11 de julho de 2009

O DIA DEPOIS DE AMANHÃ

DORA KRAMER

O ESTADO DE SÃO PAULO




Seja qual for o rumo da crise em curso - sustentação de José Sarney em andrajos ou eleição de um presidente-tampão - a maioria dos senadores já dá por perdida a atual legislatura. Não há, reza a avaliação preponderante, a menor possibilidade de recuperação de imagem.
Não apenas porque o descrédito é muito profundo, mas, sobretudo, pela ausência de um centro de equilíbrio capaz de arbitrar uma solução e conduzir o Senado ao reencontro da harmonia interna e da confiabilidade externa.
A cena retratada esta semana em primeira página onde o senador Tasso Jereissati aparece de dedo em riste, batendo boca com o colega Eduardo Suplicy em plenário, é emblemática.
Tanto quanto a figura, o discurso e os gestos de José Sarney materializam a síntese do atraso, a fotografia de Jereissati e Suplicy traduz, na essência, a desorientação.
Constatada a perda e a ausência de instrumentos para construir uma virada - impossível, dada a atual correlação de forças em que a hegemonia é referida no passado - resta apostar no futuro, na renovação de dois terços dos mandatos dos 81 senadores em 2010.
Os mais perspicazes já atuam nessa lógica, convencidos que estão de que o eleitor votará segundo um critério de nítida divisão entre os que representam o "velho" e os que se identificam com as demandas de um "novo" Senado.
Não por outro motivo a bancada do DEM abandonou tão rapidamente a condição de aliada de José Sarney e assumiu a defesa do seu afastamento do cargo.
Isso não tem nada a ver com o jogo eleitoral de candidaturas, conforme alegam Sarney e o governo. O critério valeu na recusa do DEM em apoiar um candidato do PT, Tião Viana, para a presidência do Senado. Mas, a crise fez a coisa mudar de figura. Agora, o que vale é relação com o eleitorado, a sobrevivência política de cada senador.
O DEM, bem como o PSDB, o PT, o PDT ou qualquer outro à exceção do PMDB, têm perfeita noção de que o episódio Sarney delimita terrenos. Quem fica com ele, diante da opinião pública corrobora os vícios que ela já não aceita. Quem se afasta, manda um recado de que captou a mensagem a respeito do castigo à espreita mais adiante, nas urnas de 2010.
Trata-se de uma escolha entre ficar com o tempo do onça ou aderir aos tempos modernos.
Hesitante no início da crise em negar sustentação política a Sarney, o líder do DEM, senador Agripino Maia, mudou de posição depois de ser hostilizado em Mossoró (RN) porque ficou hesitante durante um debate público sobre o assunto.
O eleitor o fez entender de maneira muito simples e direta que a crise não deixou espaço para escolha.
De forma mais elaborada, o senador Cristovam Buarque analisou a situação semanas atrás em discurso no Senado. Sarney só não o assistiu de corpo presente porque se retirou logo depois de ouvir o líder do PSDB, Arthur Virgílio, pedir pela primeira vez que se retirasse de cena.
Cristovam subiu à tribuna em seguida e fez duas constatações bastante realistas: a primeira, que Sarney não é o homem talhado para conduzir a crise, pois o faz "em ritmo antiquado"; a segunda, que sozinho o Senado não ultrapassa o obstáculo. Precisa da colaboração das melhores cabeças da sociedade que, na visão do senador, deveriam ser chamadas a debater e apresentar propostas.
Tentar levar as coisas à moda de sempre resultará, na opinião dele, no "atropelo do Senado" pela dinâmica da contemporaneidade.
Hoje não somos mais julgados a cada quatro ou oito anos. Somos julgados a cada minuto, online. Continuar administrando as dificuldades na lentidão atual é um suicídio.
"E ao falar em "suicídio" Cristovam não antevia a possibilidade de extinção do Senado, mas um cenário de total inoperância e falta de importância, semelhante à situação do Legislativo no regime autoritário. Uma instituição decorativa.
A compreensão sobre o esgotamento de um modo de vida parlamentar se amplia dentro do Congresso. A conferir se em 2010 o eleitorado cuidará mesmo de concretizar a ruptura ou se vai preferir a comodidade da indignação sem resultados.
Costas quentes
A oposição está segura de que consegue mesmo fazer funcionar a CPI da Petrobrás. Não porque confie no acordo firmado com os governistas, já quebrado por três vezes.
DEM e PSDB se fiam na palavra do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que assegurou parecer favorável se a petição ao STF bater em suas mãos.
O único problema é que na semana que vem o presidente tribunal estará fora do País e será substituído pelo ministro Marco Aurélio de Mello, cuja posição não está tão clara para os oposicionistas.
A decisão favorável na Justiça já poderia ter sido obtida nesta semana. Só não foi porque o requerimento não estava pronto. Isso apesar de a oposição ameaçar recorrer ao Supremo desde o dia da criação da CPI, há dois meses.

