2 de julho de 2009

INTERVENÇÃO DE LULA, PROLONGA PERMANÊNCIA DE SARNEY

O senador José Sarney (PMDB-AP) conseguiu recuperar forças nesta quarta-feira, retomando parte do fôlego perdido na véspera, mas ainda não respira aliviado. O futuro do presidente do Senado está nas mãos do presidente Lula, mas pode ser prejudicado caso surjam d novas denúncias.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em cena para salvar o aliado, intervindo diretamente para demover o seu partido, o PT, que pressionava Sarney para licenciar-se. Lula considera fundamental a permanência de Sarney para evitar problemas no Senado, e decidiu que a permanência do senador é importante para garantir o apoio a Dilma e a aliança estratégica para a eleição de 2010, em que o PMDB é parceiro prioritário.
O PT, originalmente a favor do afastamento temporário de Sarney, acabou enquadrado e passou a defender uma reforma estrutural da instituição com José Sarney (PMDB-AP) no cargo. Como o partido não optou pelo apoio incondicional, a decisão não o salva, mas pode lhe dar sobrevida.
"Nós sabemos quanto essa aliança é importante e o quanto a liderança do presidente Sarney junto à bancada do PMDB é decisiva", disse o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), defensor da licença.
Na terça-feira, Sarney teve seu pior dia. O PSOL protocolou contra ele um processo por quebra de decoro. PSDB, DEM e PDT pediram seu afastamento. As três legendas somam 32 dos 81 senadores.
A união de DEM e PSDB transformou a crise em disputa política. Do exterior, Lula acusou a oposição de querer ganhar o comando do Senado no "tapetão".
A decisão do PT de não retirar apoio formal a Sarney foi tomada em uma reunião da bancada de senadores, mas contou com a interferência pouco usual do presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP). Ele foi a voz do governo em nome da preservação da aliança com a cúpula do PMDB.
Pré-candidata à sucessão, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) também atuou a favor de Sarney. Diante da evidente desidratação de apoio político na véspera, ela pediu-lhe pessoalmente que não tomasse decisão alguma antes de conversar com Lula, de volta do exterior nesta noite.
O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), passou as últimas horas articulando. Ele fez chegar aos ouvidos de alguns senadores que era necessário tomar providências para acabar com a crise, mas sem sacrificar o atual presidente.
Ele chegou a confidenciar que José Sarney prefere a renúncia a ter de se licenciar do cargo.
Segundo o relato de um aliado que esteve com ele pela manhã, José Sarney estava menos abatido que na noite passada. Depois da reclusão na véspera, ele compareceu nesta tarde ao plenário para presidir uma sessão solene. Só não permitiu que os colegas fizessem discursos sobre sua situação.
"A história só vai se definir depois da conversa com Lula", ponderou o senador José Agripino (RN), líder do DEM.
Se não houver denúncias novas que inviabilizem sua permanência, o tempo trabalha a favor do senador. O recesso parlamentar começa em duas semanas.

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

Jornais nacionais

Folha de São Paulo
Sarney ameaça governo com renúncia

Agora São Paulo
Timão invencível é tri da Copa do Brasil

A Tarde
Promotoria denuncia 26 por fraudes na PM

Correio Braziliense
Boicote a planos de saúde ganha força

Correio do Povo
BM recebe explicações de secretaria nacional

Diário do Nordeste
Metrofor: obras paralisadas por irregularidades



Estado de Minas
Era uma vez...... a ética

Extra
A pouca vergonha no Senado

Jornal do Brasil
Classe média para de crescer

O Estado de São Paulo
Sarney espera Lula para definir renúncia

O Globo
Sarney já admite sair e Lula acusa oposição de golpismo

Valor Econômico
Acordos poupam milhares de empregos na indústria

Zero Hora
Sarney define hoje seu destino com Lula


Jornais internacionais


The New York Times (EUA)
Com altos déficits, Estados cortam aulas de verão em escolas

The Washington Post (EUA)
Metrô falhou em detectar ameaça

The Times (Reino Unido)
Passageiros de trem vão pagar o preço pela crise

The Guardian (Reino Unido)
Déficit de 30 bi de libras ameaça projetos de trens e estradas

