A vinda do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil marcada para esta quarta-feira se tornou um mistério. Poucas horas depois de ser anunciado o cancelamento da viagem do líder pela agência de notícias Irna, a Embaixada do Irã em Brasília confirmou a visita do líder. Os motivos para o cancelamento não chegaram a ser divulgados e o Itamaraty não se pronunciou sobre a confusão de informações. Por essa razão, ainda não se sabe se a entrevista coletiva prevista para esta segunda-feira, às 16h, no Itamaraty, com o embaixador Roberto Jaguaribe, subsecretario-geral de Assuntos Políticos, realmente acontecerá. Jaguaribe falaria sobre a agenda de trabalho a ser tratada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Mahmoud Ahmadinejad.
- Continuamos trabalhando normalmente nos preparativos da viagem. Fizemos uma reunião hoje cedo e agora à tarde teremos uma nova reunião no Itamaraty - disse funcionário do governo iraniano
No domingo, centenas de pessoas protestaram no Rio de Janeiro e em São Paulo contra a visita do líder . No país, conforme havia informado o chanceler Manouchehr Mottaki, o Irã pode buscar aprofundar a estrutura para uma relação baseada no respeito mútuo de interesses.
Ahmadinejad viajaria acompanhado de uma delegação composta por 110 pessoas e seu principal objetivo na Venezuela e Equador seria verificar acordos de cooperação nas áreas energética e econômica firmados com os governos locais.
Já a visita que o presidente fará amanhã à Síria, onde se reunirá com seu homólogo Bashar al-Assad, não foi alterada.
Nesta manhã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Hassan Qashqavi, havia confirmado a viagem, explicando que o governo buscava "relações ativas com os países da América Latina nos setores de cultura, economia e política".
Na ocasião, Qashqavi, criticou as declarações da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que havia considerado "inquietantes" os vínculos de Teerã e da China com a região latino-americana.
- Eu não acho que no mundo de hoje, um mundo multipolar no qual estamos competindo pela atenção e relacionamento com, pelo menos, russos, chineses e iranianos, seja do nosso interesse virar as costas para países do nosso hemisfério - comentou Hillary na última sexta-feira.
A visita do presidente iraniano ao Brasil também havia gerado tensões, já que Ahmadinejad negou a existência do holocausto durante a na Conferência sobre Racismo da Organização das Nações Unidas (ONU) no último dia 20.
Na ocasião, o governo brasileiro criticou em nota oficial o discurso do mandatário, mas não retirou o convite da visita ao país, fato que fez com que Israel convocasse para consultas o embaixador do Brasil em Teerã, Pedro Motta.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorin, respondeu dizendo que o país desejava iniciar com o Irã "um diálogo franco, sem reservas e com liberdade para exprimir as suas divergências".
4 de maio de 2009
3 de maio de 2009
Honorários de sucumbência: comissão da OAB/RJ vai apresentar proposta no dia 6 de maio
Da redação da Tribuna do Advogado - OAB RJ
- A Comissão Especial sobre honorários de sucumbência na Justiça do Trabalho da OAB/RJ, presidida pelo conselheiro Nicola Manna Piraino, apresenta, no dia 6 de maio, às 17h, na sede do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) a um anteprojeto de lei que assegura a indispensabilidade do advogado trabalhista, assim como torna obrigatória a concessão de honorários de sucumbência na Justiça do Trabalho. O anteprojeto foi elaborado pelo ex-ministro do Tribunal Superior do Trabalho Arnaldo Sussekind, que participou da formulação da Consolidação das Leis Trabalhistas, e pelo jurista Benedito Calheiros Bomfim, advogado militante há mais de cinqüenta anos.
Já confirmaram presença na solenidade, na qual será prestada uma homenagem aos idealizadores do anteprojeto, o ministro da Justiça, Tarso Genro, o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, além de vários juristas, juízes, advogados e procuradores do Trabalho.
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- A Comissão Especial sobre honorários de sucumbência na Justiça do Trabalho da OAB/RJ, presidida pelo conselheiro Nicola Manna Piraino, apresenta, no dia 6 de maio, às 17h, na sede do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) a um anteprojeto de lei que assegura a indispensabilidade do advogado trabalhista, assim como torna obrigatória a concessão de honorários de sucumbência na Justiça do Trabalho. O anteprojeto foi elaborado pelo ex-ministro do Tribunal Superior do Trabalho Arnaldo Sussekind, que participou da formulação da Consolidação das Leis Trabalhistas, e pelo jurista Benedito Calheiros Bomfim, advogado militante há mais de cinqüenta anos.
Já confirmaram presença na solenidade, na qual será prestada uma homenagem aos idealizadores do anteprojeto, o ministro da Justiça, Tarso Genro, o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, além de vários juristas, juízes, advogados e procuradores do Trabalho.
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Decano do Supremo faz desagravo a Gilmar Mendes
Do Valor Econômico
Na primeira sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada depois da discussão entre os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes - presidente do Supremo -, os demais ministros da Corte reafirmaram, de forma contundente, o seu apoio ao presidente do STF. Apesar de não fazerem menção ao ocorrido na semana passada - quando o bate-boca entre os ministros provocou o encerramento da sessão -, os ministros discursaram por cerca de uma hora a respeito do primeiro ano de administração do presidente Gilmar Mendes, relembrando todos os seus feitos, com grandes elogios à sua gestão. O ministro Joaquim Barbosa não compareceu ao plenário ontem.