O CUSTO DA DEMOCRACIA

DE MERVAL PEREIRA

O GLOBO 11/07/2009

Não há um consenso entre os que acompanham as atividades legislativas brasileiras sobre qual é a pior legislatura, se a atual ou a anterior. O ex-deputado Ulysses Guimarães tinha uma máxima para essa situação: “O Congresso atual é pior que o anterior e melhor do que o próximo”. A disputa vale tanto para os casos de irregularidades descobertas quanto para a produtividade das legislaturas. A anterior, que se encerrou em 2006, com os mensaleiros e sanguessugas, foi a que teve mais escândalos de corrupção. Praticamente um quinto daquela Câmara está sob investigação do Ministério Público Federal ou responde a processo criminal no Supremo Tribunal Federal (STF).
Nos seis primeiros meses deste ano, na legislatura que começou em 2007, surgiram inúmeros casos de irregularidades na Câmara e no Senado, revelando esquemas que vão de uso indevido de passagens aéreas a pagamentos de horas extras indevidas, nepotismo, e uma superestrutura burocrática que mandava e desmandava nas duas Casas, especialmente no Senado, onde estão concentrados os escândalos atualmente, envolvendo, sobretudo, seu presidente José Sarney.
Para Antônio Augusto de Queiroz, diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a produção legislativa no ano passado teve quatro características: quantidade, baixa qualidade, aumento da autoria de parlamentares e pouca participação dos plenários das Casas em sua aprovação.
Se a produção foi boa — foram aprovadas 241 leis no Congresso, contra 178 em 2006 e 198 em 2007 — a qualidade deixou a desejar: segundo o Diap, mais da metade das leis aprovadas tratavam de “homenagens, de datas comemorativas, de remanejamento de recursos orçamentários, criação de cargos em comissão, entre outras matérias de pouca importância, em termos de política pública”.
A participação do Parlamento na produção legislativa aumentou, passando de históricos 20% para 35%, enquanto foi reduzida a edição de medidas provisórias pelo governo: em 2008 foram editadas 40 medidas provisórias, uma média mensal de 3,33; contra 70 em 2007, média de 5,83; e 67 em 2006, média de 5,58 por mês.
O fato é que não há como medir a qualidade de um Parlamento, como salienta o cientista político Octavio Amorim Neto, da Fundação Getulio Vargas do Rio, segundo quem “trata-se de algo muito difícil de mensurar”. Diante desse impasse, como enfrentar a questão dos altos custos da Câmara e do Senado? Para a ONG Transparência Brasil, o contribuinte brasileiro paga mais para manter um mandato de senador ou deputado do que o contribuinte dos EUA, o país mais rico do mundo. Já um trabalho da Câmara dos Deputados afirma que seus gastos são menores do que o de diversos países do mundo.
