientista político Octavio Amorim Neto acha que o custo do Congresso tenderá a ser sempre "maior do que o razoável enquanto os partidos de orientação mais programática brigarem entre si e preferirem se aliar a agremiações de cunho mais clientelista para formar maiorias governativas".Essas alianças, destaca, são sempre uma opção política "com desvantagens facilmente identificáveis, não uma imposição da realidade.Ou seja, se quisermos reduzir aquele custo, a cidadania deve lutar não apenas por mais transparência, mas também exigir maior coerência nas escolhas dos seus governantes".O presidente da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, não tem dúvidas de que os congressistas brasileiros são os que mais pesam no bolso do contribuinte."Os custos diretos anuais incorridos por cada senador brasileiro correspondem a mais de oitenta vezes a riqueza média produzida por cada habitante do país ao longo de um ano. Para os deputados, o custo direto é quase setenta vezes o PIB per capita".Pelas contas da ONG, cada deputado brasileiro custa para o cidadão duas vezes mais do que seu correspondente norte-americano, 5,5 vezes mais do que um alemão, seis vezes mais que um francês e 6,5 vezes mais do que um britânico.
Postado por ARTIGOS às 1:13 AM

A GALINHA DE ESOPO

GUDÊNCIO TORQUATO

O ESTADO DE S PAULO 12/07/2009
viúva tinha uma galinha que punha um ovo a cada dia. Imaginou que, comendo mais cevada, a bichinha botaria dois ovos por dia. Aumentou-lhe a ração. A galinha tornou-se gorda, muito gorda. Por isso, não foi mais capaz de pôr nem o ovo cotidiano. Quem ambiciona cada vez mais perde até mesmo o que possui. É isso que ensina Esopo em sua fábula. Pois bem, a galinha é o PT. De tanto engordar, com a cevada que lhe é dada, todos os dias, pelo dono do galinheiro, o presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores perdeu aquilo que lhe era mais precioso: o ovo ideológico. Pode ser que a cozinha petista delicie seus milhões de comensais com o menu à base do galináceo. Mas, convenhamos, o farto repasto deixou de ser um prato que já foi considerado o mais diferenciado do banquete partidário nacional. A pimenta-malagueta, toque peculiar dos tempos em que mestres-cucas caprichavam na culinária, foi trocada por vinagre adocicado. Do bornal partidário saem alimentos inodoros, incolores e insossos. Iguais aos servidos em mesas triviais.
A mais evidente demonstração da sensaboria petista é o enquadramento imposto por Lula à bancada no Senado em relação ao senador José Sarney, apesar da negativa do partido em nota oficial. Alguns senadores se inclinavam a pedir a licença temporária do presidente da Casa. Refluíram na intenção, obrigando o líder do partido, senador Aloizio Mercadante, a proferir um dos mais ambíguos discursos de sua vida, algo que flutuou entre o ser e o não ser, o ir adiante e o voltar, a inequívoca necessidade de mudar e a insuperável vontade de ficar no mesmo lugar. Na oratória, o que faltou em substância sobrou em entonação vocal, sugerindo compensação entre o conteúdo (tênue) e a forma (volumosa). É evidente que o PT preza, e muito, a cevada que recebe do presidente Lula. Tem sido a principal vitamina para sua expansão no território nacional, ou melhor, para a fixação de estacas nos grotões do País, a partir do Nordeste, onde tira votos de grandes partidos, como o DEM e o próprio PMDB.