Antes do início dos julgamentos, o ministro Celso de Mello, decano da Corte, leu um longo discurso sobre o primeiro ano de presidência de Gilmar Mendes. Na opinião de Mello, o Supremo cumpriu seu papel de guardião da Constituição Federal e conseguiu coibir práticas discriminatórias e qualquer ensaio de opressão estatal. "O Supremo tem sido fiel aos objetivos fundamentais da República (...), é uma verdadeira jurisprudência das liberdades que sofre injustos ataques de agentes do próprio aparelho estatal", disse.
Embora falasse de forma generalizada, alguns trechos de seu discurso podem ter feito referência à controvérsia da semana passada: o ministro afirmou que o Supremo não julga em função da condição econômica, política ou social das pessoas. "O Supremo é mais importante do que todos e cada um dos ministros", diz. No bate-boca da última sessão, o ministro Gilmar Mendes entendeu que houve insinuações, por parte do ministro Joaquim Barbosa, de que teria tido uma opinião tendenciosa.
O ministro Celso de Mello ressaltou algumas das decisões que classificou como importantíssimas nesse ano, como aquelas envolvendo pesquisas com células-tronco, nepotismo e a demarcação da Raposa Terra do Sol. Foram lembradas ainda os mutirões carcerários que resultaram na libertação de dois mil presos que se encontravam em situação irregular, a edição de 11 súmulas vinculantes e das 128 controvérsias que tiveram repercussão geral reconhecida pela corte. Os demais ministros - à exceção dos ministros Cezar Peluzo e Joaquim Barbosa, que não estavam presentes- reafirmaram os votos de confiança no próximo ano de gestão do presidente Gilmar Mendes. Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Advocacia-Geral da União (AGU) também elogiaram a gestão do ministro.
Na primeira sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada depois da discussão entre os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes - presidente do Supremo -, os demais ministros da Corte reafirmaram, de forma contundente, o seu apoio ao presidente do STF. Apesar de não fazerem menção ao ocorrido na semana passada - quando o bate-boca entre os ministros provocou o encerramento da sessão -, os ministros discursaram por cerca de uma hora a respeito do primeiro ano de administração do presidente Gilmar Mendes, relembrando todos os seus feitos, com grandes elogios à sua gestão. O ministro Joaquim Barbosa não compareceu ao plenário ontem.
Antes do início dos julgamentos, o ministro Celso de Mello, decano da Corte, leu um longo discurso sobre o primeiro ano de presidência de Gilmar Mendes. Na opinião de Mello, o Supremo cumpriu seu papel de guardião da Constituição Federal e conseguiu coibir práticas discriminatórias e qualquer ensaio de opressão estatal. "O Supremo tem sido fiel aos objetivos fundamentais da República (...), é uma verdadeira jurisprudência das liberdades que sofre injustos ataques de agentes do próprio aparelho estatal", disse.
Embora falasse de forma generalizada, alguns trechos de seu discurso podem ter feito referência à controvérsia da semana passada: o ministro afirmou que o Supremo não julga em função da condição econômica, política ou social das pessoas. "O Supremo é mais importante do que todos e cada um dos ministros", diz. No bate-boca da última sessão, o ministro Gilmar Mendes entendeu que houve insinuações, por parte do ministro Joaquim Barbosa, de que teria tido uma opinião tendenciosa.
O ministro Celso de Mello ressaltou algumas das decisões que classificou como importantíssimas nesse ano, como aquelas envolvendo pesquisas com células-tronco, nepotismo e a demarcação da Raposa Terra do Sol. Foram lembradas ainda os mutirões carcerários que resultaram na libertação de dois mil presos que se encontravam em situação irregular, a edição de 11 súmulas vinculantes e das 128 controvérsias que tiveram repercussão geral reconhecida pela corte. Os demais ministros - à exceção dos ministros Cezar Peluzo e Joaquim Barbosa, que não estavam presentes- reafirmaram os votos de confiança no próximo ano de gestão do presidente Gilmar Mendes. Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Advocacia-Geral da União (AGU) também elogiaram a gestão do ministro.
BOLSA FAMÍLIA ATINGIRÁ 1 EM CADA 3 BRASILEIROS EM 2010
O Globo
O Bolsa Família, maior programa social do governo Lula, atingirá em 2010, ano eleitoral, um em cada três brasileiros. Hoje o benefício já chega, direta ou indiretamente, a 29% da população - sendo que, em seis estados do Nordeste, mais da metade dos moradores vive do programa, segundo levantamento do GLOBO com base em dados oficiais. É o que mostra reportagem de Leila Suwwan, publicada na edição deste domingo de O GLOBO.
No Maranhão, no Piauí e em Alagoas, de 58% a 59% da população dependem do Bolsa Família. Na cidade de Junco do Maranhão, 95,7% das famílias vivem do programa. De acordo com o governador do Piauí, Wellington Dias, o alto número de beneficiários no estado reflete uma "situação dramática".
Para o governo federal, a grande abrangência é positiva, e os estados é que devem cuidar do combate às causas estruturais da pobreza. Já os especialistas lembram é preciso criar saídas para romper o ciclo de miséria e evitar a exploração política da transferência de renda.