A diferença é que a Câmara faz a comparação entre os países considerando o custo por habitante, enquanto a Transparência Brasil considera que para determinar quanto, de fato, os parlamentares pesam no bolso do cidadão é necessário considerar as diferenças de renda.“
O modo mais claro de fazer isso é considerar a renda per capita de cada país e determinar quanto o custo significa em termos dessa renda per capita”, afirma Claudio Weber Abramo, presidente da ONG, para quem no Brasil o custo de um deputado corresponde a 82 vezes a renda per capita, ao passo que no Chile corresponde a 29 vezes.
Já um senador brasileiro custaria, em termos reais, mais de três vezes o que custa um senador chileno para o contribuinte daquele país, e cerca de 8,4 vezes o que pesa um senador francês no bolso do cidadão ao qual serve.
Pelas contas da Câmara, os gastos por deputado por habitante mostram que o Brasil gasta quase 4 vezes menos que os Estados Unidos, metade que a Inglaterra e 10% do Chile.
Os subsídios por parlamentares seriam iguais aos dos Estados Unidos e dez vezes menores que os do Chile, na comparação de gasto por habitante. Os gastos totais seriam, por essa mesma metodologia, metade que os dos parlamentos dos Estados Unidos, França e Inglaterra e cinco vezes menor que o do Chile.
O trabalho da Câmara destaca que há uma diferença importante na maneira de trabalhar de cada parlamento, que se reflete nos seus custos. Seria o que o cientista político Nelson Polsby chamou de parlamentos transformativos e parlamentos-arena.
Os primeiros são os que desempenham papel relevante na elaboração da lei, e têm, por exemplo, as comissões como parte relevante de sua estrutura. O modelo que Polsby tomava era o do Congresso norte-americano.
Já o parlamento-arena é, sobretudo, um fórum de debates, com reduzido papel na própria elaboração legislativa, praticamente não existindo comissões. Por isso, a infra-estrutura para o trabalho parlamentar pode ser pequena.
Hoje, embora o quadro britânico não seja mais o mesmo, o estudo destaca que o papel do parlamento é consideravelmente menor do que, por exemplo, o do Congresso norte-americano.
Nas comparações entre o nosso Legislativo e os demais, o nosso modelo seria bem mais próximo ao norteamericano, com suas funções transformativas, do que aos de outros países.
O cientista político Octavio Amorim Neto acha que “se há um custo que vale a pena pagar, é o custo do Congresso. Afinal, trata-se da instituição sem a qual não há democracia”.
Ele considera que, “no tocante às necessidades dos nossos deputados e senadores, o texto produzido pela Primeira Secretaria da Câmara está certo ao afirmar que nosso modelo de ação e organização legislativas está mais próximo do estadunidense do que o britânico, justificando, portanto, maiores subsídios parlamentares”.(Continua amanhã)