Le Figaro (França)
França exige uma lista negra mundial de companhias aéreas

Le Monde (França)
Setor imobiliário: o pior já passou, acreditam os profissionais

China Daily (China)
Investimentos internos não devem superar internos

El País (Espanha)
Alto dirigente do PP reabre o caso de espionagem política em Madrid

Clarín (Argentina)
Jaime e Cristina confirma Moreno

SARNEY FICA ISOLADO. ATÉ SUA FAMÍLIA É A FAVOR DO SEU AFASTAMENTO

Aumentou o isolamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Três grandes partidos, DEM, PSDB e PDT. Pediram nesta terça feira, o seu afastamento até que todas as denúncias sejam apuradas. No início da manhã, o PSOL protocolou na Mesa Diretora uma representação contra ele e o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL). Logo depois, os 14 senadores do DEM fecharam posição em favor do afastamento de Sarney até que todas as denúncias contra ele sejam apuradas. Ao final da tarde, com as manifestações do PDT, do PSDB e de três peemedebistas, Sarney contabilizou 36 senadores (44% do total) contra a sua permanência no comando do Senado.
O PMDB divulgou nota dizendo que os senadores, "conscientes de suas responsabilidades", continuarão a apoiar o presidente Sarney e a Mesa Diretora, que estão "implementando grandes mudanças" em nome da "modernização" e da "transparência" do Senado. Mas, o pessoal do PMDB que tem muita experiência política, não aceitou o papel de conivente com a corrupção, como tem feito o Lula.
Por isso, antes da manifestação de solidariedade, o PMDB também disse que "apoia integralmente a apuração de todos os fatos com repercussão jurídica necessária, a fim de preservar o Senado como instituição respeitada pela sociedade". O PMDB levou cinco horas para divulgar a nota, que boa parte da bancada considerou fraca - o nome de Sarney só aparece na décima linha.
Até peemedebistas que assinaram a nota de apoio ao senador sugeriram o afastamento. "Se eu estivesse em uma situação dessas, pelo menos pediria uma licença, ainda que corresse risco de não voltar", disse o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE) também se opõem à permanência de Sarney na presidência.O PSDB sugeriu que Sarney entregasse a presidência a uma comissão de alto nível para conduzir uma investigação idônea.
À tarde, a líder do PT, Ideli Salvatti (SC), desempenhou a função de porta-voz do apoio do Planalto a Sarney. À noite, porém, depois de cerca de duas horas e meia de reunião, a bancada do partido acabou colaborando para enfraquecer Sarney ainda mais, ao fechar com uma proposta semelhante àquela apresentada à tarde pelo PSDB. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) relatou que a sugestão é para que se crie uma comissão formada por representantes dos partidos e consultores do próprio Senado, com o objetivo de gerir a crise e promover uma reforma estrutural na Casa.
"Esta comissão vai se integrar à Mesa Diretora de forma complementar, porque o colegiado que compõe a Mesa tem mandato", observou. Mercadante e Ideli pretendem se reunir hoje com Sarney para apresentar a proposta.O senador e ex-presidente da República não teve condições políticas de assumir ontem à tarde a cadeira do comando do plenário da Casa. Familiares como a filha Roseana Sarney (PMDB), governadora do Maranhão, recomendavam cuidado com a saúde. Alguns aliados chegaram a sugerir a renúncia para por um ponto final na crise institucional e no "calvário pessoal". Ao final do dia, no entanto, o presidente apegou-se à nota oficial do PMDB e à solidariedade Planalto e reagiu com um comunicado transmitido por sua assessoria: "A questão do afastamento nem sequer está em análise".Apesar de Sarney ter encerrado o dia com um "fico", as conversas de bastidores sobre sua sucessão já começaram. No DEM, o nome do senador Marco Maciel (PE) é lembrado como um parlamentar experiente, equilibrado e inatacável do ponto de vista ético. Garibaldi também voltou a ser cogitado como alternativa para a eventual renúncia de Sarney.Para evitar que o líder do DEM, senador José Agripino (RN), comunicasse pessoalmente a decisão de abandoná-lo, Sarney recusou-se a recebê-lo em seu gabinete. Demonstrou, assim, a revolta do PMDB com seu maior aliado na disputa eleitoral de fevereiro passado.O único que pôs em palavras a revolta da cúpula do PMDB com a decisão do DEM foi o senador maranhense Lobão Filho (PMDB). "Considero uma traição sem tamanho o DEM ter levado o cargo de diretor-geral do Senado, como um voto de confiança do presidente, para apunhalar Sarney desta forma uma semana depois.
Até mesmo a família de Sarney quer encerrar a agonia. Após uma reunião com os parentes mais próximos, Marly Sarney, a mulher do senador, foi a principal defensora de sua saída. No entanto, em nota oficial, o político informou que “a hipótese de afastamento não está em análise”.