Em Canudos, 70% dos moradores recebem Bolsa Família
Reportagem de Maiá Menezes mostra que, em Canudos, na Bahia, 70% de seus moradores são dependentes do Bolsa Família. É a única renda para a maioria dos sucessores de Conselheiro, o beato-herói que inflamou a população do então vilarejo de Bello Monte, em 1893, contra impostos e regras da República.
Neste domingo, será encerrado o II Cine Fest Brasil-Canudos, organizado pela produtora Inffinito, com patrocínio do BNDES. Cerca de 240 estudantes das rede municipal e estadual participaram, por dez dias, de oficinas de interpretação, direção, roteiro e direção de arte. Produziram dois curta-metragens que serão exibidos neste domingo
O Bolsa Família, maior programa social do governo Lula, atingirá em 2010, ano eleitoral, um em cada três brasileiros. Hoje o benefício já chega, direta ou indiretamente, a 29% da população - sendo que, em seis estados do Nordeste, mais da metade dos moradores vive do programa, segundo levantamento do GLOBO com base em dados oficiais. É o que mostra reportagem de Leila Suwwan, publicada na edição deste domingo de O GLOBO.
No Maranhão, no Piauí e em Alagoas, de 58% a 59% da população dependem do Bolsa Família. Na cidade de Junco do Maranhão, 95,7% das famílias vivem do programa. De acordo com o governador do Piauí, Wellington Dias, o alto número de beneficiários no estado reflete uma "situação dramática".
Para o governo federal, a grande abrangência é positiva, e os estados é que devem cuidar do combate às causas estruturais da pobreza. Já os especialistas lembram é preciso criar saídas para romper o ciclo de miséria e evitar a exploração política da transferência de renda.
Em Canudos, 70% dos moradores recebem Bolsa Família
Reportagem de Maiá Menezes mostra que, em Canudos, na Bahia, 70% de seus moradores são dependentes do Bolsa Família. É a única renda para a maioria dos sucessores de Conselheiro, o beato-herói que inflamou a população do então vilarejo de Bello Monte, em 1893, contra impostos e regras da República.
Neste domingo, será encerrado o II Cine Fest Brasil-Canudos, organizado pela produtora Inffinito, com patrocínio do BNDES. Cerca de 240 estudantes das rede municipal e estadual participaram, por dez dias, de oficinas de interpretação, direção, roteiro e direção de arte. Produziram dois curta-metragens que serão exibidos neste domingo
Arquivado pedido para que Lula explique declaração sobre 'gente branca'
Do G1, em São Paulo
O Supremo Tribunal Federal (STF) arquivou na última quinta-feira (30) uma interpelação judicial que cobrava do presidente Luiz Inácio Lula da Silva explicações sobre as declarações de que a "crise foi feita por gente branca, de olhos azuis que antes da crise sabiam tudo e, agora, não sabem de nada. A frase foi dita durante a visita do premiê britânico, Gordon Brown, a Brasília, no último dia 26.
A interpelação judicial foi impetrada pelo jornalista Clóvis Victorio Mezzomo, que alegou ter se sentido ofendido pelo presidente e que a declaração representava racismo.
Neto de italianos, o jornalista, porém, não tem olhos azuis, mas verdes. “Pelo fato de sua família [a do jornalista] ser proveniente do norte da Itália, sua pele é de tez extremamente alva e apresenta, como é comum entre os descendentes, olhos verdes”, destaca trecho da ação. Na decisão, o ministro do STF Celso de Mello argumentou que não cabe pedido de explicação em declaração cujo conteúdo não seja ambíguo. O ministro afirmou que o empresário não revelou dúvida ou incerteza quanto às afirmações do presidente, mas frisou que se sentiu pessoalmente ofendido pela declaração.
Celso de Mello afirmou ainda que o instrumento de interpelação não cabe em uma acusação de racismo. Para uma acusação como essa, segundo o STF, caberia uma ação penal pública, que não comporta o uso da interpelação como medida preparatória.
O Supremo Tribunal Federal (STF) arquivou na última quinta-feira (30) uma interpelação judicial que cobrava do presidente Luiz Inácio Lula da Silva explicações sobre as declarações de que a "crise foi feita por gente branca, de olhos azuis que antes da crise sabiam tudo e, agora, não sabem de nada. A frase foi dita durante a visita do premiê britânico, Gordon Brown, a Brasília, no último dia 26.
A interpelação judicial foi impetrada pelo jornalista Clóvis Victorio Mezzomo, que alegou ter se sentido ofendido pelo presidente e que a declaração representava racismo.
Neto de italianos, o jornalista, porém, não tem olhos azuis, mas verdes. “Pelo fato de sua família [a do jornalista] ser proveniente do norte da Itália, sua pele é de tez extremamente alva e apresenta, como é comum entre os descendentes, olhos verdes”, destaca trecho da ação. Na decisão, o ministro do STF Celso de Mello argumentou que não cabe pedido de explicação em declaração cujo conteúdo não seja ambíguo. O ministro afirmou que o empresário não revelou dúvida ou incerteza quanto às afirmações do presidente, mas frisou que se sentiu pessoalmente ofendido pela declaração.
Celso de Mello afirmou ainda que o instrumento de interpelação não cabe em uma acusação de racismo. Para uma acusação como essa, segundo o STF, caberia uma ação penal pública, que não comporta o uso da interpelação como medida preparatória.