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS


Agora São Paulo
Tribunal mantém julgamento de ações de revisão de poupança

A Tarde
Polícia matou 134 este ano

Correio Braziliense
O avanço letal da gripe suína

Correio do Povo
RS terá mais recursos para conter a gripe A

Diário do Nordeste
Comércio aos domingos gera disputa de liminares

Estado de Minas
Operação La Plata

Extra
Promotora pede prisão de donos de cervejaria que usa lacre na lata

Folha de São Paulo
Países ricos mudam G8 para incluir emergentes

Jornal do Brasil
Países ricos pedem ajuda a emergentes



O Estado de São Paulo
Gripe mata em SP e contágio é investigado

O Globo
Multa à Petrobras derruba a secretária da Receita Federal

Zero Hora

Empresa britânica nega ter embarcado lixo que chegou ao RS


Jornais internacionais


The New York Times (EUA)
Grampos do governo americano tinham valor limitado, dizem relatórios oficiais

The Times (Reino Unido)
7 anos, 9 meses, 184 vidas

The Guardian (Reino Unido)
Oito soldados britânicos são mortos no mais sangrento dia de missão afegã

Le Monde (França)
Youssouf Fofana é condenado à pena máxima

Le Figaro (França)
Obama na África: uma viagem símbolo

China Daily (China)
Urumqi olha para o futuro com preces

El País (Espanha)
Tragédia termina com morte de um madrilenho de 27 anos

Clarín (Argentina)
Governo admite que pode discutir retenções

ROBERTO CARLOS FAZ SEU PRIMEIRO SHOW NO MARACANÃ



Rei comemora 50 anos de carreira com shows pelo Brasil. Porto Alegre recebe cantor dias 14 e 15 de agosto


Roberto Carlos comemora 50 anos de carreira com uma série de shows pelo Brasil. O mais espetacular, sem dúvida, será o deste sábado à noite, às 22h, no Maracanã. Com transmissão ao vivo para todo o Brasil. Roberto estará à frente de uma platéia de 60 mil pessoas no Maracanã. Nos dias 14 e 15 de agosto, o espetáculo chega a Porto Alegre
Em seus 50 anos de carreira, contados a partir do recebimento do primeiro cachê, Roberto Carlos nunca fez show no Maracanã. Hoje à noite - com transmissão ao vivo para o Rio de Janeiro pela Rede Globo de Televisão, depois da novela Caminho das Índias - o Rei faz, enfim, sua estreia, no estádio carioca. Além do público pagante - de 60 mil segundo a Globo, 55,8 mil ou 68 mil segundo outras fontes -, esperam-se centenas de outros convidados, incluindo, naturalmente, várias celebridades globais. Tudo indica que vai ser uma grande festa para o Rei.
Um dos primeiros ídolos jovens do Brasil, Roberto Carlos comemora 50 anos de carreira em 2009. Sua voz foi ouvida publicamente pela primeira vez em uma manhã de domingo em outubro de 1950, em um programa de rádio em sua cidade natal, Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. Mas foi quase uma década depois que ele começou a conquistar os ouvidos do público e da crítica, em canções que falavam principalmente sobre sentimentos.
Os temas românticos ficam ainda mais presentes nas composições do Rei nos anos 70. Assim como a religiosidade, outro assunto tratado com seriedade pelo cantor, a natureza também marca presença em sua obra. O protesto ecológico, por exemplo, ganha voz em "Amazônia", incluída no álbum de 1989 cuja capa mostra o artista usando uma pena nos cabelos.
O show do Maracanâ, sob a direção de Roberto Talma, os preparativos foram intensos durante toda esta semana, mas a produção manteve em segredo detalhes do show, como o repertório, por exemplo.
É certo que o show terá a participação dos velhos e bons amigos dos tempos da jovem guarda Erasmo Carlos e Wanderléa. Roberto deve cantar sucessos de todas as fases da carreira, com preferência para clássicos como Emoções, Detalhes e É Preciso Saber Viver.
Antes da apresentação de Roberto, que vai cantar com sua banda de 39 integrantes, haverá uma introdução, com a participação de Patrícia Poeta, que será a apresentadora do programa. A ideia é que o público cante Como É Grande o Meu Amor por Você. Isso vai ser gravado e jogado no ar na abertura do programa na tevê.
"Quem for ao estádio vai ver mais coisas do que a televisão", garante o VJ Spetto, que há quatro anos vem trabalhando com as projeções e efeitos visuais dos programas de fim de ano, que Roberto grava para a Globo.
Palco em formato de concha

O palco, translúcido e em formato de concha, ocupa 500 metros quadrados do gramado - são 50 metros só de boca de cena. É o de maiores dimensões que Roberto já pisou. A banda que o acompanha há décadas receberá o reforço de 23 músicos, inclusive com instrumentos que não entram na composição original (são doze violinistas e quatro violoncelistas). Os testes de som começaram na quinta-feira; os ensaios serão feitos neste sábado, 11. O show terá duração de 1h40 e deve começar às 21h30. Na área vip, deverá estar boa parte do elenco principal da TV Globo, que transmitirá a apresentação ao vivo. Roberto convidou ainda as cantoras que se apresentaram com ele no Teatro Municipal de São Paulo no mês passado, além de seus funcionários e amigos, sua família, a da sua mulher Maria Rita, que morreu em 1999, e a da ex, Myrian Rios.