O PT, DE ACM A SARNEY, VIA RENAN

VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SÃO PAULO


Petismo-lulismo chega ao fim de seu primeiro governo travestido ideologicamente e no conchavo com oligarcas


O PT ENCANTOU-SE com Antonio Carlos Magalhães, o ACM, quando o falecido senador do PFL-DEM e oligarca da Bahia deu de espinafrar o governo de Fernando Henrique Cardoso, por volta do ano 2000. ACM chegou a dizer que FHC era "tolerante com a corrupção". Denunciava escândalos na Sudam e no DNER (burocracias ligadas a ministérios então comandados pelo PMDB). ACM defendia ainda o "fundo social da pobreza", aumentos do salário mínimo etc.
Entre outros motivos, ACM estava tiririca porque PSDB e PMDB defendiam a eleição de Jader Barbalho (PMDB) para sucedê-lo na presidência do Senado -é antigo o histórico de rolos derivados de eleições mal resolvidas no Senado. O PT se divertia com o sururu na baia governista e elogiava a irrupção de sensibilidade social de ACM. Sim, depois do mensalão, lembrar o oportunismo amoral do PT parece ninharia, mas a história não para aqui. "Anos depois...", como dizem letreiros de novelas, Ideli Salvatti (PT), líder do governo Lula, estava ontem na tribuna do Senado a defender José Sarney (PMDB), atacado pelo PSDB e agora até pelo DEM, partido experiente em abandonar navios que afundam (o DEM apoiara a eleição de Sarney). Foi numa fuga de ratos do barco da ditadura que nasceu o Partido da Frente Liberal, PFL, hoje DEM, parido de várias costelas do PDS, ex-Arena. Esse cortejo oportunista que daria no PFL foi comandado pelo mesmo Sarney, em 1984. É uma dança das cadeiras
Mas os dançarinos jamais são eliminados. As cadeiras estão sempre lá. Nesse "cômodo vício de recirculação", como diria o poeta, o PT ressurge mais uma vez e de modo ampliado como amigo da oligarquia, pronto a qualquer comércio, desde que oportuno. Diferente dos demais? Claro que não. Novidade? Nenhuma. Aliás, noutro dia mesmo senadores do PT encorpavam a tropa de choque que defendeu a cabeça de Renan Calheiros (PMDB), o grande articulador da candidatura de Sarney à presidência do Senado.
Parece tudo uma história tão natural, mas noutro dia mesmo, em 2002, Lula comandava a primeira vitória nacional de um partido dito de esquerda. É verdade que de 1995 a 2002 o PT já se dissolvia no lulismo. Em 2002 e 2003, trocara de roupa ideológica em público, renegando seus planos doidivanas, chamados de "bravatas" por Lula. Agora, em suas viagens de campanha eleitoral Lula fecha acordos políticos com quem seja capaz de apoiar sua candidata, atropelando o resto do PT ou, melhor, outros interesses de quem se abriga na legenda do PT.
É fácil atribuir o banho de oligarquia do PT ao peso do PMDB na política brasileira, esse PMDB que representa a massa amorfa do empreendedorismo político-privado das regiões social e economicamente primitivas e indiferenciadas do país. Com FHC ocorreu coisa parecida, embora o tucano não tenha ficado tão refém do PMDB como Lula. FHC conseguiu isolar parte maior e mais relevante de seu governo e programa da cupidez peemedebista. Lula manteve seu compromisso de "melhorar a vida dos pobres" (mas nem tanto assim), atolou o governo na inércia e termina seu mandato no puro conchavo. E com oligarcas. Não parece, mas é histórico.