A reconstrução do partido com argamassa pasteurizada tem como justificativa, para lembrar a peroração de Mercadante, a preservação da governabilidade. Em termos claros, significa correr ao balcão da compra e venda de produtos com o selo do pragmatismo. Nesse caso, o vendedor é o PMDB, a mais poderosa sigla nacional, que reúne os maiores contingentes de prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais e senadores. Fica claro que uma sólida aliança com ele propiciará a capilaridade necessária a uma campanha política, além de agregar o maior tempo de rádio e TV na programação eleitoral. Trata-se de decisão oportuna, até porque o passado mostra que um dos maiores erros de Lula foi vetar o acordo firmado ao final de 2002, antes de iniciar seu primeiro mandato, entre o PT e o PMDB. Com frouxo apoio no Congresso, foi difícil ao governo aprovar matérias de seu interesse. De lá para cá, o presidente repaginou a identidade. Deixou de exibir o traje de torneiro mecânico do ABC paulista para explorar a origem nordestina. Plantou sementes que lhe dão frutos nas searas das classes sociais. Sedimentou o lulismo, cujo ideário se inspira no pragmatismo, e destroçou os esquadrões petistas que teimavam em ir à luta com os velhos canhões ideológicos. Ou, para usar a linguagem desta era argentária, o verbo curvou-se às verbas.
O PT mudou de tom, mas alguns de seus filiados ainda piam à moda antiga. Um deles é o senador Tião Viana (AC), ao carregar nas tintas da revista Veja com expressão lamentosa: Lula "deixa uma grande frustração no que se pensava ser uma de suas maiores habilidades - a política partidária. Nada fez para evitar a desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes de sua posse". Não há sofisma. Ele afirma, com todas as letras, que Lula expressa um retrocesso no modo de fazer política. Mesmo debitando as palavras à dor de cotovelo com a derrota para Sarney na eleição para a presidência do Senado, Viana não poderia ser mais contundente. O presidente, porém, fez que não ouviu. Do alto da fama - nacional e internacional -, chama o PT à ordem unida. Haverá preço por um alinhamento inspirado no mais salgado conservadorismo? Sim. O voto de opinião poderá ser desviado da bancada do PT. Dos 12 senadores do partido, 9 tentarão um novo mandato em 2010. Já a bancada petista na Câmara tentará exibir a bandeira de verbas destinadas às regiões. O PT é quem mais instrumentaliza o Orçamento. Nos territórios eleitorais desenvolvidos, candidatos buscarão explicar a geleia em que se transformou a entidade. A tarefa não será fácil. Sobrará para eles a confiança de que o prestígio do presidente da República lhes propiciará vitória fácil. Nos grotões, é provável um arrastão eleitoral sob empuxo do assistencialismo. Lula exerce, ali, o coronelato mais estrelado.
O ônus mais pesado do PT estará no Sudeste, onde o partido perde força a cada pleito. Desfigurado e a cada dia comprometido com manchas constantes que sujam o tecido político, a sigla da estrela terá dificuldades para resgatar a margem histórica de 30% de votos em São Paulo. Mas a carga negativa, como crê o onipotente Lula, não terá o condão de influir na contabilidade global da sigla. Para tanto usará o apelo econômico - programas de motivação e incentivo como os de casas populares e redução de IPI -, ao lado da retórica triunfalista de nação que resistiu bravamente à crise. Na condição de popstar, acreditando tanto na onisciência a ponto de pregar que Sarney não deve ser tratado como um ser humano normal, Luiz Inácio incorpora a identidade do homem providencial. Na hora certa, chega para atenuar a tempestade sobre o Senado. Só ele tem o poder de trocar a cor vermelha do PT por um painel furta-cor e transformar lobos em cordeirinhos. Ninguém duvide se for capaz de fazer a galinha gorda de Esopo botar dois ovos por dia.