HONDURAS: MEDIAÇÕES TERMINAM SEM ACORDO

DAS AGÊNCIAS


TEGUCIGALPA (Reuters) – Os esforços diplomáticos para resolver a crise de Honduras, fracassaram nesta sexta-feira. A "primeira fase" do diálogo que procura solucionar a grave crise política em Honduras,, terminou hoje na Costa Rica sem acordo, mas com "avanços", apesar das duras posições mantidas tanto por Manuel Zelaya, como por Roberto Micheletti. Um complicador para a continuação das negociações é posição de aliados esquerdistas do presidente deposto que prometeram que ele vai retornar ao poder enquanto o governo interino não mudou de posição.
Zelaya e Roberto Micheletti, não chegaram a um acordo nem mesmo se encontraram pessoalmente nas conversações para mediação da crise, realizadas na quinta-feira na Costa Rica.
Eles deixaram em seu lugar delegados para tentar fazer o diálogo avançar, mas parece ter havido pouco progresso nesta sexta-feira e as esperanças de uma rápida solução da crise parecem desvanecer-se.
A decisão de continuar dialogando, em uma data e lugar ainda não definidos, foi o principal resultado de dois dias de conversas mediadas pelo presidente costarriquenho, Óscar Arias. Arias também conseguiu estabelecer uma agenda de temas a tratar, mas preferiu não divulgá-la. No entanto, não conquistou um de seus principais objetivos desta fase: reunir Zelaya e Micheletti em uma mesma mesa de negociações.

Chávez, o inflamado líder venezuelano, declarou as conversações da Costa Rica "mortas antes de começarem". Ele pediu um embargo comercial total a Honduras
Falando em Caracas, Chávez também criticou o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por ter produzido as conversações mediadas pelo presidente da Costa Rica, dizendo que não pode haver negociações com "um usurpador" em Honduras.
Os comentários de Chávez pareciam prestes a reacender os temores de que ele e outros países aliados esquerdistas de Zelaya, como Cuba e Nicarágua, possam procurar ajudar o presidente deposto a retomar o cargo pela força ou por uma insurreição popular.
Zelaya fez uma tentativa malsucedida de voltar a Honduras no domingo, com o apoio de Chávez, e tem sido aconselhado pelos EUA a negociar em vez de tentar forçar novamente seu retorno. Ele diz que está se empenhando em "métodos pacíficos, não-violentos" para retomar o posto.
“Lamentamos profundamente as desafortunadas declarações de um presidente da América do Sul sobre este importante processo de mediação”, expressou o ex-chanceler hondurenho Carlos López, líder da comissão nomeada na quinta-feira por Micheletti, durante sua breve visita a San José.López assegurou que sua delegação mantém a posição de encontrar uma saída que respeite a Constituição hondurenha e elogiou o trabalho realizado por Arias nas reuniões em sua residência particular em San José.

Micheletti foi nomeado pelo Congresso depois do golpe e diz que a remoção de Zelaya foi legal porque ele violou a Constituição ao tentar alterar o limite do mandato presidencial. Em Honduras, o presidente só pode ser eleito para um mandato, de quatro anos. Micheletti afirma que se Zelaya voltar ao país terá de enfrentar a Justiça.
Uma pesquisa CID-Gallup publicada pela mídia em Honduras na quinta-feira mostrou que 41 por cento dos hondurenhos acham que a destituição de Zelaya foi justificada enquanto 28 por cento se opõem ao golpe