SEM SAÍDA

MERVAL PEREIRA

O GLOBO

Eleito para a presidência do Senado pela terceira vez por uma estranha coligação que colocou lado a lado o PT e o DEM, o senador José Sarney já não consegue mais se equilibrar no poder à custa apenas de seu bom relacionamento pessoal, e perdeu qualquer condição de presidir a Casa, onde mal tem colocado os pés nestes dias de crise. Já perdeu o apoio da maioria de seus pares, e o mínimo que lhe pedem é que se licencie por um período de 60 dias para que se apurem as mazelas que impedem o Senado de funcionar desde que ele foi eleito, no início do ano.
Seria uma maneira de deixar o cargo sem passar pelo vexame de ser julgado por seus pares, como já pediu o PSOL, partido que quer ver Sarney e seu fiel escudeiro, Renan Calheiros, sendo processados pelo Conselho de Ética do Senado.
Não parece haver muita margem de manobra para que Sarney mantenha seu cargo depois que o DEM — partido que é herdeiro da Frente Liberal, que deu uma renovada na biografia de vários políticos, inclusive na de Sarney, ao romper com o governo militar e apoiar a candidatura de Tancredo Neves à Presidência — negou-se delicadamente a manter o apoio à sua administração.
Todos, com raras exceções, tratam Sarney com o respeito devido a quem já foi presidente da República num processo de redemocratização do país. Mas pouco a pouco vão lhe dando as costas, por ser impossível apoiá-lo na situação atual, em que a gestão que ajudou a implantar na sua primeira presidência, e que conta com seu apoio público até hoje, se revela tão corrupta.
Restou ironicamente a Sarney, além de seu partido, o PMDB, o apoio solitário do presidente Lula e de parte do PT, e essa situação, de certa maneira, reflete a que ponto chegou a política do país, onde cada um assume o papel que melhor lhe serve naquele momento, sem guardar qualquer resquício de coerência com a vida política anterior.
A defesa da senadora petista Ideli Salvatti, em nome do governo e ainda não do seu partido, foi patética.
Como não pudesse defender as práticas adotadas nos últimos anos no Senado, defendeu Sarney com a tese que é usada por dez entre dez petistas desde que chegaram ao poder central: sempre foi assim, não se pode culpar apenas uma pessoa.
Além do fato de que o senador Sarney está exercendo a presidência do Senado pela terceira vez e que foi na sua primeira gestão que Agaciel Maia assumiu a direção-geral da Casa, não é possível aceitar que mais uma vez seja a feita a defesa política com a desculpa de que "sempre foi assim".
É até admissível que o próprio Sarney pense assim, pois ele está apenas traduzindo o seu entendimento do que seja fazer política, mas essa visão apequenada da política não deveria prevalecer no Senado e nem ser motivo de defesa de um governo comprometido com os avanços da instituição.
Mas o fato é que há muito tempo o governo Lula está comprometido apenas com uma coisa: a manutenção do poder político e a construção de uma candidatura viável para sua sucessão.
Para tanto, precisa do apoio do PMDB que, pelo menos nesse episódio, mostrou-se unido. Dos 16 senadores do PMDB, apenas dois, além do próprio Sarney, não assinaram a nota de apoio do partido: Jarbas Vasconcelos, que se recusou, e Pedro Simon (RS), que foi operado de emergência.
Mas certamente Simon não assinaria o documento, pois já pediu da tribuna do Senado a licença do senador Sarney da presidência, mesma posição assumida pelo PSDB, pelo DEM e pelo PDT.
O PSOL foi mais adiante, e pediu a abertura de uma CPI para apurar todas as falcatruas do Senado nos últimos anos, e entrou com um processo no Conselho de Ética do Senado contra o atual presidente, José Sarney, e o ex-presidente Renan Calheiros.
O cerco está se fechando, e é improvável que Sarney resista por muito mais tempo. Já não tem mais condições de presidir uma sessão plenária, raramente vai ao Senado e, e quando vai, fica preso em seu gabinete.
Não é uma situação politicamente sustentável, e o mais provável é que acabe aceitando as sugestões para que afaste temporariamente para que as investigações sejam feitas sem a sua interferência.
A situação é tão grave que o DEM como partido não aceitou a tese de que estava, na prática, comandando as ações no Senado a partir do momento em que o primeiro-secretário, Heráclito Fortes, assumira de fato a reforma administrativa, afastando diversos diretores ligados a Agaciel Maia.
A questão é que já passou o momento em que apenas fazer uma faxina completa na administração do Senado bastaria para manter os dedos e os anéis dos senhores senadores.
À medida que foram aparecendo todos os problemas relacionados com a gestão do Senado, que se transformou em uma fonte de irregularidades a par tir da crescente influência exercida pelos "agacielboys", ficou claro que o "paraíso" de que falava Darcy Ribeiro fora forjado à base da corrupção e da leniência com o dinheiro público.
Será preciso mais do que uma simples reforma administrativa para devolver a credibilidade dos senhores senadores, e é isso que o senador José Sarney parece não ter entendido até o momento.
Ele se tornou o símbolo dessa distorção, e só sua saída dará credibilidade às medidas que venham a ser tomadas no futuro.