DIAS DE EQUILIBRISTA

DORA KRAMER


O ESTADO DE S PAULO 12/07/2009

Vestido na saia justíssima que o presidente Luiz Inácio da Silva encomendou para a bancada do Senado, o PT tem sido obrigado a se equilibrar entre as conveniências imediatas do governo e os planos eleitorais de um partido que daqui a 14 meses joga o seu destino em votos.
É um serviço complicado e, sobretudo, mal compreendido. E pior, com tarefas até mais difíceis que sustentar a insustentável majestade do presidente do Senado, José Sarney, a serem cumpridas daqui até a eleição de 2010. O líder no Senado, Aloizio Mercadante, reconheceu numa frase dita lá pelo meio de um dos vários discursos para justificar o vaivém do partido no caso de Sarney, que "o PT não tem como sair bem dessa história".
É uma impressão generalizada dentro do partido. Assim como é consenso entre os petistas que o resultado da prova foi desastroso, mas que não havia outro jeito a não ser atender aos ditames do presidente da República, a única voz de comando e fonte de poder em torno da qual se reúne o PT.
O dilema posto era o seguinte: se rifasse Sarney, o PT teria o aplauso imediato do eleitorado, mas se arriscaria a criar um pretexto para o PMDB aumentar a força da faca que mantém permanentemente apontada para o peito do governo.
Ao aceitar servir de muro de arrimo – até porque não teria como romper com o presidente, pois dele emana seu poder –, assume um desgaste de pronto, mas aposta na estabilização da aliança política com efeitos benéficos mais adiante. Na sustentação à candidatura de Dilma Rousseff, por suposto.
Mas a questão é até que ponto vale o sacrifício de uma aposta que, em se tratando de PMDB, é sempre um salto no escuro. Qual o maior prejuízo, o político ou o eleitoral? E as perdas decorrentes deste, não podem anular os eventuais ganhos daquele?
Na avaliação de petistas mais pensantes que diletantes esse tipo de balanço não caberia fazer no caso. Na visão deles, sem saída. Embora considerem que o "zigue-zague" foi mal conduzido. Já sobre outros equilibrismos a que o PT será submetido, há divergências em relação ao que o presidente Lula considera a melhor solução.
Lula, por exemplo, está convencido de que vale a pena o PT abrir mão de disputar governos de estados importantes em favor dos candidatos do PMDB. Sob o seguinte argumento: é mais importante o PT apostar na eleição de uma grande bancada parlamentar, principalmente de senadores, do que conquistar governos de estados, já que a tendência dos governadores é sempre a de se compor com o Planalto por razões administrativas.
Embora o raciocínio faça sentido em tese, na prática as coisas não são tão esquemáticas. Primeiro, porque se, em princípio, a cessão de direitos ao PMDB seja um fator de harmonia, torna o PT ainda mais refém do parceiro. Em segundo lugar, nada assegura a submissão automática dos governadores. Em terceiro, a disputa eleitoral e a conquista de espaços de poder é a razão de ser de um partido que se pretende influente. Em quarto lugar, há as vontades partidárias regionais às quais nem sempre a direção nacional tem condições de se impor. O trauma da intervenção nacional no PT do Rio de Janeiro, que dizimou o partido no estado, está vivo em todas as mentes.
E finalmente, e mais importante, a receita acima só dará bom prato se o PT ganhar a Presidência da República. Se perder, terá posto seu patrimônio nas mãos do PMDB para vê-lo, ato contínuo, aderir ao adversário vencedor.
Escola
Os senadores Arthur Virgílio e Heráclito Fortes criticam quando o presidente Lula confunde crítica com agressão, relatos jornalísticos com conspiração, mas navegaram as mesmas águas ao reagir na sexta-feira contra reportagem da revista inglesa The Economist sobre a "casa de horrores" em que se transformou o Senado brasileiro.
Fortes chamou a revista de "elitista e preconceituosa" e pediu aos jornalistas respeito "à autonomia dos países". Virgílio se juntou a ele lembrando acontecimentos recentes no parlamento britânico que revelaram "práticas típicas de países que não chegaram ao desenvolvimento democrático pleno". Se o soneto do Senado reproduzido pela revista já é ruim, muito pior ficou a tentativa de emenda dos nobres senadores.
Abre de novo espaço à comparação entre a maneira inglesa e o modo brasileiro de os parlamentares lidarem com suas mazelas. Sem falar na natureza jeca da patriotada. Lá, o presidente da Câmara dos Comuns afastou-se aos primeiros acordes do escândalo de gastos irregulares, verbas extras e auxílios indevidos pagos a seus pares. Sem ter sido envolvido em denúncia alguma, mas por ter se oposto à liberação de informações sobre os gastos. Ficou com a pecha de defensor dos abusos e, por isso, renunciou. Aqui, nem certidão de culpa passada em cartório do céu consegue demover uma só excelência de continuar agarrada às benesses paradisíacas do cargo.

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais


Agora São Paulo
Autonomo pode escolher entre três formas de contribuição

Correio Braziliense
Brasília cresce mais que o país na crise

Correio do Povo
Perigo e preocupação junto às rodovias

Diário do Nordeste
Fortaleza não está preparada para receber o turista

Estado de Minas
Mais motivos para BH celebrar a liberdade

Extra
PAC da prefeitura levará obras e até cinema para oito favelas

Folha de São Paulo
Indicação política incha gabinete de senadores

Jornal do Brasil
Guerra do tráfico vira jogo no Orkut

O Estado de São Paulo
Curso revela fraude em Fundação Sarney

O Globo
Brasil já comercializa e consome 'drogas legais'

Zero Hora
40 anos depois: a maior aventura da humanidade

Revistas

Veja
A geração sem idade

Época
Dá para ser feliz no trabalho?

IstoÉ
Sexo no casamento

IstoÉ Dinheiro
De porteiro de escola a bilionário do ensino

Carta Capital
A Satiagraha atinge o alvo


The New York Times (EUA)
Cheney está envolvido no encobrimento do Projeto CIA

The Sunday Times (Reino Unido)
Trabalhistas discutem com o Exército enquanto mortes no Afeganistão aumentam

The Observer (Reino Unido)
Gordon Brown planeja aumentar as tropas no Afeganistão

Le Monde (França)
Para Mélenchon, o pedido de reunião de Aubry "cheira a jogo duplo"

China Daily (China)
Amizade, unidade prevalece apesar da violência

El País (Espanha)
Catalunha diz"sim" ao sistema de financiamento autônomo

Clarín (Argentina)
Segundo Igreja, pobreza cresceu e está em torno de 40%