10 de julho de 2009

CARTA DE EMBAIXADOR DA VENEZUELA CAUSA POLÊMICA NO SENADO

Por SÉRGIO LEO

VALOR ECONÔMIO 10/07/2009




Mesmo ausente, o embaixador da Venezuela no Brasil, Julio Garcia Montoya, foi o principal personagem da audiência convocada ontem na Comissão de Defesa e Relações Exteriores do Senado para discutir o ingresso do país no Mercosul. Convidado, Montoya avisou por fax que não iria, numa carta com termos duros em que acusa os senadores de levantarem dúvidas "de caráter ideológico e até pessoal" em relação à Venezuela e diz que não interessa ao Estado brasileiro o "jogo de interesses" na discussão do tema.
A carta escandalizou até defensores da entrada da Venezuela no bloco. Mas, numa demonstração de interesse no Senado em evitar a radicalização do debate, os senadores, por uma margem estreita (cinco a quatro), rejeitaram a proposta do senador Fernando Collor (PTB-AL) de aprovar um "voto de censura" ao embaixador. Optaram por algo mais delicada, de devolver a carta à embaixada, em sinal de protesto. A alternativa foi sugerida por um líder oposicionista, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que até gracejou com o fato.
"Após sete anos, me vejo reconhecido como um homem de esquerda; meus camaradas votaram comigo", ironizou. O embaixador foi acusado de "pouco inteligente", inábil e descortês, e sua carta, de "nem diplomática, nem civilizada". Na sessão da tarde, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), um dos autores dor requerimento, disse concordar com a devolução da carta por achar que a censura seria "talvez uma demasia".
Centrada na polêmica provocada pela carta do embaixador e em acusações de desrespeito á democracia por parte do governo de Hugo Chávez, a discussão, dividida em duas sessões, trouxe, porém, uma novidade, esperada pelo setor privado: já estão em análise no ministério do Desenvolvimento as listas com produtos "sensíveis", para os quais a Venezuela quer retardar a eliminação de tarifas no comércio com o Mercosul, segundo informou o secretário-geral do ministério de Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães.
Segundo um diplomata, somam 880 os tipos de mercadorias para os quais a Venezuela quer liberalizar o comércio só em 2018; e há mais cerca de 400 que os venezuelanos gostariam de manter como "exceção", com as tarifas de importação atuais. Essas exceções estão, principalmente, em setores onde Chávez quer criar indústrias nacionais, como alimentos, siderurgia e componentes eletrônicos. As listas são, ainda, objeto de negociação entre os governos.
Um dos principais argumentos econômicos contra a incorporação, levantados por especialistas como o ex-ministro de Relações Exteriores, Luis Felipe Lampreia, é a demora dos venezuelanos em assumir os compromissos cobrados de outros sócios do Mercosul. "Um país não pode entrar pela janela, tem de aceitar as regras", reclamou Collor, mencionando que os venezuelanos questionam pouco mais de 160 das 783 normas do Mercosul. "Não é um rechaço ao ingresso da Venezuela, é a oportunidade do ingresso", argumentou Collor.
Pinheiro Guimarães lembrou que o Brasil mantém superávits recordes com a Venezuela, da ordem de US$ 5 bilhões, apesar das barreiras ao comércio e das dificuldades de algumas empresas para operar com o sistema de câmbio centralizado venezuelano, muito criticado durante a audiência. Tanto Pinheiro Guimarães quanto o presidente da Federação de Câmaras de Comércio da América Latina, Darc Costa, ex-vice-presidente do BNDES, insistiram na necessidade de formalizar a entrada da Venezuela no Mercosul como forma de fazer frente à "invasão" da China no mercado regional.
O estilo centralizador e personalista de Chávez, e seu desprezo pelas normas liberais e de mercado foram os argumentos mais citados pelos parlamentares contrários ao ingresso da Venezuela no Mercosul, em curto prazo. Na carta do embaixador, Montoya argumentava que o ingresso da Venezuela seria uma "razão de Estado de caráter supra-ideológico", e diz que sua presença no Senado não faria diferença por acreditar que as dúvidas não teriam razão econômica ou técnica. Em defesa da Venezuela, o deputado federal e ex-governador de Roraima Neudo Campos, após falar da importância econômica do país para os estados da região Norte, chegou a argumentar que não se poderia cobrar, no Mercosul, um padrão "europeu" de democracia.