PIOR É IMPOSSÍVEL

DORA KRAMER

O ESTADO DE S PAULO

Se o senador José Sarney não resistir à gradativa perda de apoio no Senado, será o quarto presidente da Casa a sair de cena por conduta imprópria no período de oito anos. Se resistir, ainda assim continua integrando a estatística na condição de quarto presidente do Senado a ter sua conduta questionada publicamente em oito anos. Na média, o Senado produz um escândalo a cada dois anos com o presidente no papel de protagonista.
Não houvesse outro motivo, só os números já indicariam a necessidade de uma revisão urgente de procedimentos no Parlamento, mas também no Poder Executivo. Se a promíscua lógica de compra e venda que preside a relação do Congresso com os governantes não mudar, não adiantam cassações, renúncias, sindicâncias, demissões, reformas administrativas, porque a dinâmica do funcionamento será a mesma: o Legislativo ajoelhado diante do Executivo e ambos de costas para a sociedade.
Enquanto não se restabelecer a relação correta de hierarquia no sistema representativo, as maiorias parlamentares continuarão a considerar mais importante obedecer ao governo que lhes assegura benesses que se submeter aos ditames dos eleitores que lhes proporcionam o mandato.
Quem se lixa para a opinião pública é também quem não vê mal em ignorar as leis do país, normas éticas óbvias, regras de convivência adotadas em qualquer ambiente, para adotar um código próprio de comportamento, cujo principal parâmetro é o conforto de seus signatários.
Os desmandos, sejam eles os da Câmara ou do Senado, só acontecem porque todos, com raríssimas exceções, se consideram pessoas incomuns – naquele sentido consagrado recentemente pelo presidente Luiz Inácio da Silva – com direito a assento em classe especial. Não incorporam o conceito dos deveres impostos pela representação.
Isso fica claríssimo nas repetidas invocações ao passado do senador José Sarney e aos serviços já prestados por ele à nação. Manifestações que invertem a escala dos valores. É justamente o conjunto da obra extensa o que obriga Sarney a saber que não pode praticar nepotismo, que o neto com negócios no Senado significa tráfico de influência sim, que não pode usar funcionários do Senado para tomar conta de suas propriedades no Maranhão, enfim, quem pode o mais, pode o menos.
Quem não adota princípios básicos de correção, muito menos respeita regras mais elaboradas. Isso vale para José Sarney ou qualquer outro integrante dos Poderes da República. Deputado, senador, magistrado, ministro, presidente da República.
A compreensão e a mudança dessa realidade, no entanto, é processo que leva tempo. As crises de conduta se repetem, ora mordem os calcanhares do Legislativo, ora do Executivo, mais raramente do Judiciário.
A anterior não tem o efeito didático necessário para evitar a crise seguinte. Simplesmente porque ninguém se mexe de verdade para dar combate às causas, o que leva à suspeita de que a situação de alguma forma seja cômoda, causando desconforto apenas quando estouram as denúncias.
Nessa hora, a preocupação é com a administração dos efeitos do escândalo. Quando os ânimos de acalmam, tudo passa e fica esquecido até que a nova onda volte fortalecida pelo peso do entulho acumulado.
O exemplo mais evidente é a eleição de José Sarney para presidente do Senado sob a inspiração de um ex-presidente que havia sido há dois anos a causa de outra crise. Só uma instituição completamente alheia às consequências de seus atos pode encarar com a naturalidade que o Senado encarou o fato de Renan Calheiros patrocinar a eleição de Sarney com o explícito objetivo de retomar o poder perdido.
Quando aceitou essa regra do jogo o Senado – inclusive os opositores de Sarney na disputa, porque não expuseram o principal motivo da inadequação da candidatura – assumiu um risco alto. Expôs à opinião pública sua completa indiferença à imagem que se faria de uma Casa que aceitava a influência de alguém que fora obrigado a deixar a presidência porque o Senado se envergonhava de sua figura. Mas não se importava, viu-se logo depois, em conviver com seu poder desde que exercido às escondidas.
Nas crises anteriores envolvendo presidentes, o Senado optou por resolver a conjuntura e manter intacta a estrutura. Desta vez, como as denúncias alcançaram exatamente a estrutura construída a poder dos mais variados vícios, apresenta-se a chance de se fazer a travessia.
Fica incompleta, se limitada ao Senado. Mas é preciso começar o serviço. O senador Arthur Virgílio deu o primeiro passo queimando suas caravelas da tribuna, mas não obteve respaldo. Seu partido, o PSDB, o DEM e os outros que pedem o afastamento de Sarney, adotaram a moderação típica de quem vê na saída conveniente lenitivo.
O PMDB se fecha na trincheira da defesa de um poder nessa altura inexistente, escorado no presidente da República, e o PT, tarefeiro do Planalto, discursa em prol da faxina e bate continência à sujeira.