Morre no Rio diretor e dramaturgo Augusto Boal
Do G1, no Rio, com informações da Globo News
Ensaísta tinha 78 anos e sofria de leucemia.Boal foi nomeado pela Unesco embaixador mundial do teatro.
Morreu na madrugada desta sábado (2) o diretor teatral, dramaturgo e ensaísta Augusto Boal. Segundo informações de parentes, ele estava internado no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Boal tinha 78 anos e sofria de leucemia.
Boal foi fundador do Teatro do Oprimido. Em março de 2009, Boal foi nomeado pela Unesco embaixador mundial do teatro.
Segundo informações do hospital, o diretor foi internado no dia 28 de abril, com quadro de infecção respiratória. O motivo de sua morte, de acordo com o hospital, foi insuficiência respiratória. Ele morreu por volta de 2h40 deste sábado.
Boal foi uma das grandes figuras do teatro contemporâneo. Formado em química, estudou dramaturgia em Columbia, Nova York.
Segundo o amigo do dramaturgo e também diretor teatral Aderbal Freire Filho, o corpo de Boal foi velado até 17h na capela do Hospital Samaritano. O corpo será cremado no domingo (3) no Cemitério do Caju.
Ainda de acordo com Aderbal, no dia do teatro Boal foi convidado a fazer um pronunciamento na sede da Unesco, como representante da classe teatral. O diretor já teria ido debilitado e voltou pior.
Um dos mais importantes dramaturgos brasileiros, Augusto Boal nasceu no Rio de Janeiro, em 16 de março de 1931. Ganhou notoriedade com seu Teatro do Oprimido, cuja proposta era transformar o espectador em elemento ativo do espetáculo. Segundo ele próprio, conceito que ensinava "as pessoas a se inserirem na sociedade".
O poeta Ferreira Gullart destacou a importância do diretor: “Boal foi um dos criadores do teatro moderno brasileiro. Eu to falando do teatro moderno tendo como marco o Teatro de Arena. O Teatro de Arena inicia uma nova etapa do teatro brasileiro caracterizado pelo engajamento político, pela busca de expressar os anseios e o inconformismo do povo, do trabalhador e da juventude, sempre por uma perspectiva de engajamento de luta e transformação da sociedade. O Boal encarou isso e a vida inteira foi um batalhador nessa ação. Ele foi um diretor de teatro excelente. Lembro na inauguração do Grupo Opinião, ele foi chamado por nós pra dirigir o show Opinião. O show se tornou um exemplo de um novo teatro musical. Era um companheiro, um amigo muito legal e uma figura humana admirável.”
Ensaísta tinha 78 anos e sofria de leucemia.Boal foi nomeado pela Unesco embaixador mundial do teatro.
Morreu na madrugada desta sábado (2) o diretor teatral, dramaturgo e ensaísta Augusto Boal. Segundo informações de parentes, ele estava internado no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Boal tinha 78 anos e sofria de leucemia.
Boal foi fundador do Teatro do Oprimido. Em março de 2009, Boal foi nomeado pela Unesco embaixador mundial do teatro.
Segundo informações do hospital, o diretor foi internado no dia 28 de abril, com quadro de infecção respiratória. O motivo de sua morte, de acordo com o hospital, foi insuficiência respiratória. Ele morreu por volta de 2h40 deste sábado.
Boal foi uma das grandes figuras do teatro contemporâneo. Formado em química, estudou dramaturgia em Columbia, Nova York.
Segundo o amigo do dramaturgo e também diretor teatral Aderbal Freire Filho, o corpo de Boal foi velado até 17h na capela do Hospital Samaritano. O corpo será cremado no domingo (3) no Cemitério do Caju.
Ainda de acordo com Aderbal, no dia do teatro Boal foi convidado a fazer um pronunciamento na sede da Unesco, como representante da classe teatral. O diretor já teria ido debilitado e voltou pior.
Um dos mais importantes dramaturgos brasileiros, Augusto Boal nasceu no Rio de Janeiro, em 16 de março de 1931. Ganhou notoriedade com seu Teatro do Oprimido, cuja proposta era transformar o espectador em elemento ativo do espetáculo. Segundo ele próprio, conceito que ensinava "as pessoas a se inserirem na sociedade".
O poeta Ferreira Gullart destacou a importância do diretor: “Boal foi um dos criadores do teatro moderno brasileiro. Eu to falando do teatro moderno tendo como marco o Teatro de Arena. O Teatro de Arena inicia uma nova etapa do teatro brasileiro caracterizado pelo engajamento político, pela busca de expressar os anseios e o inconformismo do povo, do trabalhador e da juventude, sempre por uma perspectiva de engajamento de luta e transformação da sociedade. O Boal encarou isso e a vida inteira foi um batalhador nessa ação. Ele foi um diretor de teatro excelente. Lembro na inauguração do Grupo Opinião, ele foi chamado por nós pra dirigir o show Opinião. O show se tornou um exemplo de um novo teatro musical. Era um companheiro, um amigo muito legal e uma figura humana admirável.”
PLANALTO ENCOMENDA PESQUISA SOBRE REAÇÕES A DOENÇA DE DILMA
Apesar de Dilma Rousseff dizer que não pretende converter seu tratamento em "espetáculo" e de Lula afirmar que a "prioridade zero" da ministra da Casa Civil é cuidar de sua saúde, o governo federal está ansioso para saber qual será a reação do eleitor ao câncer da pré-candidata governista à sucessão presidencial. Segundo já se noticia na imprensa o Planalto pretende fazer ampla pesquisa sobre as reações à doença de Dilma.