GOL DE RONALDO

DE JANIO DE FREITAS


FOLHA DE S PAULO

A informação de Ronaldo traz colaboração importante, se não para inquérito, por certo para uma biografia de Lula

CONHECIDAS OUTRAS relações suspeitas ou comprometedoras entre Lula e ao menos uma empreiteira, nem a alienação dos grã-finos da oposição, nem artimanhas ou equívocos de transcrição podem obscurecer a gravidade da informação dada pelo jogador Ronaldo sobre outro comprometimento do próprio presidente da República com empreiteiras.
Em contraste com as versões publicadas no noticiário como se literais, mas todas abrandando a frase objetiva e clara de Ronaldo, Tostão, o cronista craque, fechou sua coluna de ontem com uma nota, "Absurdo", que repõe sentido e tempos verbais adequados ao original: "Ronaldo disse no programa "Bem, Amigos", do SporTV, que o presidente Lula tem ajudado bastante o Corinthians por meio de contatos com empreiteiros para a construção do centro de treinamento do clube! Absurdo um presidente fazer isso! Parei!"
Ronaldo segundo o noticiário da Folha: "Ele [Lula] é a principal pessoa que tem ajudado o Corinthians nesta nova fase. Mas não é ajuda financeira. O que ele tem feito é passar contatos de empreiteiras e indicar empresas que podem ajudar".
Ronaldo segundo "O Globo", na primeira página, lá sem aspas de palavras de transcrição: "Ronaldo surpreendeu ao afirmar, no "Bem, Amigos", do SporTV, que o presidente Lula vai indicar as empreiteiras que construirão o centro de treinos do Corinthians". Ronaldo na página principal de esportes, com sinal de transcrição literal: "O presidente Lula é quem mais está ajudando o Corinthians nessa fase. Ele está dando alguns contatos de empreiteiras que podem nos ajudar, mas não é financeiramente. Ele é fanático, um corintiano roxo. O presidente está sabendo de tudo e indica as empresas que podem ajudar".
Registro meu, no trecho que aqui interessa, quando referido o encontro do jogador com Lula: ..."é uma das pessoas que mais ajudam o Corinthians. É o que ajuda mais. Ele pede a empreiteiras para nos ajudar".
Notícia anterior ao Lula presidente deu conta de que sua filha morava em Paris custeada por uma empresa, citada mais tarde como uma empreiteira. Já em pleno mandato, a gigantesca empreiteira Andrade Gutierrez associa-se, e infla de capital, a pequena ou micro empresa de que um filho de Lula é sócio. E há meio ano está aí, consumada, uma das maiores aberrações já havidas no Brasil em negócios privados com a mão e o dinheiro providenciados pelo governo: a compra da Brasil Telecom pela Oi/Telemar (Grupo Andrade Gutierrez) antes mesmo que Lula alterasse a lei para torná-la possível.
Um dos três inquéritos pedidos, agora, pelo procurador federal Rodrigo de Grandis no caso Satiagraha, refere-se ao negócio BrT-Oi/Telemar, porque financiado por dois bancos estatais, o BNDES e o do Brasil, e participação de Daniel Dantas, com suspeita de crime financeiro ou lavagem de dinheiro em torno de sua parte. Esse é um inquérito que, se levado adiante pelo Judiciário, pode chegar ao que uma CPI, caso os partidos oposicionistas fizessem oposição com honestidade e civismo, já poderia ter chegado.
Tal como dada mesmo, a informação de Ronaldo traz uma colaboração importante. Se não para o inquérito, cujo pedido o Judiciário talvez prefira em um arquivo, por certo para uma biografia de Lula mais verdadeira do que a fabricada pela Unesco para um prêmio sem candidatos.