1 de julho de 2009

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS

jornais nacionais


Agora São Paulo
Saiba como se cadastrar para pegar o INSS menor

A Tarde
AL prioriza projetos que concedem títulos

Correio Braziliense
Guerra aberta na saúde

Correio do Povo
Buenos Aires decreta emergência sanitária

Diário do Nordeste
Quem ganha menos paga mais impostos

Estado de Minas
Fique alerta

Extra
Conta de luz fica mais barata

Folha de São Paulo
ONU condena golpe em honduras

O Estado de S.Paulo
Sarney perde aliados, mas PMDB e PT reafirmam apoio

O Globo
DEM, PSDB e PDT pedem saída e só PT salva Sarney

Valor Econômico
Brasil estuda retaliação comercial à Argentina

Zero Hora
Capital autoriza flanelinhas com uniforme a atuar

Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Vitória de Franken reforça base democrata no Senado

The Washington Post (EUA)
Franken ganha batalha no Senado

The Times (Reino Unido)
Tesco ligada a venda do Northern Rock

The Guardian (Reino Unido)
Detalhes de passaporte vão ficar em identificação apesar de reviravolta em projeto

Le Figaro (França)
Reorganização: Sarkozy promete novas surpresas

Le Monde (França)
Irã: os aiatolás contra Ahmadinejad

China Daily (China)
Governo adia lançamento de software para filtrar pornografia

El País (Espanha)
Estrasburgo aprova por "necessidade social" a ilegalidade de Batasuna

Clarín (Argentina)
Devido à Gripe A, não haverá aulas durante um mês

TIÃO VIANA DIZ QUE AGACIEL EMPRESTAVA DINHEIRO A SENADORES.