Para tentar descobrir o "enigma" o Planalto encomendou ao marqueteiro de Lula, João Santana, sob o acompanhamento de Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete do presidente, uma pesquisa qualitativa para detectar o humor, os medos e os anseios das pessoas em relação à doença de Dilma.
Diferentemente das sondagens quantitativas, que medem o percentual de intenção de votos, a pesquisa buscará, através da sugestão de temas de debate aos eleitores, confrontar as opiniões de eleitores de tendência governista e oposicionista e verificar se os humores variam conforme o estrato social do pesquisado.
No Planalto, prevalece a sensação de que a doença de Dilma pode render dividendos políticos, pois o eleitor tenderia a se solidarizar com o drama da candidata. A recuperação da ministra ajudaria a suavizar sua imagem de "carrancuda".
uma dúvida inquietante ronda a pesquisa encomendada pelo Planalto: Quem paga?".
Para tentar descobrir o "enigma" o Planalto encomendou ao marqueteiro de Lula, João Santana, sob o acompanhamento de Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete do presidente, uma pesquisa qualitativa para detectar o humor, os medos e os anseios das pessoas em relação à doença de Dilma.
Diferentemente das sondagens quantitativas, que medem o percentual de intenção de votos, a pesquisa buscará, através da sugestão de temas de debate aos eleitores, confrontar as opiniões de eleitores de tendência governista e oposicionista e verificar se os humores variam conforme o estrato social do pesquisado.
No Planalto, prevalece a sensação de que a doença de Dilma pode render dividendos políticos, pois o eleitor tenderia a se solidarizar com o drama da candidata. A recuperação da ministra ajudaria a suavizar sua imagem de "carrancuda".
uma dúvida inquietante ronda a pesquisa encomendada pelo Planalto: Quem paga?".
Doença de Dilma é "última tentação de Lula", diz "El País"
O diário espanhol "El País" publicou artigos onde afirma que o câncer linfático recém-descoberto pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, é uma novo problema enfrentado pelo presidente Lula.
O artigo observa que Lula havia escolhido Dilma como sua candidata a sucedê-lo na Presidência para as eleições do ano que vem, mas que o anúncio feito pela ministra no último fim de semana, de que passará por um tratamento quimioterápico para tratar um linfoma, trouxe um novo dilema para o presidente.
"Que fazer? O mundo político está em ebulição. O governo não tem neste momento uma proposta factível para derrotar os possíveis candidatos da oposição, sobretudo o governador de São Paulo, José Serra", diz o texto.
"Lula tem duas opções: nomear outro candidato ou manter a candidatura de Dilma, como fez num primeiro momento, afirmando que o Brasil precisa de uma mulher como ela, que soube sair incólume das torturas durante a ditadura militar e que superará agora a nova prova do câncer", observa.
'Lince político"
O artigo relata que Lula pediu recentemente que o povo brasileiro reze pela ministra e que voltou a levá-la para inaugurações de obras, levando o governo a ser acusado de "instrumentalizar a enfermidade da ministra, pouco popular, para fortalecer sua candidatura, sobretudo entre os mais pobres".
"Lula, que é um lince político, já se adiantou a dizer que 'não se brinca com essas coisas'. É o que pede a oposição", comenta o texto, que questiona: "É definitiva a decisão de Lula?".
"Lula não pode errar. É possível que organize alguma pesquisa para uso exclusivo do governo para saber se o fator doença de sua ministra lhe dará ou tirará votos. Depois decidirá', diz o artigo.
"Até agora, seu instinto de animal político nunca o enganou. E este é o temor da oposição: que volte a acertar", conclui o jornal.
O artigo observa que Lula havia escolhido Dilma como sua candidata a sucedê-lo na Presidência para as eleições do ano que vem, mas que o anúncio feito pela ministra no último fim de semana, de que passará por um tratamento quimioterápico para tratar um linfoma, trouxe um novo dilema para o presidente.
"Que fazer? O mundo político está em ebulição. O governo não tem neste momento uma proposta factível para derrotar os possíveis candidatos da oposição, sobretudo o governador de São Paulo, José Serra", diz o texto.
"Lula tem duas opções: nomear outro candidato ou manter a candidatura de Dilma, como fez num primeiro momento, afirmando que o Brasil precisa de uma mulher como ela, que soube sair incólume das torturas durante a ditadura militar e que superará agora a nova prova do câncer", observa.
'Lince político"
O artigo relata que Lula pediu recentemente que o povo brasileiro reze pela ministra e que voltou a levá-la para inaugurações de obras, levando o governo a ser acusado de "instrumentalizar a enfermidade da ministra, pouco popular, para fortalecer sua candidatura, sobretudo entre os mais pobres".
"Lula, que é um lince político, já se adiantou a dizer que 'não se brinca com essas coisas'. É o que pede a oposição", comenta o texto, que questiona: "É definitiva a decisão de Lula?".
"Lula não pode errar. É possível que organize alguma pesquisa para uso exclusivo do governo para saber se o fator doença de sua ministra lhe dará ou tirará votos. Depois decidirá', diz o artigo.