INSTALAÇÃO DA CPI DA PETROBRÁS DIVIDE SARNEY E RENAN

A decisão de apoiar a instalação da CPI da Petrobras provocou a primeira divergência no QG de apoio ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), informa hoje o "Painel" da Folha, editado por Renata Lo Prete (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL). A divergência ocorreu após a denúncia de que a Fundação Sarney teria desviado recursos do patrocínio da Petrobras para um projeto cultural fantasma. O dinheiro teria ido parar na conta de empresas fantasmas e emissoras de TV da família Sarney.
De acordo com a coluna, Sarney e Gim Argello (PTB-DF) defendiam a conveniência de instalar a CPI para aliviar a pressão oposicionista diante da nova denúncia.
Já o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), argumentava que seria difícil controlar as investigações contra a Petrobras e segurar Sarney no cargo.
De acordo com a coluna, o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), deve ficar com a relatoria da comissão. A confirmação deve ocorrer na segunda-feira.
A CPI deve ser instalada na terça-feira. Apesar da pressão da oposição, a maioria dos membros da CPI deverá ser da base aliada.

MSANIFESTANTES SEM-TETO PASSAM NOITE ACAMPADOS EM FRENTE APARTAMENTO DE LULA

DA FOLHA ONLINE


Integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) acampam pela segunda noite consecutiva em frente ao apartamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no centro de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo). De acordo com a Polícia Militar, cerca de 200 pessoas estão no local desde a tarde desta quarta-feira (8) e não há previsão para que deixem o local.
A polícia informou que a manifestação é pacífica e que a PM passará, novamente, a noite no local acompanhando o protesto.
Segundo o MTST, os manifestantes reivindicam do governo federal a "desapropriação de terrenos ocupados pelo movimento; a regularização fundiária do assentamento Anita Garibaldi; a agilidade burocrática para as famílias do acampamento Carlos Lamarca; [...] e a participação ativa do governo federal nas negociações do MTST", entre outros.
De acordo com o membro da coordenação estadual do MTST, Guilherme de Castro, os manifestantes permanecerão acampados em frente à residência de Lula até que o governo atenda as reivindicações. "Enquanto o governo não nos der atenção, vamos ficar aqui", disse.
Segundo a organização informou, mais cedo, ao menos seis sem-teto se acorrentaram em frente ao prédio em protesto, mas a PM não confirmou a informação.
Procurada pela reportagem ontem, a assessoria da Presidência informou que não irá se pronunciar sobre a manifestação.
Com Agência Brasil

SARNEY NEGA LIGAÇÃO, MAS USOU CARGO PARA DEFESA DO MUSEU

DA FOLHA ONLINE


Apesar de afirmar que "não tem responsabilidade" sobre a fundação com seu nome no Maranhão, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pediu em 2005 que a advocacia da Casa contestasse no Supremo lei estadual contrária a seus interesses. A informação é da reportagem de Andreza Matais e Adriano Ceolin publicada na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
Lei estadual de 2005 determinou a reintegração do Convento das Mercês ao governo do Maranhão --onde funciona a Fundação José Sarney, um museu com o acervo do período em que ele foi presidente. Em um documento assinado em 21 de novembro de 2005, ele solicita à Mesa Diretora do Senado que ingresse "o mais breve possível" com uma ação direta de inconstitucionalidade contra lei que devolvia o prédio ao Estado.
Reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" o acusou de desviar recursos destinado à fundação para empresas fantasmas. A Petrobras repassou R$ 1,3 milhão à fundação pela Lei Rouanet, com projeto aprovado pelo Ministério da Cultura.
Ontem, Sarney negou ligação com a entidade e disse que a prestação de contas já foi encaminhada e "compete ao Tribunal de Contas, em qualquer irregularidade, a atribuição de julgar". Em nota, ele diz que é apenas "presidente de honra" da fundação e que "não participa" nem tem "responsabilidade" sobre ela.
O dinheiro teria ido parar em contas de empresas com endereços fictícios e contas paralelas. O projeto nunca saiu do papel.
Leia a notícia completa na Folha desta sexta-feira