DEU NA ÉPOCA

O senador Tião Viana (PT-AC) confirmou ter recebido uma proposta de ajuda em dinheiro de Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado. Tião Viana disse também que Agaciel confidenciou que costumava fazer empréstimos a senadores "a fundo perdido", ou seja, sem a necessidade de devolução. Na prática, não se tratava de empréstimos, mas doações.
Tião, na época era presidente interino do Senado. Ele substituíra Renan Calheiros. Foi derrotado em fevereiro por José Sarney quando tentou voltar ao cargo. Tião disse que naquela época " tinha dois planos de previdência. Um da Universidade Federal do Acre e outro do Senado. Como naquela época minha mulher, que é arquiteta, estava praticamente sem trabalho, o pagamento ao Senado, cerca de R$ 1,3 mil por mês, ficou pesado. Fui ao Agaciel pedir para suspender esse pagamento. Ele me disse que poderia pagar o plano para mim, como fazia com outros senadores a quem concedia empréstimos a fundo perdido. Não aceitei", afirma Tião Viana.
Tião Viana diz também que contou essa história a alguns colegas da Casa, como o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). A conversa com Agaciel, segundo Viana, teria sido testemunhada por seu chefe de gabinete.
As revelações sobre supostas doações de Agaciel para senadores podem abrir uma nova frente de crise no Senado. No fim de semana, o subchefe do gabinete do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), Carlos Homero Vieira Nina, confirmou que pediu dinheiro a Agaciel Maia para ajudar o senador tucano a pagar uma conta de hotel em Paris em 2003, conforme reportagem da revista Istoé.
Há 40 dias, ÉPOCA ouviu Agaciel sobre os rumores de que ele dava dinheiro a senadores. Ele negou. Disse que isso era mais uma lenda de seus adversários. Na versão de Agaciel, o empréstimo a Arthur Virgílio não foi pago. Virgílio afirma que seu assessor quitou a dívida.

LULA PEDE MAIS EMPENHO DO PT E PARTIDOS ALIADOS NA DEFESA DE SARNEY

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ordens expressas seu partido, o Partido dos Trabalhadores no sem tido de que, sempre que possível, devem manifestar solidariedade irrestrito a José Sarney, acossado por pedidos de senadores da oposição para que se afaste do cargo. Preocupado com a desestabilização do mandato do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está operando pessoalmente para assegurar o apoio do PT e dos partidos de esquerda ao aliado.
A operação tem como objetivo neutralizar o impacto da ameaça feita pelo DEM de retirar o apoio a Sarney, o que poderá se concretizar nesta terça, e que fragilizaria ainda mais sua posição. A determinação de Lula é para que os integrantes da bancada petista passem a explicitar o apoio a Sarney em pronunciamentos e entrevistas
O recado foi dado ao ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que já afirmou: “O apoio do governo ao presidente Sarney é absoluto.” Agora, informa O Globo, integrantes da bancada petista serão orientados a explicitar sua defesa a Sarney em entrevistas e pronunciamnentos no plenário. Porque, afinal, não é aceitável tratar Sarney como um “homem comum”.
Nos últimos dias, Lula disse a Sarney para ficar tranquilo em relação ao PT. O senador também conversou, na última sexta-feira, com o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. A estratégia de reforçar a blindagem de Sarney foi avaliada nesta segunda como a mais correta, na reunião de coordenação política de governo.

NETO DE SARNEY TAMBÉM VENDIA SEGUROS A SERVIDORES DO SENADO

A Sarcris Consultoria, empresa de José Adriano Sarney, neto do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também atuou na venda de seguro de vida para servidores da instituição, além de intermediar empréstimos consignados a funcionários da Casa, segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo desta terça-feira. As vendas eram feitas em parceria com o Grupo MBM, empresa sediada no Rio Grande do Sul com negócios na área de seguros e previdência privada
Roberto Toledo, gerente da MBM em Brasília, diz que o seguro era oferecido quando o servidor tomava o empréstimo. “Mas, veja bem, não fazíamos venda casada”, preveniu-se Toledo. O neto de Sarney diz que nunca operou nesse ramo porque não tem autorização para vender seguros. Em nota divulgada ontem, Sarney, o avô, afirmou que não é possível fazer relação entre seu cargo e a empresa do neto.
Segundo o Estado, José Adriano negou que a Sarcris tenha operado no setor. Um dos sócios da Sarcris, Christian Hrdina, não quis falar sobre a atuação da empresa na área de seguros.
Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo da última quinta-feira apontou que a consultoria de José Adriano teria recebido autorização de seis bancos, sendo o principal o HSBC, para intermediar os empréstimos de servidores do Senado com desconto em folha. Ontem, Sarney enviou uma nota aos colegas, na qual nega ter favorecido o neto em sua atuação no Congresso.