"Até agora, seu instinto de animal político nunca o enganou. E este é o temor da oposição: que volte a acertar", conclui o jornal.
TSE tenta barrar doações ocultas para candidatos
da Folha Online
Com o intuito de acabar com o chamado financiamento oculto das campanhas eleitorais, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) prepara para as eleições de 2010 a exigência de que os partidos criem uma conta bancária específica para receber e repassar doações eleitorais recebidas de empresas e pessoas físicas, informa reportagem de Felipe Seligman, publicada na Folha deste domingo (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
Hoje é comum que empresas que não querem ver os seus nomes associados aos candidatos façam a doação indiretamente, via partido, 'embaralhando' a doação no caixa único das legendas e praticamente impossibilitando a identificação clara de quem doou para quem.
As regras, que ainda precisam passar pelo plenário da corte, estão em um projeto de resolução, obtido pela Folha, elaborado por técnicos da área jurídica e de auditoria do TSE.
Além da conta específica para doações eleitorais, informa a reportagem, o TSE analisa estender aos partidos as mesmas restrições existentes aos candidatos quanto às entidades proibidas de doar.
Com o intuito de acabar com o chamado financiamento oculto das campanhas eleitorais, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) prepara para as eleições de 2010 a exigência de que os partidos criem uma conta bancária específica para receber e repassar doações eleitorais recebidas de empresas e pessoas físicas, informa reportagem de Felipe Seligman, publicada na Folha deste domingo (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
Hoje é comum que empresas que não querem ver os seus nomes associados aos candidatos façam a doação indiretamente, via partido, 'embaralhando' a doação no caixa único das legendas e praticamente impossibilitando a identificação clara de quem doou para quem.
As regras, que ainda precisam passar pelo plenário da corte, estão em um projeto de resolução, obtido pela Folha, elaborado por técnicos da área jurídica e de auditoria do TSE.
Além da conta específica para doações eleitorais, informa a reportagem, o TSE analisa estender aos partidos as mesmas restrições existentes aos candidatos quanto às entidades proibidas de doar.
PARÁ TEM "EXÉRCITO" DE 15 MIL SEM-TERRA
Estado que lidera conflitos fundiários no País assiste a amplo recrutamento, enquanto força policial é quase nula
ESTADÃO ON LINE
José Maria Tomazela
Numa ação sem precedentes, grupos de luta social liderados pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) formaram um contingente de 15 mil homens para enfrentar o latifúndio no sul e sudeste do Pará. A estimativa é baseada em números do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e dos próprios sem-terra. O recrutamento coincide com o aumento da violência no campo, segundo ouvidores do Incra. O Estado registra o maior número de conflitos fundiários do País e tem imensas extensões de terras pretendidas por possíveis beneficiários da reforma agrária.A massa recrutada nas periferias das cidades, em sua maioria gente pobre e desempregada, é preparada para lutar pela terra em quase cem acampamentos ao longo de rodovias como a PA-150, que liga de Marabá, no sudeste, a Xinguara, 250 quilômetros ao sul. Além do MST, sindicatos ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) aceleraram a formação de acampamentos.Grande parte desse contingente está acampada em fazendas invadidas, como as da agropecuária Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas. Nesses redutos, nem a polícia entra, a não ser na companhia de ouvidores agrários. Só este ano, o MST tomou 15 fazendas na região. Na Espírito Santo, em Xinguara, uma das fazendas do grupo, seguranças e sem-terra entraram em confronto, no dia 18, deixando oito feridos. Depois do tiroteio, os sem-terra fizeram uma trincheira com sacos de areia e se mantêm na entrada da propriedade. O risco de novos conflitos é iminente: os fazendeiros, sem poder contar com a força policial, montaram aparatos próprios de segurança. Só a Santa Bárbara tem 58 vigilantes armados.O efetivo da fazenda é maior que o da Polícia Militar de Xinguara, cidade de 40 mil habitantes que tem pouco mais de 20 policiais, e nem se compara ao contingente do posto da PM no distrito de Gogó da Onça, o mais próximo do conflito. Ali, um sargento e três soldados atendem ocorrências a pé - a única viatura está quebrada. O distrito tem 2,5 mil habitantes e é cercado de acampamentosO soldado Alex Oeiras diz que não tem autorização para se meter com o MST. "Mexer com eles é bronca brava." Em caso de conflito, a ordem é avisar o comando, em Xinguara. Geralmente é deslocada tropa de Belém. Ele classifica os sem-terra como abusados. "Falam abertamente que, se despejar cem vezes, as cem eles voltam."ARMASAs forças mandadas pelo governo estadual após o tiroteio na Espírito Santo continuavam na região na última quinta-feira. São 22 homens do Comando de Missões Especiais da Polícia Militar e 15 da Divisão de Investigação de Operações Especiais da Polícia Civil. Já fizeram buscas nos acampamentos e fazendas, mas só conseguiram apreender uma espingarda velha. As viaturas enfrentam os buracos da PA-150, destruída pelas chuvas e usada ainda para escoar boiadas. Os Os fazendeiros reclamam da demora do governo em cumprir as reintegrações de posse. Os sem-terra alegam que só os acampados são desarmados, não as milícias.Na Polícia Federal de Marabá, apenas sete empresas estão cadastradas para dar segurança nas fazendas. Juntas, somam 800 homens. O delegado Antonio Carlos Beabrun Júnior, chefe da PF de Marabá, conta que empresas de outros Estados atuam na região. Mas o número de homens armados é muito maior, por causa da contratação de capangas.Nas blitze, a PF tem dificuldade para encontrar armas, sempre escondidas. "Já achamos espingardas penduradas em árvore", relata o delegado.No acampamento Helenira Resende, na Fazenda Cedro, em Marabá, os sem-terra treinam a "resistência camponesa". "A gente aprende como fazer a ocupação e resistir", conta um militante, logo advertido por outro. "Não pode falar, não." Ali ninguém se identifica. Um grupo de oito sem-terra vigia, de uma guarita improvisada, quem chega pela PA-150. Em caso de alerta, como a chegada da polícia ou estranhos, eles disparam morteiros para chamar reforço. Uma vala impede a passagem de carros - só passam as motos dos sem-terra. A entrada da imprensa é proibida. Fotos, mesmo de fora, só com autorização da liderança. Integrantes do MST bloqueiam também a entrada da Fazenda Maria Bonita, outra do grupo de Dantas.O vaqueiro Raimundo Silva, de 62 anos, entrou meio sem querer na força-tarefa usada pelo MST para invadir a Espírito Santo, no final de fevereiro. Morador de Xinguara, ele atendeu ao chamado de um carro de som que prometia uma cesta básica por mês, mais a terra e, ainda, dinheiro para plantar. Numa mensagem gravada, o locutor dizia que o governo assentaria todas as famílias acampadas. Pai de nove filhos, a maioria "com a vida feita", ele deixou na casa a mulher e um casal de filhos menores e foi até um assentamento do MST. Na noite seguinte, estava na carroceria de um caminhão indo para a sua primeira invasão - "lá eles dizem ocupação", observa.Quando a casa do funcionário da portaria foi atacada e os moradores obrigados a sair, Silva ficou lá atrás: "Vi criança e pensei no meu caçula de 13 anos." Silva não estava no grupo que enfrentou os seguranças da Espírito Santo, mas ouviu o tiroteio e viu as pessoas chegarem feridas. "Nosso pessoal não tinha armas, só foguetes."O capataz da fazenda, Luiz Nunes de Araujo, diz que os sem-terra atiraram. Prova de que os acampados têm armas, segundo ele, são os tiros contra os bois.No dia anterior ao conflito, eles tinham matado quatro vacas. Ele mostrou as carcaças. "Só levaram a carne melhor, do traseiro." O capataz conta que os próprios sem-terra avisaram, ironizando, que tinham "ido ao açougue" no pasto. No verso da placa com o nome do acampamento, os sem-terra grafaram "churrascaria".TERRA VIOLENTAO Pará é campeão nacional em conflitos no campo. Números divulgados semana passada pela CPT mostram que, ao contrário do resto do País, ali a violência está aumentando. Em 2008, o Estado registrou 245 ocorrências, mais que o dobro do Maranhão, segundo colocado, que teve 101. No ano passado, 46,4% dos casos de violência rural no Brasil ocorreram no Pará - no ano anterior eram 18%.O número de assassinatos decorrentes desses conflitos no Estado aumentou 160% - de 5 para 13 -, enquanto as prisões dos envolvidos caíram 50%. Desde 1996, quando ocorreu o assassinato de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, 205 pessoas foram mortas em disputas pela terra. Entre elas, a freira Doroty Stang, assassinada por fazendeiros em 2005.Segundo o advogado e membro da CPT José Batista Afonso, a região atraiu investimentos de grandes grupos e vive uma explosão demográfica, incapaz de ser absorvida, engrossando os acampamentos. A líder Maria Raimunda César, da coordenação nacional do MST, disse que o aumento de acampados é consequência da falta de empregos. "O governo precisa acelerar os assentamentos."
ESTADÃO ON LINE
José Maria Tomazela
Numa ação sem precedentes, grupos de luta social liderados pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) formaram um contingente de 15 mil homens para enfrentar o latifúndio no sul e sudeste do Pará. A estimativa é baseada em números do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e dos próprios sem-terra. O recrutamento coincide com o aumento da violência no campo, segundo ouvidores do Incra. O Estado registra o maior número de conflitos fundiários do País e tem imensas extensões de terras pretendidas por possíveis beneficiários da reforma agrária.A massa recrutada nas periferias das cidades, em sua maioria gente pobre e desempregada, é preparada para lutar pela terra em quase cem acampamentos ao longo de rodovias como a PA-150, que liga de Marabá, no sudeste, a Xinguara, 250 quilômetros ao sul. Além do MST, sindicatos ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) aceleraram a formação de acampamentos.Grande parte desse contingente está acampada em fazendas invadidas, como as da agropecuária Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas. Nesses redutos, nem a polícia entra, a não ser na companhia de ouvidores agrários. Só este ano, o MST tomou 15 fazendas na região. Na Espírito Santo, em Xinguara, uma das fazendas do grupo, seguranças e sem-terra entraram em confronto, no dia 18, deixando oito feridos. Depois do tiroteio, os sem-terra fizeram uma trincheira com sacos de areia e se mantêm na entrada da propriedade. O risco de novos conflitos é iminente: os fazendeiros, sem poder contar com a força policial, montaram aparatos próprios de segurança. Só a Santa Bárbara tem 58 vigilantes armados.O efetivo da fazenda é maior que o da Polícia Militar de Xinguara, cidade de 40 mil habitantes que tem pouco mais de 20 policiais, e nem se compara ao contingente do posto da PM no distrito de Gogó da Onça, o mais próximo do conflito. Ali, um sargento e três soldados atendem ocorrências a pé - a única viatura está quebrada. O distrito tem 2,5 mil habitantes e é cercado de acampamentosO soldado Alex Oeiras diz que não tem autorização para se meter com o MST. "Mexer com eles é bronca brava." Em caso de conflito, a ordem é avisar o comando, em Xinguara. Geralmente é deslocada tropa de Belém. Ele classifica os sem-terra como abusados. "Falam abertamente que, se despejar cem vezes, as cem eles voltam."ARMASAs forças mandadas pelo governo estadual após o tiroteio na Espírito Santo continuavam na região na última quinta-feira. São 22 homens do Comando de Missões Especiais da Polícia Militar e 15 da Divisão de Investigação de Operações Especiais da Polícia Civil. Já fizeram buscas nos acampamentos e fazendas, mas só conseguiram apreender uma espingarda velha. As viaturas enfrentam os buracos da PA-150, destruída pelas chuvas e usada ainda para escoar boiadas. Os Os fazendeiros reclamam da demora do governo em cumprir as reintegrações de posse. Os sem-terra alegam que só os acampados são desarmados, não as milícias.Na Polícia Federal de Marabá, apenas sete empresas estão cadastradas para dar segurança nas fazendas. Juntas, somam 800 homens. O delegado Antonio Carlos Beabrun Júnior, chefe da PF de Marabá, conta que empresas de outros Estados atuam na região. Mas o número de homens armados é muito maior, por causa da contratação de capangas.Nas blitze, a PF tem dificuldade para encontrar armas, sempre escondidas. "Já achamos espingardas penduradas em árvore", relata o delegado.No acampamento Helenira Resende, na Fazenda Cedro, em Marabá, os sem-terra treinam a "resistência camponesa". "A gente aprende como fazer a ocupação e resistir", conta um militante, logo advertido por outro. "Não pode falar, não." Ali ninguém se identifica. Um grupo de oito sem-terra vigia, de uma guarita improvisada, quem chega pela PA-150. Em caso de alerta, como a chegada da polícia ou estranhos, eles disparam morteiros para chamar reforço. Uma vala impede a passagem de carros - só passam as motos dos sem-terra. A entrada da imprensa é proibida. Fotos, mesmo de fora, só com autorização da liderança. Integrantes do MST bloqueiam também a entrada da Fazenda Maria Bonita, outra do grupo de Dantas.O vaqueiro Raimundo Silva, de 62 anos, entrou meio sem querer na força-tarefa usada pelo MST para invadir a Espírito Santo, no final de fevereiro. Morador de Xinguara, ele atendeu ao chamado de um carro de som que prometia uma cesta básica por mês, mais a terra e, ainda, dinheiro para plantar. Numa mensagem gravada, o locutor dizia que o governo assentaria todas as famílias acampadas. Pai de nove filhos, a maioria "com a vida feita", ele deixou na casa a mulher e um casal de filhos menores e foi até um assentamento do MST. Na noite seguinte, estava na carroceria de um caminhão indo para a sua primeira invasão - "lá eles dizem ocupação", observa.Quando a casa do funcionário da portaria foi atacada e os moradores obrigados a sair, Silva ficou lá atrás: "Vi criança e pensei no meu caçula de 13 anos." Silva não estava no grupo que enfrentou os seguranças da Espírito Santo, mas ouviu o tiroteio e viu as pessoas chegarem feridas. "Nosso pessoal não tinha armas, só foguetes."O capataz da fazenda, Luiz Nunes de Araujo, diz que os sem-terra atiraram. Prova de que os acampados têm armas, segundo ele, são os tiros contra os bois.No dia anterior ao conflito, eles tinham matado quatro vacas. Ele mostrou as carcaças. "Só levaram a carne melhor, do traseiro." O capataz conta que os próprios sem-terra avisaram, ironizando, que tinham "ido ao açougue" no pasto. No verso da placa com o nome do acampamento, os sem-terra grafaram "churrascaria".TERRA VIOLENTAO Pará é campeão nacional em conflitos no campo. Números divulgados semana passada pela CPT mostram que, ao contrário do resto do País, ali a violência está aumentando. Em 2008, o Estado registrou 245 ocorrências, mais que o dobro do Maranhão, segundo colocado, que teve 101. No ano passado, 46,4% dos casos de violência rural no Brasil ocorreram no Pará - no ano anterior eram 18%.O número de assassinatos decorrentes desses conflitos no Estado aumentou 160% - de 5 para 13 -, enquanto as prisões dos envolvidos caíram 50%. Desde 1996, quando ocorreu o assassinato de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, 205 pessoas foram mortas em disputas pela terra. Entre elas, a freira Doroty Stang, assassinada por fazendeiros em 2005.Segundo o advogado e membro da CPT José Batista Afonso, a região atraiu investimentos de grandes grupos e vive uma explosão demográfica, incapaz de ser absorvida, engrossando os acampamentos. A líder Maria Raimunda César, da coordenação nacional do MST, disse que o aumento de acampados é consequência da falta de empregos. "O governo precisa acelerar os assentamentos